18 agosto 2011

Esgoto desembarcado em Santos volta para a Bélgica

FELIPE CARUSO
DE SANTOS - FOLHA DE SP

A carga de lodo de esgoto descarregada ilegalmente no porto de Santos há dois meses, foi enviada de volta à Bélgica na noite dessa segunda-feira (8).


O navio MSC Antares, embarcação que trouxe inicialmente o esgoto, partiu com a carga por volta das 23h de ontem com destino ao porto de Itaguaí, no Rio de Janeiro, e depois rumo a Antuérpia, na Bélgica.

Segundo o Ibama, o contêiner era para ser descarregado na Argentina, mas, como causava mau cheiro a bordo, o navio transportador decidiu descarregá-lo no Brasil no dia 8 de junho.

Quando a Receita Federal recebeu o pedido para destinação da carga em território nacional, pediu ao Ibama para avaliar possíveis riscos à saúde pública e ao meio ambiente.

Como desde 2006, a lei brasileira proíbe a importação de lodo de esgoto e seus produtos derivados, o Ibama concluiu que a carga não poderia ser recebida e multou as empresas.

O Ibama multou em R$ 60 mil a MSC e o terminal portuário Santos Brasil por terem importado ilegalmente o esgoto.

Navio de Hong Kong libera gás tóxico no porto de Santos

FELIPE CARUSO
DE SANTOS - FOLHA DE SP

Um navio de Hong Kong foi multado em R$ 107 mil na quarta-feira (17) por emitir gás tóxico durante a operação no porto de Santos.

A partir de denúncias da população sobre o mau cheiro, técnicos da Secretaria de Meio Ambiente do Guarujá constataram a irregularidade na embarcação MJ Promise I, que descarregou 31.623 toneladas de enxofre provenientes da Rússia no Terminal Marítimo de Guarujá.

"Ao final do descarregamento, o enxofre fica molhado e vira uma lama preta e malcheirosa. Essa lama de enxofre tem a concentração de sulfito e sulfeto e, com isso, libera o gás sulfídrico e o dióxido de enxofre, caracterizando o odor de ovo podre", diz em nota a secretaria.

Resultado da decomposição do enxofre, o gás sulfídrico é altamente irritante e pode ser fatal dependendo da concentração. O dióxido de enxofre é um dos principais causadores da chuva ácida.

O enxofre é uma matéria-prima importada em forma de pó amarelo, utilizada principalmente pelas indústrias de fertilizantes e farmacêutica para a fabricação de ácido sulfúrico.

A Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) também recebeu reclamações de moradores tanto de Santos quanto de Guarujá, mas durante vistoria não constatou o odor fora do terminal -- o que caracterizaria irregularidade. Depois de aplicar a multa ao navio, a companhia estuda uma possível penalização do terminal.

16 agosto 2011

Sudeste terá mais tempestades

Agência FAPESP – Análise dos dados dos últimos 60 anos da ocorrência de tempestades nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Campinas mostra que as tempestades irão se tornar mais frequentes.

Segundo o Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o motivo é o aumento da temperatura superficial das águas do oceano Atlântico no hemisfério Sul em decorrência do aquecimento global.

No período, o Atlântico teve um aquecimento médio da ordem de 0,6 grau, simultaneamente ao aquecimento global do planeta da ordem de 0,8 grau.

De acordo com o Elat, esse aumento de temperatura faz parte do aquecimento global e deve se intensificar a cada década, fazendo com que com o aumento de tempestades se acentue e leve a ocorrência mais frequente de catástrofes climáticas associadas a tempestades com altas taxas de precipitação, granizo e raios, vendavais e tornados.

Nas três cidades estudadas, São Paulo, Rio de Janeiro e Campinas, a mesma tendência de aumento das tempestades para essa combinação de temperaturas dos oceanos foi verificada com um grau de confiabilidade superior a 99%.

Se a temperatura do oceano Atlântico continuar subindo na mesma taxa atual e o fenômeno La Niña não sofrer alterações em sua frequência de ocorrência e intensidade com o aquecimento global – o que é esperado a partir dos dados existentes –, o estudo estima que em 2070 o número médio de tempestades no Sudeste será duas vezes maior em relação ao número atual, sendo que nas regiões litorâneas deverá ser três vezes maior.

O estudo foi liderado por Osmar Pinto Júnior, coordenador do Elat, com a participação de Earle Williams, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), Iara Pinto (Elat) e Marco Antonio Ferro, do Instituto de Aeronáutica e Espaço (Instituto de Aeronáutica e Espaço). Pinto Júnior coordena o Projeto Temático “Detecção de sinais de variabilidade relacionados a mudanças climáticas na incidência de descargas atmosféricas no Brasil”, financiado pela FAPESP.

