03 junho 2011

Doze países informaram à OMS de casos de infectados por bactéria E. coli

EFE

Copenhague, 3 jun (EFE).- Doze países informaram de casos de pessoas infectadas pela Síndrome Hemolítico-Urêmica (SUH) e o variante da bactéria intestinal E. coli Enterohemorrágica (EHEC), informou nesta sexta-feira o Escritório Regional Europeu da Organização Mundial da Saúde em Copenhague.


Alemanha, que notificou 470 casos de SUH e 1.046 de EHEC, lidera a lista, na qual também figuram Áustria (0 e 2), República Tcheca (0 e 1), Dinamarca (7 e 10), França (0 e 6), Holanda (4 e 4), Noruega (0 e 1), Espanha (1 e 0), Suécia (15 e 28), Suíça (0 e 2), Reino Unido (3 e 4) e Estados Unidos (2 e 0).

Em todos os casos, menos em dois, se trata de indivíduos que residem ou visitaram recentemente o norte da Alemanha durante o período de incubação da infecção, com exceção de uma pessoa que se infectou após ter contato com alguém que tinha estado na Alemanha, assinalou este organismo com sede em Copenhague.

A OMS ressaltou no comunicado que não recomenda nenhum tipo de restrições comerciais relacionadas com o surto e que mantém os Estados-membros da organização informados sobre sua evolução, além de oferecer ajuda técnica e de pesquisa.

Cientistas alemães e chineses conseguiram decifrar na quinta-feira o genoma da "E-coli", identificado como um cruzamento até agora desconhecido de bactérias, que provocou já a morte de 18 pessoas e ameaça arruinar a colheita de agricultores de toda Europa.

OMS confirma que bactéria E. coli pode ser transmitida de pessoa para pessoa

EFE

Genebra, 3 jun (EFE).- A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou nesta sexta-feira que a bactéria intestinal E. coli Enterohemorrágica pode ser transmitida de pessoa para pessoa através dos sedimentos ou por via oral.

"Este tipo de transmissão nos preocupa e, por esta razão, queremos que se reforcem as mensagens relativas à higiene pessoal", declarou a epidemiologista da OMS, Andrea Ellis.

A especialista assinalou que por enquanto todos os casos "estão relacionados com o norte da Alemanha", de modo que se acredita que a exposição à bactéria esteja "limitada a essa área".

Sobre as vias de transmissão, explicou que o contágio "pode ocorrer sem uma higiene adequada", por isso que uma medida de prevenção eficaz é lavar bem as mãos após ir ao banheiro e antes de tocar nos alimentos.

O norte da Alemanha concentra 95% dos casos: 1.213 de E. coli Enterohemorrágica (EHEC), dos quais seis foram mortais; e 520 da Síndrome Hemolítico-Urêmica (SUH), com 11 mortes.

O número de doentes em um total de 12 países aumentou para 1.823, dos quais 18 morreram.

O EHEC tem um período de incubação médio de três a quatro dias, com a maioria de pacientes que se recuperam em 10 dias, mas em uma pequena parte dos pacientes - principalmente crianças e idosos - a infecção pode levar ao SUH, uma doença grave que se caracteriza por causar insuficiência renal aguda.

Uma vez que aparece o SUH surge a doença em toda sua gravidade, com um risco de mortalidade entre 3% e 5%, segundo dados da OMS.

O SUH é a causa mais comum de insuficiência renal grave em crianças e pode causar complicações neurológicas até 25% de pacientes e deixar sequelas.

Em entrevista coletiva, Ellis mencionou que um aspecto incomum deste surto é o grande número de casos de SUH e também o fato de que os adultos sejam os mais afetados, quando normalmente não é o grupo de maior risco.

Além disso, comentou que o maior impacto está entre as mulheres por supostamente tenderem a consumir mais vegetais crus em saladas, e acredita-se que é ali onde está a origem da bactéria.

"O mais provável é que neste caso o modo de transmissão seja através dos alimentos, mas não sabemos qual. E isto também não significa que não possa ser outra coisa", enfatizou, após explicar que a água, o contato com animais ou com pessoas infectadas também são outros modos conhecidos de transmissão.

De outro lado, precisou que a variante da bactéria letal que circula na Alemanha tinha sido vista já no ser humano, mas sempre de maneira esporádica e nunca em situações de epidemia.

O especialista reconheceu que "há algo nesta bactéria que a torna particularmente virulenta", mas ainda não se decifrou o que é.

Sobre o tratamento, indicou que a OMS desaconselha a administração de antidiarreicos e antibióticos "porque podem piorar a situação", embora "pode surgir casos particulares que os usem".

Entre as razões - acrescentou - é que os antidiarreicos desaceleram o trânsito intestinal, o que faz com que o risco de absorção da toxina liberada pelo E. coli seja maior.

Questionada se este surto epidêmico é passageiro, Ellis respondeu que "é muito cedo para afirmar".

Energia nuclear agita o panorama

Washington Novaes - O Estado de SP
 
Uma informação publicada por este jornal no dia 27 de abril, num levantamento sobre energia nuclear assinado por Karina Ninni, começa a provocar fortes reações e manifestações públicas em Goiás. Já constava do levantamento que a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) estuda a possibilidade de depositar em Abadia de Goiás, a 27 quilômetros de Goiânia e a 200 de Brasília, "rejeitos radiativos de baixa e média intensidade, subprodutos de atividade radiativa" das usinas nucleares de Angra I e II. E em Abadia de Goiás já está o depósito de mais de 6 mil toneladas de resíduos contaminados pelo acidente com o césio 137 em 1987, que matou quatro pessoas e contaminou mais de mil, incluídos policiais, bombeiros (que trabalharam na remoção) e funcionários da área de saúde (que lidaram com possíveis vítimas).

 
A prefeitura de Abadia de Goiás está indignada. Recebe menos de R$ 20 mil por mês da Comissão Nacional de Energia Nuclear por haver, na emergência, cedido o local para remover do centro de Goiânia os resíduos. Ali um depósito foi construído, acima do solo - porque o lençol freático praticamente à superfície não permitia aprofundá-lo. E de temporário passou a definitivo, porque nenhum lugar no Brasil o aceitava - a ponto de goianos serem apedrejados em outras cidades quando as placas de seus veículos eram identificadas. Agora, sobrevém o temor de que o novo depósito não só seja definitivo, como abrigue os resíduos mais perigosos de Angra I e II, que permanecerão ativos durante séculos (e hoje estão depositados em piscinas nas próprias usinas). E até os de Angra III, porque a licença para sua implantação estabeleceu como condicionante que haja um depósito definitivo - que não existe em lugar nenhum no mundo; mesmo os Estados Unidos, que já investiram mais de US$ 100 bilhões para instalar um depósito 300 metros abaixo do solo na Serra Nevada, não conseguem liberá-lo na Justiça, que considera insuficientes as garantias.

 
Que fará a CNEN, já que o seu projeto é de construir mais quatro usinas nucleares no Brasil, fora Angra III, mesmo enfrentando fortes resistências? A própria usina de Angra III já é vista com ressalvas claras pelo cientista Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e um dos coordenadores da área do clima no País, que, em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, afirmou que a sua localização deveria ser revista, uma vez que os cientistas apontam evidências claras de elevação do nível do mar no litoral fluminense.

