03 outubro 2014

Tornado no DF derruba árvore sobre casa e deixa prejuízo de R$ 20 mil

Árvore de 20 metros caiu sobre churrasqueira e parede de imóvel vizinho.
Fenômeno foi o primeiro do tipo registrado em Brasília, segundo o Inmet.


Isabella Formiga
Do G1 DF

O tornado que se formou nesta quarta-feira (1º) resultante de uma forte tempestade no Distrito Federal provocou a queda de uma árvore de aproximadamente 20 metros de altura do quintal de uma casa na QI 1 do Lago Sul, perto da região do Aeroporto JK. A árvore caiu sobre uma churrasqueira, atingiu o muro que divide o imóvel da casa vizinha e derrubou parte da parede de concreto da casa. O prejuízo estimado em apenas uma das residências é de R$ 20 mil.



O estudante Felipe Rocha conta que estava com dois amigos no pátio da casa quando observou uma ventania forte que levantou os papéis das mesas. "Antes de começar a chover veio um vento muito forte e começou a levar cadernos e livros, e a gente tentou segurar. De repente voou tudo para o chão. Depois, uma árvore começou a balançar muito e veio para o chão", diz. "A minha cachorrinha estava embaixo do [local] da queda da árvore e conseguiu escapar na hora, mas ficou muito assustada."

Outras árvores menores caíram na sequência. O estudante conta que não sabia onde se proteger, já que dentro de casa haveria o risco de uma árvore atingir a estrutura do imóvel, e na rua temia a queda de postes. "Como estamos perto do aeroporto, foi a primeira coisa que eu pensei. Ainda bem que não tinha nenhum [avião] voando por perto na hora", diz.

O pai do estudante, Robson Rocha, disse que estava no trabalho quando recebeu um telefonema do filho falando sobre a queda da árvore. "Larguei tudo no serviço e vim para casa", diz. "Depois fomos até a casa do vizinho e encontramos o cachorro dele encolhido no canto da churrasqueira, imóvel, traumatizado. Levamos ele para nossa casa, onde ele ficou até melhorar."

Nesta quinta (2), funcionários usaram uma motoserra para remover o tronco de cima do muro que divide as duas residências. Dois contêineres ficaram cheios de galhos de árvores e madeira retiradas do quintal da família.

Árvore de aproximadamente 20 metros que caiu sobre churrasqueira e casa vizinha (Foto: Isabella Formiga/G1 DF)Árvore de aproximadamente 20 metros que caiu sobre churrasqueira e casa vizinha (Foto: Isabella Formiga/G1)

As casas pertencem ao Exército e, de acordo com Rocha, a Prefeitura Militar de Brasília vai pagar pelo prejuízo. A família afirma que o fornecimento de água foi interrompido por volta de 14h, e que, como a árvore partiu ao meio a tubulação da caixa d'água, a casa estava até o meio-dia desta quinta sem água. O imóvel também ficou sem energia até meia-noite e com goteiras.

Formação

De acordo com o professor de meteorologia da Universidade Federal de Santa Maria (RS) Ernani de Lima Nascimento, a formação de tempestades intensas nesta época do ano no Centro-Sul do Brasil (que engloba o Sul, Sudeste e Centro-Oeste) pode culminar em tornados.

“Estamos saindo do período seco, e as primeiras tempestades estão surgindo. Não podemos dizer que é algo raro”, explica Nascimento.

Para a formação de um fenômeno climático como esse, são necessários alguns “ingredientes”: atmosfera instável (quando qualquer movimento permite que o ar quente suba rapidamente), alto nível de umidade do ar e ventos intensos nos primeiros mil metros de altura. Esses três fatores, ao mesmo tempo, permitem a formação de um tornado.

Um vídeo feito pelo internauta Eduardo Viana mostra o tornado em Brasília. "Já havia visto outros tornados porque já trabalhei em outros aeroportos, mas não vi tão grandes, tão extensos", diz. "O piloto, assim que avistou [o tornado], já arremeteu por causa do perigo. Mas a gente já sabia que estava numa direção fora do aeroporto, o pessoal da meteorologia já sabia para onde iria."

Chuvas elevam volume de água das Cataratas do Iguaçu em seis vezes

Vazão atingiu 9,77 milhões de litros de água por segundo na atração.
Chuva levou cinco cidades do estado a decretarem situação de emergência.


