27 janeiro 2015

Misteriosas manchas fluorescentes iluminam o mar de Hong Kong

Fenômeno conhecido como 'mar brilhante' pode ser sinal de poluição.
Proliferação excessiva de organismo unicelular provoca brilho.


Associated Press

A costa de Hong Kong foi tomada recentemente por misteriosas e fascinantes manchas de azul fosforescente. Apesar da beleza, esse fenômeno é preocupante e potencialmente tóxico, segundo biólogos marinhos.

 Foto feita com longa exposição mosra o brilho da Noctiluca scintillans na costa de Hong Kong (Foto: AP Photo/Kin Cheung)Foto feita com longa exposição mosra o brilho da Noctiluca scintillans na costa de Hong Kong (Foto: AP Photo/Kin Cheung)

O brilho é um indicador da proliferação de um organismo unicelular chamado Noctiluca scintillans e o fenômeno é apelidado de "mar brilhante". A Noctiluca scintillans parece uma alga. Mas, tecnicamente, pode funcionar como animal ou como planta.

Esse tipo de proliferação é desencadeado por poluição agrícola, que pode ser devastadora para a vida marinha e para a pesca local, de acordo com a oceanógrafa da Universidade da Georgia Samantha Joye , que mostrou à Associated Press fotos da água brilhante.

'Magnífico, mas lamentável'

"Essas fotos são magníficas. É apenas extremamente lamentável que a misteriosa e majestosa tonalidade azul seja criada pela Noctiluca", afirmou Samantha em um e-mail nesta quinta-feira (22). De acordo com ela e outros cientistas, este é parte do problema que está crescendo no mundo todo.

Apesar de fascinante, brilho pode ser sinal de poluição  (Foto: AP Photo/Kin Cheung)Apesar de fascinante, brilho pode ser sinal de poluição (Foto: AP Photo/Kin Cheung)

Noctiluca é um organismo formado por uma única célula que come plâncton e é comido por outras espécies. O plâncton e a Noctiluca se tornam mais abundantes quando o nitrogênio e o fósforo de escoamentos agrícolas aumentam.

Diferentemente de outros organismos similares, a Noctiluca não produz diretamente substâncias químicas que posssam atacar o sistema nervoso ou outras partes do organismo.

Mas estudos recentes mostram que ele pode estar ligado a eventos que foram nocivos à vida marinha local. O papel da Noctiluca tanto de presa como de predador pode aumentar o acúmulo de toxinas provenientes de algas na cadeia alimentar, de acordo com o oceanógrafo R. Eugene Turner, da Universidade do Estado da Louisiana.

Camada de poluição 'esconde' cidade chinesa de Xangai

Fenômeno do 'smog' é comum na cidade.
Crescimento rápido do país provocou crise ambiental.


Do G1, em São Paulo

Uma forte camada de poluição e neblina (smog) encobriu a cidade chinesa de Xangai neste domingo (25). O fenômeno é comum na região.

A China enfrenta grave crise ambiental provocada por três décadas de crescimento econômico rápido e descontrolado.

Camada de poluição 'esconde' cidade chinesa de Xangai (Foto: Aly Song/Reuters)Camada de poluição 'esconde' cidade chinesa de Xangai (Foto: Aly Song/Reuters)


Americano quer instalar fábrica de painéis de bambu no Acre

Empresário estima investimento de até R$ 150 milhões, em cinco anos.
'É um legado que quero deixar', diz Mark James Neeleman.


Yuri Marcel
Do G1 AC

Ajudar a preservar a floresta acreana através do manejo florestal de bambus. Esse é o objetivo do empresário americano Mark James Neeleman, de 36 anos. No Acre, ele se prepara para instalar uma fábrica de painéis para construção civil, feitos a partir do bambu, no município acreano de Xapuri, distante 188 km da capital Rio Branco, e já prevê um investimento de até R$ 150 milhões no projeto pelos próximos cinco anos.

Bambu deve ser usado como material de construção sustentável (Foto: Bruno Imbroisi/ Arquivo pessoal)Bambu deve ser usado como material de construção sustentável (Foto: Bruno Imbroisi/ Arquivo pessoal)

"Queremos instalar um novo modelo de negócios focado no manejo de bambu nas áreas nativas e reflorestamento em áreas degradadas utilizando o bambu como catalisador para incentivar a 'agroecologia'. Vamos plantar nessas áreas, além do bambu, açaí, seringueiras e outros produtos", explica dizendo que além da construção civil tem planos de utilizar o bambu para fabricar biocombustíveis.

Nascido em Salt Lake City, no estado americano de Utah, Neeleman conta que desde cedo entendeu a importância de se preservar o meio ambiente. Parte dessa consciência veio do fato de crescer próximo a parques nacionais como Bryce Canyon e Canyonlands e parte se deveu à influência do pai, o jornalista Gary Neeleman, de 80 anos, que na década de 60, atuou como correspondente no Brasil e possui três livros escritos sobre a Região Amazônica.

