09 dezembro 2011

Transposição abandonada

O Estado de SP

O jogo de palavras com que o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, tentou negar a paralisação das obras de transposição do Rio São Francisco, que estavam em execução por empresas particulares, não esconde o fato de que na origem dos problemas mostrados pelo Estado (4/11) estão a pressa eleitoral e a incompetência gerencial do governo. Planejadas como cenário para a propaganda do governo Lula e, no ano passado, para a campanha eleitoral de Dilma Rousseff, as obras de transposição foram iniciadas sem que houvesse projetos adequados. Por isso tiveram de ser interrompidas para que fossem elaborados esses projetos, cuja execução exigirá a recontratação de diversos trechos. Para o ministro, porém, tudo não passa de uma simples "desaceleração".

O problema, porém, é bem mais grave. Os repórteres Eduardo Bresciani e Wilson Pedrosa percorreram trechos das obras durante três dias e constataram que elas estão se deteriorando. As estruturas de concreto dos canais, submetidas ao calor intenso e sem utilização, começam a estourar ou a rachar e há vergalhões de aço abandonados. Natural em qualquer construção interrompida, a deterioração pode ser mais rápida em obras como as da transposição do São Francisco, feitas para receber continuamente a carga de um grande volume de água e não para ficarem expostas diretamente às condições climáticas da região semiárida.

Em todo o trecho percorrido pela reportagem - com exceção da parte sob responsabilidade do Exército -, o que se constatou foi o abandono das obras. Entre os municípios pernambucanos de Betânia e Custódia, em um trecho de 500 metros do eixo leste, o concreto está quebrado e vários pedaços estão caídos sobre o leito do futuro canal. "As empresas abandonaram as obras e já começou a se perder o trabalho feito", disse o padre Sebastião Gonçalves, da diocese pernambucana de Floresta. "É um desperdício inexplicável."

O Ministério da Integração Nacional reconhece que, dos 14 lotes em que a obra foi dividida, 6 estão parados. Não se trata de uma interrupção, segundo o ministro Fernando Bezerra. "Estamos vivenciando uma desaceleração no ritmo em consequência das dificuldades e dos problemas que enfrentamos pela contratação de projetos básicos que se revelaram frágeis quando da execução", disse ele ao Estado. "A obra já não cabia dentro dos contratos e muitas frentes não puderam ser abertas."

Em linguagem mais simples, isso quer dizer que a obra mais alardeada do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) - que ampliou a popularidade do ex-presidente Lula e garantiu boa parte dos votos com que a presidente Dilma Rousseff se elegeu -, uma das mais polêmicas dos últimos anos e uma das mais caras em andamento no País, começou a ser executada sem que houvesse projetos executivos adequados. Um governo só age desse modo por pressa, determinada por cálculos político-eleitorais, ou por incapacidade administrativa e técnica - ou pelas duas razões.

Ganhos políticos para o governo e sua então candidata certamente houve. No município de Floresta, por exemplo, em 2010 a candidata petista obteve 86,3% dos votos; em Cabrobó e Custódia, 90,7%; e em Betânia, 95,4%. No segundo turno, Dilma teve 75% dos votos válidos de Pernambuco, Estado onde começa o desvio do São Francisco.

Mas a pressa com que as obras foram contratadas já provocou revisões de seu custo total, agora orçado em R$ 6,8 bilhões (R$ 1,8 bilhão mais do que a previsão original). Segundo o governo, desse valor, R$ 3,8 bilhões já foram empenhados e R$ 2,7 bilhões, pagos.

É muito provável que, até o fim das obras, o custo seja novamente revisto. O próprio ministro Fernando Bezerra admitiu a necessidade de renegociação e recontratação de diversas frentes de trabalho. Além disso, haverá o custo de recuperação daquilo que se está perdendo com a suspensão das obras. Apesar da veemência do ministro, não é certo que as empresas arcarão com esse custo. Afinal, a "desaceleração", como diz o ministro, é de responsabilidade do governo, não das construtoras.

08 dezembro 2011

Brasil diz que aceita meta legal e obrigatória após 2020; COP caminha para acordo

Lilian Ferreira

Do UOL Ciência e Saúde, em Durban

A ministra do meio ambiente do Brasil, Izabella Teixeira, declarou nesta quinta-feira (8), na Conferência do Clima (COP-17), que o Brasil deseja negociar o mais cedo possível um tratado legal e obrigatório de redução nas emissões de gases do efeito estufa para todos os países, além da prorrogação do Protocolo de Kyoto. A exigência de um acordo global é uma das condições de países desenvolvidos para assinar o segundo período de comprometimento.

"O Brasil trabalha com afinco para a adoção de um segundo período de compromisso para o Protocolo de Kyoto e o fortalecimento da implementação da convenção em curto, médio e longo prazo. Se todos trabalharmos juntos, poderemos negociar o mais cedo possível um novo instrumento legalmente vinculante, baseado nas recomendações da ciência que inclua todos os países para o período imediatamente pós 2020", afirmou.

