01 outubro 2016

A crise hídrica chega ao Planalto Central

Brasília entra em contagem regressiva para iniciar racionamento de água
Cinco cidades satélites já sofrem com rodízios semanais


Afonso Benites | El País

Se não chover intensamente nos próximos dois meses, o Distrito Federal passará a racionar o fornecimento de água para seus quase 2,9 milhões de habitantes. Além disso deverá criar uma nova taxa que incidirá na conta a ser paga mensalmente. Hoje, ao menos 300.000 pessoas de cinco regiões administrativas já sofrem com uma espécie de rodízio no abastecimento. Em alguns bairros, os imóveis ficam 23 horas seguidas sem água até duas vezes por semana. 
Parte seca da barragem de Santa Maria. Reserva chegou aos 48% de sua capacidade. Andressa Anholete

Ao menos três razões impactaram na atual crise hídrica da capital do país: a falta de chuva (neste ano foram 86 dias sem cair uma gota d’água na região); uma série de ocupações irregulares de terras, (hoje são mais de 500 condomínios e invasões ilegais em áreas públicas) e a ausência de obras visando aumentar a captação de água. Três estão em andamento, mas a primeira delas só deve ficar pronta em 2017.

“Vivemos um ano atípico. Em fevereiro deveria chover 220mm, mas choveu 54mm. Em abril, deveria ser 120, mas só veio 15. Sem chuva e com as ocupações desordenadas, a crise só cresceu”, afirmou o doutor em geologia e coordenador do curso de Engenharia Ambiental da Universidade Católica de Brasília, Marcelo Gonçalves Resende.

Os dois principais reservatórios que abastecem 85% da população, o do Descoberto e o de Santa Maria, atingiram nesta semana seus menores índices de armazenamento de água desde que a Agência Reguladora de Águas, Esgoto, Energia e Saneamento do DF (Adasa) passou a fazer a medição, em 1989. O primeiro, atingiu apenas 36,6% de sua capacidade, o segundo, 48,5%. Neste mesmo período do ano passado, eles estavam com 65% e 89%, respectivamente.

Há pouco mais de um ano, o governador do DF, Rodrigo Rollemberg (PSB), comemorava que o reservatório de Santa Maria estava transbordando. A reportagem esteve no mesmo local nesta sexta-feira e o cenário é bem diferente das imagens que o chefe do Executivo local chegou a postar em suas redes sociais da barragem vertendo. Agora, as margens do Santa Maria estavam secas e bem distantes de atingir o paredão por onde a água escorria. A forte chuva que caiu nesta sexta não foi capaz de amenizar essa queda do nível das barragens. Para isso, seria necessário chover por quase duas semanas consecutivas ou em diversos dias ao longo dos próximos dois meses.

Um técnico que trabalha há quase duas décadas na Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) relatou que esse é o pior momento que ele já testemunhou. Por essa razão, a Adasa decretou estado de alerta, que consiste na ampliação das campanhas de conscientização da população, da preparação de planos para iniciar o racionamento, assim como a realização de estudos para criar novo imposto sobre a água.

O corte de água temporário que hoje abarca moradores de Planaltina, São Sebastião, Sobradinho, Brazlândia e Jardim Botânico, ocorrerá em todas as 29 regiões administrativas caso um dos reservatórios atinja os 20% de sua capacidade. Nessas cinco localidades o argumento é que o rodízio de fornecimento só ocorre porque elas não estão interligadas com a rede do Descoberto/Santa Maria e dependem da captação de pequenos córregos que estão com a vazão reduzida. Além disso, são áreas em que agricultores retiram a água diretamente dos rios e córregos, o que diminui a quantidade que poderia ser entregue à população. “Os irrigantes precisam dessa água assim como os moradores das áreas urbanas. Em alguns momentos chegou a se ter um conflito pela água, mas negociações são constantemente realizadas para evitar que falte água para um ou para outro”, afirmou o diretor financeiro e comercial da Caesb, Marcelo Teixeira. 

