11 abril 2014

Entenda como funciona o combate à dengue com mosquito transgênico

Método foi aprovado para o Brasil por comissão de biossegurança.
Inseto modificado gera filhotes que não se desenvolvem.


Eduardo Carvalho
Do G1, em São Paulo

A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou nesta quinta-feira (10) a liberação comercial de um mosquito transgênico criado para controlar a população do Aedes aegypti selvagem, que transmite a dengue. Segundo o órgão, ligado ao Ministério da Ciência, é o primeiro inseto geneticamente modificado a obter licença no Brasil.

Nota da CTNBio explica que um parecer será publicado no Diário Oficial da União e, a partir daí, órgãos de registro e fiscalização terão 30 dias para se manifestar. Após esse período, caberá à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitir autorizações e registros para o uso em campanhas de saúde pública.

Veja abaixo perguntas e respostas sobre esse inseto geneticamente modificado que pode ser introduzido nas cidades brasileiras.

De que forma o mosquito transgênico faz diminuir a população do Aedes aegypti?

A tecnologia consiste em produzir em laboratório mosquitos machos com dois genes diferentes do Aedes aegypti original. Fêmeas que vivem na natureza e cruzam com esses espécimes modificados geram filhotes que não conseguem chegar à fase adulta. Assim, ela "gasta" seu potencial reprodutivo com filhotes que acabam morrendo. Com o tempo, isso afeta o total da população numa determinada área.

Por que o Aedes aegypti transgênico não sobrevive?

Os machos com genes modificados nascem no laboratório com as células desreguladas, que são “curadas” graças ao uso do antibiótico tetraciclina, que funciona como antídoto e ajuda no seu desenvolvimento até a fase adulta. Seus filhotes, concebidos após cruzamento com fêmeas selvagens, nascerão com o mesmo problema genético, mas devem morrer ainda na fase larva, vítimas de um colapso celular, pois não terão o antiobiótico.

Existe o risco de o mosquito transgênico transmitir alguma doença?

Segundo Danilo Carvalho, pesquisador do Laboratório de Mosquitos Geneticamente Modificados da Universidade de São Paulo (USP), são desenvolvidos em laboratório insetos machos e fêmeas. No entanto, apenas os machos serão liberados em áreas públicas e não oferecem risco porque se alimentam apenas do néctar de flores. Ou seja: ninguém será picado por inseto trangênico.

Há um risco de proliferação descontrolada desse mosquito transgênico?

Não. Por não se desenvolver sem a ajuda do antibiótico, não há como ocorrer uma superpopulação.

Quantos mosquitos machos já foram liberados?

Cerca de 18 milhões de insetos já foram liberados nos testes feitos.

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Infográfico Dengue (Foto: Arte/G1)

10 abril 2014

Situação de emergência é reconhecida em 68 municípios do Agreste de PE

Listagem do Ministério da Integração Nacional foi divulgada nesta quinta (10).
Ações são tomadas pelos governos federal e estadual para minimizar efeitos.


Paula Cavalcante
Do G1 Caruaru

O Ministério da Integração Nacional reconheceu que 68 municípios do Agreste de Pernambuco estão em situação de emergência em decorrência da estiagem. A portaria foi publicada no Diário Oficial da União desta quinta-feira (10). De acordo com a Constituição Federal, a situação de emergência se configura como uma “situação anormal, provocada por desastres, causando danos e prejuízos que impliquem o comprometimento parcial da capacidade de resposta do poder público do ente atingido”.

No dia 14 de fevereiro deste ano, o governo do estado decretou que estes municípios estão em situacão de emergência, o que foi constatado pelo governo federal. De acordo com o secretário estadual de Agricultura e Reforma Agrária, Aldo Santos, depois da listagem, os produtores afetados podem procurar os bancos para solicitar financiamentos. “O reconhecimento permite também que as políticas federais sejam repassadas para os municípios do semiárido. O estado também tem solicitado recursos para a Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil [SINPDEC]”.

