25 julho 2015

Lei dos aterros não tem impacto e 41,6% dos resíduos vão para lixões

Política nacional criada em 2010 deveria ter sido implementada até agosto do ano passado, mas pouco foi feito até agora desde então


IstoÉ

A Política Nacional de Resíduos Sólidos, criada em 2010 com prazo de implementação em 2014, praticamente não fez diferença para acabar com os lixões do Brasil. No País de cinco anos atrás, 42,4% dos resíduos coletados iam para lixões ou aterros controlados (que não são sanitários). No ano passado, 41,6% tinham esse fim. Uma melhora de apenas 0,8 ponto porcentual. Pela lei, no entanto, o País não deveria ter mais nenhum lixão desde 2 de agosto de 2014. A destinação incorreta deveria ser zero.

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Os dados fazem parte de um levantamento anual feito pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), que foi obtido com exclusividade pelo Estado. A análise, referente a 2014, aponta que mais de 78 milhões de brasileiros – o equivalente a 38,5% da população do País – não têm acesso a serviços de tratamento e destinação correta de resíduos. Estavam nessa situação, que configura crime ambiental, 3.334 municípios – entre eles, a capital, Brasília.

Outras capitais, como Belém (PA) e São Luís (MA), também não apresentavam uma destinação inadequada em 2014, data do estudo, mas fecharam seus lixões e inauguraram aterros sanitários nos últimos meses.

“A verdade é que a lei não foi capaz de estimular uma mudança de hábitos. Houve alguns avanços, a lei trouxe o assunto para discussão, mas de maneira uniforme, no País, não produziu os efeitos desejados”, afirma Carlos Silva Filho, diretor executivo da Abrelpe.

A pesquisa mostra que o atraso em oferecer uma destinação adequada dos resíduos vai na contramão da produção de resíduos, que cresce ano após ano. Segundo o levantamento, entre 2010 e 2014, a geração de lixo aumentou 29%, enquanto o crescimento populacional no período foi de 6%. “E se aumenta a geração, tem de aumentar também a solução. Ou ela vai ficando cada vez mais cara”, diz Silva Filho.

Custos

Um estudo anterior da Abrelpe, publicado no mês passado, estimou que seriam necessários investimentos de R$ 11,6 bilhões até 2031 em infraestrutura para levar a destinação final adequada dos resíduos sólidos para todo o País.

Isso resolvido, pelo menos outros R$ 15,59 bilhões por ano, calcula a entidade, seriam necessários para custear a operação e a manutenção de uma estrutura que envolva aterros, coleta seletiva, reciclagem e reaproveitamento do biogás.

Todos esses custos podem ser uma explicação para a demora no cumprimento da lei. No começo deste mês, um projeto de lei foi aprovado no Senado prorrogando o prazo para cumprimento da lei até 2021. O projeto segue para a Câmara.

Silva Filho afirma que a etapa inicial de criação da infraestrutura deveria ser bancada por um fundo nacional, com participação dos Estados, mas que a verba de manutenção deveria vir dos próprios municípios. Algo como uma “taxa do lixo”, a ser paga pelos cidadãos. 

“Se dividirmos esses R$ 15,59 bilhões pela população economicamente ativa do País, daria R$ 6,50 por pessoa por mês. É um custo pequeno. Mas, para isso, é preciso vontade política.”

Procurado pela reportagem, o Ministério do Meio Ambiente, órgão que coordena o comitê interministerial para acompanhamento da política, disse que houve “resultados significativos”. Citando dados do IBGE, e fazendo uma comparação de 2008 a 2013, o órgão alega que o número de cidades com aterros sanitários dobrou no período, passando de 1.092 para 2.200.

O número, porém, traz um cenário até menos animador que o da Abrelpe, uma vez que coloca apenas 40% dos municípios em adequação, contra 58,4% no estudo da empresa. Em relação ao projeto de lei que prorroga os prazos, o ministério disse que tem se posicionado contra a simples prorrogação, mas que entende “que há muitas questões para serem resolvidas que precisam ser repactuadas para o cumprimento da lei”.

Bons exemplos

As capitais de São Paulo, Rio e a região metropolitana de Belo Horizonte foram citadas como alguns dos bons exemplos de ação do poder público para se adaptar à Política Nacional de Resíduos Sólidos.

