08 junho 2013

Fortes chuvas matam 16 na Europa

República Tcheca tem pelo menos 4 desaparecidos.
Alemanha tem milhares de desalojados; Polônia também foi afetada.

 

Do G1, em São Paulo

As fortes chuvas que atingem a Europa já mataram 16 pessoas até esta quinta-feira (6).

As mortes ocorreram na República Tcheca (8), na Alemanha (5), na Áustria (2) e na Eslováquia (1).

Rios subiram, provocaram alagamentos e deixaram desalojados em várias regiões.

Embora em algumas das regiões mais afetadas o alarme comece a diminuir, outras ainda estão à espera do pior.

Na Alemanha, a situação adquire uma aparência dramática pois, além de todas as áreas que já ficaram alagadas, como grande parte da Baviera, agora se espera que a cheia dos rios atinja também o norte do país.

As previsões apontam que os rios Elba, Spree e Neisse aumentarão consideravelmente seu volume d'água o próximo fim de semana, sobretudo na Baixa Saxônia e Brandemburgo, de modo que a situação dos dias seguintes ainda pode ser crítica.

Enquanto isso, na Baviera, apesar dos níveis das águas caírem sensivelmente, os trabalhos de limpeza e reparação de danos são confusos, apesar dos milhares de voluntários e soldados que estão colaborando.

Na República Tcheca, mais de 7.000 famílias continuavam sem eletricidade, gás e calefação, segundo a Rádio Praga.

Cerca de uma centena de localidades estão total ou parcialmente alagadas na região de Boêmia noroeste.

A região de Usti nad Labem, na fronteira com a Alemanha, é uma das mais afetadas e continua em estado de emergência. O nível do rio Elba alcançou esta madrugada seu ponto crítico, com um volume de até 10,7 metros.

Mais de 11 mil pessoas teriam que ser desalojadas nas últimas horas. Há previsões de que aqui o Elba continue subindo até atingir seu nível máximo, de 11,5 metros.

O Ministério da Saúde tcheco advertiu que as enchentes poderiam causar doenças infecciosas na população, e preparou as reservas de vacinas contra tétano e icterícia de tipo A e B.

Em outros países, como a Eslováquia, as autoridades decidiram aumentar o número de soldados para que vigiem as áreas mais críticas dos transbordamentos.

O nível do Danúbio em Bratislava se situava esta manhã em torno dos 10,24 metros, segundo a agência eslovaca TASR.

Apesar de algumas áreas urbanas já estarem alagadas, como o Jardim Botânico e a parte inferior da Universidade Comenius, os responsáveis públicos asseguram que a capital deveria poder resistir, com as medidas de proteção, a alta das águas.

O Danúbio, que com seus 2.857 quilômetros é o segundo rio mais longo da Europa (depois do Volga), não só causou estragos na Alemanha, Áustria e Eslováquia.

Na Hungria, começaram as evacuações em várias localidades situadas em suas margens e cerca de 250 pessoas foram afetadas.

O governo húngaro mobilizou o Exército para que, junto com milhares de voluntários, avançou nas tarefas de prevenção.

Os alarmes também soaram na Romênia, último país pelo qual flui o Danúbio antes de desembocar no Mar Negro, perante o risco de inundações durante a semana que vem.

O Ministério do Meio Ambiente romeno advertiu que as previsões apontam para que entre 13 e 15 de junho o volume do Danúbio superará as chamadas "cotas de defesa", ou seja, o nível a partir do qual o rio transborda
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Inundações batem recordes na Hungria

Pelo menos 16 pessoas morreram na Europa após fortes chuvas.
Cidade de Gyor tem situação crítica, com dique afetado.


Do G1, em São Paulo

As águas do Danúbio subiram na madrugada desta sexta-feira (7) e superaram recordes históricos no oeste da Hungria.

Na localidade de Rajka, na fronteira com a Áustria, os serviços hidrológicos registraram um nível de 6,46 m (o recorde anterior, de 2002, era de 6,42 m), enquanto em Nagybajcs, perto da cidade de Gyor (100 km ao oeste de Budapeste), o Danúbio alcançou 8,86 m na manhã desta sexta-feira, contra 8,75 m em 2002.