Consumo excessivo e tempo seco

No Distrito Federal, o consumo médio por habitante supera os 180 litros diários de água, segundo a Caesb. Em dias mais quentes e secos, como o recorde do ano registrado na quarta-feira passada (34º C e 15% de umidade), ultrapassa os 200 litros diários. Para a Organização Mundial da Saúde, o consumo entre 100 e 110 litros diários bastaria para cada morador.

“Desde que Brasília foi criada, tivemos abundância de água. Nossa região já foi considerada uma das caixas d’água da região. Até por isso, criou-se um problema. Ninguém escuta uma campanha de conscientização enquanto houver água na torneira. Parece que temos de chegar no nível crítico para a população começar a prestar atenção e economizar”, ponderou o diretor-presidente da Adasa, Paulo Salles. Ele é um dos que coordena os trabalhos para implantar uma taxa extra na água, mas diz que o momento ainda não é para pânico. "Temos de conscientizar as pessoas".

Os primeiros alertas de que a crise estava se aproximando foram dados há quase cinco anos, quando se notou que os índices pluviométricos na região central do país estavam diminuindo. O governo chegou a se mexer para evitar qualquer tipo de medida drástica, mas a principal obra imaginada para evitar o racionamento, o reservatório de Corumbá 4, que seria responsável por abastecer 850.000 pessoas (metade no Estado de Goiás e metade no DF) atrasou mais de dois anos. Deveria ficar pronta este ano, mas a previsão é que o prazo se estenda para 2018.

Quem acompanha de perto a obra acha que ela não será entregue tão cedo. A razão é que o presidente da Companhia de Saneamento de Goiás (Saneago), José Taveira, foi preso pela Polícia Federal, no mês passado, em um esquema de suposto de desvio de dinheiro para quitar dívidas políticas do PSDB goiano. A Saneago é a principal parceira da Caesb no empreendimento. Desde a prisão de Taveira, a parte da obra que cabe a Saneago está parada. Ela seria a responsável por captar a água do rio Corumbá. Já a parte da Caesb, que seria de fazer o tratamento dessa água, segue, mas em ritmo mais lento.

As outras duas obras para abastecer a população brasiliense ainda estão longe de acabar. A do sistema Bananal, responsável por abastecer 170.000 pessoas, ficará pronta em outubro de 2017. Uma outra, que pretende captar a água do lago Paranoá (um reservatório artificial que cobre quase todo o Plano Piloto) acaba de ser licitado e a previsão é que a obra seja concluída em 2019. A expectativa é que 600.000 moradores sejam abastecidos por esse novo sistema.

Ocupações ilegais

Apesar de ser uma cidade planejada, Brasília é uma das regiões onde há o maior nível de invasões de áreas públicas do país. O que chama a atenção é que a maior parte delas é feita por moradores de classes média e alta. São condomínios residenciais distantes da área central da cidade e que acabam ocupando mananciais, aterrando nascentes ou simplesmente cimentando áreas que seriam usadas para absorver a chuva. Boa parte dessas invasões chegaram a ser estimuladas pelo próprio Governo nos anos 1980 e 1990.

“Temos uma dificuldade grande de retirar esses moradores. A pressão imobiliária não leva em conta nem se a área é de preservação ambiental ou não”, alertou a promotora de Justiça Marta Eliana de Oliveira, da Área de Meio Ambiente. Segundo a promotora, uma combativa ambientalista que atua na área desde 2005, há mais de 500 invasões ilegais que acabam enfrentando algum processo judicial.

Além das novas obras, Oliveira defende a aplicação de uma “tarifa de contingenciamento”. “Na área ambiental temos os princípios do poluidor-pagador e do usuário-pagador. Se as pessoas estão consumindo mais do que deviam, acho que deveriam pagar por isso”, afirmou a promotora.

Enquanto especialistas e representantes do Governo assumem que a ocupação irregular é um dos principais motivos para a crise hídrica, a própria administração pública dá mau exemplo. No mês passado, iniciou a construção do Trevo de Triagem Norte, um conjunto de 17 viadutos que tem a intenção de desafogar o trânsito de carros em um dos principais acessos de Brasília para algumas das cidades-satélites. O problema é que o início da obra já resultou na derrubada de mais de uma centena de árvores e no aterramento da nascente de um pequeno córrego. O discurso, às vezes destoa das ações.
  

