26 dezembro 2012

Máxima de 43º no dia mais quente do ano no Rio

Calor castiga população do Rio de Janeiro e de acordo com institutos de metereologia, temperatura alta deve continuar nos próximos dias. Sensação térmica fica na casa dos 50 graus

Rosa Geraldino - O Fluminense


O Rio de Janeiro teve na quarta-feira o dia mais quente do ano, resgistrando no começo da tarde temperatura de 42,9 graus em algumas regiões. De acordo com o Instituto Climatempo, a previsão máxima pode chegar novamente a 43 graus nos próximos dias. Há relatos de sensação térmica de 50 graus em bairros mais quentes.

O clima na cidade anda castigando a população que tenta se refugiar nos ambientes que possuem refrigeração ou nas praias. O Inmet informou que uma massa de ar quente e úmido impede a formação de nuvens no Rio, o que deixa o clima ainda mais quente. Portanto, haverá um aumento na nebulosidade devido a chegada de uma frente fria nesta quinta-feira. No entanto o sol não deixará de aparecer forte e o calor também será intenso.

Em Niterói, praias mais próximas, como Icaraí e Charitas, ficaram lotadas. O mesmo aconteceu em Itacoatiara, Piratininga e Camboinhas, onde a movimentação de banhistas também foi grande.

Mais calor na quinta-feira - A previsão do tempo para quinta-feira é de céu claro a parcialmente nublado, com temperatura máxima de 38 graus, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). O ar quente e úmido favorece a formação de nuvens, o que pode ocasionar chuvas e pancadas em alguns pontos da cidade, porém, o calor nao deve diminuir.

13 dezembro 2012

As maiores e mais velhas árvores do planeta estão em risco de extinção, afirma pesquisa

AFP
Em Sydney (Austrália)

As maiores e mais velhas árvores do mundo estão desaparecendo de maneira alarmante, advertiram nesta sexta-feira (7) cientistas americanos e australianos. Os resultados de um estudo publicado pela revista Science concluíram que, em todas as partes do mundo, os organismos vivos mais antigos do planeta têm ameaça de desaparecer, caso não existam políticas de preservação.

"É um problema mundial que ocorre em quase todos os tipos de florestas", indicou David Lindenmayer, da Universidade Nacional da Austrália, que chefiou o programa de pesquisa.

"Da mesma forma que os grandes animais, como os elefantes, os tigres ou os cetáceos, cuja população está em forte declínio, uma série de indícios mostra que estas árvores correm o mesmo risco", ressaltou o estudo.

Lindenmayer iniciou a pesquisa com colegas da Universidade James Cook, da Austrália, e da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, depois de ter estudado amostras da década de 1860 retiradas de florestas suecas.

Os pesquisadores constataram um inquietante desaparecimento das grandes árvores entre 100 anos e 300 anos de idade em áreas da Europa, das Américas (tanto do Norte, quanto do Sul), da África, da Ásia e da Austrália. As sorveiras da Austrália, os pinhos dos Estados Unidos, as sequoias da Califórnia e os baobás da Tanzânia são as principais espécies em perigo.

Os incêndios florestais não são os únicos responsáveis, uma vez que a taxa de mortalidade é dez vezes superior ao normal, inclusive nos anos sem incêndios. Este fenômeno resulta, segundo os cientistas, de uma combinação de fatores como o aquecimento climático, o desmatamento e a necessidade de terras agrícolas.

"Estamos falando do desaparecimento dos maiores organismos vivos do planeta e de organismos que têm um papel determinante na regulação da riqueza de nosso mundo. A tendência é, de fato, muito preocupante", declarou Bill Laurance, da Universidade James Cook.

As grandes árvores são lugares de vida para cerca de 30% de aves e animais do nosso ecossistema. São também enormes poços de carbono, importantes reservas de substratos que permitem o desenvolvimento de um grande número de organismos e também influenciam o ciclo hidrológico.

10 dezembro 2012

Asfalto e usina mudam geografia do desmatamento ilegal no Pará

Frente de derrubada da floresta se deslocou para o sudoeste do Estado, que é o campeão de desmate na Amazônia

Bruno Beiro - O Estado de SP

 
Um levantamento da exploração de madeira no Pará, Estado apontado como campeão do desmatamento no País, mostra que obras de infraestrutura têm deslocado a atividade ilegal para o sudoeste paraense, ameaçando as ações que têm reduzido o desmatamento em outras áreas. Mesmo com ligeira queda, 60% da exploração de florestas locais ocorreu sem autorização entre agosto de 2010 e julho 2011.

Segundo o estudo, produzido pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), 488 quilômetros quadrados foram desmaiados sem o aval da Secretaria de Estado de Meio Ambiente do Pará (Sema). Cerca de 72% da atividade foi realizada em áreas privadas, devolutas ou sob disputa. O restante ocorreu em assentamentos de reforma agrária (20%) e em áreas protegidas. 


Um dos responsáveis pela pesquisa, o engenheiro florestal e pesquisador do Imazon André Monteiro, destaca que a queda do desmatamento, que havia sido de 10% no período anterior, foi de apenas 5% neste levantamento. "O relatório dá a indicação de algumas regiões críticas. A exploração ilegal, que se concentrava no nordeste e sudeste, do Estado, está crescendo no sudoeste", afirma Monteiro.

Uma das principais causas, segundo ele, é a melhoria da BR-163, rodovia que vem sendo asfaltada para facilitar a ligação entre Santarém e Cuiabá. "Como o remanescente florestal está se esgotando nas outras regiões, a estrada asfaltada aumentou a circulação e facilitou a extração ilegal ali", diz o pesquisador. A participação da área no total de exploração ilegal no Estado subiu de 15% para 30%. Com isso, é possível que municípios como Uruará e Altamira subam nos índices de desmate ilegal.


Outras obras que têm tido influência no deslocamento da extração irregular, segundo o Imazon, incluem a pavimentação da Transamazônica e a construção da usina de Belo Monte.


Redução. Nas estatísticas oficias do governo sobre o desmatamento na Amazônia Legal entre agosto de 2011 e julho deste ano, o Pará aparece com o maior índice de florestas derrubadas, com 1.699 quilômetros quadrados. A secretaria de Meio Ambiente, porém, lembra que o Estado reduziu a taxa em 44%, em relação ao ano anterior. "Estamos fazendo uma vigilância contínua e os números mostram que o caminho é certo, porque estamos vencendo", disse o secretário estadual de Meio Ambiente, José Colares, por meio de nota.


O estudo do Imazon aponta que, além dos investimentos em infraestrutura, a demora na regularização de áreas de floresta pública tem freado o ritmo de queda no desmatamento. "Em locais como a zona de Itaituba 2 (uma Floresta Nacional), parece haver uma corrida dos invasores, que tentam extrair o máximo antes de ser adquirida pelo governo", diz André Monteiro.

06 dezembro 2012

Passagem de tufão nas Filipinas deixa 500 mortos; centenas estão desaparecidos

Do UOL, em São Paulo

As autoridades anunciaram nesta quinta-feira que o tufão que devastou o sul das Filipinas e pode ser um dos mais mortíferos dos últimos anos no arquipélago causou a morte de cerca de 500 pessoas e o desaparecimento de 400, enquanto 250 mil estão desalojadas.

As equipes de socorro recuperaram pelo menos 477 corpos nesta quinta-feira: 258 na costa leste e 191 perto das cidades de Nova Bataan e Monkayo , uma região de pequenas minas de ouro clandestinas nas montanhas, expostas a deslizamentos de terra, indicou o general responsável por dirigir os resgates, Ariel Bernardo.

O Escritório da Defesa Civil em Manila afirmou que mais 19 pessoas morreram em Mindanao e nove em outras ilhas.

Erinea Cantilla e sua família andaram descalços por dois dias, em água lamacenta e destroços, em busca de comida e abrigo após a destruição de sua casa e da plantação de banana e cacau, não muito longe de Nova Bataan.

"Tudo o que tínhamos se perdeu. As únicas pessoas que ficaram para trás, estão mortas", testemunhou à AFP, com o marido, três filhos e uma neta.

A prioridade do governo nesta quinta é encontrar 380 pessoas desaparecidas e construir abrigos temporários para 250 mil desabrigados, indicaram as autoridades.

"Não haverá limite de tempo. Vai levar o tempo que precisar", declarou o chefe da Defesa Civil, Benito Ramos, quando questionado quanto tempo duraria as buscas..

As autoridades revisam com frequência o número de vítimas do tufão, à medida que as equipes de emergência conseguem acessar as regiões isoladas no sul do arquipélago.

O Bopha tocou a terra na parte leste da ilha de Mindanao na terça-feira, com rajadas de ventos de até 210 km/h e chuvas torrenciais.

Em New Bataan o exército seguia trabalhando com a ajuda de helicópteros e equipamentos pesados para socorrer as vítimas e retirar as árvores, a terra e as pedras arrastadas pelas tempestades.

"Nestas zonas precisamos urgentemente de sacos para cadáveres, medicamentos, roupas secas e, sobretudo, barracas, porque os sobreviventes estão no exterior desde que o tufão destruiu casas e derrubou tetos", disse à AFP a ministra de Assuntos Sociais, Corazón Soliman.

"Os corpos de New Bataan estão como ficaram, no chão, ao relento, e não queremos arriscar o surgimento de doenças", disse.

Corpos cobertos de lama foram levados em caminhões militares e depois alinhados dentro de barracas para que os sobreviventes pudessem reconhecê-los.

Os sobreviventes cavavam entre os escombros para tentar recuperar alguma coisa em meio à paisagem desoladora.

"Há famílias inteiras que morreram", disse o ministro do Interior, Manuel Mar Roxas, que foi ao local dos fatos acompanhado da ministra Corazón Soliman.

A estrada estreita que permite o acesso a New Baatan ficou bloqueada pela queda de árvores e rochas, afirmou o general Ariel Bernardo, comandante da 10ª divisão de infantaria com base em Mindanao.

"Esperamos poder mobilizar nossos helicópteros para executar missões de reconhecimento, busca e salvamento", explicou.

