25 dezembro 2013

Famílias se sentem impotentes diante do temporal contínuo

Já foram enviadas 470 toneladas de alimentos doados para as cidades capixabas alagadas


Carla Sá | O Globo

VITÓRIA - Há quase uma semana ilhados, os moradores das margens do Canal Guaranhuns, em Vila Velha, na Grande Vitória, vivem um grande aperto. Com a chuva contínua, a água do valão não para de subir e já invadiu completamente as casas. A família da técnica de enfermagem Ramona Pereira fez um arranjo numa parte mais alta da varanda, onde pôs um sofá, uma cadeira e o carrinho de bebê de sua sobrinha de 1 mês, Gabriely.

Ramona diz que a casa é a mais alta da rua e ainda não tinha sido tomada pela inundação. Na última quinta-feira, quando a água começou a subir pelo vaso do banheiro. Na tentativa de conter a inundação, a família fez um muro de arrimo na parte baixa, sem sucesso.

— Não temos mais para onde ir, tem água entrando de todos os lados. No andar de cima não dá para ficar, pois o reboco está caindo — conta Ramona. Para piorar a situação, há um grande alagamento no terreno ao lado, que ameaça a casa.

— Estamos vendo a hora em que irá transbordar para cá — diz Ramona, preocupada.

A esperança da família é o caminhão do Exército que está ajudando no resgate às famílias e passou do outro lado do valão. A família chamou, mas o resgate foi embora e não retornou. Até ontem à noite, Ramona, Gabriely e os outros continuavam ilhados.

Em outro bairro de Vila Velha, O Jardim Marilândia, a cheia do Rio Marinho está deixando a água na altura da cintura. O vendedor Geraldo César construiu uma barreira de tijolos na porta de casa para evitar que a inundação continue.


— Estou fazendo uma barragem para diminuir um pouco nosso sofrimento — diz ele, já com os cômodos alagados.

A população capixaba está sensibilizada com a situação. Já foram enviadas 470 toneladas de alimentos para os locais afetados. Só na Praça do Papa, em Vitória, principal ponto de coleta, estão trabalhando mais de 700 voluntários. Foram doados 18,2 mil litros de água e 1.520 cestas básicas completas, além de 2.577 colchões.

—É hora de cada um fazer a sua parte. Eu e minha irmã viremos aqui todos os dias — disse o empresário José Luís Fiorese.

Em Vila Velha, o Ginásio Tartarugão está recebendo as doações.

(*Da agência A Gazeta)


20 dezembro 2013

Cientistas descobrem bactérias que digerem plástico no mar

Descoberta pode explicar por que a quantidade de detritos nos oceanos foi estabilizada nos últimos anos mesmo com o aumento da poluição


Veja

Já se conheciam bactérias que digeriam plástico em aterros e lixões. Agora, os cientistas observaram pela primeira vez bactérias marinhas realizando o mesmo trabalho no oceano. Com um microscópio eletrônico, o biólogo Tracy Mincer, do Instituto Oceanográfico Woods Hole, em Massachusetts, descobriu bactérias vivendo em buracos feitos no plástico.

O estudo, apresentado na 5ª Conferência Internacional sobre Lixo Marinho, no Havaí, Estados Unidos, analisou bactérias encontradas em sacos plásticos e pedaços de linhas de pesca no Mar dos Sargaços, na região do Atlântico Norte, onde correntes marinhas favorecem o acúmulo de detritos. Na região, estimam-se mais de 1.100 toneladas de plástico flutuando no mar.

Mistério - As bactérias podem ser a chave para um recente mistério: mesmo com o aumento da poluição, a quantidade de detritos plásticos nos oceanos vem se mantendo estável. “Mas ainda é cedo para dizer que isso é uma coisa boa. Precisamos estudar mais”, afirmou Mincer à revista Nature.

O problema são as toxinas presentes nos plásticos. Ainda não se sabe se as bactérias que digerem o plástico estão limpando os oceanos ou apenas colocando as toxinas dentro da cadeia alimentar marinha. O próximo passo da pesquisa é descobrir os subprodutos da digestão das bactérias e estudar mais amostras de plástico dos oceanos.

O estudo também chama atenção para o fato de que as bactérias que estão comendo o plástico são vibriões, mesmo grupo que causa a cólera. Ainda não se sabe se estas bactérias podem causar doenças.

18 dezembro 2013

Novo tipo de gripe aviária deixa primeira vítima

Uma mulher chinesa, de 73 anos de idade, tornou-se a primeira vítima da nova estirpe do vírus da gripe aviária H10N8


Voz da Rússia

Ela morreu em 6 de dezembro, mas a causa de sua morte foi determinada apenas agora. Verificou-se que ela procurou ajuda médica no final de novembro.

Segundo os médicos, o caso foi registrado na província de Jiangxi, situada no leste da China, e tem caráter excepcional, portanto, seria prematuro falar sobre o início da epidemia. Eles acrescentaram que não encontraram sintomas correspondentes da doença nas pessoas que tiveram contato com a vítima.

13 dezembro 2013

Triplicou! Ao menos 35 vulcões estão agora em erupção pelo mundo. O que está acontecendo?

Será que é por causa da aproximação do Cometa ISON?


Portal do Meio Ambiente


Existem agora, ao menos, 35 vulcões em erupção em todo o mundo como compartilhado nesta história do International Business Times e no gráfico abaixo, que mostra a maioria das erupções vulcânicas que ocorrem dentro do “Anel de Fogo”. Será que é por causa da aproximação do Cometa ISON ou nada tem a ver com todas essas mudanças na Terra? De chover pedras na Sicília à novas ilhas que se formam, no Japão, a nossa Terra está passando por mudanças incríveis.

O vulcão do Monte Sinabung em Jacarta, na Indonésia , entrou em erupção seis vezes desde segunda-feira, atirando cinzas vulcânicas a 2.000 metros em direção ao céu.

Milhares de pessoas foram evacuadas da região desde que o vulcão Sinabung entrou em erupção de forma esporádica, em setembro, 5.000 pessoas foram evacuadas da área um dia antes da erupção da segunda-feira, elevando o número total de evacuados para 11.000. Não houve vítimas até o momento.

O Sinabung é apenas um dos 35 vulcões ativos em erupção atualmente no mundo, de acordo com uma lista categorizada no Volcano Discovery. Dos 35 vulcões em erupção atualmente no mundo, sete estão na Indonésia.



Rio de Janeiro teme perda de água do Paraíba do Sul

O governo de São Paulo estuda aumentar a captação de água de afluentes do rio nas próximas duas décadas


O Globo | Portal do Meio Ambiente

O Instituto Estadual do Ambiente (Inea), órgão ambiental fluminense, vai encaminhar, nos próximos dias, ofícios à Agência Nacional de Águas (ANA) e ao governo paulista propondo discussão pública sobre os planos de São Paulo para o abastecimento de água nos próximos 20 anos. O estado pôs fim a uma série de estudos técnicos sobre o tema. De dez arranjos propostos, cinco reduziram a vazão do Rio Paraíba do Sul, que fornece água a 70% da população do Rio de Janeiro. Três deles estão entre os mais bem avaliados pelo governo paulista, nos critérios financeiro, ambiental e energético.

Marilene Ramos, presidente do Inea, diz que o assunto tem de ser tratado pela ANA e pelo Comitê de Integração da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul (CEIVAP), que inclui a União e os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. “Há um decreto dos anos 1970 que estabelece as vazões do Paraíba do Sul para abastecimento de água e geração de energia. São Paulo, hoje, entende poder decidir sozinho sobre captação de água de afluentes do rio. Mas qualquer mudança na vazão do Paraíba do Sul afetaria o Rio”, alerta. Num dos cenários, seriam retirados 8,22m³/segundo de água. É muito, destaca Marilene, quase 5% da vazão mínima do rio. As intervenções em São Paulo passariam por três corpos de água na Bacia do Paraíba no estado: a Represa Paraibuna, o reservatório do Rio Jaguari e o próprio Paraíba do Sul. No melhor arranjo, a captação seria de 1,45m³/segundo.


93% DO ABASTECIMENTO


É quanto o Paraíba do Sul representa do fornecimento de água para a Região Metropolitana do Rio de Janeiro. O sistema Guandu recebe, em Barra do Piraí, dois terços da vazão do rio. De 25 a 29 de Novembro o Inea fez consultas públicas sobre o caso.


Empresa brasileira cria plástico feito com mandioca

Pesquisadores da Poli-USP desenvolveram um filme plástico à base de amido de mandioca e açúcares projetados para ser utilizado em embalagens


EcoD | Portal do Meio Ambiente

Em 2007, pesquisadores da Escola Politécnica (Poli) da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram um filme plástico à base de amido de mandioca e açúcares projetados para ser utilizado em embalagens. O plástico seria biodegradável, comestível, teria propriedades antibacterianas e poderia mudar de cor de acordo com o estado de conservação do produto.

Agora, a empresa paulista CBPak começa a investir na divulgação de seu trabalho: o proveito do amido de mandioca para criar copos e bandejas de plástico recicláveis e que podem ser biodegradáveis. Curioso? No mínimo!

O fundador da instituição, Claudio Rocha Bastos, resolveu investir na área após perceber a falta de opções no setor de plásticos 'verdes', que chegam a se decompor sozinhos em alguns meses - diferente da decomposição interminável dos comuns, oriundos do petróleo e que muitas vezes contribuem para a degradação do meio ambiente.


"A CBPak é provedora de uma pioneira solução ambiental para redução de pegada de carbono. Para tal, utiliza como meio físico, seus copos compostáveis e biodegradáveis de amido de mandioca, matéria-prima brasileira de fonte renovável. Mitigação de gases de efeito estufa (GEEs), adequação à Política Nacional de Resíduos Sólidos, contribuição às Estratégias Corporativas de Carbono, educação para o consumo consciente são os pilares básicos da solução ambiental nas quatro dimensões da sustentabilidade." - descreve a empresa em seu site.

Desde o início de sua produção, em 2009, a empresa já ultrapassou a confecção de 300 mil bandejas e copos. Enfrentar a realidade dos preços, maiores que os de plásticos de origem fóssil, tem sido o principal desafio da organização. "Desde o início, nosso desafio sempre foi o de transformar uma ideia incipiente em um produto real e economicamente viável", afirmam os responsáveis. Segundo o site da CBPak, as pesquisas realizadas pela empresa iniciaram em 2002.


