15 outubro 2011

EUA enviam mais 14 contêineres suspeitos

Receita afirma que produtos foram encomendados por loja de tecidos de Pernambuco; navio chega em uma semana

Universidade dos EUA afirma que paga para outras empresas darem destino final ao resíduo hospitalar que produz

 
FÁBIO GUIBU E VERENA FORNETTI - FOLHA DE SP
DO ENVIADO ESPECIAL A SANTA CRUZ DO CAPIBARIBE (PE)
DE NOVA YORK

A Receita Federal aguarda a chegada de mais 14 contêineres dos EUA encomendados pela mesma confecção de Santa Cruz do Capibaribe que importou 46 toneladas de lixo hospitalar retidas nesta semana no porto de Suape, no Estado de Pernambuco.

 
De acordo com o inspetor chefe da alfândega da Receita Federal local, Carlos Eduardo Oliveira, os contêineres estão em um navio e deverão chegar em uma semana.

 
O conteúdo dos contêineres ainda é desconhecido. De acordo com o inspetor chefe, a empresa exportadora pode fazer essa declaração até cinco dias antes de o navio atracar em seu destino.

 
A confecção responsável pela importação, cujo nome ainda não foi divulgado, adquiriu neste ano oito contêineres dos Estados Unidos.

 
Os dois últimos carregamentos foram apreendidos após a Receita Federal desconfiar do valor da nota. Aos inspecionar, descobriu se tratar de lixo hospitalar.

 
Oliveira disse que não poderia confirmar se foi a Forro de Bolso - onde a Folha adquiriu os lençóis - que importou as 46 toneladas de lixo hospitalar dos EUA.
Mas disse que a descrição das peças compradas pela Folha na loja de tecidos se assemelha com as que estão retidas em no porto de Suape desde o início da semana.

REPERCUSSÃO

 
O University of Maryland Medical Center (Centro Médico da Universidade de Maryland) divulgou nota após ser procurado pela Folha.

 
"Nós pagamos várias empresas para processar e lidar com os resíduos do hospital. Esperamos que nossos fornecedores cumpram as leis sobre o descarte desses itens. Estamos interessados em saber mais informações sobre esse caso assim que houver detalhes disponíveis."

 
A Folha também localizou a NYC Health and Hospitals Corp (Corporação de Saúde e Hospitais da Cidade de Nova York). A entidade disse não ter conhecimento sobre o caso do lixo hospitalar.

 
A Folha não conseguiu contato com o Baltimore Washington Medical Center, o Hospital Central Services Cooperative, o Department of Veterans Affairs Property e a Medline Industries Inc, todas com sede nos EUA.

Lençol de lixo hospitalar dos EUA é revendido no Brasil

Loja em Pernambuco oferece material com nomes de instituições americanas

Roupa de cama é semelhante à que foi encontrada em dois contêineres onde havia também seringa usada

FÁBIO GUIBU - FOLHA DE SP

ENVIADO ESPECIAL A SANTA CRUZ DO CAPIBARIBE (PE)

Lençóis com nomes de hospitais dos EUA, semelhantes aos encontrados nesta semana pela Receita Federal no porto de Suape e classificados como lixo hospitalar, são vendidos por quilo em Santa Cruz do Capibaribe, a 205 km de Recife, em Pernambuco.

 
A Receita apreendeu dois contêineres, na terça e na quinta, com 46 toneladas de resíduos hospitalares vindos dos EUA que eram descritos em documentos como "tecido de algodão com defeito".

 
Nos compartimentos, no entanto, foram encontrados lençóis manchados de sangue e seringas entre outros.

 
O material é proibido de entrar no país e oferece risco à saúde. Especialistas dizem que lençóis só podem ser reaproveitados após rigoroso processo de esterilização.

 
Neste ano, a mesma importadora já havia trazido para Pernambuco outros seis carregamentos, que não foram retidos na fiscalização.

SALDÃO NO AGRESTE

 
A Folha esteve ontem na cidade do agreste pernambucano para onde seriam levados os detritos importados apreendidos. Lá, comprou na loja de tecidos e retalhos Império do Forro de Bolso, sem se identificar, nove lençóis.

 
Três peças têm nomes de hospitais ou entidades americanas impressos no tecido. Uma tem a mesma origem de parte do material apreendido no porto, o Hospital Central Services Cooperative.

 
No total, a Folha comprou 4,1 kg de lençóis, a R$ 10 o quilo. Funcionários da loja alegaram "problemas no sistema" para não entregar nota fiscal nem recibo. Depois de conversarem ao celular, eles fecharam o local.