Muitos moradores de Mindanao, em sua maioria muçulmanos, permaneciam isolados em suas casas nesta quarta-feira, sem energia elétrica.

"Três vilarejos costeiros permanecem isolados", disse Corazón Malanyaon, governadora de Davao Oriental. "As estradas que seguem para as localidades estão bloqueadas por árvores e escombros. Uma ponte desabou", explicou.

A governadora afirmou que 95% dos edifícios do centro da localidade de Cateel, onde morreram pelo menos 16 pessoas, ficaram sem teto, incluindo hospitais.

A cada ano, quase 20 tempestades ou tufões importantes afetam as Filipinas, em sua maioria durante a temporada de chuvas entre junho e outubro. Bopha é o 16º do ano.

Em agosto, as inundações provocadas por várias tempestades deixaram mais de 100 mortos e obrigaram mais de um milhão de pessoas a abandonar suas casas.

Em 2011, 29 tufões passaram pelas Filipinas e provocaram as mortes de 1.500 pessoas, sendo 1.200 apenas em Mindanao durante a tempestade Washi. 


(Com AFP)

28 novembro 2012

Amazônia registra menor taxa de desmatamento em 24 anos

Correio do Brasil
Por Redação, com ABr - de Brasília

A derrubada ilegal de árvores na Amazônia Legal atingiu a menor taxa anual de desmatamento desde que a região começou a ser monitorada pelo governo, em 1988. De acordo com os dados divulgados na segunda-feira pela ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, a expansão da área desmatada caiu de 6,4 mil quilômetros quadrados para 4,6 mil quilômetros quadrados por ano.

Os resultados se referem ao período de agosto de 2011 a julho deste ano comparado aos 12 meses anteriores. “É a menor taxa de desmatamento da história. Tem o grande marco que é jogar o desmatamento abaixo dos 5 mil quilômetros quadrados”, comemorou a ministra.

- Ouso dizer que esta é a única boa noticia ambiental que o planeta teve este ano do ponto de vista de mudanças do clima. Em relação aos compromissos de metas voluntárias de redução de emissões estamos bastante avançados - acrescentou.

A meta voluntária definida pelo governo brasileiro é reduzir a expansão anual da área de desmatamento ilegal da Amazônia para 3,9 mil quilômetros quadrados até 2020. Com o novo índice, fica falando apenas redução de 4% para que a área ambiental atinja a meta, oito anos antes do prazo.

A redução da área registrada por satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) representa queda de 27% da área degradada por madeireiros ilegais, na comparação com o mesmo período anterior. O intervalo desses 12 meses é consolidado anualmente no Projeto de Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal (Prodes), do Inpe.

Os dados mostram que o desmatamento aumentou apenas em três estados. Em Tocantins, a derrubada ilegal de árvores aumentou 33%, chegando a 53 quilômetros quadrados por ano. No Amazonas, a degradação aumentou 29%, chegando a 646 quilômetros quadrados e, no Acre, a ação dos infratores avançou 10% na região, atingindo 308 quilômetros quadrados.

De acordo com a ministra, embora não tenham sido identificadas todas as causas da elevação do desmatamento nesses estados, no Tocantins o problema está associado ao Cerrado Amazônico, que permite reserva legal de 35%. “Como os estados ainda não tornam disponíveis as informações do que é legal e do que é ilegal, não conseguimos identificar quanto do aumento desse desmatamento está associado a incremento de infraestrutura e de supressões legais”, informou.

No Amazonas, segundo Izabella Teixeira, ainda existe forte pressão de migração em torno da BR-317, na região de Apuí, onde existem denúncias de grilagem de terra. Conforme a ministra, a região está sendo monitorada. Com relação ao Acre, disse que não há informações.

- Possivelmente, trata-se de expansão urbana ou incremento de ocupação de território. Estamos perguntando ao governo do estado o que está sendo autorizado e o que os autos de infração do Ibama mostram, o que não tem licença ou que está com atividade ilegal. Por exemplo, [o agricultor] tem autorização para suprimir 10 hectares e suprimiu 30 hectares.

O estado do Pará continua sendo o mais atingido pelos criminosos. A área de desmatamento ilegal no estado é a maior da região, chegando a quase 1,7 mil quilômetros quadrados. Ainda assim, na comparação entre os períodos de 12 meses, o desmatamento foi reduzido em 44%.

No período monitorado pelo Prodes, os fiscais do Ibama apreenderam 329 caminhões, 95 tratores, 143 outros veículos e 111 motosserras, além de mais de 130 mil metros cúbicos de madeira e 12 mil metros cúbicos de carvão. As operações de combate e prevenção ao desmatamento na região também resultaram na emissão de 3,4 mil autos de infração, somando o valor de R$ 1,6 bilhão.

A arrecadação de multas é um dos pontos mais frágeis das ações de fiscalização. Por ainda haver limitações tecnológicas, detalhes como erro nas coordenadas que apontam o local flagrado pelos fiscais fazem com que algumas multas sejam suspensas. Os infratores usam os erros nas infrações como manobra para anular a cobrança.

Segundo Izabella Teixeira, a partir do ano que vem, a fiscalização será feita eletronicamente. Ao apresentar um novo aparelho que será utilizado pelos agentes ambientais, a ministra destacou que as operações ambientais vão entrar em um novo patamar a partir do ano que vem.

- À medida que reduzimos o desmatamento, o desafio cresce. A partir de 2013, as ações serão marcadas por uma nova visão de operar tecnologia e planejamento estratégico e inteligência do monitoramento da Amazônia. Os modelos estão sendo revistos e nosso objetivo é acabar com a ilegalidade do desmatamento na Amazônia – disse.

O novo projeto, que vai garantir precisão aos dados, custou R$ 15 milhões aos cofres públicos. As equipes de fiscais ainda estão sendo capacitadas para usar os aparelhos eletrônicos de infração e, segundo Izabella Teixeira, a partir de janeiro do ano que vem todas as equipes federais distribuídas no país terão um aparelho com tecnologia similar à de um celular, ligado diretamente a um banco de dados.

Governo do Rio lança política para gás dos lixões

DENISE LUNA
DO RIO - FOLHA DE SP

O governo do Estado do Rio de Janeiro quer incentivar a geração de combustíveis a partir de resíduos orgânicos produzidos nos lixões.

Nesta quarta-feira (28), o governo estadual entregou à Assembleia Legislativa projeto de lei que prevê incentivos para fomentar a utilização do biogás gerado em aterros sanitários, e a distribuição como gás pelas concessionárias CEG e CEG Rio.

De acordo com o projeto de lei, as duas empresas serão obrigadas a adquirir todo o GNR (Gás Natural Renovável) produzido no estado, limitados a 5% do volume de gás convencional a ser entregue no mercado.

"Seria um volume de 350 mil metros cúbicos diários, é pouca coisa, o Brasil hoje consome 90 milhões de metros cúbicos por dia, mas é muito importante do ponto de vista ambiental", disse o secretário de Desenvolvimento e Energia do Estado do Rio, Júlio Bueno.

Bueno informou que a geração de energia produzido no novo lixão de Gramacho já está comprometida com a Petrobras, cerca de 200 mil metros cúbicos diários, mas que o Estado tem mais 15 lixões que poderão ser utilizados.

Os preços e os prazos adequados a viabilizar a produção e transporte do GNR serão regulados pelo Estado, por meio da Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico do Estado do Rio de Janeiro.

Seca reduz em 40% a produção de leite no Ceará e prejuízo dos agricultores chega a 160 mil por dia

Carolina Gonçalves
Da Agência Brasil, em Brasília

Há sete meses as contas dos produtores de leite cearenses não fecham nos mesmos patamares do ano passado. Os resultados da atividade, desempenhada por mais de 100 mil pessoas no Estado, estão 40% abaixo da média da produção, que chegava a 500 mil litros de leite por dia. Ou seja, o prejuízo provocado pela seca que afeta gravemente o semiárido nordestino desde o início do ano tem tirado do bolso desses agricultores cerca de R$ 160 mil reais por dia.

Apesar de as duas maiores barragens da região Nordeste estarem no Ceará - a Barragem do Figueiredo, no Vale do Jaguaribe, e a Barragem do Rio Acaraú - quase 90% do Estado fica no semiárido, onde a pecuária é a principal atividade econômica. “A manutenção dos rebanhos é o nosso maior problema”, explicou Fernando Saboya, presidente da Faec (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará). Com o problema da má distribuição da água, alguns municípios, como Inhamuns, na divisa com os Estados do Piauí e de Pernambuco, não recebem sequer uma gota do recurso hídrico.

“Estamos enfrentando uma das piores secas dos últimos 40 anos. A problemática do homem (fome e seca) está relativamente contornada pelos programas sociais do governo, mas as atividades produtivas estão caminhando para a liquidação”, avaliou Saboya.

Segundo ele, além das perdas da produção de leite que, acumuladas, somam mais de R$ 33 milhões em todo o Estado, os produtores não estão conseguindo alimentar o gado. Com isso, muitos animais morrem ou são vendidos para outros Estados como Tocantins e Pará. De acordo com levantamento da Faec, o número de animais comercializados nas feiras locais triplicou e as vendas têm sido fechadas com valores abaixo da metade do preço de mercado.

“Praticamente, os pequenos produtores estão dependendo exclusivamente do programa de Venda em Balcão. Mas, pela complexidade da logística de transferir milho de Mato Grosso e Goiás para o Ceará, têm produzido hiatos nos armazéns”, disse. Segundo Saboya, alguns municípios, como Crateús, estão desde quinta-feira (22) sem qualquer estoque do grão.

Pelo Venda em Balcão, os produtores conseguem comprar o milho transportado da Região Centro-Oeste com preços abaixo dos praticados no mercado. Nos primeiros meses deste ano, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) não estava conseguindo garantir o transporte do produto por causa dos baixos preços oferecidos para as transportadoras, que não manifestavam interesse em participar dos leilões. Com a definição de novas estratégias, o transporte, segundo a Conab, foi normalizado desde agosto.

