08 agosto 2014

Índios acusam polícia de cobrar propina para liberar garimpo no Pará

Índios kayapós acusam policiais civis e militares do Pará de cobrar propina para liberar o garimpo ilegal de ouro nos limites da Terra Indígena Kayapó, no município de Ourilândia do Norte, no sudeste paraense.


por João Fellet* da BBC Brasil

A denúncia foi feita na quarta-feira da semana passada (23 de julho) em uma reunião entre líderes kayapós e autoridades na sede da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Tucumã, município vizinho a Ourilândia do Norte.

A região enfrenta um surto de garimpo que tem poluído rios e destruído vastas áreas de floresta em um dos últimos redutos de mata nativa no sudeste do Pará.

"A PM e a Civil vão toda sexta no rio Branco e no rio Fresco para receber um grama e meio (de ouro) por cada balsa", disse, na reunião, o cacique Niti Kayapó, da aldeia Kikretu.

Segundo a Funai, os garimpeiros operam nos dois rios cerca de 90 balsas. Os equipamentos reviram o solo dos rios em busca do metal.

Levando em conta o preço atual do grama do ouro (R$ 93), a coleta renderia à polícia, segundo a denúncia, R$ 12.510 por semana, ou cerca de R$ 50 mil por mês.

O cacique não informou se o valor era dividido entre as polícias Civil e Militar ou se cada uma arrecadava esses valores individualmente.

Segundo Niti, os agentes chegam até os garimpeiros em viaturas policiais por uma estrada vicinal. Outros índios confirmaram a denúncia no encontro.

Presente na reunião, o primeiro tenente da PM paraense Bruno Gama Pereira disse que a polícia abriria um inquérito para apurar a denúncia.

Pereira afirmou que, caso a investigação encontre indícios de que de fato houve pagamento de propina, os agentes serão julgados pela Justiça Militar.

Segundo ele, a corregedoria da PM se encarregaria da ação.

A Corregedoria da Polícia Civil do Pará diz que também apurará o caso. Responsável pelo órgão, a delegada Nima Lima afirmou que ainda não foi comunicada da denúncia, mas que procuraria a Funai para obter a ata da reunião e dar início à investigação.

Garimpo descontrolado

A Terra Indígena Kayapó convive com surtos esporádicos de garimpo há décadas. Segundo a Funai, porém, a atividade alcançou níveis sem precedentes nos últimos meses.

A coordenadora-geral de monitoramento territorial da Funai, Thaís Dias Gonçalves, diz que o território é a área indígena do país onde o garimpo está mais descontrolado.

O território – que ocupa cerca de 33 mil quilômetros quadrados, área equivalente à de Alagoas e do Distrito Federal somados – é quase inteiramente coberto por mata nativa, mas a floresta vem sendo destruída rapidamente pelo garimpo.

Segundo a Funai, há cerca de 5 mil garimpeiros na área – o equivalente a quase um terço da população indígena residente (16 mil).

A BBC Brasil acompanhou uma operação contra o garimpo na área na semana passada. De helicóptero ou avião, veem-se as enormes clareiras com lagos artificiais abertos pelas escavadeiras.

Algumas frentes de garimpo têm dezenas de quilômetros quadrados.

Agentes da Funai e o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) desceram em alguns pontos e deram prazo de dez dias para que os garimpeiros deixassem a área.

Os órgãos afirmam que, ao fim do prazo, voltarão ao local para destruir equipamentos e expulsar garimpeiros que tenham permanecido.

* Enviado da BBC Brasil a Ourilândia do Norte (PA)



Usina vai transformar em gás natural lixo produzido por oito municípios do Rio

por Alana Gandra da Agência Brasil

A Usina de Tratamento de Biogás do Aterro Dois Arcos, inaugurada hoje (4) pelo governo do Rio em São Pedro da Aldeia, em conjunto com as empresas Osafi e Ecometano, vai transformar em gás natural cerca de 600 toneladas de lixo produzidas diariamente por oito municípios da Região dos Lagos, que formam o consórcio que construiu o aterro sanitário. São eles: São Pedro da Aldeia, Búzios, Iguaba Grande, Arraial do Cabo, Cabo Frio, Casimiro de Abreu, Silva Jardim e Araruama. O projeto recebeu investimento de R$ 18 milhões.