 
A loja fica em uma das principais avenidas de Santa Cruz do Capibaribe, cidade com 87,5 mil habitantes em 2010, segundo o IBGE. Os lençóis e fronhas estavam amontoados no chão. Tecidos para fazer forros de bolso eram vendidos, a R$ 8,75 o quilo.

 
Várias peças das roupas de cama tinham manchas

 
Um dos lençóis comprados pela Folha traz a inscrição "Baltimore Washington Medical Center University of Mariland Medical System".

 
Outro tem inscrição dizendo que não pode ser vendida: "Property - not for sale".

 
Entre os lençóis sem inscrição, quatro têm etiquetas do fabricante. Dois deles são da americana Medline Industries Inc.. Há lençóis fabricados em outros países.

 
Após verificar a mercadoria, às 11h20, a Folha voltou à loja, mas ela continuava fechada. À tarde, ninguém atendeu ao telefone. A Receita diz que visitará a cidade, mas não especificou a data.
 

14 outubro 2011

Santos: navio pode faturar com 'venda' de lixo

Embarcações que deixarem seu lixo em terra teriam desconto em taxas portuárias

Do Metro Santos


Navios podem ganhar descontos em taxas portuárias caso descartem em terra o lixo que produzem a bordo e jogam no mar.
A medida é estudada pela SEP (Secretaria Especial de Portos) dentro do Programa de Conformidade do Gerenciamento de Resípelo, que avaliará experiências internacionais na questão, como desconto em taxas, prática adotada na Bélgica.

Marcos Freitas, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), coordenador do programa, busca uma saída sustentável.“Podemos ter os portos como autogeradores de energia a partir deste lixo”, diz.

A saída mais eficaz seria a construção de usinas energéticas que usariam o lixo como combustível. O programa é uma parceria da SEP com 12 universidades federais e vai custar R$ 125 milhões.

“No porto da Antuérpia, o país dá desconto na taxa de ancoragem para navios que deixam o lixo lá”, afirma Antônio Ferreira, diretor Revitalização e Modernização da SEP.

A vantagem com a “compra” é ter maior controle ambiental dos descartes de resíduos sólidos e efluentes. Além do lixo dos navios, resíduos de operações, como os grãos, precisam de solução, segundo o diretor da SEP, porque ajudam na proliferação de pombos, ratos e mosquitos nas cidades portuárias.

Desmatamento para plantio de soja chega a 11,6 mil hectares na Amazônia

Apesar do avanço, setor considera que a cultura não é mais uma das principais causas da degradação do bioma

Portal Amazônia
, com informações da Agência Brasil

BRASÍLIA – A área de soja plantada em terras de novos desmatamentos na Amazônia na safra de 2010/2011 saltou de 6,2 mil hectares para 11,6 mil hectares em relação ao período anterior. Apesar do avanço, a cadeia produtiva do setor considera que a cultura não é mais uma das principais causas do desmatamento do bioma. Os números foram apresentados hoje (13) durante a renovação da Moratória da Soja, inciativa de empresas exportadoras e organizações da sociedade civil para boicotar a soja produzida em áreas de novos desmatamentos na Amazônia.


Assinada pela primeira vez em 2006, e repactuada ano a ano, a moratória foi renovada até 31 de janeiro de 2013. A partir de imagens dos satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Grupo de Trabalho da Soja (GTS) sobrevoa polígonos e avalia se houve plantio de soja nas áreas de novos desmatamentos. Se o grão foi plantado nessas áreas de derrubada recente, a fazenda passa a ser boicotada pelos compradores.

Dos 375 mil hectares monitorados na última safra, o GTS identificou plantio de soja em 11,2 mil hectares. A área corresponde a 0,39% do total desmatado em Mato Grosso, no Pará e em Rondônia após julho de 2006, quando o embargo foi declarado. Os três estados são responsáveis por 98% da produção de soja na Amazônia. Em toda o bioma, há 1,96 milhão de hectares de lavouras da oleaginosa.

“Em 2006, nossos clientes da Europa estavam interrompendo as compras de soja. Examinando os cinco anos da moratória, vemos grandes progressos. Hoje há governança, controle em tempo real do que está acontecendo e punições, como embargos e multas”, avaliou o diretor-geral da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais, Sérgio Mendes.

O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Carlo Lovatelli, disse que a moratória tirou a soja do rol dos principais fatores de desmatamento da Amazônia, “É um vetor quase insignificante. O produtor que pensa em transgredir, vai pensar 27 vezes e não vai plantar, porque sabe que isso vai ser ruim para ele.”