A situação é crítica em Gyorujfalu, uma localidade de 1.500 habitantes perto de Gyor, onde um deslizamento de terra afetou um dique e o exército enviou 400 soldados à região.

O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, passou a noite em Gyor.


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Inundações na Europa Central vão custar milhões de euros

Perdas são registradas na agricultura, construções e usinas destruídas.
Balanço preciso da catástrofe deve ser divulgado em duas semanas.


Da France Presse

As inundações que atingem há vários dias vastas regiões de Alemanha, Áustria, Hungria, República Tcheca e Suíça vão custar milhões de euros em perdas em agricultura, usinas fechadas, construções e infraestruturas destruídas.

As inundações históricas de 2002 "custaram 11 bilhões de euros à economia" alemã, lembrou nesta sexta-feira (7) o presidente da Câmara de Comércio e Indústria, Eric Schweitzer.

"Em algumas regiões, a amplitude dos danos vai superar os de 2002", alerta.

As tempestades na Suíça causaram ao menos 33,3 milhões de euros em perdas materiais, principalmente devido aos estragos em prédios e estoques comerciais, segundo a Associação Suíça de Seguradoras (ASA), que prevê uma revisão em alta destes números.

O primeiro-ministro tcheco, Petr Necas, antecipou "dezenas de milhões de coroas" em danos (várias centenas de milhões de euros) em seu país. O balanço preciso da catástrofe, considerada de amplitude equiparável à de 2002, deve ser divulgado em uma ou duas semanas.

Na Hungria, os três episódios precedentes de inundações custaram ao país perdas de 140 milhões de euros em 2002 (0,2% do PIB), de 280 milhões em 2006 (0,4% do PIB) e de 480 milhões em 2010 (0,6% do PIB), segundo uma análise do site econômico Portfolio.

Já atingidos por um inverno particularmente longo, muitos campos cultivados estão submersos. Na Alemanha, o ministério da Agricultura fala de 335.000 hectares inteiramente ou parcialmente inundados e 172,6 milhões de euros de danos já registrados, sobretudo na Baviera.

Na República Tcheca, 35.000 hectares de terras agrícolas estão sob as águas e este número pode chegar a 80.000, de acordo com o chefe do departamento agrário, Jan Veleba.

Entre problemas de transporte, funcionários desalojados e usinas inundadas, a indústria também deve ser fortemente atingida. A Porsche, por exemplo, suspendeu a fabricação de seu modelo Cayenne em Leipzig (leste) por não conseguir trazer as carrocerias fabricadas na Eslováquia.

Na Áustria, o grupo de energia Verbund parou sete de suas nove centrais hidráulicas, mas já recomeçou a religá-las progressivamente, enquanto na República Tcheca algumas fábricas à margem do rio Elba, principalmente a de produtos químicos, pararam suas atividades por precaução.

As inundações devem custar caro às seguradoras. As companhias tchecas do setor evocaram um montante de ao menos 294 milhões de euros.

Os danos devem pesar sobre a atividade econômica imediata. O diretor da federação alemã da indústria austríaca, Ulrich Grillo, teme que a retomada econômica demore mais do que o previsto. Mas, para além do impacto no curto prazo, o governador do Banco Central, Ewald Nowotny, considera que os consertos podem ter "um efeito de crescimento".


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Poluição do ar em São Paulo seria 30% maior se metrô não existisse, sugere estudo


Fernanda Cruz
Da Agência Brasil, em São Paulo

O ar na capital paulista seria, em média, 30% mais poluído caso o metrô, que transporta diariamente 4 milhões de passageiros, não existisse. O resultado foi obtido por meio de uma simulação feita pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) que mostra aumento nas concentrações dos poluentes no ar, principalmente de material particulado.

Responsável pela pesquisa, a professora do Departamento de Ciências Exatas e da Terra da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Simone Georges Miraglia explica que esse percentual foi obtido em determinadas condições meteorológicas, que podem variar conforme o dia.

