25 fevereiro 2011

Pesquisa científica para o combate à dengue

Estudos realizados pelo Inpa ajudam no combate ao Aedes Aegypti.Um deles é a aplicação de uma substância para afastar os mosquitos de uma área vulnerável na época de chuva: a construção civil

Por Daniel Jordano - INPA

Os casos de Dengue no Amazonas estão preocupando a população e as autoridades. Já foram registrados mais de 4 mil casos em todo o Estado.
A situação piora no período chuvoso onde se formam mais criadouros do mosquito e é no canteiro de obras que o inseto encontra um ambiente mais favorável. Para evitar a proliferação do Aedes Aegypti, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCT) está realizando um estudo nesses locais.

O pesquisador do Inpa, Wanderli Tadei, explica que nas construções de edifícios é necessário fazer o teste de infiltração no futuro banheiro dos apartamentos e para isso é despejada certa quantidade de água. A área deve ficar alagada por sete dias e é aí que mora o perigo. “O primeiro morador desses prédios é o mosquito transmissor da dengue. Nessa fase de construção os edifícios acumulam água e sete dias é mais do que suficiente para o mosquito”, afirma.

Nova substância 

Para resolver o problema, uma substância (que está em processo de patente) foi criada nos laboratórios do Instituto. A técnica consiste em adicionar a sustância à água usada na obra o que segundo Tadei substitui o uso de inseticidas, não permite a proliferação do Aedes Aegypti e ainda protege os trabalhadores da construção civil. “Nós desenvolvemos o sistema onde água pode ser usada normalmente para o teste de infiltração. A substância tem eficácia de 12 dias, já foi testada em laboratório e estamos vendo sua viabilidade. Já fizemos o teste em um edifício e houve uma redução no número de mosquitos ”, enfatizou.

Além disso, há estudos do Instituto que envolvem a análise de resistência do mosquito a inseticidas e a produção de novas fórmulas de repelentes.

Conscientização 

O pesquisador faz ainda uma alerta para a população sobre os cuidados para evitar a dengue. Medidas como tampar caixas d’água, manter o quintal limpo, verificar se as calhas não estão acumulando água e verificar os vasos de plantas ajudam no combate a doença. 

Ainda de acordo com Tadei, em caso de sintomas como febre, dor de cabeça e dores pelo corpo, por exemplo, a pessoa deve procurar o serviço médico imediatamente. “O diagnóstico da doença é importante para o paciente e para o serviço público, pois é a partir desse dado é que será feita a ação de combate. Existem quatro tipos de dengue e o mais grave é a hemorrágica que pode levar a óbito. Então o paciente com suspeita de dengue não pode ficar em casa”, finaliza.

Hidrelétricas na Amazônia ampliarão impactos sociais e ambientais, diz cientista do Inpa

Philip Fearnside estuda problemas ambientais na Amazônia brasileira há quase 40 anos e é autor de projeto de valoração de serviços ambientais na floresta amazônica 

Elaíze Farias - A Crítica

Ao ser transformada na principal geradora de energia do país devido à seu potencial hídrico, a Amazônia corre risco de sofrer impactos ambientais e sociais incalculáveis.

Em entrevista ao portal acritica.com, o cientista Philip Fearnside, alerta para a publicidade do discurso governamental de que a energia fornecida pelas usinas vai favorecer a população.

“A energia de Belo Monte, por exemplo, não é para o cidadão, sua casa, sua televisão. É para abastecer as grandes empresas do alumínio visando a exportação, a maioria delas multinacionais. Os benefícios vão para o exterior, mas os danos ficarão com o Brasil”, disse Fearnside, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e um dos mais reconhecidos cientistas do país e um dos mais citados no mundo.

Segundo o cientista, defensores do projeto de ampliação hidrelétricas pouco comentam a respeito dos danos provocados pela construção destas usinas, como invasão de áreas ribeirinhas, indígenas e unidades de conservação.

Amazonas
 
Em entrevista ao acritica.com, Fearnside alertou para o plano de expansão de produção de energia, que prevê a construção de, pelo menos, 13 usinas hidrelétricas na região do rio Tapajós. Estas afetariam não apenas o Estado do Pará, mas também o Amazonas.

“O rio Tapajós é a prioridade do governo. Serão 13 barragens de uma só vez. Isto envolve também impactos no Estado do Amazonas, cuja bacia também vai ser inundada. No Tapajós, vai atingir as populações indígenas, sobretudo os munduruku, e aumentar o efeito estufa, que gera o metano. “Essas hidrelétricas podem ter ainda um impacto pior do que Belo Monte”, alertou Fearnside.

De acordo com um estudo elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), as futuras hidrelétricas construídas na Amazônia vão alagar 4,89 mil quilômetros quadrados de vegetação na região, muitas delas localizadas em unidades protegidas, áreas responsáveis pela preservação dos biomas.

Belo Monte 

Philip Fearnside chama de “ilegal, injusta e loucura” do ponto de vista dos interesses do país a criação da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará.