Do G1 PR

As chuvas que têm caído no Paraná há mais de uma semana elevaram em seis vezes o volume total das Cataratas do Iguaçu, em Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná. De acordo com a administração do Parque Nacional do Iguaçu, a vazão de água registrada nesta quinta-feira (2) atingiu 9,77 milhões de litros de água por segundo no início da manhã. Durante a tarde, o volume ainda era alto, mas havia reduzido um pouco, para 9,2 milhões de litros por segundo. O normal é que o volume de água nas quedas esteja na casa de 1,5 milhão de litros por segundo.

Apesar do volume acima do normal, a passarela que leva os turistas até a Garganta do Diabo, a principal queda das Cataratas no lado brasileiro, permanecia aberta para os turistas. Técnicos têm feito a avaliação regular das condições de segurança no atrativo.



Estragos pelo estado

Um novo boletim da Defesa Civil, divulgado às 18h, mostra que cinco cidades decretaram situação de emergência no Paraná. Ao todo, 22.219 pessoas foram atingidas por estragos decorrentes dos temporais. O número aponta um aumento de aproximadamente 7 mil pessoas, em relação ao boletim anterior, das 12h.

As cidades que decretaram emergência foram Bom Jesus do Sul, Ariranha do Ivaí, Rosário do Ivaí, Roncador e Honório Serpa. Ao todo, 50 cidades registraram estragos relacionados à chuva. Uma pessoa ficou ferida em Cruzeiro do Oeste.

A cidade com mais pessoas atingidas, conforme a Defesa Civil, foi Honório Serpa, onde 3 mil moradores tiveram algum problema relacionado à chuva. Em Francisco Beltrão, no sudoeste do estado, 850 pessoas estão desalojadas e outras 40 estão desabrigadas. Ao todo, 310 casas foram danificadas no município.

A prefeitura de Rosário do Ivaí calcula que o prejuízo com a chuva passe de R$ 1 milhão. A situação de emergência foi decretada nesta quinta após seis pontes e 15 bueiros serem danificados pela chuva que atingiu o município. Os prejuízos também chegaram à área rural, e a estimativa é de que em torno de 6 mil caixas de tomates e 30% da produção de uva tenham sido perdidos, conforme a Defesa Civil.

Esta é a terceira vez que a cidade decreta situação de emergência em dois anos. "Dessa vez estimamos que três mil pessoas foram prejudicadas. A população é formada por pequenos produtores rurais e se há problemas no campo, o pessoal da cidade é diretamente impactado", detalha o coordenador municipal da Defesa Civil, Paulo Sérgio Ruiz.

Cerca de 50 alunos estão perdendo aulas porque os ônibus escolares não conseguem chegar a algumas áreas. O transporte de leite das propriedades rurais foi interrompido porque os caminhões usados no escoamento da produção também não conseguem ter acesso às regiões mais atingidas.

Em Ariranha do Ivaí, os prejuízos passam dos R$ 5 milhões. De acordo com a Defesa Civil, nos dias 26 e 27 de setembro choveu 350 mm na cidade, impedindo a colheita do trigo plantado nas propriedades rurais. Pontes e estradas também foram destruídas. Essa foi a segunda vez que a cidade decretou situação de emergência. A primeira foi em junho deste ano, após a forte chuva que atingiu todo o estado nos dias 6,7 e 8.


Seca revela cidade inundada em 1963

Moradores revivem passado com baixa do Lago de Furnas em MG
Seca fez com que pontes e imóveis alagados surgissem do fundo do lago.
Moradores lembram histórias da época da construção do reservatório.


Samantha Silva
Do G1 Sul de Minas

A estiagem prolongada que atinge o Sul de Minas desde 2012 trouxe prejuízos, poeira, ar seco, longas áreas de vegetação onde havia água. Mas do fundo do lago, trouxe também parte da história de uma região que viu sua paisagem mudar em 1963. Para trazer o progresso, a construção do reservatório de Furnas 'enterrou' terras, fazendas, casas e até uma cidade. Enterrou histórias. Com a estiagem, essas histórias vêm à tona com a antiga torre da igreja de Guapé (MG) que surgiu do fundo da água. Pontes e antigas terras ‘voltam à vida’ (e até ao uso) em Três Pontas. Andar pelo cenário da seca, que ‘assombra’ os moradores da região há cerca de dois anos, é visitar o passado do Sul de Minas.Ao adentrarmos na pequena cidade de Guapé, no Sul de Minas, alguma coisa soa estranha no ar. As largas ruas são incompatíveis com as estreitas vias de cidades sul mineiras com cerca de 100 anos, como Guapé. A Igreja Matriz, no Centro da cidade, foi elevada de um projeto moderno, e em volta da praça principal não há nem sombra de casarões antigos típicos da configuração da maioria das pequenas e antigas cidades da região. Estamos na nova Guapé, aquela construída após o reservatório de Furnas tomar dois terços da antiga. As ruas, lotes, a nova praça e igreja foram planejadas pela equipe de Furnas que evacuou a cidade que seria alagada.

Foto mostra Guapé sendo tomada pelas águas do reservatório de Furnas (Foto: Arquivo Prefeitura Municipal de Guapé)Foto mostra Guapé sendo tomada pelas águas do reservatório de Furnas (Foto: Arquivo Prefeitura Municipal de Guapé)

Em uma das 10 casas projetadas para os funcionários de Furnas à época da inundação (hoje reformada e diferente da original), dona Maria Esmeralda Ávila Peres folheia as reportagens antigas que retratavam Guapé dias antes de sua inundação. Com 75 anos, nascida e criada na cidade, a professora aposentada guarda documentos antigos da Guapé que passou a vida, tanto a antiga quanto a nova.

No arquivo de dona Esmeralda, é possível ler a edição de 1963 da extinta revista Manchete, que anunciava: “1.200.000 KW contra o subdesenvolvimento – Furnas: a enchente do progresso”. No decorrer da matéria, uma foto mostra uma mãe e seus dois filhos observando a água tomar conta das paredes de uma residência. A citação acima da foto explica: “A tristeza de alguns é apenas momentânea, pois sua região receberá os benefícios do progresso”.

“Vieram muitos jornalistas aqui pra cidade ver a situação, porque era uma situação inusitada ‘né’, uma cidade sumir embaixo d’água”, conta dona Esmeralda ao folhear outra matéria, da revista O Cruzeiro, mostrando outra parte da história um pouco mais triste: o desespero dos moradores que perderam quase tudo em alguns dias. A reportagem de José Franco (que chegou a ganhar o Prêmio Esso de Reportagem em 1963) cita o choro, a resistência dos moradores, a incredulidade e até o suicídio de um.

Ela cita ainda a ironia da situação: a bandeira do município carrega a inscrição em latim “Fluctuat ne mergitur” (Flutua, não se submerge). Pois em 1963, Guapé submergiu nas águas de Furnas. “As comportas de Furnas foram fechadas às 0h do dia 9 de janeiro. As águas levaram cerca de oito dias para chegar em Guapé”, continua dona Esmeralda. Ela conta que os moradores foram avisados que a cidade seria alagada, mas que o dia não foi informado.

Muita gente desacreditou dessa possibilidade. No dia que as comportas foram fechadas para formar o reservatório, o monsenhor da cidade que sempre anunciava as notícias da região nos alto-falantes da igreja não avisou a população do que iria acontecer. Estava em viagem, presente de Furnas pra ele, segundo dona Esmeralda.

Helicópteros e caminhões do Exército jogavam planfletos e mandavam os moradores saírem correndo porque a água ia tomar a cidade em dias. A diversão das crianças nos dias da inundação era colocar varetas na terra, e à medida que a água se aproximava, eles mediam quanto ela havia subido de um dia para o outro. A diversão acabou quando as águas começaram a tomar a cidade.

Segundo dona Esmeralda, algumas casas foram construídas na nova Guapé para abrigar a população, mas na época da evacuação, os imóveis não estavam prontos. “Quando a água chegou, esse bendito bairro não estava pronto, não estava terminado. As casas estavam sem portas, não tinha janelas, a água não estava chegando nas residências. No meio do quarteirão fizeram uma latrina e ali todos que moravam em volta usavam o local. Então foi uma coisa muito deprimente, muito triste. Pais de famílias grandes, até importantes, que viviam com um certo conforto, foram obrigados a usar aquilo, porque as casas não saíram a tempo pro povo habitar com um certo conforto.”

Dona Esmeralda, que era casada com um funcionário de Furnas, se mudou para uma das 10 casas já prontas feitas para a equipe, muito diferente do casarão de 17 cômodos que morava com sua família. “Tinha dois quartos, sala, banheiro e cozinha. Um quadradinho. Quantos móveis, louças, colchas que tínhamos, tudo foi dado ou foi perdido no lago. Até os livros jogaram na represa porque não tinha onde guardar. Muita gente perdeu tudo. Perdeu criação, porco, galinha”, lembra.