“O nosso maior problema não era no ponto de venda, mas na remoção [do milho para os municípios]. Mas a situação foi regularizada e está estável e a tendência é melhorar ainda mais”, garantiu Nilton Lélio de Melo, superintendente de Abastecimento Social da Conab. Segundo ele, a companhia está mantendo uma média de transporte de 17 mil toneladas por semana para os municípios afetados pela estiagem no Nordeste.

De quase 44 mil toneladas de milho contratadas pelos produtores baianos, 32,5 mil toneladas já foram entregues pela Conab. No Ceará, falta entregar menos de 13 mil toneladas, do total de 63 mil contratadas. No Rio Grande do Norte, o volume entregue chega a 40 mil. Ainda restam 53 mil toneladas de milho a serem transportadas.

Apesar dos números indicarem que a distribuição foi normalizada, os técnicos da Conab ainda têm que contornar a falta de estrutura no local de entrega. Muitos polos recebedores, unidades da companhia nos Estados, não oferecem as condições adequadas. Em alguns municípios o milho é entregue em ginásios de esporte, que foram improvisados para a atual situação.

“O volume contratado ainda está abaixo da demanda”, admitiu Rafael Bueno, superintendente de Armazenagem e Movimentação de Estoques da Conab. “Mas temos o problema estrutural de capacidade de recebimento e armazenamento na ponta que não permite a remoção de quantidade maior do produto”.

Segundo ele, a companhia tem buscado alternativas como a construção de novos polos recebedores e negociações com os governos estaduais para aumentar o número de estivadores, trabalhadores responsáveis pela descarga do produto. “Também deslocamos a frota de caminhões da Conab para os Estados para organizar melhor a distribuição na região, principalmente para os polos de mais difícil acesso”, explicou.

Com agravamento da seca, Maceió passa a ter rodízio no abastecimento de água a partir de hoje

Carlos Madeiro
Do UOL, em Maceió

A partir desta quarta-feira (28), os moradores da parte alta de Maceió passam a conviver com o rodízio no abastecimento de água. A medida foi anunciada pela Casal (Companhia de Saneamento de Alagoas) na segunda-feira (26) e vai afetar a região do Tabuleiro. Segundas, quartas e sextas serão abastecidos o conjunto Medeiros Neto e o bairro do Tabuleiro Velho. Às terças, quintas e sábados, o abastecimento será no conjunto Santos Dumont e os bairros Clima Bom e Rio Novo.

Apesar de estar em pleno litoral nordestino, a capital alagoana é mais uma das cidades mais afetadas pela maior seca dos últimos 40 anos no Nordeste. Em Alagoas, 36 dos 102 municípios estão em situação de emergência por conta da estiagem –todos enfrentam racionamento no abastecimento urbano. Segundo autoridades, a falta de chuvas tem agravado a situação dos moradores do semiárido e afetado os níveis dos mananciais.

Segundo a Casal, a medida foi tomada por causa da redução no volume de água da barragem do Catolé, que abastece 20% de Maceió. A Casal informou que vai monitorar os níveis da barragem e, de acordo com a readequação satisfatória de níveis, o rodízio poderá ser suspenso.

O presidente da Casal, Álvaro Menezes, explicou ao UOL que a o rodízio foi adotado de forma preventiva pela redução da quantidade de água no manancial e pretende evitar um possível colapso no abastecimento da capital alagoana, que poderia ocorrer com a continuidade da estiagem.

“Esse sistema Catolé é usado desde 1947 e nunca viveu uma situação como essa, de estiagem tão forte. Trabalho há 27 anos na Casal e nunca vi uma situação assim, de ser necessário rodízio na capital pela falta de chuva”, explicou.

Segundo o cronograma estabelecido pelo setor operacional da companhia, a região do Tabuleiro será dividida em duas partes: uma delas receberá água nos dias pares e a outra nos dias ímpares.
Outras cidades

Segundo Álvaro Menezes, além de Maceió, outras três cidades da região metropolitana da capital estão enfrentando problemas no abastecimento e também estão recebendo água no sistema de rodízio: Coqueiro Seco, Santa Luzia do Norte e Satuba.

O presidente da Casal ainda aponta que a previsão é que as chuvas no Estado só ocorram a partir do segundo bimestre de 2013. “O Estado de Alagoas enfrenta uma situação de muita dificuldade, e chega a ser mais grave porque a nossa fase de estiagem é justamente nesse período de ano. Só em março devemos ter chuva mesmo”, ressaltou.

De acordo com o presidente da companhia, vários municípios do interior, em especial no sertão, estão enfrentando racionamento e são abastecidos com carros-pipa. “É necessário controlar a distribuição de água para garantir o abastecimento. Mas se a estiagem se prolongar, podemos chegar a racionamentos mais radicais. Com o nível dos rios como estamos, acho que dá para chegar até março. Mas estamos tomando outras medidas, perfurando poços e reativando poços que haviam sido deixados de lado.”

27 novembro 2012

Lixo nas águas da Baía de Guanabara provoca defeitos em catamarãs

Algumas embarcações apresentaram problemas técnicos durante a manhã e o tempo de espera para o embarque na estação Charitas, em Niterói, foi de aproximadamente de 40 minutos

Priscilla Aguiar - O Fluminense


Montantes de lixo na Baía de Guanabara provocaram atrasos na segunda-feira na estação das Barcas em Charitas, Niterói, e usuários chegaram a esperar 40 minutos na fila, de acordo com a concessionária CCR Barcas. Entre 6h35 e 6h48, antes de entrar em operação, o catamarã Avatares apresentou falha devido ao acúmulo de lixo na entrada de água que refrigera o motor. Às 7h20, outra embarcação da linha de Charitas, o catamarã Apolo, também apresentou problemas por conta do lixo, ao atracar na Estação Praça XV, no Rio.

Após o desembarque dos passageiros, as equipes de manutenção subiram a bordo para fazer os procedimentos de limpeza, que duraram cerca de 25 minutos. A embarcação Apolo ficou fora de operação durante toda a manhã e os intervalos de outras embarcações subiram de 15 para 20 minutos.

A dentista Maria Lúcia Araújo, de 36 anos, esperou cerca de 30 minutos na fila de embarque. “No horário do rush, chovendo e em plena segunda-feira, qualquer atraso complica tudo. Deveriam ter resolvido o problema antes”, reclamou.

A CCR Barcas informou, ainda, que tem buscado soluções para os problemas recorrentes ocasionados pela grande quantidade de lixo flutuante nas águas da Baía, principalmente após chuvas fortes na região.

Fiscalização –
A Agetransp, agência que regula os transportes no Estado, informou, por meio de nota, que enviou fiscalização para a estação Praça Quinze para apurar os motivos da paralisação dos catamarãs Avatares e Apolo. Técnicos da agência estiveram no local para acompanhar a normalização do serviço. No final de outubro a fiscalização de campo já havia identificado problemas em ambas as embarcações. O catamarã Apolo, que fazia o trajeto Charitas-Praça XV precisou ser encaminhado para reparos e foi substituído pela Avatares, que também apresentou falha e teve que ser retirada de circulação. Devido à ocorrência, o transporte foi realizado com atrasos e foi registrada superlotação na estação Charitas.

23 novembro 2012

CMA vota projeto que limita emissão de CO2 por carros fabricados a partir de 2016

Correio do Brasil

A Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA) vota em decisão terminativa, na terça-feira (27), à partir das 11h30, proposta que estabelece níveis máximos de emissão de dióxido de carbono (CO2) em veículos fabricados no Brasil.

De acordo com o texto aprovado, o limite será de 120 gramas de CO2 por quilômetro para os veículos leves fabricados a partir de 2016 e 95 gramas para os fabricados a partir de 2020.

O projeto (PLS 55/2008), de autoria do senador Gim Argello (PTB-DF), foi modificado pelo relator, Flexa Ribeiro (PSDB-PA). O texto original previa a redução de 10% no consumo de combustíveis nos veículos produzidos no país, em relação aos valores verificados na data da publicação da nova lei.

O relator entendeu que haveria problemas na aferição de tais valores, por não haver um método universalmente aceito e por haver variação de consumo entre os diversos modelos . “Dessa maneira, torna-se praticamente impossível ao poder público averiguar se as montadoras estão cumprindo tal exigência”, disse Flexa Ribeiro.

Clonagem de animais

A comissão analisa ainda, em decisão terminativa, projeto de lei (PLS 73/2007) que regulamenta as atividades de produção, importação, comercialização, fiscalização e pesquisa de material genético animal e clones domésticos de interesse zootécnico.

A matéria já foi aprovada na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária, Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo (CDR) e Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ).

TCU

Outra matéria que poderá ser votada em decisão terminativa pela CMA é o projeto de lei que prevê a realização de auditorias pelo Tribunal de Contas da União (TCU) nas agências reguladoras.

De acordo com a proposta (PLS 438/2007), as auditorias operacionais deverão ser periódicas e buscarão avaliar o desempenho da agência e de seus diretores. Ao final, os processos serão enviados ao Senado e à Câmara dos Deputados.

21 novembro 2012

Brasil reciclou cerca de 22% dos plásticos pós-consumo em 2011

Rio das Ostras News

Uma empresa de consultoria especializada no segmento industrial, apontou que, em 2011, foram reciclados no Brasil 21,7% dos plásticos pós-consumo. Ou seja, 736 mil toneladas de plástico que se destinariam ao lixo foram transformadas em novos produtos. Em 2010 a marca foi de 19,4%. A pesquisa é anualmente encomendada pela Plastivida Instituto Sócio Ambiental dos Plásticos e desenvolvida de acordo com metodologia do IBGE.

A pesquisa aponta que no ano, o Brasil registrou 815 recicladoras de plásticos, 52,4% delas no Sudeste, 34,2% no Sul, 8,8% no Nordeste, 3,9% no Centro-oeste e 0,6% no Norte do país. Essas empresas faturaram juntas, em 2011, R$ 2,4 bilhões, frente aos R$ 1,95 bilhão faturado em 2010, ou seja, um crescimento de 23%. Essas empresas geraram 22,7 mil empregos diretos.

