05 julho 2014

Surto de Ebola está 'fora de controle' em partes da África, alerta MSF

Única organização humanitária operando em áreas de risco no oeste do continente, Médicos Sem Fronteiras tenta evitar epidemia regional.


BBC

Com o aumento exponencial no número de casos de Ebola na África Ocidental, a organização médica internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) alerta para o risco de uma epidemia regional.

"O surto está fora de controle', afirmou à BBC Brasil Mariano Lugli, diretor de operações do MSF na Suíça.

A equipe de Lugli lidera a assistência humanitária na região desde fevereiro. Com cerca de 300 profissionais em campo, a organização já atendeu cerca de 500 pacientes e está no limite de sua capacidade operacional.

Em quatro meses, o surto de Ebola que surgiu em Guiné já se espalhou para dois países vizinhos, Libéria e Serra Leoa.

"Há um movimento constante e intenso de pessoas cruzando fronteiras nesta região e os casos estão se espalhando rapidamente para mais províncias e países", explicou Lugli.

A doença já se alastrou para mais de 60 localidades diferentes na África Ocidental e ainda não atingiu seu pico.

"Em geral, isso deveria ter acontecido entre dois e cinco meses, mas é impossível prever especialmente porque agora há uma variante do vírus que causa febre hemorrágica e é muito perigosa", afirmou Lugli.

Até agora, 759 pessoas foram infectadas pelo vírus e 468 morreram. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), este é o maior surto de Ebola já registrado na história.

O vírus mata cerca de 90% das pessoas infectadas e o contágio acontece por contato direto com fluidos corporais, como sangue e secreções, de uma pessoa infectada. Não há vacina ou cura para a doença.

Plano de ação


No início desta semana, a OMS realizou uma reunião de emergência sobre o surto. Ministros de 11 países africanos se reuniram em Acra, Gana, para discutir como controlar o surto de Ebola.

No encontro, as autoridades concordaram em ampliar a coordenação e monitoramento da doença, com foco nas regiões fronteiriças. Para isso, a OMS anunciou a criação de um centro regional de apoio técnico em Guiné.

No entanto, a organização ainda não prescreve nenhum tipo de restrição a viagens para a África Ocidental ou entre países da região. Segundo a OMS, o risco de disseminação da doença é considerado alto nos países fronteiriços, moderado no restante do continente africano e baixo no restante do mundo.

"Agora a comunidade internacional reconheceu o problema e todo mundo entende a necessidade de coordenação, mas é preciso ver como isso se traduzirá em ação", afirmou Lugli.

Apoio local e internacional
Mobilizar líderes comunitários, religiosos e políticos para ampliar o conhecimento sobre a doença também foi outro destaque do plano da OMS.

"A coisa mais importante agora é sensibilizar a população e os agentes de saúde locais, além da maior coordenação entre as autoridades regionais para controle e supervisão de casos em aeroportos e portos", disse Lugli.

Há quatro meses, ele esteve em Guékédou, na fronteira de Guiné com a Libéria, quando foram registrados os primeiros casos.

"As pessoas estavam com muito medo e os médicos locais não conheciam a doença", explicou.

Na região, é comum o uso de medicina popular e curandeiros. Médicos têm pouca experiência em lidar com isolamento –a única alternativa de tratamento para o Ebola.

"Os pacientes que sobrevivem são aqueles que naturalmente desenvolvem anticorpos contra o vírus, mas para isso é preciso tempo e isolamento", explicou Lugli.

Estima-se que cada pessoa contaminada mantenha contato com ao menos outros 20 indivíduos, que também devem ser isolados e monitorados para controle do Ebola. Outro agravante comum é o descuido no manuseio de corpos de vítimas da doença.

Atualmente, o MSF é a única organização internacional humanitária atendendo vítimas do Ebola na África Ocidental.

"Estamos no nosso limite. É urgente que mais atores internacionais competentes também apoiem na resposta ao surto", afirmou Lugli.


04 julho 2014

Cidade de SP registra 13,7 mil casos de dengue em 2014

Balanço foi divulgado nesta quinta (3) pela Secretaria Municipal de Saúde.
Número de notificações é 9,5% maior em relação ao da semana passada.


Do G1 São Paulo

A cidade de São Paulo registrou 13,7 mil casos de dengue neste ano, conforme balanço divulgado nesta quinta-feira (3) pela Secretaria Municipal da Saúde. O número é 9,5% maior que o notificado na semana passada.

Mais da metade dos casos acumulados do ano (69,8%) se concentra no período de seis semanas entre março e maio. A taxa de incidência da cidade é de 121,6 (casos para cada 100 mil habitantes), considerada média de acordo com o Ministério da Saúde.

A Secretaria Municipal de Saúde diz que não está fazendo mais a classificação de distritos por estágio de transmissão de dengue, pois o número de notificações (registros não confirmados) já começa a apresentar queda.

Ainda segundo a gestão municipal, apesar do crescimento de casos confirmados nas últimas semanas, o número de notificações começou a desacelerar, e já é possível concluir que o pior período da dengue neste ano já está superado. Na semana passada, a Secretaria Municipal de Saúde confirmou mais duas mortes na cidade por dengue, totalizando dez óbitos no ano, um em fevereiro e nove em abril.


03 julho 2014

Comitê anticrise manda Sabesp tirar menos água do Cantareira em julho

Empresa queria tirar 20,9 m³/s, mas comitê abaixou para 19,7 em 15 dias.
Sabesp informou que o abastecimento da população está garantido.


