21 novembro 2014

Moradores enfrentam uma das piores nevascas já vistas em NY

O total de mortos por causa da pior nevasca na memória do oeste do Estado de Nova York chegou a pelo menos 10 pessoas.



Ellen Wulfhorst | Reuters

Algumas áreas do Estado ao longo dos Grandes Lagos tinham cerca de 60 centímetros de neve nova na quinta-feira, acima das acumulações que já totalizavam mais de 1,5 metro nesta semana.

Lindsay DeDario/Reuters
Equipamentos transportam neve no Estado de Nova York
Equipamentos transportam neve: partes da região podem esperar mais quase um metro de neve antes que os céus fiquem limpos novamente

O Serviço Climático Nacional disse que partes da região podem esperar mais quase um metro de neve antes que os céus fiquem limpos novamente. Pelo menos 10 mortes foram relatadas na área por causa da nevasca, de acordo com autoridades do condado de Erie.

“Eu estive em muitas nevascas, mas essa é de longe a pior. Tem havido mais neve num período mais curto de tempo do que eu já vi antes”, disse Chuck Specht, de 58 anos, que relatou ter mais de 2 metros de neve em sua casa na cidade de Marilla, Estado de Nova York. Specht tentava, sem sucesso, liberar o caminho na neve para que o cachorro da família pudesse fazer suas necessidades fisiológicas.

“Até mesmo para os veteranos mais experientes está ficando difícil de lidar”, disse.

O vice-governante do condado de Erie, Richard Tobe, disse que a queda de telhados era uma grande ameaça. “Com esta neve pesada que cai agora, há edifícios em perigo”, disse ele.

Foi declarado estado de emergência em 10 condados, uma proibição à circulação de veículos foi imposta em muitas rodovias e 225 quilômetros de uma rodovia expressa do Estado de Nova York foram fechados.


Cavalo de Troia dos Lixões identificado – Governo Federal vetou aumento do prazo previsto na MP 651

Antonio Silvio Hendges | EcoDebate

A Medida Provisória 651/2014 em sua redação original estabelecia a desoneração fiscal e a diminuição das contribuições previdenciárias de 20% para 2 ou 1% para diversos setores econômicos, além de diminuir o valor do PIS e Cofins na venda de materiais e/ou equipamentos para usos médicos, hospitalar, clinico e laboratorial e beneficiar empresas com dívidas de até cem mil reais com o FGTS. Esta MP foi aprovada pelo plenário da Câmara dos Deputados, mas como na história grega do cavalo de Tróia, trouxe alguns temas estranhos a sua redação original: nas Comissões foi acrescentada a possibilidade dos municípios brasileiros não cumprirem as diretrizes atuais da Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PNRS) – Lei 12.305/2010 que estabeleceu a erradicação dos lixões até o mês de agosto deste ano de 2014, prorrogando este prazo para 2018.


lixão

Junto com as medidas de apoio à economia, os deputados autorizaram que as prefeituras continuassem sem políticas públicas de gestão da limpeza urbana, programas de coleta seletiva, valorização dos trabalhadores com materiais recicláveis/reutilizáveis – catadores e educação ambiental comunitária, mantendo a destinação final dos resíduos em lixões, contaminando áreas e recursos hídricos, gerando doenças, passivos ambientais e sociais insustentáveis economicamente e ambientalmente. A MP 651 também foi aprovada no Senado, mas havia um acordo entre o Governo Federal e os Senadores de que este dispositivo seria vetado. Entretanto, o Governo se comprometeu com uma proposta alternativa para uma “solução adequada”, informou o Vice Presidente Michel Temer. Importante destacar que este e outros doze vetos ainda serão analisados em uma sessão conjunta da Câmara e Senado que compõe o Congresso Nacional.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE informa que o Brasil tem 5.570 municípios. Mais da metade deles – 50,5% ainda não se adequaram às diretrizes da PNRS, não tendo elaborado nem mesmo os Planos Municipais de Resíduos Sólidos até o prazo previsto em agosto de 2012 e destinam os resíduos para 2.906 lixões distribuídos em 2.810 municípios de acordo com o Instituto de Pesquisas Aplicadas – IPEA. Estes municípios estão impedidos de acessarem verbas e créditos destinados à limpeza urbana nas instituições financeiras, bem como podem seus prefeitos serem responsabilizados pelo Ministério Público por não adequarem-se às diretrizes legais da Lei 12.305/2010 – PNRS.