Mostra também que a região Sudeste foi a que mais reciclou material plástico em 2011 (55,5%), seguida das regiões Sul (27,7%), Nordeste (9,9%), Centro-Oeste (5,4%) e Norte (1,5%).

Os segmentos que mais consumiram plásticos reciclados no ano passado foram Utilidades Domésticas, Agropecuária, Industrial, Têxtil, Construção Civil, Descartáveis, Infraestrutura, Limpeza Doméstica, Eletroeletrônicos, Indústria Automobilística, Móveis e Calçados.

O nível operacional médio da indústria brasileira de reciclagem de plásticos em 2011 foi de 63% da capacidade instalada, que é de 1,7 milhão de toneladas. A pesquisa mostra que esse fator é um reflexo da falta de sistemas de coleta seletiva no Brasil, já que dos 5.565 municípios brasileiros, apenas 443, ou seja, 8% contam com algum tipo de coleta seletiva e que não necessariamente atendem à demanda necessária para o incremento da reciclagem de materiais como um todo.

Outros fatores que ainda limitam um aumento expressivo na atividade, apostado pela pesquisa foram: aumento do preço do material reciclado e consequente queda na competitividade em relação à resina virgem, altos custos de utilidades, como energia elétrica, impedem o crescimento das recicladoras, a baixa qualidade do material que é coletado, a informalidade das empresas, entre outros.

Ainda assim, a posição do Brasil no ranking mundial em termos de índice de reciclagem mecânica de plásticos pós-consumo tem relevante destaque. Suécia (35%), Alemanha e Noruega (33%), Bélgica (29,2%), Dinamarca (24%), Itália (23,5%), Suíça e Reino Unido (23%), Eslovênia (22%) e Brasil (21,7%). A média da União Europeia é de 24,7%.

O presidente da Plastivida, Miguel Bahiense, acredita que a educação - a disseminação dos conceitos de consumo responsável, reutilização dos produtos e destinação adequada dos resíduos, entre eles os plásticos - é o canal mais eficaz para que toda a sociedade – população, indústria, poder público – compreenda seu papel em prol da sustentabilidade. “É por meio da educação e do empenho de todos – poder público indústria (produtos e serviços) e população - que vamos conseguir aproveitar melhor os recursos, gerar economia e garantir a preservação ambiental”, afirma o executivo.


Fonte: M.Free Comunicação

Temperatura pode registrar até 4ºC a mais no fim deste século, alerta estudo

Carolina Gonçalves e Renata Giraldi
Repórteres da Agência Brasil, em Brasília

Inundação de cidades costeiras, agravamento de seca em algumas regiões do mundo e de ondas de calor são cenários prováveis, caso os países não cumpram as promessas que têm firmado de reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Estudo encomendado pelo Banco Mundial revelou que se as economias do mundo não adotarem posturas mais ambiciosas em relação ao clima e ao meio ambiente, a temperatura pode registrar até 4 graus Celsius (ºC) a mais no fim deste século.

De acordo com a pesquisa, todas as regiões do mundo sofreriam, mas as nações mais pobres seriam as mais afetadas pelos riscos à produção de alimentos, que podem elevar as taxas de subnutrição e desnutrição, ao agravamento da escassez de água e à maior ocorrência de fenômenos como ciclones tropicais e perda irreversível da biodiversidade.

Algumas cidades de Moçambique, Madagascar, do México, da Venezuela, Índia, de Bangladesh, da Indonésia, das Filipinas e do Vietnã estariam mais vulneráveis à elevação do nível do mar em 0,5 metro (m) a 1m até 2100. O estudo destaca que as regiões mais vulneráveis estão nos trópicos, em regiões subtropicais e em direção aos polos, onde múltiplos impactos podem ocorrer simultaneamente.

Mesmo diante do alerta, os representantes do Banco Mundial destacaram que ainda é possível manter a elevação da temperatura no mundo abaixo dos 2ºC, meta assumida por autoridades de quase 200 países que estiveram reunidos na Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas, em 2010.

A possibilidade de evitar 4°C a mais na temperatura mundial, segundo o estudo, dependeria de uma ação política sustentada da comunidade internacional. Ainda assim, a pesquisa indica que alguns danos e riscos ao meio ambiente e às populações não poderiam ser mais evitados.

Pesquisadores da instituição apontam o uso mais eficiente e mais inteligente da energia e dos recursos naturais como uma das medidas de redução do impacto do clima sobre o desenvolvimento, sem que isso represente ameaça ao ritmo de redução da pobreza no mundo e ao crescimento econômico das nações.

14 novembro 2012

Mercado da terra arrasado

Mais da metade da madeira retirada da Floresta Amazônica tem origem ilegal. Falta de transparência nos licenciamentos e fálhas na fiscalização fortalecem a venda irregular

Camila Nobrega - O Globo

 
E difícil precisar os números da destruição das florestas tropicais mundo afora. A vastidão do problema envolve desde a Amazônia Legal — que engloba nove estados — até países da África Central e do Sudeste Asiático. Documentação falsificada, abates clandestinos em zonas não licenciadas e fiscalização ineficaz por parte das autoridades fazem parte do rol de motivos que sustentam o mercado negro de madeira globalmente. Com a ajuda da Interpol, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) mapeou o comércio ilegal de madeira e chegou a conclusão que, no Brasil, mais da metade da madeira retirada da Floresta Amazônica é ilegal — o índice varia de 40% a 60%. Já no exterior, esse percentual é bem mais baixo, oscilando entre 15% e 30% do comércio global.


— O percentual de madeira sem documentação caiu cerca de 70% no Brasil, se compararmos com uma década atrás. O dado é resultado de um esforço da Polícia Federal. O problema, porém, é que a falsificação dos documentos de autorização para desmatamento cresceu. O mercado negro está aumentando e dificultando a verificação da origem da madeira — disse o analista sênior do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Christian Nellemann, lançando mão dos dados do Pnuma.

Estados como o Pará têm conseguido reduzir o desmatamento ilegal. O Pará, apesar de ser o maior desmatador da Amazônia Legal, teve os melhores resultados. A redução é fruto da ação repressiva do Ministério Público Federal do Pará. Em conseqüência, a área desmatada diminuiu: 4.281 quilômetros quadrados em 2009, 3.770 quilômetros quadrados em 2010 e 3.008 quilômetros quadrados em 2011. Em outros estados, como o Mato Grosso, a situação não melhorou. Segundo o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), 47% da madeira retirada, entre agosto de 2010 e julho de 2011, eram ilegais.


O levantamento do Imazon se baseia em imagens de satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Nesse caso, o objetivo foi verificar não apenas a madeira que circuia no estado sem o Documento de Origem Florestal (DOF), mas também registrar casos de documentação falsificada. O autor do estudo, André Monteiro, fez uma comparação dos registros de desmatamento captados pelos satélites com dados obtidos a partir de uma parceria com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) do Mato Grosso.


Ele comparou as autorizações para des-mataménto em cada área registrada pela secretaria com os clarões abertos na floresta. Os resultados confirmam a hipótese de que a quantidade de madeira sem documento caiu, em parte porque créditos de desmatamento estão sendo negociados no mercado negro.


Na prática, a secretaria autoriza a retirada de um total de madeira numa propriedade. O dono do local, por sua vez, vende estes créditos para outra pessoa ou empresa, que retira madeira de um local não autorizado e o identifica como originário da primeira propriedade. Assim se dá o processo de "esquentar” a madeira.


— Identificamos várias áreas que haviam obtido autorização para o manejo de madeira, mas continuavam intactas. Provavelmente, alguns desses proprietários pediram licença para desmaiar apenas para vender seus créditos. Assim, muitas árvores são retiradas de áreas privadas sem autorização, de terras indígenas e de áreas de conservação e ainda saem da Amazônia como se fossem de origem legal — explicou Monteiro.


Ainda de acordo com o estudo do pesquisador, a área total desmatada sem anuência do órgão licenciador no Mato Grosso foi de 65.454 hectares. A exploração de madeira ilegal no estado em 2009 era de 39% do comércio total, em 2010 passou para 44%, e em 2011 chegou a esse patamar de 47%, um alerta para a falsificação de documentos na área.


O problema não só faz parte da rotina de cidades amazônicas, como é reconhecido pelo Ibama, órgão fiscalizador federal. Em 2011, o Ibama apreendeu 55 mil metros cúbicos de madeira em tora — sem nenhum tipo de be-neficiamento — e 28,6 mil metros cúbicos de madeira cerrada. Em média, o órgão registra 25 mil autos de infração. Os dados parecem altos, mas é muito pouco para os cinco milhões de quilômetros quadrados de Amazônia Legal.


Desde a aprovação da lei complementar 140, no final de 2011, o órgão perdeu poder, que foi repassado aos estados. Hoje, as secretarias ambientais de cada estado são as principais responsáveis tanto pelo licenciamento, como pela fiscalização de áreas desmatadas. Mas, se aumentou a agilidade para o licenciamento da retirada da cobertura florestal, faltam atividades de fiscalização.


Segundo o diretor de Proteção Ambiental do Ibama, Luciano Evaristo, a fiscalização estadual hoje é quase inócua, e falta transparência em relação a dados mais específicos de licenciamento por área, o que dificulta a programação de atividades pelo órgão federal. Evaristo afirmou que, embora seja obrigatório por lei, os estados não enviam dados detalhados ao Ibama: 


— Os estados sonegam informações sobre desmatamento no país. Eles têm que cumprir a lei e divulgar não só para o Ibama, mas para a sociedade em geral os dados sobre quantos planos de manejo foram autorizados, em quantos hectares e qual quantidade de madeira em metros cúbicos foram autorizadas para retirada. Não adianta divulgar parte dos dados, e é preciso também facilitar, com um mapa apontando as licenças por cada propriedade. Eles não repassam essas informações trabalhadas, não são abertas nos sites de cada secretaria. Isso precisa mudar.

Evaristo atribui a principal responsabilidade pela falta de informações à ausência do Ibama. Ele explica que a fiscalização feita pelo órgão atualmente se baseia apenas em dados do satélite do Inpe e ressalta que as ações para coibir a retirada de madeira ilegal organizadas pelos estados não acompanham mais a velocidade de licenciamentos de planos de manejo: — Ao aprovar um plano de manejo, o estado aprova todos os créditos daquele local. Se falta fiscalização, é um combustível para o mercado negro de créditos fictícios.