Dilema dos plásticos


O Brasil consome cerca de 4 milhões de toneladas de plástico anualmente e recicla apenas 16,5% desse total, de acordo com a Associação Brasileira de Embalagens. Um terço corresponde ao plástico filme e dois terços ao plástico rígido. A estimativa para a decomposição desses materiais no ambiente é de cerca de cem anos.

Quando o assunto é a reciclagem desse material, os registros também não são animadores. Em 2010, o Brasil ficou abaixo de países como Alemanha (34%), Suécia (33,2%) e Bélgica (29,2%) nesse quesito - apenas 20% dos plásticos retornaram ao consumo.

08 dezembro 2013

A pressão sobre a última grande área preservada

Sem títulos de terras, cresce exploração do sul do Amazonas


Lourival Sant’Anna | O Estado de SP

ENVIADO ESPECIAL/ APUÍ E MANICORÉ (AM)

O assentamento do Juma é um microcosmo da Amazônia. Em um sobrevoo de duas horas de helicóptero com fiscais do Ibama, sobre a vastidão de seus 12 mil km², o repórter do Estado viu as florestas fechadas e intocadas que caracterizam praticamente todo o Estado do Amazonas, a mata "brocada" pelo corte seletivo e ilegal da madeira, novas áreas queimadas, pasto com gado e até um garimpo clandestino de ouro.

Depois de quatro anos em queda, o desmatamento na Amazônia teve ritmo 28% maior entre agosto de 2012 e julho de 2013 do que no período anterior. Dos Estados em que o desmatamento aumentou, o Amazonas foi o que teve o menor crescimento: 7%. No Mato Grosso foi 52%, em Roraima, 49%, Maranhão, 42% e Rondônia, 21%. Mas a pressão sobre o sul de Estado tem um imenso peso simbólico Depois de esgotar os estoques de madeira e de degradar as pastagens ou serem expulsas pela soja no Mato Grosso, Pará e Rondônia, as atividades madeireiras pecuárias são atraídas para o último grande território preservado no País.

Aqui, como em outras partes da Amazônia, os problemas ambientais e fundiários se confundem.

Fazendeiros e madeireiros com os quais o Estado conversou na vila de Santo Antonio do Matupi, no município de Manicoré, nas margens da Transamazônica, reclamaram que não conseguem aprovar planos de manejo da madeira e obter licença para desmatar 20% das propriedades, conforme prevê a lei na Amazônia; porque não têm títulos de suas terras.

"O grande problema do Amazonas é a regularização fundiária", define Samuel Martins, presidente da Associação dos Madeireiros de Matupi. "O documento da terra desencorajaria o desmatamento ilegal Com o cadastro, o sujeito não vai querer ficar correndo do Ibama." Martins considera que quem desmata é o pecuarista. O madeireiro faz o corte seletivo e mantém a floresta de pé, argumenta ele e, com o manejo, volta apenas 25 anos depois ao mesmo lugar, quando as árvores já cresceram de novo. "O madeireiro é o guardião da floresta", enaltece. "Não temos um incentivo, só repressão."

Fiscais do Ibama e ambientalistas observam que os pecuaristas se capitalizam vendendo a madeira e, com o dinheiro, desmatam para formar pastos. Em poucos anos, o pasto se degrada no solo pobre da Amazônia. Fica muito mais barato desmatar novas áreas do que recuperar o solo. 

Paranaense de Campo Mourão, com 53 anos, Samuel Martins foi em 1977 para Manaus, onde fez curso técnico de agropecuária. De lá desceu para Rondônia, onde "a madeira era muito forte na época", recorda. "O madeireiro vai aonde tem madeira." Matupi é o maior a polo madeireiro do Estado. A associação reúne 30 madeireiras. Martins e acredita que, no ano que vem, 80% das madeireiras terão seus manejos próprios, legalizados, em vez de comprar madeira dos fazendeiros.

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento Agrário, o programa de regularização fundiária Terra Legal fez - o georreferenciamento de 47 propriedades, numa área de 6.048 hectares, em Apuí, e de outras 465 no município de Manicoré, somando 118.948 hectares.

Mas ainda falta as empresas entregarem todos os trabalhos. Rezoli Cazarin, contratado pelo programa no Matupi, que pertence a Manicoré, afirma que lá 700 propriedades aguardam a emissão do título, o que começará a ocorrer em abril. "O problema é que a cultura da ilegalidade prevalece na Amazônia", lamenta Cazarin. "As pessoas querem trabalhar sem cumprir a lei."

"Infringimos a lei porque precisamos sustentar nossos filhos", defende-se Maximiano Carreta, da Associação dos Produtores e Pecuaristas de Santo Antonio do Matupi. Capixaba de Santa Teresa, ele morou 12 anos em Nova Lacerda (MT), onde foi prefeito, antes de vir há 8 anos para o sul do Amazonas.

"Não tenho escritura da terra", diz Carreta, que tem 1.500 hectares, dos quais afirma ter desmatado menos de 10%. "Tenho direito de abrir 20%. É muito pouco, mas vamos respeitar a lei. Como conseguir licença sem documento da terra?" Somente de setembro a novembro, o Ibama lavrou 1.300 multas em Rondônia e sul do Amazonas (que está desde março sob a jurisdição da superintendência de Porto Velho, muito mais próxima que Manaus), e apreendeu, com ajuda do Exército, que faz a logística, 11 mil m³ de madeira - o equivalente a 550 caminhões. "Temos que ter uma ação permanente aqui", avalia Paulo Diniz, superintendente do Ibama em Porto Velho.

07 dezembro 2013

Material cerâmico converte energia solar em combustível veicular

Converter energia solar em combustível que pode ser estocado e disponibilizado para o abastecimento de veículos já é realidade


Mundo da Sustentabilidade | Agência FAPESP

Converter energia solar em combustível que pode ser estocado e disponibilizado para o abastecimento de veículos já é realidade, pelo menos em laboratório. O experimento, realizado por Sossina Haile, do California Institute of Technology (Caltech), nos Estados Unidos, abre uma nova via para a produção sustentável de energia – um dos maiores desafios da atualidade.

Professora de Ciência dos Materiais e Engenharia Química no Caltech, Haile apresentou o relato de seu experimento na sessão inaugural da 6th International Conference on Electroceramics (6ª Conferência Internacional em Eletrocerâmica), realizada de 9 a 13 de novembro em João Pessoa, na Paraíba.

Promovido pela Sociedade Brasileira de Pesquisa de Materiais, com o apoio da FAPESP, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), o evento foi coordenado por Reginaldo Muccillo, pesquisador do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), José Arana Varela, professor titular da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Araraquara, e diretor-presidente do Conselho Técnico-Administrativo da FAPESP, e José Antônio Eiras, professor associado da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

“Para realizar a conversão de energia, utilizamos um material cerâmico, o óxido de cério (CeO2)”, disse Haile à Agência FAPESP, nos bastidores da conferência.

“Aquecido a altas temperaturas, ele libera oxigênio (O2), sem perder sua estrutura. Isso é pura termodinâmica: manutenção do estado de equilíbrio. Resfriado, volta a absorver oxigênio. Se o resfriamento ocorrer em presença de vapor de água (H2O) ou gás carbônico (CO2), o oxigênio será retirado das moléculas de uma ou outra dessas substâncias, e a reoxidação resultará na liberação de hidrogênio (H2), em um caso, ou de monóxido de carbono (CO), no outro – ambos com grande potencial como combustíveis.”

Para aquecer o material, Haile e colaboradores utilizaram um reator que consiste, de forma geral, em uma cavidade termicamente isolada, cuja tampa, de cristal de quartzo, concentra a radiação solar. O óxido de cério, formando uma peça única e porosa, reveste internamente a cavidade.

O oxigênio liberado após o aquecimento flui por uma saída no fundo do recipiente. E os gases (H2O ou CO2), que resfriam o óxido de cério, entram radialmente na cavidade, atravessando os poros do material. Pela mesma porta de saída, escapam o hidrogênio ou o monóxido de carbono, ejetados após a reoxidação.

“Uma pergunta específica que fizemos foi: como modificar o material de modo a aumentar a eficiência do processo e operar em temperaturas mais baixas?”, contou Haile.

A pergunta é muito relevante do ponto de vista tecnológico, pois a diminuição da temperatura de redução do óxido favorece bastante a construção do reator. “Verificamos que, agregando zircônio ao óxido de cério, é possível liberar o oxigênio com temperaturas menores. Em vez de operar a 1600 ou 1500 graus Celsius, é possível operar a 1450 ou 1350 graus – o que é muito vantajoso.”

“O zircônio possibilita baixar a temperatura porque torna a liberação de oxigênio da estrutura mais fácil do ponto de vista termodinâmico. Por outro lado, a cinética da reoxidação posterior fica mais lenta”, ponderou a pesquisadora.

Foram realizados, então, vários testes, de modo a chegar à porcentagem ótima de zircônio para favorecer tanto a temperatura quanto a cinética. “Constatamos que com um acréscimo de zircônio da ordem de 10% a 20% é possível atender a ambas expectativas”, afirmou.

Haile nasceu na Etiópia em 1966. Sua família foi obrigada a abandonar o país em meados da década de 1970, após o golpe militar que depôs o imperador Haile Selassie.

Ela conta que seu pai, um historiador, quase foi morto pelos golpistas. Nos Estados Unidos, Haile fez seus estudos superiores no Massachusetts Institute of Technology (MIT) e na University of California, Berkeley. Posteriormente, com bolsas das fundações Humboldt e Fulbright, desenvolveu pesquisa no Max Planck Institut für Festkörperforschung, de Stuttgart, Alemanha.



06 dezembro 2013

E se cada busca sua na internet resultasse no plantio de uma árvore?

EcoD

É praticamente impossível imaginar, nos dias de hoje, alguém que não utilize os buscadores de sites na internet. Basta digitar uma palavra-chave naquelas barrinhas para que esses mecanismos apresentem inúmeros resultados, o que facilita a vida dos usuários. Mas o buscador Ecosia, que é bem semelhante ao Google, resolveu inovar: a cada pesquisa realizada no sistema, uma nova árvore é plantada no mundo.