Destaca-se que a Política Nacional de Resíduos Sólidos foi debatida com a sociedade durante 19 anos, aprovada em agosto/2010 e estabeleceu os prazos de dois anos para a elaboração dos planos de gerenciamento e quatro anos para a erradicação dos lixões. Portanto, há 23 anos – desde 1991 as prefeituras e seus administradores estão sendo informados das suas responsabilidades quanto a este tema. Certamente a inadequação é muito mais uma questão de (in)competências e vontades políticas falhas que de prazos hábeis para as mudanças, inclusive de atitudes.

Antonio Silvio Hendges, Articulista do EcoDebate, professor de Biologia, pós graduação em Auditorias Ambientais, assessoria e consultoria em Educação Ambiental e Sustentabilidade


Os impactos da energia eólica

Roberto Naime | EcoDebate

Atualmente se assiste no país uma verdadeira onde de usinas para produção de energia a partir do vento em várias regiões do país. A energia eólica é a energia obtida pelos ventos que são o ar em movimento. É uma abundante fonte de energia, renovável, limpa e disponível em todos os lugares.

Os moinhos de vento foram inventados na Pérsia no século V AC. Foram usados nesta época para bombear água para irrigação. Os mecanismos básicos de um moinho de vento não mudaram desde então. O vento atinge uma hélice que ao movimentar-se gira um eixo que impulsiona um gerador de eletricidade.


Os ventos são gerados pelas diferenças de temperatura entre a terra e as águas, planícies ou montanhas, tanto nas regiões equatoriais quanto nos pólos do planeta Terra.




A quantidade de energia disponível no vento varia de acordo com as estações do ano e as horas do dia. A topografia e a rugosidade do solo também tem grande influência na distribuição de freqüência de ocorrência dos ventos e de sua velocidade em um local.

Usinas eólicas não queimam combustíveis fósseis, mas são de grande porte e por isso alteram as paisagens com suas torres e hélices. O maior impacto que causam é interferir nas rotas dos pássaros migratórios, que costumam voar em formações e não tem boa capacidade de visão. Os bandos de pássaros se movimentam por mecanismos instintivos e aproveitam as correntes convectivas ascendentes do ar para se movimentarem, principalmente quando estão em grandes formações.

A instalação das usinas ou fazendas eólicas exige grandes estudos dos ecossistemas locais, pois as zonas que concentram ventos também são frequentemente as rotas principais das aves migratórias pelos mesmos motivos.

Além disso, as usinas ou fazendas eólicas emitem um certo nível de ruído de baixa freqüência, que podem causar desconforto e interferir em transmissão de televisão ou outros tipos de ondas provenientes de radiações eletromagnéticas.

O custo dos geradores eólicos é elevado, porém o vento é uma fonte inesgotável de energia. E as plantas eólicas têm uma retorno financeiro a um curto prazo que atrai grandes grupos investidores para esta modalidade de geração de energia elétrica.

As plantas eólicas não são consideradas como uma fonte de energia “firme”, pois dependem da existência de ventos que por sua vez depende de variações de temperatura e outros fatores. Nas regiões muito afetadas por chuvas ocorre desperdício energético muito elevado nesta fonte de geração.

Por isso, normalmente se utiliza a energia produzida por usinas ou fazendas eólicas apenas para adição aos sistemas integrados de geração energética, uma vez que em certos momentos, a produção proveniente desta geração pode ser relativamente reduzida.

Mas sem dúvida, a energia eólica se soma a energia solar como duas das fontes de alto potencial em nosso país. A estruturação de uma matriz energética que contemple a integração da geração a partir destas fontes alternativas é de extrema importância.

Os registros bibliográficos existentes demonstram que em alguns países europeus, como Espanha e Alemanha, a geração a partir de fontes eólicas, bem planejada e integrada com os demais tipos de geração energética, tem grande importância e corresponde a percentuais relevantes da geração destes países.

Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.



20 novembro 2014

Número de casos suspeitos de chikungunya na BA sobe para 1.848

Entre as cidades atingidas estão Feira de Santana, Salvador e Alagoinhas.
Faixa etária mais afetada compreende os adultos, entre 20 e 49 anos.


Do G1 BA

Um novo balanço divulgado pela Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab) revela que subiu para 1.848 o número de casos suspeitos de chikungunya em 68 municípios baianos, até quarta-feira (19). Até o dia 12 de novembro, haviam sido notificados 1.755 situações em 57 cidades.