Segundo dados do Ibama, o comércio de madeira ilegal é mais forte nos estados do Mato Grosso, Pará, Rondônia e, nos últimos anos, vem chegando ao Amazonas, onde ainda há grandes áreas de floresta nativa de pé, Nenhum dos quatro estados possui em seus sites oficiais as informações sobre licenciamento para retirada de árvores correlacionadas com as áreas exatas onde os planos de manejo foram aprovados.


As quatro secretarias de Ambiente foram procuradas e questionadas sobre listas que apontassem os números totais de planos de manejo aprovados entre julho de 2011 e agosto de 2012, a quantidade de madeira em metros cúbicos e em hectares. Apenas o órgão do Pará respondeu à solicitação, apontando que houve 166 autorizações de exploração florestal; com aplicação de plano de manejo em 117.611 hectares. No total, 2,9 milhões de toras de madeira nativa foram retiradas, o equivalente a 3,27 milhões de metros cúbicos de floresta.


O Pará não disponibiliza, porém, um mapa com a localização das propriedades. Apenas 36 fiscais atuam no estado, que confirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que a parceria para o repasse de informações ao Ibama ainda é falho. No site da secretaria do Mato Grosso, há a informação de que houve 234 autorizações de exploração florestal em 2011, e 29 autorizações de desmate. Mas não há dados sobre o total de áreas desmatadas, nem a quantidade de metros cúbicos de madeira retirados. 


Em todos os casos, para ter informações detalhadas de cada plano de manejo aprovado, é necessário ter dados como a razão social da propriedade ou o número do processo. Os dados não são públicos.

Muito além da madeira
 

Comunidades ribeirinhas do Pará diversificam produtos e reduzem pressão na floresta

No quintal de sua casa, na comunidade de Jaburu, no Pará, Manoel Cordosvaldo de Souza, o Codó, mexe a massa de andiroba no fogareiro. Tomando o lugar das mulheres da casa, que tradicionalmente extraem o óleo da semente, ele garante parte do sustento do lar, que ainda é complementado por óleo de pracaxi e pela comercialização da menina dos olhos da região, o açaí. Foi assim que a família dele abandonou a extração de madeira. E é exatamente essa estratégia silenciosa que tem sido o principal instrumento de combate ao desmatamento na região. Se não há alternativa de renda, as familias se voltam para a madeira. Mas, se há, elas, que vivem sob as árvores da floresta, não têm por que retirá-las.


- É misturar vários produtos. Esse é o jeito. Tira um pouco de cá, outro de lá, e não precisa tirar madeira. Hoje em dia a comunidade só derruba as árvores quando é uma emergência, quando o dinheiro falta - disse Codó.


A realidade é parecida na comunidade vizinha, a Ilha das Cinzas, no mesmo município, de Gurupá. Em 2011, os moradores foram ganhadores do Prêmio Finep de Tecnologia Social, por conta do Manejo Comunitário de Camarão de Água Doce. Se até a década de 1990 a madeira ainda era a renda principal no local, hoje são o açaí e o camarão que garantem prato cheio e o pagamento das contas. A Ilha das Cinzas ganhou reconhecimento de assentamento agroextrativista e, com título de propriedade na mão, a comunidade conseguiu apoio para desenvolver projetos. As mudanças foram simples, mas a renda familiar locai dobrou, e a preservação da floresta cresceu, como explicou um dos mais antigos moradores, Antônio Braz de Oliveira, o Baixinho:


- Eu tirei foi muita madeira dessa floresta. A família inteira trabalhava cortando muita madeira, para ganhar apenas alguns trocados. As madeireiras sempre exploravam e ficavam com o lucro. No fim das contas, as árvores sumiam e elas iam embora. Mas nós moramos aqui e éramos os mais afetados. 


Os esforços para fazer uma pesca mais sustentável começaram quando comunidades vizinhas passaram aperto pela escassez de camarão.

E, hoje, além do camarão, a comunidade faz também manejo de açaí - 70% da renda dos moradores. Em vez de cortar árvores ou tirar o palmito, a opção pelo açaí se mostrou mais rentável, além de garantir a sobrevivência da floresta de que eles tanto precisam.


É essa saída que o líder indígena Almir Suruí busca para terras indígenas. Ameaçado de morte e integrante da lista vermelha de ambientalistas em risco da Secretaria de Direitos Humanos por conta da luta contra madeireiras, ele afirma que a melhor forma de combater crimes ambientais e o aliciamento de ribeirinhos e índios é a geração de renda por outras fontes:


- Não estou dizendo que os índios que são aliciados e tiram madeira de área de proteção não são culpados. Eles, como os ribeirinhos, são culpados também. Sabem que estão fazendo algo errado. Mas é preciso dar uma alternativa de renda para que as pessoas possam sobreviver, dar de comer a seus filhos. A floresta não precisa ser intocada, ela pode ser explorada de forma sustentável, com as árvores de pé - disse Suruí.


Hoje, ele briga com pelo menos 100 serrarias nas cidades de Cacoal, Pacarana, Espigão e Rondolândia, todas no Mato Grosso, próximas à aldeia indígena. Os suruís desenvolvem vários projetos e buscam até créditos de carbono pelo mecanismo de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD). Mas ainda falta incentivo do governo, empresas e fundações.

13 novembro 2012

Renan Calheiros é denunciado pelo MPF por construir estrada em unidade ambiental de Alagoas

Carlos Madeiro
Do UOL, em Maceió

O MPF (Ministério Público Federal) ingressou com uma ação na Justiça Federal em Alagoas contra o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) por danos ambientais, patrimoniais e morais coletivos.

Em nota divulgada na noite desta segunda-feira (12), a Procuradoria da República em Alagoas informou que o alvo da ação é a empresa de propriedade do político, a Agropecuária Alagoas Ltda., com sede em Murici (52 km de Maceió).

Segundo a denúncia, o senador e sua empresa são acusados de pavimentar ilegalmente uma estrada de 700 metros no interior da Estação Ecológica de Murici, que é uma unidade de conservação federal.

O MPF alega que a obra foi feita sem autorização do Icmbio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), a quem cabe a administração do local. A constatação da pavimentação foi feita em maio de 2011, quando fiscais do Icmbio foram ao local e viram que a obra invadiu os limites da unidade de conservação. A ação teve como base investigações da Polícia Federal

Segundo a ação, a estrada dá acesso à Fazenda Alagoas, de propriedade da Agropecuária Alagoas, até a BR 101. Para o MPF, o senador criou a empresa apenas com a finalidade de “se esquivar de obrigações legais”.

“A empresa Agropecuária Alagoas, apesar de possuir outros sócios e administradores, é gerida e mantida com patrimônio advindo, em sua maior parte, do sócio Renan Calheiros”, afirmou.

Relatório do Icmbio aponta que alguns pontos da estrada está a menos de um metro da floresta, enquanto em outros está dentro da própria mata. O órgão aponta, como problemas causados pela obra “a impermeabilização, erosão e compactação do solo; a poluição sonora e a redução de biodiversidade.”

“A pavimentação da estrada na unidade de conservação tinha o escopo de facilitar o escoamento de produtos bovinos da Fazenda Alagoas, garantindo o lucro de sua atividade empresarial”, diz o Icmbio.
Compensação

Apesar da construção ilegal, o MPF não pede a remoção da estrada, sob alegação de que a destruição causaria ainda mais danos ambientais.

Segundo o procurador Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, autor da ação, caso condenado, o senador deverá promover ações de compensação ambiental. O MPF pede à Justiça que todo o lucro da empresa entre os anos de 2008 e 2012 sejam investidos em projetos de compensação ambiental. A reportagem do UOL procurou, na manhã desta terça-feira (13), a assessoria de imprensa do senador, mas foi informada que Renan Calheiros ainda não havia se pronunciado sobre a denúncia do MPF.

11 novembro 2012

Pesquisa da USP utiliza húmus de minhoca na descontaminação de solos

Fernanda Cruz
Repórter da Agência Brasil

São Paulo – Um estudo do Instituto de Química de São Carlos, da Universidade de São Paulo, destinado a livrar solos da contaminação por cobre, chumbo e cromo, empregou húmos resultante da compostagem com minhocas (vermicompostagem) no esterco bovino, como alternativa ecológica para corrigir terras que precisam ser descontaminadas.

De acordo com a professora Maria Olimpia de Oliveira Rezende, que coordenou a pesquisa, a limpeza de solos contaminados pelos metais é um processo complexo e oneroso, além de utilizar produtos nocivos ao meio ambiente. Com o novo método desenvolvido pela pesquisa, o material empregado na vermicompostagem, o esterco bovino, é usado por ter propriedades orgânicas e também por ter se apresentando como solução ecológica, já que trata-se de um resíduo que seria descartado no meio ambiente. Além do esterco, existem outras fontes que poderiam ser utilizadas como bagaço de laranja e cana-de-açúcar.

Segundo Leandro Antunes Mendes, mestre em química ambiental e autor da pesquisa, a contaminação por cobre e por chumbo pode ocorrer em qualquer área de mineração ou despejo de resíduos sem controle no solo. O cromo, liberado pelas indústrias de curtume, após o tratamento do couro, é problema de cidades paulistas como Jaú e Franca, onde existem muitas fábricas de calçados de couro.

Ele explica que apesar de a presença do cobre e do chumbo em pequenas quantidades serem essenciais para as plantas, a bioacumulação desses metais no solo diminuem a fertilidade e podem toná-lo improdutivo. A existência de cromo provoca nas plantas o amarelamento, impedem o crescimento e a morte das mudas ainda muito novas. Segundo a pesquisadora Maria Olimpia, a dosagem do húmos de minhoca pode ainda ser usada para corrigir deficiências de cobre e chumbo nos diferentes tipos de terras, conforme a necessidade de cada cultura.

