26 julho 2014

Onda de calor no Japão mata sete pessoas

Sete pessoas morreram e mais de 1.800 foram hospitalizadas devido a uma onda de calor no Japão, relata o canal de televisão NHK.


Voz da Rússia

A maioria das vítimas são residentes das prefeituras de Saitama (116 pessoas), Aichi (114), Chiba (107) e Osaka (103). No total, este sábado, foram hospitalizadas 1.809 pessoas.

De acordo com o chefe da Agência Meteorológica do Japão, no sábado, a temperatura subiu acima de 35 graus em 230 dos 920 pontos de observação meteorológica e acima de 30 graus – em 702 pontos de observação. Na cidade de Higasiomi, foi registrada a temperatura de 38,8 graus, na cidade de Obama – 38,7, em Kyoto – 38,3, nas cidades de Toyama e Yonago – 38 graus.

Os meteorologistas alertam que, nos próximos dias, o calor não diminuirá, e conclamam os moradores locais a usar ar condicionado, tentar não passar muito tempo na rua e beber água constantemente.



25 julho 2014

Seca em rios é oportunidade de limpeza do lixo exposto

Redução de cursos d'água, como o Tietê, deixou margens repletas de lixo.
Especialistas dizem que responsabilidade da limpeza é de prefeituras.


Eduardo Carvalho
Do G1, em São Paulo

A seca na Região Sudeste reduziu a vazão de rios importantes, deixando vários trechos com acúmulo de lixo nas margens. Especialistas ouvidos pelo G1 apontam que este é um bom momento para que o poder público limpe as áreas afetadas, antes da temporada de chuvas.

Desde o início do ano, rios como o Tietê, que corta parte da Grande São Paulo, e o Piracicaba, no interior paulista, diminuíram seus níveis. Reservatórios também foram afetados. O Sistema Cantareira, que abastece a Grande São Paulo, por exemplo, caiu muito.

Rio Tietê em Salto, próximo ao bairro Pedregulho, centenas de garrafas PETs são acumuladas com a correnteza da água  (Foto: Victor Moriyama/G1)Rio Tietê em Salto tem centenas de garrafas PET acumuladas (Foto: Victor Moriyama/G1)

Na região de Santana do Parnaíba, a 30 km de São Paulo, a seca deixou exposta as pedras, normalmente escondidas pelas águas turvas, e evidenciou toneladas de lixo: uma mistura de sofás, sacolas plásticas e muitas garrafas PET. Na cheia, esse lixo navega pelas águas poluídas e "passeia" também pelos municípios vizinhos, como Pirapora do Bom Jesus, Cabreúva e Salto. Com a seca, uma massa de detritos ficou estacionada na área.

Em Salto, a prefeitura municipal montou uma operação para remover o que ficou acumulado em dois trechos, um deles na Ponte Pênsil, cartão postal da cidade. Operários fizeram rapel para alcançar os materiais. Já foram recolhidos quase três toneladas de lixo contaminado, que será enviado para aterro sanitário.

A responsabilidade de recolher o material em rios é das prefeituras, segundo a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo, a Sabesp, e o Departamento de Águas e Energia Elétrica, o DAEE, gestor dos recursos hídricos no estado.

Mas, segundo a pesquisadora Monica Porto, professora de engenharia ambiental da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), o acúmulo de lixo nos rios, tanto na seca, quanto nos períodos de cheia, é apenas parte de um problema maior, que vai desde a deficiência de prefeituras para tratar os resíduos sólidos à falta de conscientização da população, que precisa ser atingida por campanhas de esclarecimento.

Resíduos sem destinação

Estimativa da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe) aponta que apenas 60% do lixo gerado no Brasil em 2014 terá destino correto. No país existem quase 3 mil lixões e apenas 1,4% das 189 mil toneladas de lixo geradas por dia são recicladas.

“É responsabilidade das prefeituras evitar que os materiais cheguem aos rios. Não deveria precisar tirar os resíduos porque eles não deveriam nem ter ido para lá. No fim, as prefeituras acabam exportando esses problemas para órgãos estaduais”, explica a professora.

Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) analisaram a composição do lixo coletado nas tubulações do sistema de drenagem de Sorocaba, cidade do interior de São Paulo com 630 mil habitantes, e constatou que 17% do materiais foram lançados pelo homem, como vidro, embalagens metálicas e plástico.

Segundo o estudo, é alarmante a quantidade de lixo, que pode entupir canaletas e bueiros, e provocar problemas para a população, como enchentes.

““Há uma quantidade que efetivamente vai para os rios que não sabemos. As prefeituras não têm consciência de limpar [o lixo dos rios], eles não pensam muito nisso. Geralmente fazem campanha de desassoreamento, para diminuir riscos de enchente, mas agora podiam aproveitar [a época de seca] para fazer a limpeza”, explica Sandro Mancini, professor da Unesp e especialista em reciclagem de resíduos sólidos.

Mulher trabalha coletando todos os tipos de materiais recicláveis que o Rio Tietê  (Foto: Victor Moriyama/G1)Cirlene trabalha coletando material reciclável no Tietê e prefere quando o rio está cheio.
(Foto: Victor Moriyama/G1)

Mutirões ajudam, mas são insuficientes

Iniciativas de voluntários para limpar os cursos d'água, como a realizada por moradores de Piracicaba em fevereiro deste ano, que marcaram uma faxina geral no Rio Piracicaba pela internet, são louváveis, mas é preciso muito mais para superar o problema, de acordo com Malu Ribeiro, coordenadora da Rede das Águas da fundação SOS Mata Atlântica.