 
Talvez se argumente que para o depósito projetado iriam apenas "filtros, resinas, água e equipamentos de proteção pessoal com contaminação de média intensidade", que serão transportados em caminhões (!). Mas há uma resolução do Conselho Estadual de Meio Ambiente goiano que, segundo o presidente da Agência Municipal de Goiânia, Clarismino Pereira Júnior, "impede a transformação do depósito de Abadia de Goiás em repositório nacional" (O Popular, 21/5). Outro temor é de que receba os resíduos mais perigosos de Angra, inclusive de Angra III - embora este projeto esteja com problemas, pois o financiamento para os equipamentos da usina parece ameaçado (O Globo, 6/5).

 
Essas pressões são parte de uma tendência mundial após o desastre de Fukushima, no Japão: 54% das pessoas ouvidas em muitos países pelo instituto Global WIN manifestaram-se contra a energia nuclear - 90% na Áustria, 89% na Grécia, 75% na Itália, 64% na Alemanha. E 54% no Brasil (Estado, 19/4). A conceituada revista New Scientist (26/3) afirma até que a energia nuclear "precisa cortar o cordão umbilical com a área militar", embora até 2015 mais 18 usinas devam entrar em atividade, somando-se às 437 já em atividade, 50% das quais na Europa Ocidental. Mas já em 2010, diz o WorldWatch Institute em seu relatório anual, as novas fontes de energia eólica, de biomassas, de resíduos e solar, juntas, suplantaram, com 381 gigawatts, os novos projetos de usinas nucleares (375 gigawatts). O investimento para isso foi de US$ 243 bilhões.

 
Em 22 anos 130 usinas nucleares fecharam as portas. A Alemanha já determinou a suspensão das atividades de todas as que tenham mais de 30 anos e até 2022 deixará de usar energia nuclear (Estado, 31/5). A Bélgica e a Suíça estudam "estratégias de saída", assim como o Chile. A China suspendeu novos projetos e os Estados Unidos descartaram dois novos reatores no Texas.


"As consequências de Fukushima para a indústria nuclear serão devastadoras", diz o WorldWatch Institute. 

Ainda mais lembrando que em 80 anos deverão estar esgotadas as reservas mundiais de urânio.
 
Tudo pode complicar-se mais ainda com a revelação pela empresa Tepco, de Fukushima, de que, na verdade, três dos seis reatores se derreteram - não é possível sequer levar técnicos para as proximidades da usina, tal o nível de radiação (Fukushima, como Angra, mantém os resíduos reativos em piscinas). E também com as últimas informações sobre o agravamento da crise econômica japonesa, já que o desastre nuclear levou o PIB do primeiro trimestre a cair ali 3,7% em relação ao primeiro trimestre de 2010. E para completar, em abril o mundo relembrou, 25 anos depois, o desastre de Chernobyl, que matou 31 pessoas e atingiu mais de 1 milhão. Até hoje persistem problemas, porque a cobertura construída sobre o reator danificado precisa ser substituída. E a Ucrânia não tem recursos (Agência Estado, 27/4) - a ponto de vítimas que residem nas proximidades receberem apenas US$ 4 por mês.

 
Como têm observado, inclusive nesta página, vários especialistas, o Brasil tem várias alternativas em matéria de energia, algumas já mais baratas que a nuclear (como a eólica, por exemplo). E pode economizar muito do que consome. Não precisa continuar atado a uma forma de energia mais cara, muito mais perigosa e sem destinação para resíduos altamente perigosos, como a nuclear.

Polícia usa 'urubus detetives' para encontrar corpos na Alemanha

BBC Brasil

A polícia alemã está usando uma nova e inesperada arma contra o crime: urubus capazes de encontrar corpos escondidos.


Sherlock, Miss Marple e Columbo - os novos "detetives" - emprestarão sua visão e olfato apurados à divisão de homicídios na tentativa de achar corpos ocultados.

As aves foram "batizadas" com nomes de famosos personagens ficcionais, astutos detetives de consagrados romances policiais.


Miss Marple e Columbo chegaram nesta semana de um zoológico na Áustria e se juntaram a Sherlock nas sessões do treinamento.


Os animais sendo adestrados no parque de aves de Walsrode, no norte da Alemanha, com a ajuda de um pano retirado de um necrotério, afirmou a imprensa alemã.


Urubus são considerados mais eficientes que cães na procura por corpos em grandes áreas onde o terreno é de difícil acesso - por exemplo, uma área em que a vegetação é densa.


"Eles podem funcionar muito melhor que os cães farejadores", disse um policial de Hanover, Rainer Herrmann.


"Temos percebido bastante interesse na iniciativa. Além da própria polícia alemã, recebemos consultas da Áustria e Suíça."


Entretanto, o experimento já está suscitando polêmica. O jornal "Berliner Morgenpost" mencionou o risco de os animais se alimentarem dos corpos que encontrarem.

A polícia diz que os animais, em grupo, são capazes de cobrir vastas áreas de buscas. A única preocupação é com Sherlock, que às vezes prefere caçar a pé.

Incêndio em MG já destruiu mais de 50 hectares, mas não deve atingir reserva ambiental

Especial para o UOL Notícias
Em Belo Horizonte

O Corpo de Bombeiros de Minas Gerais descartou nesta quinta-feira (2) os riscos do incêndio que destruiu mais de 50 hectares no entorno do Parque Estadual Serra do Rola-Moça atingir a reserva. O parque que é terceira maior unidade de conservação em área urbana do Brasil e fica na região metropolitana de Belo Horizonte. Desde terça-feira (31), o Rola-Moça era ameaçado por um incêndio de grande proporções que atingiu uma área verde que fica a um quilômetro dos limites do parque.


De acordo com o comandante Divisão de Meio Ambiente do Corpo de Bombeiros, tenente Cléber Ribeiro de Carvalho, a prioridade era descartar os riscos de incêndio dentro do parque, mas o fogo ainda não foi controlado no entorno da reserva e os trabalhados foram retomados nesta quinta por volta de 5h30. “Depois de descartamos a proximidade de condomínios e fazendas, a nossa primeira ação é proteger a área de proteção. O perigo para o parque não existe mais”, afirma o militar.

O helicóptero dos bombeiro iniciou o sobrevoo na área do incêndio por volta de 7h. As equipes contam com um equipamento chamado “bumby buckets”. É uma bolsa presa à aeronaves que recolhe água em mananciais próximos e libera em cima dos focos de incêndio. O método é complementado com ação dos combatentes que, em solo, usam chicotes e bombas d'água para conter as chamas.

Segundo o tenente Carvalho, as áreas onde a linha de fogo persistem são de difícil acesso, por isso a demora em controlar o fogo. “São paredões de pedra com inclinação de 70 a 80 graus e cobertos de vegetação. É muito arriscado colocar um militar no local, é muito alto”, afirma o bombeiro.

O fogo perto do parque começou na Fazenda do Varjão perto de um lixão, numa área que fica entre Ibirité e Brumadinho, na Grande BH. As causas do incêndio ainda são desconhecidas. Minas Gerais entra em alerta no período de seca. As áreas de conversação do Estado todo ano sofrem com incêndio potencializados pelo ressecamento da vegetação.

No fim da semana, a situação melhora. Segundo o 5º Distrito do Instituo Nacional de Meteorologia (Inmet), nesta quinta-feira, a umidade vinda do mar favorecerá o aumento da nebulosidade e ocorrência de chuvas ocasionais, principalmente, no sul de Minas Gerais. Na região metropolitana de BH a umidade relativa do ar à tarde deve atingir 50%
 

MPF vai “atacar irregularidades” de Belo Monte

Para o Ministério Público do Pará, exigências legais, como a necessidade de obras de saneamento para os novos moradores da região, foram ignoradas. Senador que acompanha as obras admite afrouxamento das normas

Renata Camargo
- Congresso em Foco

A mais polêmica obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a usina hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, no Pará, enfrentará uma nova etapa de pressões contrárias à sua construção nos próximos dias. Após a emissão da licença ambiental para início das obras, concedida pelo Ibama na última quarta-feira (2), o Ministério Público Federal do Pará estuda medidas judiciais para “atacar irregularidades” do processo de licenciamento ambiental de instalação do empreendimento.

