31 maio 2014

Pesca da piracatinga será restrita na Amazônia para evitar morte de botos

Portaria interministerial deve ser publicada nos próximos dias pelo governo.
Pescadores usam carne de boto para capturar cardumes desses peixes.


Eduardo Carvalho
Do G1, em São Paulo

Uma portaria interministerial que será publicada nos próximos dias vai instituir na Amazônia, a partir de janeiro de 2015, moratória de cinco anos para a pesca da piracatinga (Calophysus macropterus), peixe conhecido como douradinha, com o objetivo de proteger a população de jacarés e botos-vermelhos (Inia geoffrensis), chamados de botos-cor-de-rosa. O anúncio foi feito este mês pelos ministérios da Pesca e Aquicultura e Meio Ambiente.


Boto-vermelho, também conhecido como boto-cor-de-rosa, é um dos símbolos da Amazônia (Foto: Yasuyoshi Chiba/AFP)Boto-vermelho, também conhecido como boto-cor-de-rosa, é um dos símbolos da Amazônia (Foto: Yasuyoshi Chiba/AFP)

Segundo especialistas, pescadores tem matado diversos botos na região e utilizado sua carne como isca para atrair cardumes de piracatinga, chamado de "urubu d'água" porque consome carne apodrecida. A prática, difundida no interior do estado, ocorre ainda em zonas próximas a Manaus, capital do Amazonas.

Estima-se que o volume anual de pesca provoque a morte de 67 a 144 botos-vermelhos por ano. Essa quantidade está bem acima da taxa natural de mortalidade, estimada em 16 animais ao ano. Isso tem causado uma redução drástica na quantidade de espécimes.

Estudo divulgado em 2011 mostra que, em uma década, a população de botos da Amazônia reduziu pela metade.

Douradinha é consumida no país

De acordo com a Associação Amigos do Peixe-boi (Ampa), localizada no Amazonas, as características da espécie contribuem para a vulnerabilidade deste mamífero amazônico. As fêmeas têm gestação de dez meses e cuidam dos filhotes por até quatro anos, ou seja, a inserção de outro boto na natureza é demorada.

Outro dado importante aponta que cada boto-vermelho, que chega a medir 2,5 metros e pesar 180 kg, pode render ao menos uma tonelada de piracatinga.

Na região de Tefé, estima-se a pesca de 400 toneladas do pescado ao ano, sendo que grande parte da carga é enviada para a Colômbia. Os peixes vão também para o comércio do Amazonas, mas também são enviados para São Paulo e Nordeste.

Segundo o Ministério da Pesca, a moratória vai resguardar a subsistência do pescador artesanal e, por isso, ficará autorizada a captura de até 5 quilos por dia para o consumo familiar. O governo vai estudar alternativas para a retomada da pesca da douradinha após o término da moratória.


30 maio 2014

Hidrovia Tietê-Paraná terá tráfego paralisado por causa da estiagem

Medida será tomada pelo Departamento Hidroviário do Estado de SP.
Profundidade do leito em alguns pontos é de apenas um metro.


Do G1 Rio Preto e Araçatuba

A hidrovia Tietê-Paraná, um dos principais corredores de escoamento do que é produzido em todo o centro-sul do país e que passa pela região de Araçatuba (SP), terá o tráfego de barcaças totalmente paralisado a partir da meia-noite deste sábado (31). A medida será tomada pelo Departamento Hidroviário do Estado de São Paulo porque a profundidade do leito em alguns pontos é de apenas um metro, o que pode fazer com que as barcaças fiquem encalhadas.

O motivo da baixa profundidade é a falta de chuva na região noroeste paulista. Com a paralisação, as cargas de soja serão levadas até o porto de Santos (SP) por rodovias. Por enquanto, não há previsão para que o tráfego volte ao normal na hidrovia.

No começo do mês, o departamento já tinha emitido um comunicado a todas as empresas que fazem o transporte pela hidrovia proibindo que os comboios naveguem com mais de 2,29 metros de calado, que é a parte da embarcação que fica submersa.

Barcaça passa pelo rio Tietê: situação complicada por causa da estiagem (Foto: Reprodução/TV TEM)Barcaça passa pelo rio Tietê: situação complicada por causa da estiagem (Foto: Reprodução/TV TEM)

29 maio 2014

Hidrelétrica de Furnas deixa de produzir energia durante a madrugada

Medida acontece a pedido do ONS, devido ao nível crítico de reservatório.
Lago de Furnas está hoje 11 metros abaixo da cota máxima.


Do G1 Sul de Minas

A Hidrelétrica de Furnas, em São José da Barra (MG), deixou de produzir energia elétrica durante a madrugada. A medida preventiva acontece por determinação do Operador Nacional do Sistema (ONS) diante do cenário crítico do lago. O objetivo é garantir que o reservatório tenha o volume de água suficiente para gerar energia nos próximos meses mesmo que não chova o suficiente. O nível máximo da Represa de Furnas é de 768 metros acima do nível do mar. Atualmente, o volume de água está 11 metros abaixo da cota.