Agência Nacional de Águas mantém restrições a vazão no Paraíba do Sul

Medidas começaram a ser aplicadas em 2014 para evitar problemas de abastecimento


O Globo

RI0 —A Agência Nacional de Águas (ANA) decidiu manter a vazão da barragem de Santa Cecília, no Rio Paraíba do Sul, em 110 metros cúbicos por segundo, pelo menos até o dia 30 de novembro. A resolução da ANA foi divulgada nesta sexta-feira, no Diário Oficial da União. A vazão normal é de 190 metros cúbicos por segundo, mas sofreu cortes a partir de maio de 2014 numa estratégia para tentar evitar que falte água para abastecer as populações que vivem em cidades cujo abastecimento depende do Rio Paraíba do Sul, incluindo a região metropolitana do Rio. A atual vazão de 110 metros cúbicos é adotada desde 2 de março de 2015, no auge da seca que atingiu a região sudeste. 


Rio Paraíba do Sul - Margi Moss / Agência Brasil

Segundo o site da ANA, a decisão foi tomada tomando como base questões técnicas e debates da 11ª Reunião do Grupo de Trabalho Permanente de Acompanhamento da Operação Hidráulica na Bacia do Paraíba do Sul (GTAOH) do Comitê de Integração da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul (CEIVAP), realizada no último dia 28.

O quadro atual é melhor do que o registrado no mesmo período do ano passado. Em 28 de setembro deste ano, os reservatórios da bacia do Rio Paraíba do Sul tinham o equivalente a 47,60% do volume útil. Em 2015, também em 28 de setembro, o percentual era de 7,28%.




28 setembro 2016

Espírito Santo tem 32 cidades em situação de emergência

Reconhecimento dessa condição facilita repasse de verbas da União.

Desse total, apenas dois não foram por causa da seca.


Wesley Ribeiro | A Gazeta

Trinta e dois municípios do Espírito Santo estão na lista de cidades em situação de emergência do Ministério da Integração Nacional. Desse total, apenas dois não foram por motivo de estiagem.


Situação do Rio Santa Joana, em Itaguaçu (Foto: Reprodução/ TV Gazeta)
Situação do Rio Santa Joana, em Itaguaçu (Foto: Reprodução/ TV Gazeta)

Em 2014, quando começava o período de seca, apenas 14 constavam na lista que garante recursos aos municípios afetados.

Mas o total de reconhecimentos do Ministério é 35. Isso porque municípios como Aracruz, Boa Esperança e Marilândia, aparecem com dois decretos de emergência publicados. Válido por seis meses, o documento é a primeira medida que o município, estado ou Distrito Federal deve tomar para solicitar o reconhecimento de situação de emergência, segundo dados divulgados pelo ministério.

Com isso, é possível conseguir recursos da União tais como socorro, assistência às vítimas, restabelecimento de serviços essenciais, reconstrução e verba federal para obras hídricas.

Antes de receber o dinheiro, no entanto, é necessário apresentar o Plano Detalhado de Resposta (PDR), onde se devem ser detalhadas todas as necessidades.

Na lista do ministério, não aparecem cidades da Grande Vitória. Os únicos inclusos, não por estiagem, são Cachoeiro de Itapemirim (vendaval) e São José do Calçado (granizo).

Municípios em situação de emergência

 
São eles Água Doce do Norte, Alto Rio Novo, Aracruz, Barra de São Francisco, Boa Esperança, Cachoeiro de Itapemirim, Castelo, Colatina, Conceição da Barra, Domingos Martins, Ecoporanga, Governador Lindenberg, Itaguaçu, Jaguaré, Marilândia, Mimoso do Sul, Montanha, Mucurici, Nova Venécia, Pancas, Ponto Belo, Rio Novo do Sul, Santa Leopoldina, Santa Teresa, São Domingos do Norte, São José do Calçado, São Mateus, São Roque do Canaã, Venda Nova do Imigrante, Vila Pavão, Vila Valério.