A pesquisa, intitulada Os Efeitos Positivos em Saúde devido ao Transporte Urbano sobre Trilhos – Estudo de Caso para São Paulo, foi apresentada durante workshop promovido hoje (7) na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (USP). Foram divulgados também estudos envolvendo os impactos da existência do metrô na capital paulista sob vários aspectos, como economia, acessibilidade e saúde.

De acordo com Simone, a análise, feita durante a década de 2000, comparou a qualidade do ar entre os dias em que o metrô funcionou normalmente e aqueles em que o transporte foi afetado por greves, ocorridas em 2003 e 2006. "O serviço do metrô leva a uma não emissão de poluentes significativa", destacou a pesquisadora.

Os levantamentos usaram as medições de qualidade do ar fornecidos pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), além de dados do Programa de Aprimoramento das Informações de Mortalidade no Município de São Paulo (PRO-AIM).

Simone explica que, nos dias em que a cidade fica sem o metrô, há aumento considerável nos atedimentos em prontos-socorros e nas internações hospitalares. "Em qualquer evento em que a gente tem aumento das concentrações de poluentes atmosféricos, existem diversos efeitos indesejáveis na saúde, entre eles, aumento da incidência de doenças respiratórias, cardiovasculares e problemas oftalmológicos", explica. Segundo ela, o município também registra elevação do nível de mortalidade, em decorrência de complicações das doenças que pioram com poluição do ar.


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Série de entraves limita uso da energia eólica no Brasil

BBC Brasil

De qualquer lado que se olhe, o setor eólico no Brasil é um dos mais promissores na área energética, segundo analistas e levantamentos recentes.

As condições de clima e relevo e os avanços tecnológicos fizeram com que o Global Wind Energy Council, que agrupa organizações e empresas do setor, elegesse o Brasil como um dos países de maior potencial na geração de energia pelo vento.

Sua participação na matriz energética brasileira deve obter o maior crescimento entre as diversas fontes de energia, saltando dos atuais 2% para 8% em oito anos, segundo Maurício Tolmasquim, presidente EPE (Empresa de Pesquisa Energética).

Além disso, o uso do vento para gerar energia no país cresceu 73% em 2012, beneficiando 5 milhões de brasileiros por mês.

E a discussão sobre as fontes eólicas ganharam ainda mais fôlego no início do ano, quando, diante de baixos níveis de reservatórios nas hidrelétricas, o país passou pelo risco de novos apagões ou racionamento. Para lidar com o problema, o governo usou as termoelétricas em caráter emergencial.

No entanto, esse recurso foi criticado por ser uma fonte de energia fóssil, por isso não renovável, poluente e de geração mais cara. Segundo um levantamento feito pela ONG ambiental Greenpeace na época, cada real gasto para operar as usinas térmicas poderia fornecer cinco vezes mais de energia se ela fosse gerada em campos eólicos.

Mas apesar dos argumentos ambientais e econômicos favoráveis, uma série de entraves continuam limitando a expansão da energia eólica e deixam seu aproveitamento no país muito aquém de todo seu potencial.

Confira alguns dos empecilhos:

Falta de planejamento a longo prazo


Mudanças em cima da hora, medidas imediatas apenas para lidar com problemas emergenciais e falta de transparência para as determinações futuras são alguns dos temores dos envolvidos na área de energia renováveis.

"O setor eólico é uma indústria nascente, precisa de fôlego, não pode ser algo que começa e depois é interrompido, pois isso pode ser fulminante", afirmou Elbia Melo, presidente-executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica) à BBC Brasil.

Para ela, sem sinais claros do governo, o investimento a longo prazo vai arrefecer. "E isso poderia fazer esse indústria morrer antes mesmo de seu nascimento para valer."

Na opinião do professor Ildo Luis Sauer, diretor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP, o potencial competitivo da energia eólica no Brasil é desperdiçado justamente por uma falta de planejamento e coordenação do governo.

"Um mapeamento eólico detalhado, por exemplo, organizaria melhor os investimentos e se criaria escala", afirma o engenheiro, que foi diretor de Gás e Energia da Petrobras entre 2003 e 2007. "Mas o planejamento hoje é volátil e volúvel, além de termos uma estrutura pouco funcional, como órgãos demais atuando sobre o mesmo setor."