Mais cedo, o negociador dos EUA, Todd Stern, disse que o país aceita um acordo legal pós 2020. O maior problema é ele ser vinculante, ou seja obrigatório, e ter de passar pelo legislativo do país. A China também já sinalizou que aceita negociar metas para este período. Com isso, as negociações caminham para um acordo. O grande entrave agora é a Índia, que ainda diz não ter condições de assumir obrigações.

Os acenos indicam que os países estão dispostos a negociar, mas ainda é preciso definir quais serão as metas e como elas serão estabelecidas - e aí moram grandes divergências. Em um texto com proposta para o acordo de longo prazo, os países desenvolvidos deveriam assumir o corte de 25% a 40% na COP-18.

O que deve ser acordado

“Em Cancún, as partes acordaram definir compromissos adicionais para o anexo I para o período após 2012, tempo de assegurar que não haja lacuna entre o primeiro e o segundo períodos de cumprimento do Protocolo. Durban é nossa última oportunidade de evitar essa lacuna", lembrou Teixeira.

A ministra ainda pontuou outros aspectos essenciais que devem ser definidos até amanhã. "Um resultado ambicioso em Durban deve necessariamente avançar todos os aspectos da negociação. Além de Kyoto, devemos também operacionalizar as instituições acordadas em Cancun, incluindo o comitê de adaptação, o centro e rede de tecnologia para o clima, o registro de ações de mitigação nacionalmente adequadas, acompanhadas de apoio internacional, o programa de trabalho sobre medidas de resposta e o Fundo Verde para o Clima".

A ministra voltou a destacar o trabalho feito por países emergentes, como Brasil, Índia e China. “Países em desenvolvimento já estão contribuindo significativamente para o esforço global contra a mudança climática, por meio de ações ambiciosas de mitigação", disse.

A proposta brasileira é de reduzir em pelo menos 36,1% suas emissões em relação às emissões projetadas até 2020. “Isso significa reduzir em até 1,2 bilhão de toneladas de  CO2 equivalente no ano de 2020”. O que inclui reduzir o desmatamento na Amazônia, Cerrado e demais biomas, planos para agricultiura de baixo carbono, pesca e aquicultura, energia, transporte e indústria

Posições quanto a um pacto global de corte de gases estufa

China

A China tem se mostrado propensa a aceitar um acordo que vise um compromisso de metas obrigatórias a partir de 2020, com regras a serem definidas no futuro e se uma série de cinco condições forem atendidas.

Entre as demandas está o acordo de uma segunda fase de Kyoto, a criação do Fundo Verde para o Clima e o princípio de responsabilidade comum, mas com exigências diferenciadas, dependendo da capacidade de cada país, ou seja, quem está em desenvolvimento não teria as mesmas metas de desenvolvidos. Este é o principal ponto de desacordo com os EUA, que querem metas 'iguais' para todos.

Até 2020 valeriam as ações voluntárias dos países em desenvolvimento recolhidas no protocolo. A China tem um autoimposto desde 2009, que tem por objetivo melhorar entre 40% e 45% suas emissões de dióxido de carbono por unidade do Produto Interno Bruto (PIB) em 2020 na comparação dos números de 2005. Isto poderia não significar uma redução das emissões em termos absolutos, apenas relativos.

Um dos entraves para o país é que um acordo legal internacional exige monitoramento global das emissões (para checar se o acordo está sendo cumprido). Mas a China é contra qualquer controle externo.

EUA

Os EUA é um dos países mais isolados já que é um dos principais emissores, é um país desenvolvido, mas não tem metas obrigatórias globais de redução dos gases estufa. Por isso, diz não poder opinar sobre a prorrogação de Kyoto, já que não faz parte dele.

O país tem se mostrado mais favorável a aceitar metas legais internacionais a partir de 2020, desde que sejam em pé de igualdade com outros países. Isso significa não ter maiores metas que a China e sem ter que transferir tecnologia e recursos para os países em desenvolvimento.

Com a crise financeira, tem se mostrado ainda mais contrário à transferência de recurso para rivais econômicos, como a China, por exemplo.

Os EUA destacam que têm uma meta voluntária legal interna de corte nas emissões de 17% até 2020, frente aos níveis de 2005, o que significa uma redução de 3% em relação a 1990.  Em 2009, as emissões aumentaram 7,3% em relação a 1990, mas tiveram queda gradual a partir de 2005.

União Européia

A União Européia como um bloco conseguiu diminuir suas emissões de acordo com as metas de Kyoto (dimuniu 20% enquanto a meta era de 8%) e concorda em prorrogar o Protocolo. Para isso, entretanto, quer que os países em desenvolvimento e os EUA aceitem agora se comprometer com metas obrigatórias de redução das emissões a partir de 2015.

Austrália

A Austrália segue a mesma  posição da União Europeia: aceita um novo período de Kyoto, desde que países em desenvolvimento, entre eles a China, Índia e Brasil, aceitem se comprometer com metas obrigatórias de redução das emissões a partir de 2020.

Japão, Rússia e Canadá

Este é o grupo que mais empaca a prorrogação do Protocolo de Kyoto. Eles são contra prorrogar suas metas obrigatórias, enquanto os maiores poluidores do mundo atual, China e EUA, também não se comprometerem com metas.

Japão e Rússia conseguiram cumprir as metas de Kyoto e reduziram suas emissões, já o Canadá aumentou suas emissões em quase 30% de 1990 para 2009.