“Belo Monte, do ponto de vista econômico, não faz sentido. O rio Xingu é muito variado em termos de quantidade água. Não tem água suficiente durante quatro meses para tocar uma única turbina. A teoria do governo é que, quando faltar energia nas usinas do Sul, tem em Belo Monte. Mas o que está fazendo é criar justificativas para fazer mais termoelétricas e uma boa parte delas é para a fabricação de lingotes de alumínio”, disse o cientista.

Fearnside lembrou que muitas empresas favorecidas pela geração de energia vinda de Belo Monte são multinacionais, com sede em países como Japão e China.

“O resto do mundo não quer mais fazer hidrelétrica. É um impacto muito grande. Então, é melhor colocar no Brasil. O  Brasil está perdendo benefícios e ficará com todos os impactos”, analisou.  

Fearnside também chamou de “mentira institucionalizada” o cenário que aponta a construção de apenas uma hidrelétrica no rio Xingu.

“É uma obra de ficção. O plano original era para que fossem seis hidrelétricas. Hoje são quatro, mas ainda assim vão invadir florestas tropicais, comunidades ribeirinhas e áreas indígenas”, disse.

Além do rio Tapajós, outros rios que deverão “receber” obras de usinas hidrelétricas são o Araguaia, Jamanxim e Teles Pires, da divisa do Pará com o Mato Grosso.

Justiça suspende licença parcial para hidrelétrica de Belo Monte

Sem medidas preparatórias nenhuma obra da usina pode ser iniciada 

Ministério Público Federal no Pará
Assessoria de Comunicação
 
A Justiça Federal no Pará determinou hoje (25/02) a suspensão imediata da licença de instalação parcial que permitia o início das obras do canteiro da usina hidrelétrica hidrelétrico de Belo Monte, no rio Xingu (PA). A decisão impede também o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de transferir recursos financeiros à Norte Energia S.A.

O juiz Ronaldo Destêrro, da 9ª Vara da Justiça Federal em Belém, considerou que as condicionantes necessárias segundo o próprio Ibama para o início das obras não foram cumpridas. “Em lugar de o órgão ambiental conduzir o procedimento, acaba por ser a Nesa que, à vista dos seus interesses, suas necessidades e seu cronograma, tem imposto ao Ibama o modo de condução do licenciamento de Belo Monte”, diz o juiz na decisão.

A licença parcial foi concedida em 26 de janeiro. Até então, 29 pré-condições não tinham sido cumpridas, quatro foram realizadas parcialmente e sobre as demais 33 não havia qualquer informação. Entre as pré-condições, tecnicamente chamadas de condicionantes, estão medidas como a recuperação de áreas degradadas, preparo de infraestrutura urbana, iniciativas para garantir a navegabilidade nos rios da região, regularização fundiária de áreas afetadas e programas de apoio a indígenas.

Em 2010, o MPF questionou a Norte Energia sobre o cumprimento das condicionantes. A concessionária pediu ampliação de prazo para dar a resposta, que acabou não apresentando. No dia seguinte à emissão da licença o Ministério Público Federal (MPF) ajuizou a ação contra a medida, denunciando o descumprimento das condicionantes.

"Em todas as etapas do licenciamento o governo federal vem desrespeitando a Constituição e as leis ambientais, com o auxílio do Ibama, que deixou de ser um órgão técnico e agora cede a pressões políticas", denuncia Felício Pontes Jr., um dos procuradores da República autores da ação. "À medida que o tempo passa, mais estudos demonstram que essa obra não se sustenta nem mesmo do ponto de vista econômico. Seria a obra mais cara do país para pouca energia", diz Pontes Jr.

Migração - Estimativas extra-oficiais às quais os procuradores da República tiveram acesso apontam que o simples anúncio da obra, no ano passado, já atraiu cerca de 8 mil pessoas em busca de emprego para a cidade de Altamira, a maior da região. A atração populacional pode causar um colapso nos já precários sistemas de abastecimento, saneamento, saúde e educação, informa o procurador da República em Altamira Cláudio Terre do Amaral.

O procurador da República Ubiratan Cazetta é taxativo: "O início da obra sem as condicionantes provocaria o caos em termos de infra-estrutura na região de Altamira".

O projeto hidrelétrico também motivou o ajuizamento, pelo MPF, de mais outros nove processos, todos por violações à legislação. Em um deles houve sentença transitada em julgado, a favor do MPF. Os outros nove processos aguardam a palavra final da Justiça.

As ações questionam não só o desrespeito às regras do licenciamento ambiental mas também os números apresentados nos estudos do projeto. Entre eles, destaca-se os relativos à quantidade de água que será liberada no trecho de cem quilômetros da Volta Grande do Xingu, por onde o rio não mais passará em virtude de um desvio. Trata-se de uma região onde vivem pelo menos 12 mil famílias e 372 espécies de peixes.