Ela afirma que uma das soluções para o problema seria o reforço da coleta seletiva nas cidades, já que as cooperativas, onde elas existem, não dão conta de separar todo o lixo. “Precisamos aproveitar essa seca terrível para fazer um alerta, um chamamento das pessoas, pois o lixo só está aí por nossa culpa, do cidadão”.

A ONG, que organiza todos os anos campanhas de conscientização e mutirões de limpeza de rios e praias, avaliou este ano a qualidade de 96 rios, córregos e lagos de 7 estados das regiões Sul e Sudeste. A análise constatou que 40% foram classificados como ruins e péssimos, sendo as principais fontes de poluição e contaminação a falta de tratamento de esgoto doméstico, produtos químicos lançados nas redes públicas e lixo de diversos tipos.

Na região de Santana do Parnaíba, a reportagem do G1 encontrou a recicladora Cirlene Oliveira, de 44 anos, recolhendo lixo na margem do Tietê. Ela vende o material para manter o sustento da sua família. Segundo Cirlene, o rio cheio facilita seu trabalho, que é navegar com um barco e recolher os itens recicláveis. Porém, mesmo com a dificuldade atual, ela disse que não acha certo todo esse lixo na água.

24 julho 2014

Cidade na China é isolada depois de morte por febre bubônica

Homem contraiu infecção depois de entrar em contato com marmota morta.
Há bloqueios em rotas que levam a Yumen, onde 151 estão em quarentena.


France Presse

Uma cidade chinesa foi isolada e 151 pessoas colocada em quarentena desde a semana passada depois que um homem morreu de peste bubônica, disse a imprensa local nesta terça-feira (22).

As 30 mil pessoas que vivem em Yumen, na província de Gansu, não estão autorizadas a sair do local. Nos bloqueios das estradas ao redor da cidade, policiais estão dizendo aos motoristas para encontrar rotas alternativas, de acordo com a emissora estatal "China Central Television" ("CCTV").

Relatos dizem que no início deste mês a vítima, de 38 anos, encontrou uma marmota morta, pequeno animal parecido com esquilo que vive em pastos. Ele pegou o animal e o cortou para alimentar seu cão. No mesmo dia, desenvolveu a febre e foi levado ao hospital quando seu estado piorou e morreu na quarta-feira passada.

"A cidade tem arroz, farinha e óleo suficientes para suprir todos os moradores por até um mês", acrescentou a "CCTV". "Moradores e aqueles em quarentena estão todos em condições estáveis".

Nenhum outro caso foi relatado até esta terça-feira. A peste bubônica, também conhecida como peste negra, é caracterizada como uma "doença infecciosa de classe A" na china, de acordo com a agência de notícias Xinhua, "a classe mais séria segundo a Lei de Prevenção e Tratamento de Doenças Infecciosas da China".

A peste bubônica é uma infecção bacteriana atualmente muito rara entre humanos. De acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, antibióticos modernos são eficazes em tratar a doença. Mas, se o tratamento não for imediato, a doença pode levar a consequências graves e até morte.

Tufão 'Matmo' tira 300 mil de casa na China

Mais de 340 mil lares estão sem energia.
Tormenta pode ser a causa do acidente aéreo em Taiwan.


EFE

Cerca de 300 mil pessoas tiveram que deixar suas casas na província de Fujian, no sudeste da China, onde o tufão "Matmo", o décimo da temporada que passa pelo território chinês, tocou terra na tarde de quarta-feira (23), informaram nesta quinta (24) as autoridades.

Tufão provocou inundação em Fuzhou, província de Fujian, deixando ônibus debaixo da água. (Foto: Reuters)Tufão provocou inundação em Fuzhou, província de Fujian, deixando ônibus debaixo da água. (Foto: Reuters)

Após as primeiras horas da passagem do ciclone pela China, ainda não há informações sobre mortos, feridos e desaparecidos, mas o forte temporal provocou o corte do fornecimento de energia em mais de 340 mil lares, segundo a agência oficial "Xinhua".

Desde que o tufão tocou terra, às 15h30 locais de quarta (4h30 de Brasília), as autoridades provinciais suspenderam todos os serviços de transporte marítimo e obrigaram todos os barcos pesqueiros a voltarem para o porto.

Também foi interrompida a circulação dos trens nas regiões litorâneas, informaram as autoridades, devido aos fortes ventos de até 126 km/h.

Após chegar a Fujian, o tufão está se movimentando para a direção noroeste, por isso as províncias vizinhas de Jiangxi e Zhejiang estabeleceram medidas preventivas e procederam com a retirada de cerca de 44 mil pessoas até agora.

O tufão Matmo chega à China poucos dias depois de passar por Taiwan, onde deixou dois mortos e um desaparecido. Além disso, especula-se que as más condições do tempo foram a causa do acidente de um voo da companhia TransAsia Airways, que caiu nas ilhas de Penghu quando o avião tentava de fazer um pouso de emergência, causando pelo menos 48 mortes.

