17 janeiro 2012

Carnívoro anterior aos dinossauros é achado no Brasil

Cientistas encontraram, no Rio Grande do Sul, o crânio do bicho, que recebeu o nome de "matador dos pampas"

Dinocefálio viveu há cerca de 260 milhões de anos; descoberta mostra que a presença do animal era global 


RICARDO BONALUME NETO - FOLHA DE SP
DE SÃO PAULO

Ele não era um leão, mas pesava mais do que um; não era um jacaré, mas tinha uma cabeça coberta por rugosidades parecidas; e não era um lobo, mas tinha grandes dentes caninos feitos para dilacerar suas presas.


Era um bicho estranho, primordial e original. E viveu no Brasil - felizmente, para os seres humanos, sem deixar descendentes.

Sua descoberta agora no Rio Grande do Sul está demonstrando que, há 260 milhões de anos, a Europa era bem mais perto do Brasil do que se imaginava.

Nem réptil nem mamífero, não se sabe se amamentava as crias ou se colocava ovos.

A certeza é que ele é uma uma das mais importantes descobertas paleontológicas dos últimos tempos no país. Seu nome científico é Pampaphoneus biccai - o "matador dos pampas" - e ele foi achado na fazenda de José Bicca, em São Gabriel (RS).

O estudo que descreve a nova espécie foi publicado ontem na versão on-line na revista científica "Proceedings of the National Academy of Sciences" (PNAS) por uma equipe internacional coordenada pelo salvadorenho radicado no Brasil Juan Carlos Cisneros, da Universidade Federal do Piauí, e Cesar Schultz, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

O Pampaphoneus biccai é um terápsido, animal que antes se imaginava ser um "réptil mamaliforme". Hoje, ele é visto como um parente distante dos mamíferos atuais.

PELO GOOGLE

O fóssil foi achado graças à análise de imagens de satélite por meio do site Google Earth. Os pesquisadores procuraram regiões onde se encontrariam rochas do período Permiano (de 299 milhões a 260 milhões de anos atrás).

"Em 2008 e 2009, visitamos 50 locais durante três meses no Rio Grande do Sul", disse Cisneros à Folha. E deram sorte: em uma fazenda na formação do rio do Rasto, na bacia do Paraná, acharam um crânio em boas condições da nova espécie.

"A descoberta é importante por duas razões. Em primeiro lugar, é o primeiro achado de um carnívoro terrestre da Era Paleozoica na América do Sul", afirma Cisneros. Ele se soma a achados prévios de herbívoros do período Permiano na região, como os pareiassauros e o anomodonte Tiarajudens eccentricus, e contribui para um melhor conhecimento dos ecossistemas durante esse período geológico, diz o artigo na "PNAS".

O segundo motivo para destacar a pesquisa é que as características do animal sugerem que a nova espécie é parente dos dinocefálios carnívoros encontrados na Rússia e na África do Sul.

Isso prova que as faunas terrestres do supercontinente Pangeia tinham uma distribuição global já durante o Permiano Médio. Em geral, explicam os pesquisadores, é aceito que as faunas terrestres tinham uma distribuição cosmopolita no Triássico, período posterior ao Permiano em que surgem os primeiros dinossauros.

Mas a nova descoberta e os trabalhos anteriores com anfíbios primitivos mostram que essa distribuição cosmopolita era bem anterior. Os bichos antigos eram certamente peripatéticos.

Paraná decreta situação de emergência em 137 municípios por causa da seca

Do UOL, em São Paulo*

O Paraná decretou nesta segunda-feira (16) situação de emergência em 137 municípios paranaenses e anunciou medidas para apoiar os agricultores atingidos pela seca, que desde novembro do ano passado compromete a produção agrícola e o abastecimento de água nas regiões sudoeste, noroeste, centro-sul e oeste. As culturas mais atingidas foram milho, soja e feijão.


Serão aplicados R$ 21,5 milhões neste ano na instalação de 300 sistemas comunitários de fornecimento de água em várias regiões paranaenses. Outra medida para o abastecimento de água é a implantação de 140 abastecedouros comunitários, com a perfuração de poços artesianos, instalação de bombas e de reservatórios elevados para 10 mil litros.

A estimativa do governo é de que a estiagem tenha comprometido 11,5% da safra de verão do Paraná, que estava prevista para 22,1 milhões de toneladas, o que significa um prejuízo financeiro de R$ 1,52 bilhão.

O presidente da Associação dos Municípios do Oeste do Paraná (Amop), Eliezer José Fontana, classificou a situação como emergencial e estimou perdas na área agrícola que variam de 20% a 70%, de acordo com a região. (*com AEN)

Seca no Sul causa prejuízos de mais de R$ 2 bilhões à agricultura

Alex Rodrigues
Da Agência Brasil, em Brasília

Enquanto Estados das regiões Sudeste e Centro-Oeste contabilizam os prejuízos causados pelas chuvas dos últimos meses, na região Sul o problema continua sendo a estiagem. Além dos transtornos causados à população, a seca afetou a produção agrícola regional, causando prejuízos de mais de R$ 2 bilhões ao setor e contribuindo para o aumento dos preços de diversos alimentos em todo o país.

