07 fevereiro 2015

Empresa transforma água do mar em potável e produz 16 mil litros por dia

Água tem mais minerais que a comum, e processo é feito no litoral de SP.
G1 ofereceu produto a várias pessoas, que não notaram diferença.


Mariane Rossi
Do G1 Santos

Em meio à grave crise hídrica que atinge o estado de São Paulo, muitas pessoas pensam em alternativas para não ficar sem água. Uma empresa em Bertioga, no litoral de São Paulo, criou um método próprio de dessalinização da água do mar que, além de remover o sal, consegue manter 63 minerais importantes para o organismo humano presentes no mar.

Água do mar é tratada em Bertioga, SP, e fica pronta para ser consumida (Foto: Mariane Rossi/G1)Água do mar é tratada em Bertioga, SP, e fica pronta para ser consumida (Foto: Mariane Rossi/G1)

O G1 testou o produto com alguns moradores da Baixada Santista. O resultado, com a reação das pessoas, pode ser visto no vídeo que abre a reportagem.

O G1 visitou também a sede da fábrica e acompanhou todo o processo de dessalinização. A água já foi até engarrafada, mas os empresários aguardam a liberação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para começar a vender o produto no Brasil. Segundo um estudo de uma pesquisadora ligada à Universidade Paulista (Unip) e Universidade de São Paulo (USP), a água não oferece riscos e pode ser consumida normalmente.

Um dos responsáveis pela criação do processo de dessalinização, o empresário Annibale Longhi conta que buscava também uma forma de recuperar os minerais perdidos no dia a dia por meio da água. “Uma célula em equilíbrio deve conter cerca de 100 minerais. Ao longo da vida, você vai perdendo isso.” Por isso, Longhi começou a fazer experiências para encontrar um produto que não tivesse sal em grande quantidade e que fosse saudável.

Após um longo período de análises, ele descobriu que o mar guarda os minerais necessários para o corpo. “Na água do mar encontramos 63 minerais que ajudam o sistema celular. A água vendida nos supermercados tem, no máximo, 12 minerais. Porém, para o corpo ficar saudável, precisa de muito mais”, explica.

Produção da água

Com os resultados em mãos, o empresário, junto com o engenheiro Silvio Paixão, criou um laboratório piloto para desenvolver projetos e começar os testes.

Médico terapeuta e engenheiro criaram o sistema (Foto: Mariane Rossi/G1)Empresário e engenheiro criaram o sistema (Foto: Mariane Rossi/G1)

Há três anos, eles montaram um sistema de dessalinização da água. Ela é retirada do mar, a cerca de 30 metros de profundidade, e passa por um processo de tratamento de quatro fases. Metade da água retirada do mar se transforma em potável. A outra metade volta para o oceano, com concentração maior de sal. Esta água é descartada em vários pontos para não comprometer o meio ambiente.

Após o tratamento, a água permanece com os 63 minerais naturais que o corpo necessita. De acordo com Paixão, o pH 7,5 da água do mar é mantido. O pH é a medida que indica a acidez, a neutralidade e a alcalinidade de uma solução. Sete é o valor neutro. Um pH mais perto de 0 indica acidez e mais perto de 14, alcalinidade.

“Como nós não adicionamos nada, só retiramos o cloreto de sódio, o pH permanece o mesmo. O pH é uma coisa muito importante quando se trata de saúde humana. Essa água nunca vai trazer problemas para o corpo. O rim e o fígado funcionam até melhor”, afirma.

No laboratório em Bertioga, é possível produzir uma grande quantidade das garrafas de água. A fábrica tem condições de fazer até 33 mil garrafinhas por dia, totalizando 16 mil litros do produto, o que daria cerca de 1 milhão de unidades por mês. Enquanto uma garrafa de água mineral com 300 ml custa, em média, R$ 1,50, em Santos, uma garrafinha de água dessalinizada pode chegar a custar duas ou três vezes mais.

