04 fevereiro 2017

Medo de febre amarela faz moradores do Leste de MG matarem macacos

Especialistas alertam que primatas não são causadores da doença.Matar os animais é um crime ambiental, passível de multas e até prisão.


Jornal Nacional

O surto de febre amarela na região leste de Minas foi acompanhado de um movimento perigoso, motivado pela desinformação. Moradores de várias cidades brasileiras passaram a matar macacos, achando que isso ajudaria a combater a doença. Mas os especialistas alertam que não é só um crime. É um erro grave.

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Os fiscais do Ibama e do Instituto Estadual de Florestas de Minas Gerais receberam a denúncia de que os macacos estariam sendo mortos na zona rural de Novo Cruzeiro e de Ladainha, na Região Leste de Minas.

As duas cidades registraram vários casos de febre amarela em humanos. A suspeita é de que, com medo, moradores, principalmente da área rural, estariam matando os animais. Dona Valdíria, que já foi vacinada contra a doença, conta que os macaquinhos sumiram da região.

“Ouvi tiros. Eu sabia. Acho que os tiros estavam sendo nos macacos, porque eles ficavam assombrados. Eu sabia que estavam atacando eles. Eu gritava também. Eu gritava daqui pra não fazer isso com os bichinhos”, conta Valdíria Gomes, agricultora.

Matar os animais é um crime ambiental. Dá até um ano de cadeia e multa que pode chegar a R$ 5 mil.

“É impossível determinar quem são os caçadores, de onde eles vêm, quais os momentos que eles agem de imediato. Mas a gente vai coletar informação suficiente para a gente organizar a operação e fazer um controle efetivo dessa ação aqui”, afirma Daniel Vilela, analista ambiental do Ibama.

Segundo os biólogos, os macacos são como anjos da guarda, quando se trata de febre amarela. A presença de animais mortos pela doença é um alerta para que as autoridades de saúde de que a população que vive ali perto precisa ser vacinada. Sem os macacos, os casos de febre amarela só vão ser descobertos quando as pessoas apresentarem os sintomas da doença.

“Os primatas, definitivamente, não são causadores da febre amarela. Eles não trouxeram a febre amarela pra cidade. Existem pessoas que pensam que a febre amarela é transmitida através da mordida, do contato com o primata. Isso não acontece. O vetor da doença, na verdade, é o mosquito”, explica a bióloga Marina Henriques Lage Duarte.

A Secretaria de Saúde de Minas começou uma campanha para tentar acabar com essa caça aos macacos.

Quando um morador encontrar um animal doente ou morto, deve avisar o centro de zoonoses da cidade o mais rápido possível.

O Ministério da Saúde atualizou os dados sobre a febre amarela no país. São 921 casos suspeitos e 161 confirmados. As notificações de mortes chegam a 150. Sessenta delas estão confirmadas.


Vídeos registram Il-76 russo combatendo queimadas no Chile (videos)

Maior avião usado para combate a incêndios no mundo, o Il-76 é capaz de despejar mais de 42 toneladas de água sem reabastecer.


De Pável Rítsar | Gazeta Russa


A pedido do governo local, um avião de carga Ilyuchin Il-76 russo chegou ao Chile no início desta semana para ajudar a extinguir os incêndios mais violentos da história do país e proteger as comunidades da região.


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Ilyushin Il-76

O governo chileno declarou estado de emergência em seis regiões das porções central e sul do país (Santiago, Valparaíso, Libertador General Bernardo O'Higgins, Maule, Biobio e Araucania). Estima-se que cerca de 500 mil hectares tenham sido afetados pelas queimadas e, pelo menos, 11 pessoas tenham morrido devido às queimadas.




02 fevereiro 2017

Justiça libera criação de gado em parque onde fica a nascente do São Francisco

Liminar autoriza donos de áreas não desapropriadas dentro do Parque Nacional da Serra da Canastra a plantar e a criar gado sem o risco de sofrer restrições de órgãos ambientais


Luiz Ribeiro | Estado de Minas

Liminar da Justiça Federal de Passos, no Sul de Minas, reacendeu polêmica entre 1,5 mil famílias donas de terrenos dentro do Parque Nacional da Serra da Canastra e órgãos ambientais que se arrasta por mais de quatro décadas. A decisão autorizou os moradores a criar gado, cultivar e explorar as terras comercialmente, sem a necessidade de fiscalização por parte do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), responsável pela gestão da área. A liminar, assinada pelo juiz Bruno Augusto Oliveira, foi concedida a favor de ação civil pública proposta por produtores rurais que ocupam área de 128.475 mil hectares não desapropriada pelo governo federal dentro da reserva.


