23 novembro 2013

Aquecimento global cabe em dois ônibus

O relatório do Climate Accountability Institute aponta que 90 companhias são responsáveis por 63% das emissões de gás carbônico e metano provocadas pelo homem.

Flávio Aguiar | Carta Maior

O relatório do Climate Accountability Institute, do Colorado, Estados Unidos, aponta que 90 companhias são responsáveis por dois terços (63%) das emissões de gás-carbônico e metano provocadas pelo homem, principais responsáveis pelo aumento dramático do aquecimento global nos últimos vinte e cinco anos.

São companhias privadas (50), indústrias operadas por estados nacionais (9) ou de propriedade destes (31), cujas operações se distribuem por 43 países. Delas, sete são produtoras de cimento. As outras trabalham com petróleo, gás ou carvão. 30% das emissões são de responsabilidade de 20 companhias.

A campeã da lista é a Chevron Texaco, responsável por 3,52% das emissões globais. A Exxon vem logo a seguir, com 3,22%. A terceira é a Saudi Aramco, da Arábia Saudita, 3,17%. Outras campeãs: BP britânica, 2,47%; a Gazprom russa, 2,22%; a Shell holandesa, 2,12%; a National Iran, do Irã, 2,01%. A Petrobrás também está lá, com modestos 0,41%, mas está, colocada em 16º. Lugar entre as estatais do mundo. O país que contribui mais, individualmente, para esta corrida auto-destrutiva é a China: 8,56%. A extinta União Soviética contribuía com 8,94%, mas ela não existe mais. Dentre os grandes emissores estão também países como México, Polônia e Venezuela.

Um dos autores do relatório, Richard Heede, do Instituto da Contabilidade Climática, declarou ao Guardian que há milhares de seres humanos envolvidos na produção destas companhias. Mas que se descermos ao nível dos responsáveis pelas grandes linhas das decisões [ou indecisões] a respeito, desde os grandes executivos aos ministros de governo envolvidos, “a sua quantidade daria para encher um ou dois ônibus da Greyhound” (a cia. de transporte interestadual rodoviário nos EUA).

O relatório pode apontar uma possibilidade de desbloqueio de alguns dos impasses que atravancam continuamente a discussão internacional desta pauta, como está acontecendo, mais uma vez, no encontro da ONU que se desenrolou (ou se enrolou) nesta semana em Varsóvia, na Polônia. Ao pontuar de modo mais preciso as responsabilidades, o relatório pode indentificar de modo mais visível os pontos fracos – ou fortes – para onde as pressões pela diminuição das emissões devem convergir.

Também pode precisar melhor aquelas que devem ser as fontes do financiamento desta diminuição, seja através da responsabilização direta ou da indireta, através, por exemplo, da cobrança de impostos. Uma das razões alegadas pelos países mais desenvolvidos e industrializados do mundo para negacearem diante da proposta de que contribuam mais para a diminuição, seja remanejando suas emissões, seja financiando países em desenvolvimento para que diminuam as suas, é a da crise financeira em que se encontram, que não possibilitaria o aumento de seus encargos públicos.
O mapa interativo do relatório pode ser conferido neste endereço.

Entrretanto, aponta o relatório, é possível avançar na nomeação dos responsáveis diretos, e portanto, de onde devem partir os recursos.



21 novembro 2013

Erupção vulcânica forma pequena ilha em arquipélago no Japão

Ilha fica no arquipélago de Ogasawara, mil quilômetros ao sul de Tóquio.
Segundo especialista, ilhota pode desaparecer por causa da erosão.


Do G1, em São Paulo

Uma erupção vulcânica formou uma nova ilhota na costa de Nishinoshima, uma pequena ilha desabitada no arquipélago de Ogasawara, ao sul de Tóquio, segundo afirmaram nesta quinta-feira (21) a Guarda Costeira japonesa e especialistas em terremotos ouvidos pela AP.

Segundo a Guarda Costeira e a Agência Meteorológica do Japão, a ilhota tem cerca de 200 metros de diâmetro e fica em um arquipélago de 30 ilhas, 1 mil quilômetros ao sul de Tóquio.

O conjunto de ilhas, junto com o restante do Japão, faz parte do chamado “Anel de Fogo” do Pacífico, uma área sismicamente ativa, onde ocorre um grande número de terremotos.

