22 outubro 2011

Brasil recicla 20% do plástico usado, diz pesquisa

MARIA CRISTINA FRIAS – FOLHA DE SP
 
Pouco mais de 19% dos plásticos consumidos no país foram reciclados no ano passado, segundo estudo da consultoria especializada MaxiQuim. No ano anterior, a parcela era de 17,9%.

O Brasil fica abaixo de países como Alemanha (34%), Suécia (33,2%) e Bélgica (29,2%). O índice brasileiro não chega a ser considerado baixo porque se refere à reciclagem mecânica, que é a transformação para reaproveitamento do produto. 

O que deixa a desejar é a reciclagem energética, em que o produto é reutilizado para geração de energia. "A energética usa o plástico que não se pode limpar. 
Há muitos países na Europa onde ela supera a mecânica. No Brasil, nem temos esse tipo de reciclagem. Precisamos avançar na regulação do setor", afirma Solange Stumpf, da MaxiQuim. A capacidade instalada da indústria de reciclagem, de 64,5%, ilustra o potencial do país, na esteira da Política Nacional de Resíduos Sólidos sancionada pelo governo no ano passado.

Menos de 10% dos municípios brasileiros, porém, possuem coleta seletiva estruturada, segundo o presidente da Plastivida (associação do setor), Miguel Bahiense.

"Depende de outros fatores, além da preparação da indústria, como a consciência da população e a coleta das prefeituras", diz. Materiais como latas de alumínio têm índices acima de 90%, segundo Stumpf. Entre os setores que mais consomem estão têxteis, produtos domésticos e calçados.

UE só assinará novo Protocolo de Kyoto se EUA e China aderirem

DA REUTERS

Ministros de Meio Ambiente de países que pertencem à União Europeia sinalizaram nesta segunda-feira que seus governos pretendem assinar um segundo Protocolo de Kyoto se as nações mais poluentes também o fizerem -- no caso, os Estados Unidos, a China e a Índia.

A linha de ação que será adotada pela UE na próxima conferência mundial sobre mudanças climáticas -- marcada para novembro em Durban, na África do Sul -- foi acordada em uma reunião que acontece nesta semana em Luxemburgo.

"Qual a razão de se manter algo vivo se você está lá sozinho?", disse à agência de notícias Reuters o comissário de Ambiente da UE, Connie Hedegaard.

Ele comentou que deve haver maior colaboração dos países mais poluentes, que respondem por 89% das emissões, contra os 11% dos países da UE.

O Protocolo de Kyoto em vigor, que prevê medidas de combate contra o aquecimento global, vai expirar em 2012 e até o momento não possui nenhum novo texto formulado.

Os EUA são um dos países poluentes que assinaram o Protocolo de Kyoto, mas nunca ratificaram sua participação, motivo pelo qual é criticado mundialmente. As nações em desenvolvimento também foram excluídas do pacto original de 1997, mas hoje se enquadram entre os poluentes.

Na metade deste ano, representantes de 180 países se reuniram para tratar de Kyoto, mas não houve avanços nas duas semanas de conversações e o assunto mais uma vez foi postergado sem solução.

Relatório aponta 26 países com nível de fome alarmante

DA FRANCE PRESSE, EM PARIS

Um relatório publicado nesta terça-feira pelo IFPRI (Instituto Internacional de Investigação sobre a Alimentação), em parceria com mais três ONGs, indicou que 26 países, em sua maioria da África-subsaariana e Ásia, apresentam níveis de fome "alarmantes" ou "muito alarmantes".


O relatório sobre o Índice de fome no mundo em 2011, assinado também pela Acted (Agência de Ajuda de Cooperação Técnica e Desenvolvimento), a Concern Worldwide e Welthungerhilfe, mostra que "o número de famintos caiu desde 1990, mas não significativamente, pois segue alto o nível o que correspondente a uma situação grave".