Em nota enviada à BBC Brasil, o Ministério de Minas e Energia afirmou que "O Centro de Pesquisas de Energia Elétrica tem trabalho na revisão do Atlas Eólico existente".

Insuficiência nas linhas de transmissão

Depois de ser gerada nos campos eólicos, a energia depende de linhas de transmissão para chegar aos consumidores. O que, na prática, parece lógico, na teoria não é tão claro assim. Atualmente, essas redes não são de responsabilidade das mesmas empresas que mantém os parques em si. E isso vem gerando uma falta de sincronia nos prazos de entrega.

"O problema das linhas de acesso é um enorme entrave. O prazo de três anos para um empreendimento (estipulado em muitos leilões) acaba sendo curto, já que com todos os trâmites, o tempo real de construção acaba sendo menor que três anos", afirma Ricardo Baitelo, coordenador da Campanha Clima e Energia do Greenpeace Brasil.

Um bom exemplo desse cenário ocorre no Nordeste, onde três usinas estão prontas, mas sem gerar energia há quase um ano por falta de linhas. Essa falta de sincronia na região - que abriga 60 das 92 usinas eólicas - provoca um desperdício de energia que, por sua vez, representa um prejuízo para o governo que já ultrapassou os R$ 260 milhões, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Esse é o valor que o governo já pagou às empresas, uma vez que elas entregaram o empreendimento no prazo.

Além disso, de acordo com a Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica) essa produção desperdiçada seria suficiente para abastecer, por mês, cerca de 3,3 milhões de habitantes.

Questionado, o Ministério de Minas e Energia afirmou que vai implementar alterações nesse modelo no próximo leilão do setor, que está marcado para agosto. "No intuito de promover a redução de incertezas quanto ao escoamento da geração eólica contratada no Ambiente Regulado, o Leilão de Reserva apresentará consideráveis mudanças na sistemática adotada", afirma a nota do ministério, esclarecendo que o trâmite agora será feito em duas fases, atrelando às concessões à capacidade de distribuição.

Baixo investimento em pesquisas e desenvolvimento tecnológico

"Depois da descoberta do pré-sal, o investimento não apenas em eólica, mas em todas as outras energias renováveis diminuiu no país", afirma o professor do departamento de energia da Unesp José Luz Silveira. "Também não há subsídio do governo, especialmente aos pequenos produtores, como acontece na Europa."

Baitelo, do Greenpeace, concorda que a prioridade é para o petróleo, se compararmos como qualquer outra área do campo energético.

"Na academia, se vê uma produção maior em temas ligados ao pré-sal do que à energia eólica ou fotovoltaica", afirma, acrescentando que mais investimentos nesse setor poderia, por exemplo, desenvolver turbinas mais apropriadas para os ventos brasileiros.

Escolha por carvão

De acordo com os especialistas ouvidos pela BBC, o governo indicou no início do ano que gostaria de ter mais termoelétricas para complementar sua matriz e garantir o abastecimento.

"Pudemos ver que o lobby do carvão se organizou e nessa ocasião acabou conseguindo o que queria", afirma Baitelo.

"Esse é o momento de equilibrarmos a matriz e darmos mais espaço para as térmicas", disse Tolmasquim, da EPE, ao anunciar no mês passado a contratação de usinas termoelétricas no leilão que contratará a demanda das distribuidoras a partir de 2018.

O anúncio causou euforia no setor das carvoarias. Uma das empresas líderes neste mercado, a Tractebel, do empresário Eike Batista, divulgou que estudaria incluir seus projetos no leilão.


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07 junho 2013

Rio de Janeiro ganha mais um parque ecológico

Nova área ambiental está situada nos morros de São João, Leme e Babilônia

O Globo

Com uma das maiores extensões de cobertura vegetal nativa do país, a cidade tem desde ontem mais uma área ecológica: o Parque Natural Municipal Paisagem Carioca, com 160 hectares, inaugurado ontem, Dia Mundial do Meio Ambiente. É o 14º parque temático criado no município. Ele está localizado nos morros do Leme, Babilônia e São João, áreas de proteção ambiental (APA) e foi criado atendendo a um pedido dos moradores do Leme e do conselho gestor da APA dos três morros. 