A usina ainda não está ligada à rede da Companhia Estadual de Gás do Rio de Janeiro (CEG-Rio), e, até que o gasoduto seja construído, o biogás produzido no local será comprimido e entregue a um consumidor industrial. Também nesta fase inicial, o gás obtido vai abastecer os caminhões que fazem o recolhimento do lixo e os veículos da própria companhia, que funcionarão com gás natural veicular (GNV).

“Depois, quando o gasoduto estiver pronto – são quatro quilômetros, que devem ficar prontos entre março e abril de 2015 – este gás vai ser misturado com gás da CEG-Rio”, adiantou a coordenadora do Programa Rio Capital da Energia, Maria Paula Martins. A distribuição do produto aos consumidores será feita sem custos adicionais, segundo ela. “O consumidor não vai distinguir que está consumindo uma mistura [de gás natural e biogás], nem tem mudança no preço”. De início, a produção diária será de 6 mil metros cúbicos de gás e, em oito anos, deve chegar a 20 mil metros cúbicos, com produção estimada de 5 milhões de metros cúbicos de biogás purificado por ano.

Maria Paula lembrou os benefícios ao meio ambiente e disse que a usina vai evitar o lançamento na atmosfera de cerca de 470 mil toneladas de dióxido de carbono até 2020 e poderá gerar créditos de carbono, que serão emitidos pela Organização das Nações Unidas (ONU). “Tem um aproveitamento nobre. O setor energético é caro, e a gente acaba usando [o lixo] de forma produtiva para a empresa”, avaliou.

De acordo com o pesquisador do Instituto Luiz Alberto Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Luciano Basto, o Brasil economizaria cerca de R$ 32 bilhões por ano se reaproveitasse todo o lixo produzido. Se a conta incluir os resíduos da pecuária confinada e da agricultura, a economia ultrapassaria R$ 100 bilhões anuais.

O tratamento e destinação adequadas dos resíduos também resolvem questões sanitárias. O gás que seria naturalmente produzido e iria poluir a atmosfera é armazenado para aproveitamento energético. Na forma de gás, como produzido na Usina de Tratamento de Biogás do Aterro Dois Arcos, a utilização é bastante flexível, segundo Basto. “Pode servir para geração elétrica no local ou fora, transportado por caminhões; para fins veiculares; e até para injeção na tubulação de gás que distribui pelo estado. Aí, pode ser usado para comércio, indústria, residência”, listou.

Na avaliação do pesquisador da Coppe-UFRJ, o caminho economicamente viável e ambientalmente mais adequado “é pensar na substituição de combustível veicular, porque o Brasil é importador de diesel e gasolina, que podem ser substituídos por biometano”. De acordo com Batso, este gás tratado é competitivo do ponto de vista financeiro na comparação com combustíveis líquidos. “Para a balança comercial do país, pode ser muito interessante e mais vantajoso esse caminho”, disse à Agência Brasil. O combate ao desperdício, por meio da substituição de combustíveis importados, seria um ganho de produtividade imediato, segundo o pesquisador.

Apesar das vantagens dos aterros, Basto destacou que, como os resíduos sólidos são um problema que a sociedade tem que resolver com urgência, é preciso buscar novas tecnologias de tratamento para substituição dos aterros, que são difíceis de licenciar. A partir daí, segundo o pesquisador, poderá haver sistemas de biodigestão que comecem tratando o lixo, mas sirvam também para os resíduos da pecuária confinada e da agricultura. “Isso se caracteriza como um mercado gigantesco no Brasil, que sempre continuará a ser produtor e exportador de produtos agropecuários”, avaliou.