A Guarda Costeira chegou a emitir um alerta na quarta-feira (20) devido à fumaça expelida durante a erupção.

O especialista em formações vulcânicas Hiroshi Ito disse ao canal ‘FNN’ que a ilha pode desaparecer por causa da erosão. “Mas também é possível que seja permanente”, afirmou.

A última vez que o país registrou uma erupção na região foi na década de 1970. Grande parte da atividade vulcânica ocorre sob o mar.

O porta-voz do governo japonês saudou a notícia da existência de um novo território, embora pequeno. “Isso já aconteceu antes e, em alguns casos, as ilhas desapareceram”, disse Yoshihide Suga, quando questionado sobre como o governo iria nomear a nova ilhota.

“Se ela se tornar uma ilha plena, nós ficaremos feliz por ter mais esse território”, afirmou.




20 novembro 2013

Eólicas vendem 867 MW em leilão de energia elétrica

São 39 projetos com investimentos avaliados em R$ 3,4 bi. Eletrobras foi a grande vencedora

O Globo


Em leilão realizado ontem na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), foram contratados 867,6 megawatts (MW) de 39 projetos de energia eólica. Esta energia será entregue ao mercado consumidor a partir de 2016. Realizado em menos de 30 minutos, o leilão ofertou apenas energia eólica. A Eletrobras foi a principal vencedora.

Dos 39 projetos leiloados, 15 deles, que equivalem a 212,5 MW, foram de parques da Eletro-sul, subsidiária da Eletrobras. A empresa irá investir cerca de R$ 1 bilhão nos parques que serão construídos no Rio Grande do Sul. A Chesf, também do grupo Eletrobras, vendeu energia de 12 parques, no total de 338 MW, por meio de três consórcios com parceiros privados nos quais tinha participação societária de 49%.

Quatro projetos estão em Pernambuco, em parceria com a PEC Energia Ltda. Outros seis, no Piauí, são projetos de expansão em parceria com a ContourGlobal, Salus FIP e SPE Ventos de Santa Joana. Os outros dois parques eólicos, na Bahia, são também projetos de expansão em parceria com a Sequóia Capital.

A CEEE-GT, do govemo do Rio Grande do Sul, também vendeu energia de três parques, no total de 55 MW, que demandarão investimentos de R$ 265 milhões. No total, as usinas eólicas que venderam energia no leilão devem demandar investimentos de R$ 3,4 bilhões, segundo estimativas do governo. O preço médio de venda da energia foi de R$ 124,43 por megawatt-hora (MWh), um deságio de 1,25% frente ao preço máximo de R$ 126 por MWh. O preço mais baixo vendido no leilão foi de R$ 118 por MWh, de um parque na Bahia, da Casa dos Ventos com a Atlantic. Já o mais alto foi de R$ 126 por MWh, referente a três projetos no Rio Grande do Sul.


Mais poluída do que nunca

China é responsável por 70% do aumento das emissões globais de C02 desde 2011

Renato Grandelle | O Globo


Em meio às negociações emperradas da Conferência do Clima (COP-19), em Varsóvia, um estudo do Projeto Carbono Global (GCP), divulgado ontem, mostra que as emissões de gases-estufa geradas pela queima de combustíveis fósseis e a produção de cimento atingiram 35 bilhões de toneladas de CO2, um valor recorde.

Trata-se de um índice 58% maior do registrado em 1990. No ano passado, as emissões de C02 foram 2,2% maiores do que em 2011. Estima-se que, com o ritmo atual, a liberação de gases-estufa este ano será 2,1% maior do que em 2012. A China responde por 70% do aumento de emissões entre 2011 e 2012. Na potência asiática, a liberação de CO2 cresceu 5,9% no ano passado. 


— O país precisa mudar sua posição — condena Glen Peters, co-autor do novo relatório do GCP.

— É a nação que mais libera gases-estufa do mundo. Emite sete toneladas de CO2 por habitante, mais do que a União Europeia, e, seguindo o ritmo atual, passará os EUA até 2025. Apesar do investimento chinês na construção de hidrelétricas e outras fontes renováveis, 68% de sua energia ainda vêm do consumo de carvão.

