24 junho 2011

Veneno de aranha é testado para tratamento de arritmia a ereção

Mariana Versolato - Folha de SP
 
A picada da aranha-armadeira (Phoneutria nigriventer) costuma provocar dor local intensa e, em crianças, pode até causar a morte. Mas toxinas presentes em seu veneno apresentaram potencial terapêutico em pesquisas com camundongos. Ainda não foram realizados testes em humanos.

Quatro dessas toxinas se mostraram eficazes para arritmia cardíaca, isquemia (diminuição do fluxo do sangue) cerebral e da retina, dor e disfunção erétil.

Um dos grupos no país que pesquisa as propriedades do veneno da armadeira é o da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), sob coordenação do bioquímico Marcus Vinicius Gómez.

Nesta semana, ele apresentou o trabalho da equipe no segundo encontro global do Hospital A.C. Camargo.

Canais da ação – Gómez e seus colegas têm mostrado que algumas toxinas do veneno inibem canais de cálcio (“poros” celulares) nas células nervosas, que aparecem aumentados em várias patologias.

Neste ano, as descobertas relacionadas à isquemia da retina e à arritmia foram publicadas nas revistas científicas “Retina” e “Toxicon”.

Para tratar dor crônica, o pesquisador afirma que uma toxina se mostrou até dez vezes mais potente do que a morfina e que, ao contrário dessa substância, não deixa de fazer efeito com o tempo.

As toxinas da aranha também são tão eficazes quanto o Prialt, um remédio aprovado nos EUA para tratar dor, uma versão sintética de um princípio ativo encontrado em caramujos marinhos.

“Mas nosso experimento mostrou mais vantagens, e uma delas é a menor quantidade de efeitos colaterais, como hipertensão e confusão mental”, afirma Gómez.

No caso da isquemia, as toxinas apresentaram uma função neuroprotetora, reduzindo a morte de neurônios provocada pela privação de oxigênio que há nesses casos.

Em 1998, no Instituto Butantan, foi identificada a toxina capaz de produzir ereção em homens (um dos possíveis efeitos colaterais da picada da aranha). Os testes também só foram feitos em camundongos.

Marta Cordeiro, coordenadora da pesquisa na Funed (Fundação Ezequiel Dias), que participa do estudo sobre o veneno com a UFMG, afirma que ainda há um longo caminho para que as toxinas sejam testadas em humanos e usadas em medicamentos.

Desmate amazônico para plantio de soja cresceu 85% em 2011

Claudio Angelo - Folha de SP

O desmatamento para plantação de soja na Amazônia cresceu 85% em 2011 em relação ao ano passado. Os dados são de um relatório de monitoramento que a indústria faz anualmente na região, ao qual a Folha teve acesso.

Eles indicam que o grão está voltando a ser uma fonte de pressão sobre a floresta, uma situação que tende a se agravar nos próximos anos com o preço aquecido no mercado internacional, a demanda chinesa e obras de infraestrutura planejadas para facilitar o escoamento da safra.

Segundo o relatório da Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais), a área desmatada para a produção de soja em 375 mil hectares, monitorados em 53 municípios por satélite e avião, foi de 11.653 hectares na safra 2010/2011. Em 2009/2010, ela era de 6.295 hectares, numa área monitorada 24% menor.

Figuras geométricas – O número de “polígonos”, ou áreas desmatadas maiores que 25 hectares ocupadas com soja, subiu de 76 no ano passado para 147 este ano, um aumento de 93%.

 
Alarmadas com a situação, ONGs pedirão no mês que vem, quando o relatório será divulgado oficialmente, o endurecimento dos critérios ambientais para a soja.

Moratória - A soja tem dado trégua à Amazônia desde 2006, quando organizações ambientalistas e as principais “traders” (comercializadoras) de soja do país, representadas pela Abiove, firmaram uma moratória. Pelo acordo, as empresas se comprometeram a não comprar soja proveniente de novos desmatamentos.

A moratória tem vigorado com sucesso, aliada aos preços baixos do grão no mercado internacional. Nos últimos dois anos, porém, o preço da soja voltou às alturas: mais que dobrou. “Nunca esteve tão alto nos últimos 70 anos”, disse à Folha o senador Blairo Maggi (PR-MT), um dos maiores sojicultores do mundo. Animados, alguns produtores voltaram a desmatar.

Para Bernardo Pires, coordenador ambiental da Abiove, as expectativas do setor produtivo em relação ao Código Florestal também influenciaram o desmate. “Está ficando mais difícil e mais caro monitorar o cumprimento da moratória”, disse Rafael Cruz, do Greenpeace. “O crescimento das áreas desmatadas é exponencial.”