Nas pesquisas iniciais foram utilizados 25% de húmos de minhoca para 75% de solo contaminado. Com este percentual, os cientistas conseguiram eliminar totalmente a contaminação. A pesquisadora Maria Olimpia explica que o processo, no entanto, não retira os metais do local. “Os elementos tóxicos continuam no solo, mas ficam imobilizados. Eles não ficam disponíveis para as plantas, nem para serem carregados e levados ao lençol freático”, explicou a pesquisadora, que ressaltou a necessidade de monitoramento contante dos solos após a descontaminação.

O procedimento usado pelos pesquisadores foi deixar o esterco compostando por três meses. “Através da ação conjunta de bactérias, ela [a compostagem] vai transformando o esterco bovino em material mais estabilizado”, disse.

O próximo passo foi adicionar minhocas, que comem o composto e expelem o húmus, chamado de vermicomposto. “Esse material tem muitas propriedades, que ajudam na fertilidade do solo”. A aplicação do vermicomposto no solo contaminado eleva a capacidade de troca catiônica, que é o quanto o solo consegue trocar cátions com o meio.

“Se você tem um solo com elevada capacidade de troca catiônica, ele tem maior possibilidade de liberar os cátions retidos no solo e absorver os cátions que são perigosos, como o cobre, chumbo e cromo”, disse. Assim, explicou, após o emprego do vermicomposto em solo contaminado, as espécies metálicas (cobre, chumbo e cromo) ficam retidas, de uma forma que tornam-se indisponíveis no meio ambiente.

Uma das vantagens do novo método de descontaminação é que a imobilização de metais que contaminaram os solos impede que os tóxicos sejam levados ao lençol freático pela chuva. “O risco para a saúde humana na água é ainda maior que a contaminação no solo, porque eles [metais] se espalham facilmente pela água”, disse Maria Olimpia. Ela explicou que a ingestão de cromo em quantidades elevadas pode provocar câncer e o chumbo é peratogênico, ou seja, em mulheres grávidas, pode gerar malformação de fetos.

Segundo Leandro, o estudo, tema da sua tese de mestrado, foi feito apenas em laboratório e teve início em março de 2010. O próximo passo dos pesquisadores será testar o vermicomposto em campo e tentar reduzir a proporção da quantidade de húmos empregada. Além disso, os cientistas pretendem examinar a fitotoxidade dos solos, ou seja, irão plantar sobre a terra descontaminada por meio do vermicomposto para verificar se os metais foram ou não sugados pelas plantas.

Construções sustentáveis ganham regras para energia

Economídia
Especial para o Terra

O modelo para construções sustentáveis, até então disponível apenas para edificações comerciais, está prestes a ganhar uma versão para ser adotada em residências. O referencial está sendo criado pelo Green Building Council Brasil (GBC), organização que fomenta a indústria de construções sustentáveis no País. O uso racional de energia tem grande peso entre os critérios de avaliação de uma construção sustentável. Entre as regras estão: atendimento aos pré-requisitos descritos pelo PROCEL Edifica; iluminação natural; energia renovável; otimização do desempenho energético; processos de medição e verificação.

Outros itens importantes são uso racional da água, de materiais e recursos, qualidade ambiental interna, regras sociais e inovação. O desenvolvimento do referencial específico para residências começou há pouco mais de um ano a partir da crescente demanda do mercado de construção civil e das empresas membros da instituição. "Muitos proprietários nos procuravam para saber como construir uma casa sustentável, a preocupação com os materiais a serem utilizados e o que deveria ser observado. Nós levamos esses questionamentos em consideração para desenvolver essas diretrizes", afirma Maria Carolina Fujihara, coordenadora técnica do GBC.

O trabalho tem o objetivo de criar parâmetros nacionais de sustentabilidade para residências unifamiliares ou multifamiliares, de baixo, médio e grande porte. Segundo o gerente técnico da organização, Marcos Casado, a base para criação desse novo referencial foi o LEED for Homes, desenvolvido pelo U.S Green Building Council (USGBC) que é utilizado para certificar empreendimentos residenciais nos Estados Unidos. "O que nós fizemos foi incorporar a essa base o melhor de todos os sistemas de certificação existentes no mercado brasileiro e mundial", afirma.

O "Referencial para Casas Sustentáveis" foi submetido à consulta pública pelo site da organização e recebeu comentários de cidadãos e especialistas do país inteiro. No momento, a entidade está selecionando cinco empreendimentos para a fase piloto. Serão inseridos projetos de baixo, médio e alto padrão sem restrições de metragem mínima ou máxima. A partir de 2013, data prevista para finalização, o GBC Brasil também oferecerá cursos de capacitação para profissionais e pessoas interessadas em aprender como tornar uma habitação sustentável a partir das diretrizes apontadas pelo documento.

Os empreendimentos serão avaliados segundo as categorias descritas abaixo:

- Implantação: controle de erosão, sedimentação e poeira na obra; seleção do terreno; paisagismo; redução de ilha de calor; controle e gerenciamento de águas pluviais; controle de pragas e doenças;

- Uso Racional da Água: medição e gerenciamento do consumo de água fria; sistemas de irrigação eficientes;

- Energia e Atmosfera: atendimento aos pré-requisitos descritos pelo PROCEL Edifica; iluminação natural; energia renovável; otimização do desempenho energético; processos de medição e verificação.

- Materiais e Recursos: aspectos como gerenciamento de resíduos, uso de madeira legalizada e materiais ambientalmente preferíveis, entre outros;

- Qualidade Ambiental Interna: controle de emissão de gases de combustão, filtragem do ar exterior; acústica, etc;

- Requisitos Sociais: legalidade e qualidade da obra; acessibilidade universal, adoção de boas práticas para operação e manutenção;

- Inovação e Projeto: análise do ciclo de vida e gerenciamento da qualidade com foco na durabilidade; projeto integrado e planejamento etc.

- Créditos Regionais: levarão em conta as especificidades de cada região do país.
 

08 novembro 2012

Ataques de animais peçonhentos crescem 157% em 10 anos

O Eco

Os números impressionam: somente no ano passado, foram notificados mais de 139 mil acidentes provocados por picadas de animais peçonhentos. Desse total, 293 pessoas morreram. Um levantamento realizado pela Unidade Técnica de Vigilância de Zoonoses do Ministério da Saúde indicam, nos últimos 10 anos, um aumento de 157% no número de notificações de casos de acidentes provocados por animais peçonhentos.

As notificações são registradas tanto na zona rural como em áreas urbanas e o aumento costuma ser verificado entre os meses de novembro a março, quando ocorre o período das chuvas. “As chuvas desalojam os animais que vivem em tocas, como escorpiões, aranhas e serpentes. Eles acabam procurando abrigo em locais mais secos, muitas vezes, dentro de residências, aumentando a chance de ocorrência de acidentes”, explica Eduardo Caldas, coordenador de Vigilância em Zoonoses do Ministério da Saúde.


Além das chuvas, o Ministério da Saúde também aponta como causa para o aumento de acidentes o desequilíbrio ecológico e o período reprodutivo de alguns desses animais peçonhentos.


Os acidentes, dependendo da espécie, são mais frequentes nas cidades do que no campo.


A região Nordeste é campeã em acidentes com escorpiões, com 30.282, e a Bahia é o estado com maior registro total, 10.461. A segunda região é a Sudeste com 22.579 casos em 2011, 13.428 em Minas Gerais.


A região Sul registra o maior número de acidentes com aranhas: 18.052 casos em 2011. O Paraná sozinho teve 9.326 casos. As regiões Norte e Nordeste concentram os acidentes com serpentes: 9.329 e 8.184 casos, respectivamente.


O hospital Vital Brazil, do Instituto Butantan, em São Paulo, é especializado no tratamento de acidentes por animais peçonhentos e tem telelefones par orientação 24 horas por dia: (11) 2627-9529 e (11) 2627-9528.


Para dicas de primeiros socorros, visite a
o site do Instituto Butantan.
 

Número de mortos em terremoto na Guatemala sobe a 39

Também há mais de 150 feridos e dezenas de desaparecidos.
Tremor na costa do Pacífico foi sentido no México e em El Salvador.

 

Do G1, com agências internacionais

O forte terremoto de magnitude 7,4 que atingiu a costa pacífica da Guatemala nesta quarta-feira (7) já deixou pelo menos 39 mortos, mais de 155 feridos e dezenas de desaparecidos, segundo as autoridades. Balanço anterior falava em 29 mortos.

A situação mais grave é do departamento de San Marcos, fronteiriço com o México, onde pelo menos 40 casas desabaram e houve deslizamento de terra de montanhas sobre estradas.


Bombeiro em meio a desabamento provocado pelo terremoto desta quarta-feira (7) em San Marcos, na Guatemala (Foto: AFP)Bombeiro em meio a desabamento provocado pelo terremoto desta quarta-feira (7) em San Marcos, na Guatemala (Foto: AFP)

Também há vítimas nos departamentos de Quetzaltenango, Huehuetenango, Quiché, Sololá e Totonicapán, segundo o presidente Otto Pérez Molina.

O tremor ocorreu à 10h35 locais (13h35 no horário de Brasília), a uma profundidade de 41 km, segundo o Serviço Geológico dos EUA, que monitora terremotos.

O epicentro foi registrado a 56 km da cidade de Retalhuleu, na Costa Rica, a 61 km de Suchiate, no México, e a 163 km da Cidade da Guatemala.

Já houve pelo menos duas forte réplicas de magnitude superior a 4,7.

De acordo com a agência Reuters, os tremores foram sentidos na Cidade da Guatemala e na Cidade do México, causando abalos nos prédios, e também em El Salvador.


Segundo testemunhas, pessoas deixaram prédios em partes da capital guatemalteca, e bombeiros e equipes de resgate ficaram em alerta. Prédios também foram esvaziados na capital mexicana.

O Centro de Alerta de Tsunami do Pacífico informou que um tsunami bem pequeno foi registrado na costa da Guatemala, acrescentando que havia risco de danos localizados num raio de 100 quilômetros.

O terremoto desta quarta-feira foi o pior sofrido pela Guatemala desde 1976, quando um tremor de magnitude 7,5 causou a morte de cerca de 20 mil pessoas.