O empresário viveu no Brasil no final da década de 90 atuando como missionário, quando aprendeu a falar português. Em 2008 voltou para ajudar o irmão, David Neeleman, na fundação da Azul Linhas Aéreas, onde atuou como gerente.

O empresário diz acreditar que pode ajudar a salvar as florestas e ao mesmo instalar um negócio favorável para os pequenos produtores. "Você não consegue fazer nada de bom se for pelo dinheiro, é preciso fazer um negócio com a visão de mudar o mundo para melhor. É um projeto social, capitalista e altruísta", afirma.

O empresário conta que a ideia do negócio surgiu há quatro anos, em 2011. No dois anos seguintes ele passou a fazer pesquisas sobre o assunto, até encontrar um grupo havaiano que faz construção de casas com o material.

Chico Mendes

Sobre a escolha do Acre como sede do empreendimento, ele explica que tem a ver com o legado deixado pelo líder seringueiro Chico Mendes, assassinado em 1988, na cidade Xapuri por fazendeiros que discordavam de sua luta pela preservação das florestas e dos povos que vivem dela.

"Ele ajudou a criar no Acre, uma consciência ambiental que nunca vi igual em nenhum outro estado da região Norte", explica.

O empresário diz acreditar que conseguindo levar o empreendimento adiante pode servir de exemplo para os outros estados que fazem parte da floresta amazônica. "É um legado que quero deixar", diz.

Outro fator que ajudou na escolha do estado, segundo ele, foi um estudo que ele diz ter tido acesso sobre a quantidade de bambu no território acreano, que seria suficiente para suprir a demanda. "Tem áreas de floresta compostas 90% de bambu aqui no Acre", diz.

Investimentos

Até maio de 2015, ele espera que o processo para a colheita do bambu possa começar, ao mesmo tempo ele diz que novas mudas deverão ser plantadas em uma área degradada de aproximadamente mil hectares. "Isso apenas no primeiro ano. Temos uma meta de conseguir até cinco mil hectares de plantio em cinco anos", ressalta.

O investimento inicial deve ser de R$ 30 milhões no primeiro ano, mas o empresário diz querer alçar voos maiores. "Queremos usar essa fábrica de Xapuri para começar e nos próximos anos queremos construir uma nova fábrica na Zona de Processamento de Exportação do Acre. Nos próximos cinco anos esperamos investir até R$ 150 milhões nesse projeto", especula.

A medida que o negócio for crescendo ele espera também aumentar o número de empregos diretos gerados pelo empreendimento. "A princípio vamos contratar 200 pessoas, mas queremos chegar a mil funcionários e ainda vai ter muito mais gente trabalhando conosco através de cooperativas e associações que serão pagas para fazer a colheita dos bambus", afirma.

Rio é contaminado e deixa 36 mil pessoas sem água em Luziânia, GO

Espuma de pelo menos 1 metro cobriu manancial no município.
Suspeita é de que indústria tenha poluído manancial com dejetos químicos.


Do G1 GO, com informações da TV Anhanguera
Cerca de 36 mil pessoas estão sem água neste sábado (24) devido a contaminação do Rio Palmital, que abastece Luziânia, cidade goiana do Entorno do Distrito Federal. A suspeita é que um manancial foi poluído por dejetos de uma indústria. Uma espuma de aproximadamente um metro de se formou sobre o rio.

Rio é contaminado e deixa 36 mil pessoas sem água em Luziânia, Goiás (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)Espuma também chegou a estação de tratamento de água (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

Fiscais da Secretaria de Meio Ambiente identificaram o possível local do vazamento. A água que chegou à Estação de Tratamento da Companhia de Saneamento de Goiás (Saneago) na cidade para ser purificada e depois destinada para abastecer as casas, também chegou cheia de espuma.

“Quando eu fui fazer a vistoria do sistema constatei que estava realmente começando a espumar. Como já tem esse alerta, a gente parou o sistema para não afetar mais o abastecimento", explicou Flávio Vaz, gerente da Saneago.

A companhia também coletou amostras e fez uma análise na água. O resultado apresentou 4% de oxigênio em uma escala que vai de 1 a 10. O índice é considerado alto e aponta que a água é imprópria para o consumo.

Outra amostra foi encaminhada para Goiânia onde será identificada qual a substância responsável pela contaminação.

A Secretaria de Meio Ambiente informou que aguarda o relatório da Saneago para saber se alguma indústria foi responsável pela contaminação. A previsão é que o abastecimento seja normalizado ainda nesta noite.


26 janeiro 2015

Cantareira completa 2 semanas seguidas de queda em suas represas

Principal sistema da Grande SP recebeu só 35,4% das chuvas de janeiro.
Demais mananciais se mantiveram estáveis ou tiveram alta no nível.


Do G1 São Paulo

Sem chuvas suficientes, o Sistema Cantareira completou neste domingo (25) duas semanas consecutivas de queda e o volume de suas represas baixou para 5,1%, segundo boletim da Sabesp. O nível era de 5,2% neste sábado (24).

