23 outubro 2014

TCU decide apurar se órgãos federais têm responsabilidade na crise da água

Auditoria vai apurar atuação do Ministério do Meio Ambiente e da ANA.
Para ministro, União é o "ator principal para a solução dessa crise hídrica".


Priscilla Mendes
Do G1, em Brasília

O plenário do Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu nesta quarta-feira (22) abrir auditoria para apurar a responsabilidade da Agência Nacional de Águas (ANA) e do Ministério do Meio Ambiente pela crise no abastecimento de água nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

A proposta de investigação é do ministro-substituo André Luís de Carvalho, que argumentou em seu relatório que a crise não deve ser atribuída somente aos estados. Para o magistrado, como há crise em outras unidades da federação além de São Paulo, a União também deve ser investigada.

O TCU pretende identificar quais medidas preventivas deveriam ter sido adotados pelo governo federal a fim de evitar ou reduzir os efeitos do desabastecimento. Para o ministro André Luís de Carvalho, a União é o "ator principal para a solução dessa crise hídrica".

"Nesse cenário, que, inegavelmente, envolve diversas unidades da federação, faz-se necessária a atuação do TCU no sentido de fiscalizar a atuação dos órgãos federais responsáveis pelas medidas preventivas e até mesmo pelos planos de contingência que foram ou que já deveriam ter sido adotados para evitar ou mesmo para reduzir os efeitos perversos dessa lamentável crise hídrica que assola o país", afirmou o ministro no relatório.Carvalho citou um decreto que trata das atribuições do Ministério do Meio Ambiente, segundo o qual a pasta tem a tarefa de "planejar as ações destinadas a prevenir ou minimizar os efeitos das secas e inundações no âmbito do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos."

O magistrado pediu ainda "urgência" na auditoria, mas não há prazo para o fim da investigação.

O presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), Vicente Andreu, afirmou nesta terça (21) que, se a crise hídrica no Sistema Cantareira, em SP, continuar, só restará o lodo após a retirada da segunda cota do volume morto. Para Andreu, não é possível retirar uma terceira cota da reserva técnica.

O nível do Sistema Cantareira teve nova queda nesta quarta-feira e chegou a 3,2%, mesmo com a melhor sequência de chuvas registrada em três dias desde o mês de julho. O sistema abastece 6,5 milhões de pessoas na Grande São Paulo.

'Proveito político'

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, divulgou vídeo nesta quarta no Facebook no qual disse, sem citar nomes, lamentar que "tirem proveito político" da crise de abastecimento de água que atinge o estado mais populoso do país. Alckmin disse ainda que o governo estadual tem criado ações para interligar os sistemas de abastecimento e investir em obras e novos sistemas.

"É lamentável que em um momento como esse, onde há necessidade de união de todos, que alguns queriam tirar proveito político deste fato. Este não é o espírito de São Paulo", disse o governador.

Ajuda da União

Durante ato político em Petrolina (PE) nesta terça, a presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT, afirmou que o estado de São Paulo não se preparou para a crise. Ainda no evento, a petista disse que o Nordeste se preparou para a estiagem e não precisará "ficar catando pingo de água por aí."

Nas propagandas eleitorais no rádio e na TV, a candidata do PT afirmou que o governo federal ofereceu ajuda ao governo do estado, mas que "não demonstrou interesse". Dilma também tem dito que é "triste" ver o estado na situação atual.

'Falta de parceria'

Na segunda, o adversário de Dilma no segundo turno, Aécio Neves (PSDB), disse ver "falta de parceria" entre a União e o governo estadual para resolver a crise no abastecimento. O candidato afirmou também que a Agência Nacional de Águas poderia ter sido parceira de Alckmin.


Nível do Cantareira cai mesmo com melhor série de chuvas desde julho

Nível foi a 3,2%, com pluviometria nos últimos três dias de 24,7 milímetros.
Em julho, sequência para três dias foi de 27,9 milímetros.


Do G1 São Paulo

O nível do Sistema Cantareira teve nova queda nesta quarta-feira (22) e chegou a 3,2%, mesmo com a melhor sequência de chuvas registrada em três dias desde o mês de julho.

Dos dias 19 a 21 de outubro, choveu 24,7 milímetros na região dos reservatórios. Na última vez em que houve sequência de chuvas maior foi entre 8 a 10 de julho, quando choveu 27,9 mm. Na época, o nível também não conseguiu se manter.

No dia 8 de julho, a precipitação foi de 14 milímetros; no dia 9, de 7,4; e no dia 10, choveu 6,5 milímetros. A sequência atual de outubro foi elevada principalmente pela precipitação do dia 19, com 23,9 milímetros; no dia 20 choveu 0,5 mm; e, no dia 21, 0,3 milímetros. Os dados são da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).

