27 dezembro 2014

Lista global põe Petrobras entre as 20 empresas que mais poluíram em 2013

Relatório elaborado pela Thomson Reuters foi divulgado nesta semana.
Estatal diz que uso de termelétricas provocou alta nas emissões de gases.


Eduardo Carvalho
Do G1, em São Paulo

A Petrobras foi apontada como uma das 20 empresas do mundo que mais lançaram gases-estufa à atmosfera em 2013, de acordo com relatório que analisou as emissões das 500 maiores companhias do planeta, feito pelo grupo de comunicação e informação financeira Thomson Reuters.

Usina termelétrica da Petrobras em Duque de Caxias (RJ). Lista colocou a estatal brasileira entre as 20 empresas que mais emitiram gases-estufa em 2013 (Foto: Divulgação/Agência Petrobras)Usina termelétrica da Petrobras em Duque de Caxias (RJ). Lista colocou a estatal brasileira entre as 20 empresas que mais emitiram gases-estufa em 2013 (Foto: Divulgação/Agência Petrobras)

O estudo divulgado nesta semana informa que, sozinha, a estatal brasileira emitiu 73,4 milhões de toneladas de CO2 equivalente (medida que soma a concentração de dióxido de carbono, metano, óxido nitroso e outros gases), ficando na 20ª posição do ranking.

Somados os poluentes da Petrobras e de outras 19 corporações de países como China, Índia, Alemanha e Estados Unidos, o total emitido salta para 2,76 gigatoneladas de CO2 equivalente.

Já as 500 empresas juntas lançaram 4,96 gigatoneladas de poluentes, 13,8% do total das emissões globais de 2013, que vêm da queima de combustíveis fósseis, do desmatamento e outras atividades humanas.

O documento não apresenta o quanto de gases foi produzido pela companhia brasileira em 2010, ano-base considerado pelo relatório. Mas a Petrobras admite o acréscimo nas emissões, alegando que é resultado do uso acentuado de termelétricas, acionadas “em níveis acima da média usual” em função dos baixos níveis dos reservatórios das usinas hidrelétricas (leia mais abaixo).

O montante de gases-estufa produzido pelo “grupo dos 500” é 3,1% maior em relação a 2010. A alta é preocupante já que, segundo o relatório, é preciso diminuir a quantidade de gases-estufa, não aumentá-la. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o ideal era que, por ano, as emissões do setor privado caíssem em média 1,4%. O que se viu, no entanto, foi uma alta anual média de 1%.

De acordo com um painel internacional de cientistas ligado à ONU, o IPCC, uma maior quantidade de gases-estufa na atmosfera pode aumentar a temperatura do planeta e causar distúrbios no clima, como secas, enchentes, degelo dos polos e aumento do nível do mar.

Os especialistas afirmam que é preciso diminuir entre 40% e 70% do total de gases lançados até 2050 e zerar essa taxa até 2100 para conter a elevação da temperatura global em 2ºC. A temperatura média da Terra já subiu 0,85ºC com relação à era pré-industrial.

222 tiveram redução nas emissões

De acordo com Tim Nixon, diretor de sustentabilidade da Thomson Reuters e coautor do relatório, 222 empresas da lista apresentaram queda das emissões. Algumas por investir mais na inovação tecnológica e eficiência energética. Outras, por desinvestimentos ou problemas econômicos.

A Vale S/A, mineradora do Brasil, é apresentada no documento como exemplo de redução de emissões após alterações na estrutura da companhia. A diminuição de investimentos na área de alumínio e ferro-gusa ajudaram a cortar em 23% o montante de gases-estufa produzido.

Segundo ele, as empresas em questão estão dispostas a “descarbonizar” a economia, ou seja, contribuir para diminuir os impactos ambientais e frear o aquecimento global. No entanto, é preciso traçar uma trajetória melhor para ter mais êxito nesta luta.

