26 março 2011

Governo alemão pode rever empréstimo que viabilizaria construção de Angra 3

Vinicius Sassine - Correio Braziliense

O governo brasileiro fez a opção por ignorar a decisão da Alemanha de suspender o funcionamento de usinas nucleares construídas antes da década de 1980, apesar das semelhanças entre os empreendimentos do tipo nos dois países e do acordo bilateral existente desde 1975 — que prevê o suporte financeiro dos alemães na construção da usina Angra 3, em Angra dos Reis (RJ).

Agora, duas semanas após a tragédia nuclear no Japão e a suspensão por três meses das operações em sete reatores nucleares no país europeu, o Ministério da Economia germânico decidiu reavaliar as garantias aos financiamentos previstos para Angra 3.

O montante envolvido é de 1,3 bilhão de euros (mais de R$ 3 bilhões), dinheiro que seria utilizado na aquisição de tecnologia, produtos e serviços para a usina brasileira. O financiamento da Alemanha equivale a um terço do dinheiro previsto no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para Angra 3, cuja retomada da construção começou no ano passado. Se a Alemanha decidir pela suspensão do financiamento, a terceira usina nuclear brasileira poderá não sair do papel.

O governo da chanceler Angela Merkel decidiu suspender as operações nos reatores nucleares mais antigos do país depois do acidente em Fukushima, no Japão, em decorrência de um terremoto seguido por um tsunami. As três usinas brasileiras — Angra 1, 2 e 3 — têm projetos anteriores à década de 1980. Angra 2 e Angra 3 são citadas no acordo bilateral de 1975 e têm a mesma tecnologia dos reatores alemães. Mesmo assim, as estatais brasileiras responsáveis pelo funcionamento das usinas e os ministérios que definem o programa nuclear do país não enxergaram qualquer razão para mudanças nos procedimentos de segurança, ou mesmo para a suspensão das atividades. O máximo que será feito é uma verificação desses procedimentos.

Em comunicado divulgado na última quarta-feira, o Ministério da Economia da Alemanha informou que cobrará do governo brasileiro informações sobre “procedimentos” e “padrões” que serão adotados em Angra 3. Como a usina é um projeto da década de 1970 — inclusive com equipamentos adquiridos naquele período —, a pasta germânica quer saber o que foi feito para tornar Angra 3 uma usina nuclear segura. Essa é uma condicionante para a manutenção do bilionário suporte financeiro ao projeto.

“O governo discute, agora com mais intensidade, essa fiança federal para crédito de exportação com relação à tecnologia nuclear”, diz um comunicado do Ministério da Economia. Dentro da Eletrobras Eletronuclear, estatal responsável pela construção de Angra 3, gestores admitem que a decisão de suspender as atividades dos reatores nucleares no país europeu deve interferir nos financiamentos previstos para Angra 3. Outros órgãos internacionais, porém, podem decidir fazer parte do empreendimento, segundo esses gestores. Oficialmente, a estatal diz que não houve qualquer contato da agência de crédito alemã para reavaliar a participação. A Eletrobras também afirma não ter sido comunicada oficialmente e que, por isso, não comentaria o assunto.

Serviços 

 
Segundo a Eletrobras Eletronuclear, os serviços de engenharia e as aquisições de equipamentos no mercado internacional custarão 1,5 bilhão de euros (R$ 3,5 milhões), o que só será viável por meio de financiamentos internacionais. O crédito deve ser providenciado por um pool de bancos europeus, tendo à frente o francês Societé Generale. A garantia dos empréstimos, conforme o acordo firmado, é responsabilidade de uma agência alemã de crédito à exportação, a Hermes. O objetivo do governo germânico, ao garantir essa fiança, é estimular as exportações do país.

Obras 

 
O início das obras de Angra 3 foi em 1984, mas logo foram paralisadas. O projeto foi retomado em 2010, no âmbito do PAC, e é uma das prioridades da política de expansão de geração de energia do governo Dilma. Se ficar pronta em 2015, conforme o previsto, Angra 3 incrementará em 70% a geração de energia nuclear produzida na região. Os gastos previstos no PAC são de R$ 9 bilhões.