De acordo com o boletim estadual, as cidades com casos confirmados são: Feira de Santana (563), Riachão do Jacuípe (196), Salvador (2), Alagoinhas (1), Cachoeira (1) e Amélia Rodrigues (1).

A Sesab destaca que as pessoas que contraíram o vírus chikungunya têm algum tipo de vínculo com Feira de Santana. Segundo a secretaria, entre os casos notificados, 28 foram hospitalizados.

A faixa etária mais atingida compreende os adultos, entre 20 e 49 anos. A maioria dos casos ocorreu em mulheres (66,54%).

Entenda o vírus

A infecção pelo vírus chikungunya provoca sintomas parecidos com os da dengue, porém mais dolorosos. No idioma africano makonde, o nome chikungunya significa "aqueles que se dobram", em referência à postura que os pacientes adotam diante das penosas dores articulares que a doença causa.

Em compensação, comparado com a dengue, o novo vírus mata com menos frequência. Em idosos, quando a infecção é associada a outros problemas de saúde, pode até contribuir como causa de morte, porém complicações sérias são raras, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

O vírus chikungunya pode ser transmitido pelo mesmo vetor da dengue, o mosquito Aedes aegypti, e também pelo mosquito Aedes albopictus, e a infecção pelo chikungunya segue os mesmos padrões sazonais da dengue, de acordo com o infectologista Pedro Tauil, do Comitê de Doenças Emergentes da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI). O risco aumenta em épocas de calor e chuva, mais propícias à reprodução dos insetos. Eles picam principalmente durante o dia. A principal diferença de transmissão em relação à dengue é que o Aedes albopictus também pode ser encontrado em áreas rurais, não apenas em cidades.

Por causa da seca, Olímpia estende racionamento de água aos moradores

Horário para o racionamento de água antes era da meia noite até às 7h.
Agora, desligamento das máquinas passou das 21h e retorno será às 8h.


Do G1 Rio Preto e Araçatuba

Por causa da estiagem que afeta todo o Estado e também a região noroeste paulista, a cidade de Olímpia (SP) teve de aumentar o horário de racionamento de água para os moradores. Segundo o Daemo, autarquia que distribui água na cidade, o racionamento já acontece há cinco semanas no centro da cidade e será mantido e estendido.

Captação de água em Olímpia: racionamento há cinco semanas (Foto: Divulgação / Prefeitura de Olímpia)Captação de água em Olímpia: racionamento há cinco semanas (Foto: Divulgação / Prefeitura de Olímpia)

O horário para o racionamento antes era da meia noite até às 7h do dia seguinte, mas agora, o desligamento das máquinas passou das 21h e o retorno será às 8h. “Das 21h às 8h as máquinas estão desligadas, por isso a população precisa economizar. A situação é crítica”, afirma o superintendente do Daemo, Antônio Jorge Motta.

De acordo com ele, os moradores devem utilizar a água de maneira racional, evitando o desperdício. Ele recomenda que os moradores mantenham a reserva da caixa d’água para os usos essenciais. “Em dias com maior utilização pelos munícipes ela acaba mais rápido, em outros o abastecimento se estende. O racionamento acontece, o que varia é a maneira de utilização pelos moradores”, diz.


Vazão do Piracicaba fica abaixo dos 5 mil litros por segundo e bate recorde

Volume de água na manhã desta quinta-feira (20) chegou a 4,93 mil litros.
Há previsão de chuvas para esta sexta (21) e para todo final de semana.


Do G1 Piracicaba e Região

O Rio Piracicaba registrou novo recorde de baixa vazão nesta quinta-feira (20). O nível do manancial que corta Piracicaba (SP) chegou a 4,93 mil litros de água por segundo às 9h40, conforme dados do sistema de medição do Consórcio das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ). O volume no horário foi 94,21% inferior à média histórica para novembro é o pior registrado nos últimos 30 anos pelo Departamento de Água e Energia Elétrica de São Paulo (Daee).

Rio Piracicaba registrou recorde de menor vazão nesta quinta (20) (Foto: Claudia Assencio/G1)Rio Piracicaba bate novo recorde de vazão baixa nesta quinta-feira (Foto: Claudia Assencio/G1)

O recorde de baixa do rio havia sido quebrado pela última vez em 13 de outubro deste ano, quando passavam pelo Piracicaba 5,40 mil litros de água por segundo. O valor no dia era 92% inferior à media histórica para o mesmo mês (75,20 mil litros de água por segundo).

