30 agosto 2014

Primeiro caso de ebola é confirmado no Senegal

Doença foi registrada em cidadão da Guiné que entrou no país.
Epidemia de ebola já matou mais de 1,5 mil pessoas desde março.


Reuters

O primeiro caso de ebola no Senegal foi confirmado nesta sexta-feira (29) pelo Ministério da Saúde do país, um importante centro para negócios na África.

Segundo a ministra Awa Marie Coll Seck, a doença foi confirmada em um cidadão da Guiné que foi ao país. A Guiné é um dos países afetados pela epidemia de ebola, que já matou mais de 1,5 mil pessoas desde março.

Os serviços de saúde da Guiné haviam informado na quarta-feira (27) sobre o desaparecimento "de uma pessoa infectada com o vírus do ebola que teria viajado ao Senegal", explicou a ministra em uma coletiva de imprensa.

"A pessoa foi localizada no hospital de Fann (em Dacar). Trata-se de um jovem que fez exames que comprovaram que estava com ebola", disse.

"Os resultados dos testes realizados no Instituto Pasteur deram positivo", explicou, acrescentando que "o dispositivo para evitar que a doença seja propagada foi reforçado".

Este é o primeiro caso confirmado de ebola no Senegal, que faz fronteira com a Guiné, um dos três países mais atingidos pelo vírus.

"Estamos retomando todo o seu itinerário e avaliando todas as pessoas que permaneceram em contato" com este jovem guineano, indicou.

No dia 21 de agosto, o Senegal fechou suas fronteiras terrestres com a Guiné devido à epidemia, mais de três meses depois de tê-las reaberto.

Balanço da OMS sobre a epidemia de ebola aponta que 1.552 pessoas já morreram em decorrência da doença em quatro países africanos, de um total de 3.069 casos conhecidos.

29 agosto 2014

Rússia ajudará Japão a eliminar resíduos radioativos de Fukushima

As autoridades do Japão escolheram a empresa russa RosRAO e mais duas empresas estrangeiras para desenvolverem tecnologias de limpeza eficaz das águas poluídas com trítio radioativo na central nuclear de Fukushima 1.


Tatiana Khlon | Voz da Rússia

O mundo nunca enfrentou um problema de semelhante envergadura no que diz respeito à reciclagem de materiais radioativos líquidos, assinala Serguei Florya, dirigente do grupo russo do projeto, especialista da empresa RosRAO, que se especializa em questões de tratamento de resíduos radioativos:

"Os japoneses são os primeiros que devem resolver essa complicadíssima tarefa, que surgiu como resultado de uma catástrofe industrial. Na história não há precedente de acumulação de semelhante quantidade de resíduos nucleares ativos num só momento e num só lugar. É preciso tratar 800 mil metros cúbicos de água. O Japão quer resolver esse problema num máximo de cinco anos".


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Território da central nuclear de Fukushima 1 - Foto: East News

Depois da avaria da Fukushima no Japão, foi construída uma grande quantidade de reservatórios para guardar resíduos radioativos líquidos, foram abertas valas para juntar águas subterrâneas, foi congelado o solo para impedir que as águas radioativas corressem para o mar. Mas isso é insuficiente. E o Japão não tem forças suficientes. Por isso, teve de recorrer à cooperação internacional. É completamente justificado o facto de o governo japonês ter chamado a companhia russa RosRAO para a solução desta tarefa muito complicada.

A ciência russa tem uma rica experiência na solução de semelhantes tarefas. Por exemplo, os especialistas russos há muito se dedicam às questões da criação de tecnologias e de capacidades produtivas para transformar resíduos radioativos líquidos, acumulados durante o funcionamento dos submarinos nucleares. Esses resíduos são completamente idênticos aos acumulados em Fukushima. Quando aconteceu a avaria na central nuclear japonesa, a empresa RosRAO ficou convencida de que as tecnologias russas seriam necessárias.

E, realmente, o projeto russo venceu o concurso realizado pela Tepco e Mitsubishi. A principal condição era que a produtividade do novo equipamento de tratamento de resíduos radioativos fosse superior a quatrocentos metros cúbicos por dia. Além da RosRAO, entre 29 concorrentes foram escolhidas a companhia americana Kurion Inc e a estadunidense-japonesa GE Hitachi Nuclear Energy Canada Inc. A apresentação do projeto russo realizou-se em Tóquio há alguns dias atrás, assinala Serguei Florya:

"Neste momento, o equipamento com a produtividade exigida pelo Japão não existe. Presentemente, existem apenas pequenos agregados. Em cada país escolhido para a realização do projeto irá ser criado um modelo piloto. Além das caraterísticas técnicas, na escolha do projeto irá ter sido em conta também o custo da aparelhagem. A Rússia propõe uma tecnologia que permitirá conseguir os gastos de exploração mais baixos".