O Sistema Cantareira abastece 6,5 milhões de pessoas na Grande São Paulo.

Um dos seis reservatórios do Sistema  Cantareira chegou ao nível operacional zero - GNews (Foto: Reprodução/GloboNews)Um dos seis reservatórios do Cantareira chegou ao nível operacional zero (Foto: Reprodução/GloboNews)

Bônus gradual

A Sabesp informou na terça (21) que dará desconto na conta de água também para os imóveis que reduzirem o consumo entre 10% e 20%. O bônus gradual foi solicitado pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) na semana passada como uma das medidas para amenizar os reflexos da crise hídrica no estado, considerada a pior dos últimos 84 anos

A decisão vale para as cidades das regiões metropolitanas de São Paulo, Bragança Paulista e Campinas que já eram beneficiadas com o desconto (veja lista e as novas regras abaixo), mas o prazo para início das novas medidas será definido pela Agência Reguladora de Saneamento e Energia do estado de São Paulo (Arsesp).

O governador de São Paulo revelou nesta terça, em entrevista à rádio Jovem Pan, que conta com mais água abaixo das comportas para o abastecimento da população e citou a disponibilidade de uma terceira reserva técnica.

"Em 74 dias construímos [as bombas da segunda cota] e agora já está tudo pronto, caso seja preciso utilizar a segunda reserva. E existe ainda uma terceira. Ou seja, a população pode ficar tranquila, pois todas as medidas estão sendo tomadas", disse.

Já o presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), Vicente Andreu, afirmou, também nesta terça-feira, que se a crise hídrica no Cantareira continuar, só restará o lodo após a retirada da segunda cota do volume morto. Para ele, não é possível retirar uma terceira cota da reserva técnica.

“Eu acredito que, tecnicamente, será inviável. E, do ponto de vista ambiental, essa água terá problema”, disse o presidente da ANA durante um debate sobre a falta de água na Assembleia Legislativa de São Paulo. “Se a crise se acentuar, é bom que a população saiba que não haverá alternativa a não ser ir no lodo.”

Regras para o novo bônus

Os imóveis que reduzirem em 10% ou 15% terão desconto de 10% na conta. Aqueles que diminuírem o gasto entre 15% ou 20% receberão bônus 20%. O cálculo é feito em relação à média de consumo entre fevereiro de 2013 a janeiro de 2014. Desde fevereiro, os clientes que economizam 20% ou mais recebem desconto de 30% na conta de água.

Segundo a companhia, a Arsesp vai decidir quando a medida entrará em vigor. A proposta já foi enviada ao órgão. A ampliação do bônus faz parte das ações adotadas pelo governo para amenizar os reflexos da crise hídrica no estado.

O balanço mais recente aponta que 49% dos clientes da Sabesp tiveram o bônus porque reduziram em pelo menos 20% seu consumo. Outros 26% economizaram, mas não receberam a bonificação. Ainda de acordo com a companhia, 25% gastaram mais água do que a média.

Cidades beneficiadas com o bônus:

- Região Metropolitana de SP: São Paulo, Arujá, Barueri, Biritiba-Mirim, Caieiras, Cajamar, Carapicuíba, Cotia, Diadema, Embu das Artes, Embu-Guaçu, Ferraz de Vasconcelos, Francisco Morato, Franco da Rocha, Itapecerica da Serra, Itapevi, Itaquaquecetuba, Jandira, Mairiporã, Mogi das Cruzes (bairros da divisa), Osasco, Pirapora do Bom Jesus, Poá, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra, Salesópolis, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Suzano, Taboão da Serra e Vargem Grande Paulista

- Região Metropolitana de Campinas e região bragantina: Bragança Paulista, Hortolândia, Itatiba, Joanópolis, Monte Mor, Morungaba, Nazaré Paulista, Paulínia, Pinhalzinho, Piracaia e Vargem.

Celebridades e multas são 'armas' da Califórnia contra desperdício de água

Estado dos EUA enfrenta terceiro ano de seca e tem abastecimento afetado.
Lady Gaga e Conan O'Brien gravaram vídeos para conscientizar população.


Eduardo Carvalho
Do G1, em São Paulo

A exemplo de São Paulo, o mais populoso estado americano, a Califórnia, também enfrenta um longo período de estiagem que ameaça o abastecimento de água da população.

Há 3 anos, o estado tenta evitar os efeitos do pior período de seca da história, obrigando o governo local a tomar medidas drásticas para conservar recursos hídricos e reduzir o desperdício, em uma campanha que inclui a aplicação de multas diárias a quem cometer ilegalidades relacionadas ao uso de água e a participação de celebridades como Lady Gaga, pedindo economia.

