18 julho 2014

São Paulo terá sacos de lixo específicos para reciclagem

Cor ainda não foi definida e materiais estão sendo testados


eCycle

A Prefeitura de São Paulo está desenvolvendo um novo tipo de saco de lixo, feito especificamente para abrigar resíduos que devem ser reutilizáveis. A Secretaria de Serviços da cidade alega que testes ainda estão sendo feitos com os tipos de materiais, mas a cor ainda não foi definida.

A ideia é que os sacos sejam produzidos com plástico processado pelas quatro usinas que a cidade deve ter até 2016 (saiba mais aqui). As embalagens deverão trazer instruções de como separar os resíduos corretamente. De acordo com a pasta, já há casos de sucesso seguindo a mesma lógica em outras cidades do mundo.

Os sacos serão apenas uma das utilidades do material processado nas usinas. A central que já opera na cidade e que custou R$ 36 milhões, tem previsão de reder 1,6 milhão por mês com a venda do material reaproveitado. Os gastos de custeio são da ordem de R$ 300 mil - o restante deve incrementar a renda de trabalhadores de cooperativas, mas também haverá dinheiro destinado a um fundo de estímulo de coleta seletiva.

O fundo em questão receberá recursos de empresas que farão a logística reversa. A Prefeitura já fechou convênios, homologados pelo Ministério do Meio Ambiente, com os setores de embalagens e de lâmpadas. Os recursos devem viabilizar a construção de mais usinas ou estimular usinas de compostagem domésticas, reduzindo também os detritos orgânicos.


Produção de energia eólica aumenta 44,5% em um ano no Brasil

Avanço foi constatado na comparação entre os meses de maio de 2013 e de 2014


eCycle

Entre os meses de maio de 2013 e de 2014, a produção de energia eólica aumentou 44,4% segundo dados do Boletim de Operações de Usinas da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

No mesmo período, a geração de energia termelétrica aumentou 20,7%. Apesar de apresentar uma redução de 5,1%, a energia produzida por hidrelétricas mantém-se predominante, sendo responsável por 66,5% da produção brasileira.

De acordo com a CCEE, em maio, fontes eólicas produziram 747 megawatts (MW) médios e térmicas, 17.307 MW médios. O boletim informa que o salto na entrega das térmicas foi impulsionado pelas usinas nucleares: foram produzidos 1.763 MW médios – número 154,1% acima do registrado em maio de 2013. As usinas térmicas a carvão geraram 1.823 MW médios (aumento de 37,3%) e as de biomassa 3.038 MW médios, produção 21,6% superior à registrada em maio de 2013.

A capacidade instalada somou 127.026 MW provenientes de 1.118 usinas que estão operando comercialmente no período. Ainda segundo o boletim divulgado na terça-feira, 15 de julho, a geração total de energia pelas usinas do Sistema Integrado Nacional foi 60.978 MW médios. Apesar de a geração ter sido 2,8% inferior à registrada em abril, é 1,8% maior do que o resultado obtido em maio de 2013.

Fonte: Agência Brasil


16 julho 2014

Caçadores matam 4 rinocerontes no Quênia no pior ataque em 26 anos

Mortes aconteceram em reserva natural a 225 km de Nairóbi.
Desde o início do ano foram registradas 22 mortes de rinocerontes no país.


France Presse

Caçadores mataram quatro rinocerontes em uma reserva na região central do Quênia, no pior ataque deste tipo em mais de 20 anos, informou a Agência Estatal de Conservação da Natureza, KWS.

O porta-voz da KWS, Paul Muya, disse que dois grupos de caçadores entraram durante a noite de 9 de julho na reserva de Ol Jogi Ranch, 225 km ao norte de Nairóbi. "Mataram quatro rinocerontes e conseguiram escapar com três chifres", afirmou Muya.

De acordo com o porta-voz, este foi o pior ataque contra rinocerontes no Quênia desde 1988. As autoridades prenderam dois suspeitos, que compareceram a um tribunal nesta segunda.

Segundo a KWS, caçadores mataram 22 rinocerontes desde o início do ano. O chifre do animal é apreciado no mercado negro asiático por constituir um ingrediente da medicina tradicional.


Cobras viraram 'bichos de estimação', diz moradora afetada por cheia no AM

Moradores dizem estar acostumados com cheia do Rio Negro em Manaus.
No Bairro Glória, mulher construiu 'ponte' dentro da própria casa.


Camila Henriques
Do G1 AM

A cheia do Rio Negro em 2014 já é considerada a quinta maior da história de Manaus e, para algumas famílias, o fenômeno tem piorado a cada ano. Na capital amazonense, famílias que moram em bairros afetados pela subida do nível das águas tentam amenizar os efeitos enquanto aguardam ajuda da prefeitura. A presença de animais perigosos como cobras e o risco de contrair doenças, porém, já não assustam os moradores.

A dona de casa Sandra Pena, de 47 anos, chega a brincar com a situação: "Estamos acostumados. As cobras já viraram nossos 'bichos de estimação'!".