Baseado em dados coletados entre 2004 e 2009, o IFPRI calculou o número da fome a partir de três critérios: a taxa de desnutrição, a taxa de desnutrição infantil e a taxa de mortalidade infantil. Com isso, o índice dos países eram classificados em 5 categorias: baixo, moderado, grave, alarmante e muito alarmante.

Mundialmente o índice de 2011 diminuiu 26% em relação a 1990, e passou de 19,7 para 14,6 -- medição considerada grave.

De um total de 122 países pesquisados, os quatro que apresentam um índice muito alarmante são os africanos Burundi, Chade, Eritreia e República Democrática do Congo.

Em seis países a fome piorou entre 1990 e 2011: RDC, Burundi, Coreia do Norte, Comores, Suazilândia e Costa do Marfim. No sentido oposto, 19 países saíram das categorias alarmante e muito alarmantes, entre eles, Angola, Bangladesh, Etiópia, Moçambique, Nicarágua, Níger e Vietnã.

"A situação geral da fome no mundo continua grave. O recente aumento e a volatilidade dos preços agrícolas constituem, como em 2008, uma ameaça para a segurança alimentar mundial e expõe vários lugares e grupos vulneráveis a um risco crescente de padecer de fome", diz o relatório.

Entre as causas apontadas estão a "utilização crescente de produtos agrícolas para a fabricação de biocombustíveis, os fenômenos meteorológicos extremos e as mudanças climáticas, bem como o aumento excessivo do volume das transações nos mercados agrícolas".

Na ausência de dados suficientes, a classificação não leva em conta a situação do Afeganistão, Iraque, Papua Nova Guiné e Somália, e reflete o impacto da crise alimentar de 2010 e 2011 ou a fome que atinge atualmente o Chifre da África.

Torre armazena energia suficiente para 25 mil casas

DA EFE

O município espanhol Fuentes de Andalucía, que fica na província de Sevilha, agora tem um gerador de última geração. Esse é o primeiro sistema que fornece energia por concentração.

O equipamento possui capacidade de produzir eletricidade 24 horas por dia e de abastecer cerca de 25 mil residências.

Uma torre principal recebe e armazena as luzes solares que são captadas por helióstatos -- instrumento que consegue projetar os raios do Sol para um único ponto fixo mesmo com o movimento de rotação da Terra.

A inauguração do sistema nesta terça-feira teve a presença do rei Juan Carlos 1º e do príncipe herdeiro de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, xeque Mohammed bin Zayed al-Nahyan.

Julio Muòoz/Efe

Espelhos redirecionam as luzes solares para uma única torre, apesar do movimento de rotação da Terra

21 outubro 2011

Buraco na camada de ozônio alcança tamanho máximo desta temporada

Em Washington

O buraco na camada de ozônio no Hemisfério Sul chegou a seu nível máximo anual no dia 12 setembro, ao alcançar 16 milhões de quilômetros quadrados, o nono maior dos últimos 20 anos, informaram nesta quinta-feira a Nasa (agência espacial americana) e a Administração Atmosférica e Oceânica (NOAA).


A camada de ozônio protege a vida terrestre ao bloquear os raios solares ultravioleta e sua redução adquire especial importância nesta época do ano, quando o Hemisfério Sul começa a ficar mais quente.

A Nasa e a NOAA utilizam instrumentos terrestres e de medição atmosférica aérea a bordo de globos e satélites para monitorar o buraco de ozônio no Polo Sul, os níveis globais da camada de ozônio na estratosfera e as substâncias químicas artificiais que contribuem para a diminuição do ozônio.

"As temperaturas mais frias que a média na estratosfera causaram neste ano um buraco de ozônio maior que a média", disse Paul Newman, cientista-chefe do Centro Goddard de Voos Espaciais da Nasa.

"Embora fosse relativamente grande, a área do buraco de ozônio neste ano estava dentro da categoria que esperávamos, dado que os níveis químicos de origem humana persistem na atmosfera", lamentou.