Montagem compara a região da Ponte Enterprise, que cruza o Lago Oroville, na Califórnia. A primeira foto é de 20 de julho de 2011. A segunda, de 19 de agosto de 2014. Terceiro ano consecutivo de seca obrigou o estado a tomar medidas drásticas para economizar água  (Foto: Justin Sullivan/Getty Images North America/AFP)Montagem compara a região da Ponte Enterprise, que cruza o Lago Oroville, na Califórnia. A primeira foto é de 20 de julho de 2011. A segunda, de 19 de agosto de 2014. Terceiro ano consecutivo de seca obrigou o estado a tomar medidas drásticas para economizar água (Foto: Justin Sullivan/Getty Images North America/AFP)

Com 37,6 milhões de habitantes, a Califórnia vem registrando queda nos níveis de chuva e, consequentemente, a redução dos níveis de seus rios e reservatórios. De acordo com o Centro Nacional de Mitigação à Seca dos Estados Unidos, 81% do território enfrenta estiagem extrema e 58,4% do estado vive dias de seca excepcional – classificação mais grave, segundo o órgão americano.

Assim, o governador local, o democrata Edmund Jerry Brown, que concorre à reeleição ainda este ano, declarou em janeiro situação de emergência e pediu à população que reduzisse em 20% o consumo de água, no intuito de evitar racionamento.

Em julho, ficou determinado que, por nove meses, quem utilizasse água potável para lavar calçadas e regar gramados ou lavasse carros com mangueira sem controle de vazão, e fosse flagrado, poderia ser multado em US$ 500 por dia e que as agências responsáveis pelo abastecimento em condados e cidades tinham que apresentar planos de segurança hídrica. Quem não cumprisse a ordem estaria sujeito a multa de US$ 10 mil diários.

Descontos e apelo de celebridades

Outra campanha desenvolvida concede desconto na conta de água de quem retirar voluntariamente o gramado de suas casas durante a seca, a fim de evitar o uso de água para regar a grama e outras plantas. Segundo o governo, até agosto já foram pagos US$ 42,9 milhões em descontos a quem aderiu à medida.

Foram criados ainda dois portais na internet, um que atualiza a população sobre o estágio da seca e outro que conscientiza os usuários sobre a necessidade de economizar água, além de dar dicas de redução do desperdício.

O “saveourwater.com” (salve nossa água, na tradução do inglês) apela para vídeos com artistas, como o apresentador Conan O’Brien e os cantores Lady Gaga e Sammy Hagar, ex-integrante da banda Van Halen.

Segundo o governo da Califórnia, desde que as medidas foram implementadas, 11,5% das moradias e fábricas instaladas no estado aderiram à economia de água. Em julho passado, o índice era de 7,5%. Em algumas áreas, como na região do Rio Sacramento, a população conseguiu economizar 22,6% em relação ao volume gasto em períodos de não escassez.

Mesmo assim, 10 dos 12 principais reservatórios do estado estão com níveis inferiores a 50% – alguns têm apenas 11% da capacidade de abastecimento – e houve 59 decretos de emergência requisitados por cidades, como a turística Santa Barbara, e condados.

Max Gomberg, Conselheiro para Mudanças Climáticas e Recursos Hídricos da Califórnia, disse ao G1 que a seca já desempregou 17 mil pessoas no setor agrícola, impactou na biodiversidade e deu prejuízo econômico de US$ 2,2 bilhões.

Segundo ele, a população entende a gravidade da crise e as ações para conservação da água desde que o poder público dê o alerta sobre o que está acontecendo. "A imposição de restrições é eficaz se o público entende que é necessária", explica.

Em comunicado divulgado pelo departamento de recursos hídricos do estado norte-americano, Felicia Marcus, presidente do Conselho estadual de água, afirma que muitas comunidades da Califórnia tem respondido seriamente à seca e tornando a conservação da água como prioridade. “O aumento é uma coisa boa. No entanto, enquanto não tivermos chuva, teremos que continuar a economia”, explica Felícia.


21 outubro 2014

Sabesp avança e capta 4,6 bilhões de litros de 2º volume morto, diz ANA

Boletim aponta que cota da 1ª reserva na Atibainha foi desrespeitada.
Companhia nega que tenha desrespeitado regras de órgãos reguladores.


Do G1 São Paulo

Um boletim da Agência Nacional de Águas (ANA) apontou que a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) captou 4,6 bilhões de litros de água além do limite autorizado pelos órgãos reguladores para a primeira cota da reserva técnica (volume morto) da Atibainha.



A dados da represa que integra o Sistema Cantareira são desta terça-feira (21). O presidente da ANA, Vicente Andreu, disse que o "avanço" caracteriza uso da segunda reserva. "A Sabesp começou a consumir a mais. Tecnicamente, está errado", afirmou.