Crianças brincam em meio a 'marombas' e lixo da cheia (Foto: Camila Henriques/G1 AM)Crianças brincam perto da água e do lixo trazido pela cheia do Rio Negro (Foto: Camila Henriques/G1 AM)

Sandra conta que chegou a matar uma cobra na residência. Na geladeira da cozinha, guarda a gordura do animal. "Ela cura inflamações e feridas. É uma receita antiga, do tempo da minha avó. Funciona", afirma.

Em uma casa vizinha, um grupo de crianças também fala sobre episódios envolvendo cobras durante as cheias do rio. Dizem que, à noite, as luzes não podem ser desligadas por causa do medo da chegada dos animais. "Um dia, encontramos uma cobra no banheiro. Era uma sucuri muito grande, que pulou e fugiu. Dá medo de brincar aqui. Sempre vemos animais na água", diz um menino de 8 anos.

Outro local afetado pela cheia do Rio Negro é o bairro da Glória, na Zona Sul de Manaus. Lá, os moradores também buscam alternativas para não ter contato com a água e o lixo.

A desempregada Andressa Oliveira, de 33 anos, que aparece no vídeo no início desta reportagem, construiu "marombas" (pontes de madeira feitas no período das cheias) dentro da própria casa. "Vejo as pessoas ao meu redor sendo atendidas e até saindo daqui, mas, comigo e com a minha família, [não foi feito] nada até agora. Este ano, a prefeitura não nos deu nada. Tivemos que construir sozinhos, senão ficaríamos esperando", diz.

"Sempre vou atrás para pedir que nos tirem daqui, mas nunca tenho resposta. Por causa da cheia, perdi sofá, armário e outras coisas. Por sorte, a casa tem um segundo andar onde posso colocar as coisas", completa.

No beco Bragança, localizado no bairro São Jorge, na Zona Oeste da capital amazonense, alguns moradores afirmam já estar acostumados com a situação, que se repete todos os anos. "Está crítico. Esperamos pelo poder público, e ninguém dá resposta", diz um integrante da comunidade que não quis se identificar.

"O resultado é a dificuldade de locomoção, esse cheiro ruim e a possibilidade de aparecer doenças como leptospirose. Isso sem falar que é um perigo para as crianças. Elas saem correndo nessas marombas, podem cair na água e até morrer, como já aconteceu algumas vezes", conta o morador.

Todas as famílias visitadas pela equipe de reportagem relataram falta de auxílio do poder público. Procurada pelo G1, a Defesa Civil de Manaus informa que "todas as famílias afetadas pela cheia foram cadastradas e receberam kits oferecidos pela Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos [Semasdh], além do aluguel social".

Em comunicado, a Semasdh diz não há registro de famílias cadastradas que estejam sem receber o benefício. "Até o momento, desconhecemos essa denúncia sobre a existência de famílias em áreas atingidas pela cheia que não foram cadastradas pela prefeitura. Caso alguma família se encontre em situação de risco, pode contatar a Defesa Civil Municipal, pelo telefone 199", afirma o órgão.

A secretaria informa ainda que 3 mil famílias atingidas pela cheia do Rio Negro foram cadastradas em 19 áreas de Manaus, incluindo os bairros da Glória e de São Jorge. "Todas as moradias em risco devido à cheia tiveram um laudo técnico realizado pela Defesa Civil Municipal e um levantamento socioeconômico pelas equipes da Semasdh. Todas as famílias que comprovadamente estavam em situação de vulnerabilidade devido à enchente receberam o benefício do aluguel social, pago em duas parcelas de R$ 300".

Cheia

O último balanço da Defesa Civil do Amazonas aponta que 39 municípios foram atingidos pela cheia dos rios. Segundo o órgão, atualmente 37 municípios estão em situação de emergência e dois, em estado de calamidade, com mais de 317 mil pessoas afetadas. As cidades começaram a enfrentar o problema em abril.

Em maio, o Rio Negro ultrapassou a marca de 28,94 metros, considerada de emergência, e alcançou a faixa de alerta na capital. A previsão do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) é que o nível rio saia da faixa de alerta em agosto.

Cinco municípios entraram na lista de atingidos: Autazes, Itacoatiara, Anori, Careiro Castanho e Codajás. Além dessas cidades, a lista atualizada inclui as cidades de Borba, Apuí, Envira, Guajará, Ipixuna, Lábrea, Novo Aripuanã, Manicoré, Nova Olinda do Norte, Tapauá, Anamã, Barreirinha, Beruri, Boa Vista do Ramos, Caapiranga, Canutama, Careiro, Careiro da Várzea, Coari, Fonte Boa, Iranduba, Jutaí, Manacapuru, Manaquiri, Maraã, Maués, Nhamundá, Parintins, Pauini, Silves, Tefé, Itamarati, Urucará e Urucurituba.

Duas crianças morrem após tempestade de granizo na Rússia

Bom Dia Brasil

Centenas de pedras de gelo caíram em uma praia da Sibéria de repente, causando pânico entre os banhistas. As mudanças de tempo rápidas são comuns na região. Este ano, elas estão mais extremas.