Índia

A Índia apresentou a posição mais conservadora dos Basic (Brasil, África do Sul, China e Índia). Apesar de não se colocar contra um acordo legal global a partir de 2020, diz que ainda não tem condições de assumir tal compromisso e afirma que possui milhares que pessoas que emitem zero.

Brasil

O Brasil tem metas voluntárias de reduzir de 36,1% a 38,9% suas emissões até 2020 e diz que conseguirá atingir a meta antes do previsto, e afirma estar pronto para negociar um acordo vinculante global a partir de 2020.

A proposta do país é fazer o segundo período de Kyoto agora e esperar o relatório do IPCC em 2014. Ele irá ditar as diretrizes a serem seguidas para se conter o aquecimento global. Com base nestes dados e na revisão da temperatura máxima permitida para conter o aquecimento (marcada para 2015), os países traçariam metas obrigatórias.

07 dezembro 2011

Senado aprova texto-base do Código Florestal

Band

O Plenário aprovou na noite desta terça-feira, em primeiro turno, com 59 votos a favor e 7 contrários, o texto-base do novo Código Florestal (PLC 30/2011), substitutivo de autoria dos senadores Luiz Henrique (PMDB-SC) e Jorge Viana (PT-AC) para o texto do então deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), hoje ministro do Esporte.

Emergentes divergem sobre acordo climático na CoP-17

Por Daniela Chiaretti | Valor

De Durban, África do Sul

Embora os países do grupo do Basic - Brasil, África do Sul, Índia e China - tenham desejado mostrar à imprensa que não há diferenças entre eles na conferência climática da ONU em Durban, na África do Sul, o discurso da ministra do Meio Ambiente da Índia, Jayanthi Natarajan, indicou que não é bem assim. A Índia é muito mais dura em suas condições para aceitar, no futuro, um acordo internacional que seja legalmente vinculante.

"Nas negociações, alguns países têm projetado a questão do acordo legalmente vinculante no futuro como uma panaceia para a mudança climática", disse. "Isso está completamente fora do prumo."

A ministra deixou claro que os avanços econômicos feitos na China e no Brasil no combate à pobreza não têm o mesmo alcance na Índia. "Não podemos nos esquecer de que, para um número grande de pobres no mundo em desenvolvimento, o mundo não mudou", disse. "Não se pode esperar que eles tenham compromissos legais e obrigatórios de reduzir emissões se não têm nada para reduzir."

Não será em Durban que este acordo será fechado, ninguém tem expectativa disso. Mas um dos resultados da conferência pode ser uma promessa de que isso aconteça no futuro, e o acordo sair entre 2015 (como quer a Europa) e 2020 (como preferem o Brasil e outros).

A Índia, no entanto, é mais reticente. A China diz que aceita estar, no futuro, no mesmo acordo que as outras grandes economias do mundo, desde que os países desenvolvidos saiam de Durban com o segundo período do Protocolo de Kyoto fechado e transfiram tecnologia e verbas para as nações em desenvolvimento. "Somos países responsáveis e de ação", disse Xie Zhenhua, o negociador-chefe chinês. Ele cobrou os países ricos a "honrarem seus compromissos". Disse, também que espera que o Fundo Climático Verde seja "lançado logo". Para Xie, as condições que a China coloca para aderir a um acordo no futuro não são novas - uma resposta direta à declaração de Todd Stern, o negociador-chefe americano, de que os EUA entrariam em um acordo do gênero desde que as mesmas condições valessem para todos.

Nesse ponto, não há acordo para os emergentes que, em Durban, têm lembrado mais do que nunca que, se a crise ambiental é global e todos têm responsabilidades, elas são diferentes de acordo com a história de industrialização de cada país e sua capacidade para enfrentar o problema. É o princípio das "responsabilidades comuns, mas diferenciadas". A Europa concorda com ele; os Estados Unidos, não.

O chefe dos negociadores brasileiros, Luiz Alberto Figueiredo Machado, lembrou que o Brasil "está fazendo a sua parte". Ressaltou o último dado do desmatamento - 11% menor que no ano anterior.

"É o índice mais baixo desde que começamos a monitorar o desmatamento, em 1988", explicou. Sobre o fundo climático, Figueiredo disse que não pode tornar-se "uma casca vazia", referindo-se à falta de recursos para os países mais carentes conseguirem se adaptar às cheias e inundações.

"Queremos sair de Durban com o fundo climático totalmente funcional", adiantou.

O brasileiro também destacou que "os negociadores estão trabalhando duro em Durban" e que "o Brasil está pronto para dar um passo adiante".

Marinha dos EUA usará biocombustível em navios e aviões

Agência AFP

A Marinha dos Estados Unidos, que quer reduzir sua dependência do petróleo, decidiu comprar 1,7 milhão de litros de biocombustível para seus navios e aviões, informou o secretário da Marinha, Ray Mabus.

Esta compra "faz parte do objetivo fixado pelo presidente (Barack) Obama para garantir uma segurança energética maior ao reduzir nossa dependência do petróleo e dos combustíveis fósseis," disse Mabus nesta segunda-feira a jornalistas.