Do G1 São Paulo

O comitê que avalia e acompanha a crise no Cantareira decidiu que a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) deve retirar menos água dos reservatórios do Sistema. A informação foi divulgada em um comunicado divulgado na quarta-feira (2) pelo Grupo Técnico de Assessoramento para Gestão do Sistema Cantareira (GTAG). Nesta quinta (3), o volume acumulado do Cantareira está em 20% do total.

A pretensão da Sabesp era de usar 20,9 metros cúbicos por segundo no mês de julho. Porém, o GTAG recomendou à Agencia Nacional de Águas (ANA) e ao Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) que estabeleçam como meta o uso de 19,7 metros cúbicos por segundo na primeira quinzena do mês. Depois disso, a situação será reavaliada.

"O GTAG concluiu não ser possível, com o atual volume disponível de 197,5 milhões de m³, o atendimento das vazões pretendidas até o horizonte de planejamento considerado de 30 de novembro de 2014", diz o comunicado do comitê.

Para dar esse número, o comitê considerou um cenário com entrada de água no Sistema de 50% da mínima histórica mensal. Em junho, por exemplo, entrou apenas 46% da mímina histórica registrada no mês desde 1930.

A Sabesp informou, por meio de nota, que as metas estabelecidas pela ANA e pelo DAEE são suficientes para garantir o "abastecimento da população da Grande São Paulo, mesmo diante da pior seca da história".

Represa Jaguari-Jacareí no interior de São Paulo, na divisa com sul de Minas Gerais. Responsável pelo abastecimento de metade de toda a Grande São Paulo, o sistema Cantareira registrou nesta quarta-feira, 30, novo recorde negativo (Foto: Luis Moura/Estadão Conteúdo)Represa Jaguari-Jacareí, do Sistema Cantareira. (Foto: Luis Moura/Estadão Conteúdo)

A Copa Verde do Brasil

Fizemos 3 perguntas para o principal responsável pelo projeto brasileiro de tornar a Copa de 2014 a “Copa das Copas” na área da sustentabilidade. 


André Trigueiro | G1

Cláudio Langone é engenheiro químico, consultor em gestão ambiental e sustentabilidade, Coordenador da Câmara Temática Nacional de Meio Ambiente e Sustentabilidade da copa 2014, do Ministério do Esporte.

1) A Copa da Alemanha em 2006 foi a primeira a preocupar-se com um legado ambiental. A Copa do Brasil fez algo diferente nesse sentido?


Cláudio Langone: O Brasil estruturou sua Agenda de Sustentabilidade com base nas lições aprendidas na Alemanha e África do Sul, que tiveram representação em seminários promovidos pela Câmara Temática Nacional de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Copa 2014.

O diferencial do Brasil se deu primeiramente no sistema de governança montado para a estruturação da Agenda, com participação dos atores envolvidos na CTMAS e na criação de Câmaras Locais de Sustentabilidade.

Nos projetos desenvolvidos, destacam-se como diferenciais o fato de termos a primeira Copa em que todos os estádios passaram por processos de certificação em construção sustentável. Além disso, são pioneiros a iniciativa de promoção de produtos orgânicos e sustentáveis e o fornecimento de alimentação orgânica aos voluntaries, a inclusão de catadores de materiais recicláveis, o Selo Baixo Carbono - mecanismo de arrecadação de créditos de carbono para a compensação das emissões da Copa, e a abordagem da Campanha Passaporte Verde, voltada à sensibilização do turista para práticas conscientes (a campanha foi desenvolvida na África do Sul, mas foi totalmente reformulada, com foco na utilização de ferramentas digitais e interativas).

Nossa Agenda teve como característica um foco em ações positivas, que extrapolassem a lógica da mitigação de impactos, e trabalhassem na articulação entre meio ambiente, inclusão social e geração de renda. Por isso, é uma iniciativa multisetorial, que envolveu vários ministérios e secretarias nas áreas de meio ambiente, esporte, turismo, agricultura, desenvolvimento social, e outros.

2) A certificação ambiental dos estádios contou com recursos do BNDES (R$400 milhões por projeto), mas, ainda assim, na maioria das arenas o selo obtido foi "Prata" (terceiro mais importante em uma escala de quatro da certificadora LEED). Não poderíamos ter um melhor desempenho nesse quesito?

Cláudio Langone:
A exigência de certificação das Arenas foi uma decisão voluntária do governo brasileiro, como condição para o financiamento do BNDES. O Brasil não direcionou para um selo específico, mas todos os projetos brasileiros optaram pelo selo Americano LEED, que estava mais organizado no Brasil. A decisão de exigir a Certificação Básica se deu em função de que a maior parte dos estádios brasileiros passaram por processos de reforma. Nessa situação, fica bastante diminuída a margem de manobra dos projetistas para a escolha dos quesitos a serem contemplados nas obras. A obtenção dos certificados Ouro e Platina em geral se dá em projetos novos, em que se tem possibilidades de incluir itens como o preparo da área onde vai se localizar o projeto, e incluir na origem quesitos que não teriam como ser escolhidos em reformas de edificações. No Brasil, mesmo em estádios com fortes restrições como o Mineirão e o Maracanã, tombados pelo Patrimônio Histórico, foi possível obter a Certificação.

O Mineirão tornou-se o segundo estádio do mundo a receber a certificação Platinum. Deve-se ressaltar também que o GBC adotou para a certificação das arenas uma norma que foi estruturada para edifícios, o que gerou algumas necessidades de adaptação pontuais. A partir da experiência brasileira, o GBC decidiu que será feita uma norma LEED especificamente para arenas esportivas.

