05 agosto 2011

Cientistas convertem células da pele em neurônio para tratar Alzheimer

Do UOL Ciência e Saúde
Em São Paulo

Cientistas conseguiram converter diretamente células humanas da pele em neurônios funcionais para tratamento do Alzheimer, segundo estudo publicado na revista Cell, desta sexta feira.


Os pesquisadores da Universidade de Columbia e da Universidade do Estado de Nova York afirmam que o estudo tem grande potencial para tratar doenças neurológicas. Eles conseguiram criar neurônios humanos induzidos (hIN) a partir de fibroblastos de células adultas sem a necessidade de se criar células-tronco, o que é um processo complexo.

Em 2010 pesquisadores da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, inventaram uma técnica semelhante sem passar pela etapa de "tronco". Em tese, isso permitiria produzir neurônios in vitro, em grandes quantidades, para o tratamento de lesões e doenças que afetam o sistema nervoso, como traumas medulares, esclerose múltipla ou Parkinson.

Os neurônios produzidos a partir da pele de pessoas com Alzheimer apresentam anormalidades características da doença.

Batizadas de neurônios induzidos (iN, na sigla em inglês), as novas células foram capazes de formar sinapses e transmitir impulsos elétricos in vitro - um forte indício de que são células funcionais. Ou seja: não só parecem neurônios, mas também funcionam como tal.

04 agosto 2011

Funcionários do Ibama estão infectados

Band

Funcionários do Ibama e de pelo menos três zoológicos no nordeste estão infectados com doenças transmitidas por animais silvestres. A descoberta foi feita durante uma pesquisa sobre as condições de trabalho nesses locais.

Qualidade do ar na cidade de São Paulo é a pior dos últimos oito anos

Larissa Leiros Baroni Do UOL Notícias
Em São Paulo

Mesmo com a implantação da inspeção veicular e chuvas mais constantes neste ano, a qualidade do ar na cidade de São Paulo é a pior nos sete primeiros meses do ano desde 2004. Especialistas ouvidos pelo UOL Notícias apontam o aumento da frota de carro da cidade e os frequentes congestionamentos, que obrigam os carros a trafegarem cada vez mais lentos, como os principais fatores desta piora.

O número de dias em que a qualidade do ar ficou imprópria na cidade de São Paulo aumentou 146% nos primeiros sete meses de 2011 na comparação com o mesmo período de 2008 - um ano antes da obrigatoriedade da inspeção veicular da região. Segundo os dados da Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental), 37 dias dos últimos sete meses atingiram níveis de poluição acima do padrão aceitável. Em contrapartida, em 2008, apenas 15 dias foram classificados como impróprios.

O nível médio de chuva em São Paulo, que ajuda a diminuir a poluição, cresceu de 103,08 milímetros, em 2008, para 129,1 milímetros, em 2011, conforme informou a CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências de São Paulo).


"Ainda que a umidade tenda a melhorar a qualidade do ar, o aumento no número de veículos minimiza esses efeitos", relata Maria Lúcia Pereira Antunes, professora do curso de Engenharia Ambiental da Unesp (Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho), especialista em poluição atmosférica.

Enquanto em julho de 2008 a frota de São Paulo, de acordo com o Detran-SP (Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo), era composta por 6.228.382 veículos, em 2011, o número de carros na região pulou para 7.081.778, o que representa um aumento de aproximadamente 12%.


Ainda que a expansão seja inferior ao crescimento da poluição, Paulo Saldiva, coordenador do Laboratório de Poluição Atmosférica da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), enfatiza a necessidade de incluir nesse levantamento a velocidade média dos meios de transporte.


"O crescimento da frota entope as ruas e as rodovias da cidade, diminui a velocidade média dos veículos e, consequentemente, aumenta a queima dos combustíveis e a emissão de gases poluentes", explica ele, que estima que a velocidade média dos automóveis na cidade seja de 10 a 12 km/hora.

Inspeção veicular


Como medida contra a piora na qualidade do ar, a Prefeitura de São Paulo adotou a inspeção veicular, obrigatória desde 2009. A iniciativa, que inclui 100% da frota registrada na cidade, exceto os veículos fabricados no ano em exercício, prevê os ajustes dos limites máximos de monóxido de carbono (CO) e de hidrocarbonetos (HC).

O motorista só pode fazer o licenciamento de seu automóvel uma vez que ele tenha sido aprovado na inspeção. "Atualmente, os principais responsáveis pela poluição do ar são os veículos - com importante repercussão na saúde pública e no aquecimento global. Não dava, portanto, para ficar de braços fechados", afirma Eduardo Jorge Martins Alves Sobrinho, secretário do Verde e do Meio Ambiente da Prefeitura de São Paulo.

Segundo ele, a inspeção veicular é uma recomendação antiga do governo federal. "Como o brasileiro - e o paulistano - não fazia a revisão recomendada, decidimos implantar aos poucos a obrigatoriedade", conta Sobrinho, que comemora os resultados do programa. "Pesquisas revelam que é como se tivéssemos reduzido virtualmente 25% da frota de veículos da cidade de São Paulo."


A partir da inspeção veicular na capital paulista, uma pesquisa realizada pelo Laboratório de Poluição Atmosférica da Faculdade de Medicina da USP apontou a redução de 5% dos poluentes emitidos pelo diesel.

"Na saúde, o ganho está na prevenção da morte precoce de 250 pessoas por ano", afirma Paulo Saldiva. Segundo ele, a poluição do ar provoca a morte de 12 a 14 paulistanos por dia. Com a inspeção, é possível reduzir aproximadamente uma morte por dia.

Os efeitos da inspeção na qualidade do ar, no entanto, são pequenos, segundo a professora Maria Lúcia Pereira Antunes.

"A medida é muito mais preventiva, além de servir como educativa, já que a partir da obrigatoriedade as pessoas passam a obter mais informações sobre suas responsabilidades no controle das emissões de gases poluentes", opina ela.

A inspeção veicular, segundo Saldiva, não deve ser encarada como a solução para a poluição de uma forma estrutural. Para ele, assim como para Maria Lúcia, a solução é criar meios de transportes públicos com baixa emissão de poluentes, de qualidade e em quantidade suficiente para atender a demanda. "Enquanto não houver como diminuir a dependência do transporte individual, os veículos devem emitir gases poluentes o menos possível."

A medida da Prefeitura de São Paulo, que também é realizada no Estado do Rio de Janeiro, poderá se tornar nacional. O Ministério do Meio Ambiente solicitou que os governos estaduais enviassem planos de ação para ampliar a inspeção veicular em seus respectivos Estados.

SC e RS registram neve e baixas temperaturas

Band

A neve voltou a cair no sul do país. Foi rápido, mas o suficiente para animar os turistas que enfrentaram sensação térmica de 12ºC abaixo de zero em São Joaquim, na serra catarinense.

03 agosto 2011

Fontes alternativas geram somente 60% do previsto em 2010; assunto será discutido no CNPE

Aneel pediu mudança na previsão de usinas existentes e futuras; ONS acredita que é preciso maiores estudos antes de alteração 
 
Por Luciano Costa, do Rio de Janeiro

As pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), térmicas a biomassa e usinas eólicas presentes na matriz elétrica brasileira geraram somente 60% do que era esperado no ano passado. Um levantamento apresentado nesta quarta-feira (3/8), durante o Energy Summit, no Rio de Janeiro, pelo consultor Mário Veiga, mostra a produção de 2.700MWmédios por essas plantas, contra uma previsão de cerca de 4.300MWmédios.

"Na operação real, a gente tem verificado uma geração menor do que aquela que é declarada por eles como referência para garantia física", aponta o diretror-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp, referindo-se a PCHs, usinas a biomassa e eólicas, essas últimas "em menor escala". "Isso vem acontecendo desde 2009, porque essas são usinas em que não há um cálculo da eneriga garantida, elas são praticamente declaradas pelo agente", completa.

O assunto foi abordado na resolução normativa 440 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que propõe que a geração das usinas existentes seja calculada a partir da média mensal apurada nos últimos cinco anos. A medida também terá efeito nas plantas futuras, que terão sua previsão baseada nos empreendimentos já em operação. A proposta, porém, foi temporariamente suspensa nesta segunda-feira a pedido do Ministério de Minas e Energia.

Chipp acredita que o assunto tem que "ser estudado com mais profundidade". A maior preocupação demostrada pelo executivo é com relação às usinas, particularmente as eólicas, que ainda serão implementadas. "Os projetos se modificam. As eólicas, por exemplo, tinham torres de 50 metros, e agora têm torres de 100 metros, o que dobra a geração", justifica, lembrando que os projetos com problemas foram viabilizados pelo Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa).

Segundo Chipp, a frustração de geração "vem acontecendo desde 2009" e a resolução da Aneel seria um meio de "colocar a operação mais próxima do que se planeja". "Senão, você imagina que tem uma sobra X e essa sobra na verdade é Y. Essa é a preocupação". Ainda assim, o operador defende que a mudança seja "melhor pensada". Chipp adianta ainda que o assunto começará a ser discutido nesta quinta-feira (4/8), em uma reunião no Ministério de Minas e Energia. "A decisão de se aguardar foi muito boa".

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, também defende uma maior cautela. "É natural que você tenha variabilidade, então, pegar um ano e tirar conclusão em cima é complicado. A própria hidrelétrica tem anos secos e úmidos, a cana tem safras boas e ruins", argumenta. Para o executivo do governo, não se pode generalizar, e muito meos "dizer que uma fonte é ruim ou boa".

Tolmasquim também ressalta que as usinas viabilizadas por leilões ainda não fazem parte do levantamento. "São as usinas do Proinfa, que é outro marco regulatório, não exigia certificações (de vento), nada disso que a gente pede para o leilão. Tem sempre de se olhar uma série de tempo antes de tomar decisões".

Para Mário Veiga, da consultoria PSR, os números servem de "alerta" para o governo quanto à política energética. "Já temos uma Belo Monte de renováveis e a produção está abaixo do esperado", critica. O executivo ainda brincou e disse que "o governo passa por paixões"; primeiro, teriam sido as PCHs a receberem grandes incentivos, depois as usinas a biomassa. Como as fontes não corresponderam, teriam acabado "punidas". "Paixão, depois ódio, não é bom. As fontes são espetaculares para o Brasil; você só tem que ser realista com os preços delas", concluiu.

Medições de vento


O presidente da EPE também descartou mudança nas exigências de tempo de medição para inscrever usinas em certames como modo de aumentar a certeza quanto à geração. "Tem um estudo que mostra que (essa alteração) aumenta muito pouco a confiabilidade. Porque, na realidade, a medição é feita com relação a uma série histórica de outras medições, que tem 27 anos ou mais. O fato de ter dois anos de vento (em comparação ao período de um ano exigido no primeiro certame eólico) não significa que vá melhorar muito mais (os dados)".

Tolmasquim lembrou que está em discussão na Aneel uma revisão dos critérios para cadastramento nos leilões. Em 2009 e 2010, foram pedidos apenas dados de um ano de medições, enquanto, para este ano, a exigência foi de dois anos. A ideia da agência reguladora era aumentar o período para três anos nos certames de 2011.

"Não é necessário você ficar aumentando esse prazo. O que acontece é que, assim, vai ter sempre um pessoal que fica de fora dos leilões. Quando eles chegam ao tempo (de medições pedido para se cadastrar), muda a regra, e ele fica fora de novo", apontou Tolmasquim.

Desmatamento na Amazônia neste ano já supera o de 2010

Dados do Inpe mostram que tendência de queda foi revertida

CLAUDIO ANGELO - FOLHA DE SP

DE BRASÍLIA

O desmatamento na Amazônia reverteu sua tendência de queda em 2011. 

 
Dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) divulgados nesta terça-feira mostram que o acumulado do ano até agora já foi 6% maior que o do ano passado inteiro. 

 
Foram 2.429 km2 de agosto de 2010 a junho deste ano (11 meses), contra 2.295 km2 de agosto de 2009 a julho do ano passado (12 meses). 

 
Ou seja, mesmo que em julho não caia uma só árvore na Amazônia, 2011 já terá batido 2010. Mas a possibilidade de desmatamento zero é remota, já que o mês de seca costuma ter mais devastação.

 
Em junho, os dados do sistema Deter indicaram um desmatamento de 312,69 km2. É um aumento de 28% em relação ao mesmo mês de 2010.

 
O ano passado registrou o menor desmate desde que o Inpe começou a série com satélites, em 1988: foram 6.451 km2 medidos pelo Prodes, sistema que dá a taxa oficial.