O contrato, fechado pela Agência Logística de Defesa (DLA, siglas em inglês), chega a 12 milhões de dólares divididos entre a Dynamic Fuels, uma empresa conjunta criada pela Tyson Foods e pela Corporação Syntroleum, e a empresa Solazyme.

A Dynamic Fuels produz biocombustível a partir de gordura animal e óleos vegetais que são misturados em 50% com o combustível para aviões tradicional. A Solazyme produz combustível a partir de algas que depois é misturado com combustível para barcos.

No próximo verão (hemisfério norte) será realizado na costa do Havaí um grande exercício naval.

Todos os navios -à exceção dos porta-aviões movido a energia nuclear- e os aviões que participarem usarão 50% de combustível convencional e 50% de biocombustível.

"Para 2016, queremos mobilizar um grupo aeronaval em uma missão habitual de vários meses utilizando 50% de biocombustível para navios e aviões, disse Mabus.

Lobby do camarão libera uso de mangue

Em acordo de última hora, antes da votação do Código Florestal, produtores asseguraram 35% dos manguezais do Nordeste para sua atividade

MARTA SALOMON / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

O forte lobby de produtores de camarão liberou ontem o uso de parte dos manguezais para a atividade pouco antes do início da votação da reforma do Código Florestal no plenário do Senado. "É o lobby mais poderoso que já vi", comentou Jorge Viana (PT-AC), relator do projeto.

Pelo acordo selado, os produtores de camarões poderão ampliar sua atividade por até 10% das áreas dos chamados apicuns da Amazônia e 35% dessas áreas no Nordeste. O governo deu aval ao acordo para vencer o que considerava ser o último obstáculo à votação das novas regras de proteção do meio ambiente. A extração de sal também ficou liberada nesses limites.

Não havia horário previsto para a votação terminar. A expectativa era levar a reforma do Código novamente ao plenário da Câmara na semana que vem e concluir, assim, um debate que já dura 13 anos.

O presidente da Associação Brasileira de Criadores de Camarão, Itamar Rocha, acompanhava as negociações do cafezinho do plenário, lugar reservado a parlamentares e convidados. Defendia a liberação completa da atividade, conforme previa o texto aprovado pela Câmara, mas gostou do acordo.

Segundo ele, o negócio movimenta por ano R$ 1 bilhão. A intenção do setor é ampliar em até 50 vezes a área de cultivo, disse Rocha.

A proposta que seria votada ontem à noite, mas que poderia avançar na madrugada de hoje, não satisfaz totalmente nem ruralistas nem ambientalistas. Dos cerca de 900 mil km2 de vegetação nativa desmatada em Áreas de Preservação Permanente (APPs) e de Reserva Legal, um terço poderá ser recuperado ou compensado, de acordo com as novas regras em discussão.

O relator estima que o novo Código exigirá a recuperação da vegetação nativa de cerca de 20 mil km2 por ano, nas próximas duas décadas. Os números não são precisos, porque dependem de informações do futuro Cadastro Ambiental Rural, que todos os produtores rurais ficarão obrigados preencher.

Pelo texto, ficam mantidas para o futuro as atuais regras de proteção da vegetação nativa num porcentual de 20% a 80% das propriedades privadas do País, dependendo do bioma. Também são mantidas para o futuro as regras de proteção das APPs, de 30 a 500 metros às margens de rios, dependendo da largura.

Pequenos produtores, com imóveis até 4 módulos fiscais (de 20 a 400 hectares, dependendo do município), terão condições especiais de recuperação da área desmatada, a começar pela dispensa de recomposição da Reserva Legal. Nas APPs, os pequenos terão de recompor de 15 a 100 metros às margens de rios. A estimativa é que o benefício alcançará 88% dos estabelecimentos rurais do País, cerca de 4,5 milhões de imóveis.

Imóveis desmatados até 2008 poderão regularizar a ocupação mediante regras que serão definidas pela União e detalhadas pelos Estados a partir de um ano após a aprovação da reforma do Código Florestal.

"Não é o ideal, mas pedimos a todos paciência", discursou a senadora Kátia Abreu (PSD-TO), presidente da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), ao pedir a abertura das galerias para a entrada de produtores rurais acompanharem a votação. A CNA discutia, porém, o apoio de ruralistas a uma nova investida de liberar mais áreas para o agronegócio ontem.

"Estamos assistindo a uma derrota anunciada. Há uma tentativa de mostrar que o acordo no Senado não anistia desmatadores nem estimula novos desmates. Acho que é tudo falso, mas há uma profunda apatia", avaliou Paulo Adário, coordenador da campanha Amazônia do Greenpeace, no início da votação.

Apoio. Ambientalistas buscavam apoio para uma emenda que declarava moratória a novos desmatamentos na Amazônia no período de dez anos. Na Câmara, a proposta de moratória por cinco anos foi abandonada pelo relator Aldo Rebelo (PCdoB-SP) durante a negociação. Novos desmatamentos ficam autorizados pelo texto em votação ontem à noite e mediante licença, no limite da Reserva Legal das propriedades e em Áreas de Preservação Permanentes, desde que por utilidade pública, interesse social ou baixo impacto ambiental.