07 agosto 2014

Libéria declara estado de emergência por ebola

Epidemia representa ameaça à segurança do país, diz presidente.
Estado de emergência deve durar 90 dias.


Do G1, em São Paulo

A presidente da Libéria, Ellen Johnson-Sirleaf, declarou nesta quarta-feira (6) estado de emergência para combater um surto de ebola, dizendo que a escala da epidemia representa uma ameaça à segurança do país.

“O governo e povo da Libéria requerem medidas extraordinárias para a sobrevivência do nosso Estado e a proteção das vidas da nossa população”, disse em comunicado oficial, informa a agência Reuters.

“Eu aqui declaro efetivo estado de emergência em toda a República da Libéria a partir de 6 de agosto de 214 por um período de 90 dias.”

Pelo menos 932 pessoas morreram vítimas do vírus ebola desde março na África Ocidental, em um total de 1.711 casos registrados, segundo divulgou a OMS. A doença pode ser transmitida pelo contato direto com fluidos de uma pessoa infectada. Os sintomas incluem febre, diarreia, vômitos, ou sangramento.

Libéria, Serra Leoa e Guiné são os três países mais afetados pelo surto na África Ocidental. O alarme global com a propagação da doença aumentou quando o norte-americano Patrick Sawyer morreu na Nigéria no mês passado depois de passar pela Libéria.

Neste país o saldo de mortos cresce mais rápido e o governo está com dificuldades para lidar com o problema. Muitos moradores estão em pânico e, em alguns casos, abandonam os corpos de familiares nas ruas de Monróvia para evitar quarentenas, segundo a Reuters.

Nesta quarta e quinta-feira, o Comitê de Emergências da Organização Mundial da Saúde (OMS) organiza uma reunião sobre a epidemia de febre hemorrágica do ebola para decidir se o problema representa uma "emergência de saúde pública de alcance mundial".

O comitê anunciará a conclusão na manhã de sexta-feira (8).

A OMS também disse que deverá promover um encontro de especialistas em ética médica na próxima semana, para discutir as implicações de tornar tratamentos com droga experimental acessíveis mais amplamente.

Diferentes veículos da imprensa americana noticiaram nesta segunda que os dois americanos infectados pelo ebola na África Ocidental, -- o médico Kent Brantly e a missionária Nancy Writebol -- teriam recebido uma droga experimental chamada ZMapp, produzida por uma pequena empresa californiana, para combater a doença mortal.

Três dos maiores especialistas mundiais em ebola exortaram a OMS a também oferecer drogas experimentais às pessoas no oeste africano, mas a agência afirmou que “não irá recomendar qualquer droga que não passou pelo processo normal de licenciamento e testes clínicos”.

O presidente doa Estados Unidos, Barack Obama, declarou nesta quarta acreditar que não há informações suficientes para liberar uma droga promissora para tratar o vírus mortal e que a resposta inicial deve se concentrar em medidas de saúde pública para conter o surto.

"Temos que deixar que a ciência nos guie e eu não acho que exista toda a informação sobre se esta droga é útil", disse o presidente em entrevista coletiva. "O vírus ebola, atualmente e no passado, é controlável se você tem uma forte infraestrutura de saúde pública em vigor."


Atividade humana aumentou nível de mercúrio nos oceanos, diz estudo

Pesquisa fez medições no Atlântico, Pacífico, Ártico e Antártico.
Mercúrio é elemento que se dispersa rapidamente pela atmosfera.


EFE

O nível de mercúrio em algumas zonas dos oceanos triplicou como consequência da atividade humana nos últimos séculos, segundo um estudo publicado nesta quarta-feira (6) pela revista "Nature".

A partir de medições recentes nos oceanos Atlântico, Pacífico, Ártico e Antártico, os cientistas estimam que a quantidade total de mercúrio procedente de atividade humana dissolvido nos mares da Terra é de 290 milhões de mols (medida de quantidade de matéria que equivale a seiscentos e dois sextilhões de moléculas), com uma margem de erro de 80 milhões.

As conclusões indicam que a intervenção humana no ciclo natural do mercúrio ocasionou um aumento de cerca de 150% do elemento na camada de água termoclina, aquela que marca a fronteira do oceano profundo, e a um aumento de mais de três vezes em águas superficiais.

Segundo os pesquisadores, dois terços do mercúrio se concentram a menos de mil metros de profundidade.

Os novos cálculos situam a concentração de mercúrio em um ponto médio em relação às estimativas teóricas publicadas até agora, que estimavam a quantidade desse elemento no oceano entre 36 milhões e 1,3 bilhões de mols.

O mercúrio é um elemento extremamente volátil que se dispersa rapidamente pela atmosfera, onde se mantém durante meses antes de se depositar sobre os oceanos.

O material metálico é liberado de forma natural em erupções vulcânicas e pela erosão de rochas devido ao vento e a água, apesar da atividade humana ter alterado este ciclo e feito com que aumentassem os níveis de mercúrio no meio ambiente.

"A combustão de carvão, as extrações de ouro, a produção de cimento e a incineração de lixo contribuíram para esse aumento", explicou à Agência EFE Carl Lamborg, geoquímico da Instituição Oceanográfica Woods Hole (EUA) e responsável pelo estudo.

Os compostos de mercúrio inorgânicos, que no passado eram utilizados como fungicidas, antissépticos e em remédios, deram lugar ao chamado mercúrio metílico, o composto orgânico do mercúrio mais frequente no meio ambiente e um elemento tóxico que pode se acumular na cadeia elementar.

O responsável pelo estudo ressaltou que a quantificação do mercúrio total acumulado na água dos oceanos ajudará a compreender melhor o processo pelo qual se forma o mercúrio metílico e se contamina a vida marinha.

"Apesar de acharmos que o mercúrio aumentou na água dos oceanos, não sabemos o suficiente sobre o processo de biomagnificação (acumulação de tóxicos na cadeia emissora trófica) para afirmar que nos peixes também aumentou e que portanto representa um perigo", afirmou Lamborg.

"A hipótese inicial mais lógica é pensar que os peixes seguiram o mesmo caminho que a água do oceano, mas ainda temos que provar", acrescentou o geoquímico.

06 agosto 2014

Nigéria confirma novos casos de ebola e duas mortes

Casos são concentrados em Lagos, segundo o governo local.
Epidemia já causou quase 900 mortes em quatro países.


France Presse

A Nigéria confirmou nesta quarta-feira (6) cinco novos casos de ebola em Lagos e uma segunda morte pelo vírus, o que eleva o total de casos na maior cidade da África subsaariana a sete.

"A Nigéria registrou sete casos confirmados do vírus ebola", afirmou o ministro da Saúde, Onyebuchi Chukwu, após a confirmação de um segundo caso na segunda-feira (4).

Os mortos no país são um liberiano que chegou infectado a Lagos em 20 de julho e uma enfermeira que atendeu o paciente, segundo o ministro.

"Todos os nigerianos diagnosticados com o vírus ebola foram contatos primários de Patrick Sawyer, que trabalhava para o ministério das Finanças da Libéria e foi contagiado por sua irmã", explicou Chukwu.

Sawyer viajou a Nigéria, o país de maior população do continente africano, para participar em uma reunião de políticos do oeste da África.

Ele morreu em quarentena no dia 25 de julho e, desde então, o hospital no qual ficou internado foi isolado.

Os cinco pacientes com ebola são atendidos em um local isolado em Lagos, informou o ministro.

Desde o início do surto da doença, há alguns meses, a febre hemorrágica provocou a morte de quase 900 pessoas e infectou mais de 1.600 na África ocidental. Os outros casos foram registrados em Guiné, Libéria e Serra Leoa.