25 março 2011

Usinas nucleares dos EUA omitem falhas ao governo, diz relatório

OperaMundi

As operadoras responsáveis pelo funcionamento das usinas nucleares dos Estados Unidos têm omitido informações à agência reguladora do setor sobre ocorrências de falhas em seus equipamentos.

Esse problema foi apontado no relatório de uma auditoria da NRC (Nuclear Regulatory Commission, ou Comissão Reguladora Nuclear, em português), agência governamental responsável por cuidar de todas as questões relativas à segurança das 104 usinas nucleares em território norte-americano. O documento foi publicado nesta quinta-feira (24/03) no site da agência.


É procedimento obrigatório para essas empresas relatar qualquer malfuncionamento em componentes básicos de seus reatores que possam vir a comprometer a segurança das instalações.


Durante vistorias realizadas nas usinas norte-americanas entre dezembro de 2009 a setembro de 2010, os inspetores da NRC detectaram ao menos 24 casos em que defeitos identificados pelas operadoras não foram relatados à agência.


Leia a
íntegra do relatório no site da agência.

Autocrítica


O documento também levanta questões a respeito dos erros cometidos pela própria instituição, afirmando que os parâmetros de segurança repassados à indústria nuclear norte-americana são “contraditórios e obscuros”.


O relatório também alerta que, caso a NRC não tome providências para aperfeiçoar suas orientações gerais, “a margem de segurança dos reatores em operação pode ser reduzida”.


A equipe da NRC reviu o resumo do relatório, mas optou por não fornecer comentários formais sobre seus resultados.


A NRC é constante alvo de críticas de associações ambientalistas, que questionam os métodos de licenciamento da agência. No dia 10 de março de 2011, anterior ao terremoto seguido de tsunami que devastou o nordeste do Japão - que teve, entre outras consequências a explosão de reatores da usina nuclear de Fukushima Daiichi - , o órgão prorrogou por vinte anos a licença da usina nuclear de Vermont Yankee.


Entretanto, no dia 24 de fevereiro, o Senado do Estado de Vermont decidiu, por larga maioria (26 votos contra 4), pela não continuidade de seu funcionamento.


Em 2007, o então candidato à Presidência dos EUA Barack Obama também fez críticas à NRC, dizendo que ela havia se tornado “refém das empresas as quais deveria regular”, enquanto seu candidato a vice, Joe Biden, afirmava que ela não possuía qualquer credibilidade.

24 março 2011

E-Jet da Azul voará com querosene de cana

Poder Aéreo

A pista experimental da Embraer em Gavião Peixoto, na região de Ribeirão, servirá de palco para a decolagem do primeiro avião abastecido com bioquerosene de cana.

O projeto é desenvolvido em uma parceria entre Embraer, Azul Linhas Aéreas, Amyris e GE. O teste está programado para ocorrer no primeiro semestre de 2012.

O bioquerosene de pinhão já foi testado em voo da TAM, mas até hoje, segundo a Embraer, nenhuma experiência foi feita com a cana, principal matéria-prima para biocombustíveis no país.

O diretor de estratégias e tecnologias para o meio ambiente da Embraer, Guilherme de Almeida Freire, disse que o objetivo é desenvolver um combustível sustentável que possibilite o voo sem modificações nos aviões.

Ele disse que a fabricação do querosene de cana-de-açúcar utiliza um processo de fermentação “primo”, ou semelhante, ao usado na produção do etanol voltado para carros.

O voo inaugural da novidade será em um avião da Azul Linhas Aéreas.

FONTE: Folha Ribeirão

23 março 2011

Alstom começa a construir fábrica na BA

Energia Hoje

A Alstom lançou nesta quarta-feira (23/3) a pedra fundamental de sua primeira fábrica de aerogeradores no Brasil, em Camaçari (BA). A empresa investirá R$ 50 milhões na unidade, que será capaz de produzir 300 MW/ano.

Atualmente, está sendo feita a terraplanagem da área de 50 mil m² que receberá a fábrica. Em abril, começará a montagem do galpão onde serão fabricados os aerogeradores. O empreendimento ficará pronto no segundo semestre deste ano e gerará 150 empregos diretos.