Marina Grossi, presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), disse que o setor privado reconhece seu papel na luta contra a mudança climática, primeiro, para reduzir a sua exposição aos riscos e, segundo, para aproveitar as oportunidades existentes.

No entanto, barreiras como o alto custo para investir na eficiência energética ainda precisam ser vencidas no Brasil. "Sua viabilização ainda é difícil por uma série de questões das empresas, instituições financeiras, regulatórias e do governo. Há disponibilidade de crédito para essa área, mas, mesmo assim, os índices de eficiência em comparação com as principais economias do mundo são baixos. O país utiliza menos de 30% do seu potencial de eficiência energética, ficando na 15ª posição entre 16 economias analisadas", disse ela.

De acordo com a porta-voz do CEBDS, a sensibilização sobre a questão ambiental e climática ainda está, em grande medida, presente apenas nas grandes empresas. Mas que já existe articulação para que as "maiores" influenciem as pequenas e médias, que compõem a cadeia de fornecedores.

Seca tem culpa no aumento de emissões

Em nota, a Petrobras informou que, "diferentemente das demais empresas de petróleo, a empresa considera as emissões geradas pelas atividades das termelétricas em seu inventário, o que, comparativamente, gera um resultado mais alto no total de emissões".

De acordo com a estatal, em função do baixo nível dos reservatórios das usinas hidrelétricas, o uso de termelétricas tem sido feito "em níveis acima da média usual". A Petrobras possui 21 usinas térmicas, parte movida a diesel, combustível poluente, parte movida a gás natural.

Sobre investimentos para diminuir as emissões de gases-estufa, a empresa afirma que tem investido "em projetos de eficiência energética, melhorias operacionais, maior aproveitamento do gás natural na atividade de exploração e produção de petróleo, além de investimentos em pesquisa e tecnologia".


Desmatamento na Amazônia tem alta de 427% em novembro, diz Imazon

Dado se refere ao mesmo mês de 2013; monitoramento é não-oficial.
Estado que mais desmatou foi o Pará, indica a ONG.


Do G1, em São Paulo

O Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), ONG de Belém, divulgou neste sábado (27) levantamento não-oficial que indica o aumento de 427% no desmatamento da Amazônia Legal em novembro deste ano, comparado com o mesmo mês do ano anterior.

Agentes do Ibama inspecionam madeira ilegal apreendida na reserva indígena do Alto Guama, em Nova Esperança do Piriá (PA). Os fotógrafos Nacho Doce e Ricardo Moraes, da Reuters, viajaram pela Amazônia registrando formas de desmatamento. Foto de 25/9/2013. (Foto: Ricardo Moraes/Reuters)Agentes do Ibama inspecionam madeira ilegal apreendida na reserva indígena do Alto Guama, em Nova Esperança do Piriá (PA) (Foto: Ricardo Moraes/Reuters)

O SAD, sistema usado pela ONG, detectou 195 km² de desmatamento na Amazônia Legal em novembro de 2014. Em novembro de 2013 o índice era de 37 km².

O Imazon ressalta que neste ano foi possível monitorar 67% da área florestal, sendo que no ano anterior o monitoramento cobriu área de apenas 42% do território.

Segundo o relatório do Imazon, em novembro de 2014, o desmatamento se concentrou no Pará (70%) e Mato Grosso (18%), com menor ocorrência em Roraima (5%), Amazonas (4%), Amapá (1%), Rondônia (1%) e Acre (1%).

Além disso, as florestas degradadas (parcialmente destruídas) na Amazônia Legal somaram 86 km² em novembro de 2014, enquanto em novembro de 2013 a degradação florestal somou 9 km². O aumento foi de 855%, indica o Imazon.

Levantamento anterior do Imazon indicou que em outubro deste ano houve devastação de 244 km² da Amazônia Legal, o que representou um aumento de 467% em relação a outubro de 2013, quando o desmatamento somou 43 km².

