02 agosto 2014

Cheia em Humaitá invade escolas e 15 mil alunos ficam sem aula no AM

92 escolas ficaram submersas; atraso de 3 meses em calendário é desafio.
Segundo a Seduc, 571 escolas estaduais já estão funcionando no AM.


Diego Toledano
Do G1 AM

Com a maior cheia da história do Rio Madeira, 15 mil estudantes ficaram sem aula em Humaitá, no Sul do Amazonas, após as escolas serem invadidas pelas águas. Os problemas começaram em abril, e os alunos ficaram quase três meses sem aula. Uma unidade foi totalmente destruída, segundo a prefeitura. Das 102 escolas do município, localizado a 590 km de Manaus, 92 estão localizadas na área rural da cidade - a zona mais afetada pela cheia. A rede estadual de ensino do município teve 100% das unidades paralisadas até o início do período de vazante. A cidade decretou estado de calamidade.

Escola Fabio Sá está com as aulas suspensas (Foto: Secretaria Municipal de Educação)Escola Fabio Sá teve as aulas suspensas durante a cheia (Foto: Secretaria Municipal de Educação)

Segundo o prefeito, José Eronildes Nobre Filho (PMDB), uma escola foi perdida. A unidade, de acordo com o prefeito, está localizada na comunidade de Parasita. Em entrevista ao G1, Nobre contou que a escola está entre as várias afetadas drasticamente pela cheia. "Todas as 102 escolas foram paralisadas por mais de dois meses e meio. Mais de 50 delas ficaram completamente submersas. Nunca vimos isso aqui", relatou.

Os quase três meses de suspensão das aulas afetaram mais de 15 mil estudantes. "Infelizmente, precisamos interferir no calendário escolar dos alunos. Enquanto planejávamos encerrar as aulas em novembro deste ano, acredito que conseguiremos encerrar o ano letivo apenas no dia 15 de janeiro de 2015", estimou.

Embora as escolas tenham voltado a funcionar, Nobre afirmou que as unidades ainda não estão na completa normalidade. "Recebemos ligações frequentes de que houve problemas na infraestrutura. Nossas escolas tiveram que passar por reformas gerais nas redes hidráulicas e elétricas. Além disso, perdemos 59 poços artesianos", contou.

Com tantos prejuízos, o prefeito do município disse que a cidade tem enfrentado dificuldades financeiras para recuperar as escolas. "Nós temos recebido apoio do Governo do Amazonas. Ainda assim, temos enfrentado problemas para consertar tudo. Aguardamos agora o auxílio do Governo Federal", completou.

Escola São Roque alagada em Humaitá (Foto: Secretaria Municipal de Educação)Escola São Roque foi uma das afetadas em Humaitá (Foto: Secretaria Municipal de Educação)

Prejuízos em todo o estado

A cheia foi um desafio também para gestores de escolas em outras 38 cidades do Amazonas. Com 37 em situação de emergência e duas em calamidade, sendo uma delas Humaitá, centenas de escolas pararam de funcionar. Após o início da vazante, a situação está se normalizando nas unidades. De acordo com informações da Secretaria Estadual de Educação do Amazonas (Seduc), 571 escolas estaduais já estão funcionando. A pasta informou ainda que as escolas afetadas paralisaram as atividades por períodos que variam entre alguns três dias a semanas.

Algumas cidades ainda estão com problemas. No município de Careiro da Várzea, todas as 12 escolas municipais foram afetadas pela cheia. Ao G1, a secretária municipal de Educação, Marli Braga, contou que quatro unidades ainda estão paralisadas. "Na segunda (28), as escolas começaram a retomar as atividades. Porém, possuímos ainda quatro unidades suspensas por conta dos elevados níveis de água", revelou.

Estudantes do município também sofreram atraso no calendário letivo. Segundo Marli, o fim das aulas - previsto para início de novembro - será adiado para o final de dezembro, com possibilidade de mais atrasos. "Vamos fazer de tudo para utilizarmos feriados e alguns sábados para cobrir os dias perdidos, mas o calendário pode, sim, ser alterado", explicou.

Cantareira recebe 57% da chuva esperada em sete meses

Foram 533 mm acumulados contra 925 mm da média histórica.
Reservatórios do sistema operam com 15,3% do nível nesta sexta (1º).


Do G1 São Paulo

Julho foi o sexto mês do ano em que choveu abaixo da média histórica na região dos reservatórios do Sistema Cantareira, de acordo com dados divulgados pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).

Ao longo dos sete primeiros meses de 2014, a precipitação acumulada foi de 57,65% do esperado, o que agravou a crise no abastecimento da Grande São Paulo.

O único mês em que choveu mais do que a média histórica foi março: 193,3 milímetros contra a média de 184,1. Se tomada como base a média histórica, a expectativa era que a região das represas tivesse acumulado 925 milímetros de chuva até o fim de julho. Porém, os reservatórios receberam pouco mais da metade: 533,3 milímetros de chuva.

A maior diferença foi no mês de junho, quando choveu apenas 28,21% do esperado - 15,8 milímetros contra média de 56 milímetros. Nesta sexta-feira, os reservatórios do Cantareira operavam com 15,3% da capacidade total.

Tabela mostra chuvas acumuladas no sistema Cantareira. (Foto: G1)


Tietê
No Sistema Alto Tietê, que opera com 20,7% nesta sexta, as chuvas também vieram com menos intensidade do que o esperado em 2014. Em todos os meses choveu menos que a média histórica. Foram 595,9 milímetros de janeiro a junho contra a média de 893,3. Choveu 66,7% do esperado.

O sistema passou, em dezembro de 2013, a oferecer água para parte da população abastecida pelo Cantareira como medida do governo do estado para amenizar a crise do abastecimento. Desde então, o Alto Tietê também perdeu volume elevado de água e a possibilidade de se usar o “volume morto” chegou a ser debatida.

O governador de São Paulo Geraldo Alckmin negou, no entanto, e disse que as obras são para “deixar tudo preparado”. Atualmente, o Alto Tietê produz cerca de 14,5 mil l/s de água e abastece aproximadamente 4,5 milhões de pessoas.

Sistema em crise
Represa Jaguari-Jacareí, parte do Sistema Cantareira, na cidade de Vargem, no interior de São Paulo fotografada nesta terça (29) (Foto: Nilton Fukuda/Estadão Conteúdo)Represa Jaguari-Jacareí na cidade de Vargem, no interior de SP. (Foto: Nilton Fukuda/Estadão Conteúdo)
A crise no Cantareira começou por causa da pouca chuva e das altas temperaturas no último verão. No inverno, segundo a meteorologista Josélia Pegorim, da Climatempo, os níveis de chuva estão próximos do esperado para a estação. “Todo o problema de abastecimento de água na Grande São Paulo é decorrente da falta de chuva que aconteceu especialmente no verão 2013/2014”, diz.