O nível Prata é uma certificação alta para projetos de reforma. As principais questões abordadas nas arenas brasileiras se deram em:
- medidas no processo construtivo, como a reciclagem do entulho de demolição na própria obra e reaproveitamento como material de base, gerando significativa redução de custos;
- itens de projeto, como captação de água da chuva para irrigação e limpeza, iluminação e ventilação natural, torneiras e vasos sanitários inteligentes, sistemas de coleta seletiva etc.

Embora alguns itens sejam mais caros na fase de construção, eles levam a uma diminuição dos custos de manutenção das arenas, por exemplo, nas contas de água e luz.

Para dar efetividade ao esforço feito na certificação, a FIFA e o governo brasileiro promoveram em 2013 um curso de capacitação dirigido aos operadores das Arenas em gestão da sustentabilidade.

Embora o padrão exigido pelo BNDES tenha sido o de certificado Básico, a maioria das arenas conseguirá o nível Prata. Já temos o Mineirão certificado Platina e esperamos que o Estádio Nacional de Brasília atinja o nível Ouro nesta etapa, chegando também a Platina até o final de 2014, com a instalação da usina Solar de 2,5 MW.

3) Qual será o legado ambiental desse Copa no Brasil? O que ficará depois do evento?

Cláudio Langone: Estádios - Como legado, o Brasil será o país com o maior número de Arenas certificadas. Além disso, o processo de certificação dos estádios será um indutor de novas práticas de sustentabilidade na construção civil, já que todas as grandes construtoras brasileiras participaram da construção dos estádios. E, em função das políticas de compras locais, os fornecedores de materiais de construção incorporaram matérias primas certificadas ao seu portfólio, como tintas, solventes, cimento, revestimentos, aço, torneiras e vasos sanitários inteligentes.

Orgânicos – a campanha Brasil Orgânico e Sustentável, organizada pelo governo federal em parceria com a Associação Brasil Orgânico e Sustentável, criada especialmente para esse fim, é uma campanha permanente e terá continuidade.

Coleta Seletiva e inclusão de catadores – em várias Cidades Sede da Copa, tanto a Coleta Seletiva quanto a contratação de catadores estão sendo feitas pela primeira vez, e o sucesso da experiência abre espaços para sua incorporação como política pública. Além dos investimentos específicos na Operação Copa, o BNDES abriu linha de financiamento denominada Cidades da Copa, que beneficiou com recursos de doação as cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Porto Alegre e Curitiba para estruturar de forma permanente a coleta seletiva com inclusão de catadores, num montante de 120 milhões de reais. Outras 4 sedes estão em processo de consulta – Cuiabá, Salvador, Fortaleza e Manaus.

A Campanha Passaporte Verde foi totalmente reformulada para a Copa 2014, e terá continuidade sob a coordenação dos Ministérios do Turismo e Meio Ambiente e do PNUMA. A nova marca e ferramentas desenvolvidas em função da copa 2014 serão adotadas globalmente pelo PNUMA.

Compensação e Mitigação de Emissões – o trabalho feito pelo Brasil nessa área foi reconhecido pela UNFCC como um novo paradigma em termos de grandes eventos. Além disso, um dos principais saldos do trabalho foi a criação de capacidade nas Cidades Sede para a produção de inventários de emissões e definição de políticas de mitigação.

Legado para 2016 – um dos legados mais importantes da Agenda de sustentabilidade da Copa é que grande parte dos esforços e estratégias desenvolvidos para 2014 poderão ter rebatimento na Agenda de Sustentabilidade dos Jogos olímpicos, pois envolvem os mesmos atores institucionais.

Corais do Caribe somem e mudança climática não é a principal causa

Relatório foi divulgado esta semana por cientistas ligados às Nações Unidas.
Pesca excessiva de peixe que come alga em corais é um dos motivos.


France Presse

A maioria dos recifes de coral do Caribe pode desaparecer em 20 anos devido à sobrepesca do peixe-papagaio, que come as algas invasoras dos corais, e ao desaparecimento dos ouriços-do-mar. As informações foram divulgadas pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

Atualmente, resta apenas um sexto dos recifes de coral nessa região do mundo, segundo estudo publicado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). "A maioria poderia desaparecer nos próximos 20 anos", advertem os especialistas.


O autor Lester Kwiatkowski examina corais no Caribe (Foto: Mak Yiu Ming/Universidade de Exeter/Divulgação)Pesquisador analisa corais presentes em região do Caribe (Foto: Mak Yiu Ming/Universidade de Exeter/Divulgação)

De acordo com o estudo, desde a década de 1980 desapareceram mais de 50% da superfície ocupada pelos corais no Caribe devido à atividade humana, escreveram os especialistas, que citam a explosão demográfica, a sobrepesca e a contaminação costeira.

Mudança climática não é única culpada

Durante muito tempo, as mudanças climáticas foram responsabilizadas pela deterioração dos corais. Mas embora continue sendo uma "séria ameaça" porque favorece a acidificação dos oceanos e o branqueamento dos corais, o que detém ou retarda seu crescimento, o aquecimento global deixou de estar na alça de mira dos especialistas.

Segundo o informe, o desaparecimento dos peixes-papagaio, devido à sobrepesca humana, e dos ouriços-do-mar, mortos maciçamente em 1983 por uma doença ainda não identificada, são as principais causas da deterioração dos corais do Caribe, pois as duas espécies se alimentam das algas que invadem os corais.

Para o diretor do Programa para o Entorno Marinho e Polar da IUCN, Carl Gustaf Lundin, "se há algas demais, é muito difícil restabelecer os corais", daí a necessidade de mudar a forma de gerenciar a pesca nestes países, lutando contra a sobrepesca, proibindo a pesca muito perto da costa e a pesca com rede.