Os dados são divulgados de maneira paralela aos dados oficiais do governo, que apontou queda de 18% no desmate da Amazônia entre agosto de 2013 e julho de 2014 em relação ao período anterior. O Ministério do Meio Ambiente usa o sistema Prodes (Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o Inpe. Os métodos de levantamento são distintos, por isso os números não podem ser comparados entre si.

Meteorologista confirma a presença de tornado no litoral sergipano

Flagrante foi feito nesta quinta-feira (25).
Overland Amaral não descarta novos tornados.


Do G1 SE
O meteorologista e coordenador da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh), Overland Amaral publicou através de uma rede social o registro da passagem de um pequeno tornado na costa sergipana.

Tornado foi registrado no litoral sergipano (Foto: Cristine Ribeiro)Tornado foi registrado no litoral sergipano (Foto: Cristine Ribeiro)

Segundo ele, o tornado passou sobre o mar na tarde desta quinta-feira (25) e durou cerca de quatro horas iniciando a sua formação por volta das 15h30, horário local.

Overland destacou ainda que esse tipo de tornado é comum. “Isso sempre ocorre, em maiores ou menores proporções”.

E não descartou a repetição do fenômeno. “Existe a possiblidade da formação de um novo pequeno tornado nas próximas horas. Isso porque existe uma instabilidade climática no Norte e Nordeste”, destacou.

Entenda a formação e dimensão de um tornado de acordo com Overland Amaral.

A maioria dos tornados possui a forma de um estreito funil, com algumas poucas centenas de metros de comprimento e com uma pequena nuvem de pó e detritos em sua base, próxima ao solo.

Os tornados podem ficar obscurecidos por completo devido a chuva ou aos dejetos por ele levantados. Se assim for, eles são particularmente perigosos, considerando que até mesmo os meteorologistas mais experientes poderiam não vê-los.

Eles podem se manifestar sob várias formas e tamanhos. Pequenos e relativamente fracos, eles podem ser notados por causa do pequeno redemoinho de pó formado por eles, sobre o solo. Ainda que o funil de condensação possa não se estender até o solo, se, associado aos ventos de superfície, superar os 64 km/h, a circulação é considerada um tornado.


Nova espécie de macaco pode ter sido encontrada por pesquisadores em MT

Pesquisadores da Unemat fotografaram animal e enviaram foto para análise.
Equipe deve voltar à região para observar mais de perto os animais.


Do G1 MT

Uma nova espécie de macaco pode ter sido encontrada por pesquisadores da Universidade de Mato Grosso (Unemat), na região de transição entre Amazônia e Pantanal mato-grossense. Conforme as informações divulgadas pela instituição, a descoberta ocorreu no final do mês de novembro desse ano, quando três macacos do gênero Pithecia, conhecido popularmente como ‘parauacus’, foram observados pelos integrantes do Laboratório de Mastozoologia, do Programa de Pós-Graduação de Ciências Ambientais (PPGCA), durante uma atividade de campo.

Macaco fotografado em Mato Grosso (Foto: Almério C. Gusmão/Unemat)Animal fotografado em Mato Grosso deve passar por estudos (Foto: Almério C. Gusmão/Unemat)

O professor e biólogo Manoel dos Santos Filho adiantou que a equipe deve voltar à região para tirar mais fotos dos animais e, dessa forma, observar mais detalhes dos espécimes. “Mandamos as primeiras fotos para um especialista, mas tudo leva a crer que se trata de uma nova espécie. As características são muito diferentes”, revelou. Ele explicou que, por questão de segurança, prefere não revelar o local onde os macacos foram observados.

Segundo o professor, a área onde os animais se encontram tem cerca de 100 hectares. “Primeiro vamos tirar mais fotos e depois pedir uma autorização junto ao ICMBio [Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade] para capturar os animais e coletar amostrar de tecido”, contou.

De acordo com a universidade, a espécie nunca foi vista na região, tampouco há registros científicos desses macacos no estado. Uma das características que levam os pesquisadores a crer que o exemplar pode ser uma de uma nova espécie é a coloração dos pelos, além de uma calvície acentuada. Detalhes que, segundo eles, não são observados nas espécies próximas conhecidas.