Criado por alemães, o Ecosia se uniu ao Yahoo, ao Bing e à organização não governamental WWF para concluir o projeto, que busca incentivar as pessoas a adotar hábitos mais sustentáveis até quando elas navegam na internet, prática que utiliza energia de servidores e, em consequência disso, contribui para a emissão de gases de efeito estufa na atmosfera.

O site, que destina pelo menos 80% de suas verbas para um programa de preservação das florestas tropicais no mundo inteiro, principalmente na Amazônia, conta com mais de dois milhões e meio de usuários, que realizam cerca de 20 milhões de buscas por mês. Desde sua criação, o buscador obtém recursos financeiros por meio dos links patrocinados estabelecidos pelas empresas, que inserem os endereços virtuais no canto direito da tela.

Além do plantio de novas árvores e da doação dos lucros do site, o Ecosia mantém um programa de mitigação de suas emissões de carbono e publica os certificados de neutralização na internet. O sistema de buscas também divulga os comprovantes das doações realizadas em nome da sustentabilidade.



04 dezembro 2013

Justiça cobra depósitos de lixo nuclear de Angra

O Globo

A Justiça Federal do Rio condenou a União, a Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) e a Eletrobras a incluírem no orçamento do ano que vem os recursos necessários para a construção e a instalação de depósitos adequados para receber o lixo radioativo produzido pelas usinas nucleares Angra 1, II e III. A decisão foi tomada depois de ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal (MPF) de Angra dos Reis.

Os advogados da Cnen entraram com recursos no Tribunal Regional Federal (2 Região), alegando que cabe à própria comissão fixar a data para a construção e instalação de depósitos — o que ainda não foi feito. A procuradora Monique Sheker, do Ministério Público Federal de Angra dos Reis, contesta. Conforme ela argumentou ontem, há previsão legal determinando a construção imediata de três tipos de depósitos para os rejeitos radioativos.

De acordo com a sentença da Justiça Federal, a Cnen também deverá encaminhar ao MPF, a cada dois meses, relatórios sobre o andamento da etapa de seleção do local para o armazenamento do lixo nuclear, bem como realizar reuniões para debater a escolha do ambiente. Em 2007, o MPF moveu uma ação baseada em um inquérito civil público, no qual apurou que o lixo atômico das usinas nucleares de Angra vinha sendo armazenado em depósitos provisórios desde 1982.

Isso, segundo o MPF, representa riscos à vida da população. A sentença judicial determinou ainda o pagamento de multa diária no valor de R$ 50 mil em caso de descumprimento.



27 novembro 2013

Máquina usa luz solar para tratar esgoto

Galileu

A luz do sol é o melhor desinfetante. A famosa frase, dita por um ex-presidente da Suprema Corte dos EUA, está prestes a deixar de ser uma metáfora sobre transparência para se tornar uma verdade literal. Isso graças a pesquisadores da Universidade Rice, no Texas, que anunciaram em julho a criação de um mecanismo que usa o sol para tratar esgoto matando os germes.

No equipamento, nanopartículas ativadas pela luz solar (capazes de potencializar em até 80% a energia dos raios) criam um fluxo de vapor antes mesmo de a água ferver. Esse vapor, extremamente quente, é transferido para uma autoclave, equipamento que usa o gás sob pressão para fazer esterilização. Os pesquisadores já conseguiram esterilizar materiais médicos e dejetos humanos com ele. “Saneamento e esterilização são enormes obstáculos sem uma fonte de eletricidade confiável”, afirma Naomi Halas, diretora do Laboratório de Nanofotônica da Universidade Rice e líder do projeto. Qualquer oscilação na corrente elétrica coloca em risco a esterilização, tornando-a menos confiável. “A conversão de luz solar a vapor diretamente abre novas possibilidades para a esterilização sem necessidade de redes elétricas.”

Se desenvolvida em escala, a tecnologia pode ajudar parte dos 2,5 bilhões de pessoas ainda sem saneamento no mundo. É este o objetivo da Fundação Bill e Melinda Gates, que começou a patrocinar a tecnologia para implementá-la em locais carentes da África. “Precisávamos criar um sistema que pudesse gerenciar os resíduos de uma família de quatro pessoas com apenas dois tratamentos por semana, e a configuração que tivemos na autoclave pode fazer isso.” Até o final do ano, testes serão feitos no Quênia.



Editora Globo

25 novembro 2013

Primeira residência carioca com microgeração de eletricidade interligada à rede recebe certificação

Por Ana Paula Verly – Equipe RCE

A primeira residência do Rio de Janeiro com microgeração de energia solar fotovoltaica conectada à rede da Light foi certificada nesta quinta-feira, 31 de outubro, com o Selo Solar – uma iniciativa do Instituto Ideal e da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). O evento foi realizado no âmbito do “Ano da Alemanha no Brasil”, que tem como objetivo celebrar a parceria entre os dois países.

Com apoio da Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável por meio da Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH e do Banco Alemão de Desenvolvimento (KfW), a certificação foi entregue a Hans Rauschmayer, idealizador do sistema, durante uma cerimônia na própria residência, em Santa Tereza.

O sistema de microgeração desenvolvido por Hans, com o apoio técnico do engenheiro elétrico Paulo Marcial e investimento de R$ 20 mil, é a primeira instalação deste tipo no estado do Rio conectada à rede conforme a resolução n° 482 de 2012 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). De acordo com Ricardo Külheim, da GIZ, a iniciativa tem se mostrado uma “valiosa” experiência e é uma referência para futuros projetos.

Desde a instalação dos painéis com placas fotovoltaicas, em agosto, Hans economizou R$ 250 na conta de luz e evitou a emissão de 360 kg de gás carbônico. Com capacidade para gerar até 11 kWh, o sistema injeta o excedente na rede da Light, que o reverte em créditos para serem utilizados quando o consumo superar a geração. A economia mensal até agora girou em torno de 58% - cerca de 50 centavos a menos por cada quilowatt gerado.

Hans documentou todo o processo da instalação para auxiliar a Light na questão da microgeração interligada. Segundo a engenheira Priscila Ferreira, da Gerência de Planejamento da Light, que trata da geração distribuída, desde a experiência de Hans, outras cinco residências já instalaram um sistema de microgeração interligada à rede no Rio de Janeiro.

“O painel de Hans é um marco. A Light tem 110 anos e o primeiro painel é o de Hans. Como a tecnologia é nova, trata-se de um aprendizado tanto para nós, a concessionária, quanto para o cliente, o Hans, e os instaladores, que executaram as instalações novas. O resultado foi positivo e essa questão só tem a crescer e a evoluir, com mais conexões e mais aprendizado tanto para o sistema da micro quanto o da minigeração”, comemorou Priscila.

Para o coordenador do Prêmio Qualidade Rio, da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços (Sedeis), Eurico Marchon, a intenção é que toda a cadeia de microgeração de energia solar fotovoltaica - da implantação à manutenção – seja “produtiva” e com isso se consiga, na escala, “reduzir o preço e ganhar em eficiência e segurança”.

O Selo Solar foi criado em 2012 como um reconhecimento para instituições públicas e privadas e proprietários de edificações que consomem um valor mínimo anual de eletricidade solar ou que têm pelo menos 50% do seu consumo de eletricidade vindo de fonte solar. A residência de Hans recebeu a certificação por ser a primeira a se enquadrar nos pré-requisitos do selo.



Exploração ilegal de madeira ameaça sustentabilidade de Reservas Extrativistas na Amazônia

Herton Escobar | O Estado de S. Paulo
Enviado a Gurupá, PA*

“Atenção; Atenção; Terreno; Terreno;” berra, em inglês, o sistema de alerta do hidroavião quando o piloto aponta a asa para baixo e resolve fazer um voo rasante, de 360 graus, sobre uma série de clareiras e estradas clandestinas na floresta. Em alguns dos pátios, pode-se ver claramente pilhas de toras cortadas, esperando para serem transportadas de caminhão para alguma serraria próxima, onde serão “legalizadas” com a uso de licenças e documentos fraudados das autoridades ambientais.

Seria uma cena rotineira de ilegalidade na Amazônia, não fosse o fato de estarmos sobrevoando uma unidade de conservação federal: a Reserva Extrativista (Resex) de Gurupá-Melgaço, de 1.450 km², no meio do caminho entre Santarém e Belém, nordeste do Pará. Região que, nos próximos dias 28 e 29 de novembro, deverá receber a visita da ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira — possivelmente acompanhada de outros três ministros e da presidente Dilma Rousseff –, para um encontro entre governantes de Brasília e representantes de comunidades agroextrativistas de toda Amazônia: o 2º Chamado da Floresta, organizado pelo Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), a um mês do aniversário de 25 anos da morte de Chico Mendes.

Para os moradores da Resex, a invasão dos madeireiros não é nenhuma novidade. Eles já se acostumaram ao barulho das motosserras ecoando no interior da mata e ao trânsito dos caminhões que circulam pelos ramais de terra da unidade, levando embora a madeira que, por lei, deveria ser deles para explorar de forma sustentável. Há quem seja conivente com os madeireiros em troca de algum dinheiro – míseros R$ 50 a R$ 100 por árvore. Entre as lideranças da reserva, porém, o sentimento é de revolta, tanto com a ousadia dos madeireiros quanto com a inoperância do poder público para retirá-los de lá e transformar a Resex numa área protegida de fato.

“A reserva está largada à própria sorte”, resume o presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Agroextrativistas de Gurupá, Heraldo Pantoja. “O governo cria a unidade, mas não implementa. As comunidades não têm luz, educação, saúde, transporte, assistência técnica, nada. Aí vem um madeireiro e oferece R$ 50 para derrubar uma árvore, o cara aceita, claro.”

Quem se cala diante do problema, assiste aos recursos naturais da floresta exaurirem-se diante de seus olhos. Quem se atreve a denunciar, não recebe ajuda das autoridades e, muitas vezes, ainda acaba sendo ameaçado de morte – coisa que tem de ser levada a sério na Amazônia. “Nossa luta é para manter a floresta em pé. Mas, para isso, as famílias precisam melhorar de vida. Se não, fica impossível”, completa Pantoja.