Vazão dos rios aumenta, mas racionamento continua

 
Assim como no caso do Rio Jucu, com as pancadas isoladas de chuvas nos últimos dias, a vazão do Rio Santa Maria da Vitória também aumentou da segunda (26) para a terça-feira (27), saindo de 1.883 litros por segundo para 2.162 l/s. Mas, apesar da boa notícia, o racionamento de água na Grande Vitória continua.

O aumento foi divulgado nesta terça no boletim de vazão da Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh). A vazão do Rio Jucu manteve-se a mesma: 5.127 litros por segundo.

Ambas, porém, continuam abaixo da vazão crítica para esta época do ano e muito longe da média, que no Rio Jucu, por exemplo, chega a 15.965 litros por segundo.

Segundo informações da Companhia Espírito Santense de Saneamento (Cesan), a princípio as últimas chuvas registradas não foram suficientes para elevar o volume de forma que dê segurança ao abastecimento.



27 setembro 2016

Tufão Megi deixa mortos e centenas de feridos em Taiwan

Quatro pessoas morreram e 268 ficaram feridas.

Ventos de mais de 160 km/h atingiram a costa leste da ilha.


Do G1, em São Paulo

A chegada do tufão Megi a Taiwan nesta terça-feira (27) causou a morte de ao menos quatro pessoas e deixou 268 feridos, segundo a Associated Press. A chuva forte e os ventos de mais de 160 km/h atingiram a costa leste da ilha.


Motociclista escorrega e toma um tombo com sua moto no asfalto molhado enquanto o tufão Megi passa por Hualien, no leste de Taiwan (Foto: Tyrone Siu/Reuters)
Tufão Megi passa por Hualien, no leste de Taiwan (Foto: Tyrone Siu/Reuters)

O fornecimento de energia elétrica foi cortado, o que afetou 2,66 milhões de pessoas, segundo a agência Efe. Já o sistema de transporte que está quase totalmente suspenso. Os ônibus não estão circulando na maioria das ruas da ilha. O metrô de Taipé suspendeu o funcionamento devido ao risco de os ventos derrubem os trens. Mais de 400 voos foram cancelados.

As autoridades elevaram os níveis de alerta para a ilha, que está propensa a deslizamentos de terra e inundações, disse o diretor-geral Agência Nacional de Bombeiros, Chen Wen-lung.

Mais de 8 mil pessoas foram retiradas de áreas de risco. Por volta de 2.800 delas foram encaminhadas para abrigos.

Entre os feridos, estão oito turistas japoneses que machucaram após o ônibus em que estavam virar.

De acordo com a Central de Operações de Emergência Centro de Taiwan, três pessoas morreram após cair e uma quarta foi vítima de um acidente de caminhão. 



OMS diz que 9 entre 10 pessoas no mundo respiram ar contaminado

92% da população mundial respiram ar ruim.
3 milhões de mortes estiveram relacionadas com a exposição à poluição.


EFE

Cerca de 92% da população mundial - ou seja, 9 entre 10 pessoas - vivem em lugares onde os níveis de qualidade do ar excedem os limites fixados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), alertou nesta terça-feira (27) o organismo.

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A OMS apresentou um relatório onde avalia a qualidade do ar que está exposta a população mundial e quantifica as doenças e mortes derivadas desta poluição.

Os dados são os mais detalhados já divulgados pela OMS, que usa figuras de medições por satélite, modelos de transporte aéreo, e de monitores de estações terrestres em relação com mais de 3 mil situações em 103 países, tanto em áreas rurais e urbanas.

O relatório confirma os dados revelados em estudos anteriores que 3 milhões de mortes ocorreram em 2012 - os números disponíveis mais recentes - estiveram relacionadas com a exposição à poluição exterior.

No entanto, diminuiu o número de mortes globais por contaminação - tanto exterior como interior - e ficou em 6,5 milhões, quando em relatórios anteriores estava em 7 milhões.