Multa contra Chevron será mantida

FELIPE WERNECK - Agência Estado

Um parecer jurídico da Procuradoria do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Rio apontou irregularidades na aplicação da multa de R$ 50 milhões pelo órgão contra a Chevron. No entanto, o superintendente do Ibama na capital fluminense, Adilson Gil, afirmou hoje que não vai acatar a recomendação e que a penalidade será mantida.

Anunciado pelo presidente do Ibama, Curt Trennepohl, o auto de infração contra a empresa americana foi lavrado no dia 21 de novembro, duas semanas após o início do vazamento. A decisão foi tomada antes da conclusão do laudo técnico que classificou o acidente na Bacia de Campos como "dano ambiental grave", assinado por técnicos do Ibama e da Marinha no dia 22 de novembro. De acordo com o parecer jurídico, o fato de a multa ter sido aplicada um dia antes da realização do laudo ambiental torna sua validade passível de anulação.

"O auto não foi lavrado ao acaso, foi uma decisão da coordenação de fiscalização. O entendimento da Procuradoria não foi acolhido", declarou Gil. Segundo ele, o artigo n.º 50 do decreto 4.136, de 2002, "não indica que o laudo técnico tenha que ser prévio à aplicação da multa". Na análise do advogado Rogério Zouein, especialista em direito ambiental, faz sentido a recomendação da procuradoria.

Segundo ele, o fato de a multa preceder o laudo pode "enfraquecer a fundamentação e a credibilidade". "Parece nítido que optaram pelo caminho mais curto, que a decisão foi tomada por pressão política e desprovida de embasamento técnico", avaliou o advogado. "Em tese, por se tratar de uma multa dessa magnitude, o ato administrativo pressupõe uma fundamentação. Poderá facilitar a vida da empresa."

O superintendente do Ibama acrescentou que decidiu esticar em três dias o prazo dado à Chevron para apresentar sua defesa, até 15 de dezembro. Inicialmente, ela tinha 20 dias, contados a partir da notificação. "É para não ter especulação e suspeita sobre qualquer tipo de cerceamento", argumentou Gil. Segundo ele, a Chevron poderá obter um desconto de 30% do valor integral, caso opte por pagar até o dia 15, sem contestação. Ao apresentar sua defesa, será iniciada a discussão do mérito.

Procurados pela reportagem, os responsáveis pela Procuradoria e pelo parecer jurídico no IBAMA do Rio informaram que aguardavam autorização da Advocacia Geral da União (AGU) para se manifestar sobre o caso, o que não havia ocorrido até o fim da tarde. O procurador da República em Campos, Eduardo Santos de Oliveira, informou hoje que requisitou ao Ibama o parecer da procuradoria jurídica.

O caso foi divulgado no blog do analista ambiental Rogério Rocco, ex-superintendente do IBAMA no Rio. "Comenta-se que a multa só foi lavrada quando o presidente do Ibama veio ao Rio, com um fiscal de Brasília, porque a Coordenação Geral de Petróleo e Gás - que funciona no Rio -, teve suprimida pela presidência sua competência para exercer a fiscalização, eis que a grande prioridade do Ibama seria agilizar os licenciamentos", escreveu Rocco. O Ministério do Meio Ambiente não comentou o caso, apenas informou que "está no âmbito da superintendência do Rio".

Multas - Além da multa administrativa já aplicada de R$ 50 milhões, com base na chamada Lei do Óleo, o Ibama avalia a eventual aplicação de mais duas multas à Chevron, uma de R$ 10 milhões, referente ao suposto descumprimento do licenciamento, e outra de R$ 50 milhões, sobre a questão da poluição ambiental. A ANP (Agência Nacional de Petróleo) já havia anunciado multa no valor de R$ 100 milhões.

Terremoto no Japão provocou tsunami raro de fusão de duas ondas

Em Washington (EUA)

 

O forte terremoto de março nas costas do Japão provocou um raro "tsunami de fusão", no qual duas ondas se combinaram ampliaram a destruição depois de tocar a terra, segundo a Nasa.

Pela primeira vez, os satélites radar dos Estados Unidos e da Europa captaram imagens de duas ondas em fusão que passaram a formar uma "onda única, de altura dobrada em alto mar", o que confirma a existência de um processo que foi uma hipótese por muito tempo.

 

"Esta onda foi capaz de viajar longas distâncias sem perder a potência. As dorsais oceânicas e as cadeias montanhosas submarinas empurraram as ondas em várias direções desde a origem do tsunami", afirma um comunicado da Nasa.

"A descoberta ajuda a explicar como os tsunamis podem cruzar bacias oceânicas e causar uma grande destruição em alguns lugares, deixando outros imunes", destaca a agência espacial americana, para a qual o resultado da investigação pode ajudar a melhorar as previsões meteorológicas.

"Observar esta onda dupla com satélites foi uma chance em 10 milhões", disse Y. Tony Song, do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, que trabalhou em associação com a Universidade de Ohio.

"Os cientistas suspeitaram durante décadas que este tipo de 'tsunami de fusão' pode ter sido responsável pelo tsunami chileno de 1960, que matou quase 200 pessoas no Japão e no Havaí, mas ninguém havia observado um 'tsunami de fusão' até agora", completou Song.

