06 abril 2013

Vazamento de óleo atinge nove praias de São Sebastião, no litoral de São Paulo

São Sebastião pede que banhistas evitem nove praias da cidade.
Locais têm risco de contaminação após vazamento em píer da Petrobras.
Incidente foi controlado, mas ainda não há dimensão dos danos ambientais.


Do G1 Vale do Paraíba e Região
 
 
 Funcionários da Petrobras trabalham na remoção de vazamento, em São Sebastião. (Foto: Jorge Mesquita/Estadão Conteúdo)Equipes da Petrobras trabalham na remoção de vazamento, em São Sebastião, no litoral norte de São Paulo. (Foto: Jorge Mesquita/Estadão Conteúdo)

A Vigilância Sanitária alerta os moradores e turistas para que evitem as praias do centro e costa norte de São Sebastião. Os locais podem ter sido afetados por um vazamento de derivados de petróleo, ocorrido na noite desta sexta-feira (5), em uma das redes do píer do Terminal Aquaviário Almirante Barroso (Tebar). De acordo com a Cetesb, o vazamento foi causado por um problema em uma válvula.

Segundo comunicado da prefeitura, a medida tem como base o princípio da precaução, "já que não se sabe a dimensão da contaminação até o presente momento". As praias que devem ser evitadas, de acordo com a administração municipal, são: Porto Grande, Deserta, Pontal da Cruz, Arrastão, Portal da Olaria, São Francisco, Figueira, Cigarras e Enseada.

De acordo com a Capitania dos Portos, não há indícios de que o vazamento tenha afetado as condições de balneabilidade das praias da região e ainda não se sabe a quantidade exata de óleo que vazou, mas estima que o vazamento não seja de grandes proporções. "Aparentemente o vazamento é pequeno. Vai de uma extensão desde o centro da cidade até o bairro São Francisco. Esse trecho, por terra, tem cerca de cinco quilômetros, mas o que há no mar são pequenas manchas de óleo espalhadas nessa extensão", explicou ao G1 o capitão de fragata Alexandre Motta de Sousa, delegado da Capitania dos Portos.

Ainda de acordo Sousa, a Petrobras realizou as ações de contenção logo que detectou o vazamento, que já foi controlado. Foram lançadas barreiras de contenção e estão sendo utilizados helicópteros na identificação de eventuais manchas de óleo que possam ter escapado desses limites.

"Pelo fato do vazamento ter acontecido à noite, ficou difícil visualizar a extensão no exato momento em que aconteceu, mas hoje a Petrobras está fazendo esse trabalho. A Companhia de Docas também auxilia nesse processo e todos os recursos necessários e disponíveis estão sendo usados no trabalho", disse.

O delegado da Capitania dos Portos também afirmou que as condições climáticas ajudam o trabalho para remoção do óleo. "Desde o contato com o água já há um prejuízo ao meio ambiente, mas agora é preciso concentrar as atenções para retirar o óleo o quanto antes. E o clima hoje está ajudando, tornando mais fácil remover as manchas", afirmou.

Outro lado
 
Por meio de nota, a Transpetro informou que as causas do incidente estão sendo apuradas e que profissionais estão trabalhando para retirar o óleo do mar. Veja a íntegra da nota abaixo:

A Transpetro informa que, por volta das 17h50 desta sexta-feira (05/04), foi detectado um vazamento de combustível marítimo no píer do Terminal Almirante Barroso (Tebar), em São Sebastião (SP). Imediatamente, equipes de contingência foram acionadas e, durante toda a noite e a madrugada, atuaram na contenção do vazamento e na remoção do produto. No local da ocorrência, no entorno do píer, o processo de limpeza esta sendo concluído.

Na manhã deste sábado, os profissionais mobilizados pela Transpetro continuam trabalhando para retirar o óleo que se desprendeu da área atingida e alcançou as praias Deserta, Pontal da Cruz, Ponta do Lavapés e Portal da Olaria, em São Sebastião.

A Transpetro disponibilizou todos os recursos necessários para remover o produto. Neste momento, são 27 embarcações e cerca de 300 pessoas mobilizadas na região.

As causas do incidente estão sendo apuradas. O órgão ambiental foi comunicado e os técnicos acompanham os trabalhos de limpeza.
 
São Sebastião pede que banhistas evitem nove praias da cidade (Foto: Reginaldo Pupo/ Estadão Conteúdo)Equipes tentam limpar o local que faz divisa entre as praias Porto Grande e Deserta. (Foto: Reginaldo Pupo/ Estadão Conteúdo)
 
Primeiro caso

Em 6 de setembro do ano passado, uma carreta da Petrobras tombou na SP-55 (Rodovia Doutor Manuel Hipólito Rego) e provocou o vazamento de 15 mil litros de óleo diesel. O material chegou ao córrego Canto do Moreira, situado no lado sul da praia de Maresias, também em São Sebastião. O problema interditou um trecho de 800 metros quadrados da praia para os trabalhos de remoção do óleo.