Segundo a ANA, a empresa está retirando água além do autorizado. A régua que media o nível da Atibainha foi removida do local após vistoria de técnicos no dia 14, de acordo com Andreu. O boletim da agência mostra que foram bombeados 82,71 bilhões de litros do volume morto da Atibainha. O total liberado pela ANA e pelo Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado (DAEE) era de 77,14 bilhões de litros para a primeira cota da reserva.

A companhia nega que descumpriu as regras e que tenha avançado no segundo volume morto, mas não se manifestou sobre o boletim divulgado pela ANA. A empresa disse ainda que há mais de 30 bilhões de litros da primeira cota na represa Jaguari-Jacareí e que os 106 bilhões de litros da segunda cota serão usados "caso necessário".

O governador Geraldo Alckmin, no entanto, citou a disponibilidade de uma terceira reserva para garantir o abastecimento da população no estado caso a crise hídrica continue.

Já o presidente da ANA defendeu que só restará o lodo após a retirada da segunda cota do volume morto e considerou impossível a captação de mais uma reserva técnica. "Eu acredito que, tecnicamente, será inviável. E, do ponto de vista ambiental, essa água terá problema”, disse.

Segundo Andreu, se não chover a média esperada, o Cantareira não irá se recuperar. “Do ponto de vista técnico é um chute qualificado”, disse sobre as previsões meteorológicas de longo prazo.

O consumo médio por pessoa na capital paulista era de 140,29 litros de água por dia no mês de junho, data do último balanço divulgado pela Sabesp. A Organização das Nações Unidas (ONU) recomenda que cada pessoa use 110 litros de água/dia.

Situação das reservas

A primeira cota do volume morto começou a ser explorada em maio, mas só restam 166,4 bilhões de litros. A segunda reserva já tem aval da agência federal para ser usada e vai subir 10,7 pontos percentuais o nível das represas. O governo não deu data para início para captação e diz que ela será feita "apenas se necessário".

O Cantareira abastece 6,5 milhões de pessoas só na Grande São Paulo, mas opera com 3,3% da capacidade nesta terça-feira. As represas tiveram queda no nível mesmo com o tempo chuvoso desde domingo (19).

Alckmin defendeu em entrevista à rádio Jovem Pan que o problema da falta d'água é resultado da maior seca dos últimos 84 anos no estado e negou que tenha ocorrido falta de planejamento por parte do governo.

Ampliação do bônus

O governador informou que deve ser aprovado nesta terça-feira no conselho da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) o bônus gradual na conta de água para quem não atingir a meta de economia de 20%. A ideia é que o desconto será feito de acordo com o que foi reduzido no consumo.

Situação de reservatórios é pior que na época do racionamento, diz ONS

Nível médio de água em hidrelétricas do SE e CO chegou a 21,11%.
Na mesma época, em 2001, represas registravam índice de 21,39%.


Fábio Amato
Do G1, em Brasília

Os reservatórios das hidrelétricas do Sudeste e Centro-Oeste, que respondem por cerca de 70% da capacidade do país de gerar eletricidade, já têm situação pior que a registrada nesta mesma época em 2001, quando o Brasil enfrentava racionamento de energia, aponta o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

Usina Hidrelétrica de Três Irmãos em Pereira Barreto está com nível 0% (Foto: Reprodução / TV TEM)Em junho, nível já baixava no reservatório da usina de Três Irmãos em Pereira Barreto (Foto: Reprodução / TV TEM)

De acordo com o ONS, esses reservatórios fecharam a segunda-feira (20) com armazenamento médio de água em 21,11% de sua capacidade total. No dia 20 de outubro de 2001, o volume era um pouco maior: média de 21,39%.

O índice de 21,11% é o mais baixo registrado em um mês de outubro de toda a série histórica disponível no site do operador, que começa em 2000. Não é possível saber, porém, se é o mais baixo da história para o mês.

Entretanto, as duas regiões, somadas, têm hoje capacidade de armazenamento de água e, portanto, de gerar energia, superior à de 13 anos atrás: 205 mil MW por mês, ante 160,8 mil MW.

Situação deve piorar

Relatório do ONS publicado na sexta (17) apontou queda na estimativa de chuvas que devem chegar aos reservatórios das hidrelétricas do país neste mês de outubro. No Sudeste e Centro-Oeste, elas devem ficar em 67% da média histórica para o período.

Ainda de acordo com o operador, o nível de armazenamento dessas represas deve continuar caindo até o final de outubro e deve chegar a 19% ao final do dia 31. Se confirmado, será novo recorde negativo.

A estiagem é a causa dessa crise no setor elétrico brasileiro. Em janeiro e fevereiro, época de chuva e quando os reservatórios deveriam se encher, chegou às hidrelétricas do Sudeste e Centro-Oeste água equivalente a 54% e 39% da média histórica, respectivamente. O índice de fevereiro é o segundo pior para o mês em 84 anos. O de janeiro foi o terceiro pior em igual período.