15 julho 2014

China elimina impostos sobre carros elétricos

Vanessa Barbosa | Exame

Em um esforço para promover a inserção de mais veículos verdes à frota, a China anunciou que todos os carros elétricos, híbridos ou movidos a células de combustível estão isentos de impostos sobre compra até 2017. 


BMW i3

Com o corte, que reduz em 10% o preço de veículos nacionais e importados, o governo chinês espera tornar os ecológicos mais atraentes. A medida é parte da estratégia chinesa de combater os altos níveis de poluição atmosférica em suas grandes cidades.

Atualmente, existem cerca de 70 mil veículos elétricos em uso na China, mas até 2020 o governo espera que esse número aumente para cinco milhões.

Nos últimos anos, o país vem expandindo rapidamente sua rede de carregamento, uma das principais barreiras existentes para o uso de carro elétrico.

Empresas de energia locais como a State Grid (responsável pela tecnologia do linhão de Belo Monte), juntamente com empresas privadas, como a Tesla, já estão planejando a expansão generalizada de pontos de carregamento em várias cidades chinesas.

E as montadoras estão surfando essa onda. A BMW prevê que a China se tornará o maior mercado do mundo para os veículos elétricos, como resultados da expansão da infraestrutura de carregamento e incentivos dados pelo governo. Para setembro, a fabricante alemã prepara o lançamento no país de seu primeiro elétrico em produção, o BMWi3.

Temperatura do ar em Moscou aproxima-se do nível recorde

Voz da Rússia

O bureau de hidrometeorologia de Moscou e da região de Moscou informou à agência Interfax que na terça e quarta-feira a temperatura do ar na capital russa vai chegar a 31-32ºC.

“A temperatura média do dia será aproximadamente seis graus superior à norma climática. Estas temperaturas beiram o recorde. Todavia os máximos, registrados anteriormente nestes dois dias, continuarão em vigor”, revelou o interlocutor da agência.

Afirmou que o máximo para o dia 15 de julho, registrado em 1951, foi igual a 33,2ºC e, respectivamente, o máximo para o dia 16 de julho, registrado em 2010, foi igual a 33,6ºC.


Mudança climática poderá causar mais cálculos renais, sugere estudo

Temperatura maior desidrata pessoas e aumenta risco de 'pedra nos rins'.
Não ingerir uma quantidade suficiente de líquidos pode agravar o problema.


France Presse

As mudanças climáticas vão trazer mais dias de calor, provocando uma maior sudorese e desidratação nas pessoas, um fator chave para aumentar o risco dos cálculos renais, destacaram cientistas na última semana em estudo publicado na revista "Environmental Health Perspectives"

Os pesquisadores encontraram uma relação entre dias quentes e pedras nos rins em 60 mil pacientes, que tiveram seus registros médicos analisados em Atlanta, Chicago, Dallas, Los Angeles de Filadélfia. "Descobrimos que, à medida que as temperaturas diurnas sobem, há um rápido aumento da probabilidade de que os pacientes sofram de cálculos renais no transcurso dos 20 dias seguintes", disse Gregory Tasian, urologista pediátrico e epidemiológico do Hospital Infantil da Filadélfia e autor do estudo.

Com o aumento das temperaturas médias diárias em cerca de 10ºC, o risco de ocorrência de pedras nos rins aumentou em todas as cidades, exceto em Los Angeles. Além disso, os cálculos renais foram mais frequentes depois de três dias da ocorrência de uma onda de calor.

Os cálculos renais ocorrem quando substâncias como o cálcio e o fósforo alcançam uma concentração elevada demais na urina. Não ingerir uma quantidade suficiente de líquidos pode agravar o problema. Estima-se que cerca de 10% da população dos Estados Unidos sofra de cálculos renais, que são mais comuns nos homens do que nas mulheres.

"Essas descobertas apontam para possíveis impactos na saúde pública relacionados à mudanças climáticas", disse Tasian.

"A prevalência de cálculos renais foi aumentando nos últimos 30 anos, e podemos esperar que esta tendência continue, tanto em quantidade como em extensão da área geográfica, à medida que aumentam as temperaturas diurnas", disse Tasian.

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14 julho 2014

Rusatom Overseas irá ajudar a construir instalações nucleares no Brasil

Voz da Rússia

A Rusatom Overseas (parte da empresa estatal russa Rosatom) irá assinar com uma das maiores empresas de construção do Brasil Camargo Correa um acordo para a construção de usinas nucleares no Brasil, inclusive os blocos de energia, declarou esta segunda-feira a jornalistas o diretor-geral da Rosatom, Serguei Kirienko.

Segundo ele, para a Rosatom, a América Latina é o mercado novo, mais interessante, portanto, a empresa precisa de um parceiro estratégico de confiança.


Santa Bárbara tem epidemia histórica de dengue e casos superam 2 cidades

Foram confirmados 3.150 casos da doença no primeiro semestre de 2014.
Comparado com o ano passado inteiro, o número aumentou em seis vezes.


Do G1 Piracicaba e Região

Santa Bárbara d’Oeste (SP) registrou a maior epidemia de dengue da história da cidade com 3.150 casos confirmados durante o primeiro semestre de 2014. Levando em consideração o número de casos registrados para um grupo de 100 mil habitantes, o município supera em 11 vezes a cidade de Limeira (SP) e em 13 vezes Piracicaba (SP).