Em São Paulo, a criação de duas centrais de triagem pela gestão Fernando Haddad (PT), no ano passado, foi elogiada por aumentar o potencial de reciclagem. A Prefeitura trabalha com a meta de que, até 2016, a coleta seletiva – que ainda não atinge 32% das casas paulistanas – seja oferecida em toda a cidade e alcance 10% dos resíduos secos.

O Rio também mereceu destaque por ter conseguido fechar o famoso lixão do Gramacho, que foi tema do documentário Lixo Extraordinário, de Vik Muniz.

Para Carlos Silva Filho, diretor executivo da Abrelpe, ambas as cidades “avançaram bastante” após fazer investimentos altos, o que ele entende não ser algo possível para todos os municípios. Por isso, defende verbas federais e estaduais e a criação de taxas municipais para a gestão do lixo.

Ele cita como exemplo uma iniciativa do governo de Minas, que criou uma parceria público-privada para financiar obras de aterros no anel metropolitano de Belo Horizonte, que reúne 42 municípios. “Se depender somente das cidades, não vai rolar.”


Florestas nativas abastecem 62% da energia movida a madeira no Brasil

Emanuel Alencar | O Globo

De acordo com levantamento do Centro Nacional de Referência em Biomassa (Cenbio), com base em dados do Balanço Energético Nacional, 62% das 82,8 milhões de toneladas de madeira consumida pelo país para fins energéticos ainda são provenientes de florestas nativas. Ao mesmo tempo, o país conta com 105 milhões de hectares de áreas degradadas disponíveis para diferentes usos. A realidade indica que o uso de madeira de florestas plantadas de pinus e eucalipto é o caminho necessário em direção ao desenvolvimento sustentável.



O pesquisador Javier Escobar, mestre em tecnologia da madeira pela Universidade Estadual Paulista (FCA/Unesp), afirma que ainda não existe oferta de madeira plantada para a geração de energia em caldeiras de indústrias pois o insumo já está totalmente destinado aos setores produtivos de celulose e painéis multilaminados. O alto preço dos resíduos de madeira, em comparação ao bagaço de cana, por exemplo, é outro entrave. Há questões logísticas.

— Hoje, as concessionarias e prefeituras não conhecem o real potencial energético da biomassa de poda urbana. Além disso, muitas vezes dispersão desse material no vasto território nacional inviabiliza a escala e a centralização desses resíduos para atender a diversas demandas — observa. — Em alguns casos, se torna possível quando a biomassa está próxima do consumidor final.

Sobre a madeira de podas urbanas, que não são reaproveitadas mesmo em grandes centros urbanos brasileiros Javier destaca que “não há problema algum em seu uso energético”. Na Alemanha, por exemplo, há reaproveitamento de 95% desse material.

— Porém, a madeira de demolição ou construção geralmente está contaminada com pregos, solventes. Isso inviabiliza a sua transformação, compactação, e o uso energético — ressalta.


20 julho 2015

Chuvas afetam 175 cidades na Região Sul do Brasil

Correio do Brasil, com ABr - de Brasília

As chuvas diminuíram na região sul do país nos últimos dias, mas a situação continua preocupante. Já são 175 municípios afetados. Em Santa Catarina, o Rio Canoinhas continua subindo, com uma taxa de 1 centímetro por hora. De acordo com a Defesa Civil do Estado, o nível do rio está em 5,92 metros, a apenas 4 centímetros do transbordamento.


As chuvas diminuíram na região sul do país nos últimos dias, mas a situação continua preocupanteAs chuvas diminuíram na região sul do país nos últimos dias, mas a situação continua preocupante

Nesta segunda-feira, pancadas de chuva devem atingir o oeste, meio oeste, planalto sul e litoral sul do Estado, segundo a Defesa Civil. Os últimos números divulgados apontam 54 cidades atingidas, sendo 22 delas em situação de emergência e três em estado de calamidade pública. O número de pessoas afetadas é de 13,5 mil. Além disso, duas mortes foram registradas, uma no município de São Joaquim e outra em Coronel Freitas.

No Rio Grande do Sul, as chuvas já afetaram 57 cidades. De acordo com o último boletim da Defesa Civil do Estado, 11.920 pessoas foram atingidas, sendo que 1.306 estão em abrigos. Os municípios de Esteio e Rolante já decretaram situação de emergência e outras 18 cidades analisam a possibilidade de fazê-lo. Além disso, a Defesa Civil recebeu alerta de risco muito alto de inundação para Itaqui e Uruguaiana.