A ONG realiza todo ano sobrevoos de áreas identificadas pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) como potenciais desmatamentos para grão, para validar os dados obtidos pelos satélites. Segundo Cruz, neste ano o trabalho consumiu tantas horas de voo que a coisa está ficando impraticável. Um desses sobrevoos, realizado na semana passada em Mato Grosso, flagrou áreas desmatadas ou em alto grau de degradação – matas queimadas para plantio futuro – contíguas a fazendas que estão na “lista suja” da Abiove.
Isso aumenta a quantidade de soja “suja” no mercado, misturada à soja considerada “legal”, disse Cruz.

Negócio da China - Pires afirma que os produtores que querem escapar da moratória encontram cada vez mais refúgio no mercado chinês. “A China não está preocupada com desmatamento. Chinês quer preço.” Tanto ele quanto Cruz afirmam que o futuro da moratória só estará garantido pela adoção de mecanismos mais rígidos de controle ambiental na região afetada.

O Greenpeace e outras ONGs defendem a adoção do CAR (Cadastro Ambiental Rural) como critério mínimo para a moratória. Pelo CAR, as fazendas declaram aos órgãos ambientais estaduais os limites de suas áreas de mata nativa por imagem de satélite – e ficam mais sujeitas a fiscalização. As “traders” têm evitado fazer essa exigência, com medo de reação dos produtores.

Mais de 200 pássaros apreendidos podem ser sacrificados em Manaus/AM

G1
Apreendidas pela Polícia Federal na última segunda-feira (20), as aves estavam em gaiolas minúsculas forjadas dentro de malas. Uma pessoa foi presa. Os Canários da Terra, contrabandeados da Venezuela, estavam feridos e muito fracos e foram levados para o Ibama, onde se recuperaram.

Agora eles não podem ser soltos porque, além da legislação brasileira proibir, não são daqui e poderiam prejudicar a nossa fauna. As aves estrangeiras podem ainda levar outras espécies nativas à extinção, além de trazer doenças que não existem aqui.

Em Manaus não há lugar para recebê-los. O superintendente do Ibama da cidade informou que já entrou em contato com outras superintendências estaduais em busca de criadouros credenciados para receber os animais, mas os poucos existentes estão lotados. Foi solicitado também apoio do governo brasileiro para a repatriação das aves, mas isso tem um alto custo e depende do interesse do governo venezuelano que ainda não se posicionou.

Produção de biocombustível pode desenvolver agricultura na África

iG

Artigo publicado nesta semana no periódico científico Nature defende que a bioenergia pode ser uma forma de aumentar a segurança alimentar na África. Para os dois autores do artigo, um pesquisador americano e outro do Reino Unido, o desenvolvimento de projetos nesta área pode resultar no crescimento econômico da região. Eles afirmam ainda que o Brasil é um bom exemplo a ser seguido pela África.

“Tanto a África quanto o Brasil podem produzir mais comida e energia. Só que se a África atingir o que o Brasil já atingiu há 10 anos, o mundo inteiro pode comemorar”, disse ao iG Lee Lynd, coordenador do comitê executivo do projeto de Bioenergia Sustentável Global e um dos autores do texto.

Para Lynd, os investimentos de longo prazo em pesquisa científica em culturas específicas como a cana-de-açúcar e a soja resultaram em ganhos contínuos para o campo, que ganhou em eficiência. “Não é necessariamente verdade dizer que a bioenergia compete com a segurança alimentar de um país. O Brasil prova isto”, disse.

O artigo defende que é preciso levar em conta que para que ocorra o aumento de produção de alimentos, é preciso mais energia. De acordo com Jeremy Woods, do Imperial College London e o segundo coautor do estudo, atualmente entre 30% e 40% do custo da colheita está relacionado com a energia e este montante vem aumentando por causa da alta do petróleo. 


“O rápido crescimento da bioenergia poderia criar fontes de energia modernas e locais que contribuam com o cultivo da terra, armazenamento e geração de combustível para os caminhões para que o produto chegue até os mercados”, escreveu em entrevista por email.

O artigo afirma que os agricultores africanos são agora indispensáveis para o desafio de produzir mais comida para a população global crescente e são também os com mais potencial para o aumento da eficiência do cultivo. Os autores lembram que a África tem 12 vezes mais terra que a Índia, qualidade similar da terra e uma população 30% menor. No entanto, a Índia produz o suficiente, ao contrário da África. Os pesquisadores concedem que uma série de projetos de produção de bioenergia não deu certo na África. Para eles, os projetos terão resultados ruins quando deslocam a população local, já vulnerável e pobre, e não oferecem alternativas para sustento. 