Vista aérea da represa de Jaguari, parte do Sistema Cantareira, em Bragança Paulista (SP) (Foto: Nacho Doce/Reuters)Vista aérea da represa de Jaguari, parte do Sistema Cantareira, em Bragança Paulista (SP) (Foto: Nacho Doce/Reuters)

O principal reservatório das Grande São Paulo, responsável por atender 6,2 milhões de pessoas, recebeu em janeiro apenas 35,4% da precipitação prevista para o mês.

Caíram em suas represas 96,1 milímetros de chuva nos primeiros 25 dias do ano. O número já é superior a todo mês de janeiro do ano passado, quando choveram 87,3 milímetros, mas ainda está distante dos 271,1 milímetros esperados até o dia 31.

Nem a chuva ocorrida entre esta sexta e sábado (24), a maior do mês, com 25,9 milímetros, foi suficiente para frear a queda no sistema.

Entre os demais cinco sistemas que atende a Região Metropolitana de São Paulo, a situação é um pouco melhor, com sinais de recuperação. Neste domingo, três deles apresentaram alta no nível e dois se mantiveram estáveis.

Confira os níveis dos outros sistemas que abastecem a Grande São Paulo:

  • Alto Tietê: permaneceu em 10,4%;
  • Guarapiranga: subiu de 39,4% para 41,1%;
  • Alto Cotia: permanceu em 28,6%;
  • Rio Grande: subiu de 71,7% para 73%;
  • Rio Claro: subiu de 27,1% para 27,3%.

Previsão

As precipitações devem ficar abaixo da média pelo menos até abril. É o que prevê o Grupo de Trabalho em Previsão Climática Sazonal do Ministério de Ciência e Tecnologia. O resultado foi divulgado na tarde do dia 16, na sede do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em Brasília.

Balanço de 2014

Junto com o ano de 2014, terminou também o melhor mês do Cantareira no ano. Em dezembro, o nível do sistema baixou 1,5 ponto percentual. Foi o menor índice de queda mensal no ano. A maior baixa foi em fevereiro, quando o volume acumulado recuou 5,5 pontos percentuais.

Dezembro também foi o melhor mês em número de dias sem queda no nível do reservatório. Foram 11: em 8 deles o nível se estabilizou, e em outros 3 ele chegou a subir. Foi a única vez no ano em que o nível aumentou três vezes seguidas, dos dias 24 a 26. Nesse sentido, os piores meses foram junho, julho, agosto e outubro, quando o nível caiu todos os dias.

O Cantareira terminou 2014 sem recuperar 492 bilhões de litros de água perdidos durante os 12 meses. O ano começou com o nível do reservatório em 27,2% e terminou com 7,2%.

Porém, com a utilização das duas cotas do volume morto (a primeira elevou o manancial em 18,5 pontos percentuais e a segunda em 10,7 pontos percentuais) é como se os reservatórios tivessem iniciado 2014 com um volume acumulado de 56,4%. Assim, a queda foi 49,2% durante o ano, o número representa 492 bilhões de litros. De acordo com estimativas da Sabesp, o reservatório tem capacidade de armazenar 1 trilhão de litros, quando está com 100% do seu nível.

Segundo a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), o sistema abastece atualmente 6,5 milhões de pessoas na Grande SP.

Multa

Depois de ser barrada na Justiça no dia 13, a sobretaxa na conta de água para quem aumantar o consumo voltou a valer no dia 14, após o governo vencer recurso contra a Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste).

A partir da conta de fevereiro, serão cobrados 40% de multa para quem consumir até 20% a mais do que a média entre fevereiro de 2013 e janeiro de 2014. Quem ultrapassar 20% dessa média será multado em 100% sobre o gasto com água, que representa metade da conta. Os outros 50% são referentes ao serviço de coleta de esgoto.

Os sistemas que abastecem várias regiões do estado de São Paulo têm enfrentado quedas frequentes do volume de água armazenado devido à falta de chuvas. Na Grande São Paulo, os principais sistemas, Cantareira, Alto Tietê e Guarapiranga, são os mais afetados.

Bônus

Entre fevereiro e outubro do ano passado, a companhia concedeu bônus de 30% na conta de clientes que economizassem 20% ou mais de água em relação à média de consumo entre dos 12 meses que vão de fevereiro de 2013 a janeiro de 2014.

A medida foi adotada para estimular a redução no consumo. Desde novembro, o desconto gradual passou a ser dado para os imóveis que reduzirem o consumo entre 10% e 20%. O desconto foi prorrogado até o fim de 2015.

O percentual será calculado com base na média de fevereiro de 2013 até janeiro de 2014. A média já aparece na conta dos consumidores. A meta do governo é reduzir 2,5 metros cúbicos por segundo de consumo. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) negou que a medida seja uma multa ao consumidor. Ele define o ônus como "tarifa de contingência".

Com a medida, a multa será aplicada da seguinte maneira: um consumidor que, em média, gasta 10 m³ de água receberá conta 20% mais cara se utilizar entre 10,1 m³ e 12 m³ em um mês. Caso gaste acima de 12,1 m³, irá pagar 50% a mais. O consumidor que elevar o gasto passará a ser cobrado na conta de fevereiro.