06 novembro 2012

Tráfico ilegal põe em risco vida de aves no Brasil

Correio do Brasil
Por Redação, com BBC - de São Paulo


O período que vai de setembro a dezembro é a época de reprodução da arara e do papagaio-verdadeiro (amazonaaestiva), duas das principais vítimas do mercado negro de animais silvestres no Brasil. Esse é também o período em que as autoridades mais registram ocorrências do tráfico ilegal dessas aves e de outros animais.

Os criminosos retiram as aves de seus ninhos em troncos de árvores enquanto elas ainda estão nos ovos ou não têm penas para voar.

Um filhote de papagaio-verdadeiro é vendido aos traficantes, por sitiantes e trabalhadores rurais do interior do país, por cerca de R$ 30.

A ave é então revendida ilegalmente pelos criminosos por R$ 150 em feiras do sudeste do país.


O filhote também pode receber uma anilha falsa e ser vendido por até R$ 1.000 – como se sua origem fosse um criadouro legalizado.

Além das aves, também são vítimas do comércio ilegal animais como cobras, peixes ornamentais, macacos em risco de extinção e até anfíbios – usados em pesquisas científicas por indústrias farmacêuticas.

Só neste ano, a Polícia Federal apreendeu em suas operações quase 14 mil animais silvestres. A maior parte deles pássaros – cerca de 13 mil.

Apesar de variar muito anualmente, o número de animais apreendidos pelo órgão vem crescendo. Em 2007, foram menos de 500 espécimes recuperados.

Os policiais dizem acreditar que o número de animais apreendidos seja apenas uma pequena parte do número de espécimes contrabandeados.

O Ibama – órgão responsável pela fiscalização – foi procurado pela BBC Brasil para comentar o assunto, mas decidiu não se manifestar.

Rotas

A maior parte dos animais silvestres apreendidos pela polícia foi capturada por criminosos nas regiões norte e nordeste do país, segundo o delegado Adalto Machado, da Delemaph (Delegacia de Repressão aos Crimes Contra o Meio Ambiente e Patrimônio Histórico) da Polícia Federal de São Paulo.

Mas, segundo ele, um grande número de animais também procede de Estados como Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná e até do Uruguai.

Depois de capturados por moradores locais, os bichos são vendidos para traficantes que os escondem às centenas em carros de passeio.

Na viagem até São Paulo, os animais enfrentam a superlotação das gaiolas, o calor e às vezes até a falta de água e comida.

Quando chegam ao local de revenda, os animais normalmente ficam escondidos em cômodos pequenos e sujos.


Cerca de 20% deles morrem na viagem ou até dez dias após terem sido apreendidos pela polícia, segundo a veterinária Liliane Milanelo, do Cras (Centro de Recuperação de Animais Silvestres) do governo de São Paulo.

- Eles chegam (em centros de recuperação) com elevado grau de estresse, algumas vezes com lesões permanentes, fraturas e olhos furados, devido à aglomeração. Chegam também desidratados, com desnutrição e alguns animais em óbito, infelizmente – disse ela.

O delegado Machado afirmou que, segundo investigações da PF, uma parte dos animais silvestres que chegam a São Paulo é enviada ao exterior – principalmente para a Europa e os Estados Unidos.

As principais rotas de saída do Brasil são voos para Portugal e rotas terrestres que cruzam as fronteiras com a Argentina e o Uruguai.

Recuperação

Os animais vítimas de traficantes que são recuperados pela polícia são enviados para centros especiais de recuperação. Neles, são identificados, marcados e separados segundo espécies e idade. Recebem então uma avaliação clínica.

Segundo a veterinária Milanelo, os que estão doentes passam por cirurgias ou tratamentos com medicamentos. Aqueles que estão desnutridos ou estressados são submetidos a um processo de reabilitação. Ele inclui treinamentos para obter comida sozinho, voar – no caso das aves – e para evitar a aproximação das pessoas.


Os animais aguardam então a formação de lotes para que sejam enviados em grupo aos seus Estados de origem, onde são soltos na natureza.

Contudo, segundo ativistas, o Ibama não tem capacidade para dar esse tipo de tratamento a todos os animais apreendidos.

O órgão passa por um processo de descentralização, mas ainda não tem locais de reabilitação suficientes para atender a demanda.

Para tentar resolver o problema, credencia entidades estaduais ou privadas para receber os animais. O Cras (Centro de Recepção de Animais Silvestres) de São Paulo é uma delas. Mas, embora seja uma das mais bem aparelhadas do país, está superlotada.

Com vagas para cerca de 1.500 animais, abriga hoje mais de 2.100. Cerca de 500 deles são fruto de uma única apreensão da Polícia Federal, realizada em outubro.

05 novembro 2012

Deputados aprovam estímulo à indústria de reciclagem de resíduos sólidos

Agência Câmara de Notícias
 
A indústria de reciclagem de resíduos sólidos foi contemplada no texto aprovado, nesta quarta-feira, para a MP 574/12 com um crédito presumido de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), de PIS/Pasep e de Cofins para estimular essa atividade.

O cálculo será sobre o valor de venda de matéria-prima ou produto intermediário fabricado com resíduos reciclados. As empresas terão direito a um crédito equivalente a 65% da alíquota desses tributos. Entretanto, não poderão usar os créditos conseguidos com a compra dos resíduos sólidos.


Isenções 

 
A MP 574/12 prorroga o prazo de isenção do PIS/Pasep e da Cofins para a importação e venda no mercado interno de massas alimentícias, como macarrão, lasanha, nhoque e cuscuz.

Originalmente, era apenas de seis meses, até 31 de dezembro de 2012, mas o relator, deputado Sandro Mabel (PMDB-GO), ampliou a isenção até 31 de dezembro de 2013.


Ele incluiu ainda os insumos usados na cadeia produtivas do peixe entre os beneficiados com essa isenção, que vigorará até 31 de dezembro de 2016.


Outra mudança nesses tributos é a reinclusão das receitas com venda de pedra britada, areia para construção e areia de brita na cobrança cumulativa da Cofins. A MP 561/12, convertida na Lei 12.693/12, já havia mudado esse regime de cobrança para o PIS/Pasep.


Processos do Fisco 

 
O texto de Sandro Mabel também amplia os casos nos quais, havendo jurisprudência contra o Fisco, o procurador-geral da Fazenda Nacional poderá desistir do processo na Justiça.

Atualmente, isso vale para as decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e passarão a valer também para o Tribunal Superior do Trabalho (TST), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a Turma Nacional de Uniformização de Jurisprudência, no âmbito dos juizados especiais federais.


As decisões das unidades da Receita Federal deverão reproduzir o entendimento adotado nas decisões finais de mérito sobre o mesmo tema.


No caso de consultas à Receita, quando o contribuinte pede uma posição antecipada sobre uma interpretação controversa da lei, o texto passa a permitir que ela seja feita por meio eletrônico e determina ao Executivo a regulamentação de um prazo para resposta.


Produto sustentável 

 
O texto aprovado concede um incentivo fiscal aos produtos considerados sustentáveis segundo avaliação da Comissão Interministerial de Mudança do Clima. A isenção de IPI, PIS e Cofins será fiscalizada pela Receita e pelo Ministério do Meio Ambiente.

O setor também passa a contar com um título de Produto Sustentável, concedido oficialmente ao produto cujo peso total seja composto, no mínimo, por 25% de gás potencialmente causador do efeito estufa (gás carbônico ou metano, por exemplo). Outros critérios serão aplicados, como uso de energia renovável e processo de produção que gere menos gás do efeito estufa.

 
Confira outros pontos da MP 574/12:
  • - isenção do Adicional de Frete para a Renovação da Marinha Mercante (AFRMM) e da taxa do sistema de sua emissão e controle (Mercante) no transporte de mercadoria submetida à pena de perdimento;
  • - proibição de uso de créditos com a Receita para compensar o pagamento do adicional e da taxa do Mercante, que não passará mais a fazer parte do Fundo da Marinha Mercante (FMM);
  • - fim da cobrança do PIS/Pasep e da Cofins sobre embalagens de água, refrigerante e cerveja com base no número de unidades;
  • - todos os custos com equipamentos contadores de produção de fabricantes regionais de refrigerante serão ressarcidos integralmente pela Receita Federal.

Habitat quente faz animais aquáticos terem tamanho menor, diz estudo

Cientistas compararam 169 animais de espécies diferentes para pesquisa.
Estudo diz que redução ocorre porque há menos oxigênio no mar que no ar.

 

Do Globo Natureza, em São Paulo

Temperaturas mais altas fazem com que animais aquáticos cresçam até um tamanho menor do que o normal quando atingem a fase adulta, segundo estudo conjunto das universidades de Londres e de Liverpool, no Reino Unido, divulgado nesta segunda-feira (5).

Os cientistas compararam o tamanho de 169 animais terrestres, marinhos e de água doce de várias espécies na fase adulta, submetidos a temperaturas diferentes. Os seres aquáticos "encolheram" numa proporção dez vezes maior do que os terrestres de tamanho similar em ambientes muito aquecidos, aponta um dos autores da pesquisa, o cientista Andrew Hirst, da Universidade de Londres. O efeito ocorre principalmente em animais com tamanho próximo ao de insetos e pequenos peixes.


O crustáceo 'Calanus propinquus', um dos pesquisados pela equipe do cientista Andrew Hirst (Foto: Divulgação/Alfred Wegener Institute for Polar and Marine Research)O crustáceo 'Calanus propinquus', um dos animais pesquisados pela equipe do cientista Andrew Hirst, da Universidade de Londres (Foto: Divulgação/Alfred Wegener Institute for Polar and Marine Research)

"Enquanto animais aquáticos têm seu tamanho reduzido em 5% para cada grau Celsius de aquecimento, espécies de mesmo tamanho que vivem na terra encolhem, em média, 0,5%", disse Hirst no estudo. A pesquisa foi publicada nesta segunda-feira (5) no periódico "Proceedings of the National Academy of Sciences" ("PNAS", na sigla em inglês).