Além do monitoramento, o GTS quer estimular a inscrição do Cadastro Ambiental Rural (CAR), uma ferramenta de regularização fundiária com identificação georreferenciada das propriedades rurais, com a delimitação de áreas que devem ser preservadas, como a reserva legal.

“É possível identificar onde se desmata. Temos que avançar para identificar quem desmata. E esse é o papel do CAR”, avaliou a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. A expectativa de flexibilização do Código Florestal tem esvaziado o CAR, segundo a ministra. Os produtores estão aguardando as alterações antes de registrar suas propriedades. A expectativa do setor é que mudança em tramitação do Congresso torne a lei menos rígida.

O diretor da campanha Amazônia do Greenpeace, Paulo Adário, que coordena a sociedade civil no GTS, disse que o debate enviesado sobre o Código Florestal tem criado expectativa de anistia para desmatadores. Isso, acrescentou, pode comprometer os resultados futuros da moratória.

“O debate pode levar a um retrocesso muito grande na legislação ambiental, o que vai tornar a moratória mais importante do que nunca, porque vai ser a indústria dizendo não ao desmatamento. É quase uma resposta política, porque a moratória vai além da lei.”

A renovação da moratória foi elogiada pela Amazon Alliance, um grupo internacional de empresas compradoras de soja brasileira. Entre elas, o Carrefour e o McDonald’s. Em comunicado, o grupo se diz preocupado com as alterações na lei ambiental brasileira.

Além da Anec, Abiove e Greenpeace, também fazem parte do GTS o Banco do Brasil, o Ministério do Meio Ambiente e as organizações não governamentais Conservação Internacional, TNC, WWF-Brasil e Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam).

Sistema transforma calor humano em aquecimento de prédio

Em funcionamento há cerca de um ano na Suécia, mecanismo já ajudou edifício a reduzir em 25% o gasto com energia

Gabriela Ruic
, de Exame

São Paulo – O calor gerado pelas 250 mil pessoas que circulam diariamente pela estação central de Estocolmo deixou de ser mero desconforto para se transformar em aquecimento durante o severo inverno sueco em um prédio localizado há alguns metros da estação.


O sistema, desenvolvido pela empresa que administra as linhas de trem no país, a Jernhusen, coleta o calor excessivo gerado dentro da estação, seja pelos transeuntes ou pelos próprios trens, através de um permutador de calor. “O calor é enviado via tubulações direto para o prédio sede da empresa, onde o permutador consolida esta energia em aquecimento para o edíficio”, explica Klas Johansson, diretor de Meio Ambiente da Jernhusen e um dos responsáveis pelo projeto.

Em funcionamento há cerca de um ano, o sistema já trouxe bons resultados. Segundo Johansson, houve redução de 25% no gasto de energia. Ainda não se sabe, no entanto, se o uso do sistema será estendido à outros lugares de grande circulação.

Pesquisa alemã reverte enfisema pulmonar em roedor

REINALDO JOSÉ LOPES
EDITOR DE CIÊNCIA E SAÚDE – FOLHA DE SP

Experimentos com camundongos mostraram que é possível reverter o dano causado aos pulmões pelo enfisema ou por outras formas da chamada doença pulmonar obstrutiva crônica (conhecida pela sigla DPOC).

Uma substância que já chegou a ser testada em humanos, ministrada a roedores com enfisema, conseguiu resgatar tanto os vasos sanguíneos quanto os alvéolos dos bichos, danificados pela exposição à fumaça de tabaco.

A abordagem, relatada na última edição da revista científica "Cell", foi bolada por alemães da Universidade de Giessen, liderados por Norbert Weissmann. O plano dos pesquisadores é criar uma droga inalável que, no futuro, seria aplicada a pacientes humanos. A ideia, contudo ainda não tem data para ser posta em prática.

A pesquisa com os roedores é importante também por desvendar uma série de mecanismos básicos sobre como a enfisema e outros tipos de DPOC (como a bronquite crônica) se formam.

PROBLEMA GIGANTE


Apesar do nome obscuro, a DPOC representa um problema extremamente comum de saúde pública. Calcula-se que, em 2020, as variantes da doença vão se tornar a terceira causa mais comum de mortes no mundo.