O terremoto submarino de 9,0 graus de magnitude e o posterior tsunami de 11 de março deixaram 20.000 mortos ou desaparecidos, devastaram grandes zonas do nordeste do Japão e provocaram uma crise atômica na central nuclear de Fukushima.

06 dezembro 2011

Brasília em alerta contra a dengue

A capital federal e mais 283 cidades apresentam índices insatisfatórios de focos do mosquito transmissor da doença, segundo o governo

Larissa Leite – Correio Braziliense

Mais da metade dos municípios do país avaliados pelo Ministério da Saúde (MS) estão em situação de alerta ou risco para a ocorrência de surto da dengue. O risco iminente, calculado quando pelo menos quatro de 100 residências apresentam focos de reprodução do mosquito transmissor da doença, atinge cerca de 4,6 milhões de pessoas em 48 cidades brasileiras. Já a situação de alerta — observada quando a infestação ocorre em percentual que varia de 1% a 3,9% dos domicílios — afeta 236 cidades, sendo 14 capitais. Brasília não apenas está entre elas, como teve piora no índice deste ano, quando comparado ao do ano passado. Em 2010, o Distrito Federal tinha um índice de 0,6%, considerado satisfatório. Neste ano, subiu para 1,1% — valor maior do que o observado em Campo Grande (1%) e um pouco inferior ao de Goiânia (1,2%). Os índices mais altos entre as capitais foram observados em Salvador (3,5%), Palmas (3,1%) e Recife (3,1%).

Para chegar aos dados, o ministério avaliou 561 cidades em outubro e novembro deste ano por meio do Levantamento de Índice Rápido de Infestação por Aedes aegypti (LIRAa 2011). Com a ferramenta, é possível gerar um mapa no qual pode-se identificar a concentração das larvas do mosquito transmissor da dengue. Ao anunciar os dados, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ponderou que eles não representam "o risco de uma epidemia", que "deve combinar o foco do mosquito e o aparecimento no número de casos". Mas o secretário de Vigilância em Saúde da pasta, Jarbas Barbosa, reiterou a necessidade de vigilância para as cidades que receberam uma mancha vermelha no mapa da dengue. "Há uma correlação entre índice de infestação alto e risco de epidemia, isso é comprovado cientificamente." Ainda segundo o secretário, a combinação da "mobilização da comunidade e um efetivo trabalho de campo dos agentes de saúde" pode melhorar a situação das cidades ainda neste ano.

O secretário exemplificou a necessidade do reforço no combate ao foco do mosquito com a realidade da capital federal: "Em Brasília, como em outros municípios, temos uma situação muito desigual entre bairros da cidade. Se um bairro determinado está com índice alto agora e nada for feito, isso vai se espalhar para os outros lugares e aí você vai ter muitas novas áreas com risco para dengue quando chegar o verão". O coordenador-geral do Programa de Prevenção e Controle de Dengue da Secretaria de Saúde do DF, Ailton Domicio da Silva, adiantou ao Correio que 20 regiões do DF mantêm os índices de infestação abaixo de 1%, ou seja, satisfatórios. No entanto, pelo menos cinco regiões contribuem para elevar o índice geral da região: Colônia Agrícola Samambaia (4,5%), Recanto das Emas (de 1,1% a 2,6%), São Sebastião (2,4%), Guará I (2,3%) e Lago Norte (2%).

Segundo Ailton Domicio, em Brasília, os principais criadouros do mosquito da dengue estão localizados em recipientes móveis. "No Lago Norte, por exemplo, 66,7% dos casos de focos são em vasos de plantas, bebedores de animais, pequenos depósitos, objetos que acumulam água por descuidos do morador." O tal descuido é apontado por Ailton como um dos possíveis motivos para o aumento do índice de foco do mosquito em Brasília. "A explicação desse aumento é difícil de ser dada, já que as ações de prevenção e mobilização aumentaram. Quando o agente passa e encontra uma situação de risco, ou ela é eliminada ou tratada com inseticida. E ela vem acompanhada de orientação, mas, se o morador não incorpora a orientação, fatalmente a situação poderá se repetir", afirmou.

Ailton reforça, no entanto, que o aumento no percentual dos focos não representa diretamente o aumento de casos. Em 2009, o DF teve 463 ocorrências confirmadas de janeiro a novembro. No mesmo período de 2010, 12.426. Até 3 de dezembro deste ano, 1.469. "Em 2010, tivemos um surto. Neste ano, não conseguimos equiparar nosso números com os de 2009, mas esse é o objeto para o verão 2011- 2012", afirmou. Ainda neste ano, o Ministério da Saúde repassará R$ 2,2 milhões ao DF para a ampliação das ações contra a dengue na região.

Colaborou Renata Mariz

ONGs comemoram números com ressalvas

ALEXANDRE GONÇALVES - O Estado de S.Paulo

O porcentual de desmatamento calculado pelo Projeto de Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal (Prodes), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), é menor que o esperado, mas está dentro de um intervalo que o torna plausível, afirma Adalberto Veríssimo, do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).