“Nosso povo é muito vulnerável a qualquer um que chega oferecendo algum aumento de renda”, afirma Manoel Pena, de 58 anos, uma das principais lideranças comunitárias da região. Cerca de 800 famílias vivem na Resex, organizadas em 20 comunidades, que sobrevivem quase que exclusivamente da produção artesanal de farinha de mandioca e da exploração em pequena escala de produtos florestais, como açaí, palmito, castanha e pescado. Apesar de já ter sido muito explorada no passado, a reserva ainda abriga grandes áreas de florestas preservadas no interior dos municípios de Gurupá e Melgaço — município com o menor índice de desenvolvimento humano (IDH) do País.

A presença dos madeireiros dentro da reserva, segundo Pena, é apenas o sintoma de um problema maior e mais grave, que é a ausência crônica do poder público, não só na Resex como em outras unidades de conservação e assentamentos da região. A principal função de uma reserva extrativista, lembra ele, é justamente conciliar a conservação ambiental e o desenvolvimento socioeconômico das comunidades tradicionais que nela vivem, por meio da exploração sustentável dos recursos naturais da floresta – incluindo a madeira, que os comunitários não conseguem autorização nem mesmo para usar na construção de suas próprias casas.

Com a criação da Resex, no final de 2006, e o processo de regularização fundiária que se seguiu, a expectativa dos moradores era de que os madeireiros seriam expulsos e que no lugar deles entraria o poder público, trazendo saúde, educação, transporte, energia e assistência técnica, necessária para ampliar a produção e melhorar a qualidade de vida das comunidades. Nada disso aconteceu. Passados sete anos, a reserva continua a existir apenas no papel. Os madeireiros que se afastaram num primeiro momento logo perceberam a ausência do Estado e voltaram à floresta, escoltados pela certeza da impunidade.

“E nós, vamos viver do quê daqui dez anos?”, questiona Mateus Souza de Carvalho, de 21 anos, morador da Resex. Teoricamente, quem deveria estar explorando a madeira da reserva são os próprios comunitários, com base em planos de manejo aprovados pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a autarquia do Ministério do Meio Ambiente (MMA) responsável por gerir as unidades de conservação do País. “Não temos necessidade de negociar nossa madeira. Temos condições de produzir com sustentabilidade nós mesmos, só que a burocracia não deixa”, completa Carvalho.

Enquanto assistem aos caminhões entrarem e saírem cheios de toras da reserva quase que diariamente, levando embora sua riqueza ambiental, os comunitários esperam há anos pela aprovação dos planos de manejo que lhes permitiriam explorar a mesma madeira de forma legal e sustentável. Sem isso, a Resex, que deveria ajudá-los a melhorar de vida acaba se transformando numa amarra burocrática. “O resultado é que os madeireiros estão ficando mais ricos e a gente, mais pobre”, sentencia Carvalho.

Modelo ameaçado.“O que está em jogo não é só a madeira, é um modelo inteiro de conservação e desenvolvimento sustentável associado às comunidades tradicionais”, avalia Danicley de Aguiar, ativista do Greenpeace na Amazônia, que viveu vários anos em Gurupá. “O governo criou a Resex e fez a regularização fundiária, mas não deu o passo seguinte, que é implementá-la. As políticas públicas não chegam, e isso é muito frustrante para as comunidades.”

O problema não é exclusivo de Gurupá. Segundo uma auditoria realizada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e divulgada na semana passada, apenas 4% das unidades de conservação (UCs) estaduais e federais da Amazônia possuem “alto grau de implementação”. Num ranking de 0 a 3, elaborado com base em 15 critérios de gestão (como recursos humanos e financeiros, infraestrutura física, plano de manejo, pesquisa científica, uso público e acesso das comunidades residentes a políticas públicas), a nota média das 247 UCs amazônicas foi 1,14. Entre as 33 Resex, apenas 12 possuem plano de manejo aprovado pelo ICMBio, por exemplo. A Gurupá-Melgaço, cuja nota de implementação do TCU foi 1,3, não é uma delas.

O presidente do ICMBio, Roberto Vizentin, reconhece os problemas. “É verdade que existe uma enorme carência de políticas públicas nessas áreas”, disse na semana passada, em entrevista por telefone ao Estado. “Não há nenhum tipo de abstração em relação a isso.”

Segundo ele, um plano nacional de apoio ao agroextrativismo está em fase final de elaboração, com a participação de vários ministérios (Meio Ambiente, Desenvolvimento Agrário, Desenvolvimento Social, Planejamento e Secretaria-Geral da Presidência da República). Os detalhes serão apresentados às comunidades justamente no 2º Chamado da Floresta, que será realizado numa comunidade do interior de Melgaço.

Uma das estratégias centrais será a abertura de editais para a contratação de serviços de assistência técnica às comunidades, com o intuito de ampliar, agregar valor e garantir a sustentabilidade dos produtos florestais. Outras medidas envolverão a adequação de políticas públicas nacionais de saúde, educação, energia e moradia à realidade dessas comunidades, cujas necessidades socioeconômicas estão sendo mapeadas uma a uma por uma força-tarefa do ICMBio. Na Resex Gurupá-Melgaço, assim com em outras reservas extrativistas da região, uma das necessidades mais básicas é eletricidade, sem a qual os comunitários não conseguem manter nem uma geladeira funcionando.

“Não há dúvida de que essas pessoas precisam de uma série de coisas urgentemente, mas as políticas estão começando a ser desenhadas”, avalia Marcelo Salazar, da ONG Instituto Socioambiental (ISA) no Pará. Ele lembra que o modelo de gestão das Reservas Extrativistas só surge em 2000, dentro da lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (Snuc). “É um modelo muito recente, que ainda está amadurecendo. As políticas precisam chegar ao chão, mas para isso é preciso passar por leis estaduais, municipais e uma série de outras coisas. Não é fácil.”

Atividades ilegais deixam para trás um rastro de degradação, que fragiliza a floresta

O roubo de madeira é um problema crônico no Pará, Estado recordista em conflitos e derrubadas florestais na Amazônia, que parece estar em recrudescimento, a exemplo do desmatamento, que voltou a crescer no bioma em 2013. Segundo o levantamento mais recente da ONG Imazon, 78% da exploração madeireira no Pará é ilegal – não autorizada pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente –, e houve um aumento de 151% na área impactada por essa atividade em 2012, em comparação com o ano anterior.

Segundo o pesquisador Beto Veríssimo, um dos autores do relatório, o volume de madeira produzido no Estado caiu pela metade nos últimos 15 anos, de 28 milhões de metros cúbicos/ano para algo em torno de 13 milhões. A queda, segundo ele, estaria relacionada principalmente a mudanças no mercado de construção, que passou a utilizar mais madeiras de origem plantada, tipo MDF, e materiais alternativos, como o alumínio. “O problema é que 13 milhões de metros cúbicos por ano ainda é um número muito alto, e tem muita atividade ilegal envolvida nisso, principalmente em regiões de floresta mais intacta e com muita madeira nobre”, avalia Veríssimo.

Esse volume de madeira, segundo ele, equivale a mais de 3 milhões de árvores cortadas – sem contar as outras 7 milhões que teriam sido danificadas ou mortas no processo de extração. “Não se tira uma árvore da floresta cirurgicamente, com uma pinça. Tem de derrubar, abrir estradas, abrir clareiras. O dano total é muito maior”, ressalta.

Apesar de todo esse estrago, diferentemente do desmatamento, que envolve a remoção completa da floresta (o chamado corte raso) e pode ser detectado do espaço com relativa facilidade, a exploração ilegal de madeira deixa cicatrizes relativamente pequenas na floresta, difíceis de serem detectadas em imagens de satélite, o que dificulta a fiscalização. O impacto ambiental que ela causa no ecossistema florestal, porém, é imenso. “Mesmo de helicóptero, às vezes você não percebe, mas quando você anda na mata fica claro que a floresta está muito machucada”, relata Veríssimo. Os buracos abertos no dossel permitem a penetração de luz e o vazamento de umidade do interior da floresta, deixando-a mais seca, mais “rala”, mais vulnerável ao fogo e, consequentemente, mais vulnerável ao homem. “Áreas com exploração madeireira são fortes candidatas a serem desmatadas no futuro”, afirma Veríssimo.

O que fica para trás depois que os madeireiros vão embora é uma floresta degradada, que pega fogo com frequência e leva muitos anos para se recompor, segundo o pesquisador Dalton Valeriano, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), responsável pelo monitoramento da Amazônia. “Temos fortes evidências de que o tempo de regeneração é de décadas”, diz. “O estrago é muito grande.”

A área total de floresta degradada na Amazônia, segundo ele, pode ser duas vezes maior do que a área desmatada. O Inpe só passou a produzir estatísticas anuais de degradação em 2007, por meio de um programa chamado Degrad, baseado nas mesmas imagens de satélite (Landsat) usadas para mapear o desmatamento, só que processadas de forma diferente, para identificar áreas de floresta danificadas por incêndios (que, quase sempre, são uma consequência da degradação causada pela exploração madeireira). “Floresta intacta não propaga fogo”, ressalta Valeriano.

Os dados disponíveis do Degrad mostram que a taxa anual de degradação caiu de 2007 para 2010, a exemplo do que ocorreu com o desmatamento, só que com áreas degradadas sempre maiores do que as desmatadas. As estatísticas de 2011 e 2012, segundo Valeriano, já estão prontas, mas sua divulgação não foi autorizada até agora pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA).


Dados anuais de degradação florestal disponíveis no site do Inpe. O pico de 2008, segundo Dalton Valeriano, deve-se mais a questões climáticas do ano anterior do que ao desmatamento (que também aumentou em 2008). Fonte: INPE

Rota da degradação. Uma das regiões mais afetadas é o oeste do Pará, ao longo da BR-163 (Cuiabá-Santarém), que está próxima de ser totalmente asfaltada. Para impedir que o asfalto abra caminho para o desmatamento, quase que todo o curso da rodovia foi “blindado” com unidades de conservação (UCs) ao longo dos últimos anos. Mas a especulação e a pressão sobre as florestas da região continuam fortes. “O estoque de madeira fora das UCs acabou e os madeireiros estão começando a entrar nas unidades”, diz Marcelo Salazar, do Programa Xingu/Terra do Meio do ISA. Só na Resex Riozinho do Anfrísio, que margeia a rodovia ao sul de Santarém, segundo ele, há 360 km de “ramais” (estradas clandestinas) mapeados pela organização.

