14 julho 2012

Criadora de insetos quer certificá-los para dieta humana

TATIANA FREITAS
DE SÃO PAULO - FOLHA DE SP

Talvez você resista, mas o seu neto ainda vai adicionar insetos à dieta alimentar.

A maior demanda por proteína animal fará com que eles entrem no cardápio de grande parte da população mundial em 2050, prevê a Organização da ONU para Agricultura e Alimentação (FAO).

Uma empresa brasileira já se prepara para os novos tempos. A Nutrinsecta, produtora de grilos, besouros, baratas e moscas, aguarda certificação do Ministério da Agricultura para que seus insetos, hoje usados na alimentação animal, possam ser consumidos por humanos.

O fundador e sócio da Nutrinsecta, Luiz Otávio Pôssas, admite que a barreira cultural é grande, mas não é impossível de ser superada. "Virá com o tempo", afirma.

"Quando eu era jovem, todos achavam um absurdo o hábito japonês de comer peixe cru. Esse preconceito não existe mais", diz o empresário, que criou a cerveja Kaiser e a água de coco Kero Coco. 

 
Insetos para alimentação humana

A certificação abrirá um novo nicho de mercado para os insetos, mas, segundo Pôssas, o foco da companhia deve continuar sendo complementos para ração animal.

No entanto, a Nutrinsecta já está montando um quiosque para degustação na fábrica de insetos, em Betim (MG). A empresa contratou um chef de Santa Catarina especialmente para desenvolver pratos como grilo coberto de chocolate --"parece um Bis"--, insetos à milanesa, ou misturados ao macarrão, como um yakisoba.

"As crianças que visitam o nosso projeto sempre pedem para experimentar", diz Gilberto Schickler, sócio da Nutrinsecta e zootecnista.

"Não tenho a intenção de estimular ninguém a consumir insetos. Mas quem quiser comer poderá", diz Pôssas.

EXPORTAÇÃO

Schrickler diz que não será necessário mudar o cardápio do brasileiro para vender insetos a humanos. Ele vê potencial para exportação.

Segundo Pôssas, em mais de cem países os insetos já fazem parte da dieta alimentar. A China é um exemplo.

Os preços, no entanto, ainda estão longe de serem competitivos. A Nutrinsecta vende um quilo de insetos por cerca de R$ 200, em média. "Com escala de produção, esse valor pode cair drasticamente", diz o zootecnista.

O quilo da picanha, corte nobre bovino, é vendido entre R$ 40 e R$ 50 no varejo de São Paulo, em média.

NA RAÇÃO

O interesse de Pôssas pelos insetos começou por causa de sua criação de aves.

Buscando melhorar a alimentação das espécies, financiou uma pesquisa na Universidade Federal de Minas Gerais, que lhe apresentou a proteína de insetos.

De fácil digestão, ela é mais adequada à alimentação das aves criadas em cativeiro e rendeu bons resultados.

Hoje, a Nutrinsecta produz duas toneladas por mês de insetos, vendidos vivos ou desidratados para a empresa irmã MegaZoo, que faz a ração.

A maior parte é processada até virar uma farinha de proteína consumida por aves, peixes, répteis e primatas.

E, se a barreira para levar o inseto à boca é grande, esse farelo de insetos pode ser a saída para a introduzi-los à dieta. O consumo do inseto inteiro será possível, mas a maior demanda será para esse suplemento alimentar em forma de farelo.

Em congresso realizado no início deste ano, a farinha de proteína de insetos foi apontada pela FAO como eficiente no combate à desnutrição.

09 julho 2012

Calor de até 44ºC ameaça plantações de milho em diversos Estados norte-americanos

The New York Times

Monica Davey
Em Hartford City (EUA)

Em grande parte das fazendas do centro-oeste norte-americano, as altas temperaturas aliadas à falta de chuva estão ameaçando o que deveria ser a maior colheita de milho do país em gerações.