“Modelos para o desenvolvimento de bioenergia e biocombustíveis precisam ser construídos de forma que permitam que o investimento e também a infraestrutura apoiem o produtor rural e produção local de alimento”, disse Woods.

Ciclone extratropical provoca ventos de até 75km/h no sul do RS

Zero Hora

A região sul do Estado registrou na tarde desta quinta-feira (23) rajadas de vento de mais de 50km/h em decorrência de um ciclone extratropical que está no Mar, entre o Rio Grande do Sul e o Uruguai.

As rajadas mais fortes foram registradas no Chuí, onde chegaram a 75km/h. Em Jaguarão houve rajadas de 63km/h e em Canguçu de 50 km/h.

Em São José dos Ausentes, na Serra, também foram registrados fortes ventos, que chegaram a 67 km/h.

As temperaturas na Metade Sul começaram a cair na tarde desta quinta-feira e a previsão é de uma madrugada gelada, graças a uma nova massa de ar polar que chega ao Estado.

Na Fronteira Oeste, em Quaraí e Santana do Livramento, no fim da madrugada a temperatura era de 18ºC e por volta das 17h já era de 12ºC.

A estimativa é que na madrugada desta sexta-feira na Campanha, na Fronteira Oeste e no Sul as temperaturas cheguem a 5°C. No Norte, seguem os alertas para chuva forte, que pode acontecer nesta sexta-feira. Como os níveis de vários rios estão acima do normal devido às chuvas dos últimos dias, se continuar chovendo podem haver novos alagamentos e transbordamentos, além de quedas de barreiras e deslizamentos.

Chuva deixa 11 cidades em situação de emergência em SC e no RS

G1

As chuvas que atingem Santa Catarina e Rio Grande do Sul desde sexta-feira (17) deixaram 11 cidades em situação de emergência, sendo seis gaúchas e cinco catarinenses, de acordo com as defesas civis dos dois estados. Ao todo, 17 municípios foram atingidos.

De acordo com o serviço de meteorologia do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a previsão é de chuvas fortes, concentradas, entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina nesta quinta até o domingo. Uma frente fria que se forma no Rio Grande do Sul deve gerar ventos fortes, de cerca de 80 km por hora, na costa dos dois estados.

No Rio Grande do Sul, 39 pessoas ficaram desabrigadas e 45 foram desalojadas. Ainda de acordo com a Defesa Civil, 21.813 pessoas foram afetadas com as chuvas e 98 edificações foram atingidas. O órgão informou que as cidades que estão em situação de emergência são: Caiçara, Alpestre, Vicente Dutra, Seberi, Derrubadas e Vista Gaúcha.

Em Santa Catarina, 136 pessoas ficaram desabrigadas e 283 foram desalojadas. Ainda segundo a Defesa Civil, 19.571 pessoas foram afetadas com as chuvas e 304 edificações foram atingidas. As cidades que estão em situação de emergência são: Romelândia, Lajeado Grande, Santa Terezinha do Progresso, Marema e Galvão. A Defesa Civil catarinense entrou em contato com os municípios e reforçou os alertas para as regiões mais impactadas. Algumas cidades estão com problemas de comunicação e transporte, mas não estão isoladas ou incomunicáveis, segundo o governo.

Alterar cor das nuvens pode ajudar a combater mudanças climáticas

iG

Mudar a cor das nuvens e injetar aerossóis nas camadas altas da atmosfera podem servir para combater as mudanças climáticas, avaliaram em uma reunião especialistas internacionais em geoengenharia convocados por um programa das Nações Unidas, esta quarta-feira (22), em Lima.

Os cientistas pertencem ao Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), organismo criado em 1988 pela Organização Meteorológica Mundial e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e cujo objetivo é propor medidas de mitigação para as mudanças climáticas.

Christopher Field, do Instituto Carnegie para a Ciência, dos Estados Unidos, disse durante entrevista coletiva, após dois dias de reuniões a portas fechadas, que uma destas “tecnologias complexas seria mudar a cor do brilho das nuvens” e outras bastante simples como a semeadura de árvores.

Ele afirmou que é preciso avaliar o impacto que esta tecnologia poderia ter “sobre o clima, os oceanos, as pessoas, os sistemas sobre o clima, os oceanos, as pessoas, os sistemas terrestres e nas pessoas”.

“Estamos nas etapas iniciais de um estudo destas novas tecnologias, que poderiam ser úteis ou não para responder às mudanças climáticas”, explicou.