A área passa a se tornar uma Unidade de Conservação de Proteção Integral, inviabilizando o antigo projeto de expansão do teleférico do Pão de Açúcar para os morros da Babilônia e do Leme. 


"No Dia Mundial do Meio Ambiente não poderíamos celebrar a data de forma melhor, oferecendo aos cariocas e turistas um novo parque natural. Mais uma opção de integração com a natureza e parte da história da cidade. Garantindo mais uma área de preservação", afirmou o secretário municipal de Meio Ambiente, Carlos Alberto Muniz, por meio de nota. 


A área do novo parque recebeu ações de reflorestamento em 1987, numa iniciativa dos moradores da região e do Exército. Em julho de 1995, de acordo com a prefeitura, foram plantadas 60 mil mudas de espécies nativas. 

O novo parque oferecerá aos frequentadores uma vista privilegiada da Praia de Copacabana, do Corcovado, do Pão de Açúcar, da Praia de Botafogo, entre outros recantos da cidade. A Trilha Transcarioca, que terá um percurso de 180 quilômetros de extensão desde Barra da Guaratiba, passará pelo Parque Natural Paisagem Carioca. 


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05 junho 2013

Prefeitura de cidade do Pará dá R$ 5 a quem matar cães

SBT

Um morador da cidade de Santa Cruz do Arari, na Ilha do Marajó, no Pará, gravou imagens de pessoas capturando cães nas ruas. Segundo ele, mais de 100 animais já foram mortos pelos moradores local e outros 200 teriam sido levados para uma ilha sem água e comida. O mais grave é que o prefeito da cidade, Marcelo Pamplona, pode estar por traz desta barbárie. Em nota, a prefeitura disse que estimulou a captura dos animais por causa de ataques á população.




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Usina nuclear de Fukushima tem novo vazamento de água contaminada

FOLHA DE SP
DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

O operador da usina nuclear de Fukushima, no Japão, confirmou nesta quarta-feira que foi encontrado um novo vazamento de água contaminada de um dos tanques de resfriamento da planta. O local foi fortemente atingido pelo terremoto seguido de tsunami que atingiu o país em março de 2011.

Segundo a Tokyo Electric Power, o novo vazamento foi detectado em um dos tanques circulares instalados ao lado dos reatores. O chefe da controladora, Shunichi Tanaka, afirmou que foi possível contornar o problema imediatamente, embora tenha reconhecido a seriedade do acidente.

A falha foi confirmada após a Tepco detectar no início da semana um aumento das quantidades de césio radioativo no solo. Desde o terremoto que danificou a estrutura da usina, a controladora tenta controlar a temperatura dos reatores, que sofreram vazamento após o abalo sísmico.

No entanto, é constante o número de vazamentos nos reservatórios que abrigam a água contaminada usada para resfriar as pilhas nucleares. Os últimos casos foram em março e abril, quando quatro escapes de água foram registrados em tanques subterrâneos de Fukushima.

Na época, a Tepco informou que precisava de mais espaço para armazenar a água e solicitou a autorização do governo japonês para despejar parte do resíduo do resfriamento no mar. O acordo ainda precisa da aprovação dos pescadores, que há dois anos trabalham de forma reduzida na região da planta.

O acidente nuclear na usina japonesa foi o mais grave desde a destruição da usina de Tchernobyl, na Ucrânia, em 1986. O terremoto e o tsunami destruíram os geradores de emergência e o sistema de refrigeração. Dos quatro reatores, três foram prejudicados.

O acidente provocou vazamento de material radioativo no solo e no lençol freático da região. Em virtude da explosão, cerca de 160 mil pessoas foram desalojadas da região, sem previsão de volta.


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Com rio Negro alto, Manaus retira 2 toneladas de lixo a mais da orla por dia

Elendrea Cavalcante
Do UOL, em Manaus




Na orla de Manaus não é apenas a subida do nível do rio Negro que chama a atenção de quem está na cidade ou por ela passa. O lixo que sobe junto com a água também coloca em alerta as famílias que moram à beira do rio e igarapés, além dos organismos da saúde pública, por conta do aparecimento de animais peçonhentos e de doenças relacionadas à enchente.