Filhote da gorila Lou Lou nasce no Zoológico de Belo Horizonte

Segundo fundação, gorila é o 1º nascido em cativeiro na América do Sul.
Parto ocorreu na madrugada desta terça-feira (5).


Do G1 MG

Nasceu na madrugada desta terça-feira (5) o primeiro filhote de gorila da América do Sul, segundo a Fundação Zoo-Botânica de Belo Horizonte. A cria é de Lou Lou. A gestação durou nove meses, mas foi anunciada em fevereiro deste ano. Como o filhote fica agarrado à mãe após o nascimento, ainda não foi possível a identificação do sexo.


Cria é do casal de gorilas Leon e  Lou Lou. (Foto: Suziane Fonseca/ Fundação Zoo-Botânica)Cria é do casal de gorilas Leon e Lou Lou. (Foto: Suziane Fonseca/ Fundação Zoo-Botânica)

O pai é o gorila Leon. Ele chegou ao zoológico em outubro de 2013 para ocupar o lugar de Idi Amin, que foi um dos moradores mais ilustres do zoológico da capital mineira, por mais de 30 anos. Leon veio da Espanha para formar uma família com Lou Lou e a outra fêmea Imbi.

Ainda de acordo com a fundação, tanto Lou Lou quanto o filhote passam bem. Eles ficarão em repouso nos próximos dias. A direção do órgão informou que os animais continuarão tendo acesso a todas as áreas do cativeiro, mas a tendência é que a fêmea se isole com seu filhote buscando locais onde se sinta mais segura. Isso deve dificultar a visualização do público. O planejamento do zoológico é que o nome seja escolhido por eleição do público.

Imbi também está grávida e, segundo a fundação, deve ter o filhote até, no máximo, final de outubro. O grupo foi formado para dar continuidade à espécie dos gorilas da planície, que está em extinção.


05 agosto 2014

Contador de árvores do estado do RJ é instalado no Jardim Botânico

Meta é plantar 18 milhões de mudas para compensar emissões de megaevento


eCycle

Atualmente, há uma meta no estado do Rio de Janeiro de plantar 18 milhões de mudas de árvore. Isso significa restaurar seis mil hectares de áreas degradadas. Para auxiliar o desempenho, a Secretaria de Estado do Ambiente (SEA) instalou um painel eletrônico que contabiliza os números de plantios.

O contador foi colocado em um muro da Fundação Jardim Botânico, que é um grande ponto turístico da capital fluminense. O sistema, instalado sobre uma planta, está interligado a um site interativo em que a população pode registrar suas contribuições e acompanhar as estatísticas em todo o estado, sabendo inclusive quem realizou o plantio, em qual cidade e de qual espécie.

A meta estabelecida partiu de um estudo da consultoria MGM Innova, contratada pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e pela SEA. Ela partiu do nível de emissões de gases-estufa que a cidade terá devido à realização das Olimpíadas do Rio de 2016. O compromisso foi estabelecido pelos governos federal, estadual e municipal do Rio com o Comitê Olímpico Internacional (COI).

Das 18 milhões de mudas que devem ser plantadas, 16 milhões serão espécies nativas da Mata Atlântica e 2,5 milhões serão seringueiras. Clique aqui para saber a evolução do plantio.

Submarino remoto filma monte submerso

Especialista de universidade escocesa diz que diversidade da vida marinha na região está ameaçada por mudança do clima.


BBC

Um submarino controlado remotamente investigou um dos ecossistemas menos conhecidos da Grã-Bretanha: uma montanha submarina na costa da Escócia.

O monte, de 1 mil metros de altitude, fica totalmente submerso no Oceano Atlântico, na costa oeste da Escócia.

A equipe coordenada pelo professor J Murray Roberts, da universidade Heriot-Watt, em Edimburgo, registrou 109 espécies nas encostas da montanha.

O resultado do estudo foi publicado na revista científica Scientific Reports.

O professor Roberts liberou as imagens gravadas pelo equipamento para a BBC.

