18 abril 2015

GE e Casa dos Ventos juntas para ampliar produção de energia eólica

Portal Tratamento de Água


Em resposta à expansão da energia eólica no Brasil e à importância da fonte de geração para a diversificação da matriz elétrica nacional, a GE anuncia a construção de dois centros de serviços focados na operação e manutenção de aerogeradores, com geração de cerca de 100 novos postos de trabalho. Os centros de apoio contarão com técnicos e engenheiros da GE dentro de complexos eólicos operados pela Casa dos Ventos e outros clientes na Chapada do Araripe (PI e PE) e em Garanhuns (PE), o que permitirá às empresas estreitar seu relacionamento e tornar o atendimento a demandas programadas e não-programadas muito mais ágil e localizado.



Atualmente, GE e Casa dos Ventos possuem três empreendimentos eólicos em construção. Um deles é o complexo Tianguá, no Ceará, que conta com 77 aerogeradores GE 1.6-100, com início de entrega ainda no segundo semestre de 2015. Já os outros dois empreendimentos estão em andamento na região de Garanhuns, em Pernambuco, que receberá 233 aerogeradores GE 1.7-100, sendo 107 para o complexo Santa Brígida, em fase de montagem, e o restante (126), para o Complexo São Clemente. Ao todo, cerca de 530 MW de energia serão gerados pelos três projetos, quantidade suficiente para abastecer, aproximadamente, a demanda de 500 mil residências.

“Com a energia eólica ocupando uma posição cada vez mais relevante na matriz energética brasileira e com a expansão da Casa dos Ventos no setor, contar com o apoio contínuo da GE é encorajador. Essa parceria reforça o nosso comprometimento em contribuir para uma matriz energética mais renovável”, comenta Virna Araripe, diretora da Casa dos Ventos. Atualmente, a empresa possui projetos no Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Paraíba, Bahia e Piauí, somando aproximadamente 4.8 GW em potência acumulada em implantação ou operação.

Para a GE, a abertura dos novos centros de apoio aumentará a agilidade e flexibilidade do serviço prestado pela companhia ao cliente. “A extensão do nosso braço de serviços em colaboração com a Casa dos Ventos reforça a confiança de ambas as empresas na expansão da energia eólica no Brasil de modo contínuo e sustentado”, diz Jean-Claude Robert, gerente geral da divisão de energias renováveis da GE para a América Latina. “A Casa dos Ventos é reconhecida pela qualidade no desenvolvimento de seus projetos e nosso trabalho conjunto visa manter o mesmo nível de qualidade, tornando-a, inclusive, nosso principal cliente em energia eólica no mercado latino-americano”, revela.

Com recentes investimentos em unidades de apoio a Operação e Manutenção, hoje a GE já conta com dois centros de serviços próprios em operação, sendo o primeiro na Bahia e o segundo no Rio Grande do Norte, empregando cerca de 50 funcionários cada. Atualmente, mais de 900 turbinas GE estão em operação ou instalação no Brasil. “Pelo êxito de nossas operações no país, estamos prontos para apoiar a Casa dos Ventos em qualquer projeto da empresa, em todos os estados onde atua. A Casa dos Ventos possui excelência no diagnóstico dos ventos e os equipamentos da GE possuem a eficiência desejada para produção de energia eólica”, antecipa o líder da GE.

Encontro em São Paulo

A consolidação do trabalho conjunto entre as duas empresas foi reforçada em encontro nesta tarde, 25 de março. Na sede da Casa dos Ventos, em São Paulo, o presidente da companhia, Mario Araripe, recebeu o presidente e CEO global da GE, Jeff Immelt, para o detalhamento de projetos e uma breve apresentação sobre o cenário das energias renováveis no país.

“Atualmente a energia eólica responde por 4,6% da matriz nacional, tendo registrado 6,2 GW de capacidade instalada em março de 2015”, descreve Virna Araripe, apresentando dados da ABEEólica, entidade que representa o setor e que estima um salto para 16,4 GW de capacidade instalada até 2019.

A percepção dos líderes da GE é a de que a parceria encaixa-se dentro do quadro de investimentos de longo prazo que a companhia desenvolve no Brasil. “A construção dos centros de operação e manutenção de turbinas reforça o compromisso de GE e da Casa dos Ventos na expansão e fortalecimento da indústria eólica nacional”, complementa Jean-Claude Robert.