O número de casos registrados em Santa Bárbara para um grupo de 100 mil habitantes é 1.673 casos. Já em Limeira é de 151,5 e, em Piracicaba, de 131 casos. Para chegar ao valor o G1 dividiu o número de casos confirmados de dengue no semestre de cada município pelo valor da população de cada cidade, segundo dados divulgados no site do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o dividiu por 100 mil.

Seguindo o mesmo critério e comparando com Campinas (SP), o número de casos de dengue registrados em Santa Bárbara d'Oeste é duas vezes menor que no município vizinho, que teve 3.484 casos confirmados para grupo de 100 mil habitantes no mesmo período.

A Prefeitura de Santa Bárbara, por meio da assessoria de imprensa, informou que não há mais nenhum caso a ser confirmado. E afirmou ainda que os trabalhos de prevenção continuam, como a nebulização nos bairros, as visitas nas casas e os trabalhos de orientações de escolas.

Morte por dengue

Um laudo do Instituto Adolfo Lutz confirmou a morte de Dirce de Oliveira Santos, de 57 anos, moradora da Vila Sartori, em Santa Bárbara d'Oeste, em decorrência de um agravamento raro dos sintomas da dengue. Conforme o documento, o vírus da doença se instalou no coração da mulher e causou uma miocardite (inflamação) aguda, o que a levou à morte no dia 7 de abril. "Conforme os médicos nos passaram, esse foi o terceiro caso no mundo", disse o marido da vítima, o comerciante Odenir Claro dos Santos, de 60 anos.


Biólogos alertam que emissário de Ipanema pode gerar danos à biodiversidade

Tubulação tem servido de passagem para o despejo maciço de produtos de difícil decomposição ou altamente poluentes


Emanuel Alencar | O Globo

RIO — O fotógrafo Carlos Secchin tinha o hábito de mergulhar, dia e noite, nas imediações do emissário submarino de Ipanema, onde se acostumou a encontrar peixes como robalos, linguados e pampos. Registrou centenas de imagens de corais que cresceram ao longo da tubulação. Há seis anos, porém, ele se viu obrigado a abandonar o hobby: o mar ganhou aspecto turvo, impedindo qualquer contemplação marinha. Ele não é o único a notar essa mudança. Pesquisadores e ambientalistas alertam para os efeitos nocivos da grande quantidade de lixo que vem sendo despejada no oceano, atingindo a biodiversidade do Monumento Natural das Ilhas Cagarras.

Durante muito tempo, a tubulação teve um fluxo basicamente composto por matéria orgânica. Hoje, o emissário também serve de passagem para o despejo maciço de produtos agressivos ao meio ambiente, de difícil decomposição ou altamente poluentes.

— O mergulho cênico acabou — lamenta Sechin. — A qualidade e a transparência da água caíram muito desde 2008, quando parei de mergulhar em Ipanema. Por questões de segurança, eu não costumava ir até a boca do emissário, mas saía quase meio quilômetro mar adentro, a 20 metros de profundidade. Hoje não dá mais para fazer isso.

PESQUISADOR COBRA TRATAMENTO

Na avaliação de Paulo Cesar Rosman, coordenador do Programa de Engenharia Oceânica da Coppe/UFRJ, nada justifica a ausência de um sistema de peneiramento do material jogado nas redes de esgoto de 15 bairros, da Glória a São Conrado, que acaba desembocando no mar de Ipanema. Ele ressalta que qualquer objeto com diâmetro igual ou inferior ao de uma bola de tênis passa pela única grade instalada na tubulação.

— Do ponto de vista da engenharia, no caso específico de Ipanema, poderia ser dispensado o tratamento primário para se jogar esgoto no mar, pois a natureza, pela dinâmica do local, se encarrega de matar as bactérias. No entanto, a Lei estadual 2.661/1996 obriga a realização desse serviço. Até entendo que o poder público dê uma autorização especial para dispensá-lo, considerando a falta de espaço físico para a construção de uma estação de tratamento de esgoto. Mas não existir até hoje um sistema de pré-condicionamento do material despejado, um peneiramento progressivo, é algo inadmissível. Seria algo perfeitamente viável e barato. Infelizmente, os cariocas ainda jogam uma grande quantidade de objetos nos vasos sanitários — afirma Rosman.

Prestes a completar quatro décadas de funcionamento (foi inaugurado em 1975), o emissário de Ipanema atraía não só cardumes, mas milhares de cariocas e turistas. As dunas artificiais formadas durante sua construção, assim como um píer em frente à Rua Farme de Amoedo, acabaram se tornando pontos de referência cultural. Hoje, saiu de moda, mas não se pode dizer que está ultrapassado. Carrega 6.400 litros de esgoto por segundo (quantidade produzida por cerca de 950 mil pessoas), mas tem capacidade para suportar o dobro. Feita de polietileno e concreto, sua estrutura tem 3.600 metros de extensão submarina e mil em área terrestre. Os dejetos que recebe são jogados no mar por 180 difusores.

