21 fevereiro 2013

Solo da estação Comandante Ferraz, na Antártica, está contaminado

Cientistas brasileiros registram níveis de chumbo, zinco e cobre dezenas de vezes acima do normal devido ao incêndio

Roberta Jansen - Enviada especial - O Globo


Ilha Rei George, Península Antártica - O solo na área onde se erguia a Estação Comandante Ferraz foi bastante afetado pelo incêndio que destruiu completamente a base brasileira em fevereiro passado. Cientistas da Universidade de Viçosa registraram níveis de chumbo, zinco e cobre dezenas de
vezes acima dos normais. Segundo eles, os mais altos já registrados numa contaminação antártica. E alertaram: se os contaminantes não forem removidos o mais rápido possível, podem alcançar o mar e os animais que lá vivem, causando danos permanentes o meio ambiente.


Técnicos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental, de São Paulo, estavam na Antártica na semana retrasada acompanhando os trabalhos de desmonte da antiga estação calcinada e a montagem dos módulos emergenciais. Eles tinham como incumbência também retirar amostras do solo para avaliar a ocorrência de possíveis contaminações. 


- Eles devem encontrar os mesmos valores que nós achamos, e que são bem altos - afirmou o geólogo Carlos Schaefer, um dos responsáveis pelo novo estudo, lembrando, entretanto, que os dados já estão disponíveis. 


Para o especialista, as substâncias encontradas são decorrentes das partes feitas de plástico e de ferro que compunham a estação e foram decompostas pelo fogo. Os cientistas recolheram amostras de solo de áreas de onde, quatro anos antes, já haviam medido a composição para comparação. Os resultados, publicados esta semana no "Microchemical Journal" e assinados também por pesquisadores da USP, da Universidade de São Carlos e da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, revelaram uma contaminação intensa por metais pesados. 


Nas áreas testadas, as maiores concentrações encontradas foram de 34 mil partes por milhão (ppm) de cobre, 13,7 mil ppm de chumbo e 42 mil ppm de zinco - valores, respectivamente, 85, 46 e 42 vezes mais altos do que os recomendados pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) para áreas residenciais. Tais valores máximos são definidos como a concentração da substância em solo ou água acima da qual há riscos potenciais, diretos ou indiretos, para a saúde humana. 


- Não sabemos qual é o efeito para a saúde de uma medusa, uma água-viva ou um peixe, baseamos-nos no que há na lei - afirma Schaefer. - Mas certamente deve ser pior. 


"Estas descobertas devem ser objeto de preocupação ambiental", recomenda o estudo, "porque a maior parte das amostras analisadas revelou sinais extremos de poluição por chumbo, um elemento reconhecidamente tóxico. No que diz respeito ao zinco, mais da metade das amostras analisadas se mostrou muito afetada". Estes dois elementos foram encontrados também em partes sujeitas a degelo. 


"Este ponto merece especial atenção por conta da possível contaminação da costa marinha adjacente e lagos próximos". 


- De fato, registramos contaminação nos canais de gelo, que levam água da parte interior da ilha para a praia, em áreas em que já haviam sido testadas poucos anos antes sem resultado algum - conta Schaefer. - Precisamos agir rapidamente ou, em um ou dois verões antárticos, esses poluentes vão alcançar o mar.

Brasil estreia na extração de vanádio com mina na Bahia

Por Olívia Alonso | Valor
De São Paulo

A canadense Largo Resources inaugura hoje, em Maracás (BA), uma das principais mineradoras de vanádio do mundo e a primeira da Américas, que será responsável por 8% da produção global do metal - e com o menor custo do mundo, segundo a companhia. Resistente a choques e à corrosão, o vanádio é utilizado para dar mais força para ligas de aço. É usado, por exemplo, nas indústrias bélica, Aeronáutica, aeroespacial, na construção civil, na produção de aço inoxidável para instrumentos cirúrgicos e ferramentas e em uma gama de produtos menores, como os isqueiros. 


Os primeiros quilos do metal da Vanádio de Maracás, subsidiária da Largo Resources e dona do projeto, serão produzidos no último trimestre deste ano, segundo Mark Brennan, presidente da companhia canadense. A empresa já obteve a maior parte das licenças necessárias para produzir e está em fase de finalização das obras, na etapa de instalações elétricas e montagem de equipamentos. 


O investimento somará US$ 275 milhões, sendo US$ 175 milhões do BNDES, tendo como garantidores os bancos Itaú, Bradesco e Votorantim.