A Eletrobras propõe que a Volta Grande seja irrigada com apenas 4 mil metros cúbicos por segundo. O Ibama diz que deve ser o dobro e que, ainda assim,  haverá o desaparecimento de várias espécies de peixes.

Os peritos do MPF mostraram que nenhum nem outro têm razão. Analisando o volume de água do Xingu na série histórica de 1971 a 2006, comprovaram que as turbinas só geram energia se passarem por elas 14 mil metros cúbicos de água por segundo. Somaram esse volume aos 8 mil metros cúbicos de água por segundo propostos pelo Ibama. Chegaram a 22 mil metros cúbicos de água por segundo.

Nos 35 anos analisados pelo MPF, no entanto, em 70% do tempo o Xingu não foi capaz de atingir esse volume, nem nas épocas de maior cheia. "Os estudos demonstram que não há água suficiente para gerar energia naquela que, se um dia sair do papel, será a obra mais cara do Brasil", ressalta Pontes Jr. "A sociedade precisa ter a chance de discutir seriamente esse projeto".

Sobe para 60 número de golfinhos encontrados mortos na costa do Golfo do México

ANDA

O número de golfinhos mortos encontrados ao longo da costa dos Estados Unidos no Golfo do México desde o mês passado subiu e já chega a quase 60, disse uma cientista que agora busca entender a causa da morte dos mamíferos marítimos.

O órgão do governo norte-americano responsável pelos oceanos considerou as mortes dos golfinhos “um evento incomum de mortalidade”, disse a porta-voz da entidade Blair Mase à Reuters.

“Por causa dessa declaração, muitos recursos devem ser atribuídos para a investigação desse fenômeno”, disse ela.

Apesar de nenhuma das carcaças demonstrar sinais de contaminação por petróleo, todos estavam sendo examinados para possíveis traços dos petroquímicos que vazaram no Golfo do México, após a explosão da plataforma de petróleo da BP em abril de 2010, disseram autoridades.

Onze trabalhadores morreram na explosão, e uma quantidade estimada de 5 milhões de barris de petróleo bruto vazou para o Golfo do México durante mais de três meses.

Até quinta-feira, os restos mortais dos 59 golfinhos, aproximadamente metade deles recém-nascidos ou natimortos, haviam sido descobertos desde 15 de janeiro em ilhas, pântanos e praias ao longo do litoral de cerca de 300 quilômetros de Louisiana até Gulf Shores, no Alabama, disseram autoridades.

Fonte: IG/Reuters

Postos de salvamento da orla vão recolher óleo de cozinha usado e enviar para reciclagem

O Dia

Rio - A partir desta sexta-feira, os cariocas podem descartar óleo de cozinha usado em 14 postos de salvamento entre as praias do Flamengo, na zona sul do Rio de Janeiro, e do Pontal, na zona oeste. A iniciativa faz parte de um projeto desenvolvido pela concessionária Orla Rio, responsável pela operação e manutenção de quiosques e postos de salvamento nas praias da cidade, em parceria com empresas de reciclagem que receberão todo o material coletado.

De acordo com o vice-presidente da concessionária, João Marcelo Barreto, o objetivo é conscientizar a população sobre a necessidade do descarte correto do óleo. Segundo ele, essa já é uma preocupação rotineira em estabelecimentos comerciais, como restaurantes e padarias, mas que ainda encontra pequena adesão nas residências.

“É comum as empresas de reciclagem recolherem o óleo produzido em restaurantes, por exemplo. Mas, nos bairros, não vemos com frequência postos de coleta para os cidadãos que também usam o material na cozinha em suas casas. Então, esse óleo acaba sendo descartado no ralo da pia, causando uma enorme poluição que poderia ser evitada.”.

Barreto explicou que para fazer o descarte, basta levar o óleo reservado em um recipiente consistente, como garrafas PET, até um dos postos com o serviço. No local, uma equipe das empresas de reciclagem vai receber o material e se encarregar do transporte diário.

O vice-presidente da concessionária destacou que cada unidade terá capacidade de recolher 50 litros de óleo por dia. A cada dois litros depositados, quem levar o material ganhará de brinde um produto de limpeza feito a partir do óleo reciclado.

Ele lembrou também que um litro de óleo de cozinha pode contaminar até 1 milhão de litros de água, o equivalente ao consumo de um ser humano por 14 anos. Além disso, ao ser jogado no ralo da pia, contribui para o entupimento das tubulações e a proliferação de ratos, baratas e insetos nas redes de esgoto.

As informações são da Agência Brasil

24 fevereiro 2011

Como o hemisfério norte virou o maior aquecedor da Terra

Alexandre Mansur - Época


Quando a gente publica notícias do derretimento acelerado dos gelos outrora eternos que cobrem o Ártico ou o topo das montanhas, muita gente imagina que isso é só um problema para ursos polares, esquimós e esquiadores. Mas o degelo nesses lugares remotos tem um impacto direto em todo o planeta. As superfícies brancas de neve, que predominam nessas regiões, têm um papel fundamental na regulagem do clima. Elas refletem parte dