27 setembro 2014

Mortos por ebola na África Ocidental chegam a 3.091, segundo OMS

Total de infectados é de 6.574, de acordo com mais recente balanço.
Só a Libéria teve 1.830 mortes; Nigéria e Senegal não tiveram novos casos.


Reuters

O número de mortos pela epidemia de ebola na África Ocidental chegou a pelo menos 3.091, de um total de 6.574 casos prováveis, suspeitos e confirmados da infecção. A informação foi divulgada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta sexta-feira (26).

 Profissionais da saúde, usando roupa protetora, trabalham em centro do Médicos sem Fronteiras em Monróvia, na Libéria, nesta sexta-feira (26)  (Foto: AFP Photo/Pascal Guyot)Profissionais da saúde, usando roupa protetora, trabalham em centro do Médicos sem Fronteiras em Monróvia, na Libéria, nesta sexta-feira (26) (Foto: AFP Photo/Pascal Guyot)

Só a Libéria já registrou 1.830 mortes, quase três vezes mais do que Guiné e Serra Leoa, os outros dois países mais afetados pela doença, de acordo com as informações da OMS.

A Nigéria e o Senegal, as duas outras nações que tiveram casos confirmados de ebola na região, não tiveram o registro de novos casos ou mortes.

No balanço anterior, divulgado nesta quinta-feira, a OMS disse que 2.917 pessoas tinham morrido de ebola dentre 6.263 casos em cinco países do oeste africano afetados pela doença, até 21 de setembro.

Doação do FMI

Nesta sexta-feira, o Fundo Monetário Internacional (FMI) aprovou uma assistência financeira de US$ 130 milhões para ajudar Guiné, Libéria e Serra Leoa a combaterem a epidemia de ebola.

De acordo com comunicado divulgado pelo fundo, os recursos estarão disponíveis imediatamente para os países. Serão US$ 41 milhões para a Guiné, US$ 49 milhões para a Libéria e US$ 40 milhões para Serra Leoa.

"A epidemia de ebola na Guiné, Libéria e Serra Leoa já custou muitas vidas", disse Christine Lagarde, diretora-gerente do fundo. "Essa crise humanitária pode ter consequências econômicas profundas. Os governos de Guiné, Libéria e Serra Leoa pediram ao FMI apoio para aumentar seus esforços para conter essa epidemia sem precedentes que está afetando desproporcionalmente as pessoas mais vulneráveis de suas populações."

O FMI enfatiza que a epidemia está provocando um impacto macroeconômico e social agudo nos três países mais afetados pela doença. As pressões inflacionárias estão aumentando, assim como os gastos relacionados à doença. Por isso, apoio financeiro é necessário para ajudar a combater a infecção.

Reforço de Cuba

O governo de Cuba anunciou nesta quinta-feira (25) o aumento de sua cooperação médica contra o ebola na África, ao ampliar de 165 para 461 o número de médicos e enfermeiros enviados para combater essa epidemia em Serra Leoa, na Libéria e na República da Guiné.

"Na Unidade Central de Colaboração Médica (de Havana), nesse momento, estão sendo preparados 461 voluntários", incluindo os "165 médicos e enfermeiros que viajarão para Serra Leoa", disse a diretora desse centro, Regla Angulo, em um programa da televisão cubana dedicado ao ebola.

Regla Angulo destacou que "as brigadas (médicas cubanas) estarão presentes em três dos países afetados (pelo Ebola): Serra Leoa, Guiné Conacri (República da Guiné) e Libéria".

Até agora, as autoridades cubanas haviam informado apenas o envio de um contingente de 165 médicos e enfermeiros para Serra Leoa, respondendo a um pedido da diretora-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Margaret Chan, e do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

Os profissionais de saúde estão recebendo um intenso treinamento no Instituto de Medicina Tropical Pedro Kourí (IPK), de Havana (IPK), onde foi instalado um hospital de campanha similar ao que encontrarão nos países africanos.

Sistema de processamento de água radioativa de Fukushima volta a falhar

Problema ocorreu em um dos três circuitos de filtragem da água.
50 mil pessoas ainda não podem voltar para casa após acidente nuclear.


EFE

A usina nuclear de Fukushima, no Japão, voltou a desativar temporariamente seu sistema de descontaminação de água radioativa devido a uma nova falha técnica, informou a operadora da central, Tokyo Electric Power (Tepco).