O estudo afirma que a causa mais provável para essa diferença de tamanho entre espécies submetidas a habitats quentes ocorre porque na água a disponibilidade de oxigênio é bem menor do que na atmosfera.

Segundo os cientistas, quando a temperatura sobe no ambiente, a necessidade de oxigênio pelos organismos cresce - e é muito mais difícil para animais aquáticos obtê-lo do que para terrestres, diz a pesquisa.

02 novembro 2012

Elefante surpreende cientistas ‘falando’ coreano

Cientistas ficaram surpresos com a habilidade de pronunciar palavras em coreano

BBC Brasil


Um elefante-asiático surpreendeu os cientistas com sua habilidade de pronunciar palavras, em coreano.

Pesquisadores da Universidade de Viena contam que o mamífero chamado Koshikque viveu no zoológico da cidade de Yongin, na Coreia do Sul, aprendeu a imitar sons humanos e é capaz de falar cinco palavras.


De acordo com um estudo, o elefante posiciona a ponta da tromba na boca e transforma o seu bramido em uma imitação convincente de fonemas humanos.


A pesquisa sobre as habilidades de Koshik foram publicados no jornal científico Current Biology.


O elefante entra agora para o seleto grupo de espécies capazes de imitar sons humanos, como papagaios, leões marinhos e baleias belugas.

Pesquisa


O trabalho, coordenado por Angela Stoeger, da Universidade de Viena, começou com gravações das habilidades vocais de Koshik.


— Nós perguntamos a coreanos nativos, que não conheciam o elefante, para escrever o que eles entendiam, quando escutavam gravações sobre os sons de Koshik.


Os resultados foram um alto índice de compreensão do que foi "dito" por ele.


O estudo listou cinco palavras, em coreano, pronunciadas pelo mamífero: "annyeong" (olá); "anja" (senta); "aniya" (não); "nuwo" (deita) e "choah" (bom).


— O discurso humano tem dois aspectos importantes, um é o tom e outro é o timbre, e Koshik preenche ambos aspectos, disse a pesquisadora à BBC.


Comunicação para criar laços


Geralmente, um elefante produz sons mais profundos, em uma frequência tão baixa, que não pode ser ouvida pelos humanos, mas estes sons podem ser transmitidos por quilômetros de distância.

No entanto, os pesquisadores acreditam que Koshik não compreende as palavras que pronuncia, na verdade, a tagarelice do elefante seria uma forma de criar laços com os humanos.


Entre as idades de 5 e 12 anos, Koshik esteve no zoológico de Everland, na cidade sul-coreana de Yongin, e os pesquisadores acreditam que o período foi crucial para o desenvolvimento vocal dele.


Cientistas acreditam que o caso pode ajudar a entender o desenvolvimento da capacidade de falar dos humanos.

30 outubro 2012

Como a indústria recicla papel?

Com o mesmo processo com que faz o papel comum - só muda a matéria-prima

Danilo Rodrigues
Mundo Estranho 

 
O material recolhido para a reciclagem precisa ser transformado em massa de fibra de celulose antes de entrar nas máquinas, mas, depois, os aparelhos e procedimentos são os mesmos.

Geralmente, o papel vendido como reciclado tem apenas parte de sua matéria-prima vinda do reaproveitamento. Isso porque, quanto maior a quantidade de papel reciclado, mais frágil será o produto final. Mas a indústria papeleira nacional já é 100% sustentável: todos os fabricantes usam madeira de reflorestamento.


Neste infográfico - Lavou, tá novo - veja como, em 2010, o papel reciclado salvou cerca de 46 milhões de árvores.

23 outubro 2012

Uruguai entre em alerta por ciclone; 20 mil pessoas estão sem energia

Rio News

Autoridades pedem a retirada de sete mil pessoas de áreas de risco. O país enfrenta fortes chuvas desde o último sábado (20).

12 outubro 2012

Proposta de importação de baleias gera forte oposição nos EUA

Defensores dos direitos dos animais são contra a remoção de 18 belugas de seu habitat natural

Por Felicity Barringer - The New York Times
AFP
Aquária da Geórgia quer importar 18 belugas
Uma proposta para importar 18 baleias beluga para se tornarem atrações de populares parques interativos nos Estados Unidos está atraindo uma feroz oposição dos defensores de direitos dos animais e outros, que se opõem a sua remoção de seu habitat selvagem. O Aquário da Geórgia, em Atlanta apresentou um pedido de licença federal para a importação em nome de um grupo de parques marinhos, dizendo que os aquários precisam das baleias do Ártico para contribuir com os esforços de reprodução em cativeiro, pesquisa e educação. A aprovação do pedido acabaria com um hiato na importação de quase duas décadas que se baseia em possíveis dúvidas sobre a remoção de mamíferos marinhos inteligentes e sociais de suas águas nativas e grupos familiares.

Para complicar as coisas, a decisão do governo federal será baseada não em bioética, mas na linguagem do Ato de Proteção dos Mamíferos Marinhos, que reconhece o benefício de se ganhar os corações e mentes dos clientes pagantes que acabam desenvolvendo uma ótima relação com animais como a baleia beluga, uma baleia que tem expressividade facial.


Trinta e uma baleias belugas, algumas jovens demais para reproduzir e outras que estão chegando ao final de seus 35 anos de vida, estão agora em exibição nos Estados Unidos. Mundialmente, acredita-se que algumas centenas estão em cativeiro.

Para Hal Whitehead, um especialista em mamíferos marinhos da Universidade de Dalhousie, em Nova Scotia, não há necessidade para muito debate. "Nós sabemos que elas são mamíferos sociais com migrações complexas e longas, e que elas vão para diferentes habitats em diferentes épocas do ano, e que se comunicam muito bem", disse ele. "Não há nenhuma situação em cativeiro que consiga reproduzir estes fatores."

Mas, para alguns especialistas, o valor de pesquisa e conservação de uma população de reprodução robusta em cativeiro supera de longe qualquer ponto negativo em relação a remoção das baleias de seu habitat natural. Embora 24 belugas tenham nascido em cativeiro em instituições americanas desde 1994, incluindo uma que foi concebida por meio de inseminação artificial, oficiais disseram que a população precisa de um número maior e de mais diversidade genética para prosperar.

A Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos planeja realizar uma audiência pública sobre a proposta de importação na sexta-feira, dia 12 de outubro, em Silver Spring, Maryland. Uma decisão pelo seu serviço de pescas está previsto para o início do próximo ano.

Embora as baleias se tornariam propriedade do Aquário da Geórgia, elas também seriam enviadas para o Shedd em Chicago, o Mystic Aquarium, em Connecticut, e os parques Sea World em San Antonio, San Diego e Orlando, na Flórida

Os custos de Belo Monte e as exigências não cumpridas

Por Francisco Nixon Frota
Do Valor 


Índios já custam R$ 70 mi à Belo Monte
André Borges | De Brasília

As ações compensatórias direcionadas às aldeias indígenas que, de alguma forma, são impactadas pela construção da hidrelétrica de Belo Monte, já consumiram R$ 70 milhões da Norte Energia. O cálculo é do presidente do consórcio responsável pela usina, Duílio Figueiredo, que enfrenta a terceira paralisação do empreendimento desde que assumiu o projeto, 70 dias atrás. 


"Temos atendido, desde o início do empreendimento, todas as ações previstas em nosso cronograma. Neste mês iniciamos os projetos de nosso Plano Básico Ambiental (PBA) indígena. Não há, portanto, nenhuma justificativa para esses protestos", disse ao Valor.

Ontem, a Justiça Federal determinou a reintegração de posse de um dos canteiros de obras da hidrelétrica, ocupado desde a terça-feira por um grupo de aproximadamente cem pessoas, entre índios, ribeirinhos e membros de organizações não governamentais. Durante a manifestação, os indígenas tomaram as chaves de caminhões e tratores na ensecadeira, e os trabalhadores tiveram que deixar o local a pé.

Em sua decisão, o juiz federal Marcelo Honorato deu 48 horas de prazo para que a Fundação Nacional do Índio (Funai) entre no local e promova a retirada pacífica dos manifestantes. O trabalho, iniciado ontem, é coordenado pela Polícia Federal em Altamira (PA), com apoio da Polícia Militar.

A invasão do canteiro de obras levou a Norte Energia a interromper as atividades de 900 trabalhadores que atuavam no local. A paralisação, segundo Duílio Figueiredo, não afetará gravemente o prazo para conclusão das obras da ensecadeira, barreira provisória que está sendo erguida no leito do rio Xingu, no Pará. "Vamos aumentar os turnos e trabalharemos também nos fins de semana. Temos de concluir as ensecadeiras até o início de dezembro, quando começa o período das chuvas", disse.

Os protestos desta semana tiveram a participação de dois grupos de índios que, segundo a Norte Energia, vivem em aldeias que estão a 300 quilômetros acima do local onde será erguida a barragem de Belo Monte.

Apesar de os índios não terem apresentado uma reivindicação específica que levou à invasão dos canteiros, suspeita-se que a manifestação tenha sido motivada pelo fim dos repasses financeiros que eram feitos pela Norte Energia. Desde a emissão da licença prévia da usina, dois anos atrás, o consórcio vinha desembolsando R$ 30 mil por mês para cada aldeia indígena da região. No mês passado, o repasse foi paralisado, porque a empresa passará a realizar, agora, as ações previstas no PBA indígena, o qual já teria sido submetido à Funai e a cada uma das 28 aldeias que habitam a região.

O pacote envolve um conjunto de 320 ações divididas em dez programas de apoio a serem executados durante cinco anos. Estima-se que a implementação dessas medidas deverá custar cerca de R$ 250 milhões à Norte Energia. As primeiras ações, segundo Figueiredo, já começaram e deverão levar à instalação de escolas e postos de saúde em cerca de 12 aldeias até o fim deste ano.

Segundo o Movimento Xingu Vivo Para Sempre, que atua na região, os índios acusam o empreendimento de fechar o rio sem que tenha sido solucionada a transposição de barcos de um lado a outro da ensecadeira, como exige a licença de instalação. A Norte Energia nega que haverá problemas com a transposição de embarcações.