RN tenta superar obstáculos para explorar potencial da energia eólica

Produção do RN responde por 30% da geração de energia eólica no país.
Infraestrutura para expansão tem avanços, porém, enfrenta problemas.


Felipe Gibson e Fred Carvalho
Do G1 RN

Posicionado na chamada "esquina do continente", o Rio Grande do Norte é responsável pela maior produção de energia eólica do Brasil, pouco mais de 30% do total, mas ainda patina nas tentativas de aproveitar todo o seu potencial e colocar a eletricidade gerada a partir dos ventos como alternativa real no país -- uma oportunidade reforçada após o apagão da última semana.

Em São Miguel do Gostoso, a praia divide o cenário com os aerogeradores (Foto: Felipe Gibson/G1)Em São Miguel do Gostoso, a praia divide o cenário com os aerogeradores (Foto: Felipe Gibson/G1)

Investidores do setor alegam que o atraso na construção de linhas de transmissão e uma estrutura melhor no porto de Natal para escoar equipamentos que compõem os parques eólicos são empecilhos para o desenvolvimento.

O RN possui 67 parques eólicos, que produzem comercialmente 1,79 gigawatts de energia, segundo levantamento do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energias Renováveis (Cerne). Dos mais de 130 gigawatts produzidos no país, a imensa maioria vem de hidrelétricas e termelétricas. Os parques eólicos no Brasil inteiro ainda respondem por uma parcela de 3,5%, segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Na Dinamarca - país tido como referência no setor - esse índice chega a 43%. A meta do país, de acordo com a Agência de Energia Dinamarquesa, é chegar a 2050 produzindo somente energia e calor limpos, eliminando as emissões de dióxido de carbono. Lá, o problema das linhas de transmissão foi resolvido com a construção de cabos subterrâneos.

O Brasil planeja aumentar a produção de energia por fontes renováveis. Segundo o Plano Decenal de Expansão de Energia 2023, do Ministério de Minas e Energia, as energias eólica e solar devem registrar crescimento de 8% nos próximos anos.

Vantagens ambientais

Hugo Alexandre, diretor executivo da Bioconsultants, empresa que presta consultoria ambiental para empresas de energia eólica, diz que termelétricas e hidrelétricas de fato geram mais eletricidade. Mas o diferencial da energia gerada a partir dos ventos está atrelado aos impactos ambientais.

"Toda e qualquer atividade vai gerar impacto, principalmente se for na geração de energia. O importante é sempre tentar casar a geração de energia com a nova política mundial colocada, que é a política da sustentabilidade", afirma Hugo Alexandre. Com base nessa ideia, ele compara a geração de energia eólica com as demais fontes da matriz energética.

Alexandre detalha que os parque eólicos ocupam uma média de 30% a 40% das terras em que são instalados, não geram resíduos e causam pouco desmatamento se comparado às demais fontes da matriz energética. "A eólica convive com outras atividades como pecuária, agricultura e preservação do meio ambiente. É comum você ter em cima as torres gerando em cima e as plantações embaixo. A comunidade e o proprietário da terra podem utilizar a área tranquilamente", conta.

Bacia dos ventos

A vocação natural do RN se explica pela localização na "esquina do continente". O diretor-presidente do Cerne, Jean-Paul Prates, explica que o estado fica no caminho de uma bacia de ventos e é provavelmente um dos melhores lugares do mundo para a energia eólica. "É uma formação regular de ventos que vêm do Atlântico Sul, batem na costa africana e acabam na ponta do Brasil, onde o RN está", observa.

Especializada em energias renováveis, a empresa francesa Voltalia foi uma das que aterrissou no Rio Grande do Norte para explorar os ventos. Com 15 projetos contratados por meio de leilões organizados pelo governo federal, o diretor geral da empresa, Robert Klein, afirma que os investimentos não devem parar por aí.

"Já investimos cerca de R$ 400 milhões e no conjunto de todos os projetos devemos chegar a um valor entre R$ 1,8 bilhão e R$ 2 bilhões. Queremos ampliar os parques e estamos estudando participar de novos leilões", afirma.

A Voltalia iniciou em novembro deste ano a operação comercial de um dos três projetos do complexo eólico de Areia Branca, no litoral Norte potiguar. A empresa já começou a construção de oito parques nos municípios de Serra do Mel e São Miguel do Gostoso, também no litoral Norte. Outras quatro usinas estão contratadas para serem implantadas em Serra do Mel.

Expansão

As empresas que atuam no Rio Grande do Norte planejam se expandir no estado. Levando em conta a operação de todos os projetos, está prevista para os próximos anos a geração de mais de 4 gigawatts, segundo previsão da Aneel.

Atualmente, o destaque fica por conta da região do Mato Grande, onde estão os municípios de João Câmara e Parazinho, cidades com a maior parte dos projetos funcionando comercialmente, além dos parques em construção e contratados.

