06 junho 2014

Novo vírus pode entrar no Amapá pela Guiana Francesa, alerta CVS

Vírus apresenta sintomas semelhantes aos da dengue.
Guiana registrou 100 novos casos somente em maio, segundo Sesa.


Abinoan Santiago
Do G1 AP

A Coordenação de Vigilância em Saúde (CVS) do Amapá alerta para o risco de um novo vírus transmitido pelo mosquito Aedes aegypti entrar no estado pela Guiana Francesa. O país sul-americano faz fronteira com o Amapá e registrou 100 novos casos da doença em maio, sendo que 80 pessoas foram infectadas na própria região guianense, segundo a Secretaria de Saúde (Sesa).

O vírus chamado ‘chikungunya’ é considerado novo no Brasil. Apenas dois casos foram registrados, desde 2013. Eles foram diagnosticados em turistas do Caribe em visita ao país. Ainda não houve o aparecimento de transmissão dentro do território nacional.

A possibilidade de a doença ser propagada pelo Amapá chamou a atenção do Ministério da Saúde (MS). O órgão federal enviou uma equipe de médicos para orientar profissionais locais sobre as características dos sintomas do novo vírus.

É comum que ele seja transmitido por viajantes. Ele pode se espalhar para uma nova área se alguém tem o vírus circulando no corpo em um período que vai de 2 a 3 dias, antes do início dos sintomas, até 5 dias depois. A CVS informou que caso um Aedes aegypti sugue o sangue da pessoa infectada, o inseto também contrai o vírus, com possibilidade de depositar ovos com mosquitos virais.

Apesar de a doença raramente ser fatal, ela é extremamente debilitante, segundo informou o chefe de vigilância ambiental da CVS, Rafael Xavier. Os sintomas são semelhantes ao da dengue: febre e dor de cabeça. A diferença é o aparecimento de dores nos tecidos das articulações do corpo.

“A doença em si não tem tratamento. O remédio é aplicado para fazer desaparecer cada um dos sintomas”, disse Xavier.


04 junho 2014

Sistema Cantareira pode secar em outubro, diz Sabesp

Previsão feita pela companhia de água é para cenário de chuva escassa.
Volume acumulado no Cantareira chegou a 24,6% nesta terça-feira (3).


Do G1 São Paulo

A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) anunciou nesta terça-feira (3) que a água dos reservatórios do Sistema Cantareira pode acabar no dia 27 de outubro. A informação foi divulgada por meio de um comunicado do grupo técnico responsável por acompanhar a crise no Cantareira, que abastece mais de 8 milhões de pessoas na Grande São Paulo e enfrenta falta de chuvas desde dezembro. Segundo a companhia, a hipótese vale para o cenário em que a entrada de água no sistema seja igual ou menor a 50% das mínimas históricas já registradas.

Nível acumulado de água no Sistema Cantareira, que abastece a população da Grande São Paulo, chegou a 8,4%, segundo medição divulgada pela Sabesp na quarta-feira (14). Na imagem, reservatório na região de Joanópolis.  (Foto: Denny Cesare/ Estadão Conteúdo)Situação do Sistema Cantareira é avaliada por comitê anticrise (Foto: Denny Cesare/ Estadão Conteúdo)

Nesta terça-feira, o volume acumulado do Cantareira chegou a 24,6%, após um dia com 0,4 milímetro de chuva. Desse total, 18,5% vêm do fundo dos reservatórios, o chamado "volume morto", que começou a ser usado em 15 de maio.

Para que a água do Cantareira se mantenha disponível à população até 30 de novembro, data inicial projetada para durar a reserva do volume morto, seriam necessários outros 51 milhões de metros cúbicos. Esse dado também é do comitê anticrise, chamado de Grupo Técnico de Assessoramento para gestão do Sistema Cantareira (GTAG) e formado por representantes da Sabesp, do Comitê das Bacias Hidrográficas dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (Comitê PCJ) e do Comitê da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê (CBH-AT). O grupo foi criado pela Agência Nacional de Águas (ANA) e pelo Departamento de Água e Energia Elétrica (Daee) de São Paulo.

Apesar disso, a Sabesp disse na nota que esse "volume é suficiente para o abastecimento até março de 2015, no ponto alto do período das chuvas", e que a previsão do comitê para outubro ocorreu utilizando as projeções mais pessimistas. Esse cenário desfavorável considera afluências (entrada de água) de 25% a 50% do total das mínimas históricas.

Redução na vazão

Além do dado sobre uma possível seca em outubro, o comunicado mostrou uma hipotética solução da Sabesp para as recomendações feitas pelo comitê em comunicado anterior. Nele, o grupo técnico pediu à companhia que considerasse um "cenário mais desfavorável" ao realizar planos de extração de água dos reservatórios.

Na ocasião, a Sabesp informou que pretendia retirar dos quatro principais reservatórios do Cantareira uma média de 22,2 mil litros por segundo entre junho e novembro. Agora, no novo cenário, a companhia disse que passaria a retirar em média 21,2 mil litros por segundo até novembro.

Porém, em nota, a Sabesp respondeu que "mantém as suas projeções inicialmente apresentadas" e que o comitê "obrigou a companhia a apresentar projeções muito mais pessimistas, que seriam 50% e 75% inferiores à mínima histórica". A companhia destacou também que "trata-se de mera recomendação do GTAG que será ainda avaliada".

A redução da retirada de água das represas do Sistema Cantareira vem sendo adotada desde o início do ano. No dia 13 de março, a vazão captada passou de 33 metros cúbicos por segundo para 27,9 metros cúbicos por segundo, por determinação da ANA.