Pesquisa

A biomédica Lucia Abel Awad, com o apoio da USP e da Unip, realizou um estudo de cerca de três anos sobre a água fabricada em Bertioga. “Primeiro fizemos testes em camundongo e ratos, com protocolos que obedecem aos critérios da Anvisa. Avaliamos questões hematológicas, renais, hepáticas e sinais clínicos. Fizemos todos os testes para saber se a água produzia algum efeito maléfico ou benéfico no organismo desses animais. Os animais não apresentaram problemas. Concluímos que a água não tem efeito tóxico e que pode ser tomada sem restrições”, diz ela.

Por enquanto, os empresários já têm a autorização da Anvisa para produzir e exportar a água. Segundo eles, há compradores na Alemanha (Galeria Kaufhof) e na França (La Grande Epicerie), onde o produto também passa por análise, de acordo com a legislação europeia.

“Já passamos pelos processos de análise química e microbiológica. Estamos na fase da radioatividade. Passando por isso, nosso produto será aceito em toda a Europa”, explica Paixão.

No Brasil, a água 63 Water Vital Minerals está sob análise da Anvisa para a comercialização. A pesquisa realizada pela universidade foi incluída na série de documentos e exames laboratoriais solicitados pelo órgão. “Superamos a demanda da Anvisa e estamos aguardando a análise. Entregamos todo esse material no começo de 2014 e estamos esperando a aprovação”, afirmou o engenheiro.


05 fevereiro 2015

Trabalhadores indonésios flagram criatura bizarra em plantação

Vídeo do animal soma mais de 1 milhão de visualizações.
Na gravação, criatura sem pelos aparece se arrastando lentamente.


Do G1, em São Paulo

Trabalhadores indonésios se depararam com uma criatura bizarra que rastejava em uma plantação em Sarawak, na ilha de Bornéu.

Trabalhadores indonésios se depararam com criatura bizarra em plantação (Foto: Reprodução/YouTube/The Borneo Post SEEDS)Trabalhadores indonésios se depararam com criatura bizarra em plantação (Foto: Reprodução/YouTube/The Borneo Post SEEDS)

Um vídeo do animal foi publicado no dia 30 de janeiro no YouTube e alcançou mais de 1 milhão de visualizações. Assista ao vídeo.

Na gravação, a criatura sem pelos aparece se arrastando lentamente. "Nós ficamos chocados. Nenhum de nós jamais tinha visto tal coisa", afirmou um dos trabalhadores.

04 fevereiro 2015

Hidrelétricas registram em 2015 o janeiro mais seco em 85 anos

Reservatórios receberam água equivalente a 38,04% da média histórica.
Situação eleva risco de um novo racionamento no país em 2015.


Fábio Amato
Do G1, em Brasília

O volume de chuva que chegou aos reservatórios das principais hidrelétricas do país em janeiro de 2015 foi o mais baixo para o mês dos últimos 85 anos, apontam dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) aos quais o G1 teve acesso.



De acordo com o órgão, a chuva registrada em janeiro foi equivalente a 38,04% da média para o mês, o pior índice do histórico que começa em 1931. Antes, o volume mais baixo havia sido verificado em 1953, quando a chuva correspondeu a 44,6% da média histórica.Esse volume de água foi registrado nas represas de hidrelétricas do Sudeste e Centro-Oeste, que juntas respondem por cerca de 70% da capacidade do país de gerar eletricidade.

Já é o terceiro ano seguido, portanto desde 2013, em que os meses de janeiro são mais secos que o esperado. No ano passado, a chuva foi equivalente a 53,43% da média histórica e, no ano anterior, a 83,32%.

Estiagem em período úmido

A estiagem atinge o Sudeste e Centro-Oeste em pleno período úmido, que vai de novembro a abril, época em que costuma chover mais intensamente nessas regiões. O resultado é que, ao invés de subir, como seria o esperado, os níveis de armazenamento dos reservatórios das hidrelétricas instaladas ali têm caído.

No último dia 31 de janeiro, essas represas estavam com armazenamento médio de 16,8% da capacidade total. Um mês antes, em 31 de dezembro de 2014, esse índice era de 19,4%. Um ano atrás, em 31 de janeiro de 2014, era de 40,3%, valor que já é considerado baixo para o mês.

Essa situação vem gerando aumento da preocupação quanto um possível novo racionamento de energia no país, como o que foi decretado em 2001, durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. O governo Dilma Rousseff nega, por enquanto, que a medida seja necessária.