O diretor da divisão de Observação Mundial da NOAA, James Butler, afirmou que o consumo dessas substâncias que destroem o ozônio diminui pouco a pouco devido à ação internacional, mas ainda há grandes quantidades desses produtos químicos causando danos.

No entanto, a maioria dos produtos químicos permanece na atmosfera durante décadas.

A NOAA esteve monitorando o esgotamento do ozônio no mundo todo, incluindo o Polo Sul, de várias perspectivas, utilizando globos atmosféricos durante 24 anos para recolher os perfis detalhados dos níveis de ozônio, assim como com instrumentos terrestres e do espaço.

São Paulo confirma primeira morte por gripe suína em 2011

Vinicius Konchinski
Da Agência Brasil
Em São Paulo

A Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo confirmou hoje (21) a primeira morte por influenza A (H1N1) - gripe suína - este ano no Estado. A vítima, uma mulher de 42 anos, da região de Bauru (326 quilômetros da capital), morreu no último dia 9. A secretaria informou também que, só este ano, foram registrados mais três casos da gripe. O estado de saúde desses pacientes, porém, não foi informado.


Já o Ministério da Saúde informou que, até hoje (21), 133 casos graves da doença foram notificados em todo o país. Desses, 15 resultaram na morte dos pacientes, 12 só no Rio Grande do Sul, o Estado com maior número de mortes no país.

20 outubro 2011

Bahia concede licença prévia a 923MW em eólicas para o leilão A-5

Estado afirma que mais de 1.300MW em usinas na região estão em condições de participar do certame, marcado para 20 de dezembro

Da redação - Jornal da Energia

O governo da Bahia publicou nesta quinta-feira (20/10), no Diário Oficial do Estado, seis licenças de localização para complexos eólicos. Os documentos, que correspondem a uma licença prévia (LP), são referentes a usinas que somam 923,3MW de potência instalada. A análise de viabilidade foi realizada pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema).

Segundo a secretaria de Indústria e Comércio, as licenças são um "marco histórico na política de meio ambiente " local e "resultam do esforço conjunto do Inema" e da própria secretaria, "através de sua Comissão Técnica de Garantia Ambiental". Para André Joazeiro, coordenador da CTGA, o órgão passou de uma possição de "demandante", de "cobrança", para a "de colaborador", "de apoiar" o Inema "nas suas dificuldades naturais". Para acelerar o processo de licenciamento, o órgão ambiental disponibilizou cerca de 20 técnicos, o que foi de encontro ao programa do governo local, de incentivar a energia eólica. Segundo a secretaria de Indústria, as últimas licenças, somadas a projetos já aptos, totaliza mais de 1.300MW em usinas que poderão participar do próximo leilão.

17 outubro 2011

Tiranossauro rex era maior do que se pensava

DA FRANCE PRESSE

Ícone dos dinossauros, o Tiranossauro rex era maior e mais rápido do que se pensava anteriormente, revelou um estudo feito por cientistas britânicos e norte-americanos com base em um novo método que consistiu na análise de esqueletos reais ao invés de modelos em escala.


Os cientistas inseriram músculos digitalmente em cinco esqueletos de T. rex, demonstrando que o "rei" dos lagartos carnívoros era até um terço maior e se desenvolveu duas vezes mais rápido do que pesquisas anteriores haviam sugerido.

As descobertas, feitas por John Hutchinson, da Escola Real de Veterinária de Londres, e Peter Makovicky, curador de dinossauros do The Field Museum de História Natural de Chicago, foram publicadas na edição de quarta-feira (12) do periódico "PloS One".

Um dos esqueletos incluídos no estudo é "Sue", o maior e mais completo espécime de T. rex já encontrado, exposto no Field Museum.

A fêmea de dinossauro de 67 milhões de anos foi descoberta em 1990 em uma reserva indígena na Dakota do Sul pela paleontóloga americana Sue Hendrickson.

Batizada com o nome de sua descobridora, achava-se que "Sue" fosse do tamanho de um elefante ou um rinoceronte grande, com 3,5 metros de altura e 13 metros de comprimento, da cabeça à cauda.

