26 agosto 2011

Costa Leste entra em emergência e voos são cancelados por causa de furacão

O Estado de SP

Os governos de Nova York, New Jersey, Maryland, Virgínia e Carolina do Norte declararam ontem estado de emergência por causa da aproximação do furacão Irene, que deve atingir a Costa Leste dos EUA no fim de semana.


Irene, que agora é um furacão de categoria 3 (com ventos de 185 quilômetros por hora, pode chegar a categoria 4 (217 quilômetros por hora). O furacão deve atingir a Carolina do Norte amanhã e Nova York, no domingo. Companhias aéreas começaram a cancelar voos previstos para o fim de semana e a retirar as aeronaves dos aeroportos na rota do furação. O Irene ainda deve provocar atrasos e cancelamentos em voos de todo o país.


Ontem, o furacão avançou pelo arquipélago das Bahamas, atingindo ilhas pequenas e pouco povoadas. Os ventos arrancaram telhados, derrubaram postes de eletricidade e destruíram casas. Antes, o furacão passou por Porto Rico, República Dominicana e Haiti, onde duas pessoas morreram.

Cientistas encontram nova espécie de macaco em Mato Grosso

DA BBC BRASIL

Uma expedição formada por unidades de conservação da Reserva Extrativista Guariba-Roosevelt, no noroeste do Mato Grosso, descobriu uma nova espécie de macaco.

O novo primata Callicebus -- conhecido como zogue-zogue -- foi encontrado entre os rios Guariba e Roosevelt pelo biólogo Júlio Dalponte. 



Júlio Dalponte
Novo zogue-zogue possui padrão de coloração de pelo diferente de todas as outras espécies similares
Novo zogue-zogue possui padrão de coloração de pelo diferente de todas as outras espécies similares

Segundo ele, uma "barreira" criada pelos dois rios e seus afluentes pode separar ao menos três espécies diferentes do mesmo gênero de macacos.

"Cada espaço desses tem uma espécie. Então é difícil encontrarmos este mesmo macaco em outros lugares, por exemplo. Daí a importância de conservar essas áreas", disse o biólogo à BBC Brasil.

"Este zogue-zogue, que encontramos entre as margens direita do rio Roosevelt e esquerda do rio Guariba, possui um padrão de coloração de pelo diferente de todas as outras espécies conhecidas do mesmo gênero naquela região."

Dalponte acrescentou que uma possível segunda nova espécie de macaco foi avistada perto do rio Guariba, mas ainda é preciso fotografá-la.

CLASSIFICAÇÃO

Um dos macacos da nova espécie, encontrado morto, está sendo estudado no museu Emílio Goeldi, em Belém, no Pará, e classificado de acordo com as normas internacionais de taxonomia.

"Precisamos comparar as características desses animais com os que já conhecemos. Mas temos certeza de que se trata de uma nova espécie", explicou Dalponte.

A descrição completa das características do novo zogue-zogue deve levar pelo menos seis meses para ser concluída.

Mais um ano pode ser necessário para que um estudo sobre ele seja aprovado pelos comitês de publicações científicas especializadas.

A descoberta do animal é um trabalho da organização de proteção animal WWF Brasil, em parceria com a Secretaria de Meio Ambiente do Mato Grosso.

A expedição reuniu nove pesquisadores, que percorreram quatro unidades de conservação ambientais do Estado para colher informações e elaborar um novo plano de manejo destas áreas.

Aterro sanitário em Cingapura atrai turistas; espera é de 4 meses

DO NEW YORK TIMES

Quatro meses de espera é o tempo que leva para os turistas conhecerem um aterro sanitário em Cingapura, o Pulau Semakau, cujo número de visitantes triplicou nos últimos cinco anos, passando de 4.000, em 2005, para 13.000, em 2010.

Mas o local não é um lixão. É uma ilha artificial que lembra uma reserva natural, apesar das 9,8 milhões de toneladas de lixo incinerado que ficam a cerca de 30 centímetros abaixo da superfície.

A escassez de terra em Cingapura -- menor do que Rhode Island (3.140 quilômetros quadrados) -- levou o governo a desenvolver técnicas inovadoras para descarte de lixo.

Ao juntar duas pequenas ilhas com área quase igual ao Central Park, o governo criou o aterro, o primeiro depósito de lixo na costa de Cingapura que agora é uma atração popular.

Pescadores esportivos vêm durante o dia e astrônomos à noite para observar o céu longe das luzes da cidade. Grupos escolares têm permissão de entrar nas poças formadas pela maré para procurar anêmonas e estrelas-do-mar. De acordo com Ong, os passeios na faixa coberta pela maré são tão populares que estão reservados para quase o ano inteiro.

As instalações de US$ 360 milhões incluem um quebra-mar de 7 km feito de areia, pedra, argila e uma geomembrana de polietileno, que acompanha a periferia da ilha para impedir vazamentos. 