Segundo ela, não há expectativa de haver chuvas regulares em julho e em agosto. “O quadro de seca vai continuar. A expectativa é que a chuva comece a cair com alguma regularidade mais no final de setembro e principalmente em outubro”, diz. Ainda assim, a possibilidade de as chuvas atrasarem não está descartada.

O Sistema Cantareira é formado pelas represas Jaguari, Jacareí, Cachoeira e Atibainha. Elas ficam no estado de São Paulo e no sul de Minas Gerais. Juntas, as represas fornecem água para cerca de 9 milhões de pessoas na cidade de São Paulo (zonas Norte, Central e parte das zonas Leste e Oeste), além de Franco da Rocha, Francisco Morato, Caieiras, Osasco, Carapicuíba, Barueri e Taboão da Serra, São Caetano do Sul, Guarulhos e Santo André. Parte do interior do estado também recebe água do sistema.


Lei exige fim de lixões até este sábado; 60% das cidades não se adequaram

Política de Resíduos Sólidos determina extinção de lixões até 2 de agosto.
Cidades com lixo a céu aberto podem responder por crime ambiental.


Eduardo Carvalho
Do G1, em São Paulo

Termina neste sábado (2) o prazo de quatro anos para as cidades brasileiras adequarem sua gestão do lixo às regras da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Sancionada em 2 de agosto de 2010, ela determina ações como a extinção dos lixões do país, além da implantação da reciclagem, reuso, compostagem, tratamento do lixo e coleta seletiva nos municípios.

Pela lei, a partir deste domingo (3), as prefeituras com lixo a céu aberto podem responder por crime ambiental, com aplicação de multas de até R$ 50 milhões, além do risco de não receberem mais verbas do governo federal. Os prefeitos, por sua vez, correm o risco de perder o mandato.

Em tese, se a legislação for cumprida à risca, muitas cidades podem ser punidas. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, somente 2.202 municípios, de um total de 5.570, estabeleceram medidas para garantir a destinação adequada do lixo que não pode ser reciclado ou usado em compostagem.

Fumaça do lixão prejudica população de São Fernando (Foto: Marcílio de Araújo/G1)Lixão da cidade de Caicó, no Rio Grande do Norte, em foto de 21 de julho deste ano (Foto: Marcílio de Araújo/G1)

Os municípios que não terão o aterro sanitário a tempo de se enquadrar na lei estão espalhados por todas as regiões do Brasil. No Paraná, por exemplo, há cidades que até dois meses atrás sequer haviam apresentado um plano de adequação. Uma saída para os pequenos municípios paranaenses pode ser a formação de consórcios para uso conjunto dos aterros, para evitar que cada localidade tenha que arcar com os custos de ter o seu próprio.

No Rio Grande do Norte, somente Mosssoró e a Região Metropolitana de Natal têm aterros. Situação semelhante vive Rondônia, onde só Ariquemes e Vilhena já se adequaram. A capital, Porto Velho, já escolheu o local de seu novo aterro, mas as obras ainda não começaram. Em Alagoas, dos 102 municípios, apenas a capital conseguiu acabar com o lixão e criar um aterro, como previsto na lei.

O estado do Rio de Janeiro tem 93% do lixo indo para destinação correta, mas, ainda assim, tem vinte lixões que precisam ser desativados. O estado de São Paulo também tem municípios com lixões irregulares, como Presidente Prudente e Ourinhos. O Distrito Federal ainda está licitando a construção das células protegidas de seu novo aterro sanitário. Enquanto isso, seus resíduos vão para um lixão, sem nenhum tratamento.

Mesmo sabendo que 60% dos municípios não cumprem a lei, o governo não pedirá prorrogação de prazo para que o programa passe a vigorar. André Vilhena, diretor da associação Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre), afirma que o Brasil já venceu a fase de, na véspera, precisar esticar prazos por não haver cumprimento de metas.

Segundo ele, há a possibilidade de prorrogação por meio de acordos firmados entre os municípios e o Ministério Público. “O prazo se encerra, mas quem não cumprir pode fazer a prorrogação por meio de um Termo de Ajuste de Conduta (TAC)", explica. Ele disse ainda que isto ajuda a analisar a particularidade de cada município. A maioria enfrenta problemas de falta de verba.

Principais objetivos

A PNRS tem como prioridades a redução do volume de resíduos gerados, a ampliação da reciclagem, aliada a mecanismos de coleta seletiva com inclusão social de catadores e a extinção dos lixões. Além disso, prevê a implantação de aterros sanitários que receberão apenas dejetos, aquilo que, em última instância, não pode ser aproveitado.

Esses aterros, por sua vez, deverão ser forrados com manta impermeável para evitar a contaminação do solo. O chorume, líquido liberado pela decomposição do lixo, deverá ser tratado. O gás metano que resulta da decomposição do lixo, que pode explodir, terá que ser queimado.

De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, os instrumentos da PNRS ajudarão o país a reciclar 20% dos resíduos já em 2015. Dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), referentes a 2012 e que são os mais recentes, apontam que só 3,1% do lixo gerado no país naquele ano foi destinado à coleta seletiva e que 1,5% dos resíduos domiciliares e públicos foram recuperados.

Naquele ano, o Brasil gerou 62,7 milhões de toneladas de resíduos sólidos e coletou 57,9 milhões de toneladas deste total. Segundo a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais, a Abrelpe, 42% do montante coletado teve destinação inadequada e em 3.352 cidades os detritos foram encaminhados para lixões ou aterros controlados – que, para especialistas, são apenas lixões melhorados.

Incapacidade técnica

Geraldo Antônio Reichert, coordenador da Câmara Temática de Resíduos Sólidos da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes), afirma que a maioria das cidades com problemas na gestão dos resíduos sólidos não cumpriram o prazo a tempo por não terem dinheiro em caixa e não conseguirem financiamento do governo federal.

O presidente da Abrelpe, Carlos Silva Filho, disse que os altos índices de destinação irregular poderiam ter caído se os municípios tivessem utilizado instrumentos disponíveis na Lei de Saneamento Básico, que incluem verbas do governo federal para obras. Mas, segundo ele, faltou capacidade técnica às prefeituras para montar projetos adequados às regras da União.

De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, nos últimos quatro anos foram disponibilizados R$ 1,2 bilhão para que estados e municípios realizassem o planejamento das ações e iniciassem medidas para se adequarem à nova legislação de resíduos sólidos. Mas apenas 50% do montante foi efetivamente aplicado.

“São situações de incapacidade técnica de municípios, incapacidade de acessar recursos. Tem situações, inclusive, que podem ser resolvidas entendendo melhor a integração dos planos municipais”, declarou a ministra Izabella Teixeira, na última quinta-feira (31).

Atualmente, somente três estados possuem plano de resíduos sólidos: Ceará, Maranhão e Rio de Janeiro. O ministério não divulgou o total de municípios que já têm o plano definido.