A vazão desta quinta-feira também é muito inferior em comparação às observadas no mesmo dia do ano passado. Em 20 de novembro de 2013, também às 9h40, o Rio Piracicaba tinha 70 mil metros cúbicos por segundo. O volume mínimo de água naquele dia foi de 35 mil metros cúbicos por segundo, por volta das 0h. A menor vazão registrada em todo mês de novembro do ano passado foi de 27,56 mil litros.

Especialista

O ambientalista Ricardo Schmidt afirma que o Rio Piracicaba já vem sofrendo um processo de degradação por causa da estiagem desde 2013. “É triste olhar para ele e ver a modificação da paisagem de seu leito, com pedras aparentes”.

Ele explica que esse cenário de extremos, com períodos de baixa vazão, como a registrada hoje, e outros de aumento do volume de água com chuvas intensas, provoca graves desequilíbrios. Entre eles, a erosão das margens,com prejuízos à mata ciliar e à flora, além da mortandade de peixes, de micro-organismos e de animais que vivem no entorno.

O ambientalista lembra ainda que a situação atual é resultado da falta de preparo de órgãos gestores responsáveis e de toda a sociedade. “Deveríamos debater a questão de forma mais intensa com quem toma as decisões. A tendência, infelizmente, é a de que a curto ou médio prazo, a condição do rio ainda piore”, avaliou.

Previsão de chuvas

Conforme o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), há probabilidade de 80% de chuva para esta quinta-feira. Segundo a previsão, deve chover no final da tarde e haverá trovoadas. Para esta sexta (21) e sábado (22), a chance de chover sobe é de 90%.

17 novembro 2014

Cidade no Ceará disponibiliza só 20 litros de água ao dia por pessoa

Todas as reservas hídricas de Irauçuba se esgotaram.
Município depende de água de carro-pipa levada por vizinhos.


André Teixeira
Do G1 CE

A última reserva de água da cidade de Irauçuba, no Ceará, secou há quatro meses e os 22,3 mil habitantes dependem de água de cidades vizinhas que chegam em carro-pipa. Na zona rural, a água potável é levada pelo Exército, racionada em 20 litros de água por dia por pessoa, que são usados para todas as necessidades. "São 20 litros para lavar prato, lavar roupa, fazer a comida, tomar banho e ainda beber. É impossível. Estamos em uma situação de penúria mesmo, só sobrevivendo", relata a agricultora Geovana Maria de Sousa.

Açude Jerimum, principal fonte de abastecimento de Irauçuba, secou há quatro meses. As últimas poças d'água são inadequadas para o consumo humana, mas serve para o rebanho (Foto: André Teixeira/G1)Açude Jerimum, principal fonte de abastecimento de Irauçuba, que secou há quatro meses (Foto: André Teixeira/G1)

Ela tem no quintal de casa uma cisterna que acumulava água da chuva. Até o fim de setembro era a fonte da família. "Mesmo com pouca chuva neste ano, ainda deu para encher a cisterna toda. Depois que o açude secou, a gente só tinha ela para tirar água e acabou rápido."

Na zona urbana de Irauçuba, a 150 quilômetros de Fortaleza, a estação de tratamento da Companhia de Água e Esgoto (Cagece) recebe um volume diário de 250 mil litros, trazidos de açudes vizinhos em carro-pipa. Com essa baixa quantidade – a cidade precisa diariamente de 1,2 milhão de litros (cerca de cinco vezes o que recebe) –, a água chega apenas às torneiras das casas mais próximas da estação.

A maioria da população depende da água levada pela Defesa Civil do Estado do Ceará a tanques públicos espalhados pela cidade. Como o abastecimento é irregular e chega a demorar 10 dias, muitos têm que pagar pelo que consomem.

"Vender água em Irauçuba virou um negócio lucrativo nos últimos meses. As pessoas que têm caminhão deixaram de fazer outras atividades para vender água, que é a mercadoria que todo mundo quer. Alguns, inclusive, já expandiram o negócio. Começaram com três caminhões e hoje já têm seis ou sete", diz o secretário de Meio Ambiente do município, Caetano Rodrigues.