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Parque Nacional Serra da Canastra | Foto: Jessica Karyane

Para o ICMBio, a decisão põe em risco a conservação da área onde fica a nascente do Rio São Francisco. O Parque Nacional da Canastra abrange cerca de 200 mil hectares e faz limite com seis municípios do Sul do estado, sendo a maior parte em São Roque de Minas. O órgão ambiental informou que a decisão “coloca em risco e sob alta vulnerabilidade ambiental” da região e que o caso já foi encaminhado à Advocacia-Geral da União (AGU), que “adotará as medidas judiciais cabíveis para garantir a proteção deste importante território, que conserva inúmeras espécies ameaçadas de extinção e as nascentes de um dos rios mais importantes do país: o Rio São Francisco.”

O Parque da Serra da Canastra foi criado por decreto assinado pelo presidente Emilio Garrastazu Médici, em 3 de abril de 1972. Em 21 de agosto de 1974, foi assinado um outro decreto, declarando uma área de interesse social para fins de desapropriação de 106.185,50 hectares. O juiz federal de Passos explica que este segundo decreto, porém, já é considerado sem validade e que, até hoje, foram desapropriados mesmo apenas 71.525 hectares, ficando 128.475 hectares de “áreas não-consolidadas”, nas quais os agricultores ficaram impedidos de desenvolver atividades produtivas por causa das restrições impostas pelos órgãos ambientais.

Segundo o magistrado, desde que parque foi criado houve uma série de ações judiciais e também projetos discutidos na Câmara dos Deputados e no Senado sobre a regularização fundiária da região, sem que se chegasse um acordo. Enquanto isso, para o juiz Bruno Oliveira, eles continuaram prejudicando produtores de áreas da extensão do parque nos municípios de São Roque de Minas, Vargem Bonita, Sacramento, Delfinópolis, São Batista do Glória e Capitólio. Ele ressalta ainda que a região tem grande importância econômica, social e cultural, mantendo tradições, como a produção do famoso queijo canastra.

DESAPROPRIAÇÕES 

“Precisaremos de uma metáfora literária para alcançar o significado de tantos atos sem fundamento legal praticado por tanto tempo (mais de quatro décadas) sobre uma população, em sua maioria hipossuficiente. Do ponto de vista objetivo, o cenário é dantesco; sob o ponto de vista subjetivo (daqueles que se encontra há 45 anos sob insegurança quanto a seu patrimônio é perspectiva de vida), é kafkiano”, relatou o juiz Bruno Oliveira em sua decisão. Na liminar, ele proíbe o ICMBio, o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama) e outros órgãos ou autarquias do Executivo de exercer “qualquer atividade tendente à consolidação fundiária para fins de desapropriação fundiária, por doação, desapropriação ou qualquer outro meio, até que se edite decreto de interesse social exigido pela ordem jurídica”.

De acordo com a decisão judicial, o ICMBio fica afastado de qualquer atuação sobre as chamadas “áreas não consolidadas” do Parque Nacional da Serra da Canastra, com a fiscalização da região sob atribuição do Ibama, com base nas normas ambientais do Código Florestal, “aplicáveis à generalidade da população”. Por meio da liminar, o juiz autoriza os produtores das áreas não desapropriadas do parque “exercerem as atividades econômicas em suas propriedades, sujeitos às normas administrativas e legais quanto às atividades de impacto ambiental relevante, tais como licenciamentos e autorizações, que deverão ser obtidas junto aos órgãos municipais, estaduais ou federais, de acordo com a legislação em vigor”. O juiz ressalta que, apesar da liberação da criação de gado, plantios e outras atividades por parte dos produtores da Serra da Canastra, eles devem continuar atentos para a conservação do meio ambiente, sofrendo as implicações da legislação ambiental.