Termelétricas

Hoje o país possui um parque de termelétricas bem maior que em 2001. Essas usinas geram energia por meio da queima de combustíveis como óleo, gás natural e biomassa, substituindo boa parte da produção das hidrelétricas e contribuindo para poupar água dos reservatórios. Por isso, o país não passa por novo racionamento.

Nos últimos meses, o Brasil tem mantido funcionando todas as térmicas disponíveis, num esforço para economizar água das hidrelétricas. Entretanto, isso vem contribuindo para os altos reajustes nas contas de luz em 2014, já que a energia produzida por esse tipo de usina é mais cara.

Apesar da queda acentuada no nível dos reservatórios, o governo nega o risco de racionamento. No início de outubro, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), colegiado que reúne autoridades do governo, voltou a se reunir e, em nota, afirmou que o risco de faltar energia no Sudeste e Centro-Oeste em 2014 é zero e, em 2015, de 4,7%.

Empréstimo

A situação dos reservatórios também contribuiu para a disparada no preço da energia no mercado à vista, que atingiu o recorde de R$ 822,83 por MWh (megawatt-hora). E o setor elétrico, que já sofria com o aumento de custos provocado pelo uso mais intenso das térmicas, entrou em crise.

O governo teve que agir e, em março, anunciou que faria empréstimos bancários para financiar os gastos extras do setor em 2014. Foram tomados dois empréstimo, no valor total de R$ 17,8 bilhões. Assim, o governo socorreu as distribuidoras, que alegam não ter recursos para fazer frente aos gastos extras, e evitou que reajustes ainda mais altos fossem aplicados às contas de luz neste ano.

Porém, o plano prevê que esses empréstimos serão repassados às contas de luz de todos os brasileiros entre 2015 e 2017. De acordo com o Tribunal de Contas da União (TCU), somados os juros, os consumidores terão que pagar R$ 26,6 bilhões.


20 outubro 2014

Questão ambiental no Brasil em segundo plano: até quando?

A triste imagem dos lixões a céu aberto deve continuar ainda por um bom tempo na maioria das cidades brasileiras. O período fixado em lei para que depósitos de lixo fossem transformados em aterros sanitários acabou em agosto, mas agora poderá ser ampliado por mais quatro anos.


João Batista Cirilo | Voz da Rússia

A Câmara dos Deputados aprovou na noite da última terça-feira (14) a prorrogação por meio de um artigo incluído na Medida Provisória 651/2014, que dispõe sobre incentivos à economia. O texto deve passar pelo crivo do Senado até 6 de novembro, caso contrário perderá a validade.


Brasil, lixo, ambiente, terraFoto: RIA Novosti

Apesar da MP tratar de incentivos tributários, os deputados incluíram o novo prazo para fim dos lixões atendendo a 3,5 mil cidades que ainda não cumpriram a determinação legal.

O problema não é novo. A cultura de escanteio aos assuntos ambientais é que é velha. Assim como qualquer outro segmento, a gestão do lixo é também regida por políticas. Sancionada em 2010, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) determina ações como a extinção dos lixões do país, além da implantação da reciclagem, reuso, compostagem, tratamento do lixo e coleta seletiva nos municípios.

As prefeituras que não se adequassem a lei em quatro anos poderiam responder por crime ambiental com multas de até R$ 50 milhões, além do risco de sansões econômicas, por meio de restrição de verbas e os prefeitos, por sua vez, poderiam responder criminalmente por improbidade administrativa.

O governo dita as regras, ao tempo em que empurra com a barriga o problema para os municípios, que por falta de recursos associado muitas vezes à irresponsabilida de e ingerência política, devolve o problema, numa massa de manobra contínua e sem expectativa evidente de resolutividade.

Desde a aprovação da lei, o governo disponibilizou R$ 1,2 bilhão para municípios e estados trabalharem ações de resíduos sólidos, elaboração de planos e investimentos em aterros. No entanto, menos de 50% desses recursos foram executados, mediante inadimplência dos municípios ou dificuldades operacionais.

O Brasil tem atualmente 2.202 municípios com aterros sanitários, o que representa apenas 39,5% das cidades do país. Dos 27 estados, apenas três concluíram seus planos estaduais de resíduos sólidos. A questão não consiste apenas no fim dos lixões. O processo de coleta seletiva, por exemplo, chega a custar três vezes mais que a convencional.

Estaria o governo decido a apoiar financeiramente os municípios no processo de manutenção? Estariam os prefeitos dispostos a retirarem as arestas dos olhos e passarem a ter pulso administrativo no que tange aos agravos ambientais? Ditar as regras é fácil, assim como fazer para com estas "ouvido de mercador". Mas as leis não surgem ao acaso, evidenciam a necessidade iminente de valorização do meio e de forma sustentável. Mais que isso, evidenciam a valorização do ar que respiramos e da própria existência do homem.