Alguns agricultores em Illinois e Missouri já desistiram dos campos ressecados e atrofiados, e os reviraram. Especialistas dizem que partes de cinco Estados que plantam milho, inclusive Indiana, Kentucky e Ohio, estão apresentando condições de seca severa ou extrema. E ao menos em nove Estados quase a metade dos campos de milho foram considerados fracos ou muito fracos na última semana, segundo autoridades federais, em uma mudança notável das altas expectativas de um mês atrás.

Agentes de segurança da safra e economistas especializados em agricultura estão acompanhando a situação de perto. Alguns fazem comparações com a seca devastadora de 1988, quando os campos de milho encolheram significativamente. Alguns produtores, infelizes, começaram a fazer alusões ao "dust bowl", ou a tempestade de areia dos anos 30. Muito mais estará em jogo nos próximos dias: com a fase breve e delicada de polinização iminente em muitos Estados, quilômetros e quilômetros de milho vão prosperar ou morrer, dependendo das condições de precipitação e temperatura.

"Tudo mudou rapidamente, do ideal para o trágico", disse Don Duvall, produtor de Illinois que já viu dois de seus campos de milho secarem e perecerem enquanto outros ainda estão em um ponto incerto, após um mês de junho quase sem chuva.

"A cada dia que passa, mais milho é abandonado", diz Duvall. "Mesmo que comece a chover agora, não teremos a colheita incrível que todos falavam".

Para os produtores, especialmente os que não têm seguro, a pressão cresce toda manhã, quando veem as previsões, e a cada caminhada sufocante pelos campos torrando sob o sol. As preocupações se espalharam rapidamente: o preço do milho subiu no Conselho de Comércio de Chicago nos últimos dias por causa da probabilidade de uma colheita menor, e os analistas estão avaliando a perspectiva de pressão sobre os preços de alimentos e da produção de etanol.

"Você acorda toda manhã com aquele aperto no estômago", disse Eric Aulbach, agricultor no centro de Indiana, olhando pelos campos de milho que não deveria estar mais conseguindo ver nesta altura.

As plantas estão baixas, as folhas murchas, com uma cor pálida amarela saindo do caule. Na mesma estrada, o milharal de outro produtor está ainda mais atrofiado.

Alguns especialistas estão menos pessimistas, dizendo que só se saberá o destino final do milho do país, o maior produtor do mundo, no final do verão, após a polinização, quando vai ser possível ver se há espigas e se são suficientes. Eles observam que as condições climáticas quentes e secas não atingiram alguns Estados importantes para o milho, como Minnesota, Dakota do Norte, do Sul e a região Oeste de Iowa, o maior produtor de milho do país.

Nesses Estados, a safra parece saudável e forte – sem mencionar que é cada vez mais valiosa. Em grande parte do país, o milho não é protegido pela irrigação, mas Nebraska e Kansas, especialmente, irrigam seus milharais. Mesmo assim, essas áreas também sentiram os efeitos da seca, exigindo mais água, o que potencialmente aumenta os custos.

"A questão do preço é sempre móvel", diz Darrel L. Good, professor emérito de economia agrícola e do consumidor na Universidade de Illinois em Urbana-Champaign. "Mas o que sabemos é: já houve uma redução permanente e substantiva e, dependendo do tempo, podemos ver redução muito maior". O departamento de Agricultura informou em sua avaliação mais recente, divulgada nesta semana, que 48% do milho no país estava em boas ou excelentes condições, o que representou uma queda em relação à semana anterior, com 56%.

Em alguns Estados, porém, as circunstâncias são piores. Em Indiana, metade dos campos foi considerada fraca ou muito fraca e em Illinois, outro Estado entre os principais produtores, somente 26% do milho foi considerado bom ou excelente.

John Hawkins, porta-voz do Escritório Agrícola de Illinois, disse que o plantio mais ao Sul do Estado "está próximo do ponto sem volta", enquanto em outras partes do Estado, "há muitas preces, pois a safra está por um fio. Essa temperatura acima de 37ºC está tirando a vida de tudo".