Cinco dias depois do acidente, a Petrobras e a Cooperativa de Transportes Rodoviários do ABC foram multadas pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) em R$ 92.218,44, cada uma. O valor da multa correspondia a 5.001 Unidades Fiscais do Estado de São Paulo.

05 abril 2013

Casca de jabuticaba pode prevenir câncer, mostra estudo da Unicamp


Eduardo Schiavoni
Do UOL, em Campinas 
  • Thinkstock
    A casca da jabuticaba é rica em compostos fenólicos, que dão a tonalidade escura à fruta e atuam diretamente em duas etapas do desenvolvimento de células do câncer A casca da jabuticaba é rica em compostos fenólicos, que dão a tonalidade escura à fruta e atuam diretamente em duas etapas do desenvolvimento de células do câncer
Um estudo realizado por pesquisadores da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) comprovou que consumir jabuticaba, fruta tipicamente brasileira, pode prevenir dois tipos de câncer: o de próstata e a leucemia. A meta da pesquisa agora é realizar testes em ratos para determinar se, além de prevenir, as substâncias presentes na casca da fruta também conseguem tratar as moléstias.

O pesquisador da Faculdade de Engenharia de Alimentos Mário Roberto Maróstica Junior, principal autor do estudo, afirmou que "alguns compostos presentes na casca da fruta reduzem em até 50% a produção de células cancerígenas".

Embora a fruta toda tenha propriedades que combatem a produção de células cancerígenas, Maróstica explica que a casca é rica em compostos fenólicos, que dão a tonalidade escura à fruta e atuam diretamente em duas etapas do desenvolvimento de células do câncer.

Para a pesquisa, foi preparado um extrato em pó com a casca, que acabou testada em células humanas com algum tipo de câncer. "A propriedade antioxidante da jabuticaba combate os radicais livres responsáveis pela primeira etapa da multiplicação das células, a chamada primeira fase. Já na segunda, as substâncias da fruta inibem a ação de enzinas que acabam por gerar as células anômalas", comenta.

A pesquisa foi iniciada há cinco anos e, com a comprovação dos benefícios, deve entrar numa nova fase ainda neste ano. "Vamos administrar o extrato da casca a roedores com câncer e determinar se as substâncias também funcionam com a doença já estabelecida", comentou o pesquisador, que acredita que terá respostas sobre o assunto em um ano.

A pesquisa ainda demonstrou que a casca de jabuticaba, quando consumida diariamente, ajuda na prevenção de doenças como diabetes tipo 2. Segundo o pesquisador, a casca foi administrada por um mês em animais e o resultado foi uma redução de 10% de glicemia e do colesterol.

"Dez jabuticabas ao dia, aliadas a uma vida regrada, são capazes de ajudar na prevenção de doenças degenerativas", disse Maróstica, ressaltando que a fruta deve ser comida com casca. Ele lembra que a jabuticaba possui ainda vitaminas C e do complexo B, além de ser rica em fibras.

Probióticos
 

Outra pesquisa da Unicamp utilizou o extrato de jabuticaba em alimentos com probióticos, como queijos, bebidas lácteas e iogurtes. O resultado mostrou aumento na sobrevida dos micro-organismos probióticos e ação antioxidante natural, benéfica para a saúde, retardando o envelhecimento e ajudando a prevenir doenças degenerativas. O estudo foi desenvolvido pelos pesquisadores Rodrigo Nunes Cavalcanti e Adriano Gomes Cruz.

Os probióticos são micro-organismos vivos que, ao serem ingeridos, beneficiam o organismo equilibrando a flora intestinal e o colesterol, brecando a diarreia e, como desmonstado no outro estudo, reduzindo a probabilidade do desenvolvimento de cânceres.

Além disso, esses micro-organismos, em especial os lactobacilos, inibem a ação das bactérias intestinais prejudiciais ao bom funcionamento do organismo, ativando a imunidade, aumentando a digestão da lactose, reduzindo a insônia e prevenindo a constipação e o estresse.

Segundo Cavalcanti "trata-se de um produto natural de alta qualidade e com duplo benefício à saúde por ter propriedade funcional e antioxidante". Já Cruz salienta que o diferencial é que o extrato prolonga a vida dos probióticos. "Todos os elementos bioativos importantes para a ação antioxidante ficam retidos na casca, que antes era descartada. Essas substâncias garantem maior tempo de vida aos probióticos e, com isso, a eficácia deles é maior".