Niterói registra os dois primeiros casos de dengue do tipo 4 no Rio de Janeiro

Maria Elisa Alves - O Globo

Rio - A Secretaria de Estado de Saúde e Defesa Civil informou que a dengue do tipo 4 chegou ao estado do Rio. As vítimas são duas irmãs de 21 e 22 anos, moradoras de Niterói. Elas apresentaram os primeiros sintomas durante o carnaval, no dia 6 de março, já se recuperaram e estão em casa. Segundo nota divulgada pela secretaria, a identificação do vírus foi feita por meio de exames laboratoriais realizados pela Fiocruz e a confirmação só ocorreu nesta quarta-feira. Como nenhuma das duas pacientes viajou recentemente, a investigação preliminar dos casos aponta para possível transmissão autóctone (dentro do próprio Estado).

A Secretaria de Saúde afirmou que já foram tomadas todas as medidas de bloqueio na área onde as irmãs moram, e de investigação epidemiológica. Segundo o órgão, não há motivo para pânico. A Secretaria ressalta que os sinais e sintomas do paciente infectado pelo vírus 4 não diferem daqueles causados pelos sorotipos 1, 2 e 3, assim como as recomendações médicas e o tratamento.

O problema da chegada do vírus 4, segundo especialistas, é que toda a população do Rio está suscetível a ele, o que pode causar uma grande epidemia. A Secretaria informou que Niterói apresenta, desde o início do ano, 604 casos suspeitos da doença - uma taxa de incidência de 123,9 casos por 100 mil habitantes e nenhum óbito pela doença.

Nesta quarta-feira, a secretaria divulgou as novas estatísticas de dengue no estado. De janeiro até o dia 19 de março, foram notificados 26.258 casos da doença. Os municípios com as maiores taxas de incidência de casos são: Bom Jesus de Itabapoana (3.111,6 casos/ 100 mil habitantes), Santo Antonio de Pádua (1.419,8 casos/100 mil habitantes), Cantagalo (1.351,8 casos/100 mil habitantes), Mangaratiba (688,5 casos/100 mil habitantes), Guapimirim (670,1 casos/100 mil habitantes), Seropédica (656,2 casos/100 mil habitantes), Magé (608,4 casos/100 mil habitantes) e Cabo Frio (493 casos/100 mil habitantes). Foram registradas 18 mortes, a maioria na capital (6).

Na última segunda-feira, uma criança de 1 ano e 9 meses morreu vítima da doença no Rio. Maria Clara Silva Martins, que morava em Nova Iguaçu, morreu na noite de segunda-feira no Hospital Cemeru, em Santa Cruz, na Zona Oeste. As outras cidades que tiveram óbitos foram: Nova Iguaçu (2), Duque de Caxias (1), Magé (1), Cabo Frio (1), São Gonçalo (3), Maricá (1), São João do Meriti (2) e São José do Vale do Rio Preto (1).

Os 14 bairros do Rio que enfrentavam até segunda-feira um surto de dengue se livraram na terça do problema . A reviravolta, um dia depois de a primeira área da Zona Sul - Cosme Velho - ter sido incluída na lista de locais em situação gravíssima , aconteceu porque os epidemiologistas da Secretaria municipal de Saúde passaram a analisar as estatísticas usando mais critérios para definir as áreas com maior risco. Em vez de levarem em consideração apenas a taxa de incidência superior a 300 casos por cem mil habitantes, que era indicativo de surto e atingia 14 bairros, passaram a observar também a curva dos registros - um método considerado mais moderno.

Isto significa que uma área só pode ser considerada em surto se, além da taxa acima de 300 casos por cem mil, estiver tendo, nas últimas cinco semanas de análise, uma curva ascendente no número de registros. Se, durante as cinco semanas, duas delas não tiveram crescimento, a curva não pode ser considerada ascendente e, portanto, não há surto. Foi ao fechar na terça-feira o balanço das últimas semanas que os 14 bairros com surto deixaram de tê-lo.

IBGE: Apenas 62,6% das moradias urbanas têm acesso simultâneo a água, esgoto e coleta de lixo

Pedro Peduzzi, da Agência Brasil, publicada pelo EcoDebate

Apenas 62,6% dos domicílios urbanos brasileiros têm acesso à rede de água, esgoto e à coleta de lixo. Se a análise focar exclusivamente o abastecimento de água, este índice sobe para 93,5%, e se abranger apenas o percentual de domicílios com acesso a serviços de esgotamento sanitário por rede coletora, o índice fica em 68,3%.