FAMÍLIAS COMEMORAM 

A liminar concedida pelo juiz Bruno Augusto Oliveira, da Vara da Justiça Federal em Passos, que permite as atividades produtivas na parte não desapropriada do Parque Nacional da Canastra, foi muito comemorada pelos donos dos imóveis dentro da área de conservação, que alegam prejuízo ao longo de quatro décadas. Uma das proprietárias de áreas na Serra da Canastra, Ana Trindade, de Delfinópolis, ressalta que com as restrições do ponto de vista ambiental impostas pelo ICMBio, centenas de produtores da região não tiveram mais como fabricar seus produtos. “Muitos deles venderam terras a preço de banana”, afirma Ana Trindade, alegando que gerações inteiras foram prejudicadas pelos conflitos e pelo impasse no processo de desapropriação para a implantação do parque federal no entorno da nascente do Rio São Francisco.

Ela lembra que, em 2015, deixou o trabalho numa companhia do ramo de refrigerantes e fundou o Instituto Candeias, com o propósito de promover cursos de capacitação, desenvolver projetos de práticas sustentáveis na agropecuária, a recuperação e conservação de nascentes, educação ambiental e turismo ambiental na Serra da Canastra. Acabou enfrentando algumas barreiras para realizar algumas obras no terreno da organização não governamental, instalada na área do Parque da Canastra que não foi desapropriada. Ela anuncia que está trabalhando em um projeto de um viveiro com capacidade para produzir 100 mil mudas de espécies nativas por ano na região.

HERDEIROS 

Outra que comemora a liminar concedida pelo juiz federal de Passos é Dênia Cristina Lopes, do Vale da Gurita, também no município de Delfinopolis, localidade onde são mantidos produtores herdeiros de várias gerações. “A decisão do juiz para nós foi a melhor coisa que podia ter ocorrido, ele nos fez ter esperança que podemos sim acreditar na Justiça deste país. Só quem, como nós canastreiros, vivemos aqui sabe a preciosidade que é este lugar.Falo de preciosidade porque vivemos em meio a riquezas imensas, cercados de muita água, muita mata, plantas e animais de várias espécies”, comenta.

Ela também questionou o argumento do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. “Essa alegação do ICMBio com todo respeito só pode ser piada. Como um órgão que não consegue cuidar da área que é de sua responsabilidade pode dizer que a decisão do juiz é uma ameaça a preservação? Sabemos até aonde podemos ir e o que podemos fazer para preservar o lugar onde vivemos e de onde tiramos nosso sustento”, afirma.

Mais de 40 são detidos por incêndios no Chile

Incêndios afetam sete regiões do centro e do sul do Chile, na maior catástrofe florestal da história do país.


France Presse

Mais de 40 pessoas foram detidas até domingo (29) como suspeitas de terem provocado os piores incêndios florestais da história do Chile, cuja força começava a ceder depois de terem arrasado milhares de hectares. 


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Incêndio florestal no Chile

A polícia chilena prendeu 43 pessoas "por sua responsabilidade eventual em incêndios florestais" que afetam sete regiões do centro e do sul do Chile na maior catástrofe florestal da história do país, informou a presidente Michelle Bachelet ao fazer um balanço da tragédia.

A maioria dos suspeitos foram detidos nas regiões de O'Higgins (sul), Maule (norte) e Biobío (sul), as mais afetadas pelo fogo, onde a Justiça local já apresentou acusações contra eles por provocar incêndios. As penas para estes crimes chegam aos 20 anos de prisão.

"Estamos certos de que houve intencionalidade em alguns dos focos; vamos seguir as responsabilidades até o final", afirmou Bachelet.

Embora 90% dos incêndios no Chile sejam causados pelo homem, na atual situação, as chamas também foram avivadas por fortes ventos, altas temperaturas e uma seca que castiga as zonas afetadas há oito anos.

Em nível nacional ainda se mantêm 118 incêndios ativos, dos quais 59 são combatidos, 51 foram controlados e 8, extintos.

Os incêndios deixaram cerca de três mil desabrigados, dezenas de povoados arrasados e mais de mil residências destruídas, segundo um último informe da Corporação Nacional Florestal (Conaf).

O número de hectares afetados diminuiu de 396.000 para 351.000, o que, segundo as autoridades indica uma diminuição da força do avanço do fogo.

"Temos uma situação que tem melhorado devido às ações de combate que vimos tendo", declarou Aaron Cavieres, diretor da Conaf.

Quinhentos e vinte mil hectares foram destruídos durante a temporada 2016-2017, iniciada em julho passado, 4.776% a mais que no período compreendido entre 2015 e 2016.

Mais de 11 mil bombeiros voluntários, brigadistas (bombeiros florestais), militares, policiais, funcionários públicos e vizinhos combatem as chamas nas zonas afetadas.

Mais de quinhentos brigadistas estrangeiros também colaboram. Eles fazem parte do que foi definido pelo governo como a maior operação de emergência da história do país.

Neste domingo chegaram 80 brigadistas venezuelanos e outros tantos de Argentina e Panamá, enquanto Brasil e Estados Unidos enviaram aviões-tanque para jogar água sobre as chamas.


MP cria força-tarefa para despoluir Riacho Salgadinho em Maceió

Alfredo Gaspar e promotores devem superar promessas eleitorais


Diário do Poder

O chefe do Ministério Público Estadual de Alagoas (MP/AL), Alfredo Gaspar de Mendonça Neto, parece incansável quando se trata de encarar desafios. Após provar ser possível reduzir em 17,6% os números oficiais de mortes violentas em Alagoas, em sua passagem pelo comando da Segurança Pública em 2015, o procurador-geral de Justiça transformou, nesta quarta-feira (1º), uma repisada promessa eleitoral em uma nova missão institucional do MP: despoluir o Riacho Salgadinho, que joga esgoto nas águas da Praia da Avenida, em Maceió.


Chefe do MP criou meta de mudar vergonhoso cartão postal da Praia da Avenida, despoluindo o Salgadinho (Foto: Alice Jardim/Maceió Visual)

Uma força-tarefa foi criada por Alfredo Gaspar para contornar uma das maiores mazelas ambientais da capital alagoana. A missão é recuperar o Riacho Salgadinho e a região de seu entorno.

Quem assumiu o desafio foram os promotores de Justiça Alberto Fonseca, Antônio Jorge Sodré Valentim de Souza e Lavínia Silveira de Mendonça Fragoso. O grupo terá à disposição todos os órgãos e unidades do MP de Alagoas, para prestar o apoio necessário ao trabalho.

O procurador-geral de Justiça já realizou reunião preparatória com os três membros para expor o que espera da força-tarefa.

“Sempre considerei absurda a situação do Riacho Salgadinho. Competirá à força-tarefa analisar as ações e omissões dos responsáveis pela fiscalização dos danos ambientais causados na área de influência do riacho, bem como pela sua recuperação, adotando as medidas legais e judiciais cabíveis, através de metodologia de trabalho e procedimentos operacionais a serem estabelecidos pelos seus membros”, disse Alfredo Gaspar, idealizador da iniciativa.

PROMESSA ELEITORAL

A “despoluição” do Riacho Salgadinho chegou a ser festejada por um grupo de políticos que teve empáfia de se banhar na sua foz, para forjar sua despoluição e garantir a reeleição da ex-prefeita Kátia Born, em 2000.

Mas foi após o lançamento do projeto de urbanização do Vale do Reginaldo, que se arrasta desde o ano eleitoral de 2008, que a antiga promessa foi renovada pelo então prefeito e candidato à reeleição Cícero Almeida (PMDB), diante da previsão de sanear seu entorno com 7.500 ligações de esgoto.

O atual prefeito Rui Palmeira, que também não avançou com a obra, não caiu no lugar comum de renovar a promessa para se reeleger. Mas será chamado à responsabilidade para contribuir com sua parte neste novo esforço do MP para ressuscitar o moribundo Salgadinho.

DESAFIO

O titular da 4ª Promotoria de Justiça da Capital e coordenador do Núcleo de Defesa do Meio Ambiente do MP de Alagoas, promotor de Justiça Alberto Fonseca, vê como um dos desafios do grupo coibir a implantação de empreendimentos que possam carrear sedimentos para a calha do riacho, causando seu assoreamento.