 

The New York Times
Aterro Pulau Semakau serve de reserva natural; local é aberto para turistas durante cinco dias da semana
Aterro Pulau Semakau serve de reserva natural; local é aberto para turistas durante cinco dias da semana

O lixo incinerado do continente chega em barcaças e a cinza molhada é esvaziada em fossos para um dia serem cobertos de terra, onde palmeiras e outras plantas crescem naturalmente.

Converter aterros em áreas de uso público não é novidade. Em Nova York, o aterro Fresh Kills, em Staten Island, fechado em 2001, será reaberto como parque em torno de 2035.

Em 1994, o Japão transformou um velho aterro sanitário na região sudoeste de Osaka no Aeroporto Internacional de Kansai, o primeiro aeroporto marinho do mundo.

Porém, Semakau é o único aterro ativo que recebe lixo incinerado e industrial ao mesmo tempo em que dá suporte a um ecossistema florescente, que conta com mais de 700 tipos de plantas e animais e várias espécies ameaçadas.

"Mesmo operando um aterro, a biodiversidade continua a florescer", diz Ong Chong Peng, gerente geral do local. "Queremos manter esse equilíbrio o máximo possível."

Fauna e flora são tão preciosas em Semakau que o perímetro previsto do aterro foi alterado para garantir que duas florestas de mangue tivessem acesso à água doce com a mudança da maré.

Espécies protegidas como a garça Ardea sumatrana e tarambolas-da-malásia se reproduzem na ilha, e o ameaçado golfinho-corcunda-indopacífico foram vistos pelas redondezas.

Semakau também é o único aterro sanitário ativo que costuma incentivar visitas do público cinco dias por semana. Enquanto o lado oriental da ilha está cheio de espaços esperando para serem preenchidos, a porção oriental recebe espectadores desde 2005.

Neste ano, depois de mais de uma década em operação, o lado oriental da ilha está programado para desenvolvimento e pode começar a receber lixo já em 2015.

A Agência Nacional de Meio Ambiente, que mantém o local, prevê que, com os dois lados recebendo dejetos, o aterro ficará aberto até pelo menos 2045.

CRÍTICAS

A Agência Nacional de Meio Ambiente do país garante que o sistema único do aterro reduz o volume de lixo em 90%, acrescentando que 2% da energia de Cingapura são produzidos pelos quatro incineradores do continente.

Porém, os críticos reprovam um gerenciamento de lixo baseado inteiramente na incineração. Incineradores de larga escala, como os do país, têm períodos curtos de vida, às vezes de apenas dez anos, antes de necessitarem troca.

Para ambientalistas do Greenpeace, a incineração simplesmente transforma o problema do lixo num problema de poluição.

"O Greenpeace é contrário à incineração de lixo por ser uma grande fonte de substâncias cancerígenas como dioxina, além de outros poluentes nocivos, como o mercúrio, e compostos orgânicos voláteis", explica Tara Buakamsri, diretor de campanha para o Sudeste Asiático.

Protestos públicos na Malásia e Indonésia ocorreram depois que o governo anunciou planos de construir novos incineradores. Já os filipinos os baniram em 1999 por causa dos riscos à saúde -- mesmo ano em que o governo cingapurense passou a usá-los para operar o Semakau.

Também existe o pequeno, mas real, risco de que o lixo contamine o oceano.

Há 8,7 milhões de espécies no planeta, estima novo estudo

DA BBC BRASIL

O mundo tem cerca de 8,7 milhões de espécies, segundo uma nova medição descrita por cientistas como a mais precisa já feita -- ainda assim, a margem de erro é de um milhão para mais ou para menos.

O estudo, publicado na revista científica "PLoS Biology", observa que a grande maioria ainda não foi identificada -- cerca de 1,2 milhão já foram formalmente descritas, em sua maioria criaturas terrestres -- e a catalogação de todas poderia levar mais de mil anos, apesar de novas técnicas como o sequenciamento do DNA possam acelerar esse processo.

Além disso, advertem os pesquisadores, muitas serão extintas antes mesmo de serem estudadas.

Segundo a estimativa, a maior parte das 8,7 milhões de espécies é composta por animais, com números progressivamente menores de fungos, plantas, protozoários (grupos de organismos unicelulares) e cromistas (grupo que inclui algas e outros micro-organismos).

Desse total, não foram contabilizadas as bactérias e outros tipos de micro-organismos.

O cálculo preciso do número total de espécies no planeta é um assunto complicado. "É uma indicação notável do narcisismo da humanidade que saibamos que o número de livros na Biblioteca do Congresso americano em 1º de fevereiro de 2011 era de 22.194.656, mas que não podemos dizer com quantas espécies de plantas e animais nós dividimos o mundo", comentou na "PLoS Biology" o ex-presidente da Sociedade Real britânica Robert May.