Tóquio concedeu para os projetos mais de 9,5 milhões de dólares. Espera-se que as empresas apresentem os resultados das suas experiências até ao fim de março de 2016.


Amazônia apresenta progresso preocupante em segmentos sociais

A floresta amazônica é conhecida internacionalmente por sua imensa biodiversidade e recursos naturais. Não bastasse o fantasma do desmatamento que continuamente perpetua a região, sabe-se agora que os 772 municípios que compõem o território da Amazônia Legal, também apresentam considerados déficits ambientais e sociais.


João Batista Cirilo | Voz da Rússia

Os nove estados da Amazônia Legal tiveram seus perfis traçado por meio do Índice de Progresso Social (IPS), que mostrou uma realidade preocupante em segmentos como água e saneamento, moradia, acesso à informação, saúde e bem-estar, direitos individuais e acesso ao conhecimento básico.

Pesquisadores do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), coletaram dados em fontes como Ministério da Saúde, IBGE, Anatel e Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, publicados de 2010 à 2014, agrupando-os em três eixos principais: 1 – necessidades humanas básicas; 2 – fundamentos para o bem-estar e 3 – oportunidades.

O resultado aponta que, em uma escala de zero a cem, onde zero representa o pior índice e cem o melhor, a Amazônia obteve na média geral a bagatela de 57,31 pontos, quantidade inferior à média nacional (67,73). O resultado também foi inferior ao nacional em dois, dos três eixos principais.

Somente o eixo de fundamentos do bem-estar, que compreende itens como sustentabilidade dos ecossistemas, apresentou resultado satisfatório (74,85 pontos), devido a maior proporção das chamadas áreas protegidas, territórios que compreendem unidades de conservação, por exemplo, existentes na região. O pior desempenho se deu no eixo de oportunidades (48,33 pontos), que contempla itens como: direitos individuais, liberdade individual e de escolha, tolerância e inclusão.

O governo não comentou os resultados. O que dizer de segmentos como acesso ao conhecimento básico em que a média amazônica ficou 29,7% abaixo da média brasileira? É sabido que muitos dos órgãos governamentais ligados diretamente a questões ambientais tentam mascarar ou subverter certos informes, principalmente em tempos de prévias eleitorais.

Recentemente, a Organização Não-Governamental Greenpeace, denunciou a omissão de informações sobre degradação na Amazônia, por parte do governo. As informações serviriam para identificar a exploração madeireira nos diversos locais da região, identificando também as áreas onde essa exploração é feita de forma predatória e ilegal. O mapeamento da degradação florestal dos últimos três anos havia sido realizado pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Especiais), mas os dados ainda não foram divulgados pelo governo.

Para o Imazon, a riqueza da Amazônia “vem sendo utilizada de forma predatória com constantes conflitos na disputa pelos recursos naturais. Ao mesmo tempo persistem na região problemas sociais graves e faltam oportunidades de progresso social para a grande maioria da população”. Os pesquisadores destacam ainda que o índice da Amazônia é incompatível com a sua importância estratégica em termos de recursos naturais para o Brasil.



Monte Tavurvur entra em erupção em Papua-Nova Guiné

Autoridades locais retiraram moradores de Rabaul, coberta por cinzas.
Esse vulcão devastou a mesma cidade em 1994.


France Presse

O Monte Tavurvur, um conhecido vulcão do leste de Papua-Nova Guiné, entrou em erupção nesta sexta-feira (29), lançando cinzas incandescentes e provocando a retirada dos habitantes da região, anunciaram as autoridades locais.

O Tavurvur, cuja violenta erupção em 1994 devastou a cidade de Rabaul, na ilha de Nova Bretanha, despertou na madrugada desta sexta-feira (Foto: Oliver Bluett/AFP)O Tavurvur, cuja violenta erupção em 1994 devastou a cidade de Rabaul, na ilha de Nova Bretanha, despertou na madrugada desta sexta-feira (Foto: Oliver Bluett/AFP)

O Tavurvur, cuja violenta erupção em 1994 devastou a cidade de Rabaul, na ilha de Nova Bretanha, despertou na madrugada desta sexta-feira.