Áreas produtivas

"Essas montanhas são interessantes porque surgem no oceano e têm encostas muito íngremes. Quando as correntes se chocam contra essas colinas e remexem os nutrientes, elas se transformam em áreas muito produtivas", afirmou ele.

A equipe de Roberts montou sua base sobre um navio, enquanto o robô-submarino explorava as profundezas.

Entre as espécies observadas estão "estranhos" organismos unicelulares gigantes chamados xenofióforos.

Eles constroem estruturas grudando grãos de areia. Além disso, foram filmados um polvo e espécies incomuns de corais nas águas frias do Atlântico Norte.

Alguns dos corais serviam de abrigo às ovas de uma espécie ameaçada de tubarão cação.

Um dos principais objetivos dos estudiosos foi monitorar os bancos de corais, que são muito vulneráveis às mudanças climáticas.

Muitos deles vivem há centenas ou até milhares de anos, mas algumas estimativas preveem que eles serão totalmente destruídos até o fim do século.

"A velocidade na qual os oceanos estão mudando é incomparável com qualquer outra fase na história evolucionária dos corais", afirmou Roberts.

"A liberação de dióxido de carbono na atmosfera está mudando a química dos oceanos, e a previsão para o Atlântico é de que os corais serão expostos a águas mais ácidas que vão dissolver os seus esqueletos."

O especialista disse ainda que os sistemas ameaçados pelas mudanças têm "grande valor para a sociedade", lembrando que substâncias extraídas de organismos encontrados apenas nas profundezas do oceano vêm sendo usadas em pesquisas para tratamentos de doenças como câncer e malária.


03 agosto 2014

Forte terremoto deixa mais de 170 mortos na China

Segundo a agência chinesa Xinhua, mais de 175 pessoas morreram.
Tremor foi registrado a 11 km da cidade de Wenping.


Do G1, em São Paulo

Um terremoto de magnitude de 6,1 atingiu o sudoeste da China neste domingo (3), segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). De acordo com a agência chinesa Xinhua, mais de 175 pessoas morreram e 1,3 mil ficaram feridas.

O Centro de Terremotos da China registrou que o tremor teve magnitude de 6,5. Segundo a Xinhua, 181 pessoas estão desaparecidas.

Foto mostra destruição causada por terremoto em Ludian, na China (Foto: China Daily/Reuters)Foto mostra destruição causada por terremoto em Ludian, na China (Foto: China Daily/Reuters)

Pelo menos 122 mortes aconteceram no distrito de Ludian, no epicentro do terremoto, de acordo com o governo local. Outras 53 pessoas morreram em Qiaojia.

Mais de 12 mil casas foram destruídas e 30 mil danificadas.

O epicentro do terremoto foi registrado a uma profundidade de 10 km e a 11 km da cidade de Wenping.

O tremor aconteceu às 16h30 no horário de Pequim (5h30, pelo horário de Brasília).

O terremoto derrubou e causou dano a muitos edifícios, em particular nas construções mais antigas e residenciais, detalhou a Xinhua. A mídia estatal chinesa disse que o abalo foi sentido mais fortemente Yunnan, assim como nas províncias vizinhas de Guizhou e Sichuan.

Oficiais de polícia e paramilitares já se deslocaram para a região, e começaram a montar duas mil barracas, levando três mil camas e três mil cobertores.

A administração provincial de Yunnan enviou uma equipe de emergência de 30 pessoas ao epicentro do terremoto para avaliar a situação.

Segundo o jornal "South China Morning Post", o tremor pôde ser sentido em cidades próximas, como a capital provincial, Kunming, além de em Chongqing, Leshan e Chengdu, na província vizinha de Sichuan.

Zhaotong fica a 300 quilômetros de Kunming, capital provincial, onde em setembro de 2012, um terremoto de magnitude 5,7 causou mais de 80 mortos e feriu mais de 800 pessoas.