No Paraná, 64 municípios foram afetados, de acordo com boletim divulgado na manhã deste domingo pela Defesa Civil. O Estado decretou situação de emergência em 28 cidades. Além disso, as prefeituras de Manfrinópolis e Marquinho também decretaram situação de emergência. O governo local anunciou que vai iniciar a distribuição de produtos de ajuda humanitária, como kits com roupa de cama e colchões, além de produtos de higiene e cestas básicas.



Falta de fundos forçará a ONU a fechar 40% dos programas de água e saneamento no Iraque

“Novos deslocamentos, números dinâmicos, movimentos populacionais contínuos e a insegurança complicam a crítica distribuição de água, saneamento e higiene”, alertou o Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários.


Agência ONU

Com mais de 74 mil pessoas deslocadas pelos combates no Iraque e falta de fundos para manter suas operações, a agência de coordenação humanitária da ONU advertiu, nesta segunda-feira (20), que será obrigada a fechar 40% dos programas de água e saneamento no país, até o final do mês.


Tanques de cimento construídos em um campo de deslocados no Iraque para armazenar água. Foto: OCHA/Iason AthanasiadisTanques de cimento construídos em um campo de deslocados no Iraque para armazenar água. Foto: OCHA/Iason Athanasiadis

“Novos deslocamentos, números dinâmicos, movimentos populacionais contínuos e a insegurança, complicam a crítica distribuição de água, saneamento e higiene para as pessoas internamente deslocadas nas zonas de perigo”, informou o Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).

A falta de fundos já levou 28% dos programas de água, saneamento e higiene a fecharem, e outros 12% poderão encerrar suas atividades até o final de julho. Ao mesmo tempo, segundo o relatório semanal da situação da crise no Iraque, mais de 74 mil pessoas fugiram de Faluja na província de Anbar desde 8 de julho, o que significa que novos serviços devem ser estabelecidos em novos campos, para poder prover estes serviços à população deslocada.

O OCHA também informou que possui fundos limitados para abrigos e outros itens. Até a data, apenas 6% dos 95 milhões de dólares solicitados foram recebidos e caso novas contribuições não cheguem a tempo, cerca de 90% dos programas de saúde deixarão de funcionar até outubro de 2015.

O Iraque representa hoje uma das maiores crises humanitárias do mundo, com mais de 8 milhões de pessoas dependendo dessa assistência para viver.



Altas temperaturas provocam incêndios, tempestades e mortes no hemisfério norte, alerta ONU

A OMM prevê que as temperaturas anormais e o clima seco continuarão


eCycle

Muitas regiões da Europa têm sido afetadas desde 27 de junho por uma onda de calor severa e incomum para a temporada, anunciou a Organização Meteorológica Mundial da ONU (OMM), no dia 6 de julho. Além do continente europeu, as temperaturas recordes já provocaram incêndios florestais na América do Norte, tempestades torrenciais e inundações no sul da China e mortes no Paquistão.



“A onda de calor ainda continua e é prematuro dizer se isso pode ser atribuído às mudanças climáticas ou se é uma ocorrência natural da variabilidade climática”, afirmou Omar Baddour, que coordena o Programa de Dados e Monitoramento Climático do Mundo.

Porém, os cenários da mudança climática projetam ondas de calor ainda mais intensas, mais frequentes e mais longas. “É notório que o tempo entre as principais ondas de calor – 2003, 2010 e 2015 – é cada vez mais curto”, disse.

A OMM prevê que as temperaturas anormais e o clima seco continuarão. O fato de acontecer tão cedo no início da estação e de maneira tão ampla, gera comparações com os verões de 2003 e 2010, em que dezenas de milhares de pessoas morreram. Apenas no Paquistão, a onda de calor deste ano já provocou a morte de mais de 1.200 pessoas.


Brasil usará drones para vigiar mata na Amazônia e no Cerrado

Aviões não-tripulados já ajudam na preservação em outros países. Vigilância pelo ar vai facilitar a mobilização de fiscais e bombeiros.


G1

O Brasil passará a adotar drones para monitorar atividades ilegais nas matas da Amazônia e do Cerrado, como o desmatamento e queimadas. A ideia é do projeto Ecodrones, que será lançado nesta sexta-feira (17) e é uma iniciativa do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, o ICMBio, ligado ao Ministério do Meio Ambiente, e da organização WWF-Brasil.