Os resultados do estudo foram apresentados durante palestra na 14ª Conferência Internacional de Eletricidade Atmosférica (ICAE 2011), que está sendo realizada no Rio de Janeiro até o dia 12 de agosto.

“Os resultados obtidos são os primeiros a indicar concretamente que a ocorrência de tempestades deve aumentar no Sudeste do Brasil nas próximas décadas, além de confirmar uma crescente visão entre os cientistas de que as variações na ocorrência de tempestades sobre os continentes são em boa parte influenciadas pelas temperaturas dos oceanos”, disse Williams.

Esse aumento pode ocorrer bem mais cedo, se o aquecimento global se intensificar, o que cenários de maiores emissões de gases estufa sugerem a partir de projeções de modelos climáticos.

O estudo utiliza uma nova metodologia baseada na análise de valores mensais da ocorrência de tempestades confrontados com valores máximos e mínimos de temperatura superficial do oceano Atlântico e do oceano Pacífico equatorial.

Com isso, foi possível verificar a tendência de aumento das tempestades, o que as análises feitas anteriormente com base em valores médios anuais não conseguiram evidenciar. Tal tendência, contudo, só ocorre em períodos quando o oceano Atlântico está com temperaturas altas e o oceano Pacífico equatorial está sujeito ao fenômeno La Niña, caracterizado por um resfriamento das águas nessa região. De acordo com os cientistas, essa combinação de fatores se tornará cada vez mais frequente, devido ao aquecimento do oceano Atlântico.


“Tanto o La Niña quanto o aquecimento das águas do Atlântico intensificam a ocorrência de tempestades. Entretanto, quando atuam isoladamente seus efeitos não são tão significativos”, disse Pinto Júnior.

Amigos do meio ambiente

Agência FAPESP – A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo vai premiar seus hospitais, institutos, fundações e autarquias que se destacaram em ações de qualidade ambiental, entre os anos de 2010 e 2011.

Além de premiar, a condecoração, denominada “Amigo do Meio Ambiente”, tem como objetivo estimular os órgãos da pasta a desenvolverem, em seus locais de trabalho, uma cultura de preservação ambiental, adotando soluções práticas e ecologicamente viáveis.

Entre os exemplos de ações estão a reciclagem de materiais, coleta seletiva de lixo, educação ambiental para a comunidade, redução do uso do mercúrio, plantio de árvores, tratamento de efluentes, economia no uso de água e energia elétrica e gerenciamento de resíduos perigosos.

Para concorrer ao prêmio, os órgãos interessados devem apresentar, até o dia 2 de setembro, um projeto descritivo sobre as ações. Os trabalhos serão julgados por uma comissão nomeada pela assessoria de comunicação social da Secretaria, e os vencedores receberão uma placa decorativa.

Os órgãos contemplados serão conhecidos na abertura do 4º Seminário Hospitais Saudáveis 2011, evento a ser realizado no dia 26 de setembro. 


Mais informações: www.saude.sp.gov.br/resources/geral/acesso_rapido/reg_amigo_do_meio_ambiente_2011.pdf

BBEST apresenta avanços em bioenergia

Por Janaína Simões - Agência FAPESP, de Campos do Jordão

Começou neste domingo (14/08), em Campos do Jordão, São Paulo, a primeira Conferência Brasileira de Ciência e Tecnologia em Bioenergia (Brazilian Bioenergy Science and Technology Conference – BBEST), que reúne até o dia 18 pesquisadores do Brasil e do exterior para discutir avanços científicos e tecnológicos, negócios e políticas para ampliar a produção de biocombustíveis.

A estimativa é de que 700 pessoas participem das atividades da BBEST. O físico José Goldemberg, laureado em 2008 com o prêmio Planeta Azul, concedido pela Asahi Glass Foundation, um dos mais importantes em meio ambiente, fez a conferência de abertura, apresentando a evolução da produção de bioenergia no Brasil.

Participaram da mesa de abertura Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, Hernan Chaimovich, presidente da conferência, Glaucia Souza e Luís Augusto Barbosa Cortez, secretários da BBEST, e Marie-Anne Van Sluys, presidente do comitê de programa. Segundo Souza – que, assim como Van Sluys, integra a coordenação do Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN) – 233 pesquisadores e 218 estudantes de 21 países e 163 organizações de todos os continentes apresentarão trabalhos durante os dias do encontro.