O valor inclui a compra do projeto, em 2007, da Odebrecht e da Vale, que até a ocasião haviam estimado as reservas de minerais em 10 milhões de toneladas. Em estudos posteriores, a Vanádio de Maracás identificou o volume de 23 milhões de toneladas, o que dará à mina uma vida útil de 29 anos. 


"Agora, não precisamos mais de recursos, só precisamos finalizar a construção," disse o executivo ao Valor. Ele afirma que a unidade vai gerar receita anual de pelo menos US$ 120 milhões a partir do ano que vem. Neste ano, serão desembolsados US$ 35 milhões. 


O alto teor de vanádio contido em Maracás - de 1,34%, contra 0,5% em algumas das principais minas do mundo - deve garantir altas margens à companhia, afirma Brennan. Segundo ele, o custo do quilo do vanádio do projeto foi estimado em US$ 12, enquanto o preço de mercado está em US$ 32. 


O pentóxido de vanádio, que será o primeiro produto produzido pela empresa e tem os mesmos usos das ligas ferro-vanádio, terá um custo de US$ 2,10 por libra-peso, enquanto o preço no mercado está em torno de US$ 7 por libra-peso. 

Em 2014, a companhia espera operar com sua capacida de total, de cerca de 9,6 mil toneladas por ano de pentóxido de vanádio (sendo cerca de 5,5 mil de vanádio contido) e empregar 400 pessoas. Dois anos depois, o objetivo é aumentar a produção em 50%, após ampliações na estrutura original. 


O destino da produção da Vanádio de Maracás esta nas mãos da Glencore, que comprará a totalidade do volume produzido pela empresa. Atualmente, o Brasil é importador líquido de Vanádio, tendo comprado do exterior 1.180 toneladas da liga ferro-vanádio em 2011, segundo os dados mais recentes do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), e exportado 74 toneladas. 


Além da Vanádio de Maracás, a Largo Resources possui outros dois projetos no país: em Currais Novos (RN), de tungstênio, e em Campo Alegre de Lourdes (BA), com reservas de minério de ferro, titânio e vanádio, mas esta em fase inicial de desenvolvimento. Fora do Brasil, a empresa produz tungstênio em Yukon, no Canadá.

Município de São Gonçalo vai canalizar os rios Imboaçu e Alcântara

Recuperação, orçada em R$ 465 milhões, tem parceria com o Instituto Estadual do Ambiente. Serão 4,5 quilômetros de intervenções que terão início na próxima semana

O Fluminense


O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e a Prefeitura de São Gonçalo darão início na próxima semana ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para recuperar as bacias dos rios Imboaçu e Alcântara. O início das obras foi marcado na manhã de ontem, durante encontro com a presidente do Inea, Marilena Ramos, e o prefeito Neilton Mulim, na sede do órgão estadual, no Rio. Os investimentos são da ordem de R$ 465 milhões.

As obras de recuperação ambiental e de controle de inundações na Bacia do Rio Imboaçu consumirão R$ 95 milhões em recursos, beneficiando 250 mil pessoas. Serão 4,5 quilômetros de intervenções que compreendem a desobstrução e alargamento da calha de modo a aumentar a capacidade de escoamento das águas e, consequentemente, minimizar os riscos de transbordamento.

As obras incluem ainda a proteção das margens, substituição de pontes e travessias irregulares que represam o curso d’água, urbanização das vias marginais e reassentamento de 800 famílias que vivem em áreas de risco de inundação e que serão atendidas pelo programa “Minha casa, Minha Vida”. As medidas de infraestrutura serão combinadas com ações de educação e conscientização ambiental como, por exemplo, a coleta seletiva do lixo para evitar que o rio volte a ser poluído depois de recuperado.

“Vamos desassorear e limpar o Rio Imboaçu e recompor as canalizações de esgoto com a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) de São Gonçalo, que não funciona por falta de uma rede que conduza até lá os afluentes. Ao mesmo tempo, vamos oferecer alternativas de reassentamento para famílias que hoje estão em áreas de risco de inundação. Ao longo do rio, há 1.796 hectares de áreas alagáveis. Deste total, 795 hectares são de terrenos extremamente vulneráveis às enchentes e que estão ocupados por construções que precisam ser removidas para que o leito possa se expandir na estação das chuvas”, explicou Marilene Ramos, acrescentando que as obras deverão ser concluídas em um ano e meio.

As obras de recuperação da bacia do Rio Alcântara, no entanto, terão início no próximo mês. Nesta nova etapa de intervenções em São Gonçalo, serão investidos R$ 370 milhões para a construção da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Alcântara, o desassoreamento do curso d’água e a instalação de toda a rede de canalização para coletar o esgoto e levar até a estação de tratamento.