Ainda para Aldo Santos, as ações fazem parte das políticas estaduais de convivência com o semiárido. “Por causa da estiagem que estamos enfrentando nos últimos três anos, estamos ampliando o número de carros-pipa, perfurando mais poços e aumentando o sistema de abastecimento de água. O objetivo principal é dar condições para a comunidade criar os animais", afirma o secretário estadual.

A Coordenadoria de Defesa Civil de Pernambuco (Codecipe) também tem acompanhado os municípios e atualizado a situação de cada um, segundo o secretário executivo de Defesa Civil do estado, coronel Carlos Albuquerque. “Nós realizamos um relatório no qual observamos o comportamento de perda de animais e das plantações, as condições de abastecimento de água e a previsão de chuvas na região. Esse acompanhamento é diário”.


Municípios em situação de emergência reconhecidos pelo Ministério da Integração Nacional
AgrestinaCupiraPesqueira
Águas BelasFrei MiguelinhoPoção
AlagoinhaGaranhunsRiacho das Almas
AltinhoGravatáSairé
AngelimIatiSalgadinho
Belo JardimIbirajubaSaloá
BezerrosItaíbaSanharó
Bom ConselhoJataúbaSanta Cruz do Capibaribe
Bom JardimJoão AlfredoSanta Maria do Cambucá
BonitoJucatiSão Bento do Una
BrejãoJupiSão Caetano
Brejo da Madre de DeusJuremaSão João
BuíqueLagoa do OuroSão Joaquim do Monte
CachoeirinhaLagoa dos GatosSão Vicente Ferrer
CaétesLajedoSurubim
CalçadoLimoeiroTacaimbó
Camocim de São FélixMachadosTaquaritinga do Norte
CanhotinhoOrobóTerezinha
CapoeirasPalmeirinaTupanatinga
CaruaruPanelasVenturosa
CasinhasParanatamaVertente do Lério
CorrentesPassiraVertentes
CumaruPedraFonte: Diário Oficial da União

Com cheia, Amazonas já registra 52 casos de leptospirose neste ano

Número é superior a 2013, que registrou 32 casos no mesmo período.

Homem chegou a ser diagnosticado e tratado no AM antes de morrer no AC.


Camila Henriques
Do G1 AM

O Amazonas registra 52 casos de leptospirose notificados neste ano, segundo levantamento da Fundação de Vigilância em Saúde do estado (FVS-AM), informado ao G1 nesta quinta-feira (10). Manaus é a cidade com a maior incidência da endemia, com 32 diagnósticos, seguida de Humaitá, com 14. Por conta da cheia dos rios no estado, comunidades isoladas enfrentam risco de contágio de doenças devido aos alagamentos e o contado com água contaminada.

Até o momento não foi registrado nenhum óbito no estado, segundo a FVS. No entanto, um homem de 70 anos teve os primeiros sintomas e foi diagnosticado em Boca do Acre , a 1.065 km de distância de Manaus. Ele chegou a ser atendido no ambulatório do município antes de ser levado para Rio Branco (AC), onde morreu no dia 3 de abril.

Em um comparativo com o mesmo período em 2013, houve aumento de 62,5% de casos - já que, no ano passado, foram notificados 32 casos entre os meses de janeiro e abril. Durante todo o ano de 2013, a FVS registrou 147 pessoas com leptospirose no Amazonas e oito óbitos - seis deles, em Manaus. Os casos estão registrados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde.

Segundo o diretor-presidente da Fundação, Bernardino Albuquerque, essa endemia é mais comum nos primeiros meses do ano, durante a cheia do Rio Madeira. "A leptospirose é uma doença esperada para acontecer nessa época. A maior concentração é em Manaus, devido à concentração de periferias na cidade", frisou.

FVS descarta cólera

A FVS descartou um possível surto de cólera no estado. De acordo com Bernardino Albuquerque, foi constatado que os sintomas identificados nos habitantes de comunidades ribeirinhas afetadas pela cheia dos rios resultam de uma possível diarreia bacteriana, causada pelo consumo de água contaminada.