Sobre a GE

A GE combina os universos físico e digital de uma maneira singular. Ela se dedica a imaginar coisas que outros não conseguem, a construir soluções que outros não podem e a criar inovações para fazer o mundo funcionar melhor. Em seus laboratórios, em suas fábricas e junto de seus clientes, a GE está inventando a próxima era industrial para construir, mover, gerar energia e trazer mais saúde para o mundo. Para mais informações, visite nosso site, Facebook, LinkedIn, Twitter, YouTube, blog GE Reports Brasil e nosso canal com os jornalistas GE Imprensa Brasil.

Sobre a Casa dos Ventos

A Casa dos Ventos é uma das pioneiras e maiores investidoras no desenvolvimento de projetos eólicos no Brasil. Há oito anos no mercado, a empresa é responsável pelo maior número de projetos que venderam energia nos leilões e no ambiente de contratação livre. Além de ter desenvolvido aproximadamente 30% de todos os empreendimentos em implantação ou operação no país, a empresa é detentora do maior portfólio de projetos eólicos do Brasil. A sede da companhia é na cidade de São Paulo e seus projetos eólicos estão localizados no Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Paraíba, Bahia e Piauí.



Brasil é o primeiro país a receber programa inovador contra o desflorestamento

EcoDesenvolvimento

Um programa inovador de doações para o combate ao desmatamento e à degradação florestal está possibilitando aos povos indígenas e comunidades locais tomarem as rédeas das decisões relativas ao financiamento e concepção de projetos. O Brasil foi o primeiro país a receber o programa que será implementado de forma global e nacional em países que implementam, atualmente, o Programa de Investimento Florestal.


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Edivaldo Apinajé, agente de saúde dos Apinajés, no Tocantins, mostra os pequenos frutos de um cajueiro
Foto: Mariana Kaipper Ceratti/Banco Mundial

O programa, chamado de Mecanismo de Doação Dedicada (DGM, Dedicated Grant Mechanism), foi aprovado recentemente pela Diretoria Executiva do Banco Mundial e recebe recursos dos Fundos de Investimento para o Clima como iniciativa especial do Programa de Investimento Florestal.

Concebido por (e para) povos indígenas e comunidades tradicionais, o DGM inclui dois componentes: projetos específicos de cada país e um projeto de aprendizagem e intercâmbio global, que liga todos os projetos nacionais e serve como plataforma global de divulgação.

Até o momento, foram aprovados recursos para o projeto de aprendizagem global e para o Brasil, primeiro entre os países da série – com 6,5 milhões de dólares aprovados para um projeto na região do Cerrado, que ocupa mais de 20% do território brasileiro.

Utilização dos recursos

Esses recursos serão utilizados, em parte, para ajudar a financiar iniciativas agroflorestais; cobrir parte dos custos das unidades de processamento de produtos agrícolas e florestais não madeireiros; e ajudar na produção e comercialização de produtos artesanais. Além de fomentar as habilidades de liderança e negociação dos povos indígenas e comunidades tradicionais.

“Este projeto é muito importante no apoio às comunidades indígenas aqui no Cerrado”, disse Deborah Wetzel, diretora do Banco Mundial para o Brasil. “Este projeto irá dotar as comunidades das condições necessárias para ter acesso a recursos que irão ajudá-las a gerir os impactos ambientais e sociais de suas atividades.”

Combate ao desmatamento

Januario Tseredzaro, do povo Xavante, concorda. Ele ressalta que o novo programa de DGM ajudará os povos indígenas a combater o desmatamento.

“Nós entendemos a importância que isso terá para nossos projetos. Não somente para os nossos projetos, mas também para a conservação e para a nossa luta para preservar o Cerrado”, disse Tseredzaro. “Espero que o sucesso do programa leve à sua implementação também em outros biomas brasileiros.”


Metade das obras de saneamento do país está parada

Vinicius Sassine | O Globo

Numa das raras vezes em que olhou para o Condomínio Porto Rico, um bairro periférico numa região administrativa de Brasília, o Estado se mostrou falho, ineficaz e ausente. O auxiliar de serviços gerais Francisco Viana, de 18 anos, estava lá para provar. Na tarde de quarta-feira, Francisco cavava uma fossa, com terra até o peito, em frente à casa nova do tio no Porto Rico. A fossa — um dos mecanismos mais rudimentares de coleta de dejetos — era aberta a dois metros da tubulação de esgoto instalada pelo governo do Distrito Federal, com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal.