“Goldemberg é um dos pioneiros na pesquisa em biocombustíveis no mundo. Já em meados dos anos 1970, ele discutia a produção sustentável do etanol no Brasil, se preocupando com temas como o balanço de energia do biocombustível – quanto se gasta em energia fóssil para produzir o combustível renovável”, disse Brito Cruz.

Goldemberg é físico e professor na Universidade de São Paulo (USP). Foi ministro da Educação e de Ciência e Tecnologia, além de secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo.

Goldemberg afirmou que o grande problema dos biocombustíveis é seu uso no transporte. “É um desafio especial porque temos pessoas viciadas em automóveis”, brincou.

Segundo ele, nos Estados Unidos há quase 800 veículos a cada mil habitantes. No Brasil, essa relação chega a quase 100 automóveis. A cidade de São Paulo tem uma relação de quase 500 veículos por mil habitantes, e o estado paulista, de aproximadamente 400 automóveis por mil habitantes.

“A produção de etanol de milho nos Estados Unidos usa muita energia fóssil, o que torna a produção brasileira, cuja matéria-prima é a cana-de-açúcar, muito mais vantajosa do ponto de vista econômico e da sustentabilidade, uma vez que as usinas produzem energia a partir do bagaço da cana e são praticamente autossuficientes”, disse.

Goldemberg também destacou que ainda há muito espaço para aumentar a produção e a produtividade no setor agrícola, e um pouco menos no setor industrial. “O custo de produção do etanol caiu dramaticamente. Hoje, é menor do que o de produção da gasolina”, ressaltou. O custo de 100 litros de etanol de cana está em € 14,40 e o do etanol feito a partir do milho é de € 39,47.

O professor também atacou os argumentos que colocam o etanol produzido no Brasil como menos sustentável. Classificando como argumentos quase ideológicos, ele disse que não é verdadeira a queixa internacional de que a expansão da produção de cana para biocombustível no Brasil tenha causado um aumento do preço dos alimentos.

“Modelos científicos já demonstraram que a cana-de-açúcar não vai provocar o avanço de áreas agrícolas e pastagens para a Amazônia, o chamado impacto indireto no uso do solo. Temos modelos que contrariam fortemente essa ideia”, apontou, lembrando que os mesmos modelos indicam que haverá uma intensificação do uso das áreas de pastagens que poderá contribuir para o aumento da produção alimentar.

Citou como exemplo de ações de política pública que visam garantir a sustentabilidade do etanol a iniciativa dos produtores do Estado de São Paulo, o maior produtor de cana-de-açúcar do Brasil, de mecanizar a colheita, eliminando as queimadas.

Hoje, 60% da colheita paulista é feita por máquinas. Além disso, o governo estadual fez o zoneamento agronômico e ecológico. O documento norteia o cultivo de cana-de-açúcar no estado, identificando as áreas totalmente adequadas, as que são adequadas com restrições e limitações e as inadequadas.

A 1st BBEST ocorre no Centro de Convenções de Campos do Jordão até o dia 18 de agosto. O encontro é apoiado pela FAPESP, BIOEN-FAPESP, CNPq, Capes, CTBE, Unica, Braskem, Embraer, BP Biofuels Brazil, Monsanto e Oxiteno. 


Confira a programação em www.bbest.org.br

14 agosto 2011

Representantes da comunidade científica reafirmam que reforma do Código Florestal traz prejuízos ambientais

EcoDebate

Representantes da comunidade científica deixaram um recado simples e direto no Senado Federal na manhã desta terça-feira (5): o texto de reforma do Código Florestal aprovado pela Câmara dos Deputados, que agora tramita no Senado, “traz prejuízos ambientais ao povo brasileiro”. “Em alguns trechos, os prejuízos são muito intensos”, afirmou o professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), Ricardo Rodrigues.

Ele foi um dos seis cientistas que representaram a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC) em audiência no Senado para discutir a reforma do Código Florestal. A audiência se deu em sessão conjunta de duas comissões permanentes do Senado: a Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle e a Comissão de Agricultura e Reforma Agrária.

A SBPC e a ABC divulgaram estudo no começo do ano – O Código Florestal e a Ciência, Contribuições para o Diálogo – em que fazem análise detalhada dos impactos que traria a reforma proposta, mas a análise não foi considerada no texto aprovado pela Câmara dos Deputados.

O pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) Antônio Donato Nobre disse que o estudo ajudou a derrubar a ideia de que as áreas de preservação permanente ocupam grandes áreas nas propriedades rurais. Segundo ele, o estudo mostrou que apenas 7% do total estão protegidos em APPs.