As autoridades retiraram os habitantes das localidades mais próximas ao vulcão, incluindo a população de Rabaul, cujas ruas estão cobertas de cinzas.


28 agosto 2014

Manifestantes atacam pessoal sanitário da ONU na Guiné por causa do ebola

Vários funcionários da ONU foram atacados nesta quinta-feira na aldeia de N´Zérékoré, na Guiné-Conacri. Segundo a mídia, um grupo de pessoas armadas com paus e pedras protestou contra a presença do pessoal das Nações Unidas gritando que o ebola não existe.


Voz da Rússia

“Abaixo o ebola! Ebola é falso, é mentira!” gritavam, de acordo com o site Guinée News, que alega uma emissora de rádio local.

O pânico começou no mercado rural, onde os homens da ONU estavam realizando uma inspeção sanitária e uma “pulverização”. Do mercado, o confronto deslocou-se para a entrada do hospital local. A tensão só acabou após a intervenção da polícia.

Segundo o jornal, os carros e as motos dos funcionários da ONU também foram atacados. Os manifestantes acusam o hospital de propagar a doença provocada pelo vírus ebola na região.



26 agosto 2014

Médicos russos criam vacina experimental contra ebola

Foi criada uma vacina experimental contra a febre ebola, que deu os primeiros resultados positivos em testes complementares, declarou à RIA Novosti Veronika Skvortsova, ministra da Saúde da Rússia.


Voz da Rússia

“Da Guiné regressou o primeiro grupo de funcionários do Instituto de Ivanovo do Ministério da Saúde da Rússia e um funcionário do Serviço Federal de Fiscalização na Esfera de Defesa dos Direitos dos Consumidores da Rússia. Conhecemos o que desencadeia a doença e as suas caraterísticas, atualmente temos uma vacina experimental, que passou testes complementares com bons resultados”, afirmou Skvortsova.

A ministra precisou que, neste momento, continuam os testes da vacina criada e que espera que tenham êxito.



Geleiras derretidas poderão inundar a Ásia?

Geleiras do Tibete estão “reaquecendo” no máximo. Nos últimos dois mil anos, a temperatura da fonte principal de água para habitantes da Ásia alcançou valores inéditos, enquanto os ritmos de sua subida registados nos últimos 50 anos ultrapassaram em duas vezes o nível médio mundial, comunicam em relatório de especialistas do Instituto de Estudo do Planalto do Tibete. Em opinião de cientistas, tal fenômeno põe em perigo todos os habitantes da região asiática do planeta por ameaça de desertificação e de outros cataclismos.


Voz da Rússia

No Planalto do Tibete nascem os principais rios da Ásia – o Yangtze e o Huang He, o Bramaputra e a maior artéria fluvial da Península da Indochina – o rio Mekong. De acordo com cientistas, nos últimos 30 anos, as geleiras do Tibete perderam 8000 quilômetros quadrados de superfície, ou seja, 15% do maciço de gelo. Se tudo continuar assim, haverão em breve frequentes inundações e deslizamentos de gelo destrutivos.

Peritos da ONU especializados em mudanças climatéricas vaticinaram esta primavera num encontro em Yokohama um cenário apocalíptico para a humanidade. Foram prognosticadas a morte de milhões de pessoas das regiões costeiras da Ásia em resultado de inundações e a fome por causa da queda do rendimento de cereais devido à fúria dos elementos. Os números estimados são impressionantes – para 2050, as colheitas de milho, arroz e trigo poderão diminuir em 25%, enquanto a população da Terra chegará a 9 bilhões de pessoas.

Além disso, os habitantes das regiões tropicais poderão sentir insuficiência de peixe, porque muitas espécies irão migrar para as águas setentrionais “aquecidas”. Como se estima, o volume de pesca pode diminuir pela metade. Por seu lado, a falta de recursos hídricos e alimentares irá provocar inevitavelmente conflitos entre países e povos, o que significa guerras, mortes e destruições.