O novo estudo afirma, porém, que essa dúvida está respondida. "Estivemos pensando sobre isso durante anos, com vários métodos diferentes, mas não obtivemos nenhum sucesso. Essa era basicamente nossa última chance, e parece ter funcionado", disse o pesquisador Derek Tittensor à BBC.

Tittensor trabalha para a Unep-WCMC (Centro de Monitoramento e Preservação Mundial do Programa Ambiental da ONU) e para a Microsoft Research, em Cambridge (Reino Unido). Ele realizou a pesquisa em conjunto com colegas da Universidade Dalhousie, no Canadá, e da Universidade do Havaí, nos Estados Unidos.

TAXONOMIA

O método que os pesquisadores usaram para calcular o número total de espécies analisou a relação entre as espécies e os grupos mais amplos aos quais pertencem.

Em 1758, o biológo sueco Carl Linnaeus desenvolveu um amplo sistema de taxonomia (a ciência de classificação dos seres vivos), que ainda é usado hoje, com poucas modificações.

Grupos de espécies mais proximamente relacionadas pertencem ao mesmo gênero que, por sua vez, são agrupadas em famílias, depois em ordens, em classes, em filos e, finalmente, em reinos (como o reino animal).

Quanto mais alto se olha nessa árvore hierárquica da vida, mais raras se tornam as novas descobertas -- o que é pouco surpreendente, já que a descoberta de uma nova espécie será muito mais comum do que a descoberta de um filo ou de uma classe totalmente nova.

Os pesquisadores quantificaram a relação entre a descoberta de novas espécies e a de grupos mais amplos como filos ou ordens, e então usaram esse dado para prever quantas espécies existem no mundo.

"Descobrimos que, usando números dos grupos taxonômicos mais altos, podemos prever o número de espécies", disse a pesquisadora Sina Adl, da Universidade Dalhousie.

"Esse método previu com precisão o número de espécies em vários grupos bem estudados como mamíferos, peixes e pássaros, indicando a sua confiabilidade", disse.

Os pesquisadores dizem que não esperam que seus cálculos signifiquem o fim das pesquisas sobre o número de espécies e pedem aos colegas cientistas que refinem os métodos e a conclusão da pesquisa.

BA inaugura unidade para transformar resíduos em matéria-prima

GUSTAVO HENNEMANN
ENVIADO ESPECIAL A CAMAÇARI (BA) - FOLHA DE SP

Erguer paredes com resíduos petroquímicos e transformar compostos de enxofre descartados em insumo nobre para a indústria de cosméticos. Esses são exemplos do que se pretende fazer no Cita (Centro de Inovação e Tecnologia Ambiental), inaugurado nesta quinta-feira (25) no polo de Camaçari (BA).


Trata-se de uma aposta da Cetrel, empresa que trata efluentes e monitora o meio ambiente do complexo industrial, localizado a 50 km de Salvador.

Uma equipe de técnicos tem a missão de descobrir processos que agreguem valor comercial ao material descartado pelos clientes industriais.

A unidade, que recebeu investimentos de R$ 15 milhões da Cetrel, já desenvolve projetos para reaproveitar resíduos plásticos, metálicos, e compostos de enxofre descartados.

Os três devem ter plantas-piloto em funcionamento até o próximo ano e receberão financiamento de R$ 90 milhões do Finep, empresa do Ministério da Ciência e Tecnologia que fomenta a inovação.

No caso dos resíduos petroquímicos, o Cita desenvolveu tecnologia para produzir "madeira plástica" a partir da mistura com fibra de celulose.

O processo transformará em material de construção civil cerca de mil toneladas mensais de resina descartada pela Braskem, indústria petroquímica controlada pelo Grupo Odebrecht. A fibra de celulose virá de outra indústria instalada no polo de Camaçari.

"Resolvemos o problema da Braskem e produzimos uma material mais barato que a 'madeira plástica' feita nos EUA. Acreditamos que é possível absorver 0,5% do mercado brasileiro de madeiras, que alcança R$ 28 bilhões", diz Alexandre Machado, responsável pelo desenvolvimento e inovação em produtos.

PATENTES

Até o momento, o Cita já solicitou quatro registros de patentes e pretende apresentar outros dez nos próximos meses.

Para o diretor-presidente da Cetrel, Ney Silva, o centro representa a mudança de estratégia da empresa, que foi criada há 33 anos para "destruir resíduos" e descartar aquilo que poderia ser absorvido pela natureza.

"Mudamos a rota. A ideia é que todo o resíduo se transforme em nova matéria-prima. Desenvolvemos [os processos] em laboratório, fazemos a planta-piloto, patenteamos e depois vamos licenciar a tecnologia para alguém operar [e produzir em maior escala]", diz .