Fora as regiões localizadas no litoral ou próximas dele, o estado também possui projetos em construção em regiões serranas, onde a força e constância dos ventos são influenciadas não pela proximidade do mar, mas sim pela altitude. A região chamada de Serra de Santana, onde estão as cidades de Lagoa Nova, Bodó, Santana do Matos, Florânia e Tenente Laurentino Cruz, também aparece no mapa eólico do estado.

O processo

Toda a energia produzida, independente da fonte, vai para as redes do Sistema Interligado Nacional. O diretor de Energia Eólica do Cerne, Milton Pinto, costuma fazer uma analogia para explicar a distribuição da energia no país.

"É semelhante a uma grande piscina em que as fontes jogam água. Cada uma joga um tipo de água. A água da piscina será um mistura de cores que representa energia elétrica consumida no final", diz.

O processo de geração de energia eólica começa quando o vento atinge o aerogerador. De acordo com o professor Alexandro Vladno, coordenador do curso de energias renováveis do Instituto Federal de Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN), o fluxo de ar faz as pás girarem, gerando um movimento mecânico.

Rocha acrescenta que um gerador transforma a energia mecânica em elétrica. A eletricidade então segue para o transformador e é adequada para entrar na rede elétrica. Na subestação, o nível de tensão é adaptado para chegar ao consumidor.

Atrasos em linhas de transmissão

Dono da maior potência eólica instalada em todo o país, o Rio Grande do Norte tem como principais concorrentes para atrair projetos os estados da Bahia, Ceará e Rio Grande do Sul. A presidente da Associação Brasileira Energia Eólica, Elbia Melo, explica que os leilões têm se tornado cada vez mais competitivos e que a questão da infraestrutura tem pesado.

No caso do RN, a perda de espaço em alguns leilões tem uma causa específica apontada por especialistas: o atraso na entrega das linhas de transmissão – responsáveis por levar a energia gerada nas usinas para as redes distribuidoras da eletricidade.

Embora acredite que a demora na entrega das linhas tenha sido um fator de desequilíbrio em leilões pontuais, a presidente da Abeeólica não acha que os dados sejam tão relevantes.

"Os leilões estão extremamente competitivos. Vencem os que possuem melhores condicões de infraesturura, onde entram as linhas de transmissão. Esse atraso colocou o Rio Grande do Sul um pouco a frente dos estados do Nordeste em alguns leilões porque lá as linhas de transmissão já estavam construídas", analisa Elbia Melo.

Logística

A infraestrutura do Rio Grande do Norte para receber os projetos também é um dos alvos de questionamentos nas discussões sobre energia eólica. O material usado na construção dos parques chega em navios e é transportado em carretas, que acompanhadas pela escolta de batedores, chegam até os empreendimento para serem montados. Por serem equipamentos pesados, as torres e pás usadas nos aerogeradores precisam de espaço para serem escoados. É aí onde, segundo investidores, reside um dos problemas.

Por estar localizado em um bairro de ruas estreitas como a Ribeira, na Zona Leste da capital, o porto de Natal exige uma logística mais complexa para o transporte dos equipamentos.

"É um porto confinado por terra", afirma o diretor geral do Cerne, Jean-Paul Prates. A falta de espaço também impede o desenvolvimento da cadeia produtiva no entorno, como acontece nos portos de Pecém, no Ceará, e Suape, em Pernambuco, constantemente escolhidos como pontos de transporte de carga dos parques eólicos instalados no RN.

Para a presidente da Abeeólica, Elbia Melo, a questão portuária é o que falta para um salto ainda maior do Rio Grande do Norte no setor. "Não é um porto adequado para este tipo de operação. São máquinas grandes, pesadas e que requerem um cuidado especial. A logística é um ponto muito importante. Tanto que os portos maiores atraem muitos fabricantes de equipamento. O porto de Natal não tem condições físicas para receber o tipo de carga que um empreendimento eólico movimenta", opina.


25 janeiro 2015

URE – Barueri (Unidade de Recuperação Energética de Resíduos Sólidos)

Gheorge Iwak | Tratamento de Água

A Lei nº 12.305/10, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) contém instrumentos importantes para permitir o avanço necessário ao País no enfrentamento dos principais problemas ambientais, sociais e econômicos decorrentes do manejo inadequado dos resíduos sólidos.

Prevê a prevenção e a redução na geração de resíduos, tendo como proposta a prática de hábitos de consumo sustentável e um conjunto de instrumentos para propiciar o aumento da reciclagem e da reutilização dos resíduos sólidos (aquilo que tem valor econômico e pode ser reciclado ou reaproveitado) e a destinação ambientalmente adequada dos rejeitos (aquilo que não pode ser reciclado ou reutilizado).

Institui a responsabilidade compartilhada dos geradores de resíduos: dos fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes, o cidadão e titulares de serviços de manejo dos resíduos sólidos urbanos na Logística Reversa dos resíduos e embalagens pós-consumo.

Cria metas importantes que irão contribuir para a eliminação dos lixões e institui instrumentos de planejamento nos níveis nacional, estadual, microrregional, intermunicipal e metropolitano e municipal; além de impor que os particulares elaborem seus Planos de Gerenciamento de Resíduos Sólidos.