A substância, segundo o relatório, foi responsável por 43% das emissões globais no ano passado, e pode demorar décadas até que seu uso seja reduzido. Aliada do Brasil, a China defende em Varsóvia a responsabilidade histórica de cada país nas emissões de CO2. Os países desenvolvidos rejeitam o debate. Para os EUA, a proposta negligencia a contribuição atual dos países em desenvolvimento na liberação de gases-estufa. Além da China, a Índia é uma das maiores poluidoras do mundo — suas emissões cresceram 7,7% entre 2011 e 2012.

— O plano da responsabilidade histórica depende de muitos aspectos — avalia Peters. — Precisaremos calcular quanto cada país emitiu. Mas a partir de que ano começaria esta conta? Além disso este projeto não baixaria suficientemente as emissões de C02. Para a coordenadora da Câmara de Clima do Conselho Empresarial Brasileiro de Desenvolvimento Sustentável, Raquel Souza, os países desenvolvidos recusam- se a calcular suas emissões porque, desta forma, perderiam espaço no mercado para as nações em desenvolvimento.

— Se as nações desenvolvidos assumem compromissos mais ambiciosos, isso implica, em um primeiro momento, custos mais elevados para a economia. Desta forma, elas perderiam competitividade para as nações em desenvolvimento — destaca. Alguns negociadores, reunidos na Polônia, acreditam que a COP-19 não trará avanços para a assinatura de um tratado em Paris, em 2015. O documento deve estabelecer um limite para a emissão de gases-estufa em cada país.

ACORDO ‘INEVITÁVEL’ NO FUTURO

O diretor do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), Osvaldo Stella, acredita que o acordo global é “inevitável, mas a longo prazo”. Mesmo daqui a dois anos, portanto, a comunidade internacional não chegará a um consenso. — o modelo de negociações é lento, e existe uma polarização considerável entre países desenvolvidos e em desenvolvimento — lembra.

— Mas as mudanças climáticas chegarão a um ponto em que uma reação será fundamental, quando os prejuízos econômicos aumentarem. Os últimos meses, segundo Stella, foram marcado pelo retrocesso no debate ambiental. Os EUA reduziram as emissões de C02 com a crescente adoção do gás de xisto, mas esta fonte energética pode levar à contaminação dos lençóis freáticos.

O Japão, por sua vez, alega que o fechamento de usinas nucleares e o acidente em Fukushima, em março de 2011, obrigaram-no a abandonar suas metas de redução de emissões. Entre 2011 e 2012, a liberação de C02 no país cresceu 6,9%. — EUA e Japão mostram como países-chave para a discussão climática estão se reacomodando — alerta o diretor do Ipam. — São cenários novos que agravam problemas antigos.

PAÍSES DEVEM ‘PENSAR NO VIZINHO’

Em vez de metas obrigatórias, as nações desenvolvidas estimulam a proposta de que cada país firme seus próprios limites de redução das emissões. O plano foi condenado pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que chegou ontem à conferência.

— Não podemos perder tempo — condenou, acrescentando uma recomendação aos governantes: — Planejem pensando não apenas em seu país, mas também em seus vizinhos. Além de Ban Ki-moon, ministros de diversos países aterrissaram em Varsóvia, em busca de um acordo que, nos próximos três dias, salve a conferência. Para os negociadores, um dos pontos que serão mais debatidos na reta final da COP-19 será o Fundo Verde.

Países em desenvolvimento cobram um financiamento para que consigam adaptar-se às mudanças climáticas. As nações desenvolvidas comprometeram-se a doar US$ 100 bilhões por ano até 2020 para isso. E uma quantidade irrisória, segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). O órgão estima que apenas a África precisaria de US$ 200 bilhões por ano até 2070 para resolver seus problemas de infraestrutura.

Perigo levanta voo

Índice de infestação de imóveis pelo ‘Aedes aegypti’ põe cidade em situação de alto risco

Laura Antunes
e Rodrigo Bertolucci | O Globo

Temperaturas elevadas aliadas a períodos de chuvas. A combinação dos dois fatores traz de volta o fantasma de um problema que costuma assustar os cariocas e causar sofrimento aos moradores da capital, em especial no verão: a dengue. E, desta vez, a situação pode ser ainda mais grave, diante da estação que se aproxima: o Rio, junto com outros dez municípios fluminenses, admite o governo do estado, já apresenta índice de infestação pelo Aedes aegypti acima de 4% (40 imóveis com foco do mosquito para cada mil domicílios), considerado de alto risco na avaliação do Ministério da Saúde.