O sudoeste da China é uma zona de frequente atividade sísmica e, nesta época do ano, também sofre com chuvas intensas, como as que no mês passado causaram inundações e deslizamentos de terra.


Terremotos no país liberaram energia de 20 bombas atômicas, diz professor

Aposentado da UnB, ele diz que registros acontecem uma vez por semana.
MG lidera número de casos; João Câmara (RN) registrou maiores prejuízos.


Raquel Morais
Do G1 DF

Parece estranho para quem acredita que o Brasil está imune a esse tipo de evento, mas abaixo dos nossos pés, e em uma frequência maior do que a que estamos acostumados a ouvir, também nasce aquilo que deixa o mundo todo em polvorosa: terremotos. Ex-chefe do Observatório Sismológico da Universidade de Brasília, o professor aposentado José Alberto Vivas Veloso diz que há pelo menos um tremor a cada sete dias no país e que eles nem sempre são tão inofensivos assim.

Mapa mostra registro de terremotos no Brasil; cada ponto vermelho indica um tremor (Foto: Reprodução)Mapa do Sistema Nacional de Registros Sísmicos mostra terremotos no Brasil; cada ponto vermelho indica um tremor (Foto: Sisbra/Reprodução)

"É raro decorrer uma semana sem o registro de algum abalo sísmico no país, mas, geralmente, ele será um evento pequeno e poderá passar despercebido pelas pessoas”, disse ao G1. "Pode-se comparar o montante da energia liberada durante a ocorrência de um terremoto com uma explosão nuclear, mas apenas de forma aproximada. Assim, estimamos que todos os terremotos já registrados no Brasil liberaram energia equivalente a cerca de 20 bombas como a de Hiroshima [lançada pelos EUA no Japão durante a 2ª Guerra Mundial, matando 140 mil pessoas].”

Dados do Sistema Nacional de Registros Sísmicos apontam que Minas Gerais lidera o número de casos, com 2.599 tremores. O estado é seguido pelo Mato Grosso, que já contabilizou 1.304 terremotos, e Rio Grande do Norte, com 1.245. As medições no país começaram em 1827, com a criação do Observatório Nacional, e até agora chegam a quase 8 mil. A intensidade dos abalos é avaliada por meio da escala Richter – uma escala logarítmica de base 10, que atribui um número de 1 a 9 para quantificar a energia liberada por um sismo.

Em geral, eles começam a ser sentidos pela população quando ultrapassam os 3 pontos. Nessa faixa, já são capazes de mover mobílias e derrubar objetos de prateleiras, além de quebrar pratos e janelas e balançar sinos de igrejas. Árvores e arbustos também sofrem oscilações.

Quando atingem magnitude igual ou maior que 5, os terremotos causam trincas e conseguem derrubar construções mais frágeis. O último deles aconteceu em abril de 2008, em São Vicente (SP). O tremor, de índice 5,2 e epicentro no mar, produziu pequenas rachaduras em paredes da capital paulista e provocou o deslocamento de uma adutora em Mogi das Cruzes, deixando mais de 20 mil pessoas sem água.

"As estatísticas mostram que, para todo o Brasil, acontece um terremoto de magnitude igual ou maior a 5 a cada cinco anos, em média, e um de magnitude 7 só a cada 500 anos", explica Veloso. "Os dois maiores tremores registrados atingiram magnitudes 6,1 e 6,2 e aconteceram em 1955. Apesar de tal magnitude ser considerada moderada, um sismo deste tamanho pode produzir muito estrago dependendo de onde aconteça e das condições geológicas locais e da qualidade das construções da área atingida."

“Vivemos no meio de tanto progresso científico que é difícil explicar por que os terremotos ainda não podem ser previstos. Isso não significa que nada pode ser feito”, diz o especialista. “[No entanto] Esta previsão, chamada de longo prazo, não traz benefícios imediatos para quem está sujeito a ocorrência de grandes terremotos. Na prática, o que se quer saber é, por exemplo, onde acontecerá um grande terremoto nos próximos dois meses. Mas ninguém sabe responder isso com segurança.”