Também coloca o Brasil em patamar de igualdade aos principais países desenvolvidos no que concerne ao marco legal e inova com a inclusão de catadoras e catadores de materiais recicláveis e reutilizáveis, tanto na Logística Reversa quando na Coleta Seletiva.

Além disso, os instrumentos da PNRS ajudarão o Brasil a atingir uma das metas do Plano Nacional sobre Mudança do Clima, que é de alcançar o índice de reciclagem de resíduos de 20 % em 2015.

A PNRS tem como uma das prerrogativas a eliminação de lixões incentivando a redução do volume de resíduos dispostos por meio de programas que seguem as seguintes prioridades: não geração, redução, reutilização, reciclagem, tratamento de resíduos e disposição ambientalmente adequada. Uma das tecnologias previstas para ajudar a reduzir e tratar esses resíduos é o tratamento térmico de rejeitos e lixo com a recuperação de energia, em Usinas de Recuperação de Energia (UREs).

A PNRS prevê ainda que poderão ser utilizadas tecnologias visando à recuperação energética dos resíduos sólidos urbanos, desde que tenha sido comprovada sua viabilidade técnica e ambiental e que seja implantado um programa de monitoramento de emissão de gases aprovado pelo órgão ambiental responsável.

Segundo a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais ( ABRELPE ), em 2011 foram geradas 61.936.368 toneladas de resíduos sólidos urbanos (RSU), nos 5.568 municípios do Brasil. Mais de 40% desse volume foi disposto de forma inadequada, em lixões ao céu aberto ou aterros controlados.


URE - Usina de Recuperação de Energia

URE Barueri
A tecnologia das Usinas de Recuperação de Energia é uma alternativa sustentável para o problema mundial do lixo, recomendada inclusive pela ONU. Além de reduzir drasticamente o volume de resíduos transformando o calor de queima em energia renovável - Waste-to-Energy - sua implantação representa a diminuição de emissões com o transporte, disposição em aterros e lixões e ainda incentiva o reúso e a reciclagem, gerando empregos e diminuindo o impacto socioambiental causado pelos lixões a céu aberto.

Como a URE é uma planta compacta e de operação controlada e limpa, uma das vantagens é que ela pode ser instalada em áreas urbanas, facilitando o acesso logístico e reduzindo os custos com infraestrutura de apoio e transporte, além de ser possível utilizar a rede elétrica já disponível para a distribuição da energia gerada. Porém, os possíveis impactos ambientais, sociais e econômicos devem ser mensurados de forma abrangente e minimizados para que o empreendimento possa ser considerado ambientalmente viável. Os estudos devem abranger desde as alternativas de locais para a implantação da usina, passando pelos aspectos legais, sua influência nos meios físico, biótico e socioeconômico até o prognóstico da qualidade ambiental futura.

No Brasil a URE Barueri será a primeira unidade de recuperação energética do Brasil e terá capacidade para tratar 825 toneladas diárias de resíduos sólidos urbanos evitando a emissão de 900.000 toneladas de CO2 na atmosfera gerando 20MWh de energia elétrica. Essa quantidade de energia é o suficiente para abastecer 80 mil residências, como o próprio município de Barueri (SP) que passará a ser o primeiro município do Brasil a adotar uma solução que contribui para a construção do “Ciclo Positivo do Resíduo”, ou seja, que soluciona passivos ambientais transformando o lixo em uma fonte de geração de energia renovável.

A URE será conectada ao Sistema Interligado Nacional disponibilizando 87% para a rede transmissora e consumindo 13% na operação. A comercialização da energia desse processo será no Mercado Livre de Energia Brasileiro, a partir de 2016. O empreendimento adota os mais rígidos padrões de segurança do mundo e as mais avançadas tecnologias para tratamento térmico, filtragem e controle de emissões.

Através de Parceria Público-Privada entre a Prefeitura de Barueri e a Foxx-Haztec a URE Barueri irá atender os critérios e etapas da concessão do serviço para tratamento e recuperação energética de resíduos do município de Barueri por um prazo de 30 anos. Sendo assim, o empreendimento inovador é uma concessionária da Prefeitura de Barueri, administrado pela Foxx-Haztec, uma empresa brasileira criada em 2013 através da fusão da Foxx Inova Ambiental S.A e da Haztec Tecnologia e Planejamento Ambiental S.A que desenvolveu no país o processo tecnológico conhecido mundialmente por “Waste to Energy” (WTE), combinando a disposição ambientalmente correta para os resíduos com a geração de energia renovável. Com atuação nas áreas de resíduos sólidos, consultoria e engenharia ambiental e energia a partir de resíduos a empresa é líder em soluções ambientais no Brasil.

São parceiros estratégicos no desenvolvimento das UREs:

  • Keppel Seguers : Líder mundial em tecnologia e equipamentos de “Waste to Energy” (WTE), com mais de 100 UREs instaladas ;
  • Engevix : Engenharia, construção e instalação ;
  • Tiru (Grupo EDF) :Treinamento e assistência técnica para o O&M ;
  • Fitchtner: Auditoria técnica de integração de projeto.