No AP, morte de peixes em rio próximo a hidrelétrica assusta pescadores

Imap diz que um laudo técnico pretende apontar as causas do problema.
Espécies estão sendo encontradas mortas às margens do rio Araguari.


Dyepeson Martins
Do G1 AP com informações da TV Amapá

Pescadores dizem estarem assustados com a quantidade de peixes encontrados mortos às margens do rio Araguari, em uma região próxima a barragem da usina hidrelétrica em construção no município de Ferreira Gomes, a 137 quilômetros de Macapá. O Instituto de Meio Ambiente e Ordenamento Territorial (Imap) informou que a empresa responsável pelo projeto foi notificada na sexta-feira (1º) e que um laudo técnico vai apontar as causas do problema. A obra possui Licença de Operação (LO) desde o dia 17 de julho e tem previsão de entrar em funcionamento em janeiro de 2015.

Peixes estão sendo encontrado mortos nas margens do rio Araguari (Foto: Reprodução/ TV Amapá)Peixes são encontrados mortos às margens do rio Araguari, em Ferreira Gomes (Foto: Reprodução/ TV Amapá)

O pescador Cesário Gomes, desconfia que produtos químicos tenham sido jogados pela hidrelétrica no leito do rio. "Um funcionário me falou que foi feita uma limpeza [dentro da hidrelétrica] com sabão em pó, solução de bateria e outros produtos", ressaltou Gomes, acrescentando que, segundo a comunidade, as espécies acari, filhote e tucunaré são as mais atingidas.

O gerente do empreendimento, Anselmo Oliveira, afirma que não houve nenhum tipo de lavagem utilizando produtos químicos e ressalta: "Estamos apurando o que houve. Já coletamos amostras da água e dos peixes mortos, pois é uma grande preocupação nossa".

Técnicos da Polícia Técnico-científica do Amapá (Politec) realizaram perícia na área onde ficam as comportas e turbinas da usina. O órgão emitirá um laudo que será confrontado com o relatório a ser expedido pela empresa em 30 dias, conforme explicou o diretor técnico do Imap, Jesse Janes.

"Se o problema for causado por contaminação da água a comunidade também pode ser afetada. Mas existe a possibilidade de ter sido consequência de uma ação mecânica, quando uma massa de água é despejada em um canal fazendo com que um deslocamento do líquido empurre os animais para paredes e pedras, causando a mortalidade", comentou.

Os laudos da Politec e Imap serão concluídos no prazo de 15 a 20 dias e podem acarretar em multas para a empresa, acrescentou o diretor técnico. "Se for comprovada que as mortes são oriundas de ação da empresa ela deverá ser autuada por dano ambiental. Importante ressaltar que a mortalidade foi em um canal, em uma área específica", frisou.

A Colônia de Pescadores de Ferreira Gomes formou um comissão para pedir a apuração do caso ao Ministério Publico (MP) do Amapá. Segundo a delegacia de Polícia Civil da cidade, um inquérito foi aberto para investigar as mortes.


01 agosto 2014

Surto de garimpo destrói floresta e divide índios no Pará

Motivados pelo preço do ouro, cerca de 5 mil garimpeiros atuam dentro da Terra Indígena Kayapó, um dos últimos redutos de mata nativa no Estado.


BBC Brasil

Alimentado pelos preços em alta do ouro, um novo surto de garimpo ilegal está se alastrando com rapidez e gerando destruição numa das últimas áreas de floresta amazônica no sudeste do Pará. Com máquinas pesadas, os garimpeiros avançam por territórios habitados pelo povo kayapó e assediam os índios, que estão divididos quanto à atividade.

Alguns líderes kayapós passaram a tolerar o garimpo em suas terras em troca de um percentual dos lucros. Eles dizem precisar dos recursos para sustentar as aldeias e cobram do governo políticas que lhes permitam abrir mão das receitas.

A atividade, porém, é ilegal, e seu combate compete ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e à Fundação Nacional do Índio (Funai).

Segundo Thaís Dias Gonçalves, coordenadora geral de monitoramento territorial da Funai, a Terra Indígena (TI) Kayapó, em Ourilândia do Norte, é a área indígena do país onde a atividade garimpeira é mais intensa.

A Funai diz que há por volta de 25 frentes ativas de garimpo dentro da TI. O território – que ocupa cerca de 33 mil quilômetros quadrados, área equivalente à de Alagoas e do Distrito Federal somados – é quase inteiramente coberto por mata nativa.

A TI Kayapó convive com surtos esporádicos de garimpo há décadas. Segundo a Funai, porém, a atividade alcançou níveis sem precedentes nos últimos meses.

A BBC Brasil acompanhou uma operação contra o garimpo na área na semana passada. De helicóptero ou avião, veem-se as enormes clareiras com lagos artificiais abertos pelas escavadeiras. Algumas frentes de garimpo têm cerca de 40 quilômetros quadrados, o equivalente a dez campos de futebol. Nos rios que cruzam a terra dos kayapó, cerca de 90 balsas reviram o solo em busca do metal.

Os agentes do Ibama e da Funai desceram em algumas minas e deram prazo de dez dias para que os garimpeiros deixassem o local. Os órgãos estimam que haja na terra indígena entre 4 e 5 mil garimpeiros, o equivalente a quase um terço do total de índios na área (16 mil). Segundo os agentes, quem ficar será expulso e terá seus equipamentos destruídos.

Moradores da região dizem que o garimpo poluiu os rios e reduziu drasticamente o número de peixes. Para separar e aglutinar o metal, garimpeiros usam mercúrio e cianeto, duas substâncias tóxicas.

"O garimpo é o ilícito ambiental mais grave que o Ibama enfrenta hoje no país", diz à BBC Brasil o diretor de proteção ambiental do órgão, Luciano de Menezes Evaristo.

Evaristo cita, além da destruição causada pela atividade, suas consequências sociais. "O garimpo traz no seu bojo uma decadência: com ele vêm o tráfico de drogas, a prostituição e a exploração do trabalho infantil."

O diretor do Ibama afirma que os casos de garimpo no país têm se multiplicado, especialmente no Pará. Segundo Evaristo, outro ponto crítico no Estado é a bacia do rio Tapajós, no oeste paraense, onde há pelo menos 3 mil frentes da atividade.

O diretor do Ibama atribuiu o surto ao bom preço do metal. Considerado um investimento seguro em tempos de instabilidade na economia, o ouro valia cerca de US$ 800 dólares a onça (31 gramas) no fim de 2007. Hoje vale US$ 1.297.

Índios divididos

Na semana passada, a BBC Brasil acompanhou uma reunião na sede da Funai em Tucumã em que o Ibama informou autoridades locais e cerca de 15 líderes kayapós sobre a operação contra o garimpo.