A rede coletora não foi concluída e não funciona. As obras da estação elevatória para onde deveriam ser levados os dejetos se resumem a um lote cercado por arame farpado, demarcado pela empresa de saneamento do DF. Nem uma das tradicionais placas oficiais, anunciando a presença do governo na região, chegou a ser instalada no local. Os moradores desconhecem que o Estado programou alguma ação ali. O esgoto, fétido, escorre sobre as ruas de terra batida. Os moradores ainda dependem de fossas como a cavada por Francisco.

— Ninguém quer cavar mais fossa. O governo tem de liberar logo a rede para a gente usar — diz o jovem, que conclui uma escavação em dois dias.

O sistema de acompanhamento da obra no site da Caixa Econômica Federal (CEF) mostra o projeto como “paralisado”, com menos de 5% de andamento. De R$ 1,9 milhão previstos no PAC, num contrato assinado em 2011, foram liberados até agora apenas R$ 84,3 mil. O abandono da comunidade de Porto Rico, que chegou perto de ter acesso a saneamento básico e que precisa fazer proliferar as fossas pelas ruas, não é algo isolado.

O GLOBO acompanhou três projetos de saneamento básico, em Brasília, que resumem as dificuldades do poder público em fazer avançar a universalização da coleta, do tratamento de esgoto e do fornecimento de água tratada. Por problemas diversos, da deficiência num projeto de engenharia à falta de recursos e falhas na licitação, as obras pararam, atrasaram ou nem chegaram a ser iniciadas.

NO BRASIL, 51,4% NÃO TÊM COLETA DE ESGOTO

No último dia 25 de março, o Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou os resultados de uma auditoria no programa de água e esgoto do Ministério das Cidades, que repassa recursos do PAC por meio da Caixa. De 491 contratos analisados no fim de 2013, 283 (57,6%) se referiam a obras paralisadas, atrasadas ou não iniciadas. Somente 58 (11,8%) foram efetivamente concluídos.

Os contratos somam R$ 10,4 bilhões. O valor das obras paralisadas, atrasadas ou não iniciadas soma R$ 6,6 bilhões, ou 63%. Só os projetos parados correspondem a investimentos de R$ 1,4 bilhão.

O Nordeste concentra a maior quantidade de contratos de obras paralisadas, atrasadas ou nem iniciadas. Quase metade dos contratos analisados, 47%, está na região. Em seguida, o Sudeste, com 27,7% dos contratos com problemas; o Centro-Oeste e o Norte, com 10,6% cada; e o Sul, com 7%.

No Brasil, 51,4% das pessoas não têm acesso a coleta de esgoto e 61% não sabem o que é ter o esgoto tratado, segundo dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento de 2013. A falta de acesso a água tratada é uma realidade para 17,5% da população. Se mantido o ritmo de investimentos definido para 2011, o 1º ano de mandato da presidente Dilma, a universalização dos serviços de esgoto só ocorreria em 2060 e de água, em 2039.

Porto Rico é um lugar isolado, na periferia de uma região já periférica em Brasília, chamada Santa Maria. As casas surgiram a partir de uma invasão. O coveiro Leandro de Souza, de 27 anos, ocupou um lote há três anos, com a mulher, Marinez Rodrigues, 19. A filha Sarah nasceu há 4 meses.

— Tem duas coisas urgentes que a gente precisa aqui: asfalto e rede de esgoto — diz o coveiro.

Leandro, que recebe R$ 873 por mês, construiu uma casa de tijolo. O imóvel tem dois cômodos, sem estrutura para banheiro, que foi improvisado no lado de fora. Ao lado, o jovem cavou uma fossa.

No Porto Rico, parte das famílias lança diretamente nas ruas a água usada na cozinha e a usada no banho. O restante é destinado às fossas. São comuns vazamentos de esgoto. Parte desses lançamentos ocorre a partir da tubulação instalada por meio do PAC. A estrutura, incompleta e sem destinação final, já não suporta a quantidade de esgoto.