Alberto Fonseca reforça que o órgão ministerial também combaterá o lançamento de resíduos sólidos e esgoto clandestino no recurso hídrico, além da degradação de suas margens e de suas nascentes.

“Para isso, há a necessidade de realizar um diagnóstico na região de influência do riacho, buscando ações a curto, médio e longo prazo, no sentido de trabalhar na melhoria contínua da qualidade ambiental do entorno do Salgadinho”, explica o promotor de Justiça.

A primeira reunião da força-tarefa será no dia 10 de fevereiro, às 14h, na sede da Procuradoria Geral de Justiça, que fica às margens do Riacho Salgadinho, no bairro do Poço. Na ocasião, será elaborado um protocolo geral de atuação.

CONVIDADOS

O Ministério Público convidará para participar da reunião órgãos de controle estaduais e municipais, como o Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA), Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh), Secretaria Municipal de Desenvolvimento Territorial e Meio Ambiente (SEDET) e Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal).

“À semelhança do que ocorre com o inquérito civil público, tendo em conta que vamos instaurar um procedimento administrativo próprio para a força-tarefa, esperamos apresentar os primeiros resultados do nosso trabalho no prazo de 90 dias”, concluiu Alberto Fonseca.

O flagrante “alto grau de degradação ambiental” verificado em toda região do Riacho Salgadinho foi fator motivador da criação da força-tarefa. Assim como o fato de a promoção da defesa do meio ambiente ser um dos objetivos do Plano Estratégico 2011/2022 do Ministério Público Estadual.

A força-tarefa foi instituída por meio do Ato PGJ nº 5/2017, que passou a vigorar nesta quarta, com a publicação do seu conteúdo no Diário Oficial do Estado de Alagoas. (Com informações da Comunicação do MP)


Avião russo chega ao Chile para conter incêndios florestais devastadores

Aeronave Ilyuchin Il-76 foi enviada a pedido do governo Santiago, que declarou estado de emergência em seis regiões do país.


Pável Rítsar | Gazeta Russa

Um avião de carga Ilyuchin Il-76 russo chegou ao Chile para ajudar a extinguir incêndios violentos e proteger as comunidades locais, segundo informou o Ministério para Situações de Emergência da Rússia nesta segunda-feira (30).


Il-76 é maior avião usado para combate a incêndios no mundo Foto:AP

“Um Iliuchin Il-76 desembarcou em Santiago e logo começará a extinguir incêndios nas áreas com situação mais complexa”, lê-se no comunicado do ministério.

O avião especial decolou de Moscou rumo à capital chilena na sexta-feira passada (27), cobrindo uma distância de mais de 15 mil quilômetros, com escalas.

O Il-76, o maior avião usado para combate a incêndios no mundo, é capaz de despejar mais de 42 toneladas de água nas áreas afetadas sem reabastecer.

“A tripulação está preparada para o trabalho em condições complexas e tem vasta experiência em extinção de incêndios florestais. A equipe participou de inúmeros ocasiões semelhantes, tanto na Rússia como no exterior”, declarou o órgão russo.

O Chile declarou estado de emergência em seis regiões das porções central e sul do país (Santiago, Valparaíso, Libertador General Bernardo O'Higgins, Maule, Biobio e Araucania) por causa dos piores incêndios da história chilena.

Estima-se que cerca de 500 mil hectares tenham sido afetados pelas queimadas; há relatos de diversos feridos e, ao menos, 11 mortos.



31 janeiro 2017

Expedição revela imagens inéditas de corais na foz do Amazonas


Um submarino do Greenpeace está revelando as riquezas do recife de corais gigante na foz do Amazonas


Giovana Girardi | Estadão

Revelado pela ciência em abril do ano passado, um recife de corais ‘escondido’ 120 metros abaixo da pluma de sedimentos do rio Amazonas só agora está ganhando suas primeiras fotos. 



Imagem feita por submarino em recife de corais na foz do Amazonas. Crédito: Greenpeace
Imagem feita por submarino em recife de corais na foz do Amazonas. Crédito: Greenpeace

As imagens estão sendo produzidas em expedição do Greenpeace com um submarino tripulado, com o objetivo de mostrar as riquezas desse ecossistema. A formação gigante se estende por 9.500 km², do norte do Maranhão até a fronteira com a Guiana Francesa.