Próximo dali, a área do Projeto de Assentamento Moju é cortada por mais de 1 mil km de estradas, segundo o pesquisador Antonio José Bentes, da ONG Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM). Criado em 1996, com cerca de 1.600 famílias assentadas em 1.360 km2, o assentamento é considerado modelo, por ter a maior parte de suas florestas ainda preservada e uma situação fundiária relativamente bem resolvida, mas as carências sociais e econômicas são grandes. A situação é bem parecida com a da Resex Gurupá-Melgaço, em que a demora na implementação de políticas e serviços públicos básicos deixa o assentados frustrados e vulneráveis. “Quem quer desmatar legalmente não consegue, e a clandestinidade vai tomando conta”, afirma Bentes. “O ilegal entra, tira e leva o que quiser, enquanto que o assentado fica de otário no processo, esperando a aprovação de um plano de manejo que não sai nunca.”

“Quem desmata ilegalmente não é o assentado, é o invasor. E a gente não pode denunciar, se não é ameaçado do morte”, diz Maria Eliene Santos da Silva, vice-presidente da Central de Associações dos Assentados do Estado do Pará (Caareapa), que congrega 27 associações do assentamento.

*O repórter viajou a convite das organizações ANDI e e CLUA


23 novembro 2013

Aquecimento global cabe em dois ônibus

O relatório do Climate Accountability Institute aponta que 90 companhias são responsáveis por 63% das emissões de gás carbônico e metano provocadas pelo homem.

Flávio Aguiar | Carta Maior

O relatório do Climate Accountability Institute, do Colorado, Estados Unidos, aponta que 90 companhias são responsáveis por dois terços (63%) das emissões de gás-carbônico e metano provocadas pelo homem, principais responsáveis pelo aumento dramático do aquecimento global nos últimos vinte e cinco anos.

São companhias privadas (50), indústrias operadas por estados nacionais (9) ou de propriedade destes (31), cujas operações se distribuem por 43 países. Delas, sete são produtoras de cimento. As outras trabalham com petróleo, gás ou carvão. 30% das emissões são de responsabilidade de 20 companhias.

A campeã da lista é a Chevron Texaco, responsável por 3,52% das emissões globais. A Exxon vem logo a seguir, com 3,22%. A terceira é a Saudi Aramco, da Arábia Saudita, 3,17%. Outras campeãs: BP britânica, 2,47%; a Gazprom russa, 2,22%; a Shell holandesa, 2,12%; a National Iran, do Irã, 2,01%. A Petrobrás também está lá, com modestos 0,41%, mas está, colocada em 16º. Lugar entre as estatais do mundo. O país que contribui mais, individualmente, para esta corrida auto-destrutiva é a China: 8,56%. A extinta União Soviética contribuía com 8,94%, mas ela não existe mais. Dentre os grandes emissores estão também países como México, Polônia e Venezuela.

Um dos autores do relatório, Richard Heede, do Instituto da Contabilidade Climática, declarou ao Guardian que há milhares de seres humanos envolvidos na produção destas companhias. Mas que se descermos ao nível dos responsáveis pelas grandes linhas das decisões [ou indecisões] a respeito, desde os grandes executivos aos ministros de governo envolvidos, “a sua quantidade daria para encher um ou dois ônibus da Greyhound” (a cia. de transporte interestadual rodoviário nos EUA).

O relatório pode apontar uma possibilidade de desbloqueio de alguns dos impasses que atravancam continuamente a discussão internacional desta pauta, como está acontecendo, mais uma vez, no encontro da ONU que se desenrolou (ou se enrolou) nesta semana em Varsóvia, na Polônia. Ao pontuar de modo mais preciso as responsabilidades, o relatório pode indentificar de modo mais visível os pontos fracos – ou fortes – para onde as pressões pela diminuição das emissões devem convergir.

Também pode precisar melhor aquelas que devem ser as fontes do financiamento desta diminuição, seja através da responsabilização direta ou da indireta, através, por exemplo, da cobrança de impostos. Uma das razões alegadas pelos países mais desenvolvidos e industrializados do mundo para negacearem diante da proposta de que contribuam mais para a diminuição, seja remanejando suas emissões, seja financiando países em desenvolvimento para que diminuam as suas, é a da crise financeira em que se encontram, que não possibilitaria o aumento de seus encargos públicos.
O mapa interativo do relatório pode ser conferido neste endereço.

Entrretanto, aponta o relatório, é possível avançar na nomeação dos responsáveis diretos, e portanto, de onde devem partir os recursos.



21 novembro 2013

Erupção vulcânica forma pequena ilha em arquipélago no Japão

Ilha fica no arquipélago de Ogasawara, mil quilômetros ao sul de Tóquio.
Segundo especialista, ilhota pode desaparecer por causa da erosão.


Do G1, em São Paulo

Uma erupção vulcânica formou uma nova ilhota na costa de Nishinoshima, uma pequena ilha desabitada no arquipélago de Ogasawara, ao sul de Tóquio, segundo afirmaram nesta quinta-feira (21) a Guarda Costeira japonesa e especialistas em terremotos ouvidos pela AP.

Segundo a Guarda Costeira e a Agência Meteorológica do Japão, a ilhota tem cerca de 200 metros de diâmetro e fica em um arquipélago de 30 ilhas, 1 mil quilômetros ao sul de Tóquio.

O conjunto de ilhas, junto com o restante do Japão, faz parte do chamado “Anel de Fogo” do Pacífico, uma área sismicamente ativa, onde ocorre um grande número de terremotos.

A Guarda Costeira chegou a emitir um alerta na quarta-feira (20) devido à fumaça expelida durante a erupção.

O especialista em formações vulcânicas Hiroshi Ito disse ao canal ‘FNN’ que a ilha pode desaparecer por causa da erosão. “Mas também é possível que seja permanente”, afirmou.

A última vez que o país registrou uma erupção na região foi na década de 1970. Grande parte da atividade vulcânica ocorre sob o mar.

O porta-voz do governo japonês saudou a notícia da existência de um novo território, embora pequeno. “Isso já aconteceu antes e, em alguns casos, as ilhas desapareceram”, disse Yoshihide Suga, quando questionado sobre como o governo iria nomear a nova ilhota.

“Se ela se tornar uma ilha plena, nós ficaremos feliz por ter mais esse território”, afirmou.




20 novembro 2013

Eólicas vendem 867 MW em leilão de energia elétrica

São 39 projetos com investimentos avaliados em R$ 3,4 bi. Eletrobras foi a grande vencedora

O Globo


Em leilão realizado ontem na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), foram contratados 867,6 megawatts (MW) de 39 projetos de energia eólica. Esta energia será entregue ao mercado consumidor a partir de 2016. Realizado em menos de 30 minutos, o leilão ofertou apenas energia eólica. A Eletrobras foi a principal vencedora.

Dos 39 projetos leiloados, 15 deles, que equivalem a 212,5 MW, foram de parques da Eletro-sul, subsidiária da Eletrobras. A empresa irá investir cerca de R$ 1 bilhão nos parques que serão construídos no Rio Grande do Sul. A Chesf, também do grupo Eletrobras, vendeu energia de 12 parques, no total de 338 MW, por meio de três consórcios com parceiros privados nos quais tinha participação societária de 49%.

Quatro projetos estão em Pernambuco, em parceria com a PEC Energia Ltda. Outros seis, no Piauí, são projetos de expansão em parceria com a ContourGlobal, Salus FIP e SPE Ventos de Santa Joana. Os outros dois parques eólicos, na Bahia, são também projetos de expansão em parceria com a Sequóia Capital.

A CEEE-GT, do govemo do Rio Grande do Sul, também vendeu energia de três parques, no total de 55 MW, que demandarão investimentos de R$ 265 milhões. No total, as usinas eólicas que venderam energia no leilão devem demandar investimentos de R$ 3,4 bilhões, segundo estimativas do governo. O preço médio de venda da energia foi de R$ 124,43 por megawatt-hora (MWh), um deságio de 1,25% frente ao preço máximo de R$ 126 por MWh. O preço mais baixo vendido no leilão foi de R$ 118 por MWh, de um parque na Bahia, da Casa dos Ventos com a Atlantic. Já o mais alto foi de R$ 126 por MWh, referente a três projetos no Rio Grande do Sul.


Mais poluída do que nunca

China é responsável por 70% do aumento das emissões globais de C02 desde 2011

Renato Grandelle | O Globo


Em meio às negociações emperradas da Conferência do Clima (COP-19), em Varsóvia, um estudo do Projeto Carbono Global (GCP), divulgado ontem, mostra que as emissões de gases-estufa geradas pela queima de combustíveis fósseis e a produção de cimento atingiram 35 bilhões de toneladas de CO2, um valor recorde.

Trata-se de um índice 58% maior do registrado em 1990. No ano passado, as emissões de C02 foram 2,2% maiores do que em 2011. Estima-se que, com o ritmo atual, a liberação de gases-estufa este ano será 2,1% maior do que em 2012. A China responde por 70% do aumento de emissões entre 2011 e 2012. Na potência asiática, a liberação de CO2 cresceu 5,9% no ano passado. 


— O país precisa mudar sua posição — condena Glen Peters, co-autor do novo relatório do GCP.

— É a nação que mais libera gases-estufa do mundo. Emite sete toneladas de CO2 por habitante, mais do que a União Europeia, e, seguindo o ritmo atual, passará os EUA até 2025. Apesar do investimento chinês na construção de hidrelétricas e outras fontes renováveis, 68% de sua energia ainda vêm do consumo de carvão.

A substância, segundo o relatório, foi responsável por 43% das emissões globais no ano passado, e pode demorar décadas até que seu uso seja reduzido. Aliada do Brasil, a China defende em Varsóvia a responsabilidade histórica de cada país nas emissões de CO2. Os países desenvolvidos rejeitam o debate. Para os EUA, a proposta negligencia a contribuição atual dos países em desenvolvimento na liberação de gases-estufa. Além da China, a Índia é uma das maiores poluidoras do mundo — suas emissões cresceram 7,7% entre 2011 e 2012.

— O plano da responsabilidade histórica depende de muitos aspectos — avalia Peters. — Precisaremos calcular quanto cada país emitiu. Mas a partir de que ano começaria esta conta? Além disso este projeto não baixaria suficientemente as emissões de C02. Para a coordenadora da Câmara de Clima do Conselho Empresarial Brasileiro de Desenvolvimento Sustentável, Raquel Souza, os países desenvolvidos recusam- se a calcular suas emissões porque, desta forma, perderiam espaço no mercado para as nações em desenvolvimento.

— Se as nações desenvolvidos assumem compromissos mais ambiciosos, isso implica, em um primeiro momento, custos mais elevados para a economia. Desta forma, elas perderiam competitividade para as nações em desenvolvimento — destaca. Alguns negociadores, reunidos na Polônia, acreditam que a COP-19 não trará avanços para a assinatura de um tratado em Paris, em 2015. O documento deve estabelecer um limite para a emissão de gases-estufa em cada país.

ACORDO ‘INEVITÁVEL’ NO FUTURO

O diretor do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), Osvaldo Stella, acredita que o acordo global é “inevitável, mas a longo prazo”. Mesmo daqui a dois anos, portanto, a comunidade internacional não chegará a um consenso. — o modelo de negociações é lento, e existe uma polarização considerável entre países desenvolvidos e em desenvolvimento — lembra.

— Mas as mudanças climáticas chegarão a um ponto em que uma reação será fundamental, quando os prejuízos econômicos aumentarem. Os últimos meses, segundo Stella, foram marcado pelo retrocesso no debate ambiental. Os EUA reduziram as emissões de C02 com a crescente adoção do gás de xisto, mas esta fonte energética pode levar à contaminação dos lençóis freáticos.

O Japão, por sua vez, alega que o fechamento de usinas nucleares e o acidente em Fukushima, em março de 2011, obrigaram-no a abandonar suas metas de redução de emissões. Entre 2011 e 2012, a liberação de C02 no país cresceu 6,9%. — EUA e Japão mostram como países-chave para a discussão climática estão se reacomodando — alerta o diretor do Ipam. — São cenários novos que agravam problemas antigos.

PAÍSES DEVEM ‘PENSAR NO VIZINHO’

Em vez de metas obrigatórias, as nações desenvolvidas estimulam a proposta de que cada país firme seus próprios limites de redução das emissões. O plano foi condenado pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que chegou ontem à conferência.

— Não podemos perder tempo — condenou, acrescentando uma recomendação aos governantes: — Planejem pensando não apenas em seu país, mas também em seus vizinhos. Além de Ban Ki-moon, ministros de diversos países aterrissaram em Varsóvia, em busca de um acordo que, nos próximos três dias, salve a conferência. Para os negociadores, um dos pontos que serão mais debatidos na reta final da COP-19 será o Fundo Verde.

Países em desenvolvimento cobram um financiamento para que consigam adaptar-se às mudanças climáticas. As nações desenvolvidas comprometeram-se a doar US$ 100 bilhões por ano até 2020 para isso. E uma quantidade irrisória, segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). O órgão estima que apenas a África precisaria de US$ 200 bilhões por ano até 2070 para resolver seus problemas de infraestrutura.

Perigo levanta voo

Índice de infestação de imóveis pelo ‘Aedes aegypti’ põe cidade em situação de alto risco

Laura Antunes
e Rodrigo Bertolucci | O Globo

Temperaturas elevadas aliadas a períodos de chuvas. A combinação dos dois fatores traz de volta o fantasma de um problema que costuma assustar os cariocas e causar sofrimento aos moradores da capital, em especial no verão: a dengue. E, desta vez, a situação pode ser ainda mais grave, diante da estação que se aproxima: o Rio, junto com outros dez municípios fluminenses, admite o governo do estado, já apresenta índice de infestação pelo Aedes aegypti acima de 4% (40 imóveis com foco do mosquito para cada mil domicílios), considerado de alto risco na avaliação do Ministério da Saúde.

De acordo com especialistas, é o momento de acender a luz amarela para que o verão que se aproxima não seja cenário de uma nova epidemia de dengue. A doença também se mostra preocupante país afora, tendo causado um total de 573 mortes este ano — um crescimento de 96% em comparação a 2012 (292), de acordo com levantamento divulgado ontem pelo Ministério da Saúde. Do total de 1.477.000 casos da doença em todo o país, 936.500 aconteceram no Sudeste, o que representa 63%.

Os dados da Secretaria estadual de Saúde apontam as 11 cidades (Rio de Janeiro, Angra dos Reis, Itaguaí, Japeri, Magé, São João de Menti, Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Macaé e São João da Barra) como “em situação de alto risco’ Os números fazem parte do mais recente Levantamento do Índice Rápido para o Aedes aegypti (LIRAa ), feito em 80 cidades do estado, entre os dias 13 e 19 de outubro. Esse índice mostra a infestação nos imóveis.

ESPECIALISTA QUER MAIS PREVENÇÃO

Para o especialista Edimilson Migowski, pediatra e infectologista, a situação é muito preocupante.

No entender do médico, há risco de ocorrer uma nova epidemia da doença na cidade. Para que o problema não aconteça, Migowski crê que seja o momento de fortalecer um novo trabalho de prevenção da dengue e conscientização da população. — É um trabalho a ser executado por várias secretarias.

Quanto maior o número de infestação, maior o risco de uma nova epidemia, claro. Isso porque o verão está chegando e, com ele, virão as chuvas. Mesmo as áreas com baixos índices de infestação devem ser observadas, porque isso pode ter acontecido apenas pelo fato de não ter chovido nessas regiões — explica ele. Enquanto o governo do estado divulga um boletim citando o Rio como área de alto risco, o levantamento do Ministério da Saúde cita a cidade apenas entre os 525 municípios em “estado de alerta”.

Outros 157 municípios são apontados como estando em situação de risco. No relatório, a União faz comparação com números coletados em 2010 e 2013. No caso do Estado do Rio, segundo a Secretaria estadual de Saúde, o número de notificações cresceu este ano (217.885) em relação a 2010 (26.800). O total de mortes, que em 2010 foi de 41, este ano já chega a 57. Os casos graves da doença caíram: de 2.437 (2010) para 1.207 (2013).

SÃO 26 CIDADES EM ESTADO DE ALERTA

Para Migowski, esses dados — o aumento das notificações — são sinais positivos. — Um aumento no número de notificações pode significar que melhorou o atendimento à população, com mais clínicas de saúde, Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e polos de atendimento a pacientes com dengue. As pessoas tiveram atendimento e, com isso, o número de mortes sofreu uma queda (percentualmente, em relação ao total de casos) — acrescenta ele.

O infectologista, no entanto, diz que ainda é preciso melhorar a prevenção, com ações que sejam contínuas. E também a conscientização das pessoas de que o mosquito é doméstico e, por isso, preciso combatê-lo em casa. — Esse mosquito não está na mata. Está dentro de casa. Devemos levar em consideração que o índice de infestação demonstra que o mosquito deve ter colocado muitos ovos nessas áreas, que, em breve, poderão ser atingidas pela chuva — lembra o especialista.

Os focos, de acordo com o levantamento da Secretaria estadual de Saúde, foram encontrados em bairros de 11 municípios. Além desse grupo de risco, o trabalho revela também que outras 26 cidades estão, neste momento, em estágio de alerta (com índice de infestação entre 1% e 3,9%). Dentro desse grupo, as maiores taxas foram registradas em Santo Antônio de Pádua (com 2,6% de infestação), Itaboraí (2,4%), Japeri (2,3%) e Itaguaí (2,1%).

Cerca de 70% das cidades do Rio, no entanto, têm infestação pelo Aedes aegypti abaixo de 1% — índice considerado satisfatório pelo Ministério da Saúde. Barris, pratos de plantas, garrafas e latas estão entre os criadouros mais comuns, presentes em mais de 60% dos imóveis infestados, como mostra o levantamento da secretaria. No estado, uma das ações de combate ao mosquito da dengue é o uso de carros fumacê, intensificado durante o verão.

Moradora de um apartamento com terraço na Tijuca, a dona de casa Maria José Marques se considera uma pessoa de sorte: nunca contraiu dengue, apesar de o bairro já ter registrado no passado centenas de casos da doença. Mas ela não atribui isso, na verdade, apenas à sorte. A moradora afirma que jamais esquece os cuidados básicos para evitar a existência de ovos do Aedes aegypti em seu imóvel. — Acho que todos devem fazer a sua parte nessa luta.

Não deixo acumular água nos pratos dos vasos de plantas, nem deixo água empoçada em ralos ou outros recipientes — ensina a moradora da Tijuca. Apesar de os dados do governo do estado revelarem que 11 cidades estão em situação de risco, para o superintendente de Vigilância Epidemiológica e Ambiental da própria secretaria, Alexandre Chieppe, os números não são motivo de alarme ainda: — Os dados do LIRAa são apenas mais um componente para apontar maior ou menor risco de transmissão da dengue.

Temos que considerar outras variáveis, como, por exemplo, tipos de vírus circulantes na localidade e padrão de imunidade da população. Só índices de infestação não são capazes de dizer se vai acontecer uma alta transmissão ou não — afirma ele, destacando que o LIRAa é importante para alertar a população que é preciso intensificar as ações de controle da dengue, principalmente nas áreas com altos índices de infestação.



19 novembro 2013

País tem 682 cidades em situação de risco ou alerta para epidemia de dengue

Do UOL, em São Paulo

O Ministério da Saúde informou na manhã desta terça-feira (19), em Brasília, que 157 municípios brasileiros estão em situação de risco de sofrer uma epidemia de dengue neste verão, enquanto outros 525 se encontram em situação de alerta. Os dados são do Levantamento Rápido de Índice para Aedes aegypti (Liraa), que mediu o índice de infestação pelo mosquito em 1.315 cidades entre 1º outubro e 8 de novembro.

As cidades em situação de risco ou alerta representam 52% das que participaram do levantamento. A região Nordeste é a que concentra a maior parte dos municípios em situação de risco.

Segundo Jarbas Barbosa, secretário de vigilância em Saúde do ministério, foram encontradas larvas do mosquito em duas a cada 100 casas pesquisadas para o levantamento. A maioria em depósitos domiciliares: água parada em pratos de plantas, caixas de água abertas, por exemplo.