Crise da água afronta a ciência brasileira

André Trigueiro | G1

Além do seu incomensurável capital natural, o Brasil construiu ao longo do tempo um robusto estoque de conhecimento científico a respeito de seus biomas, ecossistemas e bacias hidrográficas.

Gente do calibre de José Lutzenberger, Augusto Ruschi e Aziz Ab’Saber (dentre tantos outros que descortinaram novos e importantes horizontes de investigação científica) revelaram que a natureza se comporta como um sofisticado sistema interligado, onde certos gêneros de intervenção, aparentemente inofensivos, podem causar gigantescos estragos.


Seca na represa Jaguari
Foto: Luis Moura/Estadão Conteúdo

Não fosse a genialidade e o respeito que impuseram a partir de seus trabalhos científicos, seriam massacrados pelos poderosos da época.

Não foram poucos os políticos inescrupulosos e empresários gananciosos que tentaram a todo custo “desconstruir” (para usar uma palavra da moda) suas reputações.

Deixaram um legado reconhecidamente importante que deveria inspirar uma nova ética no modelo de desenvolvimento, especialmente mais cuidado na forma como certas políticas públicas são concebidas e aplicadas.

Portanto, é curioso imaginar o que Lutz, Ruschi e Ab’Saber diriam hoje sobre essa crise hídrica sem precedentes na história do Brasil?

Em 1980, ao publicar o livro com o sugestivo título “O Fim do Futuro?”, José Lutzenberger denunciava que “a perda da capa vegetal protetora, além de significar o desaparecimento dos habitats essenciais à sobrevivência da fauna e das espécies vegetais mais especializadas e preciosas, causa o desequilíbrio hídrico dos corpos d`água (...) Estamos preparando para o nosso país o mesmo destino que o do cordão subsaariano”.

Um dos primeiros a prever a escassez de água no mundo, Augusto Ruschi denunciava em sucessivos alertas, como nesse texto de 1986, os impactos causados pelo desmatamento sobre a vazão de água dos rios, especialmente na Amazônia:

“Há 35 anos, escrevi que estávamos caminhando para construir na Amazônia o segundo maior deserto do mundo. Hoje, a previsão vai se confirmando. No primeiro ano, depois que desmatam, é uma beleza: o solo continua fértil, produz-se muito. Mas, depois, a matéria orgânica é lixiviada para as profundezas do solo e planta nenhuma vai lá embaixo buscá-la. Forma-se o cerrado, depois a caatinga, e finalmente, o deserto".

Um dos mais respeitados cientistas brasileiros, Aziz Ab’Saber denunciou abertamente o absurdo do novo Código Florestal ter sido aprovado há quase três anos no Congresso Nacional sem o respaldo da ciência. E previu consequências trágicas para os recursos hídricos.

“Trata-se de desconhecimento entristecedor sobre a ordem de grandeza das redes hidrográficas do território intertropical brasileiro” (...) Em face do gigantismo do território e da situação real em que se encontram os seus macro biomas – Amazônia Brasileira, Brasil Tropical Atlântico, Cerrados do Brasil Central, Planalto das Araucárias, e Pradarias Mistas do Brasil Subtropical – e de seus numerosos minibiomas, faixas de transição e relictos de ecossistemas, qualquer tentativa de mudança do Código Florestal tem que ser conduzido por pessoas competentes bioeticamente sensíveis”.

Como se sabe, não foi assim que aconteceu. Prevaleceram os interesses da bancada ruralista.

Em tempo: o desmatamento na Amazônia entre agosto e setembro aumentou 191%, segundo dados apurados pelo Instituto Imazon.

E os candidatos à Presidência, o que dizem?

Bem, a cada novo dia de campanha eleitoral o Brasil tem menos água e menos floresta. E as prioridades continuam sendo outras.

Mas o legado de Lutz, Ruschi e Ab’Saber segue incomodando. Até que alguém resolva prestar atenção e evitar uma catástrofe ainda maior.

Ouça o comentário sobre este assunto na Rádio CBN.


19 outubro 2014

Degradação de veredas causa perda de fontes de água de famílias de MG

Veredas são fontes de água de vários municípios do sertão de Minas Gerais.
Esses oásis são áreas alagadas do cerrado, cercadas de vegetação nativa.


G1

Algumas regiões do Brasil passam por uma crise de água por causa da seca. Mas uma região de Minas Gerais está enfrentando a falta de água no campo tanto em tempo de chuva como na seca. As veredas estão secando no norte e no noroeste mineiro. Ano após ano, elas vem perdendo a capacidade de ser a caixa d'água do grande sertão de Minas.