As pendências mais graves, segundo o Procurador Geral Cláudio Terre do Amaral – um dos responsáveis pelas recomendações do MPF para não emissão da licença – se referem às obras de saneamento básico, necessárias para receber novos moradores na região, e às ações relacionadas à resolução de conflitos nas terras indígenas.

“Nossas conclusões preliminares mostram que há várias condicionantes que estão pendentes de cumprimento, que são condicionantes da licença prévia. Assim que a gente chegar à conclusão a respeito dos pontos, nós vamos aplicar a medida judicial para atacar irregularidades”, afirmou Amaral ao Congresso em Foco.

As pendências relacionadas às obras de saneamento inacabadas e aos conflitos em terras indígenas estão descritas no último parecer técnico do Ibama, que serviu para subsidiar a decisão de liberar o início da construção de Belo Monte. No parecer, técnicos concluem que programas de caráter antecipatório – medidas que devem ser feitas antes do início das obras de instalação da hidrelétrica – não foram implantados.

Apesar do não cumprimento de várias condicionantes prévias, o Ibama considerou suficiente o que foi feito até agora. Na tarde de ontem (1º), após a concessão da licença, o presidente do Ibama, Curt Trennepohl, afirmou serem “satisfatórias” todas as ações e programas feitos até o momento. Curt reconheceu que muitas das medidas para reduzir impactos ambientais e socioeconômicos não foram cumpridas, mas alegou que o órgão teve “segurança técnica e jurídica” para emitir a licença.

Flexibilização

Na avaliação do presidente da Subcomissão de Acompanhamento das Obras de Belo Monte do Senado, senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), o Ibama flexibilizou as normas da legislação ambiental brasileira para emitir emergencialmente a licença de instalação das obras da usina. Segundo Flexa Ribeiro, era necessário emitir a licença antes do início do período das chuvas (em novembro), para que não houvesse atrasos na construção da hidrelétrica.

“O próprio Ibama ao conceder a licença reconhece que as condicionantes não atendidas poderão ser feitas em paralelo com o início da implantação do projeto principal, que é a barragem”, afirmou o senador paraense. “Se esperássemos completar o sistema de saneamento para iniciar as obras, teríamos energia só lá para 2018. Foi uma flexibilização que o Ibama fez, mas necessária aos interesses da nação brasileira”, disse Flexa. O prazo de início do fornecimento de energia elétrica de Belo Monte é 2015.


Para Flexa Ribeiro, é importante que se entenda que na Amazônia os empreendimentos precisam trabalhar com a variável do clima. O senador defendeu que o objetivo da subcomissão passa a ser acompanhar e cobrar que as medidas necessárias para instalação de um empreendimento sustentável sejam cumpridas. “O Senado passa a ser vigilante no cumprimento das exigências estabelecidas nas condicionantes. Se houver desvios de conduta, o Senado será o primeiro a solicitar a paralisação das obras”, disse.

Alertas

O estudo de impactos ambientais de Belo Monte alerta que a implantação de um empreendimento do porte da nova usina deverá provocar transformações significativas na região no que tange, especialmente, ao aumento da demanda por habitação, saneamento, energia, transporte, saúde, educação e segurança. Somente no município de Altamira, onde será instalada a usina, espera-se que a população local passe de 107 mil pessoas para 203 mil habitantes.

Relatório da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado, elaborado a partir da diligência de uma equipe de senadores, representantes do Ministério Público e entidades da sociedade civil feita em abril, aponta que 100% da população de Altamira não recebe água potável em suas residências. De acordo com o relatório, a estação de águas do município, que não atende sequer 30% da população local, não tem condições de realizar a filtragem da água coletada, nem incluir substâncias como cloro e flúor, necessárias para melhorar a qualidade da água.

“Muita coisa já deveria ter sido feita, e o plano fala em fazer no futuro. Isso deixa claro que a coisa está na metade. Estamos dando um cheque em branco”, afirma o diretor do Programa Amazônia da entidade International River, Brent Milikan. “E sabemos que não precisa nem começar a construção, basta anunciar que vai acontecer, que você já tem pressões sobre a região, como especulação fundiária, violência e outros conflitos. Isso já está comprovado historicamente”, afirma.

01 junho 2011

"Não é bom para a Alemanha, não é bom para o Brasil"

Graça Magalhães-Ruether - O Globo

BERLIM. A deputada alemã do Partido Verde diz que a decisão do governo de Berlim de fechar as usinas atômicas pode ter efeito também na exportação de tecnologia e de equipamento nuclear para o Brasil. Sylvia Kotting-Uhl prevê um longo debate parlamentar na Alemanha, em junho, sobre a politica de exportação. "A consequência poderá ser a suspensão da garantia estatal Hermes para um crédito de exportação" ( 1,4 bilhão), disse. Sem a garantia do governo alemão, o negócio deve se tornar menos atraente para a francesa Areva-Siemens (antiga Siemens-KWU), que constrói Angra 3.
 

A senhora apresentou recentemente, no Parlamento, uma moção contra o plano do governo alemão de oferecer o seguro estatal Hermes para créditos de exportação nuclear para o Brasil. A garantia estatal foi suspensa?

SYLVIA KOTTING-UHL: Não. A minha moção foi recusada. Mas isso foi pouco antes de Fukushima. Depois disso, houve uma guinada de 360 graus na politica nuclear do governo (de Angela Merkel), que culminou com a decisão de fechar todas as usinas do país. Uma série de mudanças na politica nuclear acompanhará essa mudança. Teremos um longo debate no Parlamento em junho. De antemão, já antecipo que o governo alemão vai ter que cancelar a garantia de crédito de exportação nuclear para Angra 3, de 1,4 bilhão porque não vai ter meios de manter a sua credibilidade fomentando uma tecnologia de alto risco em uma região de risco que é Angra. O que não é bom para a Alemanha não pode ser bom também para o Brasil.

 
Mas o governo alemão pode apenas suspender o seguro de crédito, porque a exportação propriamente dita é feita pela empresa Siemens-Areva...

 
SYLVIA KOTTING-UHL: É isso mesmo. Se a empresa vai continuar ou não com o projeto no Brasil vai depender dos seus interesses econômicos. A suspensão do seguro vai com certeza dificultar o negócio. O projeto de Angra 2 foi interessante para a Siemens (o consórcio com a Areva ocorreu em 2005) porque o crédito foi garantido pelo governo alemão.

 
A Siemens, antigamente a maior produtora de centrais nucleares da Europa, acaba de anunciar seu plano de retirada do consórcio nuclear. O negócio da tecnologia nuclear não tem futuro na Alemanha?

 
SYLVIA KOTTING-UHL: Sim. Já quando os verdes fizeram parte do governo federal alemão (de 1998 a 2005) tomamos a decisão de fechar as usinas. Depois, quando Merkel assumiu, resolveu prolongar o tempo de funcionamento das centrais, uma forma de aumentar a sua rentabilidade e agradar ao lobby atômico. Mas a nossa decisão de não construir novas usinas ela não mudou. Sem um mercado interno, as empresas começaram a ter problemas. A exportação é uma saída, mas a competição aí é enorme.


A senhora espera que a decisão pioneira da Alemanha influencie outros países a fazer o mesmo?