Nobre também salientou que as faixas de proteção da mata nativa às margens dos rios, da forma como estão estabelecidas no atual Código Florestal, ainda não atendem a necessidade orgânica de preservação. “O código atual não protege o brejo, por exemplo”, disse o pesquisador.

Os brejos, assim como os mangues, as várzeas e demais áreas úmidas, são importantes pela sua rica biodiversidade e pelas funções ecológicas. A biodiversidade das áreas úmidas inclui, por exemplo, os anfíbios, grupo no qual o Brasil é “vice-campeão” mundial e que mais vem sendo ameaçado pelas mudanças climáticas. Dentre as funções ecológicas das áreas úmidas estão a sua importância para o ciclo de vida aquática e como retardo de enchentes, com a retenção das águas.

O chefe-geral da Embrapa Meio Ambiente, Celso Manzatto, disse que o Código Florestal precisa enfrentar o que ele chamou de “nosso principal vilão”: a erosão de solos. “Este é o principal impacto decorrente da agricultura”, explicou o pesquisador aos senadores.

“Nossos solos levaram muitos milhares de anos para se formar. Perdê-los e deixar no seu lugar áreas degradadas, de baixa produtividade agropecuária deveria até ser considerado um crime contra o patrimônio nacional”, completa Claudio Maretti, líder da Iniciativa Amazônia Viva da Rede WWF.

Alguns ambientes e tipos de vegetação, como as localizadas ao longo dos corpos d’água e nas encostas mais íngremes, são particularmente importantes para evitar a erosão. “Devem ser protegidas pelo proprietário rural que também deve cuidar das terras com boas práticas como nivelamento do plantio, manutenção da biota do solo, rotação de culturas, cuidados com a drenagem etc”, explica Maretti.

A reforma do Código Florestal, em tramitação no Senado Federal, foi aprovada na Câmara dos Deputados em maio. O texto dos deputados contrasta com as críticas da comunidade científica, das organizações sociais e ambientais e da própria opinião pública, como demonstrou pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha em junho. A pesquisa de percepção pública mostrou que a maioria da população não concorda com os principais pontos do texto. Para 85% dos entrevistados, a prioridade deve ser para a proteção das florestas e dos rios, e não para a produção agropecuária.

A pesquisa mostrou também que apenas 5% da população concordam com o perdão a desmatadores em relação à reposição da vegetação natural, mesmo que tenham derrubado florestas para produzir.

A população tampouco concorda com a proposta de anistiar as multas aplicadas. Uma das propostas do novo Código Florestal é que todos os proprietários de terra que desmataram ilegalmente até junho de 2008 fiquem isentos de multas e punições. O Datafolha perguntou se o entrevistado era “a favor ou contra que esses proprietários de terra sejam perdoados das multas”, e 79% das pessoas ouvidas disseram ser contra perdoar as multas.

O mesmo percentual de brasileiros também considera que se a anistia for aprovada pelo Congresso, a presidente Dilma deveria vetar o perdão.

A pesquisa mostrou, ainda, que os eleitores não estão dispostos a votar novamente em parlamentar que votar a favor da isenção de multas e de punições aos proprietários de terra que desmataram ilegalmente. Entre os entrevistados, 84% disseram que não votariam novamente nesses parlamentares.

A reforma do Código Florestal segue em tramitação nas comissões do Senado. Nesta quarta-feira, 6/7, está prevista mais uma audiência pública, desta vez na Comissão de Ciência e Tecnologia. Esgotada a fase de debates nas comissões, o projeto de lei irá à votação em Plenário. Os senadores esperam concluir o processo até o final do ano. Caso haja alterações no texto original, a matéria volta à Câmara para análise dos deputados.

“Esperamos que o Senado Federal ouça a sociedade e dê melhor espaço para discussões construtivas, baseadas no conhecimento científico, olhando para o bem do Brasil, que poderá ter um grande futuro como líder de um desenvolvimento verde, garantindo a produção de alimentos, mas buscando os melhores mercados, com produtos de alta qualidade sanitária e ambiental. Além disso, o Código Florestal serve a outros interesses da sociedade brasileira, como o potencial da exploração florestal sustentável, do ecoturismo, da defesa de nossa cultura e da minimização dos impactos pelos eventos climáticos mais drásticos”, conclui o líder da Iniciativa Amazônia Viva.


Link para o livro ‘Código Florestal e a Ciência‘ (no formato PDF)

Fonte: WWF Brasil