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Com a estiagem, os principais rios que abastecem o reservatório, o Verde, o Sapucaí e o Grande, também estão com os níveis abaixo do normal. Segundo Fausto Costa, presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica de Furnas, o baixo nível reflete diretamente no Reservatório de Furnas.

"Os principais rios que abastecem o Lago de Furnas são os Rios Verde, Sapucaí e o Grande. Eles estão com um volume muito baixo de água, reflexo de pouca chuva na região Sudeste. Por determinação do Operador Nacional do Sistema (ONS) de energia elétrica, a Hidrelétrica de Furnas está deixando de gerar energia na madrugada, ou seja, para reter água aqui no Lago de Furnas e gerar energia nos próximos meses", explica.

Ainda segundo Costa, esse procedimento é para que nos meses de estiagem natural, ou seja, no inverno, o lago esteja com maior capacidade de água para não haver problemas de geração de energia.


26 maio 2014

Chuva não impede queda de nível no Sistema Cantareira

Reservas estão em 25,5%, dois décimos a menos que o registrado na sexta.
Para Inmet, chuva prevista para esta segunda (26) pode favorecer sistema.


Do G1 São Paulo

A chuva que cai desde a última quinta-feira (22) sobre boa parte da Região Sudeste não foi capaz de evitar a contínua queda no nível do Sistema Cantareira, conjunto de represas que abastecem parte da Grande São Paulo. O nível chegou a 25,5% nesta segunda-feira (26), dois décimos a menos que o registrado na sexta (23), quando o nível estava em 25,7%.

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a frente fria trouxe chuvas mais intensas para as partes sul e oeste do estado de São Paulo. Também choveu no norte, região do Sistema Canteira, e a pluviosidade acumulada de maio saltou de 24,2 mm na sexta para 34,2 mm nesta segunda. O número, porém, ainda está longe do esperado para o mês: 83,2 mm, segundo a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).

A meteorologista do Inmet Helena Balbino afirma que o deslocamento da frente fria em direção ao norte deve causar chuvas um pouco mais intensas no sul de Minas Gerais nesta segunda. Essa é a região onde deve chover para que as represas do Sistema Cantareira sejam abastecidas.

O nível de 25,5% divulgado nesta segunda pela Sabesp já considera o "volume morto", que passou a ser retirado no dia 15. Um dia depois, o nível do sistema, que estava em 8,2%, subiu para 26,7%.

Segundo o governo paulista, serão bombeados 182 milhões de metros cúbicos de água. O total dessa reserva técnica é de 400 milhões de metros cúbicos.

Outras medidas

O governo de Geraldo Alckmin tem oferecido um bônus de 30% para quem economizar 20% de água, e já prometeu que haverá multa para quem gastar mais que o habitual por mês – estratégia criticada por advogados da área de defesa do consumidor.

Em alguns bairros, o governo mudou o fornecimento de água para que as residências sejam abastecidas por represas que não sofrem com a escassez.

A Sabesp afirma que ainda não há racionamento, mas vários moradores de bairros da capital, em especial na Zona Norte, relatam que ficam sem água durante a noite e em alguns momentos do dia.

Com cheia do Rio Negro, Manaus decreta situação de emergência

Nível do rio chegou a 29,19 metros; CPRM prevê nível de até 29,49 metros.
Prefeitura identifica áreas de risco e pedirá apoio do Governo Federal.


Do G1 AM

O prefeito de Manaus, Artur Neto, decretou, nesta segunda-feira (26), situação de emergência na capital amazonense devido à cheia do Rio Negro. Com o nível do rio em 29,19 metros, ruas começaram a ser interditadas e moradores de diversas áreas já relatam problemas causados pela subida das águas.

De acordo com a Prefeitura de Manaus, o decreto deve ser publicado na edição desta segunda (26) do Diário Oficial do Município (DOM). Um dos objetivos é pedir apoio do Governo Federal. "Espero que, diferente do ano passado, haja uma sensibilidade maior do Ministério da Integração para com os ribeirinhos. Decretando situação de emergência na capital, incluindo a área rural, já garanto o seguro defeso para eles", explicou Artur Neto, por meio de assessoria.

Com a situação de emergência, devem ser promovidas ações de combate aos danos causados pela enchente no prazo de 180 dias, somente nas áreas do município de Manaus comprovadamente afetadas pela cheia. A responsabilidade do planejamento e execução das ações do plano emergência é da Defesa Civil Municipal de Manaus, que além da contratação de pessoal por tempo determinado, como diz a lei, poderá ainda convocar voluntários e realizar campanha de arrecadação de recursos com o fim de facilitar ações de assistência.

Além da Defesa Civil, deve atuar ainda a Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (Semasdh) com apoio a famílias que precisem ser retiradas de áreas de risco. A pasta afirmou que já possui planejamento identificando as áreas críticas.

O Rio Negro, segundo a prefeitura, já atingiu o nível de 29,19 metros. De acordo com o CPRM, a previsão é de que o nível do rio deve chegar a 29,49 metros neste ano.

Em todo o estado, segundo balanço divulgado na quarta-feira (21), 33.358 famílias e 167.863 pessoas já foram afetadas pela enchente dos rios. Dois municípios registraram estado de calamidade pública e 25 de emergência.