Alguns índios se queixaram da ação e disseram que a atividade ajuda a sustentar suas aldeias. Segundo eles, os garimpeiros pagam às comunidades um percentual de seus lucros.

O cacique Niti Kayapó, da aldeia Kikretum, afirmou que o dinheiro do garimpo tem lhe ajudado a pagar o aluguel de tratores usados na colheita de castanha – atividade que, segundo ele, é a principal fonte de renda de sua comunidade.

"Eu preciso ter alguma coisa para a comunidade. Se vocês (governo) disserem que têm um projeto de 300, 500 mil reais para nós, a gente vai lá e tira os garimpeiros. Mas vocês não têm."

Houve um bate-boca quando um índio disse que o garimpo em área vizinha à sua aldeia tinha poluído a água usada por sua comunidade. A maioria dos líderes presentes assinou uma carta pedindo que os garimpeiros fossem expulsos da TI.

Na reunião, os índios também pediram às autoridades que pressionassem a mineradora Vale a executar seu plano de compensação por ter implantado uma mina a 34 quilômetros da TI.

Para mitigar o impacto na área da mina Onça Puma, que produz ferroníquel, a empresa se comprometeu, entre outras ações, a construir uma casa de apoio para indígenas em Ourilândia do Norte e financiar projetos de geração de renda nas aldeias.

Segundo a Funai, as ações, que vêm sendo negociadas há quase uma década, custarão cerca de R$ 3,5 milhões. Nesta semana, 70 índios foram à sede da mineradora em Redenção para reforçar a cobrança. Em nota à BBC Brasil, a mineradora disse que o plano começará a vigorar em agosto.

Os índios também cobram da estatal Eletrobrás e do consórcio Norte Energia que cumpram o compromisso de financiar projetos de geração de renda nas aldeias. O acordo é uma contrapartida pela construção da hidrelétrica de Belo Monte, que fica a cerca de 500 quilômetros da TI Kayapó, rio Xingu abaixo.

Em nota, a Eletrobrás afirmou que os projetos devem ser pactuados com os índios até o fim de 2014 e executados a partir de 2015. Serão destinados R$ 1,5 milhão por ano às ações, ao longo de três anos.

Segundo Thaís Dias Gonçalves, coordenadora geral de monitoramento territorial da Funai, somente serão contempladas pelos programas da Vale e da Eletrobrás/Norte Energia as aldeias que não tenham qualquer envolvimento com o garimpo.

Ela afirma, no entanto, que os programas não serão capazes de competir com o garimpo em volume de recursos.

Para Gonçalves, erradicar a atividade na área de uma vez por todas exige um trabalho de inteligência policial, que identifique quem está lucrando com o negócio. "Tanto o garimpeiro quanto o indígena envolvido são parte muito pequena de uma cadeia fortíssima."


Chefe da OMS diz que ebola está fora de controle, mas pode ser barrado

Margaret Chan alertou líderes de países do oeste africano.
Até 27 de julho, 729 pessoas morreram pelo ebola.


Reuters

A diretora-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Margaret Chan, disse que o surto de ebola no oeste africano está fora de controle, mas pode ser barrado. Segundo a agência de notícias Reuters, Chan falou para os presidentes da Guiné, Libéria, Serra Leoa e Costa do Marfim em uma reunião nesta sexta-feira (1º).

"Esse encontro precisa ser um marco de mudança na resposta ao surto", disse ela, segundo uma transcrição da OMS. "[O vírus] está se movimentando mais rápido do que nossos esforços para controlá-lo. Se a situação continuar a se deteriorarm as consequências serão catastróficas em termos de vidas perdidas, mas também de problemas sócio-econômicos e de alto risco de se espalhar para outros países."

Balanço da Organização Mundial da Saúde (OMS) indica que o número de casos aumentou para mais de 1.300 na África Ocidental. No total, até 27 de julho, 729 pessoas morreram vitimadas pelo ebola, entre elas 47 em apenas quatro dias.

Entre 23 e 27 de julho, foram registrados 122 novos casos (confirmados, prováveis e suspeitos) e foram notificadas 57 mortes na Guiné, Libéria, Nigéria e Serra Leoa, acrescentou a OMS.

A organização anunciou nesta quinta que lançará, junto com os governos da região, um plano de resposta ao ebola com US$ 100 milhões em recursos.


EUA retiram da África dois americanos doentes de ebola

Eles serão mantidos em quarentena assim que chegarem ao país.
Governo americano anunciou morte de cidadão americano na Nigéria.


Do G1, em São Paulo

A diplomacia americana informou nesta sexta-feira (1º) que vai trazer de volta da Libéria dois americanos contaminados pelo vírus do ebola. Os dois serão postos em quarentena assim que chegarem aos Estados Unidos, de acordo com a agência France Presse.

Washington já indicou a morte de um cidadão dos Estados Unidos na Nigéria. Os americanos que serão transportados aos Estados Unidos são o médico Kent Brantly e a missionária Nancy Writebol. De acordo com a Reuters, os pacientes serão tratados no Emory University Hospital, em Atlanta. A instituição é uma das quatro nos Estados Unidos capazes de oferecer um alto nível de isolamento clínico.

"A segurança dos cidadãos americanos é uma preocupação primordial", anunciou o Departamento em nota divulgada nesta sexta, ao se referir à repatriação de seus dois cidadãos com a ajuda dos Centros para o Controle e a Prevenção de Doenças (CDCs, na sigla em inglês).

"Serão tomadas as precauções para o transporte dos pacientes de forma segura, para fornecer cuidado vital em um voo não comercial e para mantê-los perfeitamente isolados em sua chegada aos Estados Unidos", disse a porta-voz do Departamento, Marie Harf.

A associação beneficente americana Samaritan's Purse informou que dois dos trabalhadores que cuidavam de pacientes contaminados pelo ebola na Libéria - o doutor Brantly e a funcionária Writebol - contraíram o vírus. Ambos estão "estáveis, mas em situação grave", declarou a organização cristã.

Reação nas redes sociais

A notícia sobre o caso dos americanos infectados com o vírus repercutiu nas redes sociais. Em sua conta do Twitter, o empresário americano Donald Trump opinou que os pacientes deveriam ser tratados na África: "Impeçam os pacientes de ebola de entrarem nos Estados Unidos. Tratem eles, com o mais alto nível, lá. Os Estados Unidos têm problemas suficientes".

Nesta sexta, a Organização Mundial de Saúde (OMS) advertiu que a epidemia de ebola que atinge Guiné, Libéria e Serra Leoa está se intensificando e pode se propagar sem controle, causando perdas humanas "catastróficas".

A OMS anunciou mais 57 mortos na quinta-feira, o que eleva o total de óbitos para 729. Mais de 1.300 pessoas foram contaminadas pelo vírus hemorrágico.

31 julho 2014

Represas da bacia do Rio Paraíba do Sul chegam ao nível mais baixo

Nível dos 4 reservatórios da bacia do Rio Paraíba do Sul está em 23%.