Segundo o diretor, a análise do material colhido em Humaitá - um dos mais afetados pelas inundações - apontou resultado negativo para a presença de cólera no município. "Não há nenhuma confirmação da presença do vibrião colérico na região (Calha do Rio Madeira)", explica. Albuquerque informou ainda que amostras do material colhido em Rondônia, onde são investigados suspeitas da doença, foram levadas para análise laboratorial na Universidade de São Paulo (USP), na capital paulista.

Bernardino afirmou que desde 1998 o Amazonas não registra nenhum isolamento motivado pela presença de cólera. A doença é perigosa, segundo ele, pois leva a estados de desidratação grave e é transmitida facilmente.

Diarreia

Em Nova Olinda do Norte, a 135 km de Manaus, duas comunidades ribeirinhas enfrentam um surto de diarreia bacteriana. Nas últimas semanas, 88 pessoas foram diagnosticadas com a infecção. A água contaminada é apontada como agente proliferador da doença. As comunidades enfrentam alagamentos por causa da cheia do Rio Madeira. Órgãos estaduais afirmam que iniciaram ações de assistência às vítimas e combate a novos casos de diarreia.

Os primeiros casos da doença foram registrados no dia 13 de março, nas comunidades Santa Luzia e Boa Esperança, que ficam localizadas na Zona Rural da cidade. O local fica no limite entre Itacoatiara e Nova Olinda do Norte e o acesso fluvial dura mais de 45 minutos. Devido à subida das águas do Rio Madeira, as comunidades ficaram isoladas.

Cidades afetadas

De acordo com a Defesa Civil do estado, o número de pessoas afetadas pela cheia no Amazonas chega a 56.737, sendo 11.345 famílias afetadas. O município de Humaitá é o único em Estado de Calamidade, outros 13 seguem em Situação de emergência os municípios: Guajará, Ipixuna,Envira, Boca do Acre, Pauini, Canutama, Lábrea, Apuí, Manicoré, Novo Aripuanã, Borba, Nova Olinda do Norte e Tapauá. Três municípios estão em alerta: Eirunepé, Parintins e Tabatinga.


09 abril 2014

Rio será o primeiro Estado brasileiro a erradicar todos os lixões

Programa estadual incentiva instalação de aterros sanitários em municípios Fluminenses


Correio do Brasil
Por Redação, com ACS - do Rio de Janeiro

O Rio de Janeiro será o primeiro estado brasileiro a erradicar todos os lixões até o fim do ano. O programa Lixão Zero, da Secretaria do Ambiente, vai permitir que os 92 municípios passem a descartar seus resíduos sólidos em aterros sanitários ou em Centrais de Tratamento de Resíduos (CTRs), transformando em energia o gás metano gerado pela decomposição do lixo.

Em 2007, apenas quatro cidades destinavam seu lixo adequadamente. Hoje, dos 92 lixões que existiam, 70 já foram encerrados, e os 22 ainda ativos representam apenas 6,5% dos resíduos gerados. Cerca de 20 aterros ou CTRs já foram implantados ou estão em construção.

- A ideia é que os lixões virem aterros, que é uma maneira de evitarmos que o chorume desça para o lençol freático – afirmou o subsecretário do Ambiente, Carlos Portinho.

O programa também desenvolve o projeto Compra de Lixo Tratado, que repassa temporariamente a municípios com lixões em atividade recursos de R$ 20 por tonelada de resíduos destinados a aterro sanitário licenciado. Outra vertente do Lixão Zero é o Entulho Limpo da Baixada Fluminense, que ajuda as cidades a darem destinação adequada para resíduos do setor da construção civil.

Polo de Reciclagem de Gramacho

Em operação desde 2013, o primeiro polo de reciclagem do país, em Jardim Gramacho, em Caxias, também ajuda a transformar o Rio em um estado mais sustentável. A unidade é fruto de convênio firmado com a Refinaria Duque de Caxias e o centro de estudos socioambientais Pangea. O polo absorveu 500 catadores que atuavam no antigo Lixão de Gramacho.