“Furnas foi isso aí. Guapé ficou uma cidade morta por muito tempo, de 8 a 10 anos. Muita gente foi embora, pra outras cidades, estados. Alagaram as terras várzeas e a pastagem, só sobrou serra, com muita pedra e cascalho. Bancos na cidade fecharam, faltou dinheiro e o povo passou necessidade. A cidade começou a animar depois que começaram a plantar café no cerrado, e aí a cidade desenvolveu”, conta dona Esmeralda. Hoje, além da agricultura, Guapé aproveita a beleza do lago para o turismo.

Na margem da nova Guapé, um antigo bangalô marca o lugar onde as águas não alcançaram na cidade. A casa, uma das únicas não alagadas, se tornou um símbolo de resistência do antigo município e se mantém em pé com sua fachada para a nova cidade e a lateral para o Lago de Furnas. Do bangalô é possível avistar as ruínas da antiga igreja descobertas pela seca desde 2012.

Uma imagem de São Francisco de Assis, padroeiro da cidade, marca onde a Igreja Matriz de 1963 ficava. A seus pés, repousam as ruínas da antiga torre. O santo, com seus olhos virados para a nova Guapé, parece nos dizer que, enfim, Guapé flutuou, e não se afundou.

São Francisco marca local onde antiga Igreja Matriz de Guapé ficava (Foto: Samantha Silva / G1)São Francisco marca local onde antiga Igreja Matriz de Guapé ficava (Foto: Samantha Silva / G1)

Antigas travessias

No Pontalete, distrito de Três Pontas (MG), também não se acreditava que as águas tomariam as terras várzeas da região. O morador José Francisco Martins, ou apenas seu Deca, tem 77 anos e se define como o “véio mais véio” do pequeno distrito. Por seus olhos passaram o desenvolvimento da pequena vila de pescadores em uma das muitas áreas de investimento no entorno do lago. Restaurantes vendem pratos com os peixes de água doce típicos da região. No bar dele, a placa anuncia: O Rei do Lambari.

“Quando Furnas disse que ia alagar, ninguém acreditou. Só acreditaram quando um grande fazendeiro, ‘um rico demais da conta’, vendeu a fazenda que tinha em Ilicínea (MG) [uma das cidades que teve terras alagadas por Furnas]. Quando o fazendeiro vendeu as do Pontalete também, o povo acreditou. Isso foi em 1958. Muitas casas foram alagadas, só deu pra tirar o telhado e as madeiras [pra reaproveitar]”, conta seu Deca.

A estiagem fez surgir desde 2012 no Pontalete uma das antigas pontes que ligavam as margens de terra sobre o rio. O distrito fica na confluência dos rios Verde e Sapucaí, hoje reunidos no local pelo reservatório de Furnas. Seu Deca lembra tanto da construção como do fim da ponte, e brinca com a coincidência dos opostos. “Ela foi construída em 1953 quando Juscelino Kubitscheck ainda era governador de Minas e foi alagada em 1963 pelo presidente JK. Ele construiu e depois enterrou (risos).”

Ponte surge no Lago de Furnas no Pontalete, em Três Pontas, MG (Foto: Samantha Silva / G1)Ponte surge no Lago de Furnas no Pontalete, em Três Pontas, MG (Foto: Samantha Silva / G1)

Com o aniversário de morte do venerável Padre Victor sendo celebrado em Três Pontas, no final de setembro, foi possível ver que a antiga travessia retomou seu uso. Um grupo de romeiros puxava os cavalos para caminharem no lago baixo até a ponte, que serve de travessia para todos chegarem até a outra margem do lago. Em tempos do nível do reservatório normal, o trajeto só seria possível de balsa, que jaz enterrada logo à frente na terra seca do distrito.

“Em 2002, a água baixou e foi até o rio”, conta seu Deca, lembrando da estiagem acontecida há cerca de 10 anos, mas pra ele, seca pior que a deste ano não teve. “Em 2011 ficou do mesmo jeitinho [a paisagem], mas não deu essa seca braba que nós estamos passando agora não, em 2014. Porque passou o ano inteiro e não choveu ‘né’. A chuva forte que dá é janeiro, fevereiro e março, que tem a enchente da goiaba e a enchente do anga, agora esse ano não teve enchente nenhuma porque não choveu. De vez em quando dá uma chuvinha, mas a seca continua.”

Desde que a estiagem atinge a região, seu Deca viu o movimento do seu bar cair cerca de 70%. Na calmaria do pequeno distrito, ele passa os dias esperando que a água do céu eleve novamente o ‘Mar de Minas’ que hoje não vive sem.

30 setembro 2014

EUA confirmam primeiro caso de ebola diagnosticado no país

Informação é dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA.
Nesta segunda-feira, paciente havia sido isolado em hospital de Dallas.


Do G1, em São Paulo

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos confirmaram, nesta terça-feira (30), o primeiro caso de ebola diagnosticado no país. O órgão fornecerá mais informações sobre o caso em coletiva de imprensa na tarde desta terça-feira.

Segundo a AFP, o paciente é um homem que contraiu o vírus na Libéria e viajou ao Texas, onde foi hospitalizado com sintomas que foram confirmados como o vírus ebola. A informação foi confirmada por um porta-voz do CDC à agência.

Desde que começou a epidemia de ebola na África Ocidental, os Estados Unidos já tinham recebido americanos infectados pela doença. Porém, nesses casos, eles já chegaram ao país com o diagnóstico da infecção, com uma estrutura de isolamento já preparada para recebê-los. Foi o caso do médicos missionários Kent Brantly e Rick Sacra, além da trabalhadora voluntária Nancy Writebol. Infectados na Libéria, os três foram tratados nos Estados Unidos e tiveram alta recentemente.

Paciente isolado

Nesta segunda-feira (29), um paciente havia sido isolado em um hospital de Dallas, nos Estados Unidos, após apresentar sinais de estar infectado com ebola. Ainda não foi confirmado se este é o mesmo caso confirmado pelo CDC.

O Hospital Texas Health Presbyterian disse em um comunicado que os sintomas apresentados pelo paciente e uma recente viagem feita por ele indicavam um possível caso de ebola.

Os testes preliminares feitos no paciente deveriam ficar prontos nesta terça-feira. Não foram dados mais detalhes sobre este paciente.

Mais de 3 mil mortos na África

O balanço mais recente divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) calculou que 3.091 pessoas já morreram de ebola desde o início da epidemia, em março, em cinco países da África Ocidental. Ao todo, 6.574 pessoas foram infectadas nessa região.

Só a Libéria já registrou 1.830 mortes, quase três vezes mais do que Guiné e Serra Leoa, os outros dois países mais afetados pela doença, de acordo com as informações da OMS.

A Nigéria e o Senegal, as duas outras nações que tiveram casos confirmados de ebola na região, não tiveram o registro de novos casos ou mortes.


29 setembro 2014

Candidatos ignoram maior crise hídrica da história, diz ambientalista

Para diretor da SOS Mata Atlântica, falta de atenção à questão nas campanhas expõe retrocesso na agenda ambiental do País


BBC Brasil

Embora o Brasil viva a maior crise hídrica de sua história, o tema está à margem do debate eleitoral, afirma o geógrafo Mário Mantovani, diretor da organização SOS Mata Altântica.

"Nenhum candidato tem dado à questão a atenção que ela merece, o que diz muito sobre o forte retrocesso que tem havido na agenda ambiental brasileira", ele afirma. A crise hídrica só entrou no debate eleitoral nos estados que enfrentam situação mais crítica, como São Paulo.

Em entrevista à BBC Brasil, Mantovani cita duas ações humanas que, segundo ele, ajudam a explicar o cenário atual. Uma delas é o desmatamento na Amazônia, que teria alterado o regime de chuvas no Centro-Sul do país. A outra, o afrouxamento das regras de proteção florestal nas margens de rios, chancelada pelo novo Código Florestal.

"Desde 1973, não conheço momento que foi pior para o meio ambiente. Este governo riscou o setor ambiental do mapa", diz Mantovani. Segundo ele, a presidente Dilma Rousseff encara a área unicamente como empecilho para a autorização de grandes obras.

O governo federal rejeita as críticas (leia abaixo a resposta do secretário Executivo do Meio Ambiente, Francisco Gaetani).

A SOS Mata Atlântica elaborou 14 propostas para os presidenciáveis. Das quatro que tratam da gestão das águas, Mantovani destaca duas: incluir a sociedade nos comitês que gerem as bacias hidrográficas e cobrar pelo uso de água de todos os usuários, especialmente agricultores. Hoje isento de custos, o grupo é responsável por 80% do consumo de água no país, segundo ele.