A constatação é do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na Síntese de Indicadores Sociais 2010, com dados relativos ao ano de 2009. O estudo foi divulgado no dia 17/9.

Segundo o levantamento, que associa a qualidade de vida ao acesso simultâneo a esses três tipos de serviço, ainda há muito o que melhorar para alcançar níveis mais altos de qualidade de vida para boa parte da população brasileira. Em 1999 o índice – relativo a domicílios urbanos brasileiros com acesso simultâneo a rede de água, esgoto e coleta de lixo – estava em 57,2% dos domicílios, e no ano de 2003, em 59,6%.

O estudo reitera que quanto menor o rendimento da família, pior é a situação em que ela se encontra em termos de acesso a saneamento básico. Para a classe de rendimento médio até meio salário mínimo per capita, 41,3% dos domicílios tinham esses serviços oferecidos de forma simultânea. Essa proporção vai crescendo para cada classe até chegar em 77,5% para as famílias cujo rendimento per capita é de mais de dois salários mínimos.

Na análise por regiões identificou-se grande desigualdade. Enquanto na Região Norte apenas 13,7% do total dos domicílios tinham acesso aos serviços simultâneos de saneamento – baixando para 10% nos domicílios mais pobres – , na Região Sudeste, onde os domicílios apresentam a melhor situação do país, esse índice sobe para 85,1%.

Na Região Nordeste, a proporção foi de 37% dos domicílios, percentual que baixa para 27,9% quando o foco é direcionado às famílias com rendimento até meio salário mínimo. As regiões Sul e Centro-Oeste apresentaram índices de 62% e de 40,7%, respectivamente, de acesso simultâneo aos três serviços de saneamento.

O estudo aponta que nesse quesito houve “uma melhora diferenciada entre as regiões” ao longo dos últimos dez anos. Na média, o Brasil teve um aumento de 9% no total de domicílios urbanos com serviços de saneamento. A Região Nordeste apresentou um crescimento bem mais expressivo no indicador: 46%.

O IBGE observou ainda que 93,5% dos domicílios brasileiros têm acesso a serviço de abastecimento de água por rede geral. Esse percentual é bem próximo ao registrado nas regiões do país, com exceção do Norte, onde cerca de um terço dos domicílios é beneficiado pelo serviço. As regiões Sudeste (97,1%) e Sul (95,4%) são as que se encontram em melhor situação. A Região Nordeste vem em seguida, com 92,3%, e depois a Centro-Oeste, com 92,0%.

No que se refere à rede de coleta de esgotos, o IBGE considera também a fossa séptica como forma de tratamento, o que coloca as residências com esse tipo de recurso entre os 68,3% de domicílios com acesso a serviços de esgotamento sanitário.

O estudo mostra, porém, que essa média esconde importantes diferenças regionais. Na Região Norte, apenas 16,6% dos domicílios tinham acesso ao serviço público de esgotamento sanitário. Na Região Nordeste, nem metade conta com esse tipo de serviço básico. A Região Sudeste foi a que apresentou o melhor resultado, com 90,7% dos domicílios tendo acesso a esgotamento sanitário por rede geral.

O acesso a uma rede de esgoto vem se ampliando ao longo da última década. Em 1999, a ausência desse tipo de serviço abrangia 36,4%. Em dez anos, caiu para 31,7%. No Nordeste, a queda foi mais acentuada e chegou a 11,4 pontos percentuais. Estava em 67,2% e caiu para 55,4% em 2009.

A coleta de lixo – feita diretamente no domicílio – está praticamente universalizada no Brasil, presente em 98,5% dos domicílios. A variação entre as regiões também é pequena e tem apenas o Nordeste abaixo da média nacional, com 95,8% de acesso ao serviço

O estudo do IBGE contempla apenas as áreas urbanas, porque é nessas regiões onde estão localizados 85% dos domicílios brasileiros.

22 março 2011

Maranhão tem aumento de 370% nos casos de dengue

O Vale

A Vigilância Sanitária do Maranhão voltou a registrar casos de dengue tipo I. Esta é uma das explicações para o aumento de 370% no número de casos da doença registrados em 2011 no Estado, na comparação com o mesmo período do ano passado. Até agora, foram confirmados 2.797 casos - em 2010 foram 595 casos - e a tendência é que haja aumento no volume de notificações até maio, quando termina o período chuvoso.