Segundo estimativas, quando viva, Sue pesava 6,4 toneladas.

Mas os novos métodos aplicados revelaram que seu peso superaria as nove toneladas.

"Nós sabíamos que ela era grande, mas a revisão para cima de 30% de seu peso foi inesperada", disse Makovicky.

A técnica consistiu no uso de esqueletos montados para se chegar a estimativas de massa corporal, ao invés dos modelos criados em escala.

A equipe fez varreduras tridimensionais dos esqueletos com scanners para formar um molde para os modelos digitais sobre os quais os músculos foram digitalmente inseridos.

Eles projetaram três diferentes níveis de volume aproximado de carne que os animais teriam para descobrir qual seria o tamanho de um espécime desnutrido e o de um bem alimentado.

"Os métodos anteriores para calcular a massa tiveram como base modelos em escala, que podem ampliar até mesmo os menores erros, ou em extrapolações a partir de animais vivos com proporções físicas muito diferentes das dos dinossauros", acrescentou Makovicky.

"Nós superamos estes problemas, usando os esqueletos reais como ponto de partida do nosso estudo", acrescentou.

Ao estabelecer novos tamanhos para os outros quatro espécimes estudados, os pesquisadores também descobriram que as criaturas provavelmente cresceram mais rápido do que se pensava inicialmente.

"Nós calculamos que tenham crescido na velocidade de 1.790 kg por ano durante o período de crescimento correspondente à adolescência, o que é duas vezes mais rápido que a estimativa anterior", disse Hutchinson, autor principal do estudo.

Significa dizer que os carnívoros terrestres cresceram 5 kg por dia durante o pico de crescimento.

Em 2004, a mesma equipe tinha calculado que o T.rex ganhava 2,1 kg por dia.

Projeto tenta salvar golfinho brasileiro 'tímido'

GIULIANA MIRANDA
ENVIADA ESPECIAL A SANTA CATARINA - FOLHA DE SP

Todos já estão a postos nos barcos, casacos fechados contra o vento frio do fim do inverno catarinense. "Tudo certo, pessoal. Let's go. ¡Vámonos!", avisa pelo rádio a bióloga Marta Cremer.

É o começo da maior operação já feita no Brasil para estudar as toninhas (conhecidas, em latim científico, como Pontoporia blainvillei). 



Editoria de Arte/Folhapress

Única espécie de golfinho ameaçada de extinção no país, as toninhas mobilizaram uma força-tarefa internacional na baía da Babitonga, em São Francisco do Sul (a 188 km de Florianópolis).

Para coletar dados sobre o animal, cujos hábitos muitas vezes ainda são um mistério para os cientistas, o grupo identificou com microchips cinco animais.

Os dados, enviados via satélite, trarão informações sobre as viagens dos cetáceos e detalhes sobre o tempo e a profundidade de seus mergulhos.

Mais de 30 pessoas, vindas do Brasil, dos Estados Unidos e da Argentina, participam da iniciativa. Além de biólogos, veterinários e estudantes, o grupo tem até três pescadores argentinos.

"Eles são ágeis para manobrar o barco, cercam os bichos como ninguém", explica Cremer, chefe do Projeto Toninhas, professora da Univille (Universidade da Região de Joinville) e responsável por controlar a confusão de idiomas e sotaques.

Após 20 minutos cortando as águas escuras da baía, uma estudante de doutorado avista, de binóculo, o que parece ser um grupo.

"COISA INCRÍVEL"

"Onde? Que coisa incrível!", diz Haydée Cunha, professora da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). "É uma sensação muito forte. A primeira vez que eu vi uma toninha viva foi aqui", conta a bióloga, que até chorou nesse primeiro contato.

A reação dela não é exceção. A concentração de vários grupos de toninhas em um espaço fechado, como na Babitonga, é única no Brasil. Os animais costumam ficar espalhados pela costa.