A BBC Brasil entrevistou Mantovani na mesma semana em que três notícias agravaram as preocupações com a crise hídrica nacional. Em Minas, o diretor do Parque Nacional da Serra da Canastra, Luiz Arthur Castanheira, anunciou que a principal nascente do rio São Francisco secou; em Itu (SP), um protesto contra a falta d'água terminou em confronto com a polícia militar; e o pesquisador da Unicamp, Antônio Carlos Zuffo, afirmou que água do sistema Cantareira, principal fonte de abastecimento da cidade de São Paulo, pode acabar em 50 dias. Veja os principais trechos da entrevista:

BBC Brasil - Você escreveu que a crise hídrica é no fundo uma crise ambiental. Por quê?

Mário Mantovani: Essa crise mostrou que APP (Área de Preservação Permanente) de cinco metros nas beiras de rio, a "escadinha" que o Ministério do Meio Ambiente propôs no Código Florestal, era uma farsa. Não pode haver no mesmo rio um proprietário com cinco metros de proteção, outro com 30 metros e outro com 15.

Aqueles torrões secos nas imagens das represas são causados por erosão laminar. São filos que vão se depositando conforme a água baixa e formam blocos. Foi a primeira vez que a hidrovia do Tietê parou em São Paulo. O rio está sem proteção.

Todo ano temos 20 centímetros de erosão laminar na hidrovia. Em dez anos, são dois metros de terra que vão parar dentro da represa. Na mesma represa, em Avanhandava, por causa do adubo que se usa e que vai parar na água, a proliferação de algas é violentíssima.

Outro problema é que no sistema Cantateira (principal fonte de abastecimento da cidade de São Paulo), assim como em qualquer parte do Brasil, 80% da água é usada para a agricultura. O Brasil exporta água em forma de produtos agrícolas, mas essa conta não é feita. A água não é um insumo que tenha valor.

BBC Brasil – Como resolver esse problema?

Mário Mantovani: Se a bacia tiver estresse hídrico, o comitê que faz sua gestão tem que dar menos outorgas para a agricultura. Há pivôs (máquinas para irrigação) no Brasil sem nenhum controle. Na região metropolitana de São Paulo, nas cabeceiras do Tietê, onde a água é pouca, não existe um cadastro dos irrigantes.

Quando o Banco do Brasil financia um agricultor na beira d'água, tem que cobrar que ele faça curva de nível, terraçamento, que cuide da Reserva Legal, da APP.

28 setembro 2014

Brasil dá um passo atrás na geração de energia limpa

País começa a sujar matriz e destina só 1,4% do total global em fontes alternativas para energia renovável, mostra estudo de FGV e Febraban



Eliane Oliveira | O Globo

BRASÍLIA - Até pouco tempo à frente na defesa da produção de energia de fontes renováveis, como etanol, biodiesel, eólica e solar, o Brasil está a poucos passos de sujar sua matriz energética. É o que aponta um amplo estudo sobre sustentabilidade e economia verde, feito pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e a Febraban, em fase de conclusão. Os motivos da mudança de prioridade, segundo a análise, seriam a descoberta e o início da exploração de grandes reservas de petróleo no pré-sal, o excesso de acomodação com as usinas hidrelétricas, além de aspectos tecnológicos e econômicos.

O trabalho compara os investimentos globais nas chamadas Novas Energias (NEs) agendados para 2014. Eles somam US$ 214 bilhões e a participação brasileira nesse total é de US$ 3,1 bilhões, 1,4% do total. Na comparação com outros emergentes, como a China, o Brasil fica muito atrás. O país asiático investirá US$ 56,3 bilhões (26%). A Índia também aparece na frente, com US$ 6,1 bilhões (2,8%).

Além disso, os autores destacam que, embora as fontes renováveis ainda sejam majoritárias na matriz energética do Brasil, respondendo por 79,3% da eletricidade consumida (dos quais 70,6% de origem hidráulica, especialmente grandes hidrelétricas), esse percentual foi bem maior em anos recentes. Em 2011, era de 88,9% e, em 2012, 84,3%.

“Num contexto mundial, em que uma prioridade estratégica visando ao desenvolvimento sustentável e ao longo prazo é priorizar o uso de energias renováveis, o Brasil caminha no sentido oposto, no que tange à composição de sua matriz", diz o estudo.