A Cetrel, que investirá de 7% a 10% de seu faturamento no novo centro, também desenvolve um projeto paralelo para produzir bioenergia a partir de resíduos do processamento da cana-de-açúcar, como a vinhaça e o bagaço.

A ideia da empresa é se tornar parceira de usinas de todo o Brasil. Uma planta-piloto já foi instalada na Paraíba e outra deve ser montada em Pernambuco.

"O propósito é gerar biogás, para depois transformá-lo em energia elétrica, o que é um passo muito curto e de baixo investimento", diz o diretor-presidente.

O repórter GUSTAVO HENNEMANN viajou a convite da Cetrel

Degelo avançado do Ártico abre uma nova rota navegável

DA EFE

A cobertura de gelo marinho do oceano Ártico registrou níveis mínimos e, pela segunda vez na história, surgiu uma nova rota de navegação na Passagem do Noroeste, que se soma à do Mar do Norte.

A ESA (Agência Espacial Europeia, na sigla em inglês) divulgou os dados nesta sexta-feira.


De acordo com cientistas, a passagem pode ser um atalho para a navegação entre a Europa e a Ásia, embora há o risco de ocorrerem reivindicações de soberania e a possibilidade de espécies marinhas migrarem através do oceano.

A primeira vez que as duas passagens se tornaram navegáveis no mesmo período foi em 2008 -- as observações científicas com satélites começaram na década de 1970.

Nessa ocorrência, contabilizou-se apenas 4,2 milhões de quilômetros quadrados de água gelada, a metade do início dos anos 1980.

"Estamos em uma nova etapa, com muito menos gelo do que antes", explica o pesquisador do Instituto Meteorológico Dinamarquês Toudal Pedresen.

Os cientistas temem que, dentro em poucas semanas, o recorde de perda de gelo, registrado em 2007, seja superado neste ano.

Prefeito de Nova York ordena retirada de moradores por causa de furacão

FOLHA DE SP
A cidade de Nova York se organiza nesta sexta-feira para enfrentar a passagem do furacão Irene na região, com autoridades locais anunciando a paralisação do transporte público e a evacuação das áreas mais vulneráveis.

As autoridades informaram que planejam suspender as operações do metrô e linhas de ônibus, a partir do meio-dia no sábado. As pontes na região, incluindo George Washington Bridge e Robert F. Kennedy Triboro Bridge, serão fechadas, caso a velocidade dos ventos ultrapassem os 96 km/h. 



Nasa/Associated Press
Imagem da Nasa mostra o furacão Irene fotografado por Estação Espacial Internacional, no dia 24
Imagem da Nasa mostra o furacão Irene fotografado por Estação Espacial Internacional, no dia 24

Andrew Cuomo disse também que está mobilizando a Marinha e o Exército para atuar nas operações de emergência. As autoridades organizam também a coordenação de serviços emergenciais e de restauração de energia elétrica, caso o furacão danifique a distribuição.

De acordo com informações do jornal americano "New York Times", o prefeito nova-iorquino, Michael Bloomberg, ordenou uma retirada inédita dos moradores em áreas costeiras. As linhas de trem que servem Long Island, Westchester County e Connecticut também serão interrompidas.



Editoria de Arte/Folhapress

A retirada, que deve acontecer às 16h do sábado (horário local), será obrigatória em vários bairros vulneráveis de Nova York diante da chegada do furacão, uma medida que afetará pelo menos 250 mil pessoas, segundo a agência France Presse. Bloomberg disse que a remoção poderia começar quando forem abertos abrigos.

"Nós nunca fizemos antes uma retirada obrigatória e não estaríamos fazendo isso agora se não achássemos que essa tempestade tem o potencial de ser muito grave", disse.

Idosos residentes em áreas baixas e pacientes de hospitais começaram a ser levados para partes mais altas nesta sexta-feira.

Enquanto isso, o estado de emergência por conta do furacão continua nos Estados de Nova York, Nova Jérsei e Connecticut.

Moradores da região estão cobrindo as janelas das casas com pedaços madeira e tirando barcos de perto das docas, disse reportagem do "NYT". A pressa por comprar baterias, lanternas e garrafas de água esgotaram esses serviços nas prateleiras dos supermercados.

A emissora de TV CNN disse que o governador de Massachusetts, Deval Patrick, anunciou a coordenação de 30 agências para lidar com a chegada do furacão no fim de semana. Segundo ele, o Estado está tomando várias precauções, inclusive diminuindo reservatórios para terem maior capacidade em caso de chuvas torrenciais.

Patrick afirmou que as piores tempestades são esperadas para sábado à noite e domingo, com a expectativa de árvores serem derrubadas e o fornecimento de energia cortado. Ele pediu ainda que os moradores fiquem longe das estradas a partir de sexta-feira à noite.