Essa URE está localizada no Setor de Tratamento de Esgoto (STE) do Plano Diretor de Barueri, ao lado da área da Sabesp. Este local foi indicado porque possui :

  • Disponibilidade de água de reúso da própria Estação de Tratamento de Efluentes - ETE, ou seja, não necessitará de adutora de água ;
  • Facilidade de encaminhamento de efluentes para a ETE ;
  • Integração à subestação de energia local da Sabesp
  • Disponibilidade de amplo e diversificado sistema viário.

O município de Barueri buscou alternativas para a gestão do seu resíduo que atualmente precisa ser encaminhado para um aterro sanitário a mais de 20 km da cidade. Neste sentido, as UREs podem reduzir os custos para esta gestão, principalmente em médio e longo prazo, e possibilitar que os municípios cumpram a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS).

A URE de Barueri receberá o resíduo coletado em três municípios da região: Barueri, Carapicuíba e Santana de Parnaíba. O estudo abrangeu toda a área da bacia hidrográfica que abriga os municípios de Barueri e Carapicuíba, e se concentrou em um raio de 3 km no entorno do empreendimento, uma área urbanizada e densamente povoada. Estes municípios já empreendem iniciativas de coleta seletiva de lixo, atividade que obrigatoriamente aumentará ao longo da construção e operação da usina, diminuindo o volume a ser tratado, aumentando o percentual de reciclagem e o nível de emprego e renda da população local.

A URE Barueri é a primeira concessão pública de serviço para tratamento, com recuperação energética de resíduos por 30 anos.

As UREs são amplamente utilizadas como principal recurso de tratamento de resíduos urbanos em diversos países na Europa, Ásia e América do Norte, onde não há espaço disponível para disposição de grandes volumes e a preocupação com a questão ambiental é bastante desenvolvida. A tecnologia de “mass burning” pode reduzir a massa de resíduos em até 90%, diminuindo drasticamente o espaço usado em aterros controlados, além de gerar energia renovável no processo. No Brasil, o PNRS prevê também a implementação de logística reversa e o aumento da porcentagem de reciclagem, aumentando o ciclo de vida de produtos e incentivando a coleta seletiva, antes do tratamento do rejeito e disposição final.

O Ciclo Positivo do Resíduo :


Fórum Técnico: Resíduos e Energia

Estado admite que meta de despoluir a Baía para as Olimpíadas de 2016 será descumprida

Capítulo do legado ambiental previa redução da poluição em 80%. Diminuição da sujeira dependerá de apoio da iniciativa privada


Luiz Ernesto Magalhães | O Globo

RIO — O governo do estado admitiu nesta sexta-feira, pela primeira vez, não ter como cumprir a meta de reduzir em 80% o nível de poluição da Baía de Guanabara até o ano que vem. A meta constava do capítulo de legado ambiental do projeto apresentado em 2009 ao Comitê Olímpico Internacional (COI) que garantiu ao Rio o direito de organizar as Olimpíadas de 2016. Ambientalistas já alertavam para essa possibilidade, e a confirmação veio do secretário estadual do Ambiente, André Corrêa, em entrevista ao “Bom Dia Rio”, da TV Globo.


Poluição na Baía de Guanabara prejudica competições como o iatismo - Arquivo

Segundo Corrêa, a despoluição da Baía precisa de pelo menos mais R$ 10 bilhões de investimentos. Hoje, no entanto, o estado não dispõe desses recursos. Por isso, de acordo com o secretário, o governo tentará viabilizar a ampliação do plano de despoluição por meio de parcerias público-privadas.

Corrêa observou, porém, que durante as Olimpíadas, as provas de vela poderão ocorrer normalmente nas raias olímpicas, já que os índices de poluição na região são considerados aceitáveis. A maior preocupação seria manter as raias livres da sujeira flutuante.

— Existem precedentes. Em Sidney (2000), o programa de despoluição da baía da cidade também não foi concluído — disse Corrêa.

Há problemas ainda com a aplicação de recursos já assegurados. Na Barra da Tijuca, a dragagem das lagoas — compromisso mantido como legado ambiental dos Jogos Olímpicos — está paralisada há mais de quatro meses e não passou dos estágios iniciais. O motivo é um impasse com o Ministério Público, que identificou irregularidades no licenciamento ambiental do projeto e propôs que fossem feitas alterações. Corrêa disse que pretende se reunir na semana que vem com o promotor Marfam Vieira, procurador-geral do estado, para discutir o caso.