Os produtores norte-americanos tinham altas expectativas para o milho deste ano, e plantaram 96,4 milhões de acres -5% a mais do que no ano anterior. A alta do preço e a expectativa de fortes lucros tornaram o plantio deste ano o maior em 75 anos. Os tempos no campo têm sido difíceis, com os preços das terras subindo, enquanto a recuperação foi mais lenta em outros setores. Um março anormalmente quente no Centro-oeste aumentou ainda mais as esperanças para a safra, permitindo que os produtores plantassem o milho semanas antes que de costume. Para alguns cultivos, inclusive cerejas em Michigan e maçãs em Indiana, as geadas inesperadas em abril causaram danos, mas o milho, disse Randy Anderson, agricultor no sul de Illinois, progrediu muito bem.

Aí, choveu muito pouco, e as temperaturas pularam. Na semana passada, nos campos de milho foram quebrados recordes de calor: no condado de Jefferson, Missouri, por exemplo, 44ºC; Evansville, Indiana, 42ºC. Isso deixou o milho, inclusive o de Anderson, murcho.

"Estamos falando de pés de milho de 1,5 metros sem espigas, sem brotos e pendões", disse ele. "Dá uma dor só de olhar".

Para grande parte da região, as próximas semanas –quando os pendões das plantas soltam o pólen para a fertilização- são cruciais. Os infinitos campos de soja também estão em risco em parte do centro-oeste, apesar de parecerem mais resistentes e capazes de polinizar mais tarde.

Já a planta do milho, se estiver estressada e murcha pode nem polinizar. "É uma janela muito estreita para o milho, com pouco espaço para erro", disse Brad Rippey, meteorologista agrícola do Departamento de Agricultura. "O que acontece nesse espaço de tempo é determinante –a espiga acontece ou não".

Na tarde da última quarta-feira (4), as temperaturas estavam em torno dos 37ºC em St. Louis e Indianapolis. Algumas previsões de tempo sugeriam alívio na forma de temperaturas mais baixas em parte do centro-oeste nesta semana, com alguma chuva, mas não o dilúvio que muitos dizem precisar.

"Só o que podemos fazer é torcer e esperar", disse Aulbach, pegando um punhado de terra e tentando dar forma com os dedos, mas vendo-a escorrer como pó. 


Tradutora: Deborah Weinberg

RS registra 18 mortes por gripe A (H1N1); vítima mais recente é de Porto Alegre

Lucas Azevedo
Do UOL, em Porto Alegre

A Secretaria de Saúde de Porto Alegre confirmou, nesta segunda-feira (9), a terceira morte do ano na cidade devido à gripe A (H1N1). Ao todo, a capital registra 16 casos da doença desde janeiro. Em todo Estado, já são 18 mortes e 103 ocorrências apenas este ano. Em 2009, o H1N1 vitimou 297 pessoas em todo RS.

A vítima mais recente é uma mulher de 59 anos, morta no último sábado (7). Internada desde o dia 22 de junho, ela não havia tomado a vacina e sofria de doença crônica.

Nesta segunda-feira, Santa Rosa (a 495 quilômetros de Porto Alegre) também confirmou uma morte devido à gripe A. Trata-se de um homem de 46 anos, da cidade de Alecrim, que morreu na noite desse domingo na UTI do Hospital Vida e Saúde.

A vacinação permanece. Postos de saúde de Porto Alegre e das regiões com maior circulação do vírus, como Santo Ângelo, Ijuí e Cruz Alta (ambos no centro norte gaúcho) estão recebendo do Ministério da Saúde mais lotes da vacina contra o H1N1. O período de vacinação deve prosseguir até o esgotamento das doses.

O RS conta com 2,7 milhões de vacinas, o que deve ser destinado especialmente ao grupo de risco, formado por doentes crônicos, crianças entre seis meses e dois anos, idosos, gestantes, indígenas e trabalhadores em saúde.