A passagem do Irene ameaça quase 10% da capacidade de refinarias de petróleo nacional, na Filadélfia, Nova Jérsei e Delaware, segundo a CNNMoney.

25 agosto 2011

Rio de 6.000 km é descoberto embaixo do rio Amazonas


Em São Paulo

Pesquisadores do Observatório Nacional (ON) encontraram evidências de um rio subterrâneo de 6.000 quilômetros de extensão que corre embaixo do rio Amazonas, a uma profundidade de 4.000 metros. Os dois cursos d'água têm o mesmo sentido de fluxo - de oeste para leste -, mas se comportam de forma diferente. A descoberta foi possível graças aos dados de temperatura de 241 poços profundos perfurados pela Petrobras nas décadas de 1970 e 1980, na região amazônica. A estatal procurava petróleo.

Fluidos que se movimentam por meios porosos - como a água que corre por dentro dos sedimentos sob a Bacia Amazônica - costumam produzir sutis variações de temperatura. Com a informação térmica fornecida pela Petrobras, os cientistas Valiya Hamza, da Coordenação de Geofísica do Observatório Nacional, e a professora Elizabeth Tavares Pimentel, da Universidade Federal do Amazonas, identificaram a movimentação de águas subterrâneas em profundidades de até 4 mil metros.

O dados do doutorado de Elizabeth, sob orientação de Hamza, foram apresentados na semana passada no 12.º Congresso Internacional da Sociedade Brasileira de Geofísica, no Rio. Em homenagem ao orientador, um pesquisador indiano que vive no Brasil desde 1974, os cientistas batizaram o fluxo subterrâneo de rio Hamza.

Características

A vazão média do io Amazonas é estimada em 133 mil metros cúbicos de água por segundo (m3/s). O fluxo subterrâneo contém apenas 2% desse volume com uma vazão de 3.000 m3/s - maior que a do rio São Francisco, que corta Minas e o Nordeste e beneficia 13 milhões de pessoas, de 2,7 mil m3/s. Para se ter uma ideia da força do Hamza, quando a calha do rio Tietê, em São Paulo, está cheia, a vazão alcança pouco mais de 1 mil m3/s.

As diferenças entre o Amazonas e o Hamza também são significativas quando se compara a largura e a velocidade do curso d'água dos dois rios. Enquanto as margens do Amazonas distam de 1 a 100 quilômetros, a largura do rio subterrâneo varia de 200 a 400 quilômetros. Por outro lado, a s águas do Amazonas correm de 0,1 a 2 metros por segundo, dependendo do local. Embaixo da terra, a velocidade é muito menor: de 10 a 100 metros por ano.

Há uma explicação simples para a lentidão subterrânea. Na superfície, a água movimenta-se sobre a calha do rio, como um líquido que escorre sobre a superfície. Nas profundezas, não há um túnel por onde a água possa correr. Ela vence pouco a pouco a resistência de sedimentos que atuam como uma gigantesca esponja: o líquido caminha pelos poros da rocha rumo ao mar. 


As informações são do jornal O Estado de S. Paulo. 

23 agosto 2011

Dente de ancestral humano indica que ele já cozinhava

Hominídeo de 1,8 milhão de anos não tinha molar forte para triturar comida

Uso do fogo para alterar alimentos facilitou o acesso a calorias e fez cair tempo que era gasto com mastigação


RICARDO BONALUME NETO - FOLHA DE SP

DE SÃO PAULO

O primeiro cozinheiro da humanidade pode ter sido um ancestral que viveu há 1,8 milhão de anos, o hominídeo da espécie Homo erectus.

 
Os indícios dessas habilidades gastronômicas são indiretos. Foram identificados por pesquisadores da Universidade Harvard por meio da comparação de características como tamanho dos dentes molares e massa corporal de 14 espécies, entre hominídeos, chimpanzés, gorilas e seres humanos modernos.

 
Por trás do estudo está a ideia de que a redução no tamanho dos molares dos seres humanos ao longo da evolução está associada ao cozimento, que amacia a comida e exige menos esforço biomecânico dos dentes.

 
Um dos pontos comparados foi o tempo de alimentação do homem em relação ao de outros primatas. 

 
Trata-se do tempo que se leva para mastigar e engolir a comida, sem contar o que se gasta para consegui-la, diz um dos autores do estudo, Chris Organ, de Harvard.

 
Grandes animais têm maiores necessidades calóricas e passam mais tempo comendo. Um chimpanzé passa 37% do tempo se alimentando. Os cálculos da equipe indicaram que um ser humano deveria passar 48% do tempo comendo. Na verdade, gasta apenas 4,7% do tempo com isso.

 
"Os humanos são capazes de gastar menos tempo se alimentando porque usam o cozimento para extrair mais calorias da comida", escreveram os pesquisadores na última edição da revista científica americana "PNAS".