Estiagem afeta principalmente a população do Rio de Janeiro.


André Luis Rosa | Jornal Hoje
Taubaté, SP

As represas da bacia do Rio Paraíba do Sul, que abastece 14 milhões de habitantes de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro chega ao nível mais baixo da sua história e segundo os meteorologistas, a situação não deve melhorar tão cedo.

A estiagem no Rio Paraíba do Sul trouxe de volta imagens do passado. No interior de São Paulo, o nível da água está tão baixo que uma ponte ressurgiu, depois de passar 40 anos debaixo d’água. O mais incrível é que estrutura ficou preservada e os moradores voltaram a usar a ponte.

A Represa de Paraibuna baixou tanto que vários morros, antes submersos, se transformaram em ilhas. Duas réguas que medem o volume de água estão totalmente descobertas. É a primeira vez que acontece.

Paraibuna é a maior das quatro represas da bacia do Paraíba do Sul. Normalmente ela fornece mais da metade do volume de água do rio, mas agora o reservatório está com apenas 18% da capacidade.

O nível dos quatro reservatórios que forma a bacia do Rio Paraíba do Sul está em 23%. A quantidade de água é suficiente para garantir o abastecimento agora na estiagem, mas é pouco se a gente considerar que a chuva só deve aumentar a partir de novembro. Até lá, a previsão é que o nível das quatro represas fique abaixo de 10%.

“Se chover dentro da média, entraremos em 2015 com a pior situação de todos os tempos”, explica o geólogo especialista em recursos hídricos, Edílson de Paula Andrade.

Quatorze milhões de habitantes de três estados depende do Rio Paraíba. Mas a estiagem afeta principalmente a população do Rio de Janeiro. Em Barra do Piraí. parte da água do Rio Paraíba é desviada para o Rio Guandu.

Normalmente esse sistema fornece 190 mil litros por segundo para a Baixada Fluminense e a região metropolitana do Rio de Janeiro. Mas hoje o volume desviado caiu para 169 mil litros por segundo.

A Companhia de Águas do Rio de Janeiro afirma que o abastecimento está normal, mas o especialista em recursos hídricos está na hora da população agir. “Tem que tomar medida o ano todo para que se evite chegar ao racionamento”, diz Edílson de Paula Andrade.

Preocupado com a estiagem no Sistema Cantareira, que abastece a Grande São Paulo, o governo paulista propôs ao Governo Federal, um plano para retirar parte da água da bacia do Rio Paraíba. A Agência Nacional de Águas e o Comitê da Bacia do Paraíba do Sul tem prazo até setembro para dar uma resposta.

“Hoje tem uma dificuldade imensa de atender o que São Paulo está pedindo. Com água em abundância na região pode-se pensar em contribuir com o abastecimento”, completa Andrade.


30 julho 2014

Estado do RJ vai descumprir prazo para encerramento dos lixões

Prazo para todos os estados acabarem com os lixões termina no sábado (2).
Rio de Janeiro ainda tem 20 unidades.


Do G1 Rio

O prazo para que todos os municípios do Brasil acabem com os lixões termina no sábado (2). Mas como mostrou o Bom Dia Rio nesta quarta-feira (30), o Rio de Janeiro ainda tem 20 unidades. De acordo com o secretário estadual do Ambiente, Carlos Portinho, o estado é considerado um dos mais avançado na política.

“93% dos resíduos hoje são destinados corretamente a aterros sanitários e tem três consórcios que já estão por detalhes encerrando as negociações para concluir e assim colocar em operação esses outros aterros, permitindo o fechamento dos lixões”, afirmou Portinho.

Segundo o secretário, os novos consórcios devem estar com os aterros regularizados em um prazo entre 60 e 90 dias. “Se isso não ocorrer certamente caberá ao estado autuar, multar os municípios. Mas dentro do nosso diálogo que foi aberto desde o início, acredito que em 90 dias devemos concluir estes poucos que restam”, disse Carlos Portinho.

Poluição no norte da China prejudica cerca de 150 milhões de pessoas

Muitos chineses deixam de praticar atividade física por causa da poluição.
Brasileiros que moram lá usam filtros de ar e deixam até a janela fechada.


André Trigueiro e Franklin Feitosa | Jornal da Globo
China (em parceria com Globo Natureza)

A poluição na importante região do norte da China afeta um total estimado de 150 milhões de pessoas.

Na reportagem especial da série sobre a poluição na China, uma parceria entre o Jornal da Globo e o Globo Natureza, o repórter André Trigueiro foi ver como vivem os brasileiros que moram lá. E o que governo e escolas fazem para proteger os alunos.

Imagine viver em um lugar onde, em boa parte do tempo, não é possível enxergar a paisagem por causa da poluição. Na China é assim.

Uma mistura de fumaça e poeira atinge com intensidade cada vez maior 15% do território, principalmente na região norte do país, onde vivem mais de 150 milhões de pessoas. É onde estão as grandes cidades, como a capital Pequim.

A urbanização acelerada ajuda a concentrar ainda mais os poluentes. A população urbana cresceu mais de 40% nos últimos 10 anos. Visitamos uma família de brasileiros nos arredores de Pequim.

CUIDADOS PARA VIVER NA POLUIÇÃO

Em torno de uma mesa cheia de quitutes brasileiros, Renata reuniu os filhos e a vizinha, também brasileira, para contar que cuidados a família tem para viver na China.

“Por exemplo, a casa tem filtro de ar que a gente instala. Uma máquina que nós temos em todos os quartos”, conta uma chinesa.

“Faz muita diferença. Beijing tem cheiro. É uma mistura de fumaça de cigarro com cheiro de comida e alguma coisa que você não sabe o que é. O seu cabelo cheira poluição se você anda para a rua. Sua roupa cheira diferente”, ela explica.

ISOLADOS DA CIDADE POLUÍDA

A chinesa ainda explica porque mantém todas as janelas fechadas dentro de casa. “Aqui em Beijing ou é muito frio ou é muito calor ou é muito poluído. Então, a gente não abre a janela”.

Nesse ponto é que percebemos como se vive aqui: literalmente trancado dentro de casa.

“Já teve casos de o esporte ter sido cancelado várias vezes por causa de poluição. A gente tem que mudar tudo para fazer lá dentro porque a poluição é muito alta, fica muito difícil respirar. É ruim para a gente. Acontece [com muita freqüência]. Eu acho que nós já estamos muito acostumados com isso. Às vezes, a gente não liga muito porque não tem muito o que fazer”, diz outra moradora de Pequim.

No último inverno, eles chegaram a ficar cinco dias sem poder sair de casa. “Já teve caso de pessoas que se mudaram para Xangai por causa disso. Porque Xangai é menos poluído”, conta um deles.