 SYLVIA KOTTING-UHL: Espero que sim. Mas se vamos ser um exemplo a ser seguido, vai depender de como vamos conseguir desenvolver a energia renovável. Os planos do governo são de um aumento das fontes renováveis (sobretudo energia solar e eólica) de 17% para 35%. Devemos mostrar aos outros países que a nossa indústria não sofre com a renúncia à energia atômica, mas, pelo contrário, ela vai é lucrar com o desenvolvimento de novas tecnologias. A catástrofe de Fukushima mostrou que o risco é grande em qualquer país do mundo.

Brasil na contramão

País deve manter programa que dobra fatia da energia nuclear na geração de eletricidade
 

Danielle Nogueira, Eliane Oliveira e Mônica Tavares - O Globo
 
No momento em que vários países decidem rever seus programas nucleares - anteontem, a Alemanha anunciou que vai desativar suas usinas até 2022 -, o Brasil toma a direção contrária e decide usar benefícios fiscais para estimular a ampliação de seu programa atômico. Depois do acidente em Fukushima, no Japão, em março último, países como Suíça, Bélgica e China cancelaram ou suspenderam novas licenças para a construção de usinas. Enquanto isso, o Brasil está construindo Angra 3 e a Câmara dos Deputados aprovou, semana passada, medida provisória que concede incentivos fiscais para compra de equipamentos a serem usados na geração nuclear.

 
A MP 517 ainda será votada no Senado. Além disso, o governo Dilma Rousseff deve manter a estratégia de mais quatro usinas até 2030, como previsto no Plano Nacional de Energia (PNE) 2030, hoje em revisão. Ao lado de Angra 1, 2 e 3, as novas unidades dobrariam a fatia da fonte nuclear na geração de eletricidade, para 5%. O avanço da participação nuclear na matriz elétrica, bem como a expansão do gás natural (de 2,6% em 2009 para 8%), se daria ao custo da retração da fatia da hidreletricidade, fonte limpa e barata (de 85% para 78%). A energia vinda da biomassa e dos ventos também sofreriam uma leve redução. Juntas, elas respondiam por 5,7% em 2009 e cairão a 5% em 2030. É justamente nestas duas fontes que o Brasil deveria investir para conter o avanço nuclear, diz José Goldemberg, do Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP.

 
- A energia da biomassa e dos ventos deve ser mais bem aproveitada. Além disso, programas de eficiência energética devem ser implementados. Após o acidente da usina nuclear japonesa de Fukushima, os países discutem se mantêm ou não seus programas nucleares. Não é o momento de expandi-lo.
 

Rejeitos ainda não têm destino final
 
O diretor da Coppe/UFRJ e ex-presidente da Eletronuclear, Luiz Pinguelli Rosa, engrossa o coro dos contrários à expansão do programa nuclear brasileiro. Para ele, não é apenas uma questão de segurança, mas também de preço. Nos seus cálculos, o custo da energia hidráulica está em cerca de R$78 o Megawatt-hora (Mw/h), considerando os projetos de Belo Monte (PA) e o complexo do Rio Madeira (RO). A tarifa da energia eólica e da gerada a partir do gás natural está em torno de R$150 o Mw/h e a da energia nuclear giraria em torno de R$250 o Mw/h, considerando o investimento em Angra 3, de R$9,9 bilhões.

 
- A energia nuclear não emite gases de efeito estufa, mas é cara no Brasil. Além disso, após Fukushima, outras diretrizes de segurança podem ser tomadas - diz Pinguelli.

 
A subsecretária de Economia Verde do Estado do Rio e vice-presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), Suzana Kahn, lembra a incerteza quanto ao destino dos rejeitos radioativos.

 
- Em estudos recentes, o IPCC indica que as fontes renováveis dão conta do aumento da demanda mundial de energia até 2050. Não concordo que a nuclear seja uma opção para já. E tem uma questão que não está equacionada: o lixo radioativo.

 
Não há no mundo depósitos definitivos para abrigar os resíduos de alta radioatividade.

 
Os partidários da energia nuclear dizem que o potencial hidrelétrico no Brasil estará esgotado em 2025 e que essa opção será necessária para a segurança energética. Lembram o caráter político da decisão alemã, uma vez que a coalizão verde e social-democrata já aprovara, há 11 anos, proposta que encerraria a era nuclear. A chanceler Angela Merkel resistia em seguir a determinação, mas voltou atrás para obter simpatia dos verdes.

 
- Não adianta o Brasil tomar uma decisão com viés emocional. O problema com Fukushima não foi a tecnologia nuclear, e sim um erro de projeto - diz o presidente da Associação Brasileira de Energia Nuclear (Aben), Edson Kuramoto.

 
Das quatro usinas que constam do PNE 2030, duas seriam no Nordeste e outras duas no Sudeste. A Eletronuclear já identificou 40 áreas onde as elas poderiam ser erguidas. Apenas quatro estados (AC, MS, RN e PR) ficaram de fora, segundo o assessor da presidência da estatal, Leonam Guimarães:

 
- A decisão alemã não muda a necessidade energética brasileira. Mas vamos esperar a revisão do PNE para saber em que áreas faremos estudos mais aprofundados.

 
Tudo indica que não haverá mudanças nas diretrizes na política energética brasileira. A área técnica do governo, porém, não descarta a possibilidade de haver algum impacto da decisão no Brasil, devido ao aumento de exigências em termos de custos com segurança daqui em diante. Em avaliação preliminar, o governo considera que a Alemanha está sendo movida por pressões políticas e que a decisão não será seguida por atores importantes, como os franceses, muito dependentes de energia nuclear.

 
- O mundo não vai acabar - disse um alto funcionário.

 
Congresso: cautela com novas usinas
 

O secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia, Altino Ventura Filho considera que não haverá impacto nas usinas brasileiras. Ele explicou que a tecnologia de Angra 3 é a mais utilizada no mundo, a mesma de Angra 2, e lembrou que a decisão alemã era esperada. 

De fato, em almoço com o presidente da Alemanha, Christian Wulff mês passado, Dilma foi alertada para tal. Ela teria feito um apelo a Wulff para que seja mantido o crédito de exportação conferido pelo governo alemão à empresa francesa Areva, responsável por fornecer à Eletronuclear os equipamentos de Angra 3.
 
Deputados e senadores dos maiores partidos consideram que as obras de Angra 3 devem continuar. Mas defendem que novas usinas devem ser analisadas no Congresso e na academia. O vicelíder do PPS, deputado Arnaldo Jardim (SP), classificou a atitude da Alemanha de "demagógica". Já o líder do PSDB na Câmara, Duarte Nogueira (SP), defendeu a criação de uma comissão especial para tratar das atuais usinas. E o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), considera que o país tem que avaliar a necessidade das usinas nucleares:

 
- A MP 517 é para a conclusão de Angra 3, não interfere em outras usinas - disse ele, relator da MP no Senado.

 
O PV, que é contra programas nucleares, está colhendo assinaturas para aprovar um plebiscito sobre a instalação de novas usinas no país.

 
COLABORARAM Emanuel Alencar e Isabel Braga

Desvendando a origem da contaminação alimentar na Alemanha

El País
Veronika Hackenbroch, Samiha Shafy e Frank Thadeusz

A epidemia provocada pela bactéria E.coli (e.coli) na Alemanha, que até o momento já matou 15 pessoas, alarmou os médicos, que nunca antes haviam visto uma bactéria intestinal tão agressiva. Os epidemiologistas estão procurando desesperadamente a origem da bactéria letal.


O fato mais assustador, segundo Rolf Stahl, é a maneira como os pacientes mudam. “A consciência deles fica embotada, eles têm dificuldade para encontrar palavras e não sabem muito bem onde estão”, diz Stahl. E há também a agressividade surpreendente. “Nós estamos lidando com um quadro clínico completamente novo”, observa ele.