17 fevereiro 2013

Fósseis pré-históricos da China podem revelar nova linhagem do homem

De acordo com a equipe responsável pela pesquisa, o novo primata mescla traços físicos arcaicos e modernos e pode ter convivido com o Homo sapiens

Anderson Estevan | NATIONAL GEOGRAPHIC BRASIL ONLINE
 

Crânio primata

Os crânios e dentes dos "primos" dos seres humanos apresentam uma mistura de características arcáicas e modernas

Mais um “galho” da arvore genealógica humana pode ter sido encontrado. Fósseis de pelo menos três homens até então desconhecidos para os pesquisadores foram encontrados no sudoeste da China. A equipe internacional de cientistas publicou a descoberta na edição online do periódico PLoS One nesta semana.

Com uma mistura de traços físicos que mesclam características de homens pré-históricos e modernos, estes seres (provavelmente da Idade da Pedra, dizem os pesquisadores) podem revelar pistas sobre o processo da evolução humana na Ásia.

De acordo com os pesquisadores, eles viveram com o Homo sapiens e têm entre 11,5 mil e 14,5 mil anos de idade. Até então, nenhum fóssil diferente dos humanos modernos com menos de 100 mil anos de idade havia sido encontrado no leste da Ásia.

Alguns pesquisadores acreditam que os fósseis possam pertencer a um primata de uma espécie desconhecida que sobreviveu ao final da idade do gelo, há 11 mil anos. A outra opção considerada é a de que os fósseis sejam de representantes de uma migração da África muito adiantada e desconhecida de homens modernos, mas que não contribuiu geneticamente com o homem moderno.

Os crânios e dentes encontrados nas cavernas de Maludong e Longlin, no sudoeste chinês, são muito similares entre si e representam uma mistura incomum de características anatômicas arcaicas e modernas.

Reciclagem pode economizar U$ 700 bilhões

Economia circular beneficiaria setor de consumo

José Eduardo Mendonça - Planeta Sustentável | National Geographic Brasil


A ex-velejadora britânica Ellen MacArthur, que abraçou as causas ambientais depois de muitos triunfos no mar, lançou o mais recente relatório de sua fundação no Fórum Econômico Mundial. O evento terminou no sábado na cidade suíça de Davos.

O relatório trata da economia circular, que pode gerar uma economia de U$ 700 bilhões para o setor de bens de consumo, de acordo com dados da consultoria McKinsey. Bens de consumo como têxteis, alimentos, bebidas e suas embalagens constituem 60% dos gastos dos consumidores e 35% dos fluxos materiais da economia. Além disso, eles utilizam até 90% da produção agrícola, que estará sob pressão no futuro.

O relatório “Em Direção à Economia Circular 2″ diz que as empresas terão uma enorme vantagem competitiva se mudarem seus modelos de negócios para tornar os fluxos de materiais mais circulares. Um exemplo foi o de que a eletricidade e fertilizantes perdidos com o desperdício de alimentos podem representam U$ 1,5 bilhão no Reino Unido por ano.

Falando em Davos, MacArthur disse à BBC que as empresas precisam olhar além da eficiência de recursos para abraçarem sistemas circulares. “Numa economia circular, a primeira ação no design seria projetar uma máquina de lavar que fosse desmontável, com peças recuperáveis, que pudesse ser atualizada e que os materiais pudessem ser tirados dela no final de seu ciclo de vida e devolvidos à economia,” afirmou.

O trabalho, que contém análise da McKinsey, foi escrito em colaboração com organização britânica Wrap. Segundo ela, “em 2020, podemos ter 30 milhões de toneladas a menos de materiais na economia, 20% menos lixo e 40 milhões de toneladas de materiais reciclados de volta na economia.”

O mercado global de roupas, alimentos e bebidas é de U$ 3,2 trilhões, diz o relatório. Ele gera três quartos de todo o lixo municipal. Apenas um quinto dos materiais destes bens são recuperados, com uma perda estimada de U$ 2,6 trilhões por ano. Mas o trabalho afirma que as taxas de recuperação poderiam ser aumentadas para 50% simplesmente com a adoção disseminada de reutilização e reciclagem.

O relatório contém uma notícia boa para os britânicos: o custo da cerveja poderia ser reduzido em um quinto a cada 100 litros com a troca de garrafas de vidro por plástico reciclável, o que abaixaria os custos de embalagem, processamento e distribuição, informa o Material Recycling World.