O lixo acumula-se diariamente na orla da cidade, em volta dos 14 bairros de Manaus atingidos pela cheia. Entre eles, Glória, São Jorge e São Raimundo na zona oeste, além de Raiz, Educandos e Betânia, na zona sul. Segundo a Secretaria Municipal de Limpeza e Serviços Públicos, com a subida do nível das águas este ano, passaram a ser retiradas diariamente 32 toneladas de lixo da orla da cidade e seus igarapés.

Fora do período de cheia, são retiradas todos os dias 30 toneladas das mesmas áreas. O órgão justifica que, mesmo com o aumento da demanda, a retirada só não é bem maior no período da enchente em virtude de a coleta de lixo ser realizada por empresa contratada e, por isso, haver um limite diário de entulho a ser retirado. Duas balsas e outros oito barcos menores são usados na retirada do lixo das águas.

O Corpo de Bombeiros do Amazonas informou que diariamente recebe chamadas da população por conta do aparecimento de animais peçonhentos. 


Moradores

A dona de casa Eliúde da Costa, 21, moradora do São Raimundo, disse que é o primeiro ano que reside às margens do rio. "Não desejo para ninguém ter que morar onde moro. Essa semana que passou meu marido matou uma cobra. Sem contar que as crianças ficam mais sensíveis às doenças. Nós até recebemos visitas de agentes de saúde que nos indicam o que fazer, mas nem sempre dá para seguir as recomendações ", ressaltou.

O diretor-presidente da Fundação de Vigilância em Saúde, Bernardino Albuquerque, informou que as doenças que surgem neste período de cheia são relacionadas à água, alimentos, vetores, reservatórios e animais peçonhentos. "A principal medida para impedir o contágio de doenças oriundas das enchentes é evitar o contato com a água ou lama contaminada", alerta.

A fundação informou ainda que em caso de acidentes envolvendo animais peçonhentos, a instituição abasteceu todas as unidades de saúde de Manaus com o soro antiofídico para socorro.

O rio Negro marcou nesta terça-feira (4), 29,28 metros, o que já confere à cheia deste ano a posição de oitava no ranking das maiores da história, segundo o Serviço Geológico do Brasil.


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04 junho 2013

Estiagem na região do Semiárido é a pior dos últimos 50 anos

Heloisa Cristaldo
Enviada Especial da Agência Brasil/EBC

Petrolina (PE) – Mesmo com a súplica do sertanejo por chuva, a estiagem na região do Semiárido não dá trégua. É a pior registrada nos últimos 50 anos. De acordo com o governo federal, 1.415 municípios sofrem com a estiagem, que afeta a vida de quase 22 milhões de brasileiros. A falta de chuva atinge mais de 90% dos municípios do Semiárido e ultrapassou a extensão das 1.135 cidades que o compõem.

A Secretaria Nacional de Defesa Civil já decretou situação de emergência e estado de calamidade pública em 1.046 municípios. A área mais atingida pela seca, o Semiárido brasileiro, estende-se por oito estados da Região Nordeste (Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe), além do norte de Minas Gerais, totalizando uma extensão territorial de mais de 980 quilômetros quadrados.

O agricultor José Alírio de Macedo, de 61 anos, morador da zona rural de Petrolina (PE) conta que até o momento choveu apenas 28 milímetros (mm) na região onde vive. O período chuvoso no município, que tem início em dezembro e pode se estender até maio, tem em média 530 mm. Apesar da estiagem atual, o agricultor cultiva feijão, milho e sorgo para alimentar seu pequeno rebanho.

“A situação já é feia. Se Deus não tiver compaixão, ninguém vai ficar com nada. E o período mais crítico ainda não começou, que é de agosto para a frente. Ano passado não plantei nada por causa da seca. Nunca vi dois anos diretos sem chuva, como já está acontecendo”.

Com os frequentes problemas causados pela seca, Macedo passou 14 anos trabalhando em São Paulo. Os seis filhos resistiram e ficaram na cidade, mas o agricultor e a mulher voltaram para o sertão. “O cidadão fica velho e quer estar perto das suas origens”.