"Nos últimos anos, o Inpe tem anunciado uma prévia do porcentual de desmatamento do Prodes no fim de novembro, que costuma ser revista depois", recorda Veríssimo. "E normalmente o porcentual é revisto para cima, mas ainda dentro da margem de erro, que é de cerca de 10%." O pesquisador pondera que, se os números subirem, mas permanecerem dentro do intervalo de erro aceitável, os dados do INPE vão convergir com os obtidos pelo próprio Imazon, que aponta para uma estabilização do desmate na Amazônia no último ano - com uma leve tendência de aumento.

"Vou torcer para que os números do Inpe estejam certos. Seria uma boa notícia", afirma Veríssimo. "Contudo, uma estabilização do desmatamento já não seria ruim." Ele lembra a tendência de alta no desmate no primeiro semestre. "Em abril, o governo federal reforçou as ações para controlar o desmatamento. Pelo jeito, surtiu efeito."

Paulo Adário, do Greenpeace, concorda. "Essa estimativa mostra que, quando o governo quer, o desmatamento cai. Quando ele não quer, não cai", afirma Adário. "Ou seja, é questão de vontade política." Veríssimo considera que as medidas implementadas nos últimos anos - como limitar o crédito bancário para desmatadores e criar uma "lista negra" de cidades omissas - mostraram-se eficazes.

Raul Telles do Vale, do Instituto Socioambiental (ISA), encara com desconfiança o anúncio. "Não quero comentar os números ainda", afirma Vale. "Prefiro esperar para ver os dados detalhados."

Contudo, ele considera estranho que os porcentuais contradigam a percepção dos pesquisadores no campo - que apontaria um aumento no desmate - e os dados obtidos em meses anteriores pelo sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter), também do Inpe, que mostrou aumento significativo do desmatamento.

Amazônia registra a menor taxa anual de desmatamento em 23 anos,

Satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais registraram o corte de 6.280 km² entre agosto de 2010 e julho deste ano; Pará foi o Estado que mais desmatou, mas em Rondônia a área destruída dobrou; a margem de erro da análise é de 10%

MARTA SALOMON , RAFAEL MORAES MOURA / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

A taxa anual de desmatamento da Amazônia atingiu seu menor índice desde o início do monitoramento sistemático na área, em 1988, com o abate de floresta equivalente a quatro vezes o tamanho da cidade de São Paulo.

Os satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) registraram o corte de 6.280 km2 entre agosto de 2010 e julho deste ano. A margem de erro é de 10%. Foi a terceira queda anual consecutiva.

O Pará foi o Estado que mais desmatou no período, com 2.870 km² de florestas degradadas.

Mas foi em Rondônia que o ritmo das motosserras impressionou. Os 869 km² desmatados representam o dobro do número registrado no período anterior no Estado, que abriga a pressão de duas novas hidrelétricas, Santo Antônio e Jirau, em construção no Rio Madeira.

Embora no topo do ranking dos Estados desmatadores, o Pará desmatou menos que no período anterior, enquanto a taxa cresceu em Mato Grosso, que perdeu 1.126 km² de floresta. O ritmo acelerado de abate de árvores em Mato Grosso foi responsável por acionar um gabinete de crise, em maio, cujo desempenho teria sido responsável pelo resultado apresentado ontem. O anúncio foi feito com pompa, no Palácio do Planalto.

"Essa é a menor taxa de desmatamento da história, desde que começou esse monitoramento. É uma taxa histórica e representativa, sinalizando que continuamos com a nossa determinação de reduzir o desmatamento na Amazônia", disse Izabella Teixeira, ministra do Meio Ambiente.

Até poucos dias atrás, o governo apostava num crescimento do desmatamento. Isso porque os dados apurados pelo sistema de detecção do desmatamento em tempo real, chamado de Deter, apontava crescimento de cerca de 30% no abate de árvores.

Segundo o diretor do Inpe, Gilberto Câmara, a taxa anual não acompanhou o ritmo de alertas de desmatamento porque, diferentemente de anos anteriores, o abate de árvores ficou concentrado em grandes áreas.

Sem trégua. O ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, disse que a orientação dada ontem pela presidente Dilma Rousseff é a de que "não se dê trégua" ao desmatamento. Segundo o Instituto Nacional do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a ação de fiscais resultou na apreensão de 42 mil metros cúbicos de toras de árvores, 325 caminhões e 72 tratores no período. Além disso, o governo contabilizou o embargo de 795 km² de áreas desmatadas. São parcelas de propriedades privadas onde a vegetação nativa se recuperará.

Simulações levadas ontem a Dilma mostram que, a partir de 2015, mantido o ritmo de queda no desmatamento, a Amazônia passará a captar mais carbono que emitir gases-estufa, responsáveis pelo aquecimento global. As simulações levam em conta que o ritmo das motosserras na Amazônia vai se estabilizar em torno dos 5 mil km² por ano.

Mercadante destacou que o governo está investindo R$ 1 bilhão em satélites que aperfeiçoarão o monitoramento das florestas. "Esses satélites vão permitir ganhos significativos na capacidade gerencial de nosso território", disse o ministro.

A divulgação dos novos números ocorre no momento em que se realiza a 17.ª Conferência do Clima (COP-17), em Durban, e em que é preparada a votação do novo e polêmico Código Florestal. O governo trabalha para chegar a 2020 com uma taxa de 4 mil km² de desmatamento na região, de acordo com metas definidas em lei em 2009.