O Matmo atingiu o território chinês após a passagem de outro tufão, o Rammasun, que provocou a morte de 56 pessoas e deixou mais de 20 desaparecidos.


23 julho 2014

Operação flagra transporte noturno de madeira ilegal em Mato Grosso

G1 acompanhou ação de agentes do Ibama em Marcelândia.
Município luta para se manter fora de lista de maiores desmatadores.


Leandro Nascimento
Do G1 MT

Quando a noite chega, o movimento começa. Em Marcelândia (MT), caminhões que fazem o transporte de madeira extraída ilegalmente da floresta amazônica rodam por estradas vicinais carregados de toras. É desta forma que os infratores burlam a fiscalização. Mas desta vez seus passos foram vigiados. Não demora muito e a ação de fiscalização na mata começa.

Quarta-feira, 9 de julho. O alvo dos fiscais do Ibama é uma área de extração irregular a 70 quilômetros de Marcelândia, no norte mato-grossense. A ação é acompanhada pelo G1. O desmatamento no município é considerado sob controle desde que deixou a lista do governo federal com os maiores desmatadores da Amazônia. A conquista se deu em 2013, após pelo menos quatro anos tentando conter o avanço da destruição da floresta, baixando a incidência de fogo e regularizando a maioria das propriedades rurais com o Cadastro Ambiental Rural (CAR).


Operação do Ibama em MT (Foto: Leandro J.Nascimento/Agrodebate)Madeira apreendida será utilizada na construção de pontes. (Foto: Leandro J.Nascimento/G1)

Marcelândia tem sua economia voltada para a agropecuária e extrativismo vegetal. Desde que o município conseguiu deixar a lista de desmatador de floresta, passou a ser considerado prioritário na alocação de recursos, planos, programas e projetos da União, com foco nos desenvolvimentos econômico e social sustentáveis. Mas apesar da vitória parcial, a exploração ilegal de madeira continua ocorrendo em áreas próximas da cidade.

O primeiro infrator logo é flagrado pelo Ibama na operação que acabara de começar, adentrou a noite e duraria cerca de 30 horas.

No início da operação, caminhão é flagrado com madeira ilegal

Um caminhão carregado de toras parado em uma estrada vicinal é abordado pelos agentes. "Ele estava aguardando a noite cair para iniciar o trajeto para a cidade", aponta ao G1 o analista ambiental Evandro Carlos Selva. Pego de surpresa, o motorista, de cabelos brancos, diz ser a primeira vez em que é flagrado transportando produto florestal sem nota. Ele sabe que está irregular e reconhece o erro. Sua identidade não será revelada a pedido do próprio Ibama.

Em uma rápida conversa com os agentes ambientais, diz que está trabalhando para ajudar no sustento dos familiares – ele é pai de quatro filhos, e a família vive em Marcelândia. Toda a carga seria entregue em local previamente indicado em papéis que estavam na boleia do caminhão.

Naquela mesma noite, outros dois caminhões foram interceptados pelo Ibama. Os motoristas flagrados foram encaminhados no dia seguinte à delegacia de Polícia Civil em Marcelândia. Prestaram depoimento e foram liberados.

VALORES


Com a prática do manejo florestal, é possível a retirada de madeira de uma floresta nativa seguindo critérios técnicos e com autorização de órgãos ambientais. Os carregamentos apreendidos, no entanto, vêm de áreas sem autorização para derrubada.

Na maioria dos casos, os trabalhadores são atraídos para esta atividade em função dos valores pagos pelo frete. Eles dizem aos agentes que ganham mais do que se estivessem trabalhando no transporte de madeira legalizada – em média R$ 50 o metro cúbico. Um veículo carregado com 23 metros cúbicos de toras pode significar R$ 1.150 em frete. Em áreas de projetos de manejo, o valor oscila entre R$ 30 e R$ 35 por metro cúbico.

Para abordar os motoristas, é preciso agir rápido e de surpresa, mas sem que a ação represente riscos aos agentes ambientais e também aos próprios condutores dos veículos.

ACAMPAMENTO NA FLORESTA

Os agentes se dirigem à área de onde a madeira é retirada da mata. A localização exata é indicada pelos próprios motoristas detidos. “Sabemos que não é plano de manejo. Quem estiver lá dentro e todo o equipamento ilegal serão apreendidos”, adianta ao G1 o superintendente do Ibama em Mato Grosso, Marcus Keynes.

A escuridão na estrada é quase total e a única luz a mostrar o caminho dos fiscais é a das próprias viaturas. Do ponto em que foram encontrados dois dos três caminhoneiros até o acampamento são cerca de 5 quilômetros.

Para que sua aproximação não seja notada, ao chegarem mais perto do local os agentes deixam as viaturas e seguem a trilha a pé e no escuro. Sussuros e sinais são as formas de comunicação. É necessário ter perícia para achar a rota certa na mata: o caminho tem uma série de bifurcações.

De repente, ouvem-se vozes que denunciam que o acampamento clandestino está perto. A abordagem é rápida: um tiro de advertência é disparado e ocorre a invasão. Seis homens são surpreendidos no local.

“Ibama! Não corre não!”, anunciam os fiscais, que rapidamente se aproximam da estrutura improvisada no meio da floresta. Os trabalhadores não reagem. Todos viviam na barraca, que servia como abrigo durante semanas ou até meses que ficavam na mata. Moradores de Marcelândia, eles foram contratados para funções como tratorista, operador de motosserra e serviços gerais.