08 abril 2014

São Paulo confirma a primeira morte por dengue em 2014

Criança de 6 anos, que morava em um bairro onde há aumento de casos da doença, morreu no dia 31 de março


O Globo, com Bom Dia Brasil

SÃO PAULO - A Secretaria Municipal de Saúde confirmou a primeira morte por dengue na cidade de São Paulo este ano. A vítima é uma criança de seis anos, que morreu no dia 31 de março. Na capital paulista, já foram confirmados 608 casos da doença. O número de casos subiu 15,4% nos primeiros três meses do ano, em comparação com o mesmo período do ano passado.

Os casos de dengue registrados na capital subiram 15,4% nos três primeiros meses do ano em comparação com o mesmo período de 2013. Os aumentos ocorreram principalmente no Butantã, Jaguaré e Lapa (na Zona Oeste), Tremembé (na Zona Norte) e Vila Jacuí (Zona Leste).

A criança que morreu de dengue morava no Jaguaré. Ela foi levada para um hospital após cinco dias com sintomas da doença.


Brasil é o terceiro país do mundo com mais conflitos ecológicos

Segundo levantamento global, busca por recursos naturais prejudica comunidades tradicionais
Posição do país no ranking seria explicada pela abundância de projetos de infraestrutura relacionados ao meio ambiente


Renato Grandelle | O Globo

RIO - A exploração mineral, o desmatamento e a disputa por terras e água estão entre os maiores motivos de conflitos ambientais do mundo, segundo um levantamento internacional divulgado recentemente pela ONG Ejolt (Environmental Justice Organizations, Liabilities and Trade) e coordenado pela Universidade Autônoma de Barcelona (UAB). Os pesquisadores identificaram 945 casos em 78 países. Empatado com a Nigéria, o Brasil foi o terceiro colocado no ranking, com 58 casos, atrás apenas da Índia (112) e da Colômbia (77).

Os conflitos do país, segundo o Atlas Global de Justiça Ambiental, estão ligados à abundância de projetos de infraestrutura relacionados ao meio ambiente. São obras, como a construção de hidrelétricas, que dividem ativistas e empreiteiras; e o setor agrícola, cujas plantações invadem unidades de conservação.

— O crescimento da população mundial provocará uma busca cada vez mais intensa por commodities, e o Brasil, que é rico em terra, água, petróleo e minérios, será um alvo — descreve Leah Temper, coordenadora do Atlas. — E este recursos estão em terras ocupadas por indígenas, quilombolas e pequenos agricultores. Estes grupos serão os mais afetados.

Entre os conflitos ecológicos brasileiros estão episódios de grilagem para especulação imobiliária e a disputa por regiões que poderiam receber projetos como barragens hidrelétricas. São instalações que ampliam a geração de energia por uma matriz energética considerada limpa, mas que provocam alto impacto ambiental no local de sua construção.

Falhas na legislação

Apesar do processo de industrialização nacional ter catapultado nas décadas passadas, as exportações do Brasil são altamente dependentes de produtos do setor primário. Em 2012, metade dos produtos comercializados para outras nações vinham do agronegócio — carne, soja, etanol, por exemplo — e outros semiacabados, entre eles alumínio e aço bruto. O potencial econômico do campo leva extrativistas a se aventurarem em reservas indígenas.

Professor de Direito Ambiental da Fundação Getúlio Vargas, Rômulo Sampaio lembra que a exploração de commodities sempre gera disputa de interesses.

— O petróleo, por exemplo, provoca interesses nacionais, conservacionais e do mercado privado — destaca. — No campo, o problema fundiário torna o conflito ainda mais agudo, devido à desigualdade na distribuição de propriedades.

Sampaio atribui os dilemas ambientais e suas consequências sociais a falhas graves na legislação.

— Não há uma discussão sobre como lidar com os conflitos — condena. — Falta uma orientação, uma política pública. O debate só aparece na hora de implementação de cada projeto. Por isso, aumenta o número de ações no Judiciário.