No grupo, que reúne pesquisadores com vários anos de trabalho sobre esses animais, há muitos que jamais se depararam com um deles vivo na natureza.

Ao contrário de seus "primos" famosos, como o golfinho-rotador, abundante em Fernando de Noronha (PE), e o golfinho-nariz-de-garrafa, protagonista da série "Flipper", as toninhas são tímidas e não costumam tolerar a interação com humanos.

Embora também salte para a superfície, a toninha tem um pulo bem mais discreto que o dos outros golfinhos.

ALARME FALSO

"Pessoal, alarme falso. São Sotalia", avisa Cremer, pelo rádio. Conhecido como boto-cinza, o outro gênero de golfinho que habita a Babitonga enganou os pesquisadores, ao ser visto de longe.

Enquanto os brasileiros apresentam certo ar de decepção, o grupo americano do Sarasota Dolphin Research Program, na Califórnia, não dá bola para a confusão. Eles nunca tinham visto um Sotalia também.

Patrocinado pela Petrobras, o Projeto Toninhas deve receber, até 2012, pouco mais de R$ 1 milhão da empresa. Além da colocação dos microchips, o orçamento prevê também ações de divulgação e conscientização. Hoje, a maior ameaça ao animal é a captura acidental em redes.

A espécie se alimenta principalmente de pequenos peixes, um tipo de lula e camarão. As toninhas seguem os cardumes pela costa e acabam entrando na rota dos barcos pesqueiros.

Presas nas redes, algumas com vários quilômetros de extensão, as toninhas não têm chance. Acabam morrendo afogadas rapidamente. E, como são animais de reprodução lenta, com apenas um filhote por vez, há o risco de que a reposição natural não seja suficiente para impedir seu desaparecimento.

"É um massacre. Já houve casos de mais de 20 animais mortos de uma vez só. Não queremos que as toninhas terminem como o baiji [golfinho fluvial declarado extinto na China]", relata Cremer, enquanto pilota o barco na direção de um grupo, agora confirmado, de toninhas.

Os pesquisadores comemoram, muitos batem fotos. Pouco depois, mais dois grupos são avistados. É hora de ensaiar a captura. O grupo argentino e o americano, bem como alguns brasileiros, já têm experiência nessa delicada operação.

Duas boias fazem as vezes de golfinho. O fracasso dessa primeira tentativa não desanima os cientistas. Era só o primeiro dia.

A repórter GIULIANA MIRANDA viajou a convite da Petrobras

Doença misteriosa provoca a morte de dezenas de focas no Alasca

DA REUTERS

Uma doença misteriosa, provocada possivelmente por um vírus, está matando dezenas de focas-aneladas na costa do Alasca.


Os animais doentes têm chegado à praia na costa do Ártico desde julho e o número de vítimas aumentou ao longo dos meses, afirmaram os biólogos do Departamento de Controle da Vida Selvagem.




Reuters
Os sintomas da doença incluem lesões com sangue nas barbatanas, pele irritada e perda de pelo
Os sintomas da doença incluem lesões com sangue nas barbatanas, pele irritada e perda de pelo

Cerca de cem estavam perto de Barrow, a comunidade mais ao norte do país. Metade deles morreu, disseram os biólogos locais.

Em outras áreas do município, os moradores registraram ter visto 146 focas-aneladas se arrastando pelas praias -- muitas delas doentes.

As focas-aneladas raramente chegam até a praia e passam a maior parte do ano na água ou em pedaços de gelo, de acordo com o Noaa (Administração Oceânica e Atmosférica Nacional).

Biólogos disseram acreditar que a doença seja causada por um vírus. Os sintomas incluem lesões com sangue nas barbatanas traseiras, pele irritada ao redor do nariz e dos olhos e perda de pelo.

Eles afirmaram que o surto misterioso pode não estar limitado às focas-aneladas. Algumas morsas foram encontradas mortas na costa noroeste do Alasca com lesões similares. Caçadores também relataram ter encontrado lesões de pele em outra espécie de foca.