Duas caminhonetes, quatro motos, uma espingarda e uma motosserra encontradas no local foram apreendidas. O acampamento é destruído pelo Ibama para impedir seu uso como base para ações de desmatamento.

Estrutura do acampamento indica que grupo ficaria dias na mata

O trabalho, contratado por empreitada ou diária, não é registrado em carteira e não há qualquer tipo de benefício trabalhista. Os detidos dizem que são apenas empregados e que o maquinário não lhes pertence. O grupo informou que estava na mata havia duas semanas. Um deles afirmou não saber que a extração da madeira era ilegal.

Na madrugada fria, os agentes do Ibama ainda precisam encontrar os tratores usados no desmatamento. “Uma máquina está ali e a outra um pouco na frente”, sinaliza um jovem tratorista que trabalhava na área. Aos poucos elas começam a ser removidas e levadas para outro ponto da mata definido pelos agentes. Recolher os equipamentos caros, como os tratores, é uma forma de descapitalizar os “donos” do desmatamento. A Polícia Militar Ambiental dá suporte na ação na mata.

Em Marcelândia, o grupo de trabalhadores do acampamento é conduzido até a delegacia de Polícia Civil local. São ouvidos e liberados, após assumirem o compromisso de se apresentar às autoridades quando acionados.

De acordo com o delegado Marcelo Carvalho, em casos como estes os infratores não são presos já que situações desta natureza (flagrante de extração ilegal de madeira e transporte irregular) representam um crime de menor potencial ofensivo e cuja pena pode chegar a até dois anos de detenção, caso assim decida a Justiça. “Houve a assinatura de um termo circunstanciado, que é um procedimento simplificado, mas que tem repercussão penal. Não há o indiciamento e, após o depoimento, todo o material é encaminhado ao Judiciário”, disse Carvalho ao G1.

O documento primeiramente é enviado ao Ministério Público Estadual e por se tratar de um crime de menor potencial ofensivo não é oferecida denúncia. É realizado um acordo, chamado de transação penal, em que o MPE define o que o infrator terá que fazer como forma de punição, resultando em multa (que pode ser revertida para o Fundo Estadual de Meio Ambiente) ou prestação de serviço. Depois, segue para o Poder Judiciário que poderá acatar ou não o acordo realizado entre o MPE e os envolvidos. A detenção é outro tipo de medida requerida pelo MPE em casos extremos.

DOAÇÃO


A madeira apreendida foi doada à Prefeitura de Marcelândia e será empregada na construção de pontes, creches e escolas. Já as máquinas apreendidas vão ficar sob custódia provisória do município.

Em anos eleitorais a legislação restringe que o Ibama promova a doação de produtos que são apreendidos durante as operações ambientais após o encerramento dos processos. A exceção ocorre quando os itens se destinam aos municípios em estado de emergência, de calamidade pública, ou mesmo aos programas sociais que tenham sido assinados um ano antes do processo eleitoral.

Os alertas de desmatamento na Amazônia Legal brasileira caíram 24% entre agosto de 2013 e maio deste ano, segundo o Ministério do Meio Ambiente. Ao todo, foram 1.771,86 km² verificados no período pelo Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter). A meta com o combate à exploração criminosa é chegar ao desmatamento ilegal zero.

No mesmo período, mais de 150 mil hectares tiveram área embargada e foram aplicados autos de infração que totalizaram mais de R$ 1,2 bilhão em todo o país.



Ebola: Vírus que mata 90% dos doentes chegou à Europa em garrafa térmica em 1976

Frasco com amostra de sangue com 'doença misteriosa' foi enviado em voo comercial; vírus foi identificado e batizado por belga.


BBC

Há cerca de 40 anos, um jovem cientista belga viajou para um parte remota da floresta do Congo com a tarefa de descobrir por que tantas pessoas estavam morrendo de uma doença misteriosa e aterrorizante.

Em setembro de 1976, um pacote com uma garrafa térmica azul havia chegado ao Instituto de Medicina Tropical em Antuérpia, na Bélgica. Peter Piot tinha 27 anos e, com formação em medicina, atuava como microbiologista clínico. "Era um frasco normal, como os que usamos para manter o café quente", lembra Piot, hoje diretor da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres.

Mas essa garrafa não continha café. Em meio a cubos de gelo derretidos estavam frascos de sangue, com um bilhete.

Vinham de um médico belga que estava no então Zaire, hoje República Popular do Congo. Sua mensagem explicava que o sangue era de uma freira, também belga, contaminada por uma doença misteriosa.

A encomenda incomum tinha viajado da capital do Zaire, Kinshasa, em um voo comercial, na bagagem de mão de um dos passageiros. "Quando abrimos a garrafa térmica, vimos que um dos frascos havia quebrado e o sangue havia se misturado com a água do gelo derretido", disse Piot.

Ele e seus colegas não sabiam o quão perigoso aquilo era - à medida em que o sangue vazava na água gelada, um vírus mortal e desconhecido também escapava.

Elefantes têm o olfato mais poderoso do reino animal, sugerem cientistas

Mamífero tem sentido cinco vezes mais desenvolvido que o dos humanos.
Investigação foi realizada por pesquisadores japoneses.


AFP

Estudo realizado por cientistas japoneses afirma que os elefantes possuem um olfato que, provavelmente, é o mais poderoso do reino animal. A investigação científica, publicada no jornal "Genome Research", afirma que o genoma dos elefantes africanos contém o maior número de genes relativos aos receptores olfativos, cerca de 2 mil, responsáveis por detectar odores no meio ambiente.

Elefante parece dar 'beijinho' com a tromba em fotógrafo ao ser clicado em zoológico de Magdeburg, na Alemanha (Foto: Jens Wolf, DPA /AFP)Elefante parece dar 'beijinho' com a tromba em fotógrafo ao ser clicado em zoológico de Magdeburg, na Alemanha. Investigação aponta que mamífero tem olfato cinco vezes mais desenvolvido que o dos humanos (Foto: Jens Wolf, DPA /AFP)

Isto significa que os elefantes dispõem de um olfato cinco vezes mais desenvolvido que o dos seres humanos, o dobro que o dos cães e ainda mais forte que recordista anterior do reino animal: o dos ratos. "Aparentemente, o nariz do elefante não é só comprido, também é superior", afirmou o principal autor do estudo, Yoshihito Niimura, da Universidade de Tóquio.

Não se conhece exatamente como estes genes funcionam, mas é provável que isto tenha permitido aos elefantes sobreviver com o passar dos anos. De fato, a capacidade de sentir permite aos animais encontrar alimentos, parceiros e evitar os predadores.

Para fazer este estudo, os cientistas compararam os aparelhos olfativos dos elefantes com os de outros 13 animais, entre eles cavalos, coelhos, porquinhos-da-índia, bois e chimpanzés. Os primatas e os seres humanos são os que, segundo o estudo, têm menos genes relacionados com o olfato. "Isto poderia ser uma consequência do fato de que dependemos menos do olfato do que (...) da nossa visão", concluiu Niimura.

Morcegos usam polarização da luz para se orientar à noite, diz estudo

Padrões da luz do sol programam bússola interna de animal.
Mecanismo é usado para que morcego consiga caçar após o anoitecer.


AFP

Um tipo de morcego europeu demonstrou ser capaz de usar padrões de dispersão da luz do sol para programar sua bússola interna para conseguir caçar após o anoitecer, algo visto em outras espécies de animais, mas inédito nos mamíferos, revelaram cientistas nesta terça-feira (22).

Único mamífero voador, o morcego usa a ecolocalização, uma forma de sonar, para se orientar, mas ela só funciona em distâncias de até cerca de 50 metros.

  Morcego Myotis myotis, da Bulgária  (Foto: Stefan Greif/Divulgação)Exemplares do morcego 'Myotis myotis', ou morcego-rato-grande, foram capturados na Bulgária para o estudo (Foto: Stefan Greif/Divulgação)

O animal deixa seu abrigo em cavernas, árvores e prédios à noite para caçar insetos, frequentemente percorrendo centenas de quilômetros e voltando antes do amanhecer para evitar os predadores.

"Sabíamos que eles tinham que usar outro de seus sentidos para a navegação de longa distância", explicou Stefan Greif, da Universidade Queen's de Belfast, coautor do estudo publicado na revista "Nature Communications".

Há muito tempo os pesquisadores se perguntavam se os morcegos conseguiriam ler o padrão da luz solar dispersa na atmosfera, a chamada polarização, para se orientar pelo campo magnético da Terra.

Estes padrões dependem da posição do sol no céu e são usados por insetos, aves, peixes, anfíbios e répteis para a navegação.

Neste estudo, uma equipe de biólogos capturou 70 fêmeas de morcego-rato-grande (Myotis myotis) na Bulgária e as colocaram em gaiolas transparentes a 1,3 km de sua caverna.

As janelas foram cobertas com filtros de polarização da luz: algumas, orientadas para que os morcegos ficassem expostos aos padrões dispersos "naturais" e outras, inclinadas a 90 graus.

Os morcegos tiveram uma vista clara do horizonte e do sol por volta do crepúsculo, quando o padrão disperso é mais forte e, em seguida, foram levados para dois locais distantes 20 km um do outro, onde foram libertados em noites diferentes e tiveram instalados rádio-transmissores.

Ao tentar encontrar o caminho de casa, os dois grupos voaram em direções diferentes, sendo que um maior número daqueles expostos aos padrões naturais se aproximou do alvo.

"O pôr do sol pode ter sido usado como uma pista para incorporar esta informação, mas aparentemente os morcegos ignoraram isto e deram mais peso à pista da polarização", concluíram os autores do estudo.

Desconhece-se, no entanto, como os morcegos conseguem este feito. Outros animais que usam padrões de polarização têm adaptações oculares especiais.

Os animais contam com uma variedade de informações sensoriais para sua navegação: a posição do sol ou das estrelas, o campo magnético da Terra, odores, pistas oculares ou padrões de dispersão da luz.

Estes "inputs" precisam ser calibrados uns com relação aos outros para se conseguir o resultado mais preciso.

Controladores naturais de pragas, os morcegos estão em declínio em toda a Europa. "Qualquer coisa que nós possamos fazer para entender como eles circulam, como se movimentam e navegam será um passo adiante para ajudar a protegê-los", disse, em um comunicado, o colega cientista Richard Holland.