A auditoria feita pelo TCU mostrou que a principal causa de paralisação ou atraso das obras de saneamento é a deficiência dos projetos de engenharia. “A qualidade insuficiente dos projetos de engenharia é a face mais visível das carências de gestão, econômicas e de planejamento do setor", cita o relatório. Depois aparecem problemas nas licitações e contratos, na obtenção de áreas necessárias para as obras, no licenciamento ambiental e no repasse de recursos pelo Ministério das Cidades.

Os auditores detectaram alterações no sistema da Caixa, como uma obra aparecendo como “concluída” e, meses depois, “paralisada” ou “atrasada”. Alguns projetos ficaram sem evolução por mais de 6 meses. O TCU deu 90 dias para o Ministério das Cidades apresentar um plano de ação com cronograma “visando mitigar as causas de atrasos, paralisações e retardo no início das obras de saneamento”.

O GLOBO enviou questionamentos ao Ministério das Cidades nas últimas quarta e quinta-feiras, com pedidos de informação sobre os atrasos e os problemas das obras de saneamento básico acompanhados pela reportagem. O ministério não respondeu as perguntas.

A assessoria de imprensa limitou-se a dizer que a Secretaria Nacional de Saneamento ainda não foi oficialmente informada sobre a auditoria do TCU. “Só vamos nos pronunciar após o recebimento e a análise que o trabalho do TCU requer.” Ainda segundo o ministério, “eventuais falhas que possam existir serão corrigidas”. “O Ministério das Cidades, que se pauta pela transparência total das suas ações, acompanha a execução de mais de 2.951 obras obras de saneamento do PAC em todo o país, em parceria com estados e municípios, responsáveis pela execução dos empreendimentos, com recursos que chegam a R$ 85,7 bilhões”.


12 abril 2015

Recuperação das lagoas da Zona Oeste não será concluída antes das Olimpíadas

Governo estadual reconhece que dragagem de lodo não será feita a tempo dos jogos; Projeto previa a retirada de 5 milhões de metros cúbicos de detritos


Emanuel Alencar | O Globo

RIO - Seis meses após o Ministério Público estadual e a Secretaria estadual do Ambiente pactuarem uma solução para o imbróglio envolvendo o início das obras de dragagem das lagoas da Barra e de Jacarepaguá, o impasse permanece. O procurador da República Sérgio Suiama, que investiga o caso, garante que vai recorrer à Justiça para impedir qualquer intervenção no ecossistema até que o governo apresente estudos ambientais, detalhe a área de despejo de sedimentos e envie uma cópia do contrato com as empreiteiras vencedoras da licitação.




Orçado em R$ 673 milhões — sendo R$ 402 milhões provenientes de um empréstimo do Banco do Brasil e R$ 271 milhões do Fundo Estadual de Conservação Ambiental (Fecam) —, o projeto de recuperação das lagoas não será concluído antes dos Jogos Olímpicos: o cronograma inicial previa 30 meses para a retirada de mais de 5 milhões de metros cúbicos de detritos.

Desde o início do ano, Suiama notificou o secretário estadual do Ambiente, André Corrêa, três vezes. Até agora, não obteve respostas. O procurador quer saber que área receberá o material dragado e o exato volume de lodo a ser retirado das lagoas. Trata-se de compromissos do caderno de encargos das Olimpíadas, embora o complexo lagunar não vá receber competições em agosto do ano que vem.

Ele argumenta que o plano de despejo dos sedimentos na região da Pedra da Panela, na Gardênia Azul, deve ser desconsiderado, pois a área tem recuperação ambiental determinada pelo Ibama. Se a opção for construir uma ilha-parque com os resíduos — previsto no projeto original —, o MPF não abrirá mão de estudos mais aprofundados.

— Como avalizar o início de uma obra sem que haja contrato, Estudo de Impacto Ambiental (EIA-Rima) e alternativas de locais de despejo dos sedimentos? O governo do estado mudou o escopo do projeto várias vezes, mas nunca apresentou estudos ambientais. Vou recorrer caso haja assinatura de Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público estadual. É do MP Federal a responsabilidade sobre o sistema lagunar, por conta da influência das marés — afirma Sérgio Suiama.

O secretário estadual do Ambiente, André Corrêa, diz que os recursos financeiros estão garantidos, mas admite que a conclusão do trabalho não acontecerá antes dos Jogos.