 
"Comer carne traz um monte de calorias, mas comer carne cozida e processada traz ainda mais", diz Organ.

 
É aí que entra o tamanho dos dentes. Isso porque, até certo ponto da trajetória evolutiva humana, a relação entre tamanho do corpo e tamanho dos dentes seguia o padrão visto em chimpanzés em outros primatas.

 
Ou seja, o tamanho dos molares dependia basicamente do tamanho do hominídeo e de sua alimentação.

 
Como o Homo erectus, essa relação se quebra. O hominídeo tem dentição muito menor do que a esperada para um primata de seu tamanho, mostra a comparação.

 
Isso sugere que seus dentes já não eram tão exigidos quanto o de seus ancestrais, provavelmente porque já cozinhava os alimentos.

 
Um dos autores do estudo, Richard Wrangham, especialista em comportamento de chimpanzés, é conhecido por um best-seller em que defende a tese de que cozer os alimentos foi um passo fundamental na evolução humana. Trata-se do livro "Pegando Fogo" (Editora Zahar, 2010).

22 agosto 2011

Uso econômico da Reserva Legal preservaria Cerrado

Débora Spitzcovsky - Planeta Sustentável

Estudo realizado na Esalq - Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da USP, provou que estimular, de forma sustentável, o uso econômico das áreas de Reserva Legal no Cerrado pode ajudar na conservação do bioma.


Isso porque, de acordo com a pesquisa, ao agregar valor econômico a essas áreas, os proprietários de terra teriam mais interesse em zelar pelas Reservas Legais, o que reduziria as ações de destruição do Cerrado e, ainda, diminuiria a necessidade de fiscalização dessas áreas por parte do governo.

A pesquisa - desenvolvida por Ana Cláudia Sant’Anna, aluna do Programa de Pós-Graduação em Economia Aplicada da Esalq, sob orientação de Ricardo Shirota - foi focada nos benefícios da extração sustentável do pequi, em comparação ao cultivo de soja - muito comum no Cerrado -, nas microrregiões de Iporá, em Goiás, e Pirapora, em Minas Gerais.

A conclusão foi de que nas Reservas Legais onde há dez ou mais árvores de pequi por hectare, sendo exploradas de forma sustentável, é possível obter uma margem bruta de renda igual ou, até mesmo, superior àquela conquistada com o cultivo ilegal de soja.

Apesar dos resultados positivos, a pesquisadora Sant’Anna fez questão de ressaltar que a plantação homogênea é proibida nas Reservas Legais e, portanto, o estudo é, apenas, um pontapé inicial para a análise dos benefícios do uso econômico dessas áreas no Cerrado.

Cientista norte-americano e artista holandesa criam 'pele' à prova de bala

Células humanas e seda especial foram usados na confecção.
Material resistiu a disparos com balas de calibre 22.


Do G1, com informações da Associated Press


Um cientista da Universidade Estadual de Utah, nos Estados Unidos, com a ajuda de uma artista holandesa, criou uma mistura de seda com pele humana capaz de resistir ao disparo de balas.

Randy Lewis forneceu fios fornecidos por bichos-de-seda geneticamente manipulados a Jalila Essaidi, que confeccionou a 'superpele' usando também células de pele humana. Os animais foram alterados para produzir a seda típica de teias de aranhas, que é mais resistente.

Após testes com projéteis de calibre 22, o material se mostrou resistente aos disparos e não se rompeu, ainda que as balas tenham penetrado em parte das camadas da 'pele'.

Lewis acredita que a seda produzida por aranhas possa ajudar cirurgiões a curar ferimentos graves e criar tendões e ligamentos artificiais no futuro. Durante outro estudo, ele já havia aplicado genes de aranhas em cabras para obter um leite carregado com largas quantidades da proteína responsável pela produção da seda.

Polo Norte precisa de medidas internacionais para conter derretimento do gelo

International Herald Tribune
 
Michael Byers 
  • Oceano Ártico propriamente dito é governado pela lei do mar, que todas as nações aceitam como uma lei internacional estabelecida Oceano Ártico propriamente dito é governado pela lei do mar, que todas as nações aceitam como uma lei internacional estabelecida
Nenhum país será “dono” do Polo Norte, que está localizado aproximadamente a 640 quilômetros ao norte de qualquer outra porção de terra. O Oceano Ártico central pertence à humanidade; seus desafios são responsabilidade de todas as nações. Esses desafios – de acidentes que ameaçam a vida, derramamentos de petróleo e pesca excessiva – estão aumentando o derretimento do gelo marinho e navios de todos os tipos estão ganhando acesso.

O Tratado Antártico, de 1959, é às vezes proposto como um modelo para a governança do Ártico. Mas o Tratado Antártico foi realizado por países que tinham desenvolvido interesses legais lá.