Stahl, um médico especialista em nefrologia de 62 anos de idade, chefia a Terceira Clínica e Policlínica Médica do Centro Médico Universitário Hamburgo-Eppendorf (em alemão, Universitätsklinikum Hamburg-Eppendorf, ou UKE) há quase 18 anos. “Mas nenhum de nós, médicos, jamais havia experimentado algo como isso”, dez ele. A equipe dele está trabalhando ininterruptamente no problema há cerca de uma semana. “Nós estamos sendo obrigados a decidir sem avisar com antecedência quem pode ir embora para casa a fim de dormir um pouco”.

A bactéria que está atualmente apavorando o país é a variedade e.coli enterohemorrágica, uma parente próxima de bactérias intestinais inofensivas, mas que produz a perigosa toxina shiga. São necessárias apenas cem bactérias – o que não é uma grande quantidade no mundo das bactérias, que normalmente se congregam aos milhões – para que uma pessoa seja infectada. Após um período de incubação de dois a dez dias, os pacientes apresentam um quadro de diarreia aquosa ou sanguinolenta.

Mas Stahl só vê os casos mais severos, aqueles nos quais a e.coli enterohemorrágica ataca também o sangue, os rins e o cérebro. Esses pacientes sofrem de uma complicação que implica em risco de morte, conhecida como síndrome hemolítico-urêmica. Aproximadamente dez dias após o início da diarreia, as células vermelhas subitamente se desintegram, a coagulação do sangue deixa de ocorrer e os rins param de funcionar. Em muitos casos os pacientes necessitam de diálise para não morrer.

“A situação está se deteriorando drasticamente para os nossos pacientes”, adverte Stahl. “E o pior de tudo é que nós não sabemos o que está causando isso”.

Na Alemanha, cerca de 60 pessoas por ano contraem a síndrome hemolítico-urêmica após terem sido infectadas pela bactéria. Na semana passada, este número de casos foi registrado em um único dia. Segundo o Instituto Robert Koch, a instituição alemã responsável pelo controle e a prevenção de doenças, havia até a última sexta-feira 276 pacientes atingidos pela síndrome hemolítico-urêmica na Alemanha.

Já na terça-feira havia 373 casos confirmados da doença no país. Até 15 pessoas podem já ter morrido devido à e.coli enterohemorrágica no decorrer do surto atual. Outros casos foram também registrados na Suécia, na Dinamarca, no Reino Unido, na Áustria e na Holanda. Enquanto isso, a Rússia proibiu a importação de pepinos, de tomates e de saladas cruas da Espanha e da Alemanha.

Trabalho de investigação

 
A história da epidemia teve início na clínica de Stahl. Quando o primeiro paciente suspeito de ter contraído a síndrome hemolítico-urêmica deu entrada na clínica na noite de uma quarta-feira há duas semanas, nenhum dos médicos tinha ideia do que estavam enfrentando. “No início nós não estávamos sequer pensando em E.coli enterohemorrágica, já que esta variedade da bactéria normalmente só afeta crianças”, conta Stahl. Nos adultos, por outro lado, a síndrome hemolítico-urêmica pode também ser causada por defeitos genéticos ou por doenças autoimunes, ou como efeito colateral de tratamentos contra o câncer.

No entanto, no dia seguinte apareceram subitamente mais sete ou oito casos similares na clínica, e o laboratório informou que todos esses pacientes tinham sido infectados pela e.coli enterohemorrágica. Hamburgo informou imediatamente o Instituto Robert Koch sobre a situação.

O processo que teve início naquele momento e que atingiu o seu clímax preliminar no final da semana passada, com o fechamento de duas unidades de produção de verduras e legumes na Espanha, é um exemplo de um impressionante trabalho de investigação epidemiológica. Esse trabalho envolve a cooperação estreita entre médicos vigilantes, epidemiologistas que pensam de forma pragmática e cientistas de laboratório atentos para detalhes.

Para os especialistas em controle de doenças do Instituto Robert Koch, isso dizia respeito principalmente a realizar duas tarefas simultaneamente e o mais rapidamente possível: encontrar os produtos alimentícios contaminados e determinar qual era o tipo de bactéria envolvida.

Extremamente rara

 
Helge Karch, diretor do laboratório de estudos da E.coli enterohemorrágica do Instituto Robert Koch, no Hospital da Universidade de Münster, no oeste da Alemanha, dedicou quase toda a sua vida de pesquisador às pesquisas sobre esta bactéria. “Mas eu nunca me deparei com algo como isso”, admite.

A primeira amostra de fezes chegou ao laboratório na segunda-feira. Os primeiros casos já tinham surgido, àquela altura, no Estado da Renânia do Norte-Vestfália.

Os integrantes da equipe de Karch deram início imediatamente aos trabalhos de análise. O resultado já era claro na noite da quarta-feira: eles estavam lidando com o extremamente raro sorotipo O104:H4.

Karch passou uma noite sem dormir em frente à tela do seu computador. O sorotipo que ele havia identificado era tão raro que só havia sido encontrado uma única vez em três décadas. Mas teria esta bactéria desencadeado uma epidemia em alguma outra ocasião?

Após vasculhar os bancos de dados em busca de periódicos de medicina, Karch descobriu apenas um artigo ao utilizar na sua busca o termo "O104:H4": um estudo de caso feito na Coreia. O caso coreano, assim como a maioria dos casos alemães, referia-se a uma mulher adulta que fora infectada pela e.coli enterohemorrágica, algo que é completamente atípico em se tratando desta bactéria.

DNA de uma peste?

 
Karch se mantém acordado tomando café, e para relaxar ele sai para caminhar com o seu cão pastor alemão. “Você é capaz de imaginar aquilo pelo qual eu estou passando?”, escreveu ele em um e-mail para Phillip Tarr, da Universidade de Washington em Saint Louis. A resposta à sua mensagem chegou às 4h27: “Epidemias são para homens mais jovens”. Tarr, o segundo maior especialista em e.coli enterohemorrágica depois de Karch, jamais tinha ouvido falar de uma epidemia de O104:H4.

No seu e-mail, Karch especulou sobre o motivo pelo qual a doença não estava atingindo crianças, conforme ocorre normalmente, mas somente adultos. E por que a infecção estaria atingindo mais gente do que nunca na Alemanha – tantas pessoas, de fato, que as unidades de hemodiálise de diversos hospitais encontravam-se quase lotadas?

Karch e outros pesquisadores especularam que o problema poderia residir no próprio patógeno. Talvez o material genético desta rara bactéria tivesse sofrido novamente uma mutação, de forma que a sua toxina ou a sua adesão às células intestinais que ela danifica tivesse se tornado mais forte. Os médicos esperam que um sequenciamento completo do genoma da bactéria, que está sendo feito neste momento em Münster, possa proporcionar algumas respostas.

Na terça-feira, o jornal alemão “Süddeutsche Zeitung” anunciou que Karch havia descoberto que a bactéria O104:H4, responsável pela atual epidemia, é uma chamada “quimera” que contém material genético de diversas bactérias da espécie e.coli. Ela contém também sequências de DNA de bactérias da peste, o que a torna particularmente patogênica. No entanto, Karch frisou nas suas declarações ao jornal que ela não poderia provocar nenhuma forma de peste.