No Rio Grande do Sul, 291 cidades decretaram situação de emergência. Segundo a Defesa Civil estadual, mais de 1,6 milhão de pessoas estão sendo afetadas.

Em Santa Catarina, 80 cidades estão em situação de emergência por conta da seca. Quase 490 mil pessoas já foram prejudicadas pela falta de chuvas. Até ontem (16), a Secretaria de Agricultura do Estado estimava que as perdas agropecuárias chegavam a R$ 497 milhões. De acordo com a Defesa Civil catarinense, a estiagem deve permanecer até o próximo dia 19, quando podem ocorrer chuvas isoladas, a partir da região meio-oeste.


No Paraná, o governador Beto Richa decretou situação de emergência em 137 cidades. Segundo a assessoria do governo, o decreto coletivo de ontem (16) visa a agilizar o atendimento aos municípios atingidos pela estiagem que assola o Estado desde novembro de 2011. A Secretaria Estadual da Agricultura e Abastecimento estima que a estiagem comprometeu 11,5% da safra de verão, prevista em 22,13 milhões de toneladas, o que significa um prejuízo financeiro de R$ 1,52 bilhão.


Nos últimos dias, os governos federal e dos três Estados anunciaram medidas para auxiliar as localidades e agricultores afetados. No último sábado (14), o governador gaúcho, Tarso Genro, anunciou a liberação de R$ 54,42 milhões para ações emergenciais e medidas preventivas contra a estiagem. Desse total, R$ 28 milhões são provenientes do governo federal, dos quais o Estado já recebeu R$ 18 milhões. Tarso também anunciou que a Secretaria Estadual de Habitação e Saneamento irá investir R$ 5 milhões na extensão de redes de água, compra de bombas para poços artesianos e reservatórios nos municípios atingidos pela estiagem.


Em Santa Catarina, somados os recursos federais e estaduais, o socorro chega a R$ 28,6 milhões. Entre as medidas anunciadas na última segunda-feira (16) pelo governador Raimundo Colombo e pelos ministros da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho, e do Desenvolvimento Agrário, Afonso Florence, estão a construção de 333 poços artesianos em municípios atingidos pela seca e a liberação de recursos do seguro agrícola mediante laudos técnicos da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri).


O governador Beto Richa também prometeu aplicar R$ 21,5 milhões na instalação de 300 sistemas comunitários de fornecimento de água em várias regiões paranaenses. Outros R$ 10 milhões serão investidos junto com o Ministério da Integração Nacional na implantação de cisternas em comunidades rurais historicamente afetadas pela falta de água, iniciativa que, segundo a assessoria do governo, irá atender especialmente os produtores de frangos, suínos, leite e hortaliças.


O governo paranaense também vai destinar R$ 6 milhões para ajudar quem precisa comprar insumos agrícolas (fertilizante, máquinas, defensivo agrícolas) e acelerar as vistorias em plantações a fim de que os produtores possam solicitar o ressarcimento das perdas pelo Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) e o pagamento do Seguro da Agricultura Familiar (Seaf).

15 janeiro 2012

RJ tem 30 cidades prejudicadas pelas chuvas e 17 mil estão fora de casa

Balanço da Defesa Civil do Estado do Rio atualiza números dos temporais. Maioria dos municípios afetados em decorrência das chuvas é em regiões do norte e noroeste

O Fluminense

A Defesa Civil do Estado do Rio de Janeiro informou, em balanço divulgado no sábado que o número de pessoas desalojadas e desabrigadas no estado, em função das chuvas dos últimos dias, somam 13.342 e 3.620, respectivamente, em 30 cidades fluminenses.

A maioria dos municípios afetados por enchentes de rios e por deslizamentos de terras desde o início do ano é das regiões norte e noroeste do estado, que concentram 12.029 dos desabrigados e 2.891 dos desalojados.

Cardoso Moreira é o município com o maior número de pessoas prejudicadas.

Já 22 dos 24 óbitos são de Sapucaia, município da região centro-sul, onde, no distrito de Jamapará, na madrugada da última segunda-feira, um barranco despencou arrastando oito casas. A área foi interditada pela Defesa Civil municipal e 40 famílias estão sem poder voltar para casa.

Segundo o coordenador da Defesa Civil de Sapucaia, todas as vítimas da tragédia foram localizadas e os bombeiros já deixaram o local. "Agora, entra o trabalho de assistência social", afirmou o engenheiro Marco Antônio Teixeira, que continuará fazendo a vistoria de casas no distrito.

Volume de água dos rios baixou- Na avaliação da Defesa Civil Estadual, também está baixando o nível de água dos rios nas localidades inundadas, como o distrito de Três Vendas, em Campos dos Goytacazes. No local, uma rodovia que servia como dique rompeu e obrigou a retirada de quatro mil moradores.

"Em Três Vendas, o Rio Paraíba está baixando bem. Já está em 8.98 metros e isso faz a água sair", disse o secretário municipal de Defesa Civil, Henrique Oliveira. Amanhã (15), o órgão pretende colocar bombas para retirar parte da água e começar a limpeza da área.

A previsão para este final de semana no estado do Rio é de chuvas no litoral sul, na Região Serrana e no Vale do Paraíba, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

Agência Brasil