É comum que as formas do problema sejam acompanhadas de hipertensão pulmonar. Até 70% dos pacientes com DPOC possuem alterações severas nos vasos sanguíneos que irrigam o pulmão. Mas não se sabia se há uma relação direta entre esse fato e o enfisema propriamente dito, caracterizado pela dilatação excessiva dos alvéolos pulmonares.

No estudo, os alemães submeteram os camundongos a oito meses de fumaça de tabaco e viram, primeiro, que alterações nos vasos sanguíneos que chegam ao pulmão ocorrem antes do enfisema propriamente dito.

A fumaça fazia esses vasos ficarem "musculosos", supercrescidos. Nesse processo, havia a liberação de NO (óxido nítrico). Em condições normais, a substância é essencial para manter os vasos sanguíneos em bom estado, mas o excesso dela leva a uma reação química destrutiva.

E justamente essa reação parece estar por trás dos danos aos alvéolos. Os pesquisadores, então, usaram uma substância que inibe a produção de óxido nítrico.

O resultado foi animador: após alguns meses, tanto os problemas nos vasos quanto os que afetavam os alvéolos foram bastante minimizados nos camundongos.

A boa notícia é que, em testes preliminares com humanos, a substância usada no estudo não pareceu trazer efeitos colaterais negativos.

10 outubro 2011

Macaco criado em casa no Rio deve voltar a habitat, decide Justiça

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA DE SP

A Justiça do Rio determinou que o macaco prego Chiquinho volte ao seu habitat ou que seja entregue ao zoológico.

A decisão é da 16ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio, que julgou que o dono não tem direito à posse do animal silvestre sem permissão legal. O animal vivia há 28 anos com Carlos Henrique Rabello Lima.

O macaco foi apreendido na casa de Lima em 26 de agosto de 2008 pelo Inea (Instituto Estadual do Ambiente) após uma denúncia anônima. Em setembro de 2010, a juíza Christianne Maria Ferrari, da 4ª Vara Cível de Petrópolis, determinou que Chiquinho fosse devolvido ao seu dono até o fim dos recursos na área administrativa.

À Justiça o dono afirmou que Chiquinho sempre foi tratado "como um membro da família", o que inviabilizaria a tentativa de reinserção ao ambiente natural.

"O Brasil apresenta antiga tradição de apreensão de pássaros, cobras, macacos e toda sorte de animais silvestres, jamais devolvidos na esperança de que o efeito curativo do tempo faça desaparecer o crime ou o dever de retornar o animal a seu habitat", disse o desembargador Eduardo Gusmão Alves de Brito, relator do recurso, ao defender a saída do macaco da casa de Lima.

A Fundação Jardim Zoológico da Cidade do Rio de Janeiro afirmou que ainda não foi notificada sobre a decisão. O dono do macaco não foi encontrado pela reportagem para comentar a decisão.

Enroscado no lixo, barco perde desafio contra carro na marginal Tietê

VANESSA CORREA - FOLHA DE SP
DE SÃO PAULO

Deu zebra no desafio entre um carro de luxo e uma lancha esportiva no rio e na margem do rio Tietê, em São Paulo. O barco, favorito, chegou 8 minutos depois da Mercedes preta, em pleno horário de pico, nesta segunda-feira.


Enquanto seguia em direção à largada, no Cebolão, as hélices do barco se enroscaram no lixo e dois motores quebraram.

Com apenas um motor, usado com moderação para não pifar também, o barco cruzou a chegada, na ponte das Bandeiras, às 8h14. Foram 69 minutos para percorrer os 12 km do trajeto, entre o Cebolão e a ponte das Bandeiras.

A ação foi promovida pelo São Paulo Boat Show, feira náutica realizada no Transamérica Expo Center. O objetivo dos organizadores foi promover o uso de rios com vias de transporte de pessoas e cargas.

"São mais de 50 quilômetros de rios inativos na cidade, que poderiam contribuir para desafogar o trânsito e agregar ao potencial turístico de São Paulo", diz Ernani Paciornik, organizador da ação e da feira. 



Moacyr Lopes Junior/Folhapress
Com hélices envoltas em sujeira, lancha é retirada das águas do rio Tietê
Com hélices envoltas em sujeira, lancha é retirada das águas do rio Tietê

09 outubro 2011

Proteção não garante florestas

Devastação em 132 Unidades de Conservação aumentou 127% em dez anos
 

Cleide Carvalho - O Globo
 
Acriação de Unidades de Conservação e a demarcação de terras indígenas não têm sido suficientes para conter o desmatamento na área da Amazônia Legal, que abrange seis estados e parte de Mato Grosso, Tocantins e Maranhão. 