Supervisor de monitoramento do Projeto Ilhas do Rio, o biólogo Carlos Rangel defende a instalação de um sistema de tratamento primário como o do emissário da Barra, inaugurado no fim de 2006. Ele afirma que, em Ipanema, o esgoto afeta profundamente o Monumento Natural das Ilhas Cagarras. Segundo ele, 83% das coletas feitas pela equipe do projeto na região mostraram índices de oxigênio inferiores ao valor mínimo previsto pela resolução federal para águas destinadas à recreação e à proteção de comunidades aquáticas. Biólogos também detectaram a presença de metais pesados em aves e mexilhões.

— O esgoto cai a menos de dois quilômetros da ilha. Se o emissário fosse construído hoje, seria exigido um estudo de impacto ambiental — observa Rangel.

O presidente da Cedae, Wagner Victer, diz ser uma “total insanidade” pensar em fazer tratamento primário no esgoto que chega ao emissário de Ipanema:

— É mais fácil colocar uma usina nuclear em Búzios do que uma estação de tratamento de esgoto na Zona Sul. Além de despropositado do ponto de vista da engenharia, não temos espaço. Vamos colocar a estação no Jockey? Isso não existe. Aí sim, teríamos um impacto ambiental.

Victer afirma que há tratamento primário de esgoto no emissário da Barra porque sua construção ocorreu depois da legislação estadual sobre o tema. Ele diz ainda que, em dezembro, a Cedae divulgará um boletim sobre a qualidade de água no entorno da tubulação de Ipanema.



13 julho 2014

Calor no Japão mata uma pessoa e provoca hospitalização de 260

Pelo menos uma pessoa morreu e mais de 260 foram hospitalizadas no Japão, atingido por uma onda de calor, informa o canal de televisão japonês NHK.


Voz da Rússia

Relata-se que uma mulher de 92 anos que estava trabalhando em seu próprio jardim, se sentiu mal e perdeu a consciência. Os médicos que chegaram logo ao local não conseguiram salvá-la.

De acordo com dados disponíveis, 268 pessoas foram hospitalizadas devido a insolação, uma vítima está em estado crítico. As internações de pessoas ocorrem em quase todas as províncias da ilha de Honshu, incluindo a região da capital.

Uma forte onda de calor atingiu todo o território principal do Japão, e a temperatura em várias regiões do país subiu acima de 35°C. Os meteorologistas locais conclamam os moradores a consumir mais líquidos, não se esquecer de chapéus e não demorar muito tempo sob o sol.


Rússia defende novo acordo sobre o clima

A Rússia defende a mais rápida elaboração de um novo acordo sobre o clima.


Tatiana Tabunova | Voz da Rússia

Segundo declarou Serguei Ivanov, chefe da administração presidencial da Rússia, num Fórum Internacional da Civilização Ecológica na cidade chinesa de Guiyang, “a humanidade necessita de um novo modelo de desenvolvimento que, por um lado, garanta o bem-estar da sociedade e, por outro, permita evitar o excesso de pressão na natureza”.

A convenção-quadro da ONU sobre a mudança do clima, assinada por mais de 180 países, entrou em vigor há 20 anos atrás, mas a situação ecológica no planeta não melhorou. Hoje, o Protocolo de Kyoto está irreversivelmente ultrapassado.

Nele é feita a exigência da redução de gases de efeito de estufa para os países desenvolvidos, cuja indústria provocou um enorme prejuízo ao meio ambiente. Mas, hoje, a principal fonte de poluição da atmosfera são não tanto os países desenvolvidos, quanto os países em desenvolvimento.

Torna-se evidente a necessidade de rever as limitações ecológicas existentes, tornar o tratado mais justo e abrangente. O respetivo trabalho está sendo realizado há vários anos. As coisas avançam com dificuldade, mas já se pode dizer que irá ser elaborado e aprovado por todos um acordo, declara Alexei Kokorin, do Fundo Mundial para a Natureza (WWF):

"Foi possível chegar a acordo de que será um acordo universal. Se olharmos para o Protocolo de Kyoto, vemos que só os países desenvolvidos se comprometeram a reduzir o lançamento de gases. Aqui, todos terão compromissos, chamados “contributos”. De fato, já foi decidido que o sistema desses contributos será o seguinte: o país elabora os seus compromissos, acorda-os com os outros. Depois, esses compromissos serão assumidos e periodicamente revistos. Existirá também uma monitorização obrigatória do cumprimento a nível internacional".

Assinalamos que os compromissos não são apenas o volume de emissão de gás de estufa durante um certo prazo. Eles dizem também respeito à concessão de ajuda financeira aos países mais vulneráveis perante as mudanças de clima. Por enquanto, continua sendo a pedra toque saber quanto e a quem pagar para a adaptação à mudança do clima, sublinha Alexei Kokorin, representante do WWF na Rússia:

"Há muitos países na ONU que, na realidade, são há muito desenvolvidos, mas, formalmente, na ONU e na Convenção da ONU sobre o clima, são considerados em vias de desenvolvimento. Por exemplo, trata-se de Singapura, Arábia Saudita, Kuwait, Coreia do Sul, etc. E quase todos, à exceção da Coreia do Sul, querem continuar com esse estatuto e ter compromissos semivoluntários. Mas isso é absurdo. Os compromissos da Arábia Saudita não podem ser os mesmos que os do Bangladesh ou Burkina Faso. Por isso é necessário superar a resistência de uma série de países".

