19 maio 2012

RN: efeitos da seca se agravam; moradores disputam água

Band

Os efeitos da seca no nordeste se agravam. No sertão do Rio Grande do Norte, moradores chegam a disputar água quando aparece um caminhão-pipa. O abastecimento é feito apenas uma vez por semana.

17 maio 2012

Sertanejos dividem água com animais, mas não impedem morte do gado com seca no Nordeste

Carlos Madeiro
Do UOL, em Poço Redondo (SE)

A seca que assola o sertão nordestino mudou a vida dos criadores de gado nos municípios que sofrem com a severa estiagem há pelo menos oito meses. Sem chuva, o pasto foi reduzido à areia. Debilitados pelo alimento escasso, muitos animais já estão morrendo de sede e fome, gerando verdadeiros cemitérios a céu aberto. Além de não ter capim para dar a ovinos e bovinos, os produtores ainda são obrigados a comprar ração e complementos alimentícios a preços inflacionados.

Não é difícil encontrar animais mortos pelas estradas, pastos e riachos secos no sertão do Nordeste. Para evitar mortes, muitos produtores dividem a água que recebem com os animais para evitar que eles fiquem ainda mais debilitados. Outros preferem vender animais a preços até 50% menores e evitar as mortes.

Em Poço Redondo, município mais afetado pela seca em Sergipe, todos os criadores ouvidos pelo UOL afirmam que já perderam animais com a estiagem. No riacho do Brás, que está completamente seco há meses, carcaças de bois e vacas estão espalhadas pelo local. Em pouco mais de 300 metros, a reportagem encontrou sete animais mortos. O último deles, segundo a dona do terreno, morreu no fim de semana anterior à visita.

“É uma tristeza grande demais. Se não chover, ou o governo não ajudar com ração, em três meses não teremos nenhum animal vivo mais na cidade”, disse a pecuarista Sônia Souza Costa, que viu a morte de sete de suas vacas nos últimos meses.

“Se pelo menos o governo ajudasse com a ração, que é o que faz os animais darem leite, ajudaria bastante. Mas até agora recebemos água de carro-pipa só para nosso abastecimento de casa. Mas, mesmo não dando, temos que dividir a água com os animais para que eles não morram”, afirma.

Para evitar mortes, Alexandre Fernando da Silva, 55, vendeu dois animais por R$ 300 cada, quando poderia cobrar R$ 600 por cabeça. "Se não for assim, não teríamos como manter o resto", diz o sertanejo, que tem 15 cabeças de gado na cidade.


Mapa mostra as cidades visitadas pelo UOL em quatro Estados
 Arte UOL
Perda de leite

Dona da maior bacia leiteira de Alagoas, a região do município de Batalha é uma das que mais sofre com a seca e já viu a produção de leite cair à quase metade. Na zona rural, os pecuaristas são obrigados a vender animais para garantir o sustento dos outros bichos.

“Nunca vi chegarmos ao mês de maio numa situação dessa, tão seca. Do jeito que vai, não tem quem suporte muito tempo”, diz José Carlos Matias, 31, responsável pela criação de animais numa fazenda.

Por conta da seca e sem recursos, Matias conta que já teve que vender pelo menos uma vaca para comprar alimento para o gado. “Olha o capim que a gente está dando”, diz o criador, apontando para um mato seco colhido no terreno ao lado e transportado em uma pequena carroça por duas crianças.


“Essa seca está lascando todo mundo. Igual a essa, só vi nos anos 70. Todo mundo está tendo prejuízo com a falta de leite”, afirmou Antônio Tenório Bezerra, 47.

Aos 80 anos, Antônio Saturnino também lamenta o sofrimento do gado com a estiagem. "Crio minha palma [espécie de planta que resiste à seca e que é dada de alimento ao gado] aqui do lado. Se não fosse isso, já teria perdido meus quatro animais. Muita gente está perdendo. É muito triste essa situação", conta.
Preços

Não bastasse a falta de pasto, os produtores reclamam dos altos preços praticados por fazendeiros e comerciantes que vendem produtos que substituem o capim. A tarefa da palma (correspondente à área plantada de 3.052 metros quadrados), que não passava de R$ 1.200, já está sendo vendida a R$ 2.500 em vários pontos do Nordeste.

Os farelos de trigo, milho ou algodão também está com preços até 200% maiores nessa época do ano. A tendência é que o preço suba ainda mais nas próximas semanas. “Essa realmente é a tendência, mas não é culpa nossa, pois já recebemos os produtos mais caros. Em vez de lucrar mais, estou lucrando menos, pois as vendas caíram muito”, alega um vendedor.