Ainda segundo a universidade, a região onde os espécimes foram observados conta com menos de 15% da vegetação original, em fragmentos isolados. A situação preocupa os pesquisadores pois, a vegetação nativa da região foi quase totalmente substituída pela agricultura e pecuária. Sendo assim, com o isolamento das poucas populações de primatas, o risco de extinção aumenta.

Pensando nisso, projetos estão sendo desenvolvidos para investigar a ecologia nesses fragmentos de florestas nativas. O projeto é credenciado junto ao Programa de Pós-Graduação de Ciências Ambientais da Unemat e é financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de Mato Grosso (Fapemat).

Atlas mostra que destruição da Mata Atlântica no Estado do Rio caiu e está mais perto de zero

Área protegida por municípios passou de 105 mil hectares para 220 mil. 
Recursos do ICMS Verde seriam incentivo


Bruno Amorim e Paulo Roberto Araújo | O Globo

RIO — O 'Atlas dos Municípios da Mata Atlântica' tem uma boa notícia para quem mora no estado: o Rio de Janeiro desmatou 11 hectares de vegetação, entre 2012 e 2013, o que significa desmatamento próximo a zero. Lar de espécies ameaçadas de extinção como o mico-leão-dourado, a Mata Atlântica é um tipo de floresta tropical presente apenas no Brasil, no Paraguai e na Argentina. No entanto, o processo de colonização do país destruiu cerca de 90% do bioma original.

Mata Atlântica em Angra dos Reis: municípios da Costa Verde são os mais preservados - Custódio Coimbra / Agência O Globo (12/06/2003)

O deputado estadual e ex-secretário estadual do Ambiente Carlos Minc comemorou o resultado, e disse que há oito anos a situação era bem diferente:

— Onze hectares é próximo do desmatamento zero. Chegamos à secretaria do Ambiente em janeiro de 2006. O Rio já tinha sido, cinco anos antes, o estado que mais destruía Mata Atlântica. Os nossos parques estavam abandonados e os municípios não se interessavam pela questão ambiental. Além disso, não havia uma estrutura de fiscalização eficiente.

Os recursos do ICMS Verde — que são repassados às cidades mais ecologicamente sustentáveis — incentivaram as prefeituras a preservar o ambiente e, em quatro anos, a área protegida por municípios fluminenses passou de 105 mil hectares para 220 mil. A fiscalização, por sua vez, foi reforçada com a criação da Comissão Integrada de Combate aos Crimes Ambientais (Cicca) e das Unidades de Polícia Ambiental (Upam), além da aquisição de barcos e helicópteros e a contratação de guardas-parques.

— Não é apenas um fator, mas um conjunto de políticas que se integram. Com o Fundo da Mata Atlântica, cada grande empresa que se instala no estado tem que pagar cerca de 0,5% do valor do empreendimento. Criamos condicionantes ambientais. O Comperj teve que plantar sete mil árvores ao longo de rios da região e bancar a implantação de um parque municipal em Guapimirim, para proteger manguezais — afirmou Minc, acrescentando que o passo seguinte será dobrar a área de mata atlântica nos próximos 20 anos.

No entanto, segundo o Atlas, algumas cidades ainda continuam a destruir o bioma. No Norte Fluminense, o município que mais desmatou foi São Fidélis, seguido por Itaguaí, na Região Metropolitana, e Paraty, na Costa Verde.

Morador de São Fidélis há 15 anos, o comerciante Deny Silveira Silva atribui o número negativo ao desmatamento em doses homeopáticas que ocorre em alguns loteamentos.

— A cidade está crescendo. A situação já foi pior, mas agora está ficando sob controle porque foram criadas ONGs que estão mais vigilantes — comentou.