Identificando as refeições

 
Gérard Krause, diretor da divisão de epidemiologia infecciosa do Instituto Robert Koch, não dispunha de tempo para aguardar pelos resultados. Na manhã seguinte à descoberta, por parte do Instituto, dos casos bizarros ocorridos em Hamburgo, quatro membros da equipe de Krause seguiram para o epicentro da epidemia na cidade, a clínica de Rolf Stahl. Eles trouxeram consigo a ferramenta preferida dos epidemiologistas: o questionário.

Os pesquisadores sentaram-se pacientemente ao lado dos leitos daqueles pacientes que ainda se encontravam em uma condição boa o suficiente para que pudessem conversar.

Identificar as refeições que eles haviam consumido nos últimos dias não foi uma tarefa fácil. “O trabalho levou horas”, diz Krause. Mas os pesquisadores perceberam algo incomum: quase nenhum dos pacientes havia consumido carne ou leite crus, as causas de quase todos os surtos anteriores de e.coli enterohemorrágica, mas quase todos eles haviam comido vegetais não cozidos.

Poderia ter sido esta a razão pela qual a epidemia afetou principalmente mulheres, pelo menos no início? Teriam elas sido infectadas ao cortarem verduras e legumes na cozinha, ou a predominância de casos neste grupo teria sido provocada simplesmente pelo fato de as mulheres se alimentarem de forma mais saudável?

Na segunda-feira, a equipe de 15 membros do Instituto Robert Koch havia sido despachada para realizar um chamado estudo de caso-controle, utilizando dispositivos simples. “A operação tinha que ser executada rapidamente e sofrer a menor quantidade possível de interferências”.

Saindo às ruas

 
Os funcionários do Instituto Robert Koch entrevistaram um total de 25 pacientes do sexo feminino e compararam as respostas delas com as de quatro mulheres saudáveis que moravam na mesma área de Hamburgo e tinham mais ou menos a mesma idade. “O nosso pessoal simplesmente abordou na rua essas pessoas que não apresentavam a doença ou bateu às suas portas”, explica Krause. “Foi um trabalho de epidemiologia clássico, no qual você simplesmente sai às ruas em busca de dados”.

Os dados brutos foram a seguir transferidos para os computadores do Instituto Robert Koch em Berlim até às 2h, naquela madrugada. Na manhã da quarta-feira, Krause pôde apresentar os resultados: as fontes mais prováveis de infecção eram tomates, alface e pepinos.

Agora os inspetores de alimentos sabiam por onde começar a procurar. Eles já tinham trabalhado em Eimsbüttel, um bairro de Hamburgo, na semana retrasada. A primeira paciente do sexo feminino do Centro Médico Universitário Hamburgo-Eppendorf em Hamburgo era de Eimsbüttel, diz Marianne Pfeil-Warnke, a diretora da divisão de segurança alimentar do distrito. Ela está sentada no seu escritório no sexto andar de um prédio do governo; uma mulher alta com cabelos ruivos luminosos e olhos azuis. Ela mantém o seu telefone celular em um cordão no pescoço, de forma que possa acessar o aparelho a qualquer momento.

“Na segunda-feira, nós fomos informados de que a bactéria aparentemente era oriunda de legumes ou verduras que crescem próximos ao solo”, diz Pfeil-Warnke. Ela enviou os seus inspetores a supermercados e bancas de verduras nos quais os pacientes haviam feito compras a fim de coletar amostras: alface romana, cenouras orgânicas, um pepino holandês, tomates em ramos, alface iceberg, um pacote de salada com vários ingredientes, uma salada pronta contendo carne de frango e um sanduíche de tomate e mozarela.

Um pé de kohlrabi (espécie de couve que se parece com nabo) foi recolhido em uma residência na qual uma criança havia adoecido. Um homem cuja mulher contraiu e.coli enterohemorrágica, e que também estava sofrendo de dores estomacais, trouxe alguns tomates para que os pesquisadores os examinassem.

Pepinos contaminados

 
Todas as amostras – cerca de 250 até o final da semana passada – que os inspetores de Pfeil-Warnke e os seus congêneres nos seus outros distritos de Hamburgo coletaram foram parar no laboratório de Anselm Lehmacherk, no Instituto de Higiene e Meio Ambiente de Hamburgo. Lehmacher, um biólogo especializado em alimentos, está sentado na biblioteca no quinto andar do instituto usando uma camisa estampada de cores vivas. Ele é um homem inteligente de cabelos curtos. Os quatro pepinos contaminados com a e.coli enterohemorrágica que acabaram fazendo com que o país fosse tomado por uma fobia em relação a pepinos foram descobertos no seu laboratório na última quinta-feira.

A partir da segunda-feira da semana passada, os inspetores de alimentos têm trazido ao laboratório de Lehmacher grandes quantidades de legumes e verduras, incluindo amostras coletadas no mercado central de Hamburgo. “Os quatro resultados positivos foram descobertos entre essas amostras”, diz Lehmacher, com um sorriso e uma ligeira expressão de orgulho na face. As amostras positivas foram três pepinos que vieram da Espanha, e um outro, de algum outro lugar, possivelmente da Holanda, embora isso ainda não tivesse sido esclarecido até o final da semana passada. Dois dos pepinos eram orgânicos diz Lehmacher, mas ele ainda não tem certeza quanto aos outros dois.

Agora que se descobriu que os pepinos seriam a origem da epidemia, os riscos mais sérios teriam sido evitados? Lehmacher balança a cabeça. “Embora o foco se concentre neste momento nos pepinos e no rastreamento do percurso seguido por eles até Hamburgo, eu temo que também venhamos a encontrar a bactéria em outras amostras”, diz Lehmacher.

Na terça-feira desta semana, a situação se complicou quando a ministra da Saúde de Hamburgo, Cornelia Prüfer-Storcks, fez um anúncio surpresa dizendo que os pepinos espanhóis provavelmente não foram a origem da onda de infecções pela e.coli enterohemorrágica. As bactérias encontradas em duas das quatro amostras de pepinos não correspondem ao tipo de e.coli enterohemorrágica encontrado nas amostras de fezes dos pacientes, informou a ministra. “Esses resultados iniciais significam que a nossa esperança de que tivéssemos descoberto a origem da epidemia infelizmente não se concretizou”, acrescentou Prüfer-Storcks.

Indignação na Espanha

 
Enquanto isso, como resultado da descoberta de Lehmacher, os investigadores voltaram agora as suas atenções para a Espanha. Todos os anos, a Alemanha importa três milhões de toneladas de frutas, verduras e legumes dessa nação mediterrânea, mais do que de qualquer outro país. Cerca de 80% destes produtos são cultivados na Andaluzia, que foi também a origem dos três pepinos espanhóis contaminados com a E.coli enterohemorrágica. Mas esta região, em particular, há muito tempo possui uma má reputação. Trabalhadores temporários marroquinos trabalham em longas jornadas em estufas por salários baixíssimos – e sob condições de higienes duvidosas. Não seriam os fornecedores espanhóis os responsáveis óbvios pela epidemia?

De forma alguma, conforme se descobriu, já que as práticas de produção na região melhoraram nos últimos tempos. “Atualmente a Espanha se encontra em uma boa posição. Os produtos são limpos”, afirma Manfred Santen, especialista em química da organização ambiental Greenpeace. De fato, os produtores espanhóis modificaram fundamentalmente as suas condições de trabalho e produção.

Não é de se surpreender, portanto, que os espanhóis estejam indignados e sintam que foram transformados em bodes expiatórios. As duas unidades de produção de onde vieram os pepinos contaminados foram fechadas na noite da última sexta-feira.

Teoria do esterco

 
O fato é que, o que quer que tenha acontecido, a questão de como o patógeno chegou aos legumes ainda não havia sido resolvida no último fim de semana. A suspeita de que esterco líquido tenha contaminado os pepinos parece fazer sentido, mas somente à primeira vista.

A bactéria E.coli é produzida nos intestinos de ruminantes – vacas, carneiros e cabras – e chega aos campos de cultivo por meio dos excrementos desses animais. Os produtores de verduras e legumes que não possuem animais de criação podem comprar urina e fezes de animais de fazendas dos fornecedores do chamado esterco líquido. No entanto, a regra é que as plantas jamais entrem em contato direto com o esterco líquido, que é espalhado nos campos antes da semeadura.

Desde a década de oitenta, os Estados Unidos também enfrentaram vários surtos fatais de E.coli. Enquanto procuravam identificar as fontes da infecção, os cientistas norte-americanos descobriram que a bactéria entrava no ciclo de produção agrícola através dos sistemas de irrigação. Cientistas canadenses encontraram altas concentrações do patógeno em amostras retiradas de poços próximos às instalações de processamento de fazendas estadunidenses.

Mas essa descoberta dificilmente se aplicaria ao atual caso europeu. Na Espanha, existe uma quantidade muito pequena de animais de criação nos locais em que frutas, verduras e legumes são cultivados.

Caramujos sob suspeita

 
Agora os cientistas estão examinando com maior atenção uma praga que antigamente estava acima de qualquer suspeita: os caramujos. Biólogos da Universidade de Aberdeen, na Escócia, identificaram os moluscos como sendo potenciais vetores da E.coli – a bactéria é capaz de sobreviver até 14 dias na superfície viscosa dos corpos dessas criaturas. O Arion vulgaris, um caramujo espanhol, é há muito tempo um problema na Alemanha, mas ele é um problema ainda maior e mais disseminado na sua nativa Espanha.

Qualquer que tenha sido a fonte da bactéria – esterco líquido, água ou caramujos, pepinos ou alface, produtos orgânicos ou convencionais –, a única solução para os consumidores é lavar as mãos. Lavar as mãos também é uma medida eficaz contra a transmissão da bactéria por meio de mãos não lavadas após o uso do banheiro, mas essa rota infecciosa é muito rara.

As frutas, os legumes e as verduras só são totalmente seguras no que se refere a germes quando são cozidos. E, até o momento, acreditava-se que a lavagem desses produtos com água era uma maneira eficaz de eliminar o risco, já que a ideia era que a E.coli só estaria presente na superfície desses alimentos.

Mas foi aí que cientistas do Departamento de Fitopatologia do Instituto Escocês de Pesquisas de Produtos Agrícolas, em Aberdeen, fizeram uma descoberta alarmante: os patógenos aparentemente sentem-se tão confortáveis nos tomates e no alface por eles estudados que esses micróbios migram da superfície para as camadas mais profundas de tecido a fim de colonizarem os frutos.

“Tudo deverá dar certo”

 
Talvez tenham sido essas bactérias particularmente resistentes que acabaram se mostrando tão desastrosas para Caroline E. A estudante de 24 anos de idade, que está grávida de quatro meses, sempre se empenhou em consumir alimentos saudáveis. Ela geralmente compra verduras e legumes orgânicos, e sempre os lava. Agora ela se encontra na Ala 5B do Centro Médico Universitário Hamburgo-Eppendorf, que foi reservado para vários casos de síndrome hemolítico-urêmica desde a última quarta-feira. Um guarda de bigodes está sentado à entrada da ala hospitalar para garantir que os visitantes desinfetem as mãos e coloquem luvas de plástico e trajes de proteção.

“Eu vi pessoas na unidade de tratamento intensivo que estavam muito mal”, diz Caroline E., uma jovem de cabelos lisos e castanhos claros, que usa óculos de desenho angulado. Ela diz que o seu único sintoma foi uma diarreia leve. De fato, ela só foi ao médico após descobrir que um colega de trabalho havia sido infectado pela E.coli enterohemorrágica. “Eu só queria me certificar de que não havia contraído a doença”, explica ela. Mas àquela altura ela já estava sofrendo da síndrome hemolítico-urêmica.

Os médicos ainda não sabem como Caroline contraiu a doença, mas ela parece estar calma. “Eu me sinto melhor agora que estou sendo submetida ao tratamento”, explica ela, observando que os médicos lhe garantiram que a infecção não prejudicará o seu bebê. “Se eles forem capazes de melhorar os resultados dos meus hemogramas logo, tudo deverá dar certo”, diz ela.

E ela acrescenta, desafiadoramente: “Eu poderei até mesmo comer chocolate de novo”. 

 
Tradução: UOL
 

Emissões recorde de CO2 em 2010 agravam o risco climático

Le Monde
Grégoire Allix

A retomada econômica vem aumentando as emissões de gases de efeito estufa, ao passo que as negociações internacionais permanecem estagnadas


Se a crise financeira mundial pode ter levado a crer que seria feito um progresso na frente do clima, a retomada da atividade econômica se encarregou de dissipar essa ilusão. As emissões de CO2 associadas à combustão de energias fósseis atingiram um nível recorde em 2010, segundo estimativas da Agência Internacional de Energia (AIE) publicadas na segunda-feira (30).

As emissões de gás carbônico culminaram em 30,6 gigatoneladas (Gt) em 2010, um crescimento de 5% em relação a 2008, ano do recorde anterior que totalizava 29,3 Gt. “Esperávamos por uma recuperação, mas não tão forte”, comenta o economista-chefe da AIE, Fatih Birol.

Essas informações “constituem um sério revés para nossas esperanças de limitar a 2 graus Celsius o aumento da temperatura no mundo”, acredita Birol. Segundo a agência, as emissões de CO2 do setor da energia não devem ultrapassar 32 Gt em 2020 para respeitar o limite dos 2 graus Celsius adotado pela comunidade internacional. Para respeitar esse teto, será necessário que as emissões de CO2 aumentem menos no decorrer dos dez próximos anos do que aumentaram em somente um ano, entre 2009 e 2010. Algo impossível.

“As emissões de CO2 nunca aumentaram tão depressa: 3% por ano em média, em dez anos, três vezes mais do que durante a década anterior”, observa o glaciologista e climatologista Jean Jouzel, membro do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês). “Estamos no caminho das piores perspectivas do IPCC”, ressalta o cientista.

Em outras palavras: se a tendência não for revertida, o planeta sofrerá um aquecimento médio de 4 graus Celsius, e bem mais em alguns lugares. “Para evitar isso, será preciso que o nível das emissões comece a baixar em 2015, e depois caia muito rapidamente a partir de 2020”, lembra Jouzel. “Estamos longe disso: não há nem mesmo uma estabilização.”

A diminuição será ainda mais difícil de conseguir pelo fato de que 80% das emissões de gás carbônico do setor elétrico projetadas para 2020 já são irreversíveis, vindas de usinas em atividade ou em construção, adverte a AIE. “A revisão da energia nuclear em muitos países corre o risco de resultar em mais emissões associadas ao gás e ao carvão”, diz Birol. “As margens de manobra são muito estreitas até 2020, precisamos com toda urgência de uma grande mudança política.”

Uma rodada de negociações internacionais sobre o clima deve se realizar em Bonn, de 6 a 17 de junho, última etapa antes da conferência de Durban, na África do Sul, em novembro. Será que esses números soarão como um “alerta”, como deseja o economista da AIE, mas também a secretária da ONU para o Clima, Christiana Figueres?

Isso é incerto. Ninguém mais espera ver um acordo internacional sendo assinado em Durban. E, durante a reunião do G8 em Deauville, nos dias 26 e 27 de maio, cujo comunicado final garantiu que “a luta contra as mudanças climáticas é uma prioridade mundial”, os Estados Unidos, a Rússia, o Japão e o Canadá repetiram nos bastidores sua recusa em se comprometer com uma possível segunda fase do Protocolo de Kyoto, depois de 2012.