A Fiocruz realiza, desde o ano passado, um catálogo sobre injustiças ambientais no Brasil. O órgão foi uma das fontes do mapeamento da UAB e, em trabalhos independentes, destaca os danos à saúde coletiva provocados pelos conflitos ecológicos. Nas grandes cidades, moradores no entorno de lixões estão sujeitos a doenças respiratórias, dengue e leptospirose.

Já a atuação da indústria em áreas próximas a rios leva à alteração do ciclo reprodutivo da fauna, a doenças cardíacas e à insegurança alimentar.

— Analisamos denúncias de problemas de saúde causados por conflitos ecológicos, como a contaminação de rios por agrotóxicos — revela Marcelo Firpo Porto, professor do Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana, da Escola Nacional de Saúde Pública. — As doenças estão ligadas à degradação dos ecossistemas.

Em seu novo mapeamento, a Fiocruz já identificou 450 casos de conflito ecológico no Brasil.

— Levamos ao mapeamento da UAB os casos mais emblemáticos, relacionados ao comércio internacional — conta. — Mas conhecemos muitas outras ocorrências, de âmbito regional ou nacional.

No Rio, por exemplo, a Zona Oeste registra dois casos que seriam atentados à justiça ambiental. O polo industrial de Santa Cruz já provocou emissões de uma poeira de ferro e carbono, que causa danos ao aparelho respiratório.

Na Barra da Tijuca, moradores de comunidades vizinhas à Vila do Autódromo são ameaçadas de remoção devido à especulação imobiliária. A região receberá instalações para os Jogos Olímpicos. Segundo a Fiocruz, alterações já realizadas pelo assoreamento de recursos hídricos no local pioram a qualidade de vida da população.

Para Sampaio, as comunidades urbanas e rurais têm em comum a falta de mobilização, que permite a sobrevivência de problemas seculares.

— Não existe uma organização social entre as comunidades menos favorecidas, o que prejudica sua representatividade — assinala.

Leah, que está à frente da organização do Atlas, reconhece que o mapeamento ainda tem um longo caminho para percorrer. Nesta primeira edição, o trabalho contou com a adesão de 23 universidades e ONGs de justiça ambiental de 18 países.

‘Dívida ambiental’

O levantamento não chegou a regiões expressivas do planeta, como a China, a Ásia Central e o Oriente Médio.

— Temos muitos lugares em branco no mapa — reconhece. — Mas, agora que ele é público, vamos convidar pesquisadores e ativistas dessas regiões para documentar outros conflitos e expandir o nosso conhecimento.

A coordenadora do Atlas, no entanto, assegura que a iniciativa já confirma um padrão histórico.

— O Hemisfério Sul continua suprindo as nações desenvolvidas com manufaturas de baixo preço e pagam um alto preço ecológico. As nações ricas têm uma “dívida ambiental” — analisa.

07 abril 2014

Empresa em SP instala jardins nas paredes e monta telhados verdes

Em São Paulo, empresária criou áreas verdes em ambientes internos.
Paisagista realizou sonho e montou empresa de jardins urbanos.


Do PEGN TV

Em São Paulo, a empresária Gica Mesiara investe na criação e instalação de jardins verticais e telhados verdes. Com técnicas inovadoras e consultoria especializada, ela cria áreas verdes em ambientes internos.

Com a falta de espaço nas cidades, paredes e telhados viram estruturas verdes. A paisagista transformou um sonho em negócio. Ela montou uma empresa de jardins urbanos.

Nem parece uma casa, parece uma mata. Tudo coberto de verde. “A gente desenvolveu uma tecnologia especial para jardins verticais. Na verdade, as plantas estão em cápsulas, chamadas de porta planta”, diz. “Dá um acabamento perfeito, cobre tudo, e a técnica é tão bem aperfeiçoada que permite que as plantas se desenvolvam.”