Paraty tem uma situação curiosa. Apesar de estar entre os municípios fluminenses que mais desmataram no período pesquisado, é um dos que possuem a Mata Atlântica mais preservada: são 72 mil hectares de vegetação cobrindo 78% de seu território. O estudo apresentado pelo “Atlas da Mata Atlântica", feito com base em imagens geradas por satélite, acende o sinal amarelo para o município, porto exportador no período colonial cuja economia depende hoje cada vez mais do turismo. Os três hectares desmatados nos últimos dois anos somam-se aos quase 20 mil destruídos desde que a Lei da Mata Atlântica (11.428/2006) foi criada, e que pune com um a três anos de reclusão ou multa o agressor do bioma.

— A Costa Verde é o grande pulmão verde do Estado do Rio. A nossa grande luta é garantir esta preservação para que a região continue conservando para a eternidade mais de 90% de sua mata. As unidades de conservação garantem este privilégio, mas precisamos sempre ficar atentos — disse Valdir Siqueira, secretário-executivo do Conselho de Desenvolvimento Sustentável da Baía da Ilha Grande (Consig).

ANGRA: 80% PRESERVADOS

O percentual de mata preservada de Paraty só não é maior que o de Angra dos Reis, município também localizado na Costa Verde, com cerca de 64 mil hectares de Mata Atlântica, que cobrem 80% de seu território. Dentre os tesouros da região está o santuário ecológico da Ilha Grande, com 87% de seu território protegidos por três unidades de conservação ambiental. Em terceiro lugar vem Mangaratiba, com pouco mais de 26 mil hectares (74% do território). Nos três municípios vizinhos, a exuberância da natureza exerce um papel importante na economia, que tem no turismo sua maior vocação.

A presidente da Fundação de Turismo de Angra dos Reis, Sílvia Rubio, destaca a importância da preservação para a região:

— Cada vez mais as pessoas buscam o contato com a natureza. E se nós não preservarmos o meio ambiente, vamos perder a nossa principal matéria-prima.

O “Atlas da Mata Atlântica", que monitora o bioma há 28 anos, é uma iniciativa da Fundação SOS Mata Atlântica e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A tecnologia utilizada permite avaliar o desmatamento em áreas florestais com mais de três hectares. Os mapas e a lista completa dos municípios brasileiros avaliados estão disponíveis no site da instituição.


26 dezembro 2014

Brasil registra nascimento de filhotes de ararinha-azul depois de 14 anos

Duas aves nasceram em centro de conservação do interior de São Paulo.
Espécie é considerada ameaçada de extinção no país.


Do G1, em São Paulo

O nascimento de dois filhotes de ararinha-azul (Cyanopsitta spixii) no Brasil, espécie ameaçada de extinção, quebrou um jejum de 14 anos sem que fosse registrada no país a reprodução desta ave em cativeiro. De acordo com o Instituto Chico Mendes (ICMBio), ligado ao Ministério do Meio Ambiente, os filhotes nasceram em um criadouro científico do interior de São Paulo no final de outubro, mas a informação só foi divulgada nesta semana pelo órgão.

Exemplares de ararinha-azul nasceram em outubro em um centro de conservação no interior de São Paulo (Foto: Divulgação/ICMBio)Exemplares de ararinha-azul nasceram em outubro em um centro de conservação no interior de São Paulo (Foto: Divulgação/ICMBio)

Os pássaros têm cerca de nove semanas e resultam de um trabalho de pesquisadores para aumentar a população desses animais na natureza. A última reprodução em cativeiro feita no Brasil foi há 14 anos. Na época, nasceu a ararinha batizada de Flor, mãe dos filhotes que acabam de chegar.

Segundo o ICMBio, nas primeiras semanas as novas aves receberam alimentação dos pais, mas agora são atendidas pelos veterinários. Ainda sem sexo definido (o material genético está em análise), as ararinhas terão seus nomes escolhidos por meio de votação pública.