Números do Projeto Prodes, que monitora a Floresta Amazônica brasileira por satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), mostram que, a despeito do avanço nas áreas protegidas, o desflorestamento segue em curso. 

Em 132 Unidades de Conservação observadas por satélite, o desmatamento avançou de 5.036 para 11.463 quilômetros quadrados entre 2000 e 2010 - um aumento de 127,6%. Ou seja, em dez anos foram desmatados 6.427 km², mais do que toda a área devastada até 2000. Apenas nos últimos três anos, 964 km² de mata foram abaixo nessas unidades.
 
No Pará, a Floresta Nacional do Jamanxim já perdeu 9,8% de sua área. Entre as Unidades de Conservação, é a que possui maior extensão desmatada, de 1.269 km². A Floresta Nacional do Bom Futuro, em Rondônia, perdeu 27% de seus 2.783 km².

 
Até mesmo áreas de proteção integral, que deveriam ser intocáveis, não escapam ao desmatamento. É o caso da Reserva Biológica do Gurupi, no Maranhão, que já perdeu 27,7% de seus 2.733,8 km².


Na maioria das vezes, as árvores são cortadas aos poucos, em pequenas clareiras que vão tornando a floresta mais rala. O estrago feito só é detectado pelos satélites do Inpe quando alcançam proporções maiores. No ano passado, a Reserva do Gurupi perdeu 11,9 km².

 
Chama atenção a situação do Pará. Das dez Unidades de Conservação mais desmatadas, sete estão no estado. Na Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns, nos municípios de Santarém e Aveiro, 7,5% da área de floresta já não existem mais. Declarada de utilidade pública em 1998, ela deveria abrigar apenas projetos de exploração sustentáveis, garantindo a conservação dos recursos naturais. Antes de ser criada, até 1997, apenas 5% da área haviam sido devastadas.

 
O problema do desmatamento no Pará assume proporções alarmantes. Um estudo divulgado pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) esta semana mostrou que, entre agosto de 2009 e julho de 2010, a exploração de 65% da madeira no estado aconteceu de forma ilegal.


Segundo o Imazon, a exploração de 65% das florestas nesse período não tinha autorização. Embora 84% da exploração ilegal tenham ocorrido em terras privadas, outros 13% aconteceram em assentamentos de reforma agrária e 3%, em áreas protegidas.
 
Na Amazônia Legal, também os projetos sustentáveis não são seguidos à risca. Não escapa nem mesmo a Reserva Extrativista Chico Mendes, considerada símbolo da luta pela preservação do meio ambiente no Brasil. Na reserva, no Acre, até 2000 havia sido devastada uma área de 250,6 km², o equivalente a 2% do total. No ano passado, o desmatamento alcançou 437,5 km² - 4,5% do total da área, que tem 9.624,5 km². O aumento da área sem floresta foi de 74,8%.

 
Segundo Mauro Pires, diretor de Políticas de Combate ao Desmatamento do Ministério do Meio Ambiente, apenas de 2004 para cá foram criados 25 milhões de hectares de Unidades de Conservação federais (250 mil km²) e demarcados dez milhões de hectares de terras indígenas (100 mil km2) justamente com o objetivo de preservar as áreas de floresta.

 
Pires argumenta que, em muitas áreas, o processo de desmatamento em curso foi contido pela transformação das terras em área pública, citando como exemplo a Floresta Jamanxim, a Estação Ecológica Terra do Meio (Pará) e a Reserva Biológica Nascentes da Serra do Cachimbo, esta última com 16,2% da área desflorestada.

 
Pires admite, porém, que o modelo serve principalmente para desestimular a grilagem de terras, mecanismo pelo qual é criado um título falso de propriedade. Esse documento é repassado de mão em mão, até que um determinado cidadão ocupa a terra e vai à Justiça para garantir a permanência, alegando que comprou a área.

 
- A criação de Unidades de Conservação intimida a ação dos grileiros, mas não quer dizer que isso seja suficiente -- explica o diretor.

 
Segundo Pires, as áreas indígenas são consideradas, na política de preservação adotada pelo governo, barreiras naturais para enfrentar o desmatamento. Também neste caso, porém, os números do Prodes indicam problemas. No Mato Grosso, foram demarcados 1.663,3 km² de área indígena denominada Maraiwatsede para o povo Xavante, que havia sido retirado da área na década de 1970.

 
Mas as terras seguem ocupadas por posseiros há 40 anos.
 