O registro mais antigo que se tem de terremoto no Brasil é de 1720, em Salvador (BA) – ele não chegou a ser mensurado por aparelhos. E, desde então, houve um único caso comprovado de morte no país por causa de abalos sísmicos: um tremor de magnitude 4,9 ocorrido em Caraíbas (MG) provocou o desabamento de casas. O madeiramento do telhado de uma delas atingiu uma menina de 5 anos, que não resistiu aos ferimentos.

Atualmente, os pesquisadores têm se dedicado a acompanhar a atividade da região de Montes Claros (MG). Somente em abril passado, foram quatro ocorrências. Os mais intensos foram sentidos no dia 6: 3,9, às 10h39, e 3,8, às 16h31.

Tremores ininterruptos

Mais de 400 mil indianos enfrentam risco de inundação no Nepal

Deslizamento bloqueou rio Sunkoshi, que corre até a Índia.
Pelo menos nove pessoas morreram devido ao incidente no Nepal.


Reuters

Mais de 400 mil pessoas no leste da Índia enfrentam o risco de inundações após um deslizamento de terra que matou pelo menos nove pessoas no vizinho Nepal, disse uma autoridade do governo indiano neste domingo (3), enquanto milhares estavam sendo retirados de suas cidades.

O deslizamento decorrente de fortes chuvas deixou dezenas de pessoas desaparecidas e criou uma barragem de lama bloqueando o rio Sunkoshi, que corre até o estado indiano de Bihar como rio Kosi.

O temor é de que enquanto o Nepal tenta abrir caminho através do deslizamento de terra para limpar a área, isso vá desencadear uma torrente de água pelo densamente populado estado de Bihar.

Cerca de 425 mil pessoas podem ser afetadas pelas inundações e as autoridades já evacuaram 44 mil pelos sete distritos de Bihar, disse Ashok Kumar, autoridade da unidade de gerenciamento de desastres do estado.

"Estamos tirando as pessoas da área onde a água deve chegar", disse Kumar. Ele acrescentou que 117 campos de refugiados foram criados na região até agora.

Em alguns locais as autoridades tiveram que forçar as pessoas a deixar suas casas, disse S.S. Guleria, vice-inspetor geral da Força Nacional de Resposta a Desastres.

Lago misterioso aparece no deserto da Tunísia

Águas surgiram na região de Gafsa há três semanas.
Autoridades emitiram alerta; mas moradores usam local como piscina.


Do G1, em São Paulo

Um lago misterioso apareceu no deserto da Tunísia no mês de julho, criando um novo local de lazer para moradores locais e despertando curiosidade sobre sua formação.

Atividade sísmica pode ter levado uma porção de água subterrânea a chegar à superfície (Foto: Reprodução/Facebook/LAC de GAFSA)Atividade sísmica pode ter levado uma porção de água subterrânea a chegar à superfície (Foto: Reprodução/Facebook/LAC de GAFSA)

O local foi descoberto por pastores há cerca de três semanas. No início, o lago era azul, mas com o passar do tempo se tornou verde, com grande presença de algas, gerando um questionamento sobre uma possível contaminação de suas águas, segundo o jornal “Daily Mail”.

Apesar disso, a praia de Gafsa, como passou a ser chamado o local, passou a ser muito utilizada pelos moradores locais, que usam suas aguas para se refrescar do forte calor. Na região, as temperaturas chegam a 40ºC.

Ainda não houve nenhuma explicação para o surgimento do lago, mas alguns especialistas sugeriram que uma atividade sísmica possa ter levado uma porção de água subterrânea a chegar à superfície.

O escritório de Segurança Pública de Gafsa emitiu um alerta ao público avisando que o lago é perigoso e não apto para o mergulho, mas isso não interrompeu o uso das águas pelos locais.