— O cronograma da obra não vai mudar. De fato, não dará tempo. Mas até os Jogos teremos alguma melhoria. A população pode esperar uma melhor circulação hídrica no complexo lagunar, mas não da qualidade da água. Não estamos tratando da solução definitiva — observa o secretário, que faz um apelo aos órgãos fiscalizadores: — Não posso ficar como marisco na briga do rochedo com o mar. Vamos marcar uma nova audiência. Quero fazer um apelo aos Ministérios Públicos para que cheguemos a um acordo.

As confusões envolvendo as obras se arrastam há anos e envolvem denúncias de superfaturamento e fraude na licitação. Em julho de 2013, após a publicação de uma reportagem na revista “Época” mostrar que o resultado da concorrência já era conhecido antes mesmo da abertura dos envelopes, o então secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, cancelou o processo.

A licença prévia (LP) para as obras, concedida pelo Inea em maio daquele ano, acabou sendo suspensa. Em fevereiro de 2014, com Indio da Costa à frente do órgão ambiental estadual, a Procuradoria-Geral do Estado do Rio autorizou a revalidação do resultado da primeira licitação, vencida por um consórcio formado pelas empresas Queiroz Galvão, OAS e Andrade Gutierrez. De lá para cá, nada avançou.

'UTR'S SÃO ENGANAÇÃO', DIZ PREFEITO

A crise econômica comprometeu outras melhorias complementares previstas para a região. Incluída no Dossiê de Candidatura Rio 2016 como parte do plano de recuperação da Baixada de Jacarepaguá, a construção de Unidades de Tratamento de Rios (UTRs), estruturas que reduzem o esgoto nas águas que desembocam nas lagoas, foi abandonada de vez. A prefeitura seria a responsável por financiar essas obras.

O prefeito Eduardo Paes joga uma pá de cal na ideia, que acabou excluída da lista de compromissos para Olimpíadas.

— UTRs são uma enganação — sentencia o prefeito. — Pode ser útil se você tiver um sistema de esgoto funcionando adequadamente, o que não acontece ali. No caso das lagoas, a construção de UTRs apenas adiaria a solução para o problema do tratamento de esgoto. Não dá para botar essas estações funcionando e fingir que a água está limpa. Além disso, há somente uma empresa capacitada a construir UTRs no país, a um alto custo. Eu teria que dispensar licitação. Não vou fazer.

Sobre a dragagem, Paes minimizou o fato de o serviço não estar concluído até os Jogos do ano que vem:

— A dragagem não é um problema para as Olimpíadas. Se não terminar, ninguém vai morrer. Não faz a menor diferença.

Atualmente, das quatro UTRs previstas, apenas uma funciona, na foz do Rio Arroio Fundo. O custo de operação e manutenção é de R$ 8,8 milhões por ano. A unidade custou R$ 26 milhões, em 2007, antes dos Jogos Pan-Americanos, e tem capacidade de tratamento de 1.800 litros por segundo.

Paes defende que se faça na Baixada de Jacarepaguá uma Parceria Público-Privada (PPP) com o objetivo de conceder o serviço de esgoto a um consórcio, num modelo semelhante ao aplicado em parte da Zona Oeste.

— A Cedae cumpria sua função com a água. O que não dá é para ficar caindo esgoto nos rios — diz o prefeito.

Na avaliação do professor da Coppe/UFRJ Paulo Rosman, especialista em recursos hídricos, o imbróglio sobre o futuro das lagoas da região serve como tentativa de esconder um fato: falta dinheiro para a realização das obras.

— Dá para fazer muita coisa em um ano e dois meses. A questão é falta de dinheiro. A melhora da circulação das águas na região é muito importante para a cidade, seria um enorme ganho. Fazer UTR é o equivalente a jogar a bagunça de casa no armário quando a visita vem. Passaremos vergonha nas Olimpíadas — afirma Rosman.

Medições feitas este ano pelo Inea mostram que índices de coliformes fecais chegam a estar mil vezes acima do limite considerado aceitável. Enquanto as melhorias ambientais não chegam, a sujeira das lagoas assusta antigos conhecedores de suas águas, como Denildo da Silva, de 52 anos, que passou de pescador a catador de lixo:

— Quando vejo as lagoas assim, dá vontade de chorar. Mas ainda há esperança, acredito na recuperação.