Também é necessário, assegurou, que os países regularizem e reduzam a construção costeira. As autoridades devem, ainda, gerenciar melhor o tratamento de águas residuais, evitando lançá-las perto dos arrecifes.

O estudo aponta ainda que os corais que melhor sobrevivem são os que abrigam grandes colônias de peixes-papagaio. É o caso do Setor Marinho Nacional americano, no norte do Golfo do México, nas Bermudas e em Bonaire (Antilhas Holandesas), onde as autoridades limitaram, ou proibiram a pesca que afeta esses peixes.

Outros países vão seguir esses passos. Barbuda se prepara para proibir a pesca de ouriços e peixes-papagaio e prevê transformar um terço de suas águas costeiras em reservas marinhas. Outros arrecifes não protegidos correm grande risco, como na Jamaica, mas também na Flórida, entre Miami e Key West, nas ilhas Virgens americanas.


02 julho 2014

Mudanças climáticas podem dizimar 80% dos pinguins imperiais

Derretimento da cobertura de gelo provocada por aquecimento global provocaria mortes até 2100


O Globo

RIO - As mudanças climáticas podem matar até 80% dos 600 mil pinguins imperadores até 2100, segundo um estudo publicado esta semana na revista “Nature Climate Change”. A maior ameaça às aves vem de alterações na cobertura do gelo no Oceano Antártico, o que afetará a criação dos filhotes e a alimentação da espécie.

O ritmo do declínio populacional vai variar de acordo com as colônias, mas todas serão afetadas até o fim do século.

No estudo, pesquisadores americanos, britânicos e holandeses pedem que os governos listem as espécies ameaçadas de extinção. Essa relação seria usada para impor restrições ao turismo e à pesca.

Segundo Stephanie Jenouvrier, líder do estudo e pesquisadora do Instituto Oceanográfico Woods Hole, nos Estados Unidos, parte significativa das espécies enfrenta um cenário de “possível extinção (...) em um futuro previsível”. As colônias de pinguins imperadores do Mar de Ross, na Antártica, podem sofrer declínio populacional mais tarde do que as outras, porque as condições de gelo da região ainda são adequadas à sua sobrevivência.

— Implementar uma área de proteção no Mar de Ross pode nos dar tempo para evitar a extinção da espécie e pôr em prática estratégias de mitigação dos gases-estufa — recomenda Stephanie.

Para alimentar seus filhotes, os pinguins imperiais deixam sua colônia por meses e viajam por longas distâncias no gelo da Antártica até atingir o mar aberto e encontrar alimentos, como os krills, uma espécie de crustáceo. Além disso, a cobertura do gelo no mar deve ser suficiente para que eles consigam fugir de predadores.

Para o biólogo Phil Trathan, do Serviço Antártico Britânico (BAS, na sigla em inglês), ainda é incerto se os pinguins poderão se adaptar a terrenos mais altos das geleiras, onde poderiam criar seus filhotes e fugir de presas.


01 julho 2014

Estádio Mineirão recebe selo máximo internacional de sustentabilidade

Palco de jogos dos Grupos C, D, F e H da fase inicial da Copa do Mundo, cenário do épico confronto entre Brasil e Chile pelas oitavas de final e à espera da semifinal do dia 8 de julho, o Estádio Mineirão acaba de receber o reconhecimento internacional à sua bem-sucedida preocupação com a sustentabilidade.


Lincoln Martins | Voz da Rússia

Inteiramente reformada para este Mundial, a grande arena de Belo Horizonte se tornou o primeiro estádio do Brasil a receber o Selo Platinum do United States Green Building Council, categoria máxima na certificação Leadership in Energy and Environmental Design. O Mineirão cumpriu oito pré-requisitos e ainda apresentou inovações sustentáveis que não eram exigidas pela instituição americana para conquistar a graduação. O estádio mineiro levou a nota máxima, representada pelo Selo Platinum.

O Green Building Council é responsável pela certificação utilizada em 143 países para incentivar a transformação dos projetos, obras e operações das edificações, sempre com foco na sustentabilidade.
Copa 2014, Brasil, internacional, futebol, Chile, ecologia

A preocupação com o meio ambiente começou antes da efetivação da reforma do antigo Mineirão, que tiveram início em janeiro de 2010. Segundo dados do responsável pelas obras do novo estádio, o Consórcio Minas Arena, em matéria publicada no Portal da Copa, do Ministério do Esporte, mais de 90% dos resíduos gerados foram reutilizados ou reciclados; as mais de 50 mil cadeiras do velho estádio foram doadas para ginásios e campos de futebol do interior do Estado, e toda a sucata metálica destinada a usinas recicladoras. Além disso, foram implantados equipamentos lava-rodas para limpeza dos caminhões na saída da obra, a fim de evitar sujeira no entorno do estádio – e com um sistema ecoeficiente, de reaproveitamento da água por meio de caixas de decantação e bombas, com economia média de 18 mil litros de água por dia.

Desde o período de reforma, foi implantado o sistema de coleta seletiva de lixo, utilizada até hoje no cotidiano do estádio e em dias de jogos. Outra iniciativa em prol do meio ambiente foi a construção de reservatórios com capacidade de armazenamento de cinco milhões de litros de água das chuvas. Essa água captada é reutilizada para vários fins, inclusive a irrigação do campo por até três meses de estiagem. O processo gera uma redução de até 70% no consumo de água do estádio.