Originária da região de Curaçá, na Bahia, a espécie pertence à família dos psitacídeos, que têm patas com dois dedos virados para frente e dois para trás. Alimenta-se de sementes e frutas. Usa o bico para escalar e subir em galhos.

A caça ilegal e a derrubada de vegetação importante para a espécie ajudaram a aumentar a pressão de traficantes de animais sobre a ave, que foi capturada sistematicamente até sumir da natureza.

De acordo com o governo, existem 92 exemplares em cativeiro, dos quais apenas 11 estão no Brasil. A estimativa é que 6.500 ararinhas vivam na natureza, distribuídas pela Amazônia, Cerrado e Pantanal.


Cedae diz que Região Metropolitana do Rio não terá racionamento de água

A ANA vai autorizar captação do volume morto do Rio Paraíba do Sul.
Victer diz que vem modernizando captação do Sistema Guandu desde 2007.


Do G1 Rio

A Agência Nacional de Àguas (ANA) já considera autorizar a captação de água do volume morto dos reservatórios do Rio Paraíba do Sul, nos próximos dias. Ainda assim, a Cedae garantiu que o abastecimento na Região Metropolitana do Rio não vai ser afetado por essa medida. Segundo o presidente da Cedae, Wagner Victer não haverá racionamento no Rio.

Sistema Guandu
“O Rio é um bom exemplo de que quando se trabalha com engenharia, se antecipa, se evita problemas futuros. É o que a gente tem feito nos últimos anos. Em função das modificações que fizemos em uma série de captações no Rio de Janeiro, de melhorias, implantações de centro de controles operacionais desde 2007 faz com que hoje se tenha uma crise muito grande em outros estados e não tenha no Rio”, garantiu Victer.

Segundo ele, a Cedae pede à população para que use a água de maneira racional, mas nega que vai ocorrer o racionamento. Ele destaca que é preciso primeiro entender o Rio Paraíba do Sul, que é federal, com 1.137 km de extensão, com quatro reservatórios estabilizadores: Paraibuna, Jaguari e Santa Branca, em São Paulo, dois administrados pelo governo paulista e um pela Light, e o Funil, no Rio, administrado por Furnas. Ele explicou que a Cedae não administra esse reservatório.

Victer explica que o Sistema Guandu, que é bastante moderno, é feito através de transposição de Santa Cecília. Então quando há uma crise em São Paulo, por exemplo, que é uma crise de reservatórios que são administrados pelos governos é totalmente diferente do Rio de Janeiro. A Cedae investiu em modificações de captações, em fazer trabalhos de repovoamento de margens de rios, como o ocorreu no Rio Guandu, que é estadual, e em fazer sistemas de controle operacional que se possa maximizar a utilização da água.

“Por isso, a ANA faz essa redução, mas ela foi acordada com o governo do estado, em função do trabalho que o governador Luiz Fernando Pezão fez recentemente com o ministro Luiz Fux no STF, que é uma economia que se faz para guardar água para o futuro. Por isso, temos essa tranquilidade técnica”, garante Victer.

O presidente da Cedae lembra que o Rio Paraíba do Sul nasce em São Paulo e tem vários pontos de captação ao longo de seu curso e esses pontos não são administrados pela empresa. Na Região Metropolitana do Rio, como no passado foi previsto esse problema, foi modificada a captação, faz com que o Rio possa suportar a redução que a gestora ANA vai fazer de 160 metros cúbicos para 140 metro cúbicos por segundo de vazão.

“Fizemos o dever de casa aqui e ainda não estamos tendo problemas. Mas volto a repetir, usar a água de maneira racional é muito importante”, frisa Victer.

Ele explica que em algumas indústrias, quando há a redução da vazão, tem-se o fenômeno chamado de introdução da língua salina, que acontece na foz do Rio Paraíba do Sul, em São João da Barra. Ou seja, existem indústrias que usam água da Cedae e tem outras que têm outorga para captar diretamente. Essas últimas poderão ter problemas de introdução de água salina. Mas normalmente eles têm planejamento e fatores para reduzir esse impacto.