Na lista de áreas que sofrem com queimadas no Mato Grosso, a Maraiwatsede se destaca, o que indica que a preservação continua longe de ser uma realidade.
 
A Terra Indígena do Rio Guamá, no Pará, já teve 31,7% da área desmatada, num total de 893,3 km² de mata destruída. Recentemente, os índios denunciaram toda sorte de problemas, que vão do desmatamento à produção de maconha por invasores da floresta. Por enquanto, a única ação foi um compromisso do Incra de reassentar 40 famílias que moram na aldeia mais problemática, a Marajupema, transformada em rota de tráfico.

 
A terceira terra indígena com maior área desmatada é a Alto Rio Negro, no Amazonas, que acumula 857,7 km² de devastação. Por percentual desmatado sobre o total da reserva, o maior ataque ocorre na terra indígena Awá, no Maranhão, onde 32,7% dos 1.140,2 km² de área já foram desmatados.

 
No total, 13.885,3 km² de terras indígenas estão desflorestados, num total de 379 áreas demarcadas pela Funai e monitoradas pelo Prodes.

 
O Brasil tem hoje 1.097.301,5 km² de terras indígenas demarcadas. Mas a situação não mudou. 


Até 1997, 7.575,9 km² de terras indígenas tinham sido devastados. Ou seja, de lá para cá, a extensão de floresta derrubada em áreas destinadas aos índios aumentou 83%.
 
- Onde tem terra indígena há uma barreira, mas não quer dizer que seja um santuário - reconhece Pires.


A Funai não respondeu o pedido de entrevista feito pelo GLOBO.

Governo admite falta de fiscalização

Unidades de Conservação são ameaçadas por grileiros, fazendeiros e ocupações

O Globo

SÃO PAULO. O Brasil tem atualmente 310 Unidades de Conservação (UC), que ocu
pam hoje 75 milhões de hectares, o equivalente a 8,5% do território nacional. Só nos últimos três anos, 6,168 milhões de hectares foram declarados como UC, dos quais 5,8 milhões estão na área da Amazônia Legal. 
Rômulo Mello, presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, admite que o controle dessas áreas, criadas para preservar a biodiversidade, é difícil e requer tempo de implementação.

 
- O tempo de assinar um decreto e o tempo de implementar uma Unidade de Conservação são muito diferentes - diz Mello, acrescentando que o ICMBio foi criado apenas em 2007 justamente com o objetivo de implantar efetivamente os diferentes modelos de conservação.

 
Há dois tipos de unidades. As protegidas não podem ser exploradas e devem ser usadas para ecoturismo, pesquisa e educação ambiental. Nas demais, é possível explorar a natureza, mas de forma controlada, em pequena quantidade. É esse controle que ainda é incipiente no país, conforme demonstram os números do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

 
- Precisamos de fiscalização mais intensa, implementar planos de manejo e promover a regularização fundiária - afirma Mello.

 
Nos últimos três anos, o Instituto Chico Mendes elaborou 60 planos de manejo, e outros cem estão sendo construídos, afirma ele.

 
De acordo com Mello, justamente por serem criadas por decreto, quando o instituto chega ao local das Unidades de Conservação constata que já há ali uma ocupação, seja por grileiros, grandes fazendeiros ou simplesmente comunidades que moram no local há anos.

 
A saída, acrescenta, é promover a regularização fundiária dessas áreas, o que nem sempre ocorre. Um dos exemplos de área de conflito é a Reserva Biológica do Gurupi, no Maranhão, onde uma força-tarefa de 170 pessoas, incluindo Ibama e Força Nacional, está agindo para impedir o trabalho de madeireiras ilegais.

 
- A reserva se sobrepõe à área indígena, e ainda há de posseiros a grandes fazendeiros. Em áreas como essa, o nível de implementação é muito difícil - diz Mello.

 
Ele admite problemas também na Reserva Extrativista Chico Mendes. Segundo Mello, parte da reserva foi ocupada por criadores de gado. Por isso, foi criado um grupo de trabalho, envolvendo os seringueiros, para discutir a nova ocupação.

- Não vai ser num estalar de dedos que vamos sair de um passivo ambiental elevado. Mas garanto que, para preservar, mesmo com todos os problemas, é melhor criar uma Unidade de Conservação do que não criar. Sem elas, a situação seria muito pior - afirma.

Bactéria pode ter causado novas mortes no DF

Band

A Secretaria de Saúde do Distrito Federal investiga mais duas mortes suspeitas de terem sido causadas por uma bactéria resistente a antibióticos. Se confirmadas, o total sobe para cinco.