De acordo com especialistas, é o momento de acender a luz amarela para que o verão que se aproxima não seja cenário de uma nova epidemia de dengue. A doença também se mostra preocupante país afora, tendo causado um total de 573 mortes este ano — um crescimento de 96% em comparação a 2012 (292), de acordo com levantamento divulgado ontem pelo Ministério da Saúde. Do total de 1.477.000 casos da doença em todo o país, 936.500 aconteceram no Sudeste, o que representa 63%.

Os dados da Secretaria estadual de Saúde apontam as 11 cidades (Rio de Janeiro, Angra dos Reis, Itaguaí, Japeri, Magé, São João de Menti, Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Macaé e São João da Barra) como “em situação de alto risco’ Os números fazem parte do mais recente Levantamento do Índice Rápido para o Aedes aegypti (LIRAa ), feito em 80 cidades do estado, entre os dias 13 e 19 de outubro. Esse índice mostra a infestação nos imóveis.

ESPECIALISTA QUER MAIS PREVENÇÃO

Para o especialista Edimilson Migowski, pediatra e infectologista, a situação é muito preocupante.

No entender do médico, há risco de ocorrer uma nova epidemia da doença na cidade. Para que o problema não aconteça, Migowski crê que seja o momento de fortalecer um novo trabalho de prevenção da dengue e conscientização da população. — É um trabalho a ser executado por várias secretarias.

Quanto maior o número de infestação, maior o risco de uma nova epidemia, claro. Isso porque o verão está chegando e, com ele, virão as chuvas. Mesmo as áreas com baixos índices de infestação devem ser observadas, porque isso pode ter acontecido apenas pelo fato de não ter chovido nessas regiões — explica ele. Enquanto o governo do estado divulga um boletim citando o Rio como área de alto risco, o levantamento do Ministério da Saúde cita a cidade apenas entre os 525 municípios em “estado de alerta”.

Outros 157 municípios são apontados como estando em situação de risco. No relatório, a União faz comparação com números coletados em 2010 e 2013. No caso do Estado do Rio, segundo a Secretaria estadual de Saúde, o número de notificações cresceu este ano (217.885) em relação a 2010 (26.800). O total de mortes, que em 2010 foi de 41, este ano já chega a 57. Os casos graves da doença caíram: de 2.437 (2010) para 1.207 (2013).

SÃO 26 CIDADES EM ESTADO DE ALERTA

Para Migowski, esses dados — o aumento das notificações — são sinais positivos. — Um aumento no número de notificações pode significar que melhorou o atendimento à população, com mais clínicas de saúde, Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e polos de atendimento a pacientes com dengue. As pessoas tiveram atendimento e, com isso, o número de mortes sofreu uma queda (percentualmente, em relação ao total de casos) — acrescenta ele.

O infectologista, no entanto, diz que ainda é preciso melhorar a prevenção, com ações que sejam contínuas. E também a conscientização das pessoas de que o mosquito é doméstico e, por isso, preciso combatê-lo em casa. — Esse mosquito não está na mata. Está dentro de casa. Devemos levar em consideração que o índice de infestação demonstra que o mosquito deve ter colocado muitos ovos nessas áreas, que, em breve, poderão ser atingidas pela chuva — lembra o especialista.

Os focos, de acordo com o levantamento da Secretaria estadual de Saúde, foram encontrados em bairros de 11 municípios. Além desse grupo de risco, o trabalho revela também que outras 26 cidades estão, neste momento, em estágio de alerta (com índice de infestação entre 1% e 3,9%). Dentro desse grupo, as maiores taxas foram registradas em Santo Antônio de Pádua (com 2,6% de infestação), Itaboraí (2,4%), Japeri (2,3%) e Itaguaí (2,1%).