A descoberta foi anunciada no ano passado em artigo na revista Science Advances após confirmação da existência do recife em um cruzeiro de pesquisa realizado em setembro de 2014. Na ocasião, os cientistas alertaram que a riqueza poderia ser ameaçada pela exploração de petróleo, uma vez que a região tem centenas de blocos de combustíveis fósseis.

De lá para cá, processos de licenciamento ambiental de empresas como Total e BP já começaram. Daí a intenção do Greenpeace de mostrar em mais detalhes o que está em jogo. 



Projeto libera matança profissional e esportiva de animais no Brasil

Prática é proibida há mais de 50 anos. Ambientalistas lutam para impedir aprovação e condenam matar bichos por diversão


Alessandra Melo | Correio Braziliense

Proibida no Brasil há 53 anos, completados no último dia 3, a caça profissional e esportiva de animais silvestres está em debate novamente no Congresso Nacional. O projeto de lei do deputado ruralista Valdir Colatto (PMDB-SC) quer liberar o tiro aos bichos. Ele começou a tramitar na Câmara no fim do ano passado, mas, por enquanto, não foi analisado, nem discutido em nenhuma comissão ou audiência pública. O texto altera o Código de Caça, editado em 1967, que proíbe essa prática em todo o território nacional, salvo em caso de autorização expressa do governo federal, por meio de seus órgãos ambientais.

Deputado Valdir Colatto (PMDB-SC) quer autorizar a matança de animais por diversão no Brasil

O projeto também altera a Lei de Crimes Ambientais, para reduzir o agravamento da pena de detenção de seis meses a um ano e multa para quem matar ou capturar animais sem licença, se isso for feito durante o abate profissional. Hoje essa punição é triplicada se ocorrer durante uma caçada. Propõe ainda a criação de reserva particular própria para caçadas e de criatórios de animais para serem mortos. E prevê também que animais que atacarem propriedades e rebanhos podem ser abatidos se houver um laudo técnico de algum órgão ambiental — o texto não especifica qual — autorizando a caça.

Na justificativa do projeto, o deputado alega que a proximidade com os animais silvestres no meio rural traz risco para as pessoas e também para as propriedades e rebanhos, o que torna a caçada uma prática regular que, futuramente, pode vir a ser até mesmo uma fonte de renda. “Nesses casos sem finalidade de entretenimento e de esporte, mas como prática de relação com o ambiente, a qual, com o passar do tempo, pode se organizar como uma atividade de cunho cultural, como uma prática social e mesmo como atividade geradora de ganho social e econômico para as populações do meio rural”, afirma o parlamentar.

Retrocesso

O projeto de lei, no entanto, já é alvo de protestos de diversas entidades ligadas à proteção dos animais e do meio ambiente expressamente contrárias à caça esportiva. “Autorizar que o ser humano se divirta com uma mira eletrônica matando por esporte um animal é um retrocesso tremendo, além de um risco enorme para a nossa fauna”, defende a presidente da Associação Mineira de Defesa do Meio Ambiente (Amda), Maria Dalce Ricas. Segundo ela, o país já quase não tem mais animais silvestres, nem mesmo nas áreas de conservação, pois não há controle sobre o desmatamento dessas áreas, nem sobre o tráfico e a matança de espécies. “Para além da crueldade, o Estado não tem condição de liberar a caça esportiva, pois não tem como fiscalizar essa prática.”

30 janeiro 2017

Lagoa de Itaipu: assoreamento preocupa quem vive na região

Bancos de areia se formaram no canal que faz a ligação com o mar, onde antes só era possível atravessar a nado


Raiana Collier | O Fluminense

A falta de ações e iniciativas para salvar a Lagoa de Itaipu, na Região Oceânica de Niterói, continua preocupando moradores e frequentadores da região.


O cenário que se observa é de avanço dos blocos de areia por conta do assoreamento tanto em pontos mais externos quanto internos da Lagoa de Itaipu, na Região Oceânica de Niterói | Fotos: Evelen Gouvêa

Mais de seis meses depois da assinatura de documento com o objetivo de recuperar a integridade ambiental e atividades sustentáveis do sistema lagunar de Piratininga e Itaipu, o cenário que se vê é de avanço dos blocos de areia por conta do assoreamento tanto em pontos mais externos quanto internos da lagoa. 