Segundo o coordenador do programa estadual de combate a dengue, José Batista da Silva, o início mais cedo das chuvas é uma das principais explicações para o crescimento do número de casos da doença. 


"Uma das razões que contribuiu para esse aumento reside no fato do início precoce do período chuvoso em 2011, enquanto que em 2010, o período chuvoso só teve início a partir do mês de abril", disse.

Na tentativa de conter o avanço da moléstia, o governo do Maranhão lançou um plano emergencial de combate a dengue. Apenas na capital, uma força tarefa com 550 agentes de saúde, equipes do exército e do Corpo de Bombeiros, apoiados por 20 carros "fumacê" e outros dez veículos estão sendo empregados para combater a doença. 

A última epidemia no Maranhão foi registrada em 2007, quando foram contabilizados mais de 14.616 casos, sendo que 136 foram de dengue hemorrágica. Naquele ano foram 13 mortes.

Rio de Janeiro registra oito mil casos de dengue

Número é maior do que a soma de todas as notificações de 2009 e 2010
 

Cecília Ritto - Veja

A volta do vírus tipo 1 da dengue ao Rio de Janeiro já causou a infecção de 8 315 pessoas moradoras da capital, nos três primeiros meses do ano de 2011. Esse número é maior do que a quantidade de casos notificados em 2010 (3 120) e em 2009 (2 723) juntos. Com a população fluminense alarmada com os altos índices de infectados, a secretaria estadual de saúde e a Fundação Oswaldo Cruz lançarão, no próximo sábado, uma campanha chamada “dez minutos contra a Dengue”. O evento será nos morros Chapéu Mangueira e Babilônia, na zona Sul, com a presença do secretário Sérgio Cortes. A ideia é fazer com que as pessoas gastem 10 minutos da semana observando os criadouros em suas casas.

“Assim, bloqueia o ciclo do vetor, que no verão costuma ser de sete a dez dias. O objetivo é tirar o foco do controle feito pelo inseticida e pelo agente. Vamos trabalhar com o morador”, diz a entomologista da Fiocruz Denise Valle. Baseada na experiência bem-sucedida de Cingapura, ela acredita que através da mobilização seja possível frear surtos e epidemias da doença. “A epidemia de dengue em Cingapura, entre 2004 e 2005, atingiu 0,5% da população. Apesar de lá haver boas condições de saneamento e alta renda per capita, houve disseminação. Eles conseguiram bloquear a epidemia no meio dela, com mobilização e participação de voluntários", explica.


Quatro cidades do Rio de Janeiro já passam por uma epidemia de dengue. Os municípios com as maiores taxas de incidência são Bom Jesus de Itabapoana com 2.447,4 casos por 100 mil habitantes, Cantagalo com 1.321,5, Santo Antonio de Pádua com 1.158,5 e Magé com 599,6


Na cidade do Rio, 14 bairros ultrapassam 300 casos por cem mil habitantes, o que numericamente caracteriza um surto. Mas a secretaria municipal de Saúde afirma que, como o número de casos vem decrescendo, não se pode fazer essa afirmação. O local com maior número de casos é em Pedra de Guaratiba, na zona Oeste, onde há 1187 infectados por cem mil moradores. Na zona sul, no bairro Cosme Velho, a taxa de incidência é de 314 por cem mil.


A querela sobre a definição de surto nesse caso não impede que seja constatada a grave situação vivida na cidade. Por meio de nota, secretaria municipal de saúde informou que há 12 bairros com "critérios de alerta para surto". Dentre eles, três estão localizados na zona oeste, três na zona norte e cinco na região central.

Os casos de dengue são resultado da volta do vírus tipo 1, que não circulava no estado há mais de 20 anos. A quantidade de pessoas vulneráveis é grande justamente porque parte da população não foi contaminada na ocasião e todos os nascidos depois dessa data não estão imunes.

21 março 2011

Apenas 20% dos animais existentes na Terra foram identificados

ANDA

Segundo estimativas, apenas 20% de todos os animais existentes na Terra foram identificados. Para que os cientistas consigam conhecer todas essas outras espécies, os custos chegariam a 263.1 bilhões de dólares.