Segundo Aron Belinky, do Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV, um dos autores da pesquisa, o grande volume de hidrelétricas construídas no passado ajuda nessa acomodação. Ele cita perda de oportunidade em relação a etanol e biocombustíveis:

— As hidrelétricas trazem uma tecnologia antiga, dos séculos XIX e XX. Não é tecnologia de ponta do século XXI. Por mais que esse tipo de energia não gere efeito estufa, tem impacto local muito grande junto a comunidades ribeirinhas, vegetação, animais etc. É uma tecnologia com uso limitado, que depende de grandes rios.

“O segmento de energias renováveis é um dos que mais têm crescido no mundo em termos de investimentos, enquanto no Brasil praticamente nada tem ocorrido”, diz o estudo.

O técnico ressaltou que o Brasil entrou no século XXI como um país privilegiado no cenário energético, mas, na última década, essa posição vem mudando. Nesse período, o Brasil contou com políticas públicas voltadas às Novas Energias, com destaque para o Proinfa, que impulsionou a implantação de 131 usinas (60 pequenas centrais hidrelétricas, 52 eólicas, 19 térmicas a biomassa), previstas para gerar 11,1GWh em 2014. A expectativa com base na observação do mercado atual das NEs — que não inclui a solar fotovoltaica — é que as eólicas mantenham um ritmo de contratação anual entre 2GW e 2,5GW.

Já o setor de biomassa tem maior dificuldade em viabilizar contratações por causa do maior custo médio de usinas de cogeração (R$ 150/MWh contra R$ 130/MWh das eólicas) e menor priorização do governo. Mas há um potencial de geração de eletricidade a partir do bagaço de cana proporcional à evolução da safra e da produção de etanol.

O secretário de Energia do Ministério de Minas e Energia, Altino Ventura, reconheceu que a participação do Brasil no total de investimentos mundiais é pequena. Mas enfatizou que existe um ambicioso plano decenal para o período 2013-2023.

— Vamos acrescentar 77 mil megawatts aos 127 mil existentes — disse, acrescentando que a projeção de aumento da produção de etanol, até 2023, é de 5,5% ao ano; de biodiesel, 6,4%.

Belinky destaca que não há dados comparativos sobre o Brasil porque é a primeira vez que esse tipo de pesquisa é feita. Mas ressalta que o Brasil está prestes a perder o mote da História.


Pelo menos 8 morrem em terremoto no Sul do Peru

Tremor destrói 15 casas e deixa 75 pessoas sem moradias na província de Paruro, na região andina de Cusco


Reuters

LIMA — Pelo menos oito pessoas foram mortas por um terremoto de magnitude 5,1 que atingiu o sul do Peru, disseram autoridades de emergência nesta domingo, enquanto continua a busca por vítimas.

O terremoto na madrugada de sábado na província de Paruro, na região andina de Cusco, destruiu 15 casas e deixou 75 pessoas sem moradias, disse o porta-voz de operações nacionais de emergência Carlos Castro a jornalistas.

— Oito pessoas estão mortas — afirmou Castro. Ainda estamos explorando os destroços. Esperamos não encontrar mais corpos.

O terremoto ocorreu em uma área remota e demorou algum tempo para que trabalhadores de emergência chegassem.

Não foram relatados danos à infraestrutura relacionada ao setor de mineração peruano.

Após chuva em SP, nível do Sistema Cantareira se estabiliza

Neste sábado (27), índice manteve-se o mesmo do dia anterior: 7,2%.
Sistema Cantareira não registra aumento de nível desde maio.


Do G1 São Paulo
Após a chuva que atingiu a Grande São Paulo nesta sexta-feira (26), o nível do Sistema Cantareira teve dia de recuperação. De acordo com medição da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), neste sábado (27), o índice manteve-se o mesmo em relação ao dia anterior: 7,2%. O Cantareira não registra aumento de nível desde maio.

Um barco é visto no meio do leito de lago quase seco atrás da represa Nazaré Paulista, que faz parte do Sistema Cantareira, que fornece água para a cidade de São Paulo. A pior seca em 80 anos deixou o sistema com o menor nível de água já registrado (Foto: Roosevelt Cassio/Reuters)Um barco é visto no meio do leito de lago quase seco atrás da represa Nazaré Paulista, que faz parte do Sistema Cantareira, que fornece água para a cidade de São Paulo. A pior seca em 80 anos deixou o sistema com o menor nível de água já registrado (Foto: Roosevelt Cassio/Reuters)

Nesta quinta-feira (25), o secretário estadual de Recursos Hídricos de São Paulo, Mauro Arce, afirmou que o atual volume de água do Cantareira abastece a população até novembro.