Os países têm ainda mais ano e meio para resolver essas divergências. O calendário das conversações é bastante intenso. Em setembro de 2014 irá realizar-se em Nova York a cúpula do clima do secretário-geral da ONU. Os trabalhos continuarão em outubro em Bona (Alemanha) e, depois, na conferência de partes da convenção-quadro da ONU sobre a alteração do clima em Lima (Peru) em dezembro de 2014.

Na Rússia, que observa rigorosamente os seus compromissos ecológicos, nomeadamente em conformidade com o Protocolo de Kyoto, esperam que o acordo universal sobre o clima, que deverá substituir o Protocolo de Kyoto e traçar a responsabilidade climatérica de todos os países, seja assinado na Conferência de Paris, em finais de 2015.


Sistema Alto Tietê pode secar no final do 2º semestre, dizem especialistas

Água foi remanejada para ajudar o Cantareira que está no volume morto.
Governo afirma que adesão dos consumidores a bônus é de 91%.


Pedro Carlos Leite
Do G1 Mogi das Cruzes e Suzano

O nível do Sistema Alto Tietê de represas começou o mês de julho com 25,7% de sua capacidade. O volume representa uma queda de 37,3% em relação ao mesmo período de 2014. Na quinta-feira (10) o sistema continuava a tendência negativa e marcava 24,1%. “Pelo ritmo de 5% de consumo do volume útil a cada 30 dias, acredito que em cerca de seis meses o Alto Tietê também terá o volume quase zerado. O que mais me preocupa é o ano que vem. Em 2015, de onde vamos tirar a água?”, questiona Roberta Baptista Rodrigues, doutora em recursos hídricos pela USP e professora de Engenharia Ambiental.

Represa da Ponte Novam, em Salesópolis, exibe pedras de seu leito (Foto: Edson Martins/Jornal O Diário)Represa de Ponte Nova, em Salesópolis, exibe pedras em seu leito (Foto: Edson Martins/O Diário)

Em dezembro de 2013, o Sistema Alto Tietê foi acionado para auxiliar o Sistema Cantareira, que está utilizando seu volume morto. Desde maio, o Alto Tietê vem perdendo por mês cerca de 5% de sua capacidade. Em 1º de maio, o sistema registrava 35,8% de volume. Um mês depois a situação era de 30,8%. Julho começou com 25,7%.

Para Roberta, diante da estiagem, medidas deveriam ter sido tomadas mais cedo. “No segundo semestre de 2013, como o nível já estava baixo no Sistema Cantareira, eles deveriam ter entrado com uma politica de racionamento bem forte. Mas o que vem ocorrendo é um racionamento velado nas regiões periféricas. Deveria ter ocorrido a oficialização do racionamento no segundo semestre de 2013. Assim, haveria uma economia de água e favoreceria a educação das pessoas”, afirma.

“Hoje você vê os postos de gasolina lavando os carros com mangueira e deveria ter tido uma politica nesse sentido. Baixar uma proibição de lavagem de carros assim, por exemplo. Tudo para preservar o volume útil”, afirma.

A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) diz que “o Sistema AltoTietê opera dentro das expectativas da companhia” e que “não há restrições de consumo em qualquer um dos 365 municípios operados pela companhia no Estado de São Paulo”. Atualmente, o Alto Tietê produz cerca de 14,5 mil l/s de água e abastece aproximadamente 4,5 milhões de pessoas.

A companhia também afirma que desde o final do ano passado tem tomado diversas medidas para garantir a segurança no abastecimento.

As principais são a transferência de vazões dos sistemas Alto Tietê e Guarapiranga para atender áreas que são abastecidas pelo Cantareira; criação de bônus para clientes abastecidos pelo Sistema Cantareira – que ao reduzirem o consumo em 20% ganham 30% de desconto na conta de água – e sua ampliação para 31 municípios da região metropolitana, além de 12 cidades da região bragantina e da região metropolitana de Campinas. Segundo a Sabesp, houve adesão de 91% da população ao bônus.

Roberta Rodrigues conta que usar o volume morto do sistema Cantareira não é o ideal. “O primeiro lugar é a qualidade da água. Temos um tratamento secundário, que não remove as partículas que estão dissolvidas e água do volume morto pode conter produtos tóxicos”. A Sabesp afirma atestar a qualidade da água do volume morto, “que segue todos os padrões do Ministério da Saúde”.

O engenheiro civil e sanitarista José Roberto Kachel do Santos concorda com a gravidade da situação do Alto Tietê. “À medida que a estiagem avança, o subsolo seca cada vez mais. A vazão que chega nos reservatórios é cada vez menor. Temos cerca de 120 dias para zerar o sistema”, afirma. Kachel trabalhou por 34 anos na Sabesp, dez deles diretamente com o Sistema Alto Tietê.

“O volume do Alto Tietê está caindo 0,2% ao dia, isso significa 1 milhão de metros cúbicos diários. Entre o final de outubro e o início de novembro ele vai estar acabando”, alerta.

Nem mesmo a chuva que caiu no Alto Tietê nesta semana anima Kachel. Segundo medição da Sabesp, de terça-feira (8) até quinta-feira (11) as represas do Sistema Alto Tietê receberam um volume de chuva que, somado, chega a 7,6mm. "Mesmo que chova agora não vai fazer diferença. Vai no máximo manter a situação como está, mas não vai melhorar", explica o engenheiro.

Inquérito

O Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente (Gaema) – núcleo do Ministério Público voltado à proteção ambiental - instaurou inquérito civil para verificar se é regular a gestão do Sistema Alto Tietê. A portaria de instauração do inquérito é assinada pelo promotor Ricardo Manuel Castro.

Castro pediu informações sobre o funcionamento do Sistema para a Sabesp, Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp), Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e Agência Nacional de Águas (ANA).

O MP acredita ser necessária a investigação pela “falta de planos de contingência nos municípios da região metropolitana para o enfrentamento da crise de abastecimento de água” e “existência de indícios de ingerência não técnica nas tomadas de decisões para a gestão da crise de abastecimento de água”.

O inquérito foi instaurado em 26 de junho. O MP explica que os órgãos têm prazo de 15 dias para enviar as informações contando a partir da data em que receberam o pedido. Esta é a primeira etapa do inquérito e caso os órgãos não enviem ou encaminhem informações insuficientes, o promotor pode reiterar o pedido. O inquéiito tem 180 dias para ser concluído.

Mogi das Cruzes

O município é abastecido pelo Serviço Municipal de Água e Esgoto (Semae) que compra da Sabesp cerca de 35% de seu consumo. Os outros 65% são provenientes do próprio Semae. O volume adquirido da Sabesp é destinado ao Distrito de Brás Cubas.

A captação de água pela autarquia é feita no Rio Tietê. Segundo o Semae o nível do rio tem se mantido dentro de sua média histórica. O Semae informou que ela varia entre 1m e 1,5m. São captados 900 litros por segundo do Tietê.

O Semae afirma possuir um grupo técnico encarregado de acompanhar a situação do abastecimento de água em Mogi das Cruzes. Este grupo mantém contato diário com a Sabesp e, até o momento, não há informações que indiquem a redução no volume de água do Rio Tietê.

A administração municipal também diz ter resultados positivos com campanhas de conscientização do uso da água. “O objetivo é estimular o uso responsável da água e reduzir o volume total consumido pela população. Este trabalho já vem dando resultados positivos e a expectativa deste grupo técnico é que as chuvas retomem seu padrão normal nos próximos meses, o que contribuirá para melhorar a situação dos rios e represas”, informou o Semae.

Sem volume morto, Cantareira já estaria sem água neste sábado

Sistema perdeu os 8,2 pontos percentuais que tinha antes do reforço.
Agora, Sabesp admite usar volume morto também no Alto Tietê.


Márcio Pinho
Do G1 São Paulo

O Sistema Cantareira não teria água para o abastecimento da Grande São Paulo neste sábado (12) se não fosse pela captação do volume morto, inciada em maio. Isso porque, de acordo com boletim divulgado pela Campanhia de Saneamento Básico de São Paulo (Sabesp) às 9h, o nível do sistema chegou a 18,5% de sua capacidade, mesma quantidade adicionada ao sistema pelo volume morto.

Com o início da catpação, o nível do sistema subiu de 8,2% para 26,7% no dia 16 de maio. Desde então, o Cantareira perdeu 8,2 pontos percentuais, o equivalente ao que tinha antes em volume útil.

O Sistema Cantareira abastece cerca de 9 milhões de consumidores na Grande São Paulo. As represas vêm secando nos últimos meses e, desde o final do ano passado, a falta de chuvas leva a capacidade a níveis alarmantes.

Em junho, o nível de chuvas no Sistema Cantareira foi de 15,9 mm, segundo a Sabesp. Número bem abaixo da média história do mês, que é de 56 mm. O mesmo ocorreu nos outros meses do ano.

A queda no nível do sistema ocorreu em 90% dos dias do ano, segundo levantamento feito pelo G1 a partir dos boletins divulgados pela Sabesp nos primeiros seis meses do ano. Fevereiro foi o mês do ano com o maior total de pontos percentuais perdidos de água: 5,5.

A Agência Nacional de Águas (ANA) já divulgou previsão de que a água no Sistema Cantareira dura até novembro. Segundo o governo estadual em São Paulo, o volume morto garante o abastecimento até março. A expectativa é que a estação de chuvas, a partir de outubro principalmente, possa revertar o atual quadro.

Outras medidas

O governo de São Paulo tenta alternativas para minimizar a perda de água no Sistema Cantareira. Desde 1° de abril, o governo do estado oferece um "bônus" para quem economizar água em 31 cidades da Região Metropolitana de São Paulo. Os consumidores que reduzem em 20% o uso da água em relação à média mensal têm desconto de 30% no valor da conta. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) disse na quarta-feira (9) não ver "necessidade" na aplicação de multa a moradores que consumirem água em excesso, conforme havia anunciado antes.