Os pipeiros, como são chamados, trazem água dos açudes do Frade ou Missi, das cidades de Itapajé e Itapipoca, e vendem em Irauçuba por R$ 25 cada mil litros. A água tem forte odor, é suja e inadequada para beber. Em geral, ela é dada aos animais ou usada para tomar banho.

"Procuram direto, dia e noite. Hoje Irauçuba já tem 40 caminhões-pipa, e eles não param. Todos os dias a gente faz dezenas de viagens para abastecer as caixas daqui", diz Jacob Andrade Ribeiro, pipeiro de 49 anos. Os açudes de Itapajé e Itapipoca têm 20% e 16% da capacidade máxima, respectivamente, e a população teme que essas reservas também acabem.

"A água que vem desses locais só resolve a situação emergencial. A coisa só vai melhorar mesmo com boas chuvas no próximo ano", diz o secretário Caetano Rodrigues. No Ceará, as chuvas ocorrem, principalmente, em março, abril e junho.

Na área urbana, quem não pode pagar pela água tem que esperar o abastecimento da Defesa Civil no tanque público mais próximo. Às 2h da manhã de 16 de outubro, a aposentada Maria Amélia levantou da cama acordada pelo filho de 12 anos, que percebeu a chegada do carro-pipa. Em cerca de dois minutos, as ruas da comunidade Fazendo Mocó estavam tomadas por centenas de pessoas com baldes vazios, fazendo fila para coletar água. O caminhão levou 20 minutos para encher o tanque; em menos de 10, ele secou novamente.

"É sempre assim. Todo mundo corre e fica um alvoroço de gente para conseguir água. Normalmente todo mundo consegue. O problema é quando demora muito para voltar, mais de uma semana. Aí a gente fica sem uma gota d'água em casa. Ou consegue de favor dos amigos ou tem que comprar com o dinheiro do Bolsa Família", relata Maria Amélia.

A autônoma Raimunda Rodrigues, de 42 anos, e a mãe, a aposentada Francisca Rodrigues, 69, também investem parte do dinheiro do Bolsa Família para a compra de água. "Se a gente for esperar [pelo abastecimento de água nos tanque], a gente morre à míngua. Agora a gente compra um pouquinho menos de comida e tem que separar um pouquinho para água de beber", diz a filha. As duas carregam, semanalmente, 15 baldes de 20 litros da rua em frente à casa até a cozinha. "Nós somos mulheres já de idade. Todo dia é carregando isso. A coluna dói, mas, como a gente mora só, vai ter que ser assim."

Segundo a Defesa Civil, a demanda de água em todas as regiões da cidade é muito grande, por isso não há como abastecer de forma regular todos os pontos.

Prejuízos e conta no vermelho

Com a estiagem que já dura três anos e meio, todo o sistema de irrigação e produção agropecuária está parado na cidade. O gado bebe água das cacimbas (poços) feitas onde ficavam os açudes. Segundo o prefeito de Irauçuba, José Mota, nas últimas semanas o prejuízo se estendeu ao comércio e ao serviço público. "Nós temos hospitais, delegacias que não podem deixar de receber água, mas estamos com receio de que falte. Temos cinco indústrias que garantem emprego a muita gente e que precisam de água, não podem ficar sem. O comércio já está sentindo os prejuízos também."

Segundo Mota, a Prefeitura de Irauçuba investiu R$ 1,23 milhão na compra de água desde o início da sua gestão, em janeiro de 2012. "Esse valor é muito alto para uma cidade como a nossa. A água não pode faltar, então às vezes não conseguimos honrar nossos compromissos. Já estamos atrasados com alguns fornecedores e tememos que situação piore ainda mais", diz.

O governo do estado anunciou há mais de um ano uma adutora emergencial para levar água a Irauçuba. O governador Cid Gomes visitou a cidade em 16 de outubro e vistoriou as obras. "Temos que construir a adutora o quanto antes, essa vai ser a solução definitiva para a cidade", disse. Durante a visita, um pequeno grupo fez uma manifestação cobrando a aceleração na obra. "Desde 2012 estamos esperando, e até agora nada", reclama Lucas Leitão.

Para o secretário de Meio Ambiente de Irauçuba, Caetano Rodrigues, há risco de que, quando a adutora esteja pronta, a água do açude esteja esgotada. "A adutora deve ser concluída em dezembro, mas o açude de onde ela vai tirar água tem atualmente 20% da capacidade. Quando ela for puxar água, pode ser que não tenha mais nenhuma gota."