Faz 15 anos que a empresária estuda as plantas. Em 2002, ela começou o negócio, em casa. Hoje, na sede da empresa dela tem 700 metros quadrados de área verde, uma floresta. Há plantas em todo canto.

Dentro da casa, o que chama a atenção, são os quadros vivos. No lugar de uma tela com pintura, as plantas recebem uma moldura.

De um lado da moldura tem um pequeno computador, que é programado para irrigar automaticamente as plantas. O reservatório tem 12 litros de água. Dá paa irrigar um quadro, por exemplo, durante pelo menos três meses.

O preço de cada quadro sai a partir de R$ 1 mil. Para plantar nas paredes, são usados pequenos suportes de plástico. É só encaixar numa tela de alumínio ou aço para formar painéis grandes, como este.

“Os porta-plantas, que são as cápsulas que recebem as plantas, têm esse gancho que tem trava de segurança. Isso permite que você regule a altura e respeita a copa da planta, pode ser mais baixa, mais alta, e você só engata na estrutura”, diz.

Já para fazer o telhado verde, os suportes são maiores, com 50 centímetros quadrados. Embaixo vai uma manta e um substrato com cristais de quartzo, para ficar aerado.

“É uma técnica para telhas. A gente chama de manta vegetada. Tem essa manta, onde tem bolsões, colocado o substrato, que é a terrinha, depois tem outra manta de aeração, e uma proteção contra raiz”, afirma. “A gente desenvolveu um substrato especial, que é um substrato leve, para as plantas poderem se desenvolver e não fazer uma sobrecarga permanente que possa prejudicar a estrutura do telhado.”

A empresária patenteou a técnica no mundo todo. Em cada caso, ela estuda se a planta é compatível com o lugar onde ela vai ficar e usa várias espécies, como begônias, samambaias, gerânios e russelias.

Elas têm um papel especial para reduzir a poluição de cidades como São Paulo.

O que muita gente nem imagina, é que dentro dos ambientes a poluição é até dez vezes maior do que lá fora. Existem inúmeros gases tóxicos, eles saem o tempo todo da tinta das paredes, do plástico do computador, do verniz da madeira, do corante das roupas. As plantas podem absorver esses gases.

Uma cliente contratou a empresa de Gica Mesiara para fazer jardins verticais no apartamento onde mora. São dois painéis com irrigação automática e plantas como begônias, aspargos e liriópolis.

“Um metro quadrado você pode fazer um painel verde, quem não tem um metro quadrado, sobretudo os apartamentos hoje, todos eles têm terraço”, diz Isabel Dantas de Freitas.

A empresa também vende uma linha de produtos para os pequenos empresários. A arquiteta Vera de Almeida é uma das clientes.

“A gente já coloca a planta num porte, então já fica com uma aparência de acabado de verdade, diferente de um jardim horizontal que você tem que esperar a planta crescer, a grama fechar, ficar verdinha. Ele não, ele dá aquele aspecto igual decoração, que você põe o sofá, está pronto, está bonito”, diz Vera.

A empresa de jardins urbanos faz em média 50 trabalhos por mês em todo o Brasil. E também exporta para os Estados Unidos, Europa, Argentina e Uruguai. No último ano, o negócio faturou R$ 4 milhões com os jardins verticais e telhados verdes.

“A ideia é que o mundo seja verde, que as cidades sejam verdes, e por que não ser do Brasil a melhor tecnologia para fazer isso, logo que o Brasil é o país da natureza, né?”, afirma a empresária Gica.

CONTATOS

QUADRO VIVO URBAN GARDENS

Contato: Empresária Gica Mesiara
Av. Paulo VI, 264 – Sumaré
São Paulo/SP – CEP: 01262-010
Telefone: (11) 3060-5060
www.quadrovivo.com

RENATA TILLI PAISAGISMO
Contato: Empresária Vera Oliveira
Rua Antonio de Macedo Soares, 570 – Campo Belo
São Paulo/SP – CEP: 04607-000
Telefone: (11) 5095-3300
www.renatatlli.com.br