O governo tenta fazer com que outros sistemas que abastecem a Grande São Paulo possam enviar água também a consumidores hoje abastecidos pelo Sistema Cantareira. Isso influencia na quantidade de água disponível também nos outros sistemas.

O Alto Tietê, por exemplo, também afetado pela falta de chuvas, opera apenas com 23,9% de sua capacidade. E a Sabesp já admite a possibilidade de também captar o volume morto das represas que integram esse sistema.

Segundo Paulo Masato, diretor da Sabesp, a companhia já está executando intervenções de aproveitamento de novos volumes no sistema Cantareira e no Alto Tietê. "Nós temos mais reservas técnicas disponíveis para serem aproveitadas", afirma.

Menos água em julho

No dia 3 de junho, o comitê que acompanha a crise no Cantareira decidiu que a Sabesp devia retirar menos água dos reservatórios do Sistema. A pretensão da empresa era de usar 20,9 metros cúbicos por segundo no mês de julho. Porém, o comitê recomendou à ANA e ao Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee) que estabeleçam como meta o uso de 19,7 metros cúbicos por segundo na primeira quinzena do mês. Depois disso, a situação será reavaliada.

Para dar esse número, o comitê considerou um cenário com entrada de água no Sistema de 50% da mínima histórica mensal. Em junho, por exemplo, entrou apenas 46% da mínima histórica registrada no mês desde 1930.

A quantidade já é muito menor do que o normalmente retirado pela Sabesp antes da crise hídrica. No dia 13 de março, a vazão captada passou de 33 metros cúbicos por segundo para 27,9 metros cúbicos por segundo, por determinação da ANA.

A Sabesp afirma informou, por meio de nota, que as metas estabelecidas pela ANA e pelo DAEE são suficientes para garantir o abastecimento.


Seca deve afetar 20% da produção de café arábica em Minas Gerais

Com a falta d’água, granação não foi boa e o tamanho ficou irregular.
Estiagem diminuiu bastante a qualidade do café no aspecto.


Do Globo Rural

A seca severa na região sudeste deve provocar uma quebra de 20% na produção do café arábica no cerrado mineiro. O Globo Rural visitou uma fazenda na região, que fica a 15 km de Araxá. Uma das preocupações dos funcionários são as queimadas. O fenômeno é esperado, normalmente, no fim de agosto.

Essa é mais uma agrura que pode por na conta da inédita secura de 2014. “De janeiro a abril, que é um período muito chuvoso na região, meses em que chove 200 mm, 250 mm, houve mês em que choveu 20 mm, 25 mm. Menos de 10% do que seria normal”, explica o agricultor César Magriotis.

O agricultor conta que se formou em Agronomia já com o objetivo de plantar café. Em 25 anos, conseguiu formar 500 hectares. Sempre procurando os melhores critérios para se calçar contra os solavancos que, historicamente, a cultura prega. “Nesse ano, o problema climático foi muito maior do que o imaginado. Apesar do esforço que a gente tem feito, não conseguimos evitar a quebra. Ela veio”, relata o agricultor.

No visual mais panorâmico não se nota o estrago da estiagem no cafezal, mas é possível ver a falta de grãos. Os galhos ficaram cheios de falhas. “É uma reação da planta à estiagem. Até dezembro essa planta vinha muito bem, florada, bom pegamento de grão”, conta Magriotis.

Com a falta d’água, a granação não foi boa e o tamanho ficou irregular. Uma cereja grande, outra pequena, algumas deformadas, mas o principal é que a própria planta descartou o que não ia dar conta. Por isso, o volume a ser colhido será menor. Uma quebra importante de 20% na média da fazenda.

“Nós tínhamos uma média de produtividade que tirava de 35 a 37 sacas por hectare, em lavoura de sequeiro. Neste ano, acredito que não vai passar muito de 30 sacas por hectare”, fala o agricultor.

A quebra na fazenda de César é uma projeção do que acontece nas propriedades que armazenam café na Capal, a cooperativa dos agricultores da região de Araxá. O consumidor só vai experimentar o café que está vindo das lavouras em dezembro, janeiro. É o descanso normal para tirar a adstringência.

Contudo, segundo o degustador responsável pelo setor de café da Capal Antônio de Pádua, a estiagem diminuiu bastante a qualidade do café no aspecto. “A bebida continua muito boa, característica de cerrado, que se diferencia de qualquer outra região do Brasil”, fala. Segundo ele, numa amostra de 15% da safra já se pode prever que a oferta de café de primeira linha vai cair, pois está vindo muito café com defeito.

A porcentagem de café com defeito aumentou de 20% a 25% em relação aos outros anos. Antônio acredita que o café de qualidade vai cair na mesma proporção ou até mais. “Para fazer um café de qualidade o produtor tem que apertar mais no benefício”, diz.

Apesar do preço do café arábica ter caído nos últimos meses, ainda assim ele está 35% mais alto do que no mesmo período do ano passado.