A gravidade da situação levou o governo federal a investir R$ 32 bilhões nas chamadas obras estruturantes, que garantem o abastecimento de água de forma definitiva, como barragens, canais, adutoras e estações elevatórias. Além disso, anunciou no início deste mês mais R$ 9 bilhões em ações de enfrentamento à estiagem.

A previsão é que cada município atingido pela seca receba uma retroescavadeira, uma motoniveladora, dois caminhões (um caçamba e um pipa) e uma pá carregadeira. O governo também vai distribuir 340 mil toneladas de milho até o fim do mês de maio para serem vendidas aos produtores a preço subsidiado.

Para o coordenador-geral da organização não governamental Caatinga, Giovanne Xenofonte, a realidade do Semiárido é atenuada com os programas de transferência de renda do governo federal, como o Bolsa Família e o Garantia Safra.

“É tanto que, mesmo sendo a maior seca dos últimos 50 anos, a gente não está vendo o que tradicionalmente ocorria nas secas passadas: saques e invasões das famílias na região. Então, esse é o panorama. Se por um lado a gente tem um ambiente muito mais vulnerável, por outro a gente tem algumas ações governamentais que amenizam a situação”.

O coordenador cita a crise da economia local como uma das consequências da estiagem prolongada. Além da alta nos preços dos alimentos na região devido a queda na produção, os animais que sobrevivem à estiagem perderam seu valor de mercado e podem ser vendidos por até metade do preço.

“As famílias agricultoras estão descapitalizadas, elas perderam sua poupança [o rebanho]. Elas tiveram que vender [esses animais] por causa da seca e [cobraram] um preço bem abaixo do que normalmente é comercializado”.

Segundo Xenofonte, isso tudo tem um impacto forte no comércio, porque estamos numa região eminentemente agrícola. “E quando tem uma seca dessa, que afeta as famílias agricultoras, todo comércio sente. A gente nota uma paralisação, uma desaceleração na economia. O que tem mantido de fato são as rendas dos programas governamentais”, argumenta.

O engenheiro agrônomo e pesquisador da Embrapa Semiárido, Pedro Gama, destaca que a seca é um fenômeno recorrente e cíclico da região do Semiárido, mas que o país ainda não está suficientemente preparado para enfrentar. “A seca, como esse fenômeno de estiagem que é recorrente, é muito comum . A população sabe [disso], [faz parte do semiárido].

“Mas isso que estamos vivendo, essa estiagem prolongada, é uma crise climática e ocorre a cada 40, 50 anos. Houveram avanços, mas ainda é pouco. Precisa de muito investimento em pesquisas, políticas públicas para que estejamos preparados para enfrentar crise desse tipo”.

Gama também ressalta que as políticas de transferências de renda do governo federal amenizam os efeitos da seca, mas não impedem de desencadear outros três impactos: social, de produção e climático.

“O que ocorre com a seca é que ela sempre leva a uma crise de produção. Ou seja, não se produzem alimentos [suficientes] para a população e para os animais. A outra [crise] é o problema da segurança alimentar, que se chama abastecimento de água. Esgotam-se os mananciais e [isso] passa a ser um grande limitante, não só de produção, como para a população”.

Segundo Gama, há também a crise social, que aparecia fortemente nas secas anteriores e provocava os fenômenos migratórios. Ele lembrou que hoje não se vê isso, porque de alguma forma, os programas de subvenção social atuam como um amortecedor dos impactos sociais. “De certa forma, eles protegem essa população pobre dos impactos de uma seca desse tipo”.

Para o pesquisador o aumento do valor dos alimentos, com o agravamento da seca, gera uma segunda etapa na “crise climática” com a corrosão do apoio social das políticas de transferência. “Esse impacto todo pode ser atenuado pela área irrigada, não há crise próxima de uma fonte de água. Onde existe um dinamismo levado por essa cultura irrigada, muda totalmente no entorno”, diz.


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Desmatamento na Mata Atlântica é o maior desde 2008, diz levantamento

Informação integra atlas divulgado por Inpe e ONG SOS Mata Atlântica.
Entre 2011 e 2012, bioma brasileiro sofreu perda de 235 km² de floresta.