No entanto, há quem faça previsões mais moderadas. De acordo com Alexander Yulin, chefe do Laboratório do Regime de Gelo do Instituto russo do Ártico e Antártico o Porém, não assistiremos, possivelmente, a este filme do horror porque o derretimento de geleiras no Tibete tem contudo um caráter local e, ao que tudo indica, provisório. “A Groenlândia é sem dúvida o nosso maior depósito superficial de gelo e só alterações consideráveis dessa geleira podem influir nas mudanças climatéricas. Ao mesmo tempo, as alterações de geleiras alpinas têm um caráter puramente local e não devemos ter medo delas. É evidente que neste ano serão registadas grandes cheias que, por mais triste que seja, poderão provocar vítimas humanas. Mas esse fenômeno não levará a mudanças climatéricas globais”.

No entanto, cientistas chineses apelam a que o governo elabore medidas para diminuir os riscos. Segundo uma versão, a causa principal é a fuligem que se assenta em picos nevados de montes em resultado da utilização maciça de carvão como combustível. Essa fuligem, alegadamente, leva à absorção intensa de raios solares, provocando, respetivamente, o derretimento de gelo no Tibete.

Contudo, no século passado, quando começou a industrialização, foi queimado mais carvão do que agora, quando muitas empresas passam a usar gás, combustível mais ecológico. Na altura, o volume de emissões de CO2 era muito maior e o Tibete continuava a estar coberto por gelo sem problemas, destaca o perito russo. Em sua opinião, as mudanças regionais não estão ligadas diretamente à atividade humana:

“Há aproximadamente 30 anos, foi registada uma queda catastrófica do nível de água nos mares Cáspio e de Aral. Mas, posteriormente, o ciclo climatérico mudou e tudo voltou para trás. Atualmente, o nível de água no Cáspio chegou aos valores antigos. O desabamento que teve lugar no Japão tem sem dúvida uma escala regional, não tendo nada a ver com o clima”.

O clima depende da frequência desses fenômenos, aponta o chefe do Laboratório do Regime de Gelo. É evidente que diferentes cataclismos como furacões, tormentas e inundações se tornaram mais frequentes … Mas eles ocorrem só no período quente do ano, enquanto no período frio tudo passa sem mudanças, tal como era há cem, 200 e mais anos.



Cratera misteriosa de 60 metros intriga fazendeiro na Grã-Bretanha

Proprietário busca explicação para buraco que apareceu após série de barulhos estrondosos no interior da Inglaterra.


BBC

Um fazendeiro em Bishop Auckland, na zona rural do nordeste da Grã-Bretanha, ficou surpreso com uma cratera que surgiu na sua propriedade há poucos dias.

As rachaduras no chão indicam que a cratera, tão alta que se assemelha a um precipício, pode crescer ainda mais nas próximas chuvas. (Foto: BBC)As rachaduras no chão indicam que a cratera, tão alta que se assemelha a um precipício, pode crescer ainda mais nas próximas chuvas. (Foto: BBC)

John Hensby e sua mulher contam que na semana passada ouviram um barulho estrondoso e uma enorme quantidade de pedra e solo sendo engolida 60 metros terreno abaixo.

As rachaduras no chão indicam que a cratera, tão alta que se assemelha a um precipício, pode crescer ainda mais nas próximas chuvas. Veja o vídeo.

O proprietário diz que desde então tem tentado evitar que outras pessoas se aproximem do buraco. Na prática, argumenta Hensby, se alguém se machucar é ele ou a mulher quem vai ter que chamar a ambulância.

ONU adverte que guerra contra ebola será longa e pode levar 6 meses

Médico criticou suspensão de rotas aéreas a países afetados pelo ebola.
Vírus deixou 1.427 mortos em 2.615 casos registrados no oeste da África.


France Presse

O coordenador da ONU no combate ao vírus ebola, David Nabarro, alertou nesta segunda-feira (25) que a luta contra a epidemia é uma "guerra que ainda não foi vencida" e que pode levar seis meses ou mais.

Durante uma entrevista coletiva à imprensa em Freetown, capital de Serra Leoa, Nabarro também lamentou a suspensão das rotas de várias companhias aéreas nos países afetados, o que, segundo ele, torna a missão da ONU "muito mais difícil", até "impossível".

"Nós trabalhamos com medidas excepcionais em seis meses para controlar rapidamente a doença", disse o epidemiologista britânico, ressaltando que "a epidemia de ebola avança em muitas áreas do país".

De acordo com o último registro da Organização Mundial de Saúde (OMS), de 20 de agosto, o vírus ebola deixou 1.427 mortos em 2.615 casos registrados no oeste da África.

"A luta para vencer o Ebola não é uma batalha, é uma guerra, que exige que todos trabalhem juntos, de forma dura e eficaz. Espero que esta guerra termine em seis meses, mas devemos continuar até que chegue ao fim", declarou o Dr. Nabarro, acrescentando: "Nós ainda não vencemos".

Neste combate, uma nova frente se abriu, com a descoberta de um surto em uma área isolada da República Democrática do Congo (RDC), diferente daquele que assola o oeste africano, segundo autoridades de saúde congolesas e internacionais.

A epidemia que foi declarada no início do ano na Guiné, antes de se propagar para Libéria e Serra Leoa, e posteriormente Nigéria, é a mais grave da história desta febre hemorrágica, identificada em 1976 na RDC.

Na Libéria, país mais atingido, o governo anunciou a morte do médico Abraham Borbor, contaminado pelo vírus e que estava sendo tratado com o soro experimental americano ZMapp.

O Japão propôs nesta segunda-feira para o combate ao Ebola o fornecimento de um outro tratamento experimental desenvolvido por uma companhia do país e homologado em março como um antiviral contra a gripe.

Quarentena em 100 km2

Um especialista da OMS em epidemiologia foi contaminado em Serra Leoa, o primeiro entre os quase 400 funcionários da área da saúde mobilizados nos países afetados.

De nacionalidade senegalesa, este especialista deve ser transferido de Freetown para a Europa, segundo o governo do Senegal.

A Europa recebeu no domingo um segundo caso de Ebola, depois de um padre espanhol infectado na Libéria, falecido em 12 de agosto. Trata-se de William Pooley, de 29 anos, um enfermeiro voluntário britânico contaminado em Kenema, no leste de Serra Leoa, epicentro da epidemia.

Internado em uma unidade de isolamento no Royal Free Hospital de Londres, ele soube da infecção no sábado e 'tem boas chances de recuperação', indicou Robert Garry, um médico americano que trabalhou com ele em Kenema.

O oeste africano já não é mais a única região afetada: o vírus Ebola ressurgiu em uma zona remota no noroeste da RDC, o sétimo surto registrado no país, matando 13 pessoas.

A OMS concorda com as autoridades congolesas sobre a natureza isolada desta epidemia, 'totalmente independente do surto no oeste africano', escreveu um funcionário da organização em Kinshasa sob condição de anonimato.

As autoridades congolesas lançaram sua resposta nesta segunda. O ministro do Interior, Richard Muyej, enviou a Kinshasa termômetros a laser para ajudar no controle da doença.

O ministro da Saúde congolês, Félix Kabange Numbi, pediu apoio financeiro à comunidade internacional. Segundo ele, o país tem precisa imediatamente de dois milhões de dólares (1,5 milhão de euros) para lutar contra a doença.

O setor, perto da cidade de Boende - cerca de 800 km a nordeste de Kinshasa -, foi colocado em quarentena em uma área de cem quilômetros quadrados.

No total, pelo menos 11 pacientes foram isolados e mais de 80 pessoas que tiveram contato com os pacientes são acompanhados "por uma equipe especializada".


25 agosto 2014

Costa do Marfim fecha fronteiras com Guiné e Libéria com medo do ebola

Correio do Brasil
Por Redação, com ABr - de Brasília

A Costa do Marfim decidiu fechar as fronteiras com a Guiné e a Libéria, países onde há casos de pessoas infectadas pelo vírus ebola. A decisão, em vigor desde a sexta-feira, insere-se “num quadro restrito de medidas preventivas para proteger as populações, incluindo estrangeiros, que vivem no território costa-marfinense”, disse em comunicado o primeiro-ministro Daniel Kaban Duncan.

Nessa sexta-feira, o secretário-geral do sindicato dos serviços de saúde da Libéria, George Williams, anunciou que todas as regiões do país já foram atingidas pela epidemia, após a confirmação dos primeiros casos mortais no Sudeste, perto da fronteira com a Costa do Marfim.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) contabilizou, até 20 de agosto, 1.427 mortos em 2.615 casos identificados em quatro países da África Ocidental.

A Libéria é o país mais afetado, com 624 mortos em 1.082 casos. Em seguida vem a Guiné, onde foram registados casos a cerca de 150 quilômetros da fronteira com a Costa do Marfim, com 407 mortes.

Serra Leoa (392 mortes) e a Nigéria (cinco mortes) são os outros países afetados pela epidemia.