O Subcomitê do Sistema Lagunar Itaipu-Piratininga (CLIP) propõe um projeto de aumento de oxigênio nas lagunas, que deve melhorar as condições das duas lagoas. Enquanto isso, o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) continua sem previsão para a retomada das obras de desassoreamento dos dois locais, “em função da crise pelo qual passa o Estado do Rio”.

Para o aposentado Luiz Thurler, de 61 anos, a Lagoa de Itaipu está morrendo. Ele lembra que, quando era mais jovem, atravessava o canal artificial a nado. Hoje, fazer o mesmo percurso é tarefa simples com as águas batendo nas canelas.

“Há quatro anos venho tentando chamar atenção para o problema. Acho que é preciso botar uma máquina e tirar a areia. A nascente está fechando. Nunca vi absolutamente nada ser feito nesses anos que moro aqui”, lamentou.

A frequência de banhistas nas areias surgiu com o assoreamento na região do canal artificial aberto nos anos 40, ligando a Praia de Itaipu à de Camboinhas. O integrante do CLIP e biólogo Paulo Bidegain explicou que o assoreamento nessa região acontece por ação do mar.

“O assoreamento no canal é basicamente areia, empurrada diariamente pelo mar. Muito entra e pouco sai. O canal até funcionou por bastante tempo”, defendeu.

Nas partes mais internas da Lagoa, a situação é diferente. Paulo não vê a dragagem do canal da Lagoa de Itaipu como prioridade. Ele explicou que a medida não seria capaz de resolver o problema do assoreamento, principalmente por conta de sua composição.

“Na parte interna da lagoa, apenas um quarto do assoreamento é de areia do mar. O resto é lodo que é, essencialmente, matéria orgânica. Esse lodo é provocado pelo esgoto depositado durante dezenas de anos na Lagoa, que funcionava como uma espécie de estação de tratamento de esgoto de toda a Região Oceânica”, apontou.

O biólogo explica que, em determinado momento de sua história, a Lagoa “entrou em colapso”, e não conseguiu mais processar o esgoto nela depositado. Para ele, a solução para o problema se divide em duas frentes de ação: tratamento de esgoto que ainda é depositado na Lagoa, e um projeto de injeção de microbolhas que transformaria o habitat aquático de anaeróbico para aeróbico, ativando o trabalho de bilhões de bactérias, que podem reduzir a camada de lodo em um metro.

Segundo o Inea, a qualidade da água dos rios da bacia drenante da lagoa de Itaipu “não se apresentam em condições satisfatórias em termos de qualidade de água, em função da contribuição de esgotos irregulares”. O órgão alegou que tem se esforçado para regularizar as ligações clandestinas de esgotos da região por meio do projeto Se Liga, em parceria com a Prefeitura de Niterói e a Concessionária Águas de Niterói. A concessionária realiza um levantamento prévio dos imóveis não conectados em área contemplada por rede coletora e os repassa para que possamos adotar medidas administrativas, assim adequando o lançamento de seus efluentes. Até o momento, foram notificados 900 imóveis com eficácia de 92,41% das ligações.

O instituto, porém, não dá informações sobre o projeto das microbolhas, promovendo aumento do oxigênio dissolvido no sedimento e coluna d’água. A iniciativa, continua sem perspectivas de sair do papel. Sem perspectivas está também o programa de recuperação das lagoas do Inea, parado há quase um ano.

A prefeitura informou que a limpeza do entorno da lagoa é realizada de forma manual, uma vez por semana. Quinzenalmente (principalmente no período de chuvas) é realizado serviço de roçadeira no local. Quando necessário, é realizada também a limpeza com auxílio de maquinários específicos para remoção de entulhos.