Victer diz que a utilização do volume morto é prevista pela ANA. Sendo que os reservatórios utilizados por São Paulo são também usados para gerar energia elétrica. No Rio, o uso de termelétricas reduz esse impacto.

24 dezembro 2014

Nível do Sistema Cantareira sobe pela primeira vez desde abril

Chuva forte fez com que suas represas passassem de 6,7% para 7%.
Outros cinco sistemas de abastecimento também tiveram aumento.


Do G1 São Paulo

Os temporais que atingiram São Paulo e a região metropolitana nos últimos dias fizeram com que o nível do Sistema Cantareira subisse 0,3 ponto percentual. As represas do sistema não subiam desde 16 de abril.

Vista aérea da represa de Atibainha, parte do Sistema Cantareira, com margens bastante expostas devido à seca no estado de São Paulo (Foto: Nacho Doce/Reuters)Vista aérea da represa de Atibainha, do Sistema Cantareira (Foto: Nacho Doce/Reuters - 19/11/2014)

De acordo com a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), o nível passou de 6,7% na terça para 7% nesta quarta. Os outros cinco sistemas também tiveram aumento.

Apenas na terça choveu sobre o Cantareira 52,4 mm, 24% do esperado para o mês, que é de 220,9 mm. Até agora, a precipitação acumulada em dezembro foi de 140 mm.

As represas do Cantareira, que abastecem cerca de 6,2 milhões de pessoas na capital e na Grande São Paulo, vêm se mantendo estáveis desde a última sexta-feira (19). O dado se refere ao volume acumulado, contabilizando a segunda cota do volume morto.

No Sistema Alto Tietê, que atende 4,5 milhões de habitantes, o volume armazenado nesta quarta era de 11,1% da capacidade total do sistema, 0,6 ponto percentual a mais que o registrado no dia anterior.

Outros sistemas

Confira os níveis dos outros reservatórios dos sistemas que abastecem municípios do estado de São Paulo registrados nesta terça em comparação com segunda:

Guarapiranga: de 36,6% para 38,3%;

Alto Cotia: de 30,2% para 31,5%;

Rio Grande: de 66,7% para 69%

Rio Claro: de 25,8% para 32%.

Dilma Pena

A crise hídrica que afeta o estado de São Paulo desde o início do ano contribuiu para a saída presidente da Sabesp, Dilma Pena, do cargo em 2015. Ela enviou uma carta de fim de ano aos funcionários da empresa se despedindo.

No documento, Dilma diz que no retorno das suas férias, no dia 2 de janeiro, irá sair da empresa. Ela está na Sabesp desde 2011 e desgastou seu relacionamento com o governo do estado por causa da crise hídrica.

Outro fator que estremeceu ainda mais a relação foi a divulgação de um áudio onde Dilma diz ter recebido “orientação superior” que impediu a Sabesp de alertar a população sobre a necessidade de economizar água, durante uma reunião com executivos da companhia. O governo negou que tenha vedado alertas sobre a crise hídrica.

Em outro áudio, Dilma Pena chama de “teatrinho” a CPI da Sabesp na Câmara durante conversa com o vereador tucano Andrea Matarazzo.

Multa

O governo de São Paulo irá aplicar multa, a partir de 1º de janeiro, para quem aumentar o consumo de água em São Paulo. Quem aumentar em até 20% vai pagar 20% a mais; já quem gastar mais que 20% vai ter aumento de 50%.

O percentual será calculado com base na média de fevereiro de 2013 até janeiro de 2014. A média já aparece na conta dos consumidores. A meta do governo é reduzir 2,5 metros cúbicos por segundo de consumo. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) negou que a medida seja uma multa ao consumidor. Ele define o ônus como "tarifa de contingência".