 
O Deter é mais rápido que o Prodes, mas, como não detecta pequenas áreas desmatadas, o governo evita usá-lo para cálculo de área. No entanto, o Deter permite estimar a tendência da devastação.

 
A série de dados do Deter indica que a reversão da tendência de queda do desmatamento começou em março.

 
Em abril, quando o debate sobre o Código Florestal começou a pegar fogo no Congresso, a devastação medida pelo Deter cresceu 835%.

 
Segundo o governo, expectativas do setor produtivo em relação à anistia a desmatadores, somadas ao mercado de commodities agrícolas aquecido e a uma lei de zoneamento complacente em Mato Grosso, foram os culpados. 

 
Mas ações do próprio governo também estão se mostrando corresponsáveis pelo aumento no desmate. Entre os municípios mais desmatados em junho estão Porto Velho (RO) e Altamira (PA), o que pode refletir impactos de novas hidrelétricas na região.

 
O diretor de Políticas de Combate ao Desmatamento do ministério, Mauro Pires, reconhece a reversão, mas diz que as ações de fiscalização do governo no Pará e em Mato Grosso após o pico de desmatamento de abril estão surtindo efeito.

02 agosto 2011

Ibama multa deputado federal por queima de floresta no Pará

FELIPE LUCHETE - FOLHA DE SP
DE BELÉM

O deputado federal Raimundo Coimbra Júnior (PMDB-TO), o Júnior Coimbra, foi multado em R$ 3 milhões pelo Ibama pela queima de 153 hectares de floresta nativa amazônica em uma fazenda no sudoeste do Pará. O deputado disse que a queima foi acidental.

A autuação foi feita na quinta-feira (28) por fiscais do Ibama e divulgada nesta terça-feira.

Coimbra é dono da fazenda Vale da Cachoeirinha, em São Félix do Xingu --município líder em desmates no Estado, segundo o Ibama. O deputado já havia sido autuado outras duas vezes por desmatamento em 2005.

Os fiscais chegaram até a fazenda após imagens de satélite mostrarem um grande foco de calor no local. O Ibama disse que funcionários do deputado queimavam a mata para ampliar a área de pastagem. Ele não estava na propriedade no momento.

O deputado disse à Folha que vai recorrer da multa, pois, segundo ele, o fogo atingiu a propriedade acidentalmente, já que a área fica perto de uma estrada.

De acordo com Coimbra, seu próprio rebanho ficou sem alimentação por causa do ocorrido.

As atividades na área queimada foram embargadas, e cinco motosserras da fazenda foram apreendidas.

31 julho 2011

Chuva já afeta 124 mil pessoas e deixa 52 famílias ilhadas no RS

Acesso à Prainha do Paquetá só pode ser feito de barco.
 
Balanço informa que 25 cidades estão em situação de emergência.


Do G1, em São Paulo, com informações do Click RBS


A chuva que atinge o Rio Grande do Sul desde o dia 20 deixa pelo menos 25 cidades em situação de emergência, segundo a Defesa Civil do Estado. Mais de 124 mil pessoas foram afetadas pelas chuvas. Dessas, 13,7 mil foram desalojadas e foram para casas de parentes ou conhecidos e outras 5,4 mil ficaram desabrigadas e encaminhadas a alojamentos. Foram registradas três mortes.

O balanço da Defesa Civil informa que as cidades atingidas são Arroio do Meio, Arvorezinha, Bom Princípio, Bom Retiro do Sul, Campo Bom, Charrua, Ciríaco, Cruzeiro do Sul, Encantado, Estrela, Itapuca, Lajeado, Montenegro, Pareci Novo, Parobé, Pinheirinho do Vale, Roca Sales, Rolante, Santa Tereza, São Jerônimo, São Sebastião do Caí, Sarandi, Taquara, Três Coroas e Venâncio Aires.

No total são 52 famílias ilhadas na Prainha do Paquetá, em Canoas, em razão da cheia do Rio dos Sinos. O nível das águas está sendo monitorado pela Defesa Civil. Às 23h de sábado (30), o rio estava 1m85 acima do normal e já não era mais possível ter acesso de carro à região, apenas de barco.