As madeiras retiradas do entorno foram reaproveitadas por artesãos mineiros na produção de arte popular. Como a fachada do estádio foi preservada, deixou-se de produzir bastante entulho. Se o Mineirão fosse demolido, a estimativa é de que fossem descartados 32.500 metros cúbicos de concreto, referentes a pórticos, paredes, cobertura antiga e arquibancadas em geral, além de 3.610 toneladas de aço.

Na questão do consumo energético, uma usina fotovoltaica foi instalada na cobertura do estádio, capaz de captar energia solar e transformá-la em eletricidade. As placas têm potência de 1,6 megawatt, suficiente para 1.200 residências de médio porte.

O United States Green Building Council havia anunciado anteriormente que outros estádios da Copa do Mundo obtiveram a certificação Leadership in Energy and Environmental Design – LEED na categoria Prata: o Maracanã, no Rio de Janeiro, a Arena Pernambuco, em Recife, a Fonte Nova, em Salvador, e a Arena Amazônia, em Manaus. O Castelão, de Fortaleza, recebeu também um certificado LEED.


Mais econômicas, lâmpadas fluorescentes podem causar danos ambientais e à saúde

Incandescentes de 60 watts começam a ser substituídas pelos modelos fluorescentes. Iniciativa deve prever reciclagem para evitar poluição ambiental e riscos à saúde.


Deutsch Welle

Já fora de circulação na Europa, as lâmpadas incandescentes também estão com os dias contados no Brasil. A partir desta terça-feira (01/07), as de 60 watts deixam de ser fabricadas e importadas. As mais fortes já foram proibidas, e as mais fracas sairão de produção em 2015. Se, por um lado, a iniciativa tem por objetivo economizar energia, por outro pode causar danos ambientais e à saúde.

Para que a substituição das lâmpadas incandescentes pelas fluorescentes seja vantajosa em todos os aspectos, ela precisa vir acompanhada da destinação final correta dos novos modelos, que contêm chumbo e mercúrio. Se simplesmente jogadas no lixo comum, as lâmpadas fluorescentes podem contaminar o ar, o solo e os lençóis freáticos.

O mercúrio e o chumbo são extremamente tóxicos e prejudiciais à saúde. O mercúrio tem um efeito cumulativo no organismo, ataca o sistema nervoso e pode resultar em má formação embrionária, câncer e até morte. O chumbo também causa câncer e ataca o cérebro, os rins e os sistemas digestivo e reprodutor.

"Todos esses problemas podem ocorrer quando há um incentivo ao uso das lâmpadas fluorescentes sem os cuidados com a destinação correta", afirma a professora de química ambiental Marta Tocchetto, da Universidade Federal de Santa Maria.

Segundo ela, que também faz parte da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes), só 6% das lâmpadas fluorescentes são recicladas no Brasil. A grande maioria vai parar no lixo comum.

A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) prevê que os fabricantes das lâmpadas fluorescentes sejam responsáveis pela coleta e pelo destino final adequado desses produtos. "Mas até agora não houve a finalização de um acordo entre governo e empresas, pois a dificuldade está em quem vai pagar por esse processo", diz Tocchetto.

O Ministério do Meio Ambiente, que é o responsável pela Política Nacional de Resíduos Sólidos, não respondeu à consulta feita pela DW sobre o tema.

Substituição foi criticada na Alemanha

Na Europa, a substituição das lâmpadas incandescentes começou em 2009, e a última leva foi proibida em 2012.

Na Alemanha, a medida foi muito criticada. Consumidores reclamavam da luz gerada pelos modelos mais econômicos, considerada mais fria. As críticas também focavam na questão ambiental e de saúde. Havia uma preocupação com relação ao mercúrio contido nas lâmpadas fluorescentes.

"O importante nessa história é informar as pessoas sobre o que elas estão comprando. Elas precisam saber que as lâmpadas fluorescentes possuem uma quantidade mínima de mercúrio e precisam saber o que acontece quando uma lâmpada dessas quebra", diz Thomas Fischer, da organização ambientalista Deutsche Umwelthilfe.

A reciclagem está prevista na Alemanha, mas, quando as lâmpadas fluorescentes queimam, é o consumidor que deve levá-las aos pontos de recolhimento da prefeitura ou às lojas que as recolhem. "Nós ambientalistas vemos problemas aí, porque muitos desses pontos estão abertos somente alguns dias da semana e em poucos horários, além de serem longe dos centro das cidades", diz Fischer, acrescentando que, até o ano que vem, uma lei deve ser votada para obrigar o comércio a recolher esse material.

Um estudo da organização, de 2011, afirma que a troca de 60% das lâmpadas incandescentes seria suficiente para reduzir em 4,5 milhões de toneladas as emissões de dióxido de carbono no país. Somente na Alemanha, essa substituição tinha um potencial de economia de 22 bilhões de quilowatts-hora, o equivalente a duas pequenas usinas movidas a carvão.

Economia de energia

No Brasil, os estoques das lâmpadas incandescentes de 60 watts, as mais comuns no país, ainda podem ser vendidos durante um ano. A substituição gradual das incandescentes pelas fluorescentes foi estabelecida em 2010 pelo governo federal e faz parte do Plano Nacional de Eficiência Energética, que pretende combater o desperdício de energia e preservar os recursos naturais.

Em 2012 foram proibidas a fabricação e a importação das lâmpadas incandescentes de até 150 watts; em 2013, das de 61 a 150 watts; e, agora, das entre 41 e 60 watts. Em 2015, será a vez das lâmpadas de 25 a 40 watts e, em 2016, das demais.

Segundo o professor de engenharia elétrica Edson Watanabe, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a iniciativa contribui significativamente para a economia de energia. "As lâmpadas incandescentes são ineficientes porque transformam apenas 5% da energia que consomem em luz. O resto vira calor", diz.