No dia 11 de agosto, a Costa do Marfim decidiu suspender todos os voos para os países atingidos pela epidemia. Além disso, proibiu a realização de competições esportivas internacionais no país.



24 agosto 2014

Terremoto de 6 graus atinge norte da Califórnia e deixa dezenas de feridos

Duas pessoas ficaram gravemente feridas em Napa, produtora de vinhos.
Terremoto é o mais forte da região em 25 anos.


Do G1, em São Paulo

Um terremoto de 6 graus de magnitude abalou neste domingo (24) a região norte da Califórnia, anunciou o Centro Geológico dos Estados Unidos (USGS). Pelo menos 87 pessoas ficaram feridas, duas delas em estado grave. Além disso, prédios históricos foram danificados, algumas casas sofreram incêndios e a região de Napa ficou sem energia.

Topo de edifício é danificado após terremoto em Napa, na Califórnia, neste domingo (24) (Foto: Eric Risberg/AP Photo)Topo de edifício é danificado após terremoto em Napa, na Califórnia, neste domingo (24) (Foto: Eric Risberg/AP Photo)

O tremor aconteceu às 3h20 locais (7h20 de Brasília) ao noroeste da cidade de American Canyon, no estado da Califórnia, a uma profundidade de 10,8 quilômetros.

O terremoto é o maior tremor registrado na região desde o sismo de 7 graus em Loma Prieta, há 25 anos.

A maioria dos danos ficou centrada em torno de Napa, uma região conhecida pela produção de vinhos e pelo turismo.

Construções de alvenaria no centro de Napa, incluindo o tribunal histórico e a biblioteca, sofreram grandes danos, disseram autoridades da cidade.

"Tudo estava tremendo, as lâmpadas penduradas balançando para frente e para trás", disse Omar Lopez, 24, funcionário da noite em uma pensão em Santa Helena, a 15 minutos de Napa.

Os US Geological Survey (USGS) disse que o epicentro do terremoto foi a oito quilômetros a noroeste da cidade de American Canyon, no extremo norte da baía.

O terremoto foi o maior a atingir a área da baía de San Francisco desde o terremoto de Loma Prieto em 1989.

Califórnia declara estado de emergência

O governador da Califórnia, Jerry Brown, declarou estado de emergência neste domingo na região ao norte que foi sacudida por terremoto. Brown pediu às agências estatais que ajudem nos trabalhos de assistência após o tremor.

"Meu escritório de serviços de emergência esteve completamente ativo desde primeira hora da manhã e está trabalhando estreitamente com os responsáveis de emergência em nível estadual e local para responder ao impacto crítico em estruturas de edifícios", afirmou o governador em comunicado.


Baía de Guanabara - Um mar de lixo e lama: quase R$ 3 bilhões gastos e a poluição persiste

Apesar de programa de saneamento, Baía de Guanabara recebe por segundo 18.400 litros de esgoto não tratado


POR EMANUEL ALENCAR e SELMA SCHMIDT | O GLOBO

RIO - Houve um tempo em que a Praia de Tubiacanga, na Ilha do Governador, tinha areia limpa e era um bom local para um mergulho. Morador da área, Sebastião Batista dos Anjos, de 66 anos, se lembra dessa época. Hoje o cenário é bem diferente: a areia é um lamaçal, coberto de lixo de todo tipo. Já o mar está longe de ser próprio para qualquer um se refrescar: as águas, fétidas, estão repletas de esgoto. Sebastião, que era pescador, se aposentou. Hoje, a pesca é apenas um hobby para ele. E depende da maré — do contrário, não há como o barco vencer a barreira de detritos.

— Por causa da lama, do esgoto e do lixo, só posso ir para o mar quando a maré enche. Antigamente, Tubiacanga tinha areia branca, e eu tomava banho na praia — lembra.


Barcos num ponto do litoral de Niterói conhecido como Buraco do Boi - Custódio Coimbra / Agência O Globo

AGÊNCIA JAPONESA: PROGRAMA “INSASTIFATÓRIO”

O aposentado é um dos 8,46 milhões de fluminenses que moram em áreas de 15 municípios no entorno da bacia do que, há cinco séculos, se convencionou chamar Baía de Guanabara. Decorridos 20 anos da assinatura dos contratos de financiamento do maior programa de saneamento da baía, apenas um quarto do esgoto gerado por moradores da região passa por tratamento em estações. A cada segundo, chegam ao mar aproximadamente 18.400 litros de esgoto doméstico sem qualquer tratamento — três vezes mais em relação à capacidade das oito estações construídas e reformadas desde 1998. Os cálculos foram feitos, a pedido do GLOBO, pelo engenheiro sanitarista Adacto Ottoni, consultor de Meio Ambiente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea), a partir de dados do Plano Estadual de Recursos Hídricos, da Cedae e de informações do engenheiro Francisco Filardi, ex-assessor executivo do Programa de Despoluição da Baía de Guanabara (PDBG).