O levantamento também revelou que três capitais estão em situação de risco: Cuiabá, Rio Branco e Porto Velho. Outras 11 – Boa Vista, Manaus, Palmas, Salvador, Fortaleza, São Luís, Aracaju, Goiânia, Campo Grande; Rio de Janeiro e Vitória - apresentaram situação de alerta e seis estão com índices satisfatórios (Macapá; João Pessoa; Teresina; Belo Horizonte; Curitiba e Porto Alegre). Sete capitais - Belém, Maceió, Recife, Natal, São Paulo e Florianópolis - ainda não apresentaram ao Ministério da Saúde os resultados do Liraa.

Casos triplicam

Em 2013, foram notificados 1.476.917 casos suspeitos de dengue. O número é quase três vezes maior que o do mesmo período do ano passado, quando foram registrados 537 mil casos. A Região Sudeste teve o maior número de casos de dengue, sendo responsável por 63,4% deles. Em seguida aparece o Centro-Oeste, com 18,4%.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, creditou o aumento do número de casos a dois fatores: as transições nos governos municipais e a proliferação do vírus tipo 4 da dengue, que aumenta a quantidade de indivíduos suscetíveis. Esse sorotipo afetou bastante a Região Sudeste - em especial Minas Gerais e Rio de Janeiro - além de Goiás, segundo o ministro.

Apesar do aumento, o governo reforçou o fato de que houve diminuição de mortes e casos graves pela doença. "O número de internações teve redução de 30% em relação a 2010", afirmou Barbosa. "Com melhoria de assistência, país conseguiu evitar 394 mortes por dengue este ano", informou. Algo que tem a ver muito mais com o preparo de médicos na identificação precoce da doença do que com o combate ao mosquito.

Segundo o ministério, o Brasil apresenta um dos menores índices de mortalidade por dengue nas Américas: 0,03 mortes para cada 100 notificações, metade da taxa registrada na Colômbia, por exemplo.

Mais Médicos

Padilha afirmou que está confiante no papel que os profissionais inscritos no Mais Médicos devem exercer na identificação precoce e redução de casos graves e mortes pela doença no ano que vem. "Mais de 80% dos médicos que vieram de fora têm vasta experiência no combate à dengue", disse, citando o exemplo de Cuba, que teria apresentado um dos menores índices de letalidade ao enfrentar epidemia.

Na próxima quinta-feira (21), equipes do Ministério da Saúde farão uma videoconferência para os médicos do programa focada na identificação e tratamento da dengue.

Campanha

Além de divulgar os resultados do Liraa, o Ministério da Saúde lançou hoje a campanha de mobilização nacional contra a doença, que conta com o ex-capitão da Seleção Brasileira Cafu como garoto-propaganda. O mote é "Não dê tempo para a dengue".

"Como a campanha mesmo diz, bastam 15 minutinhos, um intervalo de jogo, para fazer nossa parte e combater a dengue", declarou Cafu na coletiva de imprensa.

A ideia é aproveitar o envolvimento do brasileiro com o futebol e a Copa do Mundo e usar esse espírito para conscientizar a população sobre a prevenção do Aedes aegypti. "Hoje estamos iniciando o campeonato contra a dengue", comparou. Padilha elogiou a atuação de capitão de Cafu e fez uma analogia ao combate à doença: "São lideranças que precisamos em cada município, em cada bairro".

O ministro ainda anunciou destinará mais de R$ 363 milhões para ações de vigilância, prevenção e controle da doença. No ano passado, foram transferidos R$ 173,3 milhões. Em contrapartida, os municípios precisam cumprir metas como assegurar a quantidade adequada de agentes de controle de endemias, garantir a cobertura das visitas domiciliares pelos agentes e realizar o Liraa.

Os recursos vão incrementar os investimentos realizados nas ações de vigilância em saúde, que somam R$ 1,2 bilhão.


18 novembro 2013

Alga mostra nível de gelo no Ártico em 650 anos; há queda desde 1850

Do UOL, em São Paulo

A análise das folhas de um certo tipo de alga existente no oceano Ártico permite obter um histórico de 650 anos da presença de uma cobertura de gelo que se estende sobre a região — uma análise nunca antes possibilitada por sistemas desenvolvidos pelo homem, que só conseguem abranger um período menor de tempo, de poucas décadas.

A descoberta foi feita por pesquisadores da Universidade de Toronto, no Canadá, que apontam que a espécie Clathromorphum compactum teria a capacidade de "documentar" os níveis de gelo existente sobre o mar polar do hemisfério Norte da mesma forma que árvores armazenam dados referentes a chuvas nos anéis internos de seus troncos.

A novidade é destacada pelo periódico científico Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) nesta segunda-feira (18).

Para os autores do estudo, liderado pelo pesquisador Jochen Halfar, a descoberta permite afirmar que entre a metade do século 16 e a metade do século 19, a presença de gelo sobre o Oceano Ártico teve níveis variados mas, em geral, estáveis.

Desde 1850, entretanto, essa cobertura glacial vem exibindo sucessivos e constantes declínios, alertam os cientistas no estudo.

Essa observação deve ajudar no entendimento das mudanças climáticas ocorridas no mundo nos últimos seis séculos e meio e permitir melhores previsões de variação climática a ser vista no planeta.


Camadas de calcita

A Clathromorphum compactum desenvolve sucessivas camadas do mineral calcita a cada ano conforme a luz recebida do sol. Sua fotossíntese, no entanto, perde intensidade e é pausada quando a cobertura de gelo sobre o mar ganha grande extensão, bloqueando os raios do sol, que deixam de chegar às profundidades dos mares.

Dados sobre a temperatura das águas também podem ser obtidos pela análise das folhas da alga, devido à proporção de magnésio e cálcio presentes nelas.


16 novembro 2013

Em oito anos, Rio tem o menor índice de infestação do mosquito da dengue

Mesmo com o bom resultado, região de Madureira apresenta alto risco da doença

Rodrigo Bertolucci - O Globo


RIO — Apesar do Levantamento de Índice Rápido do Aedes aegypti (LIRAa) de 2013, divulgado essa semana pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS), revelar que o Rio tem o menor índice de infestação do mosquito da dengue desde 2005 - balanço inédito e histórico para a cidade -, duas regiões do Rio apresentam alto risco de dengue: Oswaldo Cruz e Colégio. Esses bairros estão com índices de infestação pelo mosquito da dengue bem acima do nível considerado seguro pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que é de 1%, ou seja, dez imóveis a cada mil com larvas do Aedes aegypti, mosquito que transmite a dengue.

Segundo o balanço, Oswaldo Cruz tem um índice de 4,5, sendo que, a cada mil imóveis visitados, 45 apresentaram focos. Já Colégio tem 40 imóveis com focos para cada mil visitados.

Os dados, coletados no período de 13 a 19 de outubro por agentes da vigilância sanitária, fazem parte do LIRAa, que revela também que, em oito anos, o Rio tem o menor índice de infestação do mosquito da dengue. Segundo a pesquisa, o número é 31% menor do que o identificado no mesmo período do ano passado e 85% menor do que em 2005.

O levantamento mostra a média de 1,1% de infestação na cidade, o que significa que a cada mil imóveis vistoriados, 11 foram encontrados criadouros do mosquito transmissor da doença. Esse é o terceiro e último LIRAa.

A pesquisa revela também que, entre as regiões da cidade, a Zona Sul registrou o menor índice de infestação: 0,4%. Porém, Madureira e adjacências, que engloba Oswaldo Cruz e Colégio, é a que tem o maior índice de infestação na cidade: 1,8% dos imóveis vistoriados.

Segundo a secretaria municipal de Saúde, desde o início do ano, mais de 6,8 milhões de visitas de inspeção a imóveis foram realizadas e mais de 1 milhão de criadouros foram eliminados. Ao todo, 3,1 milhões de depósitos foram tratados e 32 entradas compulsórias em imóveis abandonados foram feitas este ano. Um total de 292 desde 2011, quando foi publicado o decreto nº 34.377, autorizando o ingresso de agentes de saúde em locais fechados.

Além das visitas de inspeção feitas pelos agentes de vigilância em saúde, as atividades de controle vetorial são desenvolvidas periodicamente em 440 pontos estratégicos (cemitérios, estádios, ferros velhos). Foram vistoriados, para a última edição do levantamento, cerca de 121 mil imóveis em todo o Rio.

O coordenador de Vigilância Ambiental em Saúde da SMS, Marcus Ferreira, está otimista com os resultados.- Isso eleva a segurança do Rio. É uma conquista para os cariocas, pois registramos o menor índice depois que criaram o LIRAa, em oito anos - diz Ferreira.


Mundo perdeu 2,3 milhões de Km² de florestas em 12 anos

Área verde derrubada equivale ao tamanho da Argentina

Renato Grandelle - O Globo


RIO - O planeta perdeu 2,3 milhões de km² de área verde original entre 2000 e 2012, algo equivalente ao tamanho da Argentina, segundo estudo publicado na “Science”. O trabalho mostrou também que, ao longo do mesmo período, 800 mil km² foram replantados. A preservação de florestas é um exemplo de como a comunidade internacional, reunida na Conferência do Clima (COP-19), em Varsóvia, pode controlar as emissões de gases-estufa.

O estudo exalta o Brasil por ter reduzido pela metade as taxas de desmatamento da Amazônia entre 2000 e 2012. O desmatamento brasileiro caiu de 40 mil km² para 20 mil km² anuais em 12 anos. Ontem à tarde, no entanto, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgou que o desflorestamento amazônico foi maior que o previsto. Estimava-se que, entre agosto de 2012 e julho deste ano, a supressão de área verde aumentaria 20% em relação ao período anterior. O desmatamento, porém, aumentou 28%. É a primeira vez que este índice cresce desde 2008.

Diretora de relações institucionais da ONG Conservação Internacional, Patrícia Baião avalia que as bordas da floresta ainda são frágeis, mas que houve um progresso significativo no monitoramento do bioma nas últimas décadas.

— Somos um exemplo para o mundo, mas a taxa divulgada pelo Inpe mostra que ainda temos muito trabalho pela frente — destaca Patrícia Baião. — Falta investir na implementação das áreas protegidas e fortalecer a gestão ambiental, inclusive nos estados e nos municípios.

Ameaças em regiões tropicais

Segundo o estudo da Universidade de Maryland (UMD, na sigla em inglês), a Indonésia foi o país que mais aumentou o desmatamento entre 2000 e 2012 — em cerca de mil km² anuais, saindo de menos de 10 mil km² de florestas derrubados por ano entre 2000 e 2003 para mais de 20 mil km² anuais em 2011 e 2012. A perda de áreas verdes também foi proporcionalmente alta em outras nações em desenvolvimento, como Costa do Marfim, Malásia, Paraguai, Zâmbia e Angola.

— As perdas ou os ganhos da cobertura florestal estão relacionados a diversos aspectos do ecossistema, como a regulação do clima, a biodiversidade e o abastecimento de água — lembra Matthew Hansen, autor do estudo e professor de Ciências Geográficas da UMD. — Mas, até agora, não havia um modo de obter por satélite informações detalhadas de todo o planeta.

Hansen lembra que a preservação das áreas verdes é importante para que os pesquisadores avaliem o estoque de carbono absorvido pelas florestas — e que, desta forma, impediria a elevação da temperatura global. Também é possível observar ameaças à biodiversidade.

As florestas tropicais exibiram os maiores índices de aumento devastação. Foram 2,1 mil km² de cobertura vegetal a mais perdida a cada ano.

O monitoramento foi feito com base em informações capturadas pelo programa Satélite de Observação dos Recursos da Terra (Eros) entre 1999 e 2012 e a colaboração de cientistas do Google Earth Engines. O modelo implementado pela equipe permitiu o processamento de 650 mil dados geoespaciais em poucos dias. Até então, a análise de todas as imagens consideradas pelo estudo poderia durar até 15 anos.

Fundo Verde ainda no papel

O combate ao desmatamento é um ponto sensível na agenda de encontros internacionais.

Na Conferência do Clima de Copenhague, em 2009, os países desenvolvidos se comprometeram a repassar US$ 100 bilhões para que as nações em desenvolvimento criassem programas de adaptação às mudanças climáticas. O Fundo Verde do Clima, como foi chamado, seria a principal fonte de capital para garantir a preservação das florestas. Até julho, porém, o programa havia captado apenas US$ 9 milhões, depositados principalmente por Coreia do Sul, Alemanha, Reino Unido e Suécia.


Brasil cria tecnologia para aumentar produção de guaraná sem desmatar mais

Carlos A. Moreno | EFE - Duas variedades de guaraná que o Brasil desenvolveu com técnicas de melhoramento genético permitirão ao país elevar em 40% a produção da planta amazônica, desejada por suas propriedades estimulantes e rica em cafeína, cuja atual produção é 12 vezes inferior à demanda. Trata-se da BRS Sateré e da BRS Marabitana, desenvolvidas por pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) sem manipulação genética. 

As novidades, que foram lançadas nesta semana ao mercado, tem produtividade eis vezes superior a das sementes atualmente usadas na Amazônia. 

"A expectativa é que o uso dos novos materiais permita elevar em até 40% a produção de guaraná nos estados da Amazônia sem necessidade de desmatar mais a floresta", disse à Agência Efe André Atroch, pesquisador da Embrapa e um dos responsáveis pelas recém-desenvolvidas tecnologias agrícolas. 

As novas variedades foram desenvolvidas especificamente para permitir que os estados amazônicos brasileiros possam satisfazer a crescente procura nacional e internacional pelo fruto desta planta. Ele é utilizado na maioria das vezes como componente de bebidas gasosas e estimulantes, mas também faz parte da indústria cosmética e farmacêutica. 

O guaraná ("Paullinia cupana") é uma planta trepadeira original da Amazônia, que existe principalmente no Brasil, mas seu cultivo se estendeu a países como Paraguai, Peru, Colômbia e Venezuela. É rico em vitaminas e substâncias estimulantes, como cafeína, teofilina e guaranina. E serve de fonte para produtos energéticos e suplementos dietéticos que são oferecidos na forma de xarope, pó e barra de cereal, também podendo ser usados para diminuir o cansaço e a fome. E existe em componentes para prevenir ataques do coração e o envelhecimento. 

No Brasil, único país que exporta o produto, os refrigerantes à base de guaraná competem com os à base de cola. Isto e a grande demanda internacional, calculada em 60 mil toneladas por ano, geraram um grande interesse em aumentar a produção brasileira, que atualmente só chega a cinco mil toneladas. 

"Pela falta do produto algumas fábricas usam aromatizantes e extratos com sabor de guaraná. A demanda nunca chegou a ser atendida e por isso o preço tem alcançado recordes de R$ 20 o quilo de semente e até de R$ 60 o pó. Trata-se de um cultivo de alta rentabilidade", afirma o pesquisador da Embrapa. 

O consumo de refrigerantes com sabor de guaraná no Brasil cresce anualmente em média 3% e chega a três bilhões de litros por ano. "A quantidade mínima de extrato de guaraná por litro de refrigerante deveria ser de 0,02 gramas, mas as estatísticas mostram que a atual produção não alcança isso", assegura André Atroch. 

Outra vantagem das novas variedades é serem de elevada produtividade, inclusive em áreas degradadas da Amazônia. "Isso permite aproveitar terrenos hoje abandonados e reduzir o desmatamento", afirmou Atroch. 

A Embrapa considera que o aumento da produtividade permitirá que o estado do Amazonas recupere seu status de maior produtor brasileiro de guaraná. Atualmente, esse título pertence à Bahia, onde a planta foi introduzida com técnicas comerciais e livre de pragas. O estado nordestino produz hoje 2.400 toneladas de guaraná ao ano, quase três vezes as 820 toneladas do Amazonas. 

Além de elevar a produtividade do guaraná até um quilo e meio por planta ou 600 quilos por hectare, cinco vezes os atuais registros, as novas sementes permitem aumentar a densidade do cultivo em até 625 plantas por hectare. "Isso garante uma elevação da produtividade de até 600%", comemora Atroch. 

Outra característica das novas variedades é sua resistência à antracnose, uma doença causada por um fungo que dizimou a produção de guaraná na Amazônia, e a outras pragas. A Embrapa calcula que esse aumento se limitará a 40%. A explicação da estatal é que os pesquisadores recomendam diversificar geneticamente, ou seja, usar diferentes variedades para impedir que a doença se torne resistente e mate todo o cultivo.

Belo Monte foi tema de debate no Parlamento Europeu

Eurodeputados pressionam empresas europeias por impactos de Belo Monte

Empresas europeias envolvidas no projeto, como Andritz, Alstom e Voith, devem reconhecer sua responsabilidade e pressionar o consórcio construtor a cumprir as regras


Deutsch Welle


A polêmica sobre a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte chegou até o Parlamento Europeu. Deputados do Partido Verde Europeu querem que as empresas europeias envolvidas na construção da obra também assumam a responsabilidade sobre os impactos causados e sobre o cumprimento das condicionantes estabelecidas para a realização do projeto.

Nesta quinta-feira (14/11), uma conferência organizada pela bancada verde em Bruxelas debateu a construção de Belo Monte. Segundo a eurodeputada austríaca Ulrike Lunacek, vice-presidente da bancada, o objetivo é informar a opinião pública europeia sobre o tema e fazer com que as empresas envolvidas na obra, como a austríaca Andritz, a francesa Alstom e a alemã Voith, associadas à Siemens na entrega das turbinas, reconheçam responsabilidades e pressionem a Norte Energia, consórcio responsável pela obra.

"Essas empresas podem exigir que a Norte Energia ao menos cumpra as condicionantes. Isso também é responsabilidade delas", afirmou Lunacek em entrevista à DW Brasil. A ideia da conferência surgiu após uma viagem ao Brasil feita por uma comissão do Partido Verde Europeu, para avaliar a situação atual da obra. "Voltamos preocupados. Faltam informações, há o desrespeito às condicionantes e mesmo assim as obras continuam", disse Lunacek.

Mas, segundo a embaixadora do Brasil na União Europeia, Vera Machado, o projeto atende as condicionantes sociais e ambientais, além de ser prioritário para o país. "Gostaríamos que o projeto continuasse sem problemas e que a comunidade internacional apreciasse que nós tivemos os cuidados necessários, utilizando toda a metodologia disponível", afirmou.

Debates sociais, ambientais e legais

Representantes do governo brasileiro, da Norte Energia, do Ministério Público Federal do Pará e de movimentos sociais, além de especialistas em meio ambiente e energia participaram do debate no Parlamento Europeu. Em três blocos foram discutidos temas relacionados aos impactos ambientais e sociais da obra, além de questões legais que envolvem o projeto.

Um dos pontos debatidos foi a eficiência de Belo Monte. O especialista em energia Francisco del Moral Hernández, da USP, lembrou que, na maior parte dos meses, a capacidade de geração de energia da usina ficará bem abaixo do divulgado.

Outra questão muito discutida foi o impacto social. Representantes de movimentos sociais e do Ministério Público afirmam que as comunidades atingidas não foram devidamente consultadas e informadas sobre os impactos da obra. Mais de 20 ações judiciais estão sendo movidas pelo MP contra Belo Monte. "Em todas as etapas de licenciamento houve ilegalidades", afirmou o procurador do Ministério Público do Pará, Felício Pontes.

O representante da Norte Energia, João dos Reis Pimentel, rebateu as acusações e afirmou que as condicionantes estão sendo atendidas. Ele reforçou que estudos já mostraram que o investimento é viável e que as obras estão trazendo melhorias, como saneamento básico para a região, além de gerar empregos.

O projeto também foi defendido por Maurício Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energética, ligada ao Ministério de Minas e Energia. Ele afirmou que o projeto foi reformulado para diminuir os impactos ambientais e sociais que seriam causados pelo plano original, da década de 1970, e que ele trará benefícios para a população local e também para as comunidades removidas.


15 novembro 2013

Iceberg do tamanho da Ilha da Madeira à deriva


EuroNews

É um iceberg gigante, do tamanho da Ilha da Madeira, que se desprendeu de um glaciar da Antártida e se encontra à deriva. O desafio agora é perceber para onde vai.

A ilha de gelo vai entrar na corrente marítima e pode chegar a zonas de rotas marítimas frequentes. De acordo com um investigador da Universidade britânica de Sheffield, o iceberg dirige-se para a passagem de Drake, ou seja, entre a ponta mais a sul do continente sul-americano e a Antártida.

A descoberta do iceberg aconteceu em Outubro de 2011, quando cientistas se depararam com uma longa fenda no glaciar Pine Island.