Por transmitirem imagens em tempo real, os veículos aéreos não-tripulados (Vant) vão observar áreas que sofrem constantes ataques ilegais de madeireiros ou são consumidas por incêndios. Desta forma, a vigilância pelo ar vai facilitar a mobilização de fiscais e equipes de bombeiros.


Nauru 500

O Ecodrones já conta com três equipamentos, mas apenas um tem permissão de voar. O modelo Nauru 500, com autonomia de 4 horas de voo e alcance de 80 km, é utilizado pelo ICMBio no monitoramento completo do Parque Nacional Pau Brasil, resquício de Mata Atlântica na Bahia.

Outros dois Vants aguardam pela regulamentação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Por enquanto, só podem voar para testes em uma área delimitada do interior de Goiás. Segundo Leonardo Mohr, coordenador geral de proteção do Instituto Chico Mendes, os drones são ferramentas importantes para a conservação por terem capacidade de alcançar locais de acesso impossível.

“Tem algumas áreas de combate ao desmatamento em que os madeireiros ilegais dificultam o nosso acesso, colocando toras pela estrada. A gente só consegue ficar sabendo disso quando chega ao local. Nessas situações o equipamento será utilizado e repassará informações remotas”, explica Mohr.

Da guerra para a proteção ambiental

A tecnologia, considerada polêmica já que ainda há debate em torno de sua regulamentação no país, é conhecida por ser empregada principalmente por forças armadas em combates pelo planeta. Os Estados Unidos, por exemplo, são um dos países que usam modelos armados para destruir alvos no Oriente Médio. Em alguns lugares, os veículos não-tripulados são usados para inspeção de linhas de transmissão, de rodovias ou grandes obras.

Mas os “aviões-robô” também ajudam a “fazer o bem”. Exemplares de diversos tamanhos auxiliam o governo da África do Sul, onde a caça predatória diminui a cada ano a população de rinocerontes e elefantes, e provoca mortes de guarda-parques que tentam coibir a prática criminosa.

Marcelo Oliveira, especialista do WWF-Brasil, explica que no Brasil já foram feitos experimentos com drones em estudos com a população do boto-cor-de-rosa e antas, ambos feitos na Amazônia. Em alguns lugares, os veículos não-tripulados são usados para inspeção de linhas de transmissão, de rodovias ou grandes obras. Mas os “aviões-robô” também ajudam a “fazer o bem”. Exemplares de diversos tamanhos auxiliam o governo da África do Sul, onde a caça predatória diminui a cada ano a população de rinocerontes e elefantes, e provoca mortes de guarda-parques que tentam coibir a prática criminosa.

Marcelo Oliveira, especialista do WWF-Brasil, explica que no Brasil já foram feitos experimentos com drones em estudos com a população do boto-cor-de-rosa e antas, ambos feitos na Amazônia.

Ele comenta ainda que em locais onde os aviões-robôs foram usados para conservação de animais ameaçados, houve queda de mortes de exemplares e de assassinatos de funcionários de reservas ambientais. As imagens transmitidas pelos drones conseguiam detectar melhor onde estavam os caçadores.

O projeto tem a colaboração de técnicos da Universidade Federal de Goiás e da ONG internacional Conservation Drones, que confecciona equipamentos especialmente para atividades de preservação ambiental. Um dos veículos aéreos não-tripulados que serão usados no Brasil foi projetado pela organização.

Arco do desmatamento terá prioridade

Sobre o projeto no Brasil, Oliveira explica que foram feitos workshops com funcionários do governo para fomentar a ideia da preservação remota. Ele complementa dizendo que a Amazônia e o Cerrado serão priorizados nesse primeiro momento devido à facilidade de operacionalização.

Leonardo, do ICMBio, afirma que as quase 300 Unidades de Conservação do país poderão ser beneficiadas pelo uso da tecnologia, principalmente as que sofrem maior pressão humana, pelo desmate, urbanização, caça ou queimadas.

Uma das regiões consideradas prioritárias pelo projeto é o eixo da BR-163, que liga Cuiabá, em Mato Grosso, a Santarém, no Pará. A área fica localizada no coração do chamado “Arco do desmatamento”, faixa territorial que vai de Rondônia, passando por Mato Grosso, até o Pará.