Entre as principais fontes de poluição do ar incluem modelos ineficazes de transporte, queima de combustível nos lares, queima de resíduos, centrais elétricas e as atividades industriais.

Os principais poluentes são as micropartículas - de um diâmetro inferior a 2,5 micrometros -, do sulfato, nitrato e fuligem.

O relatório não faz um ranking dos países mais poluídos nem dos que menos, apenas se limita a dizer que as regiões onde a qualidade do ar é pior são o sudeste da Ásia, o Mediterrâneo oriental e o Pacífico ocidental.

Além disso, a respeito das zonas menos contaminadas, o texto indica que três quartos da população dos países com alta renda das Américas, assim como 20% da população que vive em nações de renda média e baixas da mesma região vivem em lugares com a qualidade do ar considerada correta.

Uma situação que também ocorre em menos de 20% dos países europeus e os países ricos do Pacífico ocidental.

Os países com mais mortes relacionadas com a poluição do ar são Turquemenistão com 108 mortes por 100 mil habitantes; Afeganistão, com 81 mortes em cada 100 mil habitantes; Egito com 77; China com 70; e Índia com 68.

Cerca de 94% das mortes se devem a doenças não transmissíveis, sobretudo a doenças cardiovasculares, acidentes cerebrovasculares, pneumopatia obstrutiva crônica e câncer de pulmão.

A contaminação do ar também aumenta o risco de infecções respiratórias agudas.



26 setembro 2016

Brasil registra recorde de geração eólica diária

No final de 2015, o país se comprometeu a expandir o uso doméstico de energia gerada por fontes renováveis


eCycle

O Brasil atingiu mais um recorde de geração eólica no Sistema Interligado Nacional. No último dia 13 de setembro, o país registrou o valor máximo diário de geração eólica, correspondente a 5.804 MW médios, decorrente, dentre outros motivos, da expansão da capacidade instalada de geração eólica no Brasil. Em agosto deste ano essa capacidade atingiu 9.327 MW, representando um acréscimo de 2.790 MW na comparação com mesmo mês de 2015.

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De acordo com o Informativo Preliminar Diário da Operação do Operador Nacional do Sistema (ONS), em 13 de setembro a quantidade gerada pelos ventos foi de 606 MW médios superior na comparação ao primeiro maior recorde do segundo semestre de 2016, quando o total gerado foi de 5.203 MW médios, no dia 25 de julho.

Com a expansão da geração elétrica no Brasil, a previsão para os próximos anos, segundo o Plano de Decenal de Expansão de Energia – PDE 2024, é que a capacidade instalada eólica no País alcance 24 mil MW até 2024.


Eólicas na COP 21

As fontes eólicas serão fundamentais para que o Brasil possa cumprir as metas de geração de energia renovável assumidas na COP 21. No final de 2015, o país se comprometeu a expandir o uso doméstico de energia gerada por fontes renováveis, além da energia hídrica, para ao menos 23% da matriz elétrica, até 2030. Nesse contexto a geração a partir de fontes eólicas tem papel de destaque, principalmente pelos avanços verificados nos últimos anos e por ocupar o segundo menor preço de energia da matriz energética nacional e gerar cerca de 30 mil empregos por ano, em toda a cadeia de valor.



Fogo se espalha e provoca devastação na Amazônia

Brigadistas do IBAMA lutam contra incêndios.

Fogo avança sobre florestas, pastagens e plantações em Rondônia.


Vico Iasi | G1


Porto Velho, RO - A Amazônia enfrenta uma das piores temporadas de queimada dos últimos anos. O fogo se espalha por sítios e fazendas, consome florestas e gera prejuízo para agricultores e o meio ambiente.

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Há fogo nas fazendas e na mata. O fogo desafia a ciência e ameaça a sobrevivência. Nos lugares por onde o fogo passa a paisagem fica escura, com vegetação destruída, troncos e galhos carbonizados. Esse cenário de morte se tornando cada vez mais comum em toda a Amazônia.

