25 maio 2013

Embrapa testa força de bioinseticida contra mosquito da dengue

Objetivo do estudo foi para testar capacidade do produto no combate às larvas do mosquito Aedes Aegypti, transmissor da doença. Química contém bactéria que mata inseto

O Fluminense

Empregados e colaboradores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Recursos Genéticos e Biotecnologia aplicaram na última semana em prédios que compõem o Parque Estação Biológica, na sede da empresa, em Brasília, o bioinseticida Bt-horus SC.

O objetivo foi testar a capacidade do produto no combate às larvas do mosquito Aedes Aegypti transmissor da dengue. De acordo com a Secretaria de Saúde do DF (SES-DF), houve um aumento de 680% no número de casos este ano em Brasília e nas cidades do Entorno.

Antes da aplicação do bioinseticida, a Embrapa organizou atividades de conscientização sobre os riscos da dengue e seu principal vetor (o Aedes aegypti), proferida pela pesquisadora Rose Monnerat, responsável pelo desenvolvimento do Bt-horus. Em seguida, empregados e colaboradores foram divididos em grupos e seguiram para uma inspeção nas dependências da Embrapa em busca dos focos de proliferação das larvas do mosquito.

Não faz mal à saúde - Segundo Rose Monnerat, o produto contém uma bactéria entomopatogênica, ou seja, específica para controlar o mosquito transmissor da dengue e borrachudos em locais que acumulam água, como plantas, lagos e caixas d'água. A aplicação é inofensiva à saúde humana, aos animais e ao meio ambiente.


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23 maio 2013

EUA: cidade devastada inicia reconstrução

Fenômeno deixou pelo menos 24 mortos, incluindo nove crianças, e centenas de feridos

AFP

Diante de um panorama de completa destruição, os moradores da localidade de Moore, em Oklahoma, iniciaram a dura tarefa de reconstrução da comunidade devastada há dois dias por um tornado que deixou pelo menos 24 mortos, incluindo nove crianças, e centenas de feridos. Segundo as autoridades, a maioria dos corpos foi recuperada dos escombros do que era uma localidade suburbana de Oklahoma City, que viu duas escolas e áreas inteiras destruídas.

Após as grandes divergências dos números de vítimas, o chefe de polícia de Oklahoma City, Bill Citty, disse em uma entrevista coletiva que 20 pessoas morreram em Moore e quatro em outras localidades.

O gabinete da governadora de Oklahoma, Mary Fallin's, informou que o tornado deixou 353 feridos, sendo 148 com cortes e contusões por objetos arremessados, 85 atingidos por escombros e quatro golpeados por veículos deslocados pelo vento de mais de 300 km/k.

Mais de 100 pessoas foram resgatadas com vida dos escombros, disse Terri Watkins, do Departamento de Gestão de Emergências de Oklahoma. De acordo com as autoridades, pelo menos 237 pessoas ficaram feridas.
 

O presidente Barack Obama "viajará no domingo para a região de Oklahoma City para acompanhar as operações", revelou o porta-voz Jay Carney.

Obama "se reunirá com famílias afetadas e agradecerá aos membros dos serviços de socorro", acrescentou Carney, lembrando que "o presidente pediu que sua administração forneça todos os recursos à disposição (do Estado federal) para apoiar as operações dirigidas pela governadora (Fallin) e sua equipe".

O presidente, que declarou estado de desastre na região, lamentou a devastação provocada pelo tornado e prometeu estar ao lado da população afetada nos esforços de resgate e reconstrução.

"A população de Moore deve saber que seu país estará no local ao lado deles o tempo necessário para reconstruir suas casas e escolas", disse Obama. "Há espaços vazios onde antes havia quartos e salas de estar, e salas de aula. Com o tempo vamos precisar preencher estes espaços com amor, risos e comunidade", completou o presidente.

A população local permanece chocada com a tragédia. "É irreal. É tão visceral", afirmou o contador Roger Graham, de 32 anos, enquanto remexia nas ruínas da casa de três quartos em que morava com a mulher Kalissa, professora, para tentar recuperar algo.

Curtis Carver, de 38 anos, veterano do Corpo de Marines que serviu por dois anos no Iraque, descreveu Moore, sua cidade natal, como uma "zona de guerra", enquanto aguardava em um posto de controle policial a autorização para recuperar alguns objetos dos escombros de sua casa. "Era minha casa, a casa dos meus filhos", disse.

Os dois filhos do ex-marine escaparam ilesos, mas Carver não recebeu permissão para avançar, já que sua casa está em uma área ainda considerada muito perigosa. "Agora não está. Não resta nada. É uma pilha de madeiras.... e me deixam afastado", disse.

O tornado atingiu o nível EF-5, o mais potente na escala de magnitude do fenômeno, com ventos de mais de 320 km/h, disse Kelly Pirtle, do Laboratório de Tempestades Severas, do serviço meteorológico nacional.

O tornado de dimensões históricas, de três quilômetros de largura, arrasou na tarde de segunda-feira a cidade de Moore, de 55.000 habitantes, levando tudo em sua passagem, carros, casas, postes de energia elétrica, além de ter provocado incêndios pontuais em um fenômeno que durou 45 minutos.

O epicentro da tragédia foi a escola primária Plaza Towers, onde os aterrorizados professores e alunos seguiram para os corredores e banheiros. Algumas crianças, no entanto, morreram na tragédia. "Eu só ouvia pessoas gritando e chorando", disse Claire Gossett, de 11 anos, ao jornal “The New York Times”. "Parecia que a escola estava voando".