Até agora temos 1,4 milhão de espécies catalogadas, e estima-se que 5,4 milhões sejam desconhecidas. O maior impedimento para que essas espécies sejam catalogadas, segundo Fernando Carbayo e Antonio Marques, da Universidade de São Paulo, é a falta de taxonomistas – os cientistas responsáveis por identificar novas espécies e classificá-las.


Os cientistas usaram os custos brasileiros para a identificação de novas espécies para criar uma estimativa global.

De acordo com a pesquisa, os insetos seriam os animais menos conhecidos – a necessidade de taxonomistas especializados nesse tipo de bicho seria enorme.

Municípios com desmatamento zero terão benefícios

Diário do Pará

Apoiar 75 municípios paraenses a alcançarem o desmatamento zero é uma das principais metas do programa Municípios Verdes, que será lançado pelo governo do Estado nesta quarta-feira (23), em Paragominas. O programa também prevê reflorestamento, manejo das florestas nativas, recuperação das áreas de preservação permanente e de áreas degradadas.

A iniciativa surgiu a partir de acordos feitos entre o governo estadual, Ministério Público Federal (MPF), prefeitos e federações dos municípios (Famep) e da agricultura e pecuária (Faepa). Desde o final de 2010 até esta segunda-feira, 20 de março, foram assinados acordos com 75 municípios paraenses. Em troca de ampliação de prazo para a regularização ambiental dos produtores rurais, os municípios comprometeram-se a combater desmatamento.

O programa Municípios Verdes, do governo do Estado, vem auxiliar os municípios a cumprir esse compromisso. As secretarias de estado de Projetos Estratégicos e de Meio Ambiente, o Instituto de Terras do Pará (Iterpa) e o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) estão à frente do programa.

Garantia de mercado - Desde o início deste mês, cerca de 80 empresas que assinaram acordo pelo desmatamento zero no Pará — entre elas alguns dos maiores frigoríficos do país, como o Bertin e o Minerva — passaram a negociar exclusivamente com proprietários rurais que tenham pedido o licenciamento ambiental ou cujas propriedades estiverem localizadas em municípios que também assinaram o acordo pelo fim do desmatamento ilegal.

Nos municípios participantes do acordo, as propriedades acima de 3 mil hectares ganharam prazo até 30 de agosto para o pedido de licenciamento e as de 500 até 3 mil hectares têm até 31 de dezembro para que essa providência seja tomada. Para as pequenas propriedades, de até 500 hectares, o prazo vai até 30 de junho de 2012.

Em contrapartida à extensão de prazo para o licenciamento, as prefeituras se comprometem com o desmatamento zero e com o controle sobre as atividades produtivas. Entre as condições que devem ser obedecidas, as prefeituras devem alcançar um pacto pelo controle do desmatamento com a participação do legislativo e de sindicatos patronais e de trabalhadores rurais.

Paragominas foi escolhido como palco de lançamento do programa por ter sido o primeiro município paraense que ganhou a denominação de Município Verde, saindo da lista dos maiores desmatadores em março de 2010, dois anos depois de ter iniciado o combate ao desmatamento.

Em 2005, a devastação ilegal atingiu, no município, 303 quilômetros quadrados. Em 2009, já era de apenas 21 quilômetros quadrados, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Resultados como esses levaram o Conselho Monetário Nacional a autorizar, em 2010, que os produtores rurais de Paragominas tenham acesso ao crédito bancário sem a apresentação do Certificado de Cadastro de Imóveis Rurais (CCIR).

Histórico - No início de 2009, antes de o MPF começar a propor os acordos pelo desmatamento zero, no Pará haviam apenas cerca de 900 propriedades rurais inscritas no cadastro ambiental rural do Estado, o primeiro passo antes do pedido de licenciamento ambiental. Com os acordos promovidos pela instituição e com a campanha Carne Legal, esse total chegou, em janeiro de 2011, a 48,3 mil propriedades registradas.

Dados como esses serviram como base para que outros órgãos públicos e a imprensa apontassem a atuação do MPF como um dos fatores fundamentais para que a Amazônia Legal tivesse em 2010 a menor área desmatada já registrada na história do país, desde que o monitoramento passou a ser feito via satélite, em 1988.