As veredas são as fontes de água dos municípios de Januária, Bonito de Minas, Urucuia, Riachinho e Arinos, no sertão de Minas Gerais, uma região de clima semiárido. Veredas são áreas alagadas do cerrado, cercadas de vegetação nativa, principalmente o buriti. A presença da palmeira indica a existência de água, formando um oásis no meio do sertão. Mas a paisagem está desaparecendo.

Em busca de água, o agricultor Valdenísio Almeida cavou um poço no pé do buriti. Com menos de dois metros de profundidade, o poço dava água em abundância. Agora, tem apenas um restinho no fundo e as raízes da árvore. Mas a vereda secou e a barragem construída não enche há pelo menos sete anos. Hoje, a água que abastece a casa de 15 famílias sai da única vereda que ainda tem água nas proximidades. A bomba só é ligada de dois em dois dias.

Outra comunidade rural da região foi abandonada. Muitas pessoas deixaram a região. Os poucos moradores que ficaram se sacrificam para conseguir água. Evelin Guimarães, de nove anos, busca água na casa da agricultora Marlene Silva, uma das poucas moradoras que ainda têm água no bairro. A menina pegou emprestado um carrinho de mão para conseguir levar o galão.

A agricultora só tem água porque rebaixou o poço. “O meu tem 15 metros, mas foi furado com 12. Ele sempre tem que refundar. Acaba água e não tem água suficiente para jogar com a bomba”, diz Marlene.

Há dez anos, quando foi construído, o poço tinha 12 metros de profundidade. O lençol freático foi baixando e o poço secando. Por isso, foi preciso escavar várias vezes até alcançar novamente o lençol. Além de ajudar os vizinhos, dona Marlene divide a água entre a casa, os animais e a horta. A mineira que tentou a vida em São Paulo e há 24 anos voltou para a roça guarda as imagens de outra época. “Os quintais eram cheios de mandioca, cheio de tudo. Tinha flores na frente da casa. Eu aguava tudinho porque tinha água suficiente. Agora, não tem mais”, lamenta.

O biólogo Walter Neves, que faz doutorado na Universidade Federal de Minas Gerais, quer entender a degradação das veredas. Ele escolheu como objeto de estudo a vereda que fica dentro de um parque estadual e que contribui para a formação do Rio Peruaçu, um dos mais importantes da região.

Walter Neves monitora o comportamento do lençol freático em nove poços espalhados pelos 80 quilômetros de parque. O biólogo usa uma trena e um sensor para medir a posição da água em relação à superfície. “De um total de 100 a 200 veredas que existem no município de Bonito de Minas, cerca de 60 já secaram nos últimos dez anos”, diz.

Em uma das poucas veredas conservadas na região tem água corrente e limpa em plena estiagem. O solo arenoso do cerrado facilita a passagem da água das chuvas, que escoaria rapidamente se não fosse a vereda. A água infiltra no solo até atingir o lençol freático, que abastece os rios na época da seca. A capacidade de reter a água é graças ao solo turfoso da vereda. O buriti tem um papel essencial nesse processo. “Quem mais contribui para essa matéria orgânica é o buriti. A quantidade enorme de palha que cai vai decompondo e formando essa esponja”, explica o biólogo.

Desmatamento tem alta na Amazônia em agosto e setembro, diz Imazon

Segundo ONG, aumento foi de 191% no último bimestre em relação a 2013.
Governo não divulgou dados do Deter referentes aos dois últimos meses.


Do G1, em São Paulo

O desmatamento da Amazônia aumentou 191% em agosto e setembro de 2014, em relação ao mesmo bimestre de 2013, segundo levantamento do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), de Belém. Em termos absolutos, a alta foi de 103 km² para 838 km².

Dados do desmatamento na Amazônia (Foto: G1)

O levantamento é paralelo ao realizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que utiliza o sistema Deter. O mecanismo do Inpe analisa a degradação (desmatamento parcial) e o corte raso (desmatamento total) da floresta nos estados que possuem vegetação amazônica (todos os da Região Norte, além de Mato Grosso e parte do Maranhão).

O dado mais recente do Deter foi divulgado em setembro, com números referentes aos meses de junho e julho, e já indicava aumento de 195% no desmate na comparação entre os dois meses de 2013 e 2014. As informações são utilizadas pelo Ministério do Meio Ambiente para controlar a devastação do bioma.

Calendário do desmatamento

Agosto e setembro são os dois primeiros meses do calendário oficial de medição do desmatamento, período que compreende de agosto a julho e está relacionado com as chuvas e atividades agrícolas.

Segundo o Imazon, foram monitorados 93% da área florestal na Amazônia Legal. Em 2013, o monitoramento cobriu uma área de 79%. Para fazer as análises, o instituto utiliza o SAD, sistema de alerta de desmatamento e degradação (veja a tabela no site do Imazon).