“Continuando sem chover, o atual volume do Cantareira nos garantiria (...) até o dia 21 de novembro com o volume que eu tenho hoje”, disse. O sistema atende, atualmente, 6,5 milhões de pessoas só na Grande São Paulo.

Apesar de o secretário ter citado especificamente a contagem regressiva de 52 dias, o total é diferente. Se contado o intervalo entre esta quinta e o dia 20 de novembro, seriam 57 dias ainda com abastecimento da atual cota do volume morto.

Desde o dia 16 de maio, o sistema capta água do seu volume morto. À época, o Cantareira marcava 8,2% da capacidade, menor nível em suas medições. Naquela data, o acréscimo da reserva técnica elevou a capacidade para 26,7%. Mas, desde maio, o sistema continuou entregando mais água do que recebe.

Em 3 de setembro, após 101 dias de queda, o sistema registrou um dia de estabilidade, mantendo 10,7%, mesmo nível registrado um dia antes. No entanto, voltou a cair no dia seguinte, atingindo 10,6%. Desde então, não foram mais registrados dias de estabilidade no Cantareira.

A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) informou nesta segunda-feira (22) que a segunda cota da reserva técnica do Sistema Cantareira, conhecida como volume morto, elevará o nível dos reservatórios em 10,7 pontos percentuais.

A Sabesp não informou quando começará a captação da segunda cota do volume morto. O SPTV, no entanto, apurou que cálculos dos técnicos da companhia apontam que o uso deve começar na segunda quinzena de novembro. Segundo a Sabesp, a obra, autorizada pelos órgãos reguladores, já está pronta e que as bombas só serão utilizadas se houver necessidade.

Se a segunda parte da reserva técnica começasse a ser explorada a partir desta segunda-feira, o nível do sistema pularia de 8% para 18,7%. São 106 bilhões de litros abaixo das comportas. A capacidade total do Cantareira é de 400 bilhões de litros, de acordo com a companhia.


Mais de 30 pessoas inconscientes são resgatadas de vulcão no Japão

Vítimas não respiram; Japão não confirma mortes até exame formal.
Monte Ontake entrou em erupção neste sábado.


Associated Press

Mais de 30 pessoas inconscientes foram encontrados neste domingo (28) no Monte Ontake, entre as cidades de Nagano e Gifu e que entrou em erupção neste sábado, segundo um oficial da polícia japonesa.

Os esforços de resgate no vulcão Ontake, no Japão, contam com o trabalho de 250 soldados e sete helicópteros (Foto: AP Photo/Kyodo News)Os esforços de resgate no vulcão Ontake, no Japão, contam com o trabalho de 250 soldados e sete
helicópteros (Foto: AP Photo/Kyodo News)


Acredita-se que estas pessoas estejam mortas, já que não estão respirando e seus corações pararam. No entanto, o Japão não confirma as mortes até que médicos da polícia façam um exame formal.

O vulcão entrou em erupção neste sábado, expelindo enormes nuvens de fumaça e pedras que mataram uma mulher e feriram pelo menos 34 pessoas – 12 de maneira grave. Cerca de 250 praticantes de caminhadas, que tentavam subir o vulcão quando a erupção ocorreu, ficaram inicialmente presos nas encostas. Mas a maioria conseguiram descer, e 40 tiveram que passar a noite em abrigos perto do topo.

Outras sete pessoas vivas foram resgatadas em três viagens, disse o oficial do Ministério da Defesa, Toshihiko Muraki. Todos estão conscientes e puderam caminhar, embora os detalhes de suas condições de saúde não estejam claras, disse.

Imagens da TV japonesa mostraram um soldado descendo de um helicóptero em uma encosta coberta de cinzas para resgatar um homem.

Os esforços de resgate contam com o trabalho de 250 soldados e sete helicópteros, além da polícia e dos bombeiros.

Em um vídeo postado no YouTube, alpinistas são vistos movendo-se rapidamente para longe do pico quando uma nuvem de cinzas surge acima e os “engole”.

Muitos dos que foram para o pé da montanha apareceram com roupas e mochilas cobertas de pó vulcânico. Eles relataram ser envolvidos por uma escuridão total por vários minutos.

A agência de meteorologia do Japão aumento o nível de alerta para o Monte Ontake para três, em uma escala de 1 a 5. Ela alertou às pessoas a se afastarem da montanha, já que cinzas e outros detritos poderiam cair em até 4 km de distância.

A última grande erupção do vulcão foi em 1979.