Boa parte dos escombros consiste em pedaços de madeira de menos 30 cm de comprimento e outras partes de material de construção. Os objetos grandes são escassos e muito dispersos. Ao caminhar pela área destruída é possível encontrar objetos pessoais: uma roda de bicicleta, uma luva de beisebol, uma bola de golfe, uma meia de Natal.

Os voluntários ajudavam os moradores a desenterrar documentos como passaportes e declarações de impostos, assim como objetos de Star Wars ou parte de uma coleção de moedas, disse Michael Albrecht, que estava em Moore para uma reunião empresarial no dia do tornado e decidiu ficar para ajudar na reconstrução.

O tornado de segunda-feira seguiu mais ou menos a mesma trajetória do tornado de maio de 1999, que deixou 44 mortos, centenas de feridos e destruiu milhares de casas.

Os tornados geralmente afetam as planícies de Oklahoma, mas o fenômeno de segunda-feira atingiu uma área urbana. Pela qualidade do terreno, poucas residências são construídas com porão ou abrigo para tempestades.

Oklahoma City fica no chamado "Corredor dos Tornados", que vai de Dakota do Sul ao centro do Texas, uma região particularmente vulnerável aos fenômeno.


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Gargalos impedem avanço da reciclagem e deixam empresas com capacidade ociosa

Por Vinícius Lisboa, da Agência Brasil 

A coleta seletiva ainda enfrenta gargalos para se tornar abrangente no país, como determina a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que entrará em vigor na segunda metade do ano que vem. A avaliação foi feita por André Vilhena, diretor do Compromisso Empresarial pela Reciclagem (Cempre), fórum que reúne 38 grandes empresas nacionais e multinacionais desde a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio 92. 

Vilhena destaca que um dos entraves para o avanço da coleta seletiva no Brasil é a falta de qualificação dos gestores locais responsáveis por elaborar os planos municipais de resíduos sólidos: "O envolvimento das prefeituras é o ponto de partida. Temos hoje poucos municípios fazendo a coleta seletiva e, principalmente, fazendo a coleta seletiva de forma abrangente. Para mudar isso, os gestores públicos necessitam de treinamento para que possam efetivamente implantar os programas em seus municípios". 

A falta de capacitação é mais grave no interior, mas também está longe do ideal nas grandes cidades: "Vamos pegar os exemplos das maiores cidades do Brasil: os programas tanto de São Paulo quanto do Rio de Janeiro são muito pouco abrangentes, precisam passar por uma reformulação e ampliação significativas. Sem dúvida alguma, no curto espaço de tempo, precisamos melhorar muito os programas de coleta seletiva nas cidades brasileiras, especialmente nas maiores". 

Com programas de coleta seletiva pouco organizados, a indústria recicladora padece de pouca oferta de matéria-prima e, segundo estimativas do Cempre, funciona, em média, com capacidade ociosa entre 20% e 30%. Levantamento feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em 2010 já mostrava que o Brasil deixava de movimentar R$ 8 bilhões anualmente por não aproveitar o potencial do setor. De acordo com o Cempre, apenas 14% das cidades brasileiras têm coleta seletiva, sendo 86% delas no Sudeste. 

Outro entrave para a reciclagem no Brasil, segundo Vilhena, é o peso tributário sobre o setor, que se beneficiaria de mudanças na cobrança de impostos: "De cara, deveria ser dispensado o recolhimento do ICMS [Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços] na venda de sucatas e materiais recicláveis, além de produtos com 100% de material reciclado. Poderia ser feita, a partir disso, uma redução gradativa do imposto conforme o percentual de material reciclado na composição", defende ele, que acredita haver bitributação no caso do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI): "em alguns setores, o produto já teve a cobrança do IPI [Imposto sobre Produtos Industrializados]. quando foi descartado, e tem o desconto de novo durante a reciclagem".

Edson Freitas, da organização não governamental EccoVida, concorda com as duas análises: "muita gente prefere a informalidade por causa dos impostos. Pago uns 30% de imposto sobre minhas garrafas e ainda tenho que pagar para destinar o lixo não aproveitável. Um dos projetos que desenvolvo, de produção de telhas a partir de PET [politereftalato de etileno, utilizado na fabricação de embalagens e outros produtos], eu trouxe de Manaus, porque lá não era viável por falta de plástico selecionado". 

Em seu galpão, o presidente da ONG conta que processa mil toneladas de material reciclado por mês, mas a falta de oferta o impede de vender o dobro disso de matéria-prima para fábricas como a Companhia de Bebidas das Américas (Ambev), que usa suas PETs na produção de garrafas 100% recicladas, que corresponderam a 28% da produção em 2012 e devem chegar a 40% em 2013. No ano passado, a companhia reutilizou 60 milhões de PETs na produção, número que deve saltar para 130 milhões neste ano, com a autorização da Anvisa para o uso de material reciclável em mais três fábricas da empresa, somando seis homologadas. 

A produção de PET a partir de material reciclável economiza 70% de energia e reduz em 70% a emissão de gás carbônico na atmosfera. Além das PETs, a Ambev também produz, em sua fábrica de vidro, sete em cada dez garrafas desse material inteiramente com cacos reciclados, sendo 88% deles provenientes da própria cervejaria e 12% de cooperativas. 

O problema da falta de material de que Freitas se queixa, no entanto, não é causado só pela escassez de planos municipais. Para Vilhena, é preciso maior envolvimento da população: "Temos que melhorar o engajamento do cidadão brasileiro nos programas de coleta seletiva, que ainda estão aquém do desejado". 

Edson Freitas destaca que é preciso uma mudança de pensamento em relação aos materiais recicláveis: "nem chamo de lixo uma PET ou uma embalagem de papelão, porque não são lixo. Têm o mesmo valor que tinham quando o produto estava armazenado dentro delas. É só limpar que continua a ser material com valor comercial e utilidade".