O diretor-geral do ONS, Hermes Chipp, disse em novembro que os reservatórios das hidrelétricas do Sudeste e Centro-Oeste precisam chegar ao final de abril com armazenamento entre 30% e 35% para que o fornecimento de energia no país ao longo de 2015 esteja garantido.

Especialistas ouvidos pelo G1 em janeiro, porém, apontaram que a crise no setor elétrico é grave e que o governo deveria adotar com urgência medidas para economizar energia. Na época, a consultoria PSR informou que já é superior a 50% o risco de o país passar por um novo racionamento neste ano.

Termelétricas no limite

Por conta do baixo volume dos reservatórios das hidrelétricas, o país tem usado com mais intensidade as termelétricas, que geram energia por meio da queima de combustíveis como óleo e gás. Hoje essas usinas atendem a cerca de 20% da demanda do país e estão no limite.

A eletricidade produzida pelas termelétricas é mais cara e o uso delas provoca aumentos nas contas de luz, que já estão sendo vistos pelos consumidores. Entretanto, se não fosse por elas, o país já estaria sob um racionamento.

Alta na conta de luz

A situação das hidrelétricas também tem provocado a disparada no preço da energia no país, devido principalmente ao uso mais intenso das termelétricas. Movidas a combustíveis como óleo e gás, essas usinas contribuem para economizar água dos reservatórios, porém a eletricidade gerada por elas é mais cara.

Essa conta extra já vem se refletindo em aumentos ainda maiores nas contas de luz. Na terça (3), a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizou os primeiros reajustes de 2015 e, no caso de algumas distribuidoras, foi superior a 40%.

02 fevereiro 2015

ONU confirma que 2014 foi o ano mais quente registrado na Terra

Temperatura média do ar na superfície superou em 0,57 grau a média.
Organização acredita que o reaquecimento mundial se manterá.


France Presse

O ano de 2014 foi o mais quente registrado na Terra, confirmou nesta segunda-feira (2) a Organização Meteorológica Mundial (OMM), uma instituição especializada das Nações Unidas com sede em Genebra.

Guarda-chuva foi usado como guarda-sol nesta segunda de recorde de calor em SP (Foto: REUTERS/Nacho Doce)Guarda-chuva foi usado como guarda-sol no dia 19 de janeiro, dia de recorde de calor em SP (Foto: REUTERS/Nacho Doce)

A temperatura média do ar no ano passado na superfície do planeta superou em 0,57 grau Celsius a média caculada para o período de referência 1961-1990, que foi de 14,00 graus. Também supera os máximos de 2010 (0,55 grau acima) e de 2005 (+0,54 grau), segundo a OMM.

"Nosso século conta com 14 dos 15 anos mais quentes. Acreditamos que este reaquecimento mundial se manterá, já que a concentração de gases de efeito estufa na atmosfera e o aumento da entalpia (calor contido) dos oceanos nos levam a um futuro mais quente", indicou seu secretário-geral, Michel Jarraud.

O ano de "2014 é, em valores nominais, o ano mais quente já observado, embora exista uma diferença muito pequena entre os três anos mais quentes", explicou.

A organização meteorológica calculou que 93% do calor preso na atmosfera pelos gases de efeito estufa, que procedem da exploração de combustíveis fósseis e de outras atividades humanas, está armazenado nos oceanos.

Eles desempenham um papel essencial em termos de regulação térmica do sistema climático mundial. "A temperatura média na superfície dos oceanos alcançou novos recordes em 2014", adverte a OMM.

O organismo lembra que este máximo de calor em 2014 ocorreu na ausência de um verdadeiro episódio do El Niño, um fenômeno que reaquece o clima, e que ocorre quando as temperaturas da superfície do mar, mais altas que o normal no leste do Pacífico tropical, interagem com os sistemas de pressões atmosféricas.

A OMM publicou sua análise das temperaturas mundiais diante da perspectiva de negociações anuais sobre as mudanças climáticas que serão realizadas em Genebra de 9 a 14 de fevereiro. Estas negociações ajudarão a alcançar um acordo na cúpula sobre o clima que será realizada em Paris em dezembro.