XANGAI

Avalanche pode ter soterrado 150 pessoas após chuvas na Índia

Deslizamento de terra atingiu e destruiu 50 casas de povoado no Oeste.
Equipes de resgate trabalham com dificuldade pois chove muito na região.


Do G1, em São Paulo

Cerca de 150 pessoas podem estar soterradas após fortes chuvas provocarem um deslizamento de terra que atingiu cerca de 50 casas na Índia nesta quarta-feira (30).

A avalanche atingiu o povoado de Ambegaon, no estado de Maharastra, no Oeste do país.

Deslizamento de terra é visto em vila no estado de Maharashtra, na Índia, nesta quarta-feira (30). Autoridades temem que 150 pessoas foram soterradas (Foto: AFP)Deslizamento de terra é visto em vila no estado de Maharashtra, na Índia, nesta quarta-feira (30). Autoridades temem que 150 pessoas foram soterradas (Foto: AFP)

“O deslizamento ocorreu esta manhã e destruiu 50 casas. Tememos que 150 pessoas estejam entre os escombros e o barro”, disse Alok Avasthy, chefe de operações da Força de Resposta de Desastres Nacionais (NDRF).

A NDRF enviou equipes de resgate e ambulâncias à região, mas ainda chove forte no local do acidente, o que dificulta o trabalho dos socorristas.

Segundo a rede de TV local “NDTV”, o deslizamento “enterrou” parte do povoado.

As autoridades mobilizaram maquinaria pesada para tentar resgatar os presos e 30 ambulâncias se dirigiram ao local, indicou o representante do governo local, Suarav Rao, à agência Press Trust of India.

'Desconhecemos o número exato de vítimas, avançamos lentamente para garantir que recuperamos as pessoas presas sem perigo', indicou Rao.

Chuvas torrenciais caem há dias em Maharashtra como consequência das monções anuais.

Inundações e avalanches são frequentes durante a temporada de chuvas na Índia. Cerca de 580 pessoas morreram e outras 5.700 desapareceram em circunstâncias semelhantes há um ano, nas regiões montanhosas do país atingidas pelas monções.


29 julho 2014

NIGÉRIA CONFIRMA PRIMEIRA MORTE POR EBOLA

COM CONFIRMAÇÃO DE MORTE NA NIGÉRIA, DOENÇA ATINGIU QUARTO PAÍS AFRICANO


DIÁRIO DO PODER

Abuja, 26/07/2014 – O surto de Ebola que atinge o oeste da África se espalhou para o quarto país, com a Nigéria confirmando a primeira morte pela doença, nesta sexta-feira. A vítima foi um homem da Libéria, que passou mal em um avião e assim que pousou na Nigéria foi colocado em quarentena.

“Todas as portas de entrada na Nigéria, incluindo aeroportos, portos e fronteiras terrestres foram colocadas em alerta vermelho”, disse o ministro de Saúde da Nigéria, Onyebuchi Chukwu. Segundo ele, as autoridades do país, que é o mais populoso da África, colocaram especialistas em todas as portas de entrada e a supervisão ativa foi fortalecida.

O Ebola, que é uma das doenças mais contagiosas e letais do mundo, já matou pelo menos 660 pessoas e infestou outras 1.093 em Serra Leoa, Libéria e Guiné. Autoridades de saúde têm alertado que um surto da doença na capital nigeriana, Lagos, que tem quase 21 milhões de habitantes, seria catastrófico. 


Fonte: Associated Press.


Onda de calor no Japão causa mortes e deixa milhares hospitalizados

Pelo menos 15 pessoas morreram e mais de 8,5 mil foram internadas.
Temperaturas superaram os 35ºC na sombra.


France Presse

A onda de forte calor que atinge atualmente o Japão deixou 15 mortos, enquanto 8.580 pessoas precisaram ser hospitalizadas na semana passada, 193 delas em estado grave, anunciou nesta terça-feira (29) a Agência de desastres japonesa.

Segundo os números divulgados, que consideram apenas as pessoas que precisaram ser levadas de ambulância, em 44,4% dos casos trata-se de pessoas idosas, categoria que integra um quarto da população do país.

Na semana anterior, 3.179 pessoas chamaram os serviços de emergência e três morreram.

Todos os anos milhares de japoneses são vítimas do forte calor, com temperaturas que às vezes superam os 35ºC na sombra. Os locais públicos e as casas costumam contar com aparelhos de ar-condicionado, mas algumas pessoas idosas são reticentes ao seu uso ou não sabem manejá-los, e acabam se desidratando.


‘Lagoa Azul’ tem coliformes fecais e produtos químicos, diz Semma

Resultado de exame microbiológico foi divulgado nesta segunda (28).
Proprietário deve isolar área e sinalizar proibição do acesso de pessoas.


Do G1 Santarém
A “Lagoa Azul”, descoberta nos últimos dias no bairro Amparo, em Santarém, oeste do Pará, está contaminada com coliformes fecais e produtos químicos, segundo pesquisa feita pela Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) e divulgada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) nesta segunda-feira (28).

Lagoa fica localizada no bairro Amparo (Foto: Reprodução/ TV Tapajós)Lagoa fica localizada no bairro Amparo (Foto: Reprodução/ TV Tapajós)

A pesquisa microbiológica foi feita a partir da coleta da água na semana passada. O exame comprova que o local é impróprio para o uso.

De acordo com o secretário de meio ambiente, Podalyro Neto, foram encontrados cromo, cobre e níquel acima do permitido. “São elementos que são carreados pelo processo de lixiviação. É impróprio para banho e consumo imediato, nem para matar sede nem para usar em alimentos. Não é recomendável o contato com a água. Pode causar problemas ligados à pele e até estomacais e intestinais com o uso contínuo", informou.

O próximo procedimento é a notificação do proprietário da área para que o material seja isolado e sinalizado, informando a proibição do acesso.

A lagoa se formou por meio de escavações para a retirada de areia do local. A agua é oriunda da chuva. Contudo, não foi possível identificar o que provoca a coloração azulada.

A secretaria ainda vai investigar se o proprietário tem licença para a extração de minérios no terreno. Caso seja concluído que a área não teve licença ambiental ou que foi pedido e não liberado pelo órgão ambiental e, mesmo assim, o proprietário resolveu explorar sem a licença de operação, serão abertos procedimentos administrativos. “Que incluem multa, embargo e encaminhamento ao Ministério Público Estadual, que decide se avança com instauração de procedimento criminal”, ressalta o secretário.

Entenda

O lugar foi descoberto no início do mês de julho e passou a receber muitos visitantes depois de divulgações de fotos na internet. A tonalidade azul esverdeada da água atraiu muitos curiosos que passaram a utilizar o espaço para lazer e alternativa para se refrescar em dias de calor. Foi então que começaram a surgir questionamentos sobre a proveniência da água, e se o lugar era adequado para banho. Nas redes sociais, muitas pessoas compartilharam informações de que a água estava contaminada e poderia até dar câncer de pele.