Com a medida, a multa será aplicada da seguinte maneira: um consumidor que, em média, gasta 10 m³ de água receberá conta 20% mais cara se utilizar entre 10,1 m³ e 12 m³ em um mês. Caso gaste acima de 12,1 m³, irá pagar 50% a mais. O consumidor que elevar o gasto passará a ser cobrado na conta de fevereiro.


Rodovia Rio-Santos segue interditada por 2 quilômetros em São Sebastião

Pela manhã, prefeito Ernani Primazzi pediu que turista adie a viagem.

Interdição é mantida entre os Kms 147 ao 145, em Toque Toque.


Do G1 Vale do Paraíba e Região

A Rodovia Rio-Santos (SP-55), principal acesso à costa sul de São Sebastião, segue interditada no início da tarde desta quarta (24) devido aos deslizamentos de terra provocados pelas chuvas na cidade. Segundo o Departamento de Estradas de Rodagem (DER), há uma erosão no Km 147 e o trecho só poderá ser liberada após uma análise técnica do problema.

Foram registrados vários deslizamentos de terra na Rio-Santos. (Foto: Rogério Corrêa/ TV Vanguarda)Foram registrados vários deslizamentos de terra na Rio-Santos. (Foto: Rogério Corrêa/ TV Vanguarda)

Pela manhã, a via chegou a ficar completamente interditada entre os Kms 136 e 162, e o prefeito de São Sebastião, Ernani Primazzi (PSC), chegou a pedir que os turistas adiassem a viagem para o município. “Existem várias quedas de barreira na SP-55, então aconselhamos que ninguém tente passar pelo trecho entre Maresias e Camburi, devido ao risco de novas quedas. Se mantenham nos bairros e aqueles que querem vir, aguardem a normalização do trânsito”, disse o prefeito.

De acordo com o Departamento de Estradas de Rodagem (DER), a interdição vai do Km 147 ao Km 145, na altura da praia de Toque Toque, e não há previsão de liberação da via. No local, há um poste de energia caído e parte da pista no trecho cedeu.

Na altura do Km 159, o trânsito flui com uma operação pare e siga. Entre o fim da tarde de terça e manhã desta quarta, a rodovia permaneceu interditada entre os Kms 136 e 162 devido as quedas de barreiras causadas pelas fortes chuvas.

Por conta da interdição, o DER orienta que para acessar as praias sentido costa sul, Balneário dos trabalhadores, Barequeçaba, Guaecá, e Toque-toque Grande, os motoristas deverão pegar a Rodovia dos Tamoios (SP-99) sentido Caraguatatuba a São Sebastião e acessar a Rodovia Rio-Santos.

Já para acessar as praias sentido costa norte, Riviera de São Lourenço, Itaguaré, Guaratuba, Costa do Sol, Boracéia, Juréia, Barra do Una, Juqueí, Sahy, Camburi, Boiçucanga, Maresias, Paúba, Santiago e Toque-toque Pequeno, os motoristas devem pegar a Rodovia Mogi-Bertioga (SP-98 ) ou pelo sistema Anchieta Imigrantes, para acessar a SP-55.

Estragos

Segundo a Defesa Civil, cerca de 70 pessoas ficaram desalojadas na cidade. A prefeitura disponibilizou o ginásio de Boiçucanga para que as famílias atingidas pela inundação possam permanecer provisoriamente.

Na praia de Paúba, uma casa desabou e uma criança teve escoriações leves. Três passarelas foram destruídas nos bairros de Camburi e Boiçucanga, deixando moradores isolados. Em Maresias, diversas famílias perderam móveis, comidas e roupas com a invasão da água nas casas.

Em alguns bairros da costa sul o nível da água chegou a ficar maior que dois metros de altura. Além dos estragos, as chuvas também provocaram o cancelamento da festa de recepção que estava sendo preparada para recepcionar o surfista Gabriel Medina nesta quarta. A chegada dele a São Sebastião estava prevista para às 10h na praia de Juquehy. Ele seria levado por um caminhão do Corpo de Bombeiros até o centro de Maresias.