Não ficou claro se as lesões encontradas nas morsas eram decorrentes da mesma doença das focas-aneladas, disse Bruce Woods, porta-voz do Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos EUA. "No momento, estamos no escuro", afirmou.

As locações remotas e outras dificuldades de logística tornam impossível providenciar atendimento veterinário aos animais que estão doentes na praia, disse o biólogo Jason Herreman.

"As focas encontradas mortas são recolhidas para análise. As focas que estão doentes, mas permanecem vivas, são deixadas para que se recuperem sozinhas", disse ele em um email, acrescentando que os animais estão sendo enviados a diversos laboratórios de Anchorage e de outros locais.

Município austríaco diminui 95% das suas emissões de CO2

FOLHA DE SP
DE SÃO PAULO

Güssing, na Áustria, mudou a sua história nos últimos anos. Antes desconhecida e com problemas de desemprego e imigrantes e fuga de jovens para outras localidades europeias, esse município com 4.000 habitantes passou a ser referência em energia verde na Europa.


A cidade se tornou a única da União Europeia a reduzir, desde 1995, mais de 95% de suas emissões de CO2 (dióxido de carbono).

Os benefícios não são apenas ambientais. Güssing passou a receber 30 mil turistas por ano e também criou novos campos de emprego de alta qualificação, além de atrair investidores. Detalhe: ela está na região de Burgenland, uma das mais pobres da Áustria.

Cientistas sobem tom contra novo Código Florestal

CLAUDIO ANGELO – FOLHA DE SP
DE BRASÍLIA

Em sua manifestação mais dura sobre a reforma do Código Florestal, as principais sociedades científicas brasileiras adjetivam partes do texto em análise como "injustificado" e "inconstitucional".


A SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) e a ABC (Academia Brasileira de Ciências) entregaram na semana passada a senadores propostas para embasar as mudanças na lei.

Para elas, a ciência não foi levada em conta no relatório do deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), aprovado em maio no plenário da Câmara.

Entre as 18 assinaturas do documento há pesos-pesados como a antropóloga Manuela Carneiro da Cunha, Carlos Nobre, secretário de Pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e Tatiana Sá, ex-diretora-executiva da Embrapa.

Para eles, o maior entrave à expansão da agricultura não é a legislação ambiental, mas "a falta de adequação" da política agrícola do país.

Para os cientistas, um aumento marginal na produtividade pecuária -- com medidas simples, como erguer cercas e fazer o manejo de pastos -- liberaria 60 milhões de hectares para a agricultura.

"Continua no Senado essa falácia de que não há espaço para preservar e produzir alimentos", disse Luiz Martinelli, da USP de Piracicaba. "Como é que eu vou dizer para a Europa não subsidiar sua agricultura quando a gente queima tudo sem nenhuma eficiência? É um tiro no pé."

As entidades também pedem que as APPs (áreas de preservação permanente), como margens de rios, sejam restauradas na íntegra, posição mais ªambientalistaº que a do governo, que aceitou flexibilizar sua recomposição.

Os cientistas exigem, ainda, que o Senado elimine do texto a menção à "área rural consolidada", que permite regularizar atividades agropecuárias em APPs desmatadas até 22 de julho de 2008. Segundo eles, a Constituição diz que "não há direito adquirido na área ambiental".

"Nosso livro anterior dava dados, mas não fazia afirmações tão contundentes", disse Carneiro da Cunha, aludindo a documento divulgado no semestre passado.

Expoente da antropologia, Carneiro da Cunha afirma que os senadores precisarão tratar um tema espinhoso sem acordo: a isenção de reserva legal para propriedades de até quatro módulos fiscais (medida equivalente a até 400 hectares na Amazônia).

"Quatro módulos não é o mesmo que agricultura familiar. É uma pegadinha." Ela diz esperar que o senador Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC), relator do código em três comissões, seja "persuadido por argumentos convincentes".