Diante dos comentários, a Semma e a Ufopa recomendaram que a população não utilizasse o local para banho até que o resultado da análise fosse divulgado.

Libéria fecha fronteiras para conter avanço do ebola no oeste da África

País já registrou 129 mortes em epidemia de doença mortal.
No continente, já são ao menos 670 mortos.


France Presse

A presidente da Libéria, Ellen Johnson Sirleaf, anunciou o fechamento da maior parte das fronteiras terrestres do país afetado pela epidemia de ebola, depois que o letal vírus tropical se espalhou para duas das maiores cidades do oeste da África.

A Libéria, juntamente com as vizinhas Guiné e Serra Leoa, luta para conter uma epidemia que já infectou 1.200 pessoas e deixou pelo menos 670 mortos na região desde o início do ano.

Na semana passada, autoridades de Freetown, capital de Serra Leoa, e de Lagos, na Nigéria, anunciaram seus primeiros casos, marcando uma alarmante nova frente na luta contra uma doença confinada, sobretudo, a vilarejos remotos e postos fronteiriços rurais.

"Todas as fronteiras da Libéria serão fechadas com exceção dos grandes pontos de entrada", anunciou Sirleaf em um comunicado publicado na noite de domingo (27).

O aeroporto internacional de Monróvia, um aeroporto regional e três grandes postos de travessia escaparam das interdições. "Nestes pontos de entrada, centros de prevenção e de testagem serão montados", afirmou.

A Libéria já contabilizou 129 mortes provocadas pelo ebola, que causa febre alta e dores musculares, vômito, diarreia e, no pior dos casos, falência de órgãos e hemorragia incontrolável.

"Uma nova política de viagens, adotada pela Autoridade Aeroportuária da Libéria, cobrindo a inspeção e a testagem de todos os passageiros que chegam e saem do país, será estritamente observada", explicou Sirleaf no comunicado.

O governo também proibiu reuniões públicas de todo tipo, inclusive eventos e manifestações, e anunciou quarentenas em comunidades atingidas pelo ebola.

Acredita-se que o vírus, detectado pela primeira vez em 1976, tenha sido introduzido por animais caçados por sua carne, especialmente morcegos. Ele se dissemina entre os seres humanos através dos fluidos corporais e matou 56% das pessoas infectadas na epidemia atual.

Uma aprendiz de cabeleireira de 32 anos, o primeiro caso confirmado de Ebola em Freetown, morreu no sábado, depois que os pais dela a levaram contra a vontade ao hospital, informou o Ministério da Saúde.

A casa de Saudatu Koroma, no leste de Freetown, foi posta em quarentena com outros moradores por 21 dias, mas os serra-leoneses de toda a cidade mencionaram o temor de que o vírus já possa ter se espalhado.

"As pessoas agora tomam extremo cuidado ao participar de festas e de outras atividades sociais, embora os funerais ainda sejam amplamente frequentados", disse à AFP o assistente social Ronald Cole.

Nas ruas, as pessoas deixaram de se cumprimentar com apertos de mão, relatou um correspondente da AFP em Freetown, e agora preferem saudar uns aos outros com os cotovelos.

"Nós deveríamos nos inclinar como fazem os chineses", disse o ativista de direitos civis Ronnie Charles.

Grupos sociais cancelaram eventos públicos para celebrar o fim do mês sagrado do Ramadã, enquanto os restaurantes passaram a adotar baldes com água sanitária para que os fregueses lavem as mãos antes de se sentar.

Os mortos também estão sendo manuseados com cuidado.

"Estamos temerosos com o ebola. Distribuímos montes de luvas aos nossos funcionários como proteção para manipular os cadáveres", afirmou o proprietário de uma funerária do centro da cidade.

Mensagens regulares dos serviços de saúde são transmitidas por rádio e TV, instruindo as pessoas a se protegerem da infecção.

Enquanto isso, o Ministério da Saúde de Serra Leoa, que contabilizou 244 mortos por ebola, anunciou ter montado um 'centro de operações de emergência' na capital, coordenado pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Voos cancelados

O primeiro caso de Ebola em Freetown foi registrado depois que se confirmou que o vírus tinha chegado a Lagos - capital financeira da Nigéria, um centro de transporte regional e internacional e base de muitas multinacionais com escritórios nesta que é a maior economia da África.

Um liberiano de 40 anos morreu em uma clínica particular em decorrência da doença, após desmaiar no aeroporto internacional de Lagos, reportou na sexta-feira o Ministério da Saúde nigeriano.

Com uma taxa de mortalidade histórica de 67% antes do surto atual e sem vacinas, os pacientes suspeitos de infecção pelo vírus Ebola precisam ser isolados para evitar contágios futuros, segundo a OMS.

A agência sanitária da ONU solicitou às pessoas com os primeiros sintomas do vírus que procurem os centros de saúde imediatamente.

"Precisamos parar a mensagem de que não existe tratamento. Quanto antes os pacientes procurarem tratamento em centros de saúde seguros, mais propensos serão a se recuperar e evitar a contaminação de familiares", disse o porta-voz da organização, Tarik Jasarevic.

"A estratégia da OMS é atacar a epidemia e sua fonte, procurar pessoas doentes nos vilarejos e cuidar delas em unidades de isolamento", acrescentou.

Jasarevic disse que o "enterro seguro" dos corpos é uma parte importante da resposta à epidemia, acrescentando que familiares estavam tocando os corpos durante as cerimônias fúnebres e se infectando dessa forma.


28 julho 2014

Humanidade é causa da sexta onda de extinção de animais

O homem está trazendo consigo a sexta onda de extinção em massa, acham os cientistas. Segundo a União Internacional de Conservação da Natureza (UICN, na sigla em inglês), 20.934 espécies, das 70.294, estão gravemente ameaçadas. Sem contar as 322 espécies só de vertebrados terrestres já extintas.


Vladimir Kultygin | Voz da Rússia

Na semana passada, a revista Science apareceu com capa dedicada à "Fauna que Desaparece". Segundo Mauro Galetti, da Unesp de Rio Claro (Brasil), um dos autores da primeira pesquisa publicada na revista, a chegada do homem na Terra acarretou um crescimento de mil vezes dos tempos de extinção. É todo um complexo de fatores: a pesca e a caça exagerada, o desmatamento e outras ações humanas que provocam o fenômeno chamado defaunação.

De modo que quando se fala em ecologia, não é só floresta e plantas. Tem que ter em conta a biodiversidade, ou seja, toda a diversidade biológica que existe no mundo. Se bem que os processos naturais são indiscutíveis e necessários e toda espécie tem o seu fim, o homem pode fazer uso de um instrumento para se dar folga e mais vida. Porque muitas coisas que a humanidade faz para se tornar “o dono” do planeta, implicam, na verdade, no seu fim. Não adianta ser dono de terra árida.