Com cheia, comerciantes reclamam de produtos 'encalhados' em Manaus

Em comércio do Centro da capital funcionários foram demitidos.
'Antes, vendia R$ 2 mil por dia. Hoje conseguimos R$ 200', diz comerciante.


Camila Henriques
Do G1 AM

A cheia em Manaus não tem afetado apenas os moradores de casas em áreas alagadas das zonas Sul e Oeste da capital. Comerciantes do Centro da cidade também amargam prejuízos e lamentam demissões. Na Rua dos Barés, empresários reclamam de mercadorias "encalhadas" nesse período. Eles relatam ainda que o problema tem gerado demissões. No Amazonas, 39 municípios estão afetados pela cheia dos rios neste ano. Segundo o Serviço Geológico do Brasil (CPRM), o nível do Rio Negro, que nesta terça-feira (22) mede 29,38 metros, deve começar a baixar em ritmo rápido somente no início de agosto.

Ruas do centro estão alagadas (Foto: Camila Henriques/G1 AM)Ruas do centro estão alagadas (Foto: Camila Henriques/G1 AM)

No Centro de Manaus, o comerciante Wendel Uchôa, dono de um varejão, afirmou que a situação resultou em medidas extremas. "Tínhamos seis funcionários e agora só sobrou um. Precisamos demitir pessoas, porque, simplesmente, não havia como pagá-las. As vendas diminuíram em 90%", disse.

Segundo Wendel, os prejuízos não se resumem ao pagamento de salários. Sem saírem das prateleiras, as mercadorias também precisam ser "despejadas". "Trabalhamos com alimentos perecíveis e, como eles estragam, temos que jogar fora o que não presta mais. Já perdemos toneladas de mercadorias. Antes, vendíamos R$ 2 mil por dia. Hoje, tenho sorte se consigo vender R$ 200", relatou.

Com o problema - que deve se estender até agosto, mês em que a vazante deve acelerar -, o comerciante se sustenta apenas nas remessas de mercadorias para o interior do estado. "É isso que salva, porque se fôssemos depender daqui, estaríamos falidos. As pessoas não querem vir ao Centro durante a cheia. Elas preferem pagar mais caro em um supermercado a ter que comprar comida em um lugar sujo", frisou.

Em uma distribuidora localizada na mesma rua, os comerciantes também reclamam. "Não tenho como saber o quanto deixamos de vender, mas dá para perceber no movimento. Ninguém mais vem para cá. Como trabalhamos com entrega, é ainda mais difícil, porque não tem como o caminhão vir até a porta. Temos que levar caixa por caixa [em cima das marombas, estruturas de madeira que lembram uma ponte], o que deixa o processo bem mais lento", relatou o comerciante Eldo de Freitas.

Um outro comerciante, que não quis se identificar, comentou que a cheia prejudica os serviços prestados aos clientes. "As entregas que fazíamos em vinte minutos agora demoram pelo menos uma hora, e isso em ruas próximas daqui", reclamou.

Procurada pelo G1, a Defesa Civil de Manaus afirmou que as ações referentes à cheia na Rua dos Barés são de descontaminação das águas e construção de passarelas - mais conhecidas como marombas. 

Comércio foi tomado pela cheia (Foto: Camila Henriques/G1 AM)Comércio no Centro de Manaus foi tomado pela cheia (Foto: Camila Henriques/G1 AM)

Cheia

O último balanço da Defesa Civil do Amazonas aponta que 39 municípios foram atingidos pela cheia dos rios. Segundo o órgão, atualmente 37 municípios estão em situação de emergência e dois em estado de calamidade, com mais de 317 mil pessoas afetadas. Neste ano, as cidades começaram a enfrentar o problema em abril.

Em maio, o Rio Negro ultrapassou a marca de 28,94 metros, considerada de emergência, e alcançou a faixa de alerta na capital. A previsão do (CPRM é que o nível rio saia da faixa de alerta em agosto.

Cinco municípios entraram na lista de atingidos: Autazes, Itacoatiara, Anori, Careiro Castanho e Codajás. Além dessas cidades, a lista atualizada inclui as cidades de Borba, Apuí, Envira, Guajará, Ipixuna, Lábrea, Novo Aripuanã, Manicoré, Nova Olinda do Norte, Tapauá, Anamã, Barreirinha, Beruri, Boa Vista do Ramos, Caapiranga, Canutama, Careiro, Careiro da Várzea, Coari, Fonte Boa, Iranduba, Jutaí, Manacapuru, Manaquiri, Maraã, Maués, Nhamundá, Parintins, Pauini, Silves, Tefé, Itamarati, Urucará e Urucurituba.

20 julho 2014

Reino Unido apela ao público para tentar salvar abelhas da extinção

Mortalidade ao redor do planeta ameaça a polinização de flores e frutas.
Entre as possíveis causas estão o uso excessivo de pesticidas.


Do G1, em São Paulo

Cinco passos podem ajudar a conter o declínio das populações de abelhas e outros polinizadores vitais para manter a cadeia alimentar da qual as pessoas dependem, afirmaram as autoridades britânicas nesta semana ao fazer um apelo público.

Governos de todo o mundo têm se alarmado com o forte declínio no número de abelhas, que desempenham um papel fundamental nos ecossistemas, especialmente nos cultivos que compõem grande parte da alimentação humana.