Rio Paraíba do Sul pode não ter água para socorrer Sistema Cantareira

Licitação estima gastos de R$ 830 milhões, quase três vezes mais que o previsto. Governo de São Paulo garante que obra não vai prejudicar ninguém.


Fantástico


O ano 2015 começou pesado para os brasileiros. Ajustes na economia, crise de energia e a crise da água, que afeta não só São Paulo, mas também os outros estados da região Sudeste.

Enquanto a população recebe respostas confusas das autoridades, buscam-se caminhos para que a maior cidade do Brasil não entre em colapso.

Entre as medidas de emergência, foi lançado sexta-feira (30) o polêmico projeto de transposição do Rio Paraíba do Sul. O plano prevê o desvio de parte das águas para socorrer as represas de São Paulo. Só que a bacia do Paraíba do Sul, principal fonte de abastecimento do estado do Rio de Janeiro, também está secando.

E aí? O que era para ser solução vai acabar criando outro problema?

Era uma vez um rio que corria em meio à Mata Atlântica fechada. Um rio tão bom que muita gente escolheu seu entorno para sobreviver. São 15 milhões de pessoas abastecidas por ele pelos rios que correm até ele. Centenas de anos depois, cada vez menos Mata Atlântica. E esse rio passa agora pela maior seca já registrada.

O sistema do Rio Paraíba do Sul abastece três estados: Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. É por ser tão importante que ele agora é o centro de uma polêmica.

No reservatório de Jaguari, em São Paulo, se planeja fazer a transposição do Rio Paraíba do Sul. Uma obra que é apontada como uma das soluções para o problema da falta d´água em São Paulo. Para chegar no lugar onde se pretende fazer a obra, é preciso pegar um barco. Geralmente, pegaria-se um barco em um píer. Mas a represa está tão seca que é preciso descer todos os degraus. Antes era tudo ficava embaixo d’água.

São 25 metros abaixo do nível normal. O especialista em recursos hídricos Edilson Andrade vai mostrar o lugar da obra.

Represa Jaguari

Fantástico: A represa agora está muito seca?

Edilson Andrade:
Sim, ela está quase que zero de volume útil, está com 1,7% apenas.

Uma floresta antes submersa mostra seus galhos. E, em um dos cantos da represa, se vê a antiga cidade de Igaratá, onde o professor Sirlei da Silva se criou. “Aqui era a pracinha da frente da igreja, até tem os canteiros ainda, vestígios de canteiro. Os bancos da praça. A minha adolescência eu passei aqui”, indica Sirlei.

Ele não ia à cidade há 50 anos, desde que a cidade ficou submersa com a construção da represa. O que restou de Igaratá estava a 20 metros de profundidade. Agora, um símbolo da seca.

“Essa situação caótica que a gente começa a experimentar é como se fosse uma ferida que começa a sangrar. Igaratá é apenas um toque nessa ferida”, diz Sirlei.

Fantástico: A obra então está planejada para ser feita aqui.

Edilson Andrade:
Sim, esse local deve receber as obras.

Segundo o projeto, seis motores vão bombear a água por 20 km até a represa do Atibainha, que faz parte do Sistema Cantareira.

O Sistema Cantareira é usado por 8 milhões de pessoas em São Paulo, que esta semana ouviram uma previsão dramática. “Precisaria de um rodízio de dois dias com água por cinco dias sem água”, disse o diretor metropolitano da Sabesp, Paulo Massato Yoshimoto.

A ideia é bombear do Paraíba do Sul para lá cerca de 5 mil a 8 mil litros de água por segundo. O suficiente para abastecer 2 milhões dos 22 milhões de habitantes da Grande São Paulo.

Só que, para isso acontecer, os reservatórios do Paraíba do Sul precisam se recuperar primeiro. “Nesta situação de crise, não daria para passar esse volume para São Paulo”, afirma Edilson Andrade.

Em uma seca como essa, segundo os especialistas, transferir a água para o Cantareira poderia criar outro problema.

Fantástico: O Paraíba do Sul pode se tornar um novo Cantareira?