O Ártico já teve mais atividade do que a Antártica. Cerca de 20% do PIB da Rússia vem de seus territórios árticos, principalmente os lucros do petróleo e gás. E diferente da Antártica, o Ártico abriga populações indígenas.

O Ártico também já está substancialmente regulado por leis domésticas e internacionais. Enquanto a Antártica é um continente cercado por oceanos, o Ártico é um oceano cercado por continentes. Todas as terras pertencem incontestavelmente a uma ou outra nação ártica, com a exceção insignificante da Ilha Hans, uma ilhota rochosa no meio do caminho entre a Groenlândia e o Canadá.

O Oceano Ártico propriamente dito é governado pela lei do mar, que todas as nações aceitam como uma lei internacional estabelecida. Desenvolvidas ao longo de séculos de prática diplomática, essas regras foram codificadas na Convenção da ONU sobre a Lei do Mar, que a maioria das nações – embora os EUA ainda não – ratificou.

Como no resto do mundo, os mares territoriais das nações do Ártico se estendem 22 quilômetros a partir da costa. Dentro dessa faixa, os estados costeiros têm poderes extensivos sobre a navegação estrangeira e direitos absolutos sobre a pesca e recursos marinhos como o petróleo e o gás. Entre 22 e 370 quilômetros, na chamada zona econômica exclusiva, os estados costeiros não têm poderes sobre a navegação estrangeira, mas têm direitos absolutos sobre a pesca, petróleo e gás.

Além dos 370 quilômetros, os estados costeiros perdem seus direitos sobre a pesca, mas mantêm o direito sobre os recursos do fundo do mar – onde quer que possam demonstrar cientificamente que o fundo do oceano é uma “prolongação natural” da placa continental próxima à costa. Isso significa que colocar uma bandeira no fundo do oceano no Polo Norte, como o explorador e político russo Artur Chilingarov fez em 2007, não tem nenhuma consequência legal a mais do que colocar uma bandeira na lua. Isso também significa que a maior parte do petróleo e do gás, que costuma ser encontrado na placa continental, está localizada dentro da jurisdição incontestada de um ou outro estado costeiro.

Os temas cruciais do Oceano Ártico central dizem respeito à segurança dos navios e o gerenciamento da pesca. Por este motivo, os Estados Unidos recentemente lideraram uma negociação de um tratado de busca e resgate envolvendo todas as nações do Ártico, inclusive a Rússia. O tratado designa zonas de responsabilidade dos estados costeiros para busca e recuperação que se estenda das águas internacionais até o Polo Norte.

As condições do Ártico demandam padrões precisos de construção de navios, incluindo um reforço para o gelo, cascos duplos, botes salva-vidas cobertos e equipamento avançado de navegação. A Organização Marítima Internacional passou anos negociando um Código Ártico para a navegação, mas o documento foi rebaixado para um conjunto de orientações em 2002 – por conta da insistência dos EUA. O governo Obama deverá reverter essa decisão e liderar o esforço internacional para tornar as normas obrigatórias.

À medida que o Oceano Ártico se aquece, espécies de peixe valiosas como o salmão sockeye do Pacífico e o bacalhau do Atlântico estão se movendo para o norte. Essas espécies que existem no alto mar, ou se movimentam entre o alto mar e as zonas econômicas exclusivas dos estados costeiros, são extremamente vulneráveis às frotas de pesca de longo alcance dos países não árticos.

Em 2008, os senadores Ted Stevens e Lisa Murkowski do Alaska co-patrocinaram uma resolução do Senado dirigindo o governo dos EUA a negociar o estabelecimento de uma organização de gerenciamento da pesca internacional para o Oceano Ártico. Organizações similares já existem e são eficientes no Atlântico Norte e outros lugares.

Estabelecer uma organização como esta exigiria o apoio de outras nações do Ártico, e a associação teria de ser aberta também a estados que não pertencem ao Ártico. Assim, estes países teriam acesso à pesca além das 200 milhas náuticas da costa (370 quilômetros), mas apenas se o consenso sobre quotas, baseado na ciência, for atingido.

A resolução Stevens-Murkowski determinava ainda que, no ínterim, “os Estados Unidos deveriam apoiar esforços internacionais para impedir a expansão das atividades de pesca comercial no alto mar do Oceano Ártico”. A resolução foi aprovada unanimemente e assinada como lei pelo presidente George. W. Bush. Então, em 2009, o governo Obama impôs uma moratória sobre toda a pesca comercial nas águas federais ao norte do Alaska – assinalando assim a seriedade com a qual lida com o assunto.