Segundo a agência France Presse, os cinco passos são: plantar mais flores, arbustos e árvores ricas em néctar e pólen; deixar trechos de terra livres para o crescimento de plantas silvestres; aparar a grama com menos frequência; evitar perturbar ou destruir insetos aninhados ou em hibernação; e pensar cuidadosamente antes de usar pesticidas.

"Polinizadores como as abelhas são vitais para o meio ambiente e para a economia, e eu quero assegurar que faremos tudo o possível para salvaguardá-los", disse o vice-ministro de Meio Ambiente, Rupert de Mauley.

"É por isso que estamos encorajando a todos para que adotem algumas poucas ações simples e façam seu papel em ajudar a proteger nossas abelhas e borboletas", acrescentou.

Estratégia nacional para polinizadores

Os cinco passos impulsionados pelo Ministério do Meio Ambiente são divulgados antes da publicação pelo governo, prevista para este ano, de uma estratégia nacional para proteger polinizadores.

A organização Amigos da Terra saudou a iniciativa, mas instou o governo a trabalhar para limitar o uso de pesticidas, que se acredita ser um fator chave neste declínio.

"O governo também precisa desempenhar seu papel, fortalecendo sua vindoura Estratégia Nacional de Polinizadores para responder a todas as ameaças que as abelhas enfrentam, especialmente apoiando os fazendeiros a reduzir o uso de pesticidas e contendo a perda continuada de hábitat vital como as pradarias", disse o diretor executivo Andy Atkins.

O governo britânico tem sido criticado por se opor às restrições da União Europeia ao uso de vários neonicotinoides em cultivos favorecidos pelas abelhas. As substâncias têm sido vinculadas ao declínio nas populações de abelhas e aves.

Importância das abelhas

A mortalidade de abelhas ao redor do planeta ameaça ambos os processos. Entre as possíveis causas já listadas estão o uso excessivo de pesticidas, como os neonicotinoides, excesso de parasitas que afetam esses insetos, poluição do ar e da água, além do estresse causado pelo gerenciamento inadequado das colmeias.

Investigar essas e outras hipóteses é importante, porque pode evitar um possível caos ambiental. O declínio põe em risco a capacidade global de produção de alimentos.

Para se ter ideia, segundo a Organização das Nações Unidas, os serviços de polinização prestados por esses insetos no mundo – seja no ecossistema ou nos sistemas agrícolas -- são avaliados em US$ 54 bilhões por ano. Além disso, 73% das espécies vegetais cultivadas no mundo são polinizadas por alguma espécie de abelha.

Cientista descobre quatro novas espécies de mamíferos no Brasil

Análise genética possibilitou encontro de espécies de cuícas-de-rabo-curto.
Três desses animais vivem na Amazônia e um na Mata Atlântica.


Eduardo Carvalho
Do G1, em São Paulo

Quatro novas espécies de mamíferos que vivem na Mata Atlântica e na Amazônia foram descobertas por uma cientista brasileira com a ajuda de sequenciamento genético.

São tipos diferentes de cuícas-de-rabo-curto, marsupiais que são parentes próximos do gambá, mas que, diferente de seu “primo”, não possuem a bolsa abdominal comum em animais desta infraclasse, como o canguru, outro parente distante.

A investigação científica foi publicada na última semana na revista “Molecular Phylogenetics and Evolution”, em artigo assinado por Silvia Pavan, Sharon Jansa e Robert Voss.

Em entrevista ao G1, Silvia, que está nos Estados Unidos, conta que pesquisa há anos o gêneroMonodelphis, ao qual pertencem as cuícas-de-rabo-curto. Esses animais podem ser encontrados desde o sul do Panamá, passando por vários biomas do Brasil, até a região central da Argentina.

O artigo afirma que das quatro espécies novas, três vivem na Amazônia e uma na Mata Atlântica. Os animais ainda não receberam um nome, já que a descrição oficial deve acontecer nos próximos anos.

De hábito terrestre, são bichos que vivem entre as folhagens de florestas, fazem ninhos em troncos ocos de árvores e podem ter capacidade de viver em tocas abaixo do solo – uma característica que ainda precisa ser melhor estudada.

São animais que se alimentam de insetos, mas que também podem consumir pequenos vertebrados. Seu comprimento varia de 7 centímetros a 20 centímetros, e chegam a pesar entre 6 gramas e 140 gramas.

Refazendo as contas


Espécies de “cuícas-de-rabo-curto” ilustrando diferentes padrões de coloração da pelagem: A, Monodelphis domestica (coloração uniforme); B, M. touan (laterais avermelhadas); C, M. emiliae (cabeça e lombo avermelhados); D, M. americana (listras dorsais esc (Foto: Divulgação/T. Semedo; S. Pavan; T. Semedo; D. Pavan)Espécies de “cuícas-de-rabo-curto” ilustrando diferentes padrões de coloração da pelagem: A: Monodelphis domestica (coloração uniforme); B: M. touan (laterais avermelhadas); C: M. emiliae (cabeça e lombo avermelhados); D: M. americana (listras dorsais esc (Foto: Divulgação/T. Semedo; S. Pavan; T. Semedo; D. Pavan)


Além de descrever quatro novos animais, o trabalho de pesquisa publicado na última semana sugere alterar a quantidade de espécies de cuíca-de-rabo-curto descritas pela ciência. Até então, segundo a literatura, existem 26 variações. Mas foi possível verificar que cinco descrições eram, na verdade, repetições. Isso se esclareceu com análise genética. Assim, com as quatro novas espécies descritas no trabalho da brasileira, o total ficaria em 25.