Edilson Andrade:
Pode, se nesse verão não chover e no próximo, de 2016, a chuva também não vier em quantidade suficiente, em um ano vai ser um novo Cantareira.

Fantástico: E aí não daria para socorrer o Cantareira?

Edilson Andrade:
Sim. Para socorrer o Cantareira precisa ter água. E só tem água se houver uma recuperação dessas represas do Paraíba do Sul. Seria socorrer um doente e deixar o outro à mingua.

As represas do Cantareira e as do Paraíba do Sul estão na mesma zona climática. Elas funcionam sob o mesmo regime de chuva. Ou seja, se chove aqui, chove lá também. E se tem seca lá, tem seca aqui também.

Essa obra foi anunciada no ano passado, a princípio a um custo de R$ 300 milhões. Mas a licitação que foi aberta sexta-feira (30), estima gastos de R$ 830 milhões, quase três vezes mais. Recursos do PAC do governo federal, o Programa de Aceleração do Crescimento. A previsão é de que fique pronta em um ano e meio.

“São Paulo sabe que essa não é a melhor alternativa que ele escolheu, o Jaguari. É a mais rápida”, afirma o secretário de Ambiente do Rio de Janeiro André Corrêa.

Uma solução de emergência para uma crise anunciada. Olha essa reportagem que o Fantástico exibiu em 2003: “Um fantasma assusta a maior cidade do país. A falta d´agua. Quase vazios, os oito reservatórios não dão mais conta de atender 18 milhões de usuários. O maior reservatório, o da Cantareira. Está com um pouco mais de 6% da sua capacidade”. Isso foi há 12 anos. E mesmo naquela época, longe de ser novidade.

O projeto que se pretende realizar agora foi condenado no ano passado. Uma comissão de especialistas fez um estudo do Paraíba do Sul encomendado pelo governo do estado do Rio de Janeiro. E desaconselhou qualquer obra de transposição.

“Não podemos imaginar que podemos cobrir um pé e descobrir o outro. A região metropolitana e o estado do Rio de Janeiro não têm um outro manancial que possa ser suprido além do Paraíba do Sul. E com a quantidade de usos que essa bacia já tem, uma retirada adicional, na verdade, trará consequências imediatas”, afirma o pesquisador da Coppe/UFRJ Paulo Carneiro.

No ano passado, o governo do Rio de Janeiro foi contra a obra. Agora, mudou de opinião.

“Nós queremos ajudar São Paulo. Não vou ficar pautado por um estudo em uma situação de emergência”, defende André Corrêa.

O secretário estadual de Ambiente defende que a obra seja feita. Mas que só entre em funcionamento se o nível da água voltar a subir. “Vai depender das condições do rio. Nós estamos falando de uma obra que vai levar, no mínimo, um ano e oito meses”, diz o secretário de Ambiente André Corrêa.

Fantástico: Isso não se torna uma obra obsoleta?

André Corrêa:
Ela em algum momento...Eu acredito que em algum momento nós vamos recuperar os reservatórios.

O governo de São Paulo garante que a transposição não vai prejudicar ninguém. “Essa obra não vai trazer nem bem e nem mal para o Rio de Janeiro. Essa obra é uma obra neutra”, afirma o secretário de Saneamento e Recursos Hídricos de São Paulo, Benedito Braga.

Uma segunda fase da obra prevê um sistema de tubos que faria o caminho de volta. Levar água do Sistema Cantareira para o Paraíba do Sul. “Eu acredito que é algo que dificilmente vai acontecer”, afirma Edilson Andrade.

O problema do Paraíba do Sul só se agrava. Ernesto é um ambientalista que dedica a vida ao Paraíba do Sul. Ele sobrevoou o rio em agosto. “O rio estava 2 metros abaixo do normal”, conta.

Semana passada, fez nova viagem pelo mesmo percurso. “Até metade da trajetória é uma seca violenta. Chamou mais atenção foi o aparecimento de mais ilhas. Ilhas que eu digo, de assoreamento. E a seca".

Do ar, não se vê mais só um rio. Se vê uma crise, cada dia mais grave. E entre projetos, licitações e discussões, uma pergunta ainda sem resposta: E se essa água acabar?