Para participar do acordo - A prefeitura que ainda quiser assinar o acordo pode obter a minuta do documento que está disponível nas sedes da Famep e da Faepa. Uma vez assinado o compromisso, o documento pode ser enviado por correio ao MPF em Belém (rua Domingos Marreiros, 690, bairro Umarizal – CEP 66055-210) ou pelo endereço eletrônico dalya@prpa.mpf.gov.br . (Ascom MPF)

Empresa detecta altos níveis radioativos em água do mar em Fukushima

Do UOL Notícias
Em São Paulo

A Tepco, companhia operadora da usina nuclear de Fukushima, informou nesta segunda-feira que foram encontrados níveis mais altos que o normal de elementos radioativos na água do mar de regiões próximas a usina japonesa.


Porta-vozes da empresa indicaram durante a madrugada ter detectado uma amostra de que os níveis de iodo 131 são 126,7 vezes superiores ao limite estabelecido, enquanto os de césio 134 estão 24,8 vezes mais elevados e os de césio 137 se multiplicam por 16,5 vezes.

Apesar de tudo, a companhia indicou que tais níveis não representam risco para a saúde humana, mas no entanto acrescentou que fará uma investigação sobre os frutos do mar desta região e seu consumo humano.

Por enquanto, as causas do aumento incomum das concentrações radioativas ainda são desconhecidas, mas acredita-se que podem estar relacionadas com a chuva que caiu ao longo do dia na região e as operações de jogar água sobre os reatores danificados da usina nuclear de Fukushima na desesperada tentativa de reduzir sua temperatura para evitar uma catástrofe.

*Com informações da EFE

OMS alerta sobre "séria" radiação nos alimentos no Japão

Risa Maeda e Kiyoshi Takenaka - Reuters
Em Tóquio

A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse nesta segunda-feira que a radiação nos alimentos após o terremoto que danificou uma usina nuclear no Japão é mais séria do que anteriormente imaginado, eclipsando sinais de avanço na batalha para evitar um derretimento catastrófico nos reatores.


Engenheiros conseguiram conectar cabos de energia a todos os seis reatores do complexo de Fukushima, 240 quilômetros ao norte de Tóquio, e ligaram uma bomba de água em um deles para reverter o superaquecimento que desencadeou a pior crise nuclear mundial em 25 anos.

Mais tarde alguns trabalhadores foram retirados de um dos reatores mais seriamente danificados quando uma fumaça emergiu brevemente do local. Não houve nenhuma explicação de imediato para a fumaça, mas autoridades haviam dito anteriormente que a pressão no reator 3 está aumentando.

Também foi vista fumaça no reator 2.

O sismo e o tsunami de 11 de março deixaram mais de 21 mil mortos ou desaparecidos e custará US$ 250 bilhões de dólares a uma economia já combalida, o que representa o desastre natural mais caro do mundo.

O chefe da agência atômica da ONU disse que a situação nuclear continua muito séria, mas que será resolvida.

"Não tenho dúvida de que esta crise será superada eficientemente", declarou Yukiya Amano, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) em uma reunião do comitê de emergência.

"Vemos uma luz para sair desta crise", disse uma autoridade do governo japonês citando o primeiro-ministro Naoto Kan.

Mas as notícias de progresso na usina nuclear foram eclipsadas pela preocupação crescente de que partículas radioativas já liberadas na atmosfera tenham contaminado fontes de alimento e água.

"Está claro que a situação é séria", disse Peter Cordingley, porta-voz do escritório regional do Pacífico Oriental da OMS sediado em Manila, à Reuters em uma entrevista por telefone.

"É muito mais sério do que qualquer um pensava nos primeiros dias, quando achávamos que este tipo de problema pode estar limitado a 20 ou 30 quilômetros... é seguro supor que uma parcela de produtos contaminados tenha saído da zona de contaminação."

Ele disse entretanto não haver evidência de que alimentos contaminados oriundos de Fukushima tenham chegado a outros países.

Fukushima é o pior acidente nuclear do mundo desde Chernobyl, mas há sinais de que seja bem menos grave do que a tragédia ucraniana.

"As poucas medidas de radiação relatadas nos alimentos até agora são muito mais baixas do que ao redor de Chernobyl em 1986, mas o quadro total ainda está emergindo", disse Malcolm Crick, secretário do Comitê Científico dos Efeitos da Radiação Atômica da ONU à Reuters.