Thomas Stocker, co-presidente do IPCC e catedrático da Universidade de Berna, na Suíça, informou que entre os modernos métodos também está a possibilidade de “a injeção de aerossóis nas camadas altas da atmosfera e da estratosfera”.

Mediante estas novas tecnologias seria possível reduzir os níveis de radiação solar sobre a vida terrestre e reduzir os efeitos do aquecimento global, acrescentou.

Outro cientista, Ottmar Edenhofer, do alemão Instituto Potsdam para a Pesquisa das Mudanças Climáticas, considerou que se devem avaliar todas as ações para enfrentar o problema das variações climáticas.

Por isso, analisou-se “o uso da captura e armazenamento de dióxido de carbono a partir de grandes fontes para levá-las a sítios geológicos, onde seria armazenado”, destacou. Os cientistas concordaram em que o IPCC está submetendo estas novas tecnologias a uma “avaliação compreensiva como diferentes opções para a mitigação das mudanças climáticas”.

21 junho 2011

Mudança no Código Florestal pode agravar desastres, diz especialista

Luiz Claudio Pinheiro - Agência Câmara

A redução do tamanho da faixa de preservação obrigatória às margens dos rios, prevista no projeto de reforma do Código Florestal (PL 1876/99) já aprovado pela Câmara, pode agravar a vulnerabilidade do País em relação a desastres climáticos. A advertência foi feita nesta terça-feira (21) pela coordenadora de Riscos a Deslizamentos do Centro de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden), do Ministério da Ciência e Tecnologia, Noris Diniz. Ela participou de audiência pública promovida pela Comissão Especial de Prevenção de Catástrofes Climáticas da Câmara.

De acordo com o texto aprovado e enviado ao Senado, o novo código mantém as faixas de proteção às margens de rios (30 a 500 metros), mas passam a ser medidas a partir do leito regular e não do leito maior. A exceção é para os rios de até dez metros de largura, para os quais é permitida a recomposição de metade da faixa (15 metros) se ela já tiver sido desmatada.

Noris Diniz também manifestou preocupação com a não aplicação das normas de preservação do código em vigor. Ela ponderou, contudo, ser preciso compreender as necessidades habitacionais da população mais pobre. “Não se trata de simplesmente proibir, mas sim de estabelecer políticas de manejo adequado nas áreas de risco, porque as pessoas precisam morar.”


Segundo a cientista, a tragédia que atingiu a região serrana do Rio de Janeiro, no início do ano, teria sido muito menor se a água acumulada no topo dos montes tivesse escoado sem os obstáculos impostos pela ocupação humana inadequada, ocorrida em desacordo com as normas atuais do Código Florestal.


Prefeituras


Em resposta a uma indagação do relator da comissão, deputado Glauber Braga (PSB-RJ), sobre que medidas de caráter legislativo podem ser adotadas para prevenir riscos, Noris Diniz sugeriu que as prefeituras sejam obrigadas a fazer cartas geotécnicas municipais e mapas completos das zonas ameaçadas. As cartas geotécnicas reúnem dados e análises de processos como inundações e erosões.

Na audiência, sugerida pelo relator, a coordenadora também recomendou a adoção da política europeia de indução da ocupação urbana em áreas de menos risco, por meio da cobrança de alíquotas diferenciadas do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU).


Alarme de desastre

 
Noris Diniz fez uma exposição sobre o Sistema Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais, em fase de implantação. O sistema vai medir riscos geológicos urbanos e trabalhar com previsões de tempo e clima, com o objetivo de converter o alerta meteorológico em alarme de desastre. A ideia é emitir o alerta com antecedência de até seis horas em relação ao evento – tempo suficiente para acionar a defesa civil e promover a evacuação da área.

Para tanto, o Brasil optou pelo modelo de sistema de alerta japonês, que terá de ser adaptado às condições tropicais. A partir da coleta sistemática de informações, a relação entre os diferentes níveis de chuva e a acumulação de água no solo será expressa em algoritmos (sequências numéricas), que servirão de base para o cálculo de índices de risco de deslizamentos.


A sede do sistema será no município de Cachoeira Paulista (SP), onde também está localizado o Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Previsto para começar a funcionar no próximo verão, o sistema vai permitir também prever quebras de safra na região do semiárido nordestino, em particular das culturas de feijão e mandioca.

Noris Diniz informou que já foram selecionados, para inclusão no sistema, 735 municípios considerados críticos, situados no estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Santa Catarina, Paraná, Alagoas, Bahia e Pernambuco.