Foto de 15 de abril deste ano mostra local onde é bombeada a água subterrânea na usina nuclear de Fukushima, no Japão (Foto: Japan Pool/Jiji Press/AFP)Foto de 15 de abril deste ano mostra local onde é bombeada a água subterrânea na usina nuclear de Fukushima, no Japão. (Foto: Japan Pool / Jiji Press / AFP Photo)

A falha aconteceu em um dos três circuitos do chamado ALPS (Sistema Avançado de Processamento de Líquidos), que já foi parcialmente desligado em várias ocasiões nos últimos meses por problemas como a corrosão causada pela radiação.

Os técnicos detiveram temporariamente o circuito na sexta-feira (26) e o voltaram a reativar no mesmo dia após substituir alguns dos filtros de processamento, onde acreditam que aconteceu a falha que impedia uma correta depuração, segundo a emissora estatal "NHK".

O Sistema Avançado de Processamento de Líquidos retira da água usada para esfriar os reatores de Fukushima 62 tipos de materiais radioativos, com exceção do trítio.

Com este sistema, a Tepco prevê ter limpado, até março de 2015, toda a água armazenada em mais de mil contêineres distribuídos pelas instalações de Fukushima.

Para acelerar este processo, a operadora planeja empregar duas novas instalações similares de tratamento de água, uma delas com maior capacidade que o atual ALPS e que já está construída e em fase de testes.

Em Fukushima Daiichi estão armazenadas 360 mil toneladas de água altamente radioativa esperando para ser processadas.

Uma vez que o ALPS esteja plenamente operacional, será capaz de depurar 750 toneladas de água a cada dia, segundo dados da operadora.

A acumulação de água radioativa na usina é um dos principais desafios para poder desmantelar os reatores que foram danificados pelo terremoto de 11 de março de 2011 e o tsunami posterior, uma operação que acredita-se que durará três ou quatro décadas.

O terremoto e o tsunami de 2011 provocaram na central de Fukushima o pior acidente nuclear desde o de Chernobyl, na Ucrânia, em 1986, e ainda hoje 50 mil pessoas que viviam em torno da usina seguem sem poder retornar a suas casas devido à radiação, que afetou também a agricultura, a pecuária e a pesca local.


25 setembro 2014

Serra Leoa ordena quarentena de 1,2 milhão de pessoas

Três distritos e 12 localidades tribais entraram em quarentena.
Vírus já matou quase 600 pessoas no país.


France Presse

O governo de Serra Leoa ordenou com efeito imediato a entrada em quarentena de três distritos e 12 localidades tribais, o que representa 1,2 milhão de pessoas, no maior confinamento no oeste da África desde o surgimento da atual epidemia de Ebola.

Em um discurso exibido na TV, o presidente do país, Ernest Bai Koroma, anunciou na noite de quarta-feira (24) o fechamento dos distritos de Port Loko e Bombali (norte), assim como o de Moyamba (sul).

Com os distritos de Kenema e Kailahun (leste) já em quarentena, mais de um terço da população em cinco dos 14 distritos da nação está impedida de uma livre circulação.

"O isolamento dos distritos realmente representa dificuldades importantes, mas a vida de todos e a sobrevivência de nosso país têm prioridade sobre as dificuldades", disse Koroma.

A atual epidemia de Ebola infectou quase 6.000 pessoas na África ocidental e matou quase metade delas, segundo o balanço mais recente da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Em Serra Leoa, o vírus Ebola infectou 1.813 pessoas e matou 593.


Fiocruz testa no Rio mosquito mutante que pode combater a dengue

Pesquisa apresenta uma nova forma de combater o mosquito transmissor infectando o alvo com uma bactéria capaz de impedir a transmissão da doença antes da infecção


Agência Brasil

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) começou a testar nesta quarta-feira uma forma inovadora de combater a dengue na cidade do Rio de Janeiro. Mosquitos modificados em laboratório foram liberados no bairro de Tubiacanga, na Ilha do Governador, Zona Norte, onde moram 3 mil pessoas.

Semanalmente serão liberados aproximadamente dez mil Aedes aegypti infectados com a bactéria Wolbachia, encontrada no meio ambiente e capaz de impedir a transmissão da dengue pelo mosquito. Na primeira fase do projeto, iniciado há dois anos, os pesquisadores monitoraram a população de mosquitos na região com o apoio dos moradores do bairro.

A pesquisa com os mosquitos infectados começou na Austrália, em 2009, por uma iniciativa sem fins lucrativos que integra o Programa Eliminate Dengue: Our Challenge, traduzido para Eliminar a Dengue: Desafio Brasil.

Resultados – O líder da pesquisa no país, Luciano Moreira, explicou que a expectativa é de que, até o final do ano, toda população de Aedes aegypti seja infectada pela Wolbachia e esteja livre do vírus da dengue em Tubiacanga. As liberações serão feitas por aproximadamente três ou quatro meses e vai depender dos resultados sobre a capacidade dos mosquitos com Wolbachia se instalarem no local.

“Quando essa bactéria é colocada no Aedes aegypti, ela bloqueia o vírus da dengue. Precisaremos de aproximadamente um a dois anos para constatar se realmente houve redução do número de casos”, disse Moreira.

Para reduzir o incômodo da população e não alterar o número de mosquitos no bairro após a liberação dos insetos infectados, os criadouros de Aedes aegypti no local foram destruídos.

“É um projeto natural, autossustentável, pois a partir do momento em que o mosquito se estabelece naquela área, ele fica por lá. Na Austrália, soltaram os mosquitos por dez semanas em 2011 e até hoje, em duas localidades, os mosquitos estão 100% com a bactéria”, contou Luciano Moreira ao ressaltar que para obter um estudo mais detalhado será necessário ampliar a área da pesquisa. Outras três localidades estão sendo monitoradas para futuras liberações de mosquitos: Urca, na Zona Sul; Vila Valqueire, na Zona Norte, e Jurujuba, em Niterói.

“São áreas que têm a presença do mosquito o ano todo, casos de dengue: umas muito populosas, outras pouco, umas com muita vegetação e outras com pouca vegetação. Estamos trabalhando com as pessoas que vivem nessas localidades, respondendo às perguntas, explicando sobre o projeto para termos apoio”, disse o pesquisador da Fiocruz. Durante o mapeamento da população de mosquitos, foram instaladas armadilhas para capturar e estudar os insetos na casa de dezenas de moradores.

Expansão – Se os resultados forem positivos, o Ministério da Saúde pretende expandir o projeto para outras áreas do Brasil, explicou.

Moreira participou do início do projeto na Austrália em 2009, quando descobriu com outros pesquisadores a capacidade da Wolbachia de reduzir a transmissão do vírus da dengue pelo mosquito. Durante cinco anos, membros da equipe do programa de lá alimentaram uma colônia de mosquitos com Wolbachia usando, voluntariamente, os próprios braços. Isso resultou em centenas de milhares de picadas de mosquitos sem que reações à bactéria fossem detectadas. A pesquisa também está sendo realizada no Vietnã e na Indonésia.

Os testes de campo no Brasil foram aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) após rigorosa avaliação sobre a segurança para a saúde e para o meio ambiente.

Além do financiamento da Fiocruz, pelo Ministério da Saúde, o projeto brasileiro também recebe verbas do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e do CNPq. As secretarias municipais de Saúde de Niterói e do Rio atuam como parceiras locais na implantação do projeto.

Bactéria – A Wolbachia está presente em cerca de 60% dos insetos no mundo, incluindo diversas espécies de mosquitos, como o pernilongo, sem risco para a saúde humana ou o ambiente. É uma bactéria intracelular, transmitida de mãe para filho no processo de reprodução dos mosquitos e não durante a picada do Aedes em um ser humano.


24 setembro 2014

União Europeia aloca 180 bilhões para combate a mudanças climáticas

A União Europeia se propõe destinar um montante de 180 bilhões de euros para o combate a alterações do clima, constata um comunicado da Comissão Europeia (CE), divulgado em Bruxelas no quadro de uma cúpula sobre problemas do clima, sob os auspícios da ONU.


Voz da Rússia

No parecer do chefe da CE, José Manuel Barroso, as alterações climáticas encerram, hoje em dia, uma das ameaças mais sérias. Por isso, a UE tem vindo a dispensar uma atenção especial a esse problema.

Conforme o comunicado, a UE há já muito que se empenhou na luta contra as mudanças do clima no nosso planeta. “Colocámos uma tarefa muito importante – reduzir as emissões de CO2 na atmosfera. E essa meta está sendo cumprida. Desde 1990, as emissões tóxicas sofreram uma redução de 19%, enquanto o PIB comunitário verificou um crescimento de 45%. Deste modo, estamos mostrando que a proteção ambiental e o fortalecimento econômico podem e devem ir de mãos dadas, ressalta o documento.

No entanto, a UE pretende ir mais longe, sustenta a Comissão Europeia. A expetativa é que, até ao ano de 2013, as emissões tóxicas sejam diminuídas em 40%, podendo a poupança energética atingir a fasquia de 30%.



23 setembro 2014

Brasil não foi convidado para debate de acordo sobre florestas, diz ministra

Iniciativa será anunciada na Cúpula do Clima, realizada nesta terça-feira.
Izabella Teixeira disse que ONU pediu aprovação sem sugestão de alterações.


Do G1, em São Paulo

Apesar de seu papel na proteção da Amazônia, o Brasil não vai endossar uma iniciativa global antidesmatamento que deve ser anunciada na Cúpula do Clima da Organização das Nações Unidas, que acontece nesta terça-feira (23), em Nova York.

De acordo com a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, o país “não foi convidado a se engajar no processo de preparação” da declaração. Em vez disso, segundo ela, o país recebeu uma cópia do texto da ONU, que pediu para aprová-lo sem a permissão de sugerir qualquer alteração.

“Infelizmente, não fomos consultados. Mas eu acho que é impossível pensar que pode ter uma iniciativa global para florestas sem o Brasil dentro. Não faz sentido”, disse ela, em entrevista concedida à Associated Press nesta segunda-feira (22).

Charles McNeill, conselheiro-sênior de política ambiental do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (PNUD) disse que “houve esforços para chegar às pessoas do governo brasileiro, mas não houve resposta”. “Não havia vontade alguma de excluir o Brasil. É o país mais importante nesta área. Um esforço que envolve o Brasil é muito mais poderoso e impactante do que um que não envolve”, explica McNeill.

Prévia para reunião climática

Recortes de desmatamento feitos para uso na agricultura perto de Santarém (PA). Os fotógrafos Nacho Doce e Ricardo Moraes, da agência Reuters, viajaram pela Amazônia registrando várias formas de desmatamento. Foto de 20/4/2013. (Foto: Nacho Doce/Reuters)Recortes de desmatamento feitos para uso na agricultura perto de Santarém (PA). Os fotógrafos Nacho Doce e Ricardo Moraes, da agência Reuters, viajaram pela Amazônia registrando várias formas de desmatamento. Foto de 20/4/2013. (Foto: Nacho Doce/Reuters)

A declaração para florestas não foi divulgada publicamente, mas espera-se que deverá ser aprovada por muitos países, empresas e grandes grupos ambientais como uma das peças centrais da Cúpula do Clima. Embora não seja parte do processo formal de negociação, o encontro tem a intenção de construir um impulso para o um novo tratado climático que deve ser fechado no final de 2015, em Paris.

Mas as queixas do Brasil mostram armadilhas na construção de um consenso internacional sobre qualquer iniciativa ambiental. Izabella Teixeira disse que o governo brasileiro tem a preocupação de que o texto possa colidir com leis nacionais que controlam o desflorestamento na Amazônia e outras florestas. “Nossa política nacional quer acabar com o desmatamento ilegal”, explica.

A ministra disse que o país está empenhado em proteger a floresta porque ela é considerada uma das defesas naturais mais importantes do mundo no combate à elevação da temperatura, já que tem grande capacidade de absorver enormes quantidades de dióxido de carbono (CO2).

Segundo a responsável pela pasta do Meio Ambiente, o Brasil tem a meta de diminuir o ritmo do desmatamento em 3.900 km² por ano até 2020, número inferior aos 5.843 km² registrados entre agosto de 2012 e julho de 2013, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (o Inpe), responsável pelo monitoramento da floresta.


22 setembro 2014

Operação contra ebola em Serra Leoa encontra 70 corpos e 150 casos

População do país foi obrigada a ficar em casa por três dias.
30 mil voluntários foram de porta em porta para educar os moradores.


France Presse

O polêmico confinamento de três dias para lutar contra o ebola em Serra Leoa permitiu detectar 150 novos casos do vírus e localizar 70 corpos, anunciaram as autoridades nesta segunda-feira (22).

Durante três dias, os seis milhões de habitantes do país foram obrigados a permanecer em suas casas, enquanto 30 mil voluntários participavam em uma campanha porta a porta para educar a população na luta contra a doença, de acordo com as autoridades, que mencionaram a possibilidade de repetir a operação.