Por isso a comunidade mundial deve fazer alguma coisa. E a tão elogiada “via diplomática” é um dos primeiros instrumentos a serem usados à nível político internacional. No entanto, cientistas internacionais estão elaborando mais um instrumento para se opor à extinção, que é a “de-extinção” (de-extinction termo em inglês). Este método está sendo estudado também por um grupo de cientistas russos, que irão tentar reavivar o mamute. Mas isso são planos e projetos, e no entanto, há de ser iniciada uma discussão internacional, afirma o professor Mauro Galetti, cuja entrevista segue abaixo.

– Professor Mauro, os dados que o senhor, junto com outros coautores, publicou na revista Science, mostram que há 322 espécies extintas desde 1500, e que agora estamos vivendo a sexta onda de extinção. A humanidade é realmente tão devastadora?

– Sem dúvida. Os pesquisadores têm levantado essa questão já há algum tempo, sobre a velocidade da extinção após o surgimento do ser humano no planeta. Tem-se chegado à conclusão de que a aceleração das extinções só aumentou desde que o homem apareceu. A gente não sabe quando exatamente foi isso, mas temos certeza de que o homem é um dos principais fatores da extinção da biodiversidade hoje no nosso planeta. E essas extinções, segundo as avaliações, aumentaram mais de mil vezes em comparação à extinção natural. Agora, há de se ter consciência de uma coisa: todas as espécies vão ser extintas um dia. A gente sabe que qualquer espécie que evoluíu no nosso planeta deverá ser extinta. Mas a partir do antropoceno, época em que o homem domina o planeta, essas extinções aumentaram mil vezes. Isso por que? Por causa da destruição de ambientes naturais, poluição, mudanças climáticas e muita caça que ainda existe em várias regiões.

– Quais são as atividades humanas que mais prejudicam a natureza?
– O corte de florestas, tanto para alimentação como para fins medicinais, como para o papel, a caça têm eliminado muitas espécies do nosso planeta.

– O que deveria a comunidade mundial fazer nesta situação?
– Hoje em dia uma das coisas que precisam ser colocadas na agenda global sobre a discussão do meio ambiente é a perda de animais. Não só as mudanças climáticas e o desmatamento, mas tão rápido quanto desmatamento e mudanças climáticas acontece o que a gente chama defaunação. Isso tem que ser discutido: como reduzir defaunação no mundo, em agenda política. Seja uma proteção maior às áreas protegidas, seja a proibição do uso de certos tipos de animais, como os elefantes ou os tigres que estão sendo dizimados na África e na Ásia para fins medicinais. Tem que ter um boicote forte para evitar a extinção dessas espécies.

– Há umas regiões determinadas em que o problema é maior?

– A gente fez um mapa onde estão os locais do planeta em que mais estão sendo reduzidos os animais. É a região tropical ressaltou nesse mapa por ter mais espécies e porque o desmatamento é muito mais rápido nessas áreas. A defaunação está acontecendo no mundo todo. Mais particularmente forte nos trópicos.

– E surgem novas espécies para substituir as extintas?

– Não tem, isso é um grande problema. A gente acha que a tecnologia genética pode restaurar mamute e outros animais. Mas o papel de muitos animais é único no planeta. Há espécies que dispersam sementes, que regeneram a floresta e uma vez que elas são extintas, a floresta perde esse serviço ecológico feito pelos animais de graça. Estas espécies não têm substituição.

– Recentemente, surgiram informações sobre projetos de “de-extinção” ou “ressurreição” de espécies extintas, como o mamute. É possível isso?

– A gente tem conversado bastante com essas pessoas que fazem o que é chamado de de-extinction, que é retrazer, trazer de novo os animais extintos. Mas isso ainda é um pouco ficção científica. Tem-se investido muito nesta linha, porque o avanço tecnológico, advindo da tentativa de trazer um animal extinto, é enorme, porque vai ter muita verba para estudar genética, mapeamento genético que a gente faz, mas é muito pouco provável que isso aconteça. E se acontecer, é com pouquíssimas espécies. É uma alternativa para reverter o quadro da refaunação.

– O senhor poderia comentar a situação com os animais do Brasil?

– O Brasil tem um papel chave em tudo isso, porque é o país que detém a maior diversidade de animais e plantas no planeta. E também é o país que mais perde animais. Então, é fundamental que o país veja e incorpore na política a proteção dos animais silvestres. Que não só veja floresta, floresta. Floresta é importante, sim, ainda que não tenha muitos animais, mas também há muitas áreas gigantes – na Amazônia, na Mata Atlântica – que não têm animais. Que têm floresta, mas não têm muitos animais.

– Podemos, atualmente, imaginar como era o mundo em épocas remotas, o passado da nossa Terra?

– A grande mensagem deste trabalho publicado na revista Science é que o ser humano, destruindo os animais, não vai melhorar a sua qualidade de vida. Muito pelo contrário. Uma boa parte de animais fazem serviço de graça para o ser humano, como a polinização dos alimentos que nós utilizamos, a reciclagem de nutrientes, plantando árvores de graça transportando sementes. O ser humano não poderá sobreviver no planeta sozinho. Ele precisa neste planeta de várias espécies para poder sobreviver. Senão, irá ser o próximo a entrar na lista de animais ameaçados de extinção.

– A humanidade é capaz de reduzir o dano?

– Sim, tem de ser mais sustentável. Os consumidores preocupados com isso, hoje são boa parte do mundo, por exemplo, nos países se desenvolve a reciclagem do material plástico, todas essas coisas. Se você compra uma Nutella, por exemplo, ela é feita de óleo de palma. Essa palma vem de plantações monodominantes do sudeste asiático, por exemplo, a floresta de Bornéu ou de Sumatra está sendo destruída para plantar essa palmeira para fazer esse óleo. O consumidor tem que estar atento a esses produtos que não são ecologicamente corretos e evitá-los. E daí vai ser criado um outro tipo de produto para substituir esse óleo de palma para evitar a destruição da floresta. E então, nessa floresta, você vai ver na natureza o orangotango, o leopardo, enfim, todos os animais que esta floresta tem.

– E se for possível imaginarmos as gerações futuras que pesquisarão a nossa época, qual seria a comparação?

– Eu acho que seria mais ou menos como a gente tem a nossa opinião dos homens da caverna, que não sabiam de tecnologia, não entendiam o que existia. Hoje, na verdade, a ciência tem informações. O problema não é a falta de informações. As universidades do mundo inteiro conseguem diagnosticar e propor estratégias para um planeta sustentável. A esfera maior, agora, é a política. Como é que nós vamos colocar esta discussão em uma agenda ambiental possível para todo o planeta, para que todos façam parte desta agenda ambiental? A China, a Rússia, a Índia, o Brasil, qualquer país que tenha biodiversidade tem que levar isso em conta na sua agenda ambiental.