O diretor técnico da Associação Brasileira da Indústria de Iluminação, Isac Roizenblatt, calcula o que a mudança representa para o bolso do consumidor. "Na substituição de uma lâmpada incandescente de 100 watts por uma fluorescente compacta de 23 watts, por exemplo, a economia é de cerca de 30 reais em mil horas de utilização, ou aproximadamente um ano."

Apesar de avaliar positivamente a política de troca das lâmpadas, Watanabe reforça que o descarte das fluorescentes tem que ser controlado. "É preciso também uma campanha de conscientização para evitar que elas sejam jogadas fora de qualquer jeito, porque realmente podem causar problemas."


Quase 8,3 mil amanhecem fora de casa no RS por causa da chuva

Número de municípios atingidos pela chuva chegou aos 70, diz Defesa Civil.
Pelo menos cinco mil estão desalojados e três mil desabrigados.


Do G1 RS

Por causa da chuva dos últimos dias no Rio Grande do Sul, 8.299 pessoas amanheceram fora de casa nesta terça-feira (1). Segundo a Defesa Civil do estado, 70 municípios foram atingidos pela chuva. O temporal e as cheias dos rios deixaram 3.061 desabrigados e 5.238 desalojados.

As regiões mais afetadas são a norte e a nordeste do estado. A Defesa Civil já recebeu 18 decretos de emergência e um de calamidade pública, de Iraí.

No final de semana, pelo menos 11,5 mil chegaram a ter de deixar suas residências. Porto Mauá e Porto Xavier, perto da fronteira com a Argentina, estão entre as cidades mais prejudicadas pela chuva. No norte do estado, Iraí é o município com o maior número desabrigados: 634 pessoas.

O governador Tarso Genro deve visitar nesta terça-feira as áreas atingidas pela chuva dos últimos dias no Rio Grande do Sul. Na manhã de segunda (30), o governador se reuniu com os secretários e diretores de autarquias para tratar das ações de auxílio às famílias afetadas pela chuva no estado.

De acordo com a assessoria do Palácio Piratini, Tarso irá até a central da Defesa Civil em Frederico Westphalen, que está coordenando o atendimento aos desabrigados e desalojados e recebendo doações. Neste momento, a prioridade são as ações humanitárias.

Depois, o Piratini vai definir, junto com o governo federal, o volume de recursos que serão aplicados para tentar recuperar os prejuízos causados pela cheia.


SC tem 45 mil atingidos pelas chuvas e 23 municípios em emergência

Dados são do último relatório da Defesa Civil atualizado segunda à noite.
Órgão estadual alerta para riscos de deslizamentos por solo encharcado.


Do G1 SC

Santa Catarina tem 45.700 pessoas atingidas pelas chuvas e 23 municípios decretaram situação de emergência até a noite desta segunda-feira (30). Estes são os dados atualizados pela Defesa Civil estadual, por volta das 22h30. Conforme o levantamento do órgão, há 41.700 desalojados - pessoas que estão em casas de parentes ou conhecidos - e 4 mil desabrigados, os que não têm onde ficar e foram levados para abrigos.

Segundo o órgão estadual, 44 municípios foram atingidos pelas chuvas. Oeste e Vale do Itajaí são os mais afetados. Serra e Sul são outras regiões que tiveram problemas.

Veja galeria de fotos dos estragos causados pela chuva em SC

A perspectiva da Defesa Civil é de que os pontos de alagamentos diminuam significativamente a partir desta terça-feira (1º), quando as famílias poderão retornar para suas casas e os estragos começarão a ser contabilizados. Apesar disso, existe a preocupação com deslizamentos ou desmoronamentos, já que o solo está encharcado em várias regiões, devido às chuvas que atingem o estado desde o início de junho, e já não consegue mais absorver a água.

Durante todo o dia, a Defesa Civil se concentrou em receber o levantamento dos municípios atingidos, para ter uma ideia do prejuízo em todo o estado. “A situação já é menos tensa do que nos últimos quatro dias. Os rios já atingiram seus limites máximos, estão reduzindo os níveis. Grande parte da população que foi afetada já retornou às suas residências, óbvio que em uma situação de limpeza", afirmou o secretário estadual da entidade, Rodrigo Moratelli.


Capivaras costumam ficar nas margens do rio, mas foram flagradas no Centro (Foto: Orlando Pereira/Divulgação)Capivaras tentaram migrar para local seco (Foto: Orlando Pereira/Divulgação)


Situação de emergência

Municípios que decretaram situação de emergência: Palmitos, Joaçaba, Itapiranga, Rio das Antas, Águas de Chapecó, Água Doce, Lindóia do Sul, São Carlos, Agronômica, Videira, Herval d'Oeste, Capinzal, Presidente Castelo Branco, Campo Erê, Lageado Grande, Piratuba, Planalto Alegre, Itá, Irani, Rio do Sul, Cordilheira Alta, Rio do Oeste e Ibicaré. Nesta segunda, a Prefeitura de Balneário Rincão decretou situação de emergência, mas a informação ainda não consta no relatório da Defesa Civil estadual.

Volta às aulas 

As escolas da rede estadual do Oeste de Santa Catarina voltaram às aulas nesta segunda (30) após serem canceladas devido às fortes chuvas na região. Por causa da elevação do nível das águas nos rios, cerca de 225 escolas tiveram suas aulas suspensas na sexta (27).