"Estamos lotados de cadáveres que ainda precisamos enterrar, mas isto acontece todos os dias desde que explodiu a epidemia de ebola. E agora temos 150 novos casos", declarou Steven Gaojia, diretor do centro de operações de emergência do país.

O governo anunciou ainda a descoberta de 70 cadáveres, mas apenas na capital Freetown e seus arredores. Os resultados para todo o país podem aumentar consideravelmente o número global.

O ministro da Saúde, Abubakarr Fofanah, disse à AFP que os voluntários conseguiram falar com 80% das casas e considerou a operação um sucesso.

"Aprendemos muito com a campanha. A operação terminou, mas existe a possibilidade de outra similar em outra oportunidade", afirmou.

21 setembro 2014

Nova espécie de pássaro descoberta no Brasil já corre risco de extinção

Scytalopus gonzagai foi encontrado numa faixa estreita de Mata Atlântica, no litoral da Bahia


Agência Brasil

RIO - Vinte anos após o início das investigações pelo pesquisador Luis Antonio Pedreira Gonzaga, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), é descoberta em uma faixa estreita de Mata Atlântica, no litoral da Bahia, uma nova espécie de pássaro (Scytalopus gonzagai) que, entretanto, já corre risco de extinção.

Especialistas estimam em quase 3 mil o número de exemplares da espécie - / Divulgação

O biólogo especializado em ornitologia (estudo dos pássaros) Giovanni Nachtigall Maurício, professor do curso de gestão ambiental da Universidade Federal de Pelotas, no Rio Grande do Sul, e primeiro autor do artigo de descrição da espécie, disse que os cálculos feitos durante a pesquisa de campo estimaram em quase 3 mil o número desses pássaros na região. O pássaro recebeu o nome de macuquinho-preto-baiano. A estimativa foi baseada no cálculo da área disponível e da densidade. A partir desses dados, os pesquisadores ampliaram as informações para toda a área possível.

- A gente fez um cálculo e, depois, uma ampliação, que indicou em torno de 2.888 pássaros na espécie. O cálculo foi o estopim para essa conclusão (de risco de extinção) - relatou o biólogo.

Depois desses cálculos, a equipe de pesquisadores usou os critérios da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN, a sigla em inglês).

- São critérios universais para o estudo de espécies ameaçadas. O conjunto de critérios vai mostrar o grau de ameaça àquela espécie. Ela se enquadrou na categoria em perigo. Essa é uma categoria de ameaça oficial - afirma Nachtigall.

A regra geral estabelece que até 2.500 indivíduos, a espécie seria considerada criticamente em perigo; de 2.500 até 10 mil indivíduos, é considerada em perigo; e de 10 mil até 20 mil, é vulnerável.

Giovanni Maurício confirmou que o embrião da descoberta foi a pesquisa independente do professor da UFRJ Luiz Antonio Pedreira Gonzaga e amigos. Gonzaga acabou sendo homenageado ao batizar com seu nome a nova espécie brasileira. Naquela época, por volta de 1993, os pesquisadores acreditaram que se tratava de um macuquinho-preto comum, encontrado no Sul e no Sudeste do país.

- Por isso, ela não foi descrita naqueles primórdios - explicou Maurício.

Segundo o especialista, a desconfiança de que era uma nova espécie começou em 2002. Constatou-se, então, que as medidas eram diferentes.

- A cauda era menor e a asa, maior - disse Maurício.

A cor foi outro fator de distinção. O 'Scytalopus gonzagai' apresenta ainda ritmo de canto mais forte e diferentes vocalizações.

Duas expedições feitas em 2004 e 2006, com o apoio da organização não governamental (ONG) Save Brasil , vinculada à Birdlife Internacional, da Inglaterra, e da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, respectivamente, puderam investigar mais profundamente o pássaro, nas montanhas do sudeste da Bahia. As expedições confirmaram que era uma espécie nova e permitiram chegar à descoberta este ano.

Giovanni Maurício se baseia na Política Nacional da Biodiversidade para transmitir aos alunos a importância do tema para a vida no planeta. O professor decidiu retomar a descrição da espécie, que estava parada, “até para mostrar aos alunos como a biodiversidade brasileira vai aumentando”. Ele pretende continuar fazendo a revisão desse gênero de aves porque está convicto de que há mais espécies novas a serem descritas. Maurício acredita que daqui a um ou dois anos serão descobertas mais espécies não ameaçadas de extinção, porque têm uma distribuição maior:

- A gente continua nesse trabalho.