07 dezembro 2013

Material cerâmico converte energia solar em combustível veicular

Converter energia solar em combustível que pode ser estocado e disponibilizado para o abastecimento de veículos já é realidade


Mundo da Sustentabilidade | Agência FAPESP

Converter energia solar em combustível que pode ser estocado e disponibilizado para o abastecimento de veículos já é realidade, pelo menos em laboratório. O experimento, realizado por Sossina Haile, do California Institute of Technology (Caltech), nos Estados Unidos, abre uma nova via para a produção sustentável de energia – um dos maiores desafios da atualidade.

Professora de Ciência dos Materiais e Engenharia Química no Caltech, Haile apresentou o relato de seu experimento na sessão inaugural da 6th International Conference on Electroceramics (6ª Conferência Internacional em Eletrocerâmica), realizada de 9 a 13 de novembro em João Pessoa, na Paraíba.

Promovido pela Sociedade Brasileira de Pesquisa de Materiais, com o apoio da FAPESP, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), o evento foi coordenado por Reginaldo Muccillo, pesquisador do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), José Arana Varela, professor titular da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Araraquara, e diretor-presidente do Conselho Técnico-Administrativo da FAPESP, e José Antônio Eiras, professor associado da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

“Para realizar a conversão de energia, utilizamos um material cerâmico, o óxido de cério (CeO2)”, disse Haile à Agência FAPESP, nos bastidores da conferência.

“Aquecido a altas temperaturas, ele libera oxigênio (O2), sem perder sua estrutura. Isso é pura termodinâmica: manutenção do estado de equilíbrio. Resfriado, volta a absorver oxigênio. Se o resfriamento ocorrer em presença de vapor de água (H2O) ou gás carbônico (CO2), o oxigênio será retirado das moléculas de uma ou outra dessas substâncias, e a reoxidação resultará na liberação de hidrogênio (H2), em um caso, ou de monóxido de carbono (CO), no outro – ambos com grande potencial como combustíveis.”

Para aquecer o material, Haile e colaboradores utilizaram um reator que consiste, de forma geral, em uma cavidade termicamente isolada, cuja tampa, de cristal de quartzo, concentra a radiação solar. O óxido de cério, formando uma peça única e porosa, reveste internamente a cavidade.

O oxigênio liberado após o aquecimento flui por uma saída no fundo do recipiente. E os gases (H2O ou CO2), que resfriam o óxido de cério, entram radialmente na cavidade, atravessando os poros do material. Pela mesma porta de saída, escapam o hidrogênio ou o monóxido de carbono, ejetados após a reoxidação.

“Uma pergunta específica que fizemos foi: como modificar o material de modo a aumentar a eficiência do processo e operar em temperaturas mais baixas?”, contou Haile.

A pergunta é muito relevante do ponto de vista tecnológico, pois a diminuição da temperatura de redução do óxido favorece bastante a construção do reator. “Verificamos que, agregando zircônio ao óxido de cério, é possível liberar o oxigênio com temperaturas menores. Em vez de operar a 1600 ou 1500 graus Celsius, é possível operar a 1450 ou 1350 graus – o que é muito vantajoso.”

“O zircônio possibilita baixar a temperatura porque torna a liberação de oxigênio da estrutura mais fácil do ponto de vista termodinâmico. Por outro lado, a cinética da reoxidação posterior fica mais lenta”, ponderou a pesquisadora.

Foram realizados, então, vários testes, de modo a chegar à porcentagem ótima de zircônio para favorecer tanto a temperatura quanto a cinética. “Constatamos que com um acréscimo de zircônio da ordem de 10% a 20% é possível atender a ambas expectativas”, afirmou.

Haile nasceu na Etiópia em 1966. Sua família foi obrigada a abandonar o país em meados da década de 1970, após o golpe militar que depôs o imperador Haile Selassie.

Ela conta que seu pai, um historiador, quase foi morto pelos golpistas. Nos Estados Unidos, Haile fez seus estudos superiores no Massachusetts Institute of Technology (MIT) e na University of California, Berkeley. Posteriormente, com bolsas das fundações Humboldt e Fulbright, desenvolveu pesquisa no Max Planck Institut für Festkörperforschung, de Stuttgart, Alemanha.



06 dezembro 2013

E se cada busca sua na internet resultasse no plantio de uma árvore?

EcoD

É praticamente impossível imaginar, nos dias de hoje, alguém que não utilize os buscadores de sites na internet. Basta digitar uma palavra-chave naquelas barrinhas para que esses mecanismos apresentem inúmeros resultados, o que facilita a vida dos usuários. Mas o buscador Ecosia, que é bem semelhante ao Google, resolveu inovar: a cada pesquisa realizada no sistema, uma nova árvore é plantada no mundo.

Criado por alemães, o Ecosia se uniu ao Yahoo, ao Bing e à organização não governamental WWF para concluir o projeto, que busca incentivar as pessoas a adotar hábitos mais sustentáveis até quando elas navegam na internet, prática que utiliza energia de servidores e, em consequência disso, contribui para a emissão de gases de efeito estufa na atmosfera.

O site, que destina pelo menos 80% de suas verbas para um programa de preservação das florestas tropicais no mundo inteiro, principalmente na Amazônia, conta com mais de dois milhões e meio de usuários, que realizam cerca de 20 milhões de buscas por mês. Desde sua criação, o buscador obtém recursos financeiros por meio dos links patrocinados estabelecidos pelas empresas, que inserem os endereços virtuais no canto direito da tela.

Além do plantio de novas árvores e da doação dos lucros do site, o Ecosia mantém um programa de mitigação de suas emissões de carbono e publica os certificados de neutralização na internet. O sistema de buscas também divulga os comprovantes das doações realizadas em nome da sustentabilidade.



04 dezembro 2013

Justiça cobra depósitos de lixo nuclear de Angra

O Globo

A Justiça Federal do Rio condenou a União, a Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) e a Eletrobras a incluírem no orçamento do ano que vem os recursos necessários para a construção e a instalação de depósitos adequados para receber o lixo radioativo produzido pelas usinas nucleares Angra 1, II e III. A decisão foi tomada depois de ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal (MPF) de Angra dos Reis.

Os advogados da Cnen entraram com recursos no Tribunal Regional Federal (2 Região), alegando que cabe à própria comissão fixar a data para a construção e instalação de depósitos — o que ainda não foi feito. A procuradora Monique Sheker, do Ministério Público Federal de Angra dos Reis, contesta. Conforme ela argumentou ontem, há previsão legal determinando a construção imediata de três tipos de depósitos para os rejeitos radioativos.

De acordo com a sentença da Justiça Federal, a Cnen também deverá encaminhar ao MPF, a cada dois meses, relatórios sobre o andamento da etapa de seleção do local para o armazenamento do lixo nuclear, bem como realizar reuniões para debater a escolha do ambiente. Em 2007, o MPF moveu uma ação baseada em um inquérito civil público, no qual apurou que o lixo atômico das usinas nucleares de Angra vinha sendo armazenado em depósitos provisórios desde 1982.

Isso, segundo o MPF, representa riscos à vida da população. A sentença judicial determinou ainda o pagamento de multa diária no valor de R$ 50 mil em caso de descumprimento.