Até agora, tudo bem. Mas costuma ser mais fácil atingir um acordo internacional antes que os interesses dos países estejam estabelecidos. Por este motivo, a velocidade é essencial. O alto mar ao norte do Estreito de Bering já está sem gelo no final do verão – e mais próximo da Coreia do Sul, Japão e a China do que muitos dos lugares onde os barcos de pesca de longo alcance desses países operam atualmente.

O Ártico não é o Velho Oeste da imaginação popular, e tampouco é uma região onde a cooperação internacional é completa. À medida que o gelo derrete, novas regras para navegação e pesca são necessárias, rápido.

(Michael Byeres é professor de política global e lei internacional na Universidade de British Columbia em Vancouver e autor de “Quem é Dono do Ártico?”) 

 
Tradução: Eloise De Vylder
 

Entidade vai à Justiça após morte de bezerro em rodeio

Derrubado por peão em Barretos, animal fica tetraplégico e é sacrificado

Objetivo será pedir a proibição do bulldog, modalidade da qual o animal participava; entidade vê fatalidade


GABRIELA YAMADA

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA DE SP,
DE RIBEIRÃO PRETO

ANA SOUSA
EDSON SILVA

ENVIADOS ESPECIAIS A BARRETOS

A morte de um bezerro depois de uma prova na 56ª Festa do Peão de Barretos gerou indignação entre entidades de proteção aos animais. O episódio, que ocorreu na última sexta-feira, será levado à Polícia Civil e ao Ministério Público.

 
O Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, cuja mobilização conseguiu extinguir a prova do laço em todos os rodeios do país há quatro anos, vai acionar a Justiça para tentar proibir a modalidade bulldog.

 
"Nessa prova, o peão se atira sobre o animal e torce o pescoço. Isso é crueldade", afirmou a presidente do fórum, Sônia Fonseca.

 
No bulldog, o peão precisa derrubar o bezerro com as mãos, sem o uso de nenhum tipo de equipamento.

 
Na sexta-feira, o bezerro ficou imóvel no chão da arena de Barretos após ser derrubado pelo "bulldogueiro" Cesar Brosco. O animal foi retirado da arena em um veículo.

 
Mais tarde, foi constatado que o bezerro havia sofrido uma lesão nas vértebras e, por isso, ficou tetraplégico. Diante da situação, o bezerro foi sacrificado.

 
A organização da Festa do Peão de Barretos disse que o caso foi uma "fatalidade" e que não vê motivos para que a modalidade seja abolida do evento.

 
A advogada Viviane Alexandre, representante da WSPA (Sociedade Mundial de Proteção Animal), afirmou que levará o caso ao recém criado Grupo de Atuação Especial de Defesa Animal, do Ministério Público.

 
"A morte do bezerro é a prova de que essa atitude grotesca, que eles chamam de esporte, provoca maus-tratos aos animais", disse.

Descobertos na Austrália fósseis de bactérias mais antigas da Terra

EFE

Sydney (Austrália), 22 ago (EFE).- Uma equipe de cientistas divulgou nesta segunda-feira a descoberta de fósseis microscópicos com mais de 3,4 bilhões de anos de antiguidade no noroeste da Austrália, um achado que se trata da evidência mais antiga de vida na Terra, informou a imprensa local.

A pesquisa, conjunta entre a Universidade da Austrália Ocidental e da Universidade de Oxford do Reino Unido, foi realizada na região de Strelley Pool, na região de Pilbara.

Estes fósseis, descobertos em bom estado de conservação entre grãos de areia em uma rocha sedimentar pré-histórica, pertencem a bactérias que precisam de sulfureto para subsistir.

"Proporcionamos a primeira evidência de microorganismos que usam sulfureto em seu metabolismo", assinalou o líder da pesquisa, David Wacey, da Universidade da Austrália Ocidental, em declarações citadas pelo "Sydney Morning Herald".

Os pesquisadores utilizaram técnicas muito sofisticadas para comprovar que estes micróbios sobreviveram graças ao sulfureto neste período da Terra em que o oxigênio era pouco e predominavam as altas temperaturas.

"A hipótese de sobreviver à base de sulfureto era uma característica que se pensava existisse em um dos primeiros períodos da Terra, especificamente durante a transição de um mundo não-biológico para um biológico", acrescentou Wacey.

Já o professor da Universidade de Oxford Martin Brasier expressou que a descoberta dos fósseis confirma que há 3,4 bilhões de anos existiam "bactérias, que viviam sem oxigênio" na Terra.

"Podemos estar muito certos da antiguidade (dos fósseis) porque as rochas se formaram entre duas sucessões vulcânicas que reduzem os cálculos sobre a idade para cerca de poucos milhões de anos", explicou Brasier em comunicado citado pela agência local "AAP".

O pesquisador britânico também destacou que estas bactérias são "comuns hoje em dia" e são encontradas em fontes de águas termais, respiradouros hidrotermais ou outros lugares com pouco oxigênio.