O GLOBO inicia hoje uma série analisando duas décadas de PDBG, que consumiu R$ 2,79 bilhões de dinheiro público — em valores atualizados, segundo a Secretaria estadual de Fazenda e incluindo os R$ 468,6 milhões ainda devidos aos financiadores —, sem que nenhuma meta fosse cumprida, nem de percentual de esgoto, nem de abastecimento de água ou de gestão de lixo. A principal delas era tratar 58% do esgoto lançado na baía em 1999. Hoje, as estações que deveriam aliviar o mar da carga orgânica operam, em média, com metade da capacidade projetada. O programa, que atravessou sete governos, a partir da gestão de Nilo Batista, ainda tira o sono de auditores da Japan International Cooperation Agency (Jica), que financiou o projeto, junto com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Em relatório de junho de 2013, a Jica é contundente: classificou como “insatisfatório” o programa, a pior entre as quatro graduações possíveis. Disse que “o volume de redução de poluentes não ultrapassou 70% do nível planejado”. E que, apesar de estações de tratamento secundário terem sido construídas, a quantidade de esgoto tratado permaneceu em cerca de 30% do previsto. Em meio a renovações de promessas visando aos Jogos de 2016, especialistas avaliam que o caminho para uma baía — que vai sediar as competições de vela — mais limpa ainda é tortuoso.

— Em saneamento, o Rio ainda está com os pés no século XIX — avalia a engenheira química Dora Negreiros, presidente do Instituto Baía de Guanabara.

Arquiteto, urbanista e um dos idealizadores do PDBG, Manuel Sanches acredita que a má gestão dos recursos impediu que fossem alcançados os avanços esperados. Ele observa, no entanto, que a situação seria “muito pior” sem os frágeis resultados do PDBG:

— O programa teve muitos defeitos, e o BID só autorizou a primeira etapa de quatro previstas.

O Tribunal de Contas do Estado (TCE) fez 42 inspeções no PDBG — a última em 2013. Encontrou irregularidades abundantes, como “incompatibilidade entre serviços estimados e executados”, “cronograma físico-financeiro desatualizado” e “projeto básico inconsistente”. Numa inspeção em 2006, contabilizou 305 contratos vinculados ao programa. Do total, 268 haviam sido concluídos e 17, rescindidos. Vinte ainda estavam em andamento.

CEDAE DIZ QUE TRATA 49,6% DO ESGOTO

A Cedae contestou o cálculo do GLOBO. A empresa não informou o índice de esgoto gerado e tratado, em 1994, pela população do entorno da bacia da baía. Quanto ao tratamento atual, diz que alcança 49,6%. A companhia considera que são despoluídos 9.862 dos 19.853 litros gerados por segundo. A empresa usa como base a geração diária de 200 litros de esgoto per capita (a projeção usada pelo técnico do Crea é de 250 litros) e inclui a parcela que vai para o emissário submarino de Ipanema (3.300 litros por segundo). O estudo referendado pelo Crea, porém, excluiu todos os moradores da Zona Sul atendidos pelo emissário, que funciona desde 1977, só considerando, nas projeções de 1994 e 2014, a população cujo esgoto segue para a baía.

O presidente da Cedae, Wagner Victer, reconhece que o PDBG enfrentou erros primários, mas alega que a gestão atual colocou em operação as estações de Alegria (2009), Sarapuí (2011) e Pavuna (2014).


Nível do Sistema Cantareira cai para 12% e do Alto Tietê, para 16,9%

Represas que abastecem a Grande São Paulo continuam a registrar queda.
Sabesb recebeu autorização para captar segunda cota do volume morto.


Do G1 São Paulo

O nível do Sistema Cantareira, conjunto de represas que abastecem parte da Grande São Paulo, voltou a cair neste domingo (24). De acordo com a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) o volume de água armazenado no reservatório é de 12%, dois décimos a menos do que foi registrado no sábado (23), em que o nível atingia 12,2%.