A fazenda Francisco de Assis, no município de Porto Velho, tem mil hectares e 500 cabeças de gado de corte. Diante do incêndio que avança rapidamente pelo pasto, uma mulher parece em desespero.

A mulher bate nas chamas em um esforço para abafar fogo. Ao lado estava uma criança. O perigo é evidente: fogo, muita fumaça e o chão queimado e cheio de brasas. Joelma de Oliveira é funcionária da fazenda. O pequeno Carlos Eduardo é filho dela. O menino tem nove anos e, como cresceu na fazenda, já viu muitas queimadas.

Depois de duas horas, os funcionários da fazenda conseguiram controlar o fogo com ajuda de um trator e uma mangueira d’água. Mas, boa parte do pasto já estava toda destruída.

O pecuarista Emanuel Marques, dono da propriedade, disse que o fogo veio uma área vizinha. Segundo ele, as queimadas na região sempre causam preocupação e prejuízos. “Isso dá uma tristeza muito grande. Eu não queria estar aqui vendo isso”, diz.

O produtor explicou que o capim queimado rebrota naturalmente, mas o piquete inteiro terá que ficar isolado, sem gado, por três ou quatro meses. “Se eu botar o gado, eles vão comer o broto que vai estar renascendo e acaba com o capim. E não come o capim seco lá”, diz.

O Ibama conta com algumas equipes de brigadistas. São funcionários temporários que combatem queimadas durante a chamada ‘temporada do fogo’, que ocorre de julho a dezembro em Rondônia. O serviço do dia ocorre embaixo de uma linha de transmissão de energia. A equipe enfrenta as chamas com água, carregada em pulverizadores costais, e um abafador. Os brigadistas usam equipamento de proteção e receberam treinamento do Ibama.

A ação dos brigadistas é comandada por uma equipe que fica em Porto Velho Ela recebe denúncias da população e analisa imagens de satélite. O coordenador de Rondônia, Roberto Abreu, alerta que o Ibama do estado conta com menos pessoas nesse ano.

“Hoje, nós temos 80 pessoas na ponta para combater incêndios florestais. No ano passado tinha o dobro. Caiu bastante por questões orçamentárias e financeiras. Nós tivemos cortes drásticos na contratação e, consequentemente, podemos ter mais danos do que tivemos em anos anteriores”, diz Abreu.

Desde o início do ano, a Amazônia registrou mais de 80 mil focos de queimadas. É o maior número de desde 2010. As informações são do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – Inpe, que fica em São José dos Campos, São Paulo. O engenheiro Alberto Setzer coordena o Projeto de Monitoramento de Queimadas, baseado em imagens de satélite.

Segundo o engenheiro, o aumento das queimadas em 2016 tem dois motivos principais. Primeiro: a região enfrenta um ano mais seco que o normal. “Anos mais secos favorecem o uso e a propagação do fogo. Aí entra o segundo elemento. Nós também estamos vendo que em certos estados estamos com um descontrole maior, ou seja, uma ausência do poder público que deveria estar inibindo o uso do fogo”, diz.

As queimadas são proibidas, a não ser em alguns casos que dependem de autorização ambiental. O engenheiro explica que origem dos incêndios está frequentemente ligada às pessoas que queimam mato, lixo ou usam fogo para a limpeza de áreas agrícolas.



Incêndio consome mata em área do Parque Indígena do Xingu em MT

Fogo em linha de mais de 30 km devastou 210 mil hectares da reserva.

Incêndio causa prejuízos aos agricultores da região


Vico Iasi e Luiz Patroni | G1


Parque Indígena do Xingu, MT - Um incêndio de grande porte consome o Parque Indígena do Xingu, em Mato Grosso. Esse é um drama para os agricultores, que são vítimas do fogo.

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O trabalho de quase uma década foi destruído em minutos. O agricultor Claudinei Klein e seu pai, Alceu Klein, investiram dinheiro e suor no seringal em Gaúcha do Norte. Eles plantaram cinco mil árvores com as próprias mãos e assistiram ao fogo destruir 60% do cultivo.