"Esse é o nosso compromisso. Vamos ver como se conclui o debate. Além de combater o desmatamento, teremos um trabalho de regularizar e de plantar árvores nesse País", disse a ministra.

A expectativa do ministério é de que a reforma do Código Florestal leve à recuperação de 300 mil km² de vegetação nativa.

05 dezembro 2011

Toyota e BMW se unem por tecnologia ambiental e motores

Por Chang-Ran Kim e Christiaan Hetzner

Toyota e BMW anunciaram nesta quinta-feira a formação de uma aliança voltada a tecnologias ambientais.

Pelo acordo, as duas montadoras trabalharão juntas na pesquisa de baterias de íon-lítio, vistas como essenciais para os carros elétricos, enquanto a companhia alemã também fornecerá motores 1.6 e 2.0 a diesel à japonesa a partir de 2014 na Europa. As companhias estudarão a possibilidade de outros projetos.

A aliança vem à tona no momento em que as montadoras enfrentam custos cada vez maiores de pesquisa e desenvolvimento para atender às normas de emissão e economia de combustível no mundo.

Essas necessidades aceleraram acordos de cooperação entre as montadoras, incluindo as principais concorrentes de Toyota e BMW-Nissan  e Daimler, juntamente com a Renault, parceira francesa da Nissan.

"Fundamentalmente somos duas companhias de engenharia. Então, em muitos aspectos concluímos que falamos a mesma língua", afirmou o presidente-executivo da Toyota na Europa, Didier Leroy.

"É interessante ver o que pode ser feito quando a engenharia japonesa encontra a europeia e quando a cooperação de fato funciona", acrescentou.

Muitas alianças na indústria automotiva fracassaram por causa do choque de culturas, como a que ocorreu há dois anos entre a alemã Volkswagen e a japonesa Suzuki.

Executivos da Toyota disseram que as negociações com a BMW começaram em abril, quando a unidade europeia quis melhorar a linha de carros a diesel.

Três chinesas de aerogeração avaliam operar no Brasil

Por Anna Flávia Rochas – Reuters

SÃO PAULO (Reuters) - Três grandes fabricantes chinesas de aerogeradores estão estudando "seriamente" a vinda para o Brasil, informou a Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica) nesta quarta-feira.

Representantes da entidade estiveram na China para um evento do setor e se encontraram com executivos das empresas.

A companhia que estaria em estágio mais adiantado para instalação de fábrica no Brasil é a Sinovel Wind Group, que já tem escritório no país e encomendas, segundo o vice-presidente da Abeeólica, Lauro Fiuza Junior.

Outra empresa seria a China Guodian United Power Technology, que avalia dois Estados brasileiros para erguer as instalações, de acordo com a Abeeólica.

Ainda, a Goldwind Science and Technology também teria declarado planos de vir para o país.

Em coletiva de imprensa, a Abeeólica ainda informou que a Envison Energy e a Sany Electric também mostraram-se interessadas no mercado brasileiro de energia eólica, em evento em que empresários do setor, de diversos países, discutiram sobre o tema.

Atualmente existem cerca de 100 indústrias dedicadas à fabricação de aerogeradores na China que, segundo a Abeeólica, estão em processo de consolidação.

Mesmo com a crescente demanda de energia eólica na China, que tem hoje cerca de 52 gigawatts (GW) de capacidade instalada, as fabricantes estão em busca de outros mercados, informou a Abeeólica.

"Para disputar o mercado mundial, hoje, eles têm que competir com tecnologia e qualidade", disse Fiuza a jornalistas.

O presidente da Abeeólica, Ricardo Simões, acrescentou que os chineses estão obtendo ganhos de escala e melhorando a qualidade dos equipamentos.

"Esse hiato de qualidade e confiabilidade, em dois ou três anos será superado", disse.

A presidente-executiva da Abeeólica, Élbia Melo, informou ainda que durante a viagem à China ficou claro que a vinda de empresas chinesas para o Brasil não significará disponibilidade de financiamento chinês para o setor eólico, como se cogitou.

"O risco cambial de repatriar o dinheiro é muito alto", disse.

Três por cento da eletricidade da China será de energia eólica em 2015

EFE

 

Três por cento da eletricidade anual da China em 2015 procederá da energia eólica, o dobro em relação a agora, informou nesta segunda-feira (5) o jornal "Shanghai Daily". Segundo dados da Comissão Estatal Reguladora da Eletricidade, a energia produzida por aerogeradores na China alcançará 190 bilhões de quilowatts/hora anuais em 2015.

Entre janeiro e outubro de 2011, o incipiente mas rapidamente crescente setor eólico chinês já gerou 58,3 bilhões de quilowatts/hora, quase 1,5% da eletricidade utilizada no país nesse período, assinalou o vice-presidente do organismo, Shi Yubo.

O mercado eólico chinês multiplicou por dois sua capacidade de geração anual instalada entre 2005 e 2009, e só em 2010 acrescentou outros 18,9 gigawatts de capacidade, o que na atualidade representa um total de 44,7 gigawatts, de modo que a China já supera os Estados Unidos com maior capacidade eólica instalada do mundo.