O Sistema Alto Tietê, que também abastece parte da Grande São Paulo, também registrou queda. No sábado o nível das represas chegava a 17,1%. Neste domingo os reservatórios registraram nível de 16,9%.

Volume morto

A Sabesp informou que recebeu autorização da Agência Nacional de Águas (ANA) e do Departamento Estadual de Água e Energia Elétrica (DAEE) para iniciar a obra de captação da segunda cota da reserva técnica do Sistema Cantareira, conhecido como volume morto. A Sabesp, no entanto, não deu detalhes sobre inicio dos trabalhos, custo e começo da captação.

O pedido foi feito aos órgãos reguladores pela companhia em julho e prevê o uso de mais 116 bilhões de litros de água. O Sistema Cantareira é o principal fornecedor de água da Grande São Paulo e da capital paulista.

A crise hídrica é resultado da maior estiagem dos últimos 84 anos. Julho foi o sexto mês do ano em que choveu abaixo da média histórica na região dos reservatórios do sistema, segundo dados divulgados pela Sabesp.

Sem dar detalhes sobre as obras e início do uso da segunda cota da reserva técnica, a Sabesp informou apenas que os volumes de captações futuras serão objeto de discussão no âmbito do Grupo Técnico de Assessoramento para Gestão do Sistema Cantareira (Gtag) para recomendação aos órgãos gestores. A assessoria de imprensa da ANA confirmou ao G1 que foi dada a autorização para as obras.

O Sistema Cantareira abastece cerca de 9 milhões de consumidores na Grande São Paulo. As represas vêm secando nos últimos meses e, desde o final do ano passado, a falta de chuvas leva a capacidade a níveis alarmantes. O volume morto começou a ser explorado em 15 de maio, quando 182,5 bilhões de litros foram retirados da reserva técnica do sistema, localizada abaixo das comportas e que conta com um total de 300 bilhões de litros.

Na época do início do bombeamento da água do fundo dos reservatórios, o nível saltou de 8,2% para 26,7% da capacidade total do sistema, e água do volume morto foi incorporada ao volume útil. A reserva nunca havia sido utilizada antes porque as bombas não captam nessa profundidade.

Para retirar essa água, a Sabesp construiu uma tubulação de três quilômetros e meio e nela instalou 17 bombas flutuantes. A obra foi orçada em R$ 80 milhões.

A ANA divulgou previsão de que a água no Sistema Cantareira dura até novembro deste ano. Segundo o governo estadual em São Paulo, o volume morto garante o abastecimento até março de 2015. A expectativa é que a estação de chuvas, a partir de outubro principalmente, possa reverter o atual quadro.

Outras medidas

O governo de São Paulo tenta alternativas para minimizar a perda de água no Sistema Cantareira. Desde 1° de abril, o estado oferece um "bônus" para quem economizar água em 31 cidades da Região Metropolitana de São Paulo. Os consumidores que reduzem em 20% o uso da água em relação à média mensal têm desconto de 30% no valor da conta.

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) disse não ver "necessidade" na aplicação de multa a moradores que consumirem água em excesso. Alckmin tinha anunciado a sobretaxa em 21 de abril para moradores abastecidos pelo Sistema Cantareira caso registrassem aumento no consumo de água. A cobrança estava prevista para começar em maio, mas não foi aplicada desde então.

O governo tenta fazer com que outros sistemas que abastecem a Grande São Paulo possam enviar água também a consumidores hoje abastecidos pelo Sistema Cantareira. Segundo a Sabesp, não há racionamento de água na região e Alckmin classificou como "atitude irresponsável" a implantação do rodízio. A afirmação contrasta com o que afirmam moradores de determinadas regiões, em especial, de bairros altos da Zona Norte da cidade.

Alckmin também defendeu a redução na vazão de água em usina hidrelétrica instalada no Rio Jaguari. O rio, que faz parte da bacia do Paraíba do Sul, abastece cidades em Minas Gerais e no Rio de Janeiro. Na semana passada, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) notificou a Companhia de Energia de São Paulo (Cesp) por descumprir determinação de elevar a vazão.

Isso, segundo a Aneel, pode colocar em risco o sistema de geração de energia da Light. "Primeiro o abastecimento humano de água, depois o abastecimento de animais e depois os demais itens", completou o governador de São Paulo.