16 novembro 2014

Nível da 2ª cota do volume morto do Sistema Cantareira cai novamente

Índice de 10,6% no sábado caiu para 10,5% neste domingo, diz Sabesp.
Nível de sistema que abastece Grande SP não sobe há 214 dias.


Do G1 São Paulo

O nível da segunda cota do volume morto do Sistema Cantareira, que abastece a Grande São Paulo, registrou queda neste domingo (16) em relação a sábado (15), segundo dados da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).

O índice nesta manhã de domingo era de 10,5% da capacidade, sem chuva registrada nas 24 horas anteriores. No sábado, quando choveu 0,2 mm, o índice foi de 10,6%. O volume do sistema Cantareira não sobe há 214 dias.
Desde 24 de outubro a Sabesp passou a contabilizar mais 10,7 pontos percentuais no nível do sistema, referentes aos 106 bilhões de litros da segunda cota do volume morto. À época, quando o volume passou a ser contabilizado, a medição saltou de 2,9% para 13,6%. Entretanto, apesar da inclusão dos percentuais, a companhia informava que ainda não fazia a captação da nova cota.

Na quarta-feira, o superintendente do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), Alceu Segamarchi Júnior, adiantou que a própria Sabesp afirmou em que provavelmente começaria a usar a segunda cota da reserva técnica neste sábado (15). Como não houve recuperação no nível das represas por causa das chuvas recentes, a previsão da companhia se concretizou.

Para a Agência Nacional de Águas (ANA), a captação da segunda cota em ao menos uma das represas que integram o sistema já tinha começado no mês passado, quando a Sabesp ainda não tinha obtido autorização para a captação. O governo do estado de São Paulo negou a irregularidade.

Outros sistemas

O Sistema Alto Tietê também teve nova queda neste domingo. O volume que estava em 7,4% no sábado chegou a 7,2%. No Guarapiranga, a queda foi 34,8% no sábado para 34,6% neste domingo.

O Sistema Alto Cotia caiu de 29,4%, no sábado, para 29,3% neste domingo. No Rio Grande caiu, no mesmo período, de 65,7% para 65,6%. No Sistema Rio Claro, teve queda de 36,4% para 36%.

Reajuste em dezembro

Na sexta-feira (14), executivos da Sabesp informaram que o reajuste de tarifas pedido pela Sabesp para aplicação em dezembro deve ser maior que os 5,44% acertados no começo do ano, mas suspenso antes das eleições de outubro.

A empresa, controlada pelo governo do Estado de São Paulo, conseguiu o reajuste em meados de abril, mas na época a Arsesp, agência reguladora do setor, autorizou a aplicação do aumento das tarifas em "momento oportuno".

No caso, o momento oportuno foi dezembro, conforme comunicado da empresa na noite de quinta-feira ao mercado.

Na sexta-feira, o diretor financeiro da Sabesp, Rui Afonso, afirmou a analistas em videoconferência que o reajuste pretendido "deverá ser maior que os 5,44%", diante da necessidade de correção monetária. Ele não comentou qual será o índice a ser aplicado.

O processo de revisão tarifária deveria ter sido concluído em agosto de 2013, mas passou por uma série de adiamentos.

Equilíbrio financeiro

Segundo Afonso, entre os motivos citados pela Sabesp para pleitear o reajuste está necessidade de apoiar o equilíbrio financeiro da companhia, que fechou o terceiro trimestre com queda de 81% no lucro líquido, a R$ 91,5 milhões. A margem de lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustada caiu de 37,6% para 26,3%.

O resultado foi pressionado por forte aumento de custos num ano que a empresa está revendo investimentos e operações para focar na garantia do abastecimento de água da população, numa das piores crises de água vividas pelo Estado de São Paulo nos últimos anos.

Afonso afirmou que a empresa está monitorando com atenção suas obrigações financeiras, chamadas de "covenants", para evitar descumprimento de termos acertados com credores em 2015.

"Os covenants estão sendo monitorados e, para 2015, todos os covenants relacionados à dívida líquida ou bruta sobre Ebitda sofrerão especial atenção para evitarmos qualquer descumprimento", disse Afonso. Segundo ele, as métricas de endividamento serão cumpridas por meio de cortes de custos e do aumento das tarifas da empresa.

No terceiro trimestre, relação de dívida sobre Ebitda ajustado cresceu para 2,4 vezes, ante 1,9 vez no primeiro trimestre, segundo dados da companhia.