16 maio 2012

Com participação de astronauta, relatório mostra que 'pegada' do Brasil supera a da China e a da Índia

CLAUDIO ANGELO
DE BRASÍLIA - FOLHA DE SP

A pegada ecológica do Brasil é maior que a média mundial e maior que a de todos os países do grupo Brics exceto a Rússia (o grupo inclui China, Índia e África do Sul).

Os dados são do Relatório Planeta Vivo 2012, divulgado pela ONG WWF com a participação do astronauta holandês André Kuipers.

Divulgação/Nasa
O astronauta andré Kuipers, que participou, no espaço, da apresentação do relatório
O astronauta andré Kuipers, que participou, no espaço, da apresentação do relatório

Pegada ecológica é a quantidade de hectares necessária para suprir as necessidades de consumo de cada ser humano versus a capacidade de regeneração da Terra.

O relatório mostra que a pegada da humanidade hoje excedeu em 50% a capacidade de regeneração do planeta. Ou seja, para sustentar o padrão de consumo atual, seria necessário 1,5 planeta.

A pegada ecológica da humanidade dobrou desde 1966. Entre os países com maior pegada estão nações emergentes e de território pequeno, como Qatar (1°) e Dinamarca (4°), além dos gigantes consumistas EUA (5°).

O Brasil tem uma pegada ecológica de 2,93 hectares por pessoa, contra 2,70 da média global. Segundo Cecília Wey de Brito, secretária-geral do WWF Brasil, o que mais pesa aqui é a agropecuária, que consome muita terra e água.

A pegada cresceu ligeiramente em 2012 em comparação a 2010 e só não é maior porque o Brasil detém a maior biocapacidade (capacidade de regeneração) do mundo, por conta de suas florestas.

"O Código Florestal é um dos garantidores de que isso continue", disse Brito, pedindo o veto de Dilma ao código aprovado pela Câmara.

Pesquisa em oito países mostra que só 20% das pessoas já ouviram falar em Rio+20

Do UOL
Em São Paulo

Uma pesquisa realizada com 8.000 pessoas de oito países mostrou que pouca gente já ouviu falar sobre a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio +20), que acontece em junho no Brasil. E apenas 6% sabem realmente do que se trata o evento.

A pergunta fez parte das entrevistas feitas para o Barômetro de Biodiversidade, divulgado nesta quarta-feira (16) pela União para BioComércio Ético (UEBT, na sigla em inglês), entidade internacional sem fins lucrativos voltada para o chamado "abastecimento com respeito".

O pior desempenho foi registrado no Peru, onde 4% da população disse já ter ouvido falar na Rio +20 e apenas 1% realmente sabia o que é o evento. Na Índia, as proporções foram de 10% e 4% respectivamente. No Reino Unido, de 11% e 3%; nos EUA, de 11% e 2%; na Alemanha, de 13% e 3%; na França, de 20% e 5%; e na Suíça, de 27% e 6%.

No Brasil, país que sedia a conferência, pouco mais da metade, ou 59%, já ouviram falar na Rio +20 e 24% sabem do que se trata.

Seca afeta mais de 2,7 milhões de pessoas na Bahia; governo federal ajuda com R$ 111 milhões

Da Agência Brasil, em Brasília

A estiagem que atinge a Bahia há mais de cinco meses levou 239 municípios a decretar situação de emergência. No total, mais de 2,7 milhões de pessoas são afetadas pela seca. Juntos, os ministérios da Integração Nacional e do Desenvolvimento Agrário encaminharam R$ 111 milhões para reparar os prejuízos.

Segundo a Casa Civil da Bahia, o governador Jaques Wagner (PT) se reuniu com a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, para apresentar os projetos de infraestrutura hídrica que necessitam dos recursos federais. São 26 projetos ao todo, dos quais 19 serão executados pelo governo estadual. O restante das obras ficará a cargo da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf).

Estão sendo distribuídos mais de mil toneladas de arroz e duas mil toneladas de feijão (1,8 mil no armazém da região de Irecê e 200 em Ribeira do Pombal), 11 toneladas de frango foram doadas pela Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), em 11 municípios na região de Feira de Santana e Vitória da Conquista que serão destruídos pela Secretaria de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza do Estado (Sedes).

O Ministério do Desenvolvimento Agrário irá agilizar a liberação do Garantia-Safra 2010-2011 para os agricultores de 52 municípios e viabilizará a antecipação das indenizações da safra atual para junho. A ação dará apoio a 121 municípios podendo destinar até R$ 57 milhões para os agricultores. A previsão visa a beneficiar 78 mil produtores.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) informou que o céu deve se manter parcialmente nublado com chuva isolada hoje em Salvador. A temperatura registrada ficará entre a mínima de 23ºC e a máxima de 30ºC para todo o Estado.

14 maio 2012

Temporal causa estragos na grande Vitória

Band

Prédios e ruas foram destruídos pela força das chuvas, que chegou até mesmo a causar o deslizamento de parte de um morro.