Ninho de tartaruga com 117 filhotes é destruído em Itaipu

Apenas 12 animais sobreviveram ao incidente com um trator de limpeza da prefeitura, na última terça-feira (24)


Raiana Collier | O Fluminense


Um ninho com 117 ovos de tartarugas marinhas foi destruído, na madrugada da última terça-feira (24), por um trator de limpeza na Praia de Itaipu, Região Oceânica de Niterói. Apenas 12 filhotes da espécie cabeçuda (Caretta Caretta) sobreviveram e já foram liberados no mar da mesma praia onde foram desovados pelo Projeto Aruanã, que faz proteção e monitoramento de ocorrências desses animais. De acordo com o Projeto, a Praia de Itaipu não é uma área de desova de tartarugas marinhas e, por isso, o caso é um “evento isolado”. Em nota, a Companhia de Limpeza de Niterói (Clin) lamentou o incidente. 

Dos 117 filhotes no ninho, 105 morreram | Foto divulgação

Foi o comerciante Fábio Gomes, de 47 anos, que encontrou o ninho destruído quando chegou à Praia de Itaipu, por volta de 6h30. Ele contou que sua cadela de estimação farejou o local, o que sinalizou a situação. Depois de cavar, ele encontrou o triste cenário.

“Cerquei o local e chamei um pescador que chamou o Projeto Aruanã, que veio para cá. Aí conseguimos tirar mais de 100 ovos amassados e 12 filhotes. Avisamos para o pessoal da limpeza passar com a máquina perto principalmente da faixa de água. A máquina ajuda muito, mas nessa parte aqui é perigoso de pegar ovos”, disse.

Em comunicado, o Projeto informou que “para que o ninho fosse encontrado e protegido, seria necessário a identificação do rastro da mamãe tartaruga no dia em que ela realizou a postura, que ocorreu no final de novembro, dado a eclosão nesta semana”. Segundo a iniciativa, “infelizmente, por desconhecimento da comunidade local e órgãos responsáveis, a identificação deste ninho no momento de sua postura não ocorreu”.

A bióloga Anna Caroline Morais da Silva, do Projeto Aruanã, pontuou que a Praia de Itaipu é área de alimentação das tartarugas da espécie tartaruga-verde, e não de desova.

“As tartarugas marinhas têm um ciclo de vida complexo, em que vários fatores podem influenciar em alterações na sua postura de ninhos. As 12 tartarugas que sobreviveram foram liberadas para o mar, que é o processo natural. Todas as medidas cabíveis, juntamente com a empresa Clin, já estão sendo providenciadas para que o processo de limpeza continue, e que casos assim não voltem a ocorrer”, esclareceu.

A Clin informou que “realiza a limpeza manual nas áreas onde estão demarcados ninhos de tartarugas para evitar danos aos ovos. Este ninho específico não estava sinalizado, por isso a limpeza do local foi realizada com maquinário”. O órgão ainda destacou que, “em seu processo reprodutivo, as tartarugas marinhas cavam ninhos de até meio metro de profundidade para colocar os ovos. Após a postura, a fêmea cobre o ninho, faz a camuflagem do local de postura para evitar predadores e retorna ao mar. Daí a importância da demarcação destes locais”.

Sujeira nas praias 

A limpeza das areias da orla de Niterói, feita com maquinários, se faz necessária por conta do grande acúmulo de lixo deixado, em sua maioria, por banhistas. De acordo com a Clin, a limpeza é feita durante a noite para evitar que pequenos detritos, perfurantes ou cortantes, fiquem sob a areia causando acidentes. O Projeto Aruanã ressaltou que a praia de Itaipu “é uma importante área de alimentação e residência de tartarugas-verdes e o cuidado diário com a praia é fundamental para a saúde e sobrevivência dos animais que lá vivem, a começar pelo descarte adequado do lixo diariamente”.

De acordo com a Prefeitura de Niterói, são retiradas de todas as praias da cidade cerca de 140 toneladas por semana, sendo cerca de 55 toneladas nos fins de semana. Já com relação a Itaipu são cerca de 33 toneladas por semana, sendo cerca de 13 toneladas nos fins de semana.

A prefeitura destacou também que a Operação Verão, a ação de conscientização da Clin nas praias foi reforçada. Garis estão percorrendo as praias de Niterói distribuindo panfletos educativos, sacos de lixo para a população e orientando sobre a forma correta de descarte dos resíduos. A companhia também instalou caçambas de lixo extra nas praias mais frequentadas da cidade.