Eduardo Carvalho

Do G1, em São Paulo


O desmatamento na Mata Atlântica entre os anos de 2011 e 2012 causou a perda de uma área de 235 km² de floresta (que inclui mangues e restingas), taxa anual considerada a maior desde 2008. As informações fazem parte do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, divulgado na manhã desta terça-feira (4) pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e pela organização não-governamental (ONG) SOS Mata Atlântica.

No período que vai de 2008 a 2010, a taxa média anual de desflorestamento foi de 151 km². No levantamento de 2010 a 2011, a taxa anual ficou em 140 km².

Na comparação dos dez estados avaliados em todos os períodos do atlas (feito desde 1985 e que incluiu BA, ES, GO, MG, MS, PR, RJ, RS, SC e SP desde o início), o aumento foi de 29% em relação a medição feita em 2010-2011.

Segundo o atlas, os estados de Minas Gerais, Bahia, Piauí e Paraná são os que têm situação mais crítica, já que nesses locais foi constatado um avanço na derrubada da vegetação nativa.

Minas foi o estado que mais desmatou, responsável por derrubar 107 km² de floresta. De acordo com o atlas, o aumento na taxa de desmate no estado foi 70% maior que no período anterior.

Em seguida, vem a Bahia, que perdeu 45 km² de floresta no período. O Piauí, monitorado pela primeira vez , perdeu 26 km² de área e já é considerado o terceiro estado que mais desmatou o bioma no período de 2011-2012.

Com os dados atualizados, sabe-se que restam apenas 8,5% da vegetação original da Mata Atlântica, que alcança 17 estados brasileiros e é considerado o bioma mais ameaçado do país.

Essa paisagem natural é uma das mais ricas em biodiversidade, e até 60% de suas espécies de plantas são endêmicas, ou seja, só existem naquela região.

Ainda segundo o atlas do Inpe e da SOS Mata Atlântica, nos últimos 27 anos, o bioma perdeu 18.269 km² de vegetação nativa, uma área equivalente a 12 cidades de São Paulo.

Perda de restingas e manguezais

 
Pernambuco foi o único estado que perdeu área de manguezal, ecossistema que funciona como berçários marinhos e são áreas importantes para atividades como a pesca.

Já o maior desmatamento na vegetação de restinga, ocorreu no estado do Rio de Janeiro, na região de São João da Barra.

Nos dois casos, segundo a SOS Mata Atlântica, o impacto ambiental foi causado por obras de infraestrutura, como a construção dos portos de Suape (em PE) e do Açú (no RJ).

Intervenção do Ministério Público em MG

 
De acordo com o levantamento é a quarta vez consecutiva que Minas Gerais lidera o ranking do desmatamento na Mata Atlântica. Segundo Marcia Hirota, coordenadora do Atlas pela SOS Mata Atlântica, o estado, que tem a maior cobertura nativa de floresta (10,4% de seu território ainda é coberto por vegetação), é o que mais abriga áreas de supressão.

Para o Ministério Público Estadual, os cortes foram feitos para dar lugar a carvoarias, que abastecem a indústria siderúrgica, e a plantações de eucalipto. As imagens de satélite captaram ilegalidades principalmente no noroeste do estado, na região do Vale do Jequitinhonha.

A situação, considerada grave pelo promotor de Justiça Carlos Eduardo Ferreira Pinto, forçou a instauração de 18 inquéritos contra siderúrgicas instaladas nas proximidades de Sete Lagoas e Divinópolis. O objetivo é saber se insumos que abastecem o setor são extraídos ilegalmente da floresta.

Além disso, foram ajuizados três processos criminais contra proprietários de fazendas que, segundo o MP, burlaram a lei ao conseguir autorizações para desmatamento de áreas da Mata Atlântica. "As medidas concretas foram tomadas com base em denúncias feitas no ano passado", explicou Ferreira Pinto.

“Estamos protocolando um ofício na próxima semana, pedindo uma moratória para que o governo do estado não conceda mais nenhuma autorização para supressão da vegetação nativa, para qualquer finalidade. Além disso, queremos que seja feita a revisão de todas as autorizações concedidas”, disse Marcia.