Procurado, o Ministério do Meio Ambiente informou que não comentaria os números e repassou a atribuição a um órgão ligado ao ministério, o Ibama. O G1 não conseguiu contato com o Ibama até a publicação desta reportagem.

Nos estados

Considerando os dois primeiros meses do calendário atual de desmatamento (agosto de 2014 a setembro de 2014), Rondônia lidera o ranking com 31% do total desmatado no período. Em seguida aparece Mato Grosso (26%) e o Pará (18%). Em termos relativos, houve aumento expressivo de 2.699% em Roraima e 939% em Mato Grosso.

Em termos absolutos, Rondônia lidera o ranking do desmatamento acumulado com 260 quilômetros quadrados, seguido pelo Mato Grosso (222 quilômetros quadrados) e Pará (152 quilômetros quadrados).

Em setembro de 2014, segundo o Imazon, o desmatamento concentrou em Rondônia (33%), Pará (23%), seguido pelo Mato Grosso (18%) e Amazonas (12%), com menor ocorrência no Acre (10%), Roraima (4%) e Tocantins (1%).

Degradação florestal

Em setembro de 2014, o SAD registrou 624 quilômetros quadrados de florestas degradadas (florestas intensamente exploradas pela atividade madeireira e/ou queimadas). A maioria (97%) ocorreu no Mato Grosso, seguido por Rondônia (2%) e Pará (1%).

Categoria fundiária 

A maioria (59%) do desmatamento ocorreu em áreas privadas ou sob diversos estágios de posse, em setembro deste ano. O restante do desmatamento foi registrado em assentamentos de reforma agrária (20%), unidades de conservação (19%) e terras indígenas (2%).

Segundo o SAD, foram 73 quilômetros quadrados de desmatamento nas unidades de conservação em setembro de 2014. No caso das terrasindígenas, foram detectados 8 quilômetros quadrados de desmatamento.

Para calcular a taxa anual do desmatamento por corte raso na Amazônia, o governo federal e o Inpe utilizam o Prodes, que trabalha com imagens de melhor resolução espacial e mostram ainda pequenos desmatamentos. Sua divulgação deve ocorrer até o fim deste ano.


Fogo na região serrana do Rio atinge área mais alta do Parque Nacional

Akemi Nitahara | Agência Brasil

O incêndio florestal que atinge o Parque Nacional da Serra dos Órgãos (Parnaso), na região serrana do Rio de Janeiro, atingiu hoje (18) a área dos campos de altitude, um dos ecossistemas mais raros da Mata Atlântica. O avanço do fogo foi constatado durante sobrevoo, pela manhã, de representantes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e Ibama.


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De acordo com o Ibama, até ontem o fogo estava restrito ao Morro do Mamute e tinha controle das brigadas federais na parte oeste, próximo de Itaipava, em Petrópolis. O combate ao incêndio foi reforçado hoje com uma aeronave da Polícia Civil, que transportará até 40 brigadistas do acampamento, no Morro do Mamute, para a nova frente das chamas. Agora à tarde, um helicóptero do Ibama iniciará o lançamento aéreo de água.

Ontem (17), a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, sobrevoou a região. Ela anunciou o aumento da fiscalização do Ibama no entorno do parque, já que há indícios de que queimadas ilegais tenham desencadeado o incêndio que já destruiu cerca de 590 hectares no Parnaso e 550 hectares no entorno da área de proteção ambiental de Petrópolis.

A equipe, com seis fiscais da superintendência do Ibama no Rio de Janeiro e do escritório regional de Nova Friburgo, já está no Parnaso. Eles investigarão a origem suspeita do fogo nas regiões de Itaipava, Jacó, Bonfim e Macumba, além de monitorar as margens da rodovia Petrópolis-Teresópolis.

O combate ao incêndio começou no dia 8 e conta com 28 brigadistas especializados do Ibama/Prevfogo/RJ e 26 do ICMBio/RJ. Mais 21 brigadistas do instituto Chico Mendes foram deslocados pela manhã dos parques nacionais da Tijuca e de Jurubatiba. Uma sala na sede do parque foi destinada à organização do controle dos incêndios.

Em nota divulgada hoje, a Defesa Civil do estado informa que aproximadamente 200 bombeiros estão mobilizados para esse trabalho. “As equipes contam com o apoio de 19 viaturas e três aeronaves (duas do governo do Rio e uma da Marinha).

O Ministério da Defesa disponibilizou dois helicópteros, cada um com capacidade para transportar 1,6 mil litros de água, e está negociando a liberação de um avião Hércules C-130, que pode lançar até 12 mil litros de água.

Segundo o Ibama, o último grande incêndio no Parnaso ocorreu em 1998.