Preservação

De acordo com a pesquisadora, ainda não é possível dizer se as novas espécies estão ou não ameaçadas de extinção. Dentre os animais já descritos, não há indicação de que estejam em risco de desaparecer da natureza, mas pouco ou nada se sabe para estabelecer o status de conservação de muitas delas.

No entanto, surpreende a ocorrência de uma cuíca desconhecida na Mata Atlântica, o bioma brasileiro mais devastado e que disputa lugar com a expansão urbana. “Mesmo com todos os trabalhos de exploração [científica], coletas etc., não é incomum encontrar espécies que ainda não tem nome na Mata Atlântica. Isso enfatiza a necessidade de preservar o bioma. Muitas espécies podem desaparecer sem antes sabermos da sua existência”.

Somados todos os fragmentos de floresta nativa acima de 3 hectares, restam 12,5% da área original do bioma, que tinha 1,3 milhão de km² quando o Brasil foi descoberto. Essa paisagem natural é uma das mais ricas em biodiversidade, e até 60% de suas espécies de plantas são endêmicas, ou seja, só existem naquela região.

Silvia ressalta ainda sobre a necessidade de mais investimentos em pesquisa básica no país, já que esse tipo de descoberta escancara que os brasileiros sabem pouco sobre a própria biodiversidade.


Tufão Rammasun mata 16 na China

Tormenta com ventos de mais de 170 km/h afetou o sul do país.
Nas Filipinas, tufão matou 54 pessoas.


EFE

Dezesseis morreram e mais de 3,3 milhões foram afetadas pelas fortes chuvas e ventos do tufão Rammasun no sul da China. A tormenta afeta o país desde a sexta-feira (18) até este domingo (20).

Fortes ventos arrancaram árvores do chão na cidade de Zhanjiang. (Foto: Reuters)Fortes ventos arrancaram árvores do chão na cidade de Zhanjiang. (Foto: Reuters)

O ciclone, o pior vivido pelo sul do país asiático em quatro décadas, castigou dúzias de cidades litorâneas da ilha de Hainan e na província de Cantão, assim como da região autônoma de Guangxi.

Segundo a última apuração das autoridades, sete pessoas morreram em Hainan, onde o tufão chegou na sexta, procedente das Filipinas - país no qual deixou 54 mortos -, enquanto outras nove morreram em Guangxi, onde chegou com ventos de mais de 170 km/h.

Em Hainan, o Rammasun destruiu cerca de 51 mil casas e 40.600 hectares de cultivos, e provocou perdas econômicas no valor de 4,7 bilhões de iuanes (US$ 752 milhões).

Espera-se que o Rammasun continue se movimentando em direção noroeste a uma velocidade de 20 km/h, levando consigo fortes chuvas à ilha de Hainan e à província de Yunnan (sul).

Austrália abandona lei de combate ao aquecimento global

BRUNO CALIXTO | ÉPOCA

A Austrália é um dos países que mais sofrem com as consequências do aquecimento global no mundo. Ano após ano, o país enfrenta verões cada vez mais quentes, secas extremas e incêndios florestais que, segundo um estudo recente da Nature, são consequências da ação humana. O clima extremo, no entanto, parece não ser o suficiente para os políticos australianos. O país se tornou, nesta semana, o primeiro no mundo a rejeitar toda uma legislação de combate ao aquecimento global.

Na quinta-feira (17), o Senado da Austrália votou o fim da principal política climática australiana - o imposto de carbono para empresas poluentes. Por 39 votos a 32, os senadores acabaram com a taxa e não colocaram nada no lugar, dificultando as chances de o país cumprir sua já baixa meta de redução na emissões, de 5%.

A taxa de carbono sempre foi um assunto espinhoso na Austrália. A lei levou oito anos para ser colocada em prática, passou dois anos em vigor e foi responsável, direta ou indiretamente, pela queda de dois primeiros-ministros. Na última campanha eleitoral, o atual primeiro-ministro, Tony Abbott, prometeu que sua primeira iniciativa seria acabar com a taxa. Apesar de tudo isso, os dados indicam que ela estava funcionando.

A lei previa a cobrança de um imposto de 25 dólares australianos por cada tonelada de carbono emitida por empresas poluentes (1 dólar australiano vale R$ 2,10). Desde que foi colocada em prática, as emissões do setor de energia caíram 11%. No total, a Austrália reduziu em 0,8% suas emissões, a maior queda da sua história. Em contrapartida, os preços da eletricidade subiram, e por isso a taxa enfrentava resistência no país.

O governo ainda acredita que pode cumprir sua meta de 5%. Para isso, Abbott apresentará um plano que está sendo chamado de Direct Action. Esse plano oferecerá insenção fiscal e bônus para empresas que voluntariamente se comprometerem a reduzir as emissões. Ou seja, em vez de cobrar uma taxa das empresas poluentes, a Austrália vai destinar dinheiro dos contribuintes para essas empresas. O plano ainda não está pronto, mas a previsão é de que, para funcionar, o governo precisará de mais de US$ 2,5 bilhões.