Estradas federais e estaduais

Cerca de 20 trechos de rodovias estaduais e federais seguem com algum tipo de problema após as chuvas que afetaram as regiões Oeste, Serra e Sul de Santa Catarina. No caso das estradas federais, há áreas prejudicadas na Serra e no Oeste. Para as estaduais, uma das situações mais graves é na SC-155 em Xanxerê, onde parte da pista cedeu.

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) divulgou interdição na BR-153 no km 118, em Concórdia, na ponte sobre o Rio Uruguai, divisa de Santa Catarina com Rio Grande do Sul. Na mesma rodovia no km 49, em Vargem Bonita, também há interrupção. Na BR-282 em São José do Cerrito, no km 271, e Vargem, no km 293, há vários buracos e degraus na pista. Existe a possibilidade da via ser interditada para veículos pesados. Desde as chuvas do começo do junho, a BR-280 em Corupá, no Norte, segue bloqueada no km 93.

Um dos danos mais graves foi registrado na SC-155, em Xanxerê. A rodovia desmoronou entre os kms 73 e 73,100. As duas pistas e o acostamento cederam abrindo um buraco de aproximadamente 50 metros de comprimento e 20 metros de profundidade. A previsão de liberação é para 10 de julho. Outro ponto interrompido na SC-155 fica em Itá, onde houve desmoronamento da pista entre os kms 133,95 e 134.

Na SC-283, em Arvoredo, a pista cedeu entre os kms 69,8 e 70. Entre Ipira e Peritiba, fissuras na pista fizeram com que o tráfego precisasse ser bloqueado na SC-390. O problema ocorre ao longo dos kms 33,3 e 33,6.

Na SC-465, toda a pista também cedeu, segundo a PMRv. O problema começa no km 15 e segue até o 15,09 e causou a interrupção total da via, que fica no município de Macieira. Na SC-452 houve deslizamento de pista em Monte Carlos.

Estudo encontra poluição de plástico em 88% da superfície dos mares

Expedição feita em 2010 coletou mais de 3 mil amostras oceânicas.
Estima-se que oceano tenha entre 10 mil e 40 mil toneladas de plástico.


AFP

Até 88% da superfície dos oceanos do mundo está contaminada com lixo plástico, elevando a preocupação com os efeitos sobre a vida marinha e a cadeia alimentar, afirmaram cientistas nesta segunda-feira (30).


 Foto de 2008 mostra detritos na Baía de Hanauma, no Havaí (Foto: AP Photo/NOAA Pacific Islands Fisheries Science Center)Foto de 2008 mostra detritos na Baía de Hanauma, no Havaí (Foto: AP Photo/NOAA Pacific Islands Fisheries Science Center)

Os produtos plásticos produzidos em massa para brinquedos, sacolas, embalagens de alimentos e utensílios chegam aos mares arrastados pela água da chuva, um problema que deve piorar nas próximas décadas.

As descobertas, publicadas no periódico "Proceedings of the National Academy of Sciences" ("PNAS"), se baseiam em mais de 3 mil amostras oceânicas, coletadas ao redor do mundo por uma expedição científica em 2010.

"As correntes oceânicas carregam objetos plásticos, que se partem em fragmentos menores, devido à radiação solar", disse o diretor das pesquisas, Andrés Cozar, da Universidade de Cádiz, na Espanha.

"Estes pequenos pedaços de plástico, conhecidos como microplásticos, podem durar centenas de anos e foram detectados em 88% da superfície oceânica analisada durante a Expedição Malaspina 2010", acrescentou.

Os cientistas avaliaram que a quantidade total de plástico nos oceanos do mundo - entre 10 mil e 40 mil toneladas - atualmente é menor do que as estimativas anteriores. No entanto, levantaram novas preocupações sobre o destino de tanto plástico, particularmente os pedaços menores.

O estudo revelou que os fragmentos de plástico, "entre alguns mícrons e alguns milímetros de tamanho, são sub-representados em amostras da superfície do mar".

Mais pesquisas são necessárias para descobrir aonde estas partículas vão e quais os efeitos que têm na vida marinha.

"Estes microplásticos têm influência no comportamento e na cadeia alimentar de organismos marinhos", disse Cozar. "Mas provavelmente, a maioria dos impactos relacionada à poluição do plástico nos oceanos não é conhecida", concluiu.


29 junho 2014

Parlamento alemão aprova lei de incentivo à energia renovável

O Estado alemão Schleswig-Holstein, na fronteira com a Dinamarca, planeja consumir energia 100% renovável


Correio do Brasil
Por Redação, com agências internacionais - de Berlim

A câmara baixa do Parlamento alemão aprovou nesta sexta-feira uma lei para reformar o sistema de subsídios para energia renovável, derrubando o primeiro obstáculo a um plano que ainda pode ser parado pela União Europeia após um conflito sobre a sua legalidade. A lei, parte dos esforços da Alemanha para diminuir sua dependência da energia nuclear, ainda precisa de aprovação da câmara alta (equivalente ao Senado) e da Comissão Europeia, que está preocupada de que as isenções de uma sobretaxa para energia verde possa infringir leis de ajuda estatal da UE.

Berlim e a Comissão vem discordando sobre a política alemã, sob a qual consumidores pagam uma sobretaxa para financiar energia renovável enquanto que consumidores industriais pesados estão em grande parte isentos. A Comissão levantou novas objeções na segunda-feira, que levaram a Alemanha a mudar seus planos no último minuto.

O ministro alemão da Economia, Sigmar Gabriel, disse estar certo de que o sucessor de Joaquín Almunia como chefe de competição da Comissão Europeia, quem quer que seja, demonstrará ser mais compreensível com a nova legislação alemã.