Falta de água já afeta 46 milhões de brasileiros

Estiagem aguda ameaça fornecimento de água e luz no Sudeste e Nordeste e afeta economia


Tiago Dantas | O Globo

SÃO PAULO - Um quinto da população brasileira já está sofrendo os efeitos da seca neste início de ano em todo o país. Levantamento feito pelo GLOBO com base em informações de comitês de bacias hidrográficas e governos estaduais mostra que ao menos 45,8 milhões de pessoas vivem em regiões em que os níveis dos reservatórios estão abaixo do normal e a quantidade de chuvas é menor que a média histórica. A falta d’água já tem causado, em estados do Sudeste e do Nordeste do país, racionamento em áreas urbanas, redução na irrigação de propriedades rurais e cancelamento da navegação. Caso se prolongue, a estiagem ameaça a geração de energia nas hidrelétricas e a produção industrial, segundo especialistas.




Ao longo de 2014, a seca levou 1.265 municípios de 13 estados do Nordeste e do Sudeste a decretarem situação de emergência, de acordo com o Ministério da Integração Nacional —hoje, 936 cidades estão nessa situação. O procedimento, geralmente adotado por cidades pequenas e médias, autoriza os gestores públicos a pedir recursos federais para ações de socorro e serviços emergenciais. O número de municípios que sofrem impactos causados pela seca, porém, pode ser maior, já que nem todos recorrem ao expediente. No estado de São Paulo, onde ao menos 64 cidades estão sofrendo problemas relacionados à estiagem, só três tiveram o pedido de situação de emergência reconhecido pela Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil.

CEARÁ: SECA ATINGE 5,5 MILHÕES

No Ceará, onde a seca afeta 5,5 milhões de pessoas, 176 das 184 cidades do estado decretaram emergência. Os estados do Nordeste convivem com os efeitos da crise desde 2012. O Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, estima que 19 milhões de pessoas estejam sendo afetadas na região abastecida pelo rio em Pernambuco, Bahia, Sergipe, Alagoas e norte de Minas Gerais. O reservatório de Três Marias terminou a semana com 10,23% da sua capacidade, o que levou o comitê a questionar as regras para geração de energia na barragem. Além disso, a navegação e a pesca em alguns pontos do Velho Chico foram comprometidas.

No Sudeste, a gravidade da situação ficou mais em evidência neste mês, já que o início do verão não trouxe as chuvas necessárias para recuperar os reservatórios. Como resultado, as três maiores regiões metropolitanas do país convivem com a possibilidade iminente de desabastecimento. Embora o governo do Rio negue o risco de racionamento, o volume morto do reservatório Paraibuna, o maior da bacia do Paraíba do Sul, que abastece a Região Metropolitana, está sendo utilizado pela 1ª vez desde sua criação, nos anos 1970. O sistema Paraopeba, que abastece a Grande Belo Horizonte, pode secar em três meses, segundo a Companhia de Saneamento do Estado de Minas Gerais, afetando cerca de 2,5 milhões de pessoas.

Na divisa com o Espírito Santo, o problema é no Rio Doce. Em Governador Valadares a vazão do rio está dez vezes mais baixa do que o esperado para esta época do ano — caiu dos habituais 1.090 metros cúbicos por segundo para 110. Na cidade capixaba de Colatina, o mesmo rio atingiu, na segunda-feira, o nível de nove centímetros, enquanto costuma correr com uma altura de pelo menos dois metros, segundo o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Doce, onde vivem 3,5 milhões de pessoas.

Em São Paulo, o sistema Cantareira, também maior do estado, pode ficar sem água em julho, caso o ritmo das chuvas e a quantidade de água retirada para abastecimento continuem os mesmos, de acordo com o estudo feito pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). Somando-se os paulistas abastecidos pelo Cantareira e pelo Alto Tietê, há 16,5 milhões de pessoas atingidas pela crise hídrica no estado.

Para enfrentar a crise, os governos devem mostrar a gravidade da situação com a maior transparência possível para a população, além de investir na redução de consumo e do desperdício e em campanhas educativas, segundo o coordenador do grupo de estudos de recursos hídricos da Academia Brasileira de Ciências José Galizia Tundisi. Professor da Universidade de São Carlos, Tundisi diz que a falta de água pode gerar uma espiral de consequências que afeta até a economia:

— A primeira coisa que a gente pensa quando fala de crise hídrica é o consumo humano. Mas a falta d’água não afeta só abastecimento, mas também a economia, a produção de energia, a produção de alimentos, as indústrias que utilizam a água como insumo. Até a saúde humana é afetada numa situação como essa. A qualidade da água se altera consideravelmente em níveis mais baixos — afirma o professor.

O meteorologista Luiz Carlos Baldicero Molion, pesquisador da Universidade Federal de Alagoas, afirma que deve levar mais seis anos para que o Sudeste volte a ter um regime de chuvas acima das médias históricas. Ele chegou à conclusão após analisar a série de chuvas em São Paulo desde 1888. Segundo ele, o estado teve ao menos outros três ciclos de secas de oito a nove anos ao longo do último século:

— Fazendo análise estatística, notamos que o Sudeste teve períodos de seca severa no início da década de 1930, depois de 1959 e em 1976. Como percebemos que a chuva tem ficado abaixo da média desde 2012, concluímos que é mais um período com poucas chuvas de longo prazo, que deve durar até 2020 ou 2021.