Os agricultores sabem que o incêndio que atingiu o seringal começou em um lixão improvisado, que fica próximo à propriedade. Mas, muitas vezes não é fácil saber a origem da queimada. Para desvendar esse tipo de mistério, o Ibama conta com peritos como Altair Gonçalves, que trabalha com as equipes de fiscalização. No caso da propriedade, o perito concluiu que o fogo serviu para a limpeza de uma área desmatada recentemente e com uso de correntão.

O incêndio atingiu 2,8 mil hectares da fazenda. Com base nos dados da perícia, o Ibama poderá embargar a área e multar o proprietário. Mas o fogo também pode surgir em parques e grandes áreas de conservação. São lugares que, em tese, deveriam ter a natureza bem preservada.

O Parque Indígena do Xingú ocupa um território de 26 mil quilômetros quadrados, o mesmo tamanho de um estado como Alagoas. O Xingu abriga 16 povos indígenas, que vivem da floresta e da agricultura em áreas pequenas.

Desde julho uma parte parque foi tomada por um incêndio gigantesco. O Ibama concentra as ações de combate ao fogo no Alto Xingu, área que ao sul do parque indígena. O incêndio no parque forma uma linha que tem mais 30 quilômetros de extensão. Com isso, mais de 210 mil hectares da reserva já foram devastados. Isso representa quase 8% do território total do parque.

Segundo o Ibama e lideranças indígenas, a causa mais provável do incêndio foi o uso de fogo para a limpeza de terreno nas áreas agrícolas dos índios.

O uso de fogo para limpar o terreno é uma prática antiga entre os indígenas. Mas de uns tempos pra cá esse costume começou a gerar problemas. A situação preocupa o coordenador da Funai em Canarana Kumaré Txicão, que nasceu e cresceu no Xingu.

“Nos era mata muito fechada ainda. Eles tocavam fogo no campo. Quando chegava no mato, ele apagava. Hoje, com a mudança climática, favorece a queimada com o vento forte. Então, eles não têm esse controle”, explica Txicão.

Diante das mudanças no clima e na floresta, A Funai e outras entidades iniciaram uma campanha entre os moradores do Xingu sobre os perigos do fogo. O incêndio que começou no Xingu também atingiu a fazenda em Gaúcha do Norte, que faz divisa com o parque. A área de reserva e o pasto onde ficam os animais foram afetados pelo incêndio.

Segundo o vice-presidente do Sindicato Rural do município, o avanço do incêndio tira o sono de muitas pessoas na região. “Fora o impacto ambiental, a gente tem o impacto financeiro muito alto”, diz Luiz Bier.

As queimadas também provocam prejuízos para pequenos produtores de Rondônia, que dependem da roça para sobreviver.

A agricultora Raimunda da Silva tem um lote de dez hectares no Assentamento Santa Rita, em Porto Velho. Filha e neta de agricultores, ela sempre viveu da terra. Mas, a vida da dona Raimunda passou por uma grande mudança em setembro de 2015. Na época, um incêndio, que começou em um lote vizinho, se espalhou e destruiu a principal fonte de renda da agricultora. O fogo acabou com os cinco hectares de mandioca que ela usava para fazer farinha.

Hoje, depois de um ano, o mato já tomou conta da área queimada. Os poucos pés de mandioca que resistiram não têm forças para produzir. A casa de farinha está parada. Viúva, sem dinheiro e sem produção, dona Raimunda conta apenas com uma aposentadoria para sustentar o sítio e os dois netos que vivem com ela.

Histórias como a da agricultora se repetem por toda a região. Só em 2015, as queimadas atingiram 281 mil quilômetros quadrados. São cerca de 5% da superfície Amazônia Legal.

O problema desafia a ciência; prejudica agricultores, pecuaristas e povos indígenas; e provoca perdas incalculáveis para a natureza da região.

Além de afetar duramente a região, as queimadas também provocam problemas em escala global. Por ser a maior floresta tropical do mundo, a Amazônia cumpre um papel essencial para o clima do planeta. Quando a floresta brasileira é destruída, de maneira direta ou indireta, o mundo inteiro sai perdendo.