Cerca de 70% das cidades do Rio, no entanto, têm infestação pelo Aedes aegypti abaixo de 1% — índice considerado satisfatório pelo Ministério da Saúde. Barris, pratos de plantas, garrafas e latas estão entre os criadouros mais comuns, presentes em mais de 60% dos imóveis infestados, como mostra o levantamento da secretaria. No estado, uma das ações de combate ao mosquito da dengue é o uso de carros fumacê, intensificado durante o verão.

Moradora de um apartamento com terraço na Tijuca, a dona de casa Maria José Marques se considera uma pessoa de sorte: nunca contraiu dengue, apesar de o bairro já ter registrado no passado centenas de casos da doença. Mas ela não atribui isso, na verdade, apenas à sorte. A moradora afirma que jamais esquece os cuidados básicos para evitar a existência de ovos do Aedes aegypti em seu imóvel. — Acho que todos devem fazer a sua parte nessa luta.

Não deixo acumular água nos pratos dos vasos de plantas, nem deixo água empoçada em ralos ou outros recipientes — ensina a moradora da Tijuca. Apesar de os dados do governo do estado revelarem que 11 cidades estão em situação de risco, para o superintendente de Vigilância Epidemiológica e Ambiental da própria secretaria, Alexandre Chieppe, os números não são motivo de alarme ainda: — Os dados do LIRAa são apenas mais um componente para apontar maior ou menor risco de transmissão da dengue.

Temos que considerar outras variáveis, como, por exemplo, tipos de vírus circulantes na localidade e padrão de imunidade da população. Só índices de infestação não são capazes de dizer se vai acontecer uma alta transmissão ou não — afirma ele, destacando que o LIRAa é importante para alertar a população que é preciso intensificar as ações de controle da dengue, principalmente nas áreas com altos índices de infestação.



19 novembro 2013

País tem 682 cidades em situação de risco ou alerta para epidemia de dengue

Do UOL, em São Paulo

O Ministério da Saúde informou na manhã desta terça-feira (19), em Brasília, que 157 municípios brasileiros estão em situação de risco de sofrer uma epidemia de dengue neste verão, enquanto outros 525 se encontram em situação de alerta. Os dados são do Levantamento Rápido de Índice para Aedes aegypti (Liraa), que mediu o índice de infestação pelo mosquito em 1.315 cidades entre 1º outubro e 8 de novembro.

As cidades em situação de risco ou alerta representam 52% das que participaram do levantamento. A região Nordeste é a que concentra a maior parte dos municípios em situação de risco.

Segundo Jarbas Barbosa, secretário de vigilância em Saúde do ministério, foram encontradas larvas do mosquito em duas a cada 100 casas pesquisadas para o levantamento. A maioria em depósitos domiciliares: água parada em pratos de plantas, caixas de água abertas, por exemplo.

O levantamento também revelou que três capitais estão em situação de risco: Cuiabá, Rio Branco e Porto Velho. Outras 11 – Boa Vista, Manaus, Palmas, Salvador, Fortaleza, São Luís, Aracaju, Goiânia, Campo Grande; Rio de Janeiro e Vitória - apresentaram situação de alerta e seis estão com índices satisfatórios (Macapá; João Pessoa; Teresina; Belo Horizonte; Curitiba e Porto Alegre). Sete capitais - Belém, Maceió, Recife, Natal, São Paulo e Florianópolis - ainda não apresentaram ao Ministério da Saúde os resultados do Liraa.

Casos triplicam

Em 2013, foram notificados 1.476.917 casos suspeitos de dengue. O número é quase três vezes maior que o do mesmo período do ano passado, quando foram registrados 537 mil casos. A Região Sudeste teve o maior número de casos de dengue, sendo responsável por 63,4% deles. Em seguida aparece o Centro-Oeste, com 18,4%.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, creditou o aumento do número de casos a dois fatores: as transições nos governos municipais e a proliferação do vírus tipo 4 da dengue, que aumenta a quantidade de indivíduos suscetíveis. Esse sorotipo afetou bastante a Região Sudeste - em especial Minas Gerais e Rio de Janeiro - além de Goiás, segundo o ministro.

Apesar do aumento, o governo reforçou o fato de que houve diminuição de mortes e casos graves pela doença. "O número de internações teve redução de 30% em relação a 2010", afirmou Barbosa. "Com melhoria de assistência, país conseguiu evitar 394 mortes por dengue este ano", informou. Algo que tem a ver muito mais com o preparo de médicos na identificação precoce da doença do que com o combate ao mosquito.