Outras sete tiveram de ser encaminhadas para a casa de parentes. Se o nível da água continuar subindo, será necessário cortar a energia elétrica na região, segundo o coordenador da Defesa Civil de Canoas, Mauro Guedes. 


“Existe risco às famílias, pois com nível de 2m20cm acima do normal, a água atinge os transformadores de energia. O Rio dos Sinos recebeu toda a água da chuva das regiões mais altas ”, disse. 

A região da Prainha do Paquetá fica no ponto onde se encontram o Rio dos Sinos e o Jacuí, em que desembocam diversos rios que registraram cheia nos últimos dias. Além disso, o vento sudoeste contribui para represar a água do rio.

De vilão a atração turística

Novo estudo comprova que os tubarões geram mais renda como estrelas das excursões de mergulho do que mortos por pescadores 

Larissa Veloso - IstoÉ
 

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CONVIVÊNCIA
Mergulhadores fotografam tubarões galha-branca no litoral do Egito

A maioria esmagadora dos terráqueos concorda que a preservação da fauna faz muito bem ao planeta. Agora, pesquisadores comprovam que a atitude de livrar animais do abate ainda pode ser muito lucrativa. Um estudo divulgado pelo Instituto Australiano de Ciências Marinhas e pela Universidade da Austrália Ocidental (AIMS e UWA, nas siglas em inglês) afirma que um tubarão vivo pode valer 750 vezes mais ao longo de um ano do que se fosse abatido e vendido em poucas horas (leia quadro). A resposta para tanto rendimento? O turismo sustentável.

De acordo com um levantamento da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), um terço das espécies de tubarões ao redor do mundo corre risco de extinção. O principal atrativo para os pescadores são as barbatanas, que podem ser vendidas por cerca de US$ 50 o quilo, enquanto o corpo vale apenas US$ 1,50 o quilo. Para economizar espaço nas embarcações, os caçadores costumam cortar apenas o que interessa e devolvem o animal, mortalmente ferido, ao mar.


Conhecida como “finning”, a prática foi proibida em muitos países. Na América Latina, por exemplo, é permitida apenas na Venezuela. No entanto, a matança está longe de acabar. Isso porque a barbatana de tubarão é considerada uma iguaria na China, um dos mercados que mais crescem no mundo. Para Gabriel de Souza Vianna, pesquisador brasileiro e um dos autores do estudo da AIMS, é preciso atingir o bolso para acabar com a caça indiscriminada. “Acredito que nós só vamos conseguir salvar as populações de tubarões da extinção total se provarmos que esses animais valem mais vivos do que mortos”, defende.

 
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CRUEL
Policial australiano segura barbatanas
achadas em pesqueiro ilegal na costa do país

Uma das provas de que essa mudança de mentalidade já começou a acontecer é dada por países como Honduras, Ba­ha­mas e Palau. Os três territórios proibiram a pesca desses animais e investem em visitas guiadas ao fundo do oceano. “As nações que dependem mais da indústria do turismo marinho e do mergulho, como as ilhas do sul do Pacífico e do Caribe, estão se conscientizando do potencial econômico da preservação, já que essa é uma indústria crescente”, afirma Vianna.

Mas os ambientalistas ainda enfrentam a resistência de setores da própria sociedade. “É mais fácil lutar pela preservação dos golfinhos ou das tartarugas, que são animais mais ‘simpáticos’. Os tubarões ainda têm uma imagem daquela ‘fera assassina’ dos filmes de terror, o que faz com que muitas pessoas inclusive defendam a sua extinção”, revela o diretor do Instituto Ecológico Aqualung, Marcelo Szpilman. “Mas o fato é que a média de ataque desses seres no mundo é baixíssima se comparada com outros animais selvagens como cobras, tigres, e até mesmo com os cachorros nas cidades”, completa Szpilman.


Seja vilão, seja atração, a importância desses peixes para o ecossistema marinho vai além das qualificações dadas pelo homem. “Em uma região da Austrália, o número de tubarões diminuiu tanto que a população de polvos, que era sua presa, saiu do controle. Esses animais acabaram dizimando as lagostas da região e prejudicaram seriamente a indústria pesqueira”, conta Szpilman. Mais uma prova de que está na hora de trocar os arpões pelo snorkel e o pé de pato.

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