“A publicação da AIE vai modificar o clima da negociação”, quer acreditar o embaixador da França encarregado do clima, Serge Lepeltier. “Ela reforça a convicção de que o Protocolo de Kyoto é uma etapa indispensável na direção de um acordo global, e mostra aos países emergentes que eles devem aceitar assumir compromissos mais voluntaristas”.

Embora suas emissões de CO2 por habitante continuem sendo modestas, os países em desenvolvimento, liderados pela China e pela Índia, são responsáveis por 75% do aumento das emissões em 2010, segundo a AIE. “Os países ricos transferiram suas emissões para os países em desenvolvimento, sendo que suas próprias emissões quase não diminuíram desde os anos 1990”, protesta Sébastien Blavier, da federação de ONGs ambientalistas Réseau Action Climat (RAC).

Os números, no entanto, poderiam fornecer argumentos àqueles que acreditam (entre eles os EUA e o Japão) que um acordo juridicamente restritivo só teria sentido se incluísse os grandes emergentes, quando estes exigem dos países desenvolvidos que eles deem o primeiro passo, por sua “responsabilidade histórica”.

Resta uma certeza, compartilhada por todos: a soma dos compromissos assumidos equivale a somente 60% do esforço que a ciência acredita ser necessário para manter o aquecimento global abaixo do limite de 2 graus Celsius. Portanto, o RAC está fazendo um apelo para que a Europa lidere o caminho, elevando seu compromisso de redução das emissões até 2020 de 20% para 30%. A questão deve ser abordada durante um conselho dos ministros do Meio Ambiente, no dia 21 de junho. 

 
Tradução: Lana Lim

Tigre macho 'adota' filhotes órfãos e surpreende especialistas

BBC Brasil

Um tigre macho que parece estar cuidando de dois filhotes órfãos surpreendeu as autoridades ambientais no norte da Índia.

Em uma demonstração inusitada de amor paterno, os especialistas acreditam o tigre T25 esteja tomando conta dos seus filhotes que perderam a mãe em fevereiro.


O natural, para a espécie, é que um tigre ataque um filhote quando o encontre. Entretanto, os especialistas disseram não ter encontrado evidências deste tipo de comportamento.


Pelo contrário, o macho foi fotografado caminhando apenas cerca de um metro atrás dos órfãos.


Os filhotes têm cerca de oito meses de idade e são muito jovens para caçar por conta própria. Desde a morte da mãe, a tigresa T5, em 9 de fevereiro, eles vêm sendo alimentados pelos funcionários do parque.


Na última segunda-feira, 30, o diretor de campo da reserva, Rajesh Gupta, disse tê-los avistado se alimentando de uma presa em companhia de T25.


"Eles tinham um aspecto saudável. Parece que o tigre macho está deixando os filhotes se alimentarem da presa, e não pegando todo o alimento para si", disse Gupta.


Raridade


Especialistas em vida selvagem dizem que esse tipo de relacionamento entre o macho e os filhotes é extremamente raro.

Normalmente, os tigres deixam totalmente para a mãe a responsabilidade de cuidar das crias - que, na ausência da tigresa, muitas vezes são simplesmente vistas como alimento pelo tigre dominante.


"Normalmente a tigresa mantém um olho nos filhotes, enquanto o pai é um visitante que vem e vai embora, especialmente quando aparece para cruzar com a fêmea", disse à BBC o chefe da guarda florestal do Rajastão, U.M. Sahai.


O parque de Ranthambore, a mais conhecida reserva natural da Índia, tem cerca de 40 tigres, incluindo uma dezenas de filhotes.


De acordo com o último censo divulgado em março, o país tem pouco mais de 1,7 mil destes felinos - uma redução drástica em relação aos cerca de 100 mil estimados no início do século passado.


Especialistas afirmam que 97% dos indivíduos da espécie foram dizimadas pela caça ilegal e a redução dos hábitats naturais.

31 maio 2011

Sindicato denuncia vazamento de petróleo na Bacia de Campos

O Dia

Rio - Cerca de mil litros de petróleo vazaram para o mar de uma plataforma da Petrobras na Bacia de Campos, no norte Fluminense, de acordo com informação divulgada nesta terça-feira pelo Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense.


O diretor de Comunicação do sindicato, Marcos Breda, disse que o acidente ocorreu na tarde de segunda-feira, durante uma manobra de transporte de petróleo da plataforma P-08 para a Plataforma Central de Enchova (PCE-1).


Segundo ele, o vazamento ocorreu em cinco pontos da plataforma e deixou inoperantes as bombas de incêndio da unidade, o que teria paralisado a produção da PCE-1 até a noite de ontem. Breda afirmou que o sindicato vai enviar ofício à Petrobras cobrando explicações sobre o acidente.


Ele considerou que o acidente está relacionado com o fechamento da plataforma P-65, interditada por motivos de segurança pelo Ministério do Trabalho no último dia 26, pois seria ela que receberia originalmente a carga de petróleo.


A Petrobras informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que deverá divulgar uma nota se pronunciando sobre o assunto.


Com informações da Agência Brasil

Metais raros precisam de mais reciclagem

Taxas baixas ameaçam tecnologias limpas

Planeta Sustentável

Um relatório apoiado pela ONU adverte que o setor de tecnologia verde pode ter seu crescimento ameaçado pela falta de reciclagem de metais, especialmente aqueles raros. Apenas um terço dos metais, globalmente, tem uma taxa de reciclagem de mais de 50%. "Muitas taxas são desencorajadoramente baixas, e uma sociedade de reciclagem parece nada mais que uma esperança distante", disse o relatório do Programa Ambiental da ONU (UNEP). "Isto é especialmente verdadeiro para muitos materiais raros, ingredientes cruciais para tecnologias emergentes importantes".

"Todas as tecnologias limpas - baterias, carros híbridos, magnetos de turbinas eólicas, por exemplo - dependem de metais que têm taxas extremamente baixas de reciclagem", afirmou Jacqueline McGlade, diretora da Agência Ambiental Européia (EEA). "Nós temos de melhorar isso". 


A escassez de minerais raros usados na produção de produtos de alta tecnologia e na indústria militar provocou arrepios pelo mundo quando o principal produtor mundial, a China, restringiu suas exportações. A União Européia desenvolve um programa que pode incluir a estocagem dos materiais.

O relatório da UNEP, que cobriu todos os metais, mostrou uma das taxas globaismais altas para metais para o chumbo, principalmente de baterias, em torno de 80%. As estimativas de reciclagem de ferro e aço variam de 70% a 90%. As de ouro e prata variam de mais de 90% no setor de joalheria, até menos de 15% na indústria eletrônica. "Não há virtualmente reciclagem do resto, inclusive do índio, usado em semicondutores, LEDs, equipamentos médicos avançados de imageamento e na indústria fotovoltaica", afirma a UNEP. 


"A história é semelhante para metais como telúrio e selênio, usados para células solares de alta eficiência, e neodímio e disprósio, usado em magnetos de turbinas eólicas - assim como lantânio de baterias de carros híbridos e gálio de LEDs", diz o relatório. "O que a Europa consome?", pergunta McGlade, da EEA.

"São números grandes, cerca de 16 ou 17 toneladas por pessoa por ano. Cerca de quatro vezes o consumo africano, três vezes o da Ásia, mas apenas metade do consumido na Austrália, Canadá e EUA", informa ela, segundo o International Business Times.