Segundo o ministério, o Brasil apresenta um dos menores índices de mortalidade por dengue nas Américas: 0,03 mortes para cada 100 notificações, metade da taxa registrada na Colômbia, por exemplo.

Mais Médicos

Padilha afirmou que está confiante no papel que os profissionais inscritos no Mais Médicos devem exercer na identificação precoce e redução de casos graves e mortes pela doença no ano que vem. "Mais de 80% dos médicos que vieram de fora têm vasta experiência no combate à dengue", disse, citando o exemplo de Cuba, que teria apresentado um dos menores índices de letalidade ao enfrentar epidemia.

Na próxima quinta-feira (21), equipes do Ministério da Saúde farão uma videoconferência para os médicos do programa focada na identificação e tratamento da dengue.

Campanha

Além de divulgar os resultados do Liraa, o Ministério da Saúde lançou hoje a campanha de mobilização nacional contra a doença, que conta com o ex-capitão da Seleção Brasileira Cafu como garoto-propaganda. O mote é "Não dê tempo para a dengue".

"Como a campanha mesmo diz, bastam 15 minutinhos, um intervalo de jogo, para fazer nossa parte e combater a dengue", declarou Cafu na coletiva de imprensa.

A ideia é aproveitar o envolvimento do brasileiro com o futebol e a Copa do Mundo e usar esse espírito para conscientizar a população sobre a prevenção do Aedes aegypti. "Hoje estamos iniciando o campeonato contra a dengue", comparou. Padilha elogiou a atuação de capitão de Cafu e fez uma analogia ao combate à doença: "São lideranças que precisamos em cada município, em cada bairro".

O ministro ainda anunciou destinará mais de R$ 363 milhões para ações de vigilância, prevenção e controle da doença. No ano passado, foram transferidos R$ 173,3 milhões. Em contrapartida, os municípios precisam cumprir metas como assegurar a quantidade adequada de agentes de controle de endemias, garantir a cobertura das visitas domiciliares pelos agentes e realizar o Liraa.

Os recursos vão incrementar os investimentos realizados nas ações de vigilância em saúde, que somam R$ 1,2 bilhão.


18 novembro 2013

Alga mostra nível de gelo no Ártico em 650 anos; há queda desde 1850

Do UOL, em São Paulo

A análise das folhas de um certo tipo de alga existente no oceano Ártico permite obter um histórico de 650 anos da presença de uma cobertura de gelo que se estende sobre a região — uma análise nunca antes possibilitada por sistemas desenvolvidos pelo homem, que só conseguem abranger um período menor de tempo, de poucas décadas.

A descoberta foi feita por pesquisadores da Universidade de Toronto, no Canadá, que apontam que a espécie Clathromorphum compactum teria a capacidade de "documentar" os níveis de gelo existente sobre o mar polar do hemisfério Norte da mesma forma que árvores armazenam dados referentes a chuvas nos anéis internos de seus troncos.

A novidade é destacada pelo periódico científico Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) nesta segunda-feira (18).

Para os autores do estudo, liderado pelo pesquisador Jochen Halfar, a descoberta permite afirmar que entre a metade do século 16 e a metade do século 19, a presença de gelo sobre o Oceano Ártico teve níveis variados mas, em geral, estáveis.

Desde 1850, entretanto, essa cobertura glacial vem exibindo sucessivos e constantes declínios, alertam os cientistas no estudo.

Essa observação deve ajudar no entendimento das mudanças climáticas ocorridas no mundo nos últimos seis séculos e meio e permitir melhores previsões de variação climática a ser vista no planeta.


Camadas de calcita

A Clathromorphum compactum desenvolve sucessivas camadas do mineral calcita a cada ano conforme a luz recebida do sol. Sua fotossíntese, no entanto, perde intensidade e é pausada quando a cobertura de gelo sobre o mar ganha grande extensão, bloqueando os raios do sol, que deixam de chegar às profundidades dos mares.

Dados sobre a temperatura das águas também podem ser obtidos pela análise das folhas da alga, devido à proporção de magnésio e cálcio presentes nelas.