– Estou certo de que chegaremos a um acordo no fim … não podemos sobrecarregar plantas existentes com 100% da sobretaxa para energia renovável – disse ele a repórteres.

As mudanças de última hora incluíram uma regra de que companhias industriais que geram sua própria energia no local em novas usinas renováveis ou combinadas a térmicas pagarão uma sobretaxa mais alta do que o planejado antes.

Schleswig-Holstein

O Estado alemão de Schleswig-Holstein, o mais setentrional do país, na fronteira com a Dinamarca, pretende ter 100% de toda a sua energia proveniente de fontes renováveis ainda neste ano. Localizado em uma região rural, o Estado tem o vento como principal aliado para a conquista deste objetivo.


Há oito anos Schleswig-Holstein já gerava 30% de sua energia a partir de fazendas eólicas. Além de suprir toda a demanda interna, o Estado ainda planeja produzir mais eletricidade do que o necessário para o consumo, para que seja possível comercializar o excedente.

De acordo com o site Clean Technica, o pequeno Estado possui 7 mil pessoas trabalhando diretamente com energia eólica, empresas fabricantes de turbinas têm sede lá e o potencial para o crescimento do setor é muito grande. Até 2030 deve ser possível produzir 25 mil megawatts de energia eólica offshore e outros seis mil megawatts de energia onshore.

Esta não é a primeira vez que uma região da Alemanha tem 100% de sua energia proveniente de fontes renováveis. Feldheim foi a primeira aldeia a ter 300% da eletricidade limpa, produzida por fazendas eólicas e usinas de biogás. Por estarem conectadas às redes de transmissão, as comunidades conseguem vender a energia que sobra e garantirem o abastecimento mesmo que as condições climáticas sejam adversas à produção.


Terremoto sacode ilhas japonesas de Ogasawara

Tremor de 6,2 graus de magnitude não ativou alerta de tsunami.
Ainda não informações sobre danos materiais ou vítimas.


EFE

Um terremoto de 6,2 graus de magnitude sacudiu neste domingo (29) as ilhas japonesas de Ogasawara (sul) sem ativar o alerta de tsunami e sem que se tenha informado até o momento de danos materiais ou pessoais, informou a Agência Meteorológica japonesa.

O terremoto aconteceu às 14h56 (horário local, 2h56 e Brasília) e seu epicentro foi localizado a cerca de 170 quilômetros de profundidade sob o mar, perto da ilha de Hahajima, uma das duas únicas habitadas deste arquipélago situado a cerca de 1.000 quilômetros ao sul de Tóquio.

O tremor foi sentido só nas distantes ilhas Ogasawara.

Volume útil do Sistema Cantareira pode chegar a zero antes do fim da Copa

Relatório indica que, se as chuvas não vierem, depois de 8 de julho os reservatórios que compõem o Cantareira passarão a receber apenas o chamado volume morto, que só resistirá a outros 100 dias


Rede Brasil Atual

São Paulo – Estudo apresentado na quinta-feira (26) pelo Consórcio Intermunicipal das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) indica que o volume útil do Sistema Cantareira – que abastece grande parte da região metropolitana de São Paulo, inclusive a capital, além da região de Campinas e Piracicaba, chegará a zero entre os dias 7 e 8 de julho, ainda antes do final da Copa do Mundo.

A partir desta data, diz o relatório, a falta de chuva fará com que todo o sistema passe a operar exclusivamente com o chamado volume morto, que por sua deve ser suficiente para, no máximo mais que 100 dias de abastecimento.

Pesquisador da Unicamp e consultor do consórcio, Antônio Carlos Zuffo explicou, ao apresentar o estudo, que dos quatro reservatórios que compõem o sistema, dois (o Jaguari e o Jacareí) já estão captando o volume morto, que é lançado nos outros dois reservatórios (Cachoeira e Atibainha) para mantê-los com volume positivo. “Porém, daqui a 10 dias, os reservatórios que ainda não recorreram diretamente à reserva só terão em sua capacidade água vinda deste recurso, ou seja, a água que em condições normais é utilizada para o abastecimento já terá se esgotado.”

“Isso indica o perigo de desabastecimento. Caminhamos a passos largos para o desabastecimento, estamos em plena crise, não dá para negar”, completou. Para o especialista, desde o fim do ano passado deveria ter sido implementado um sistema de rodízio ou racionamento para evitar o esgotamento do recurso.
Solidariedade

O PCJ apresentou também uma proposta de captação e distribuição de água baseada em um modelo utilizado em estados do Nordeste em tempos de escassez. Segundo o modelo, deve haver um revezamento entre os setores industrial, urbano e agrícola, de forma a evitar um pico de consumo em um mesmo período.

“É um modelo baseado na solidariedade. O organismo gestor participa, mas a própria comunidade executa e compartilha as ações. É preciso sensibilizar os usuários para que a água não falte para ninguém.”, explicou o secretário Executivo do Consórcio PCJ, Francisco Lahoz.

Para que seja executado, o plano deve ter a adesão total dos usuários – municípios, indústrias e produtores agrícolas que têm autorização para fazer captação dos rios que compõem o sistema. Segundo o secretário, embora o Sistema Cantareira abasteça a Grande São Paulo, e as regiões de Campinas e Piracicaba, em caso de desabastecimento, as duas cidades do interior sentiriam mais os reflexos porque a capital possui mais de um sistema para o abastecimento. "Na Grande São Paulo, 30% do consumo depende do Cantareira. Aqui na região, só temos o Cantareira, e os nossos lençóis freáticos já estão baixos", explicou.

Com reportagens do Portal de Paulínia e da FSP