Nesta segunda-feira, o secretário da Saúde do RS, Ciro Simoni, afirmou que não há risco de epidemia da doença no Estado, e que o auge do período de infecção da gripe A deve ir até dia 20 de julho.

Sintomas

Caso apresente sintomas como tosse, febre alta, dor de garganta, dores nas articulações, na cabeça e musculares, a pessoa deve procurar atendimento médico imediato e iniciar o tratamento com a medicação Tamiflu.

Para evitar o contágio, é necessário: lavar as mãos com frequência, cobrir nariz e boca quando espirrar ou tossir, não partilhar alimentos, copos, toalhas e objetos de uso pessoal, evitar lugares com aglomeração e manter os ambientes arejados.

08 julho 2012

MPF denuncia Incra na Justiça como responsável por um terço do desmatamento na Amazônia

Correio do Brasil
Por Redação, com ABr - de Brasília

O Ministério Público Federal (MPF) está denunciando na Justiça Federal o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) como responsável por um terço do desmatamento da Amazônia. Procuradores da República ingressaram com ações civis públicas (ACPs) contra o órgão em seis estados por desmatamento ilegal em assentamentos da reforma agrária, nas quais apresentam, entre outros pedidos, o fim imediato das derrubadas.

As ações foram ajuizadas essa semana no Pará, Amazonas, Acre, em Rondônia, Roraima e Mato Grosso. Segundo o MPF, há um expressivo crescimento das derrubadas ilegais na Amazônia em assentamentos do Incra. Em 2004, o corte ilegal nessas áreas representava 18% de todo o desmatamento do bioma, e em 2010 somaram 31,1% da derrubada anual.

- Os procedimentos irregulares adotados pelo Incra na criação e instalação dos assentamentos vêm promovendo a destruição da fauna, flora, dos recursos hídricos e do patrimônio genético, provocando danos irreversíveis ao bioma da Amazônia – de acordo com o texto comum às ACPs.

Nas ações, além do fim imediato das derrubadas em áreas de reforma agrária, os procuradores pedem a proibição de novos assentamentos sem licença ambiental e a exigência desse licenciamento para as áreas já criadas.

O MPF também exige a averbação de reserva legal (percentual mínimo de vegetação nativa que deve ser mantido em uma propriedade rural, que na Amazônia é 80%) e a recuperação de áreas degradadas em prazos que vão de 90 dias a um ano.

No acumulado até 2010, segundo os dados do MPF, os 2.163 assentamentos do Incra na Amazônia foram responsáveis pela derrubada de 133,6 mil quilômetros quadrados de floresta, área equivalente a 100 vezes a cidade de São Paulo.

- No total, de 2160 projetos válidos, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) detectou que 1511 encontram-se com mais de 20% de sua área desmatada, o que corresponde a 70% dos Projetos de Assentamento – diz o texto das ações judiciais.

Em mais da metade dos casos, a área desmatada já supera 50% do território total do assentamento. Além disso, os danos ambientais das derrubadas em áreas da reforma agrária chegam a R$ 38,5 bilhões, segundo cálculos do MPF, com base em valores de mercado de produtos madeireiros.

A investigação do MPF foi comandada por procuradores ligados ao Grupo de Trabalho da Amazônia Legal. O levantamento considerou informações sobre desmatamento produzidas pelo Inpe, pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e pelo Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), organização não governamental que monitora o desmatamento em paralelo ao governo.

Em 2008, uma lista do Ministério do Meio Ambiente já apontava o Incra no topo do ranking dos 100 maiores desmatadores da Amazônia. As seis primeiras posições da lista eram assentamentos da reforma agrária, todos em Mato Grosso. Na ocasião, o Incra argumentou que as informações utilizadas pelo Ibama eram antigas e imprecisas.

Procurado pela reportagem da Agência Brasil, o Incra informou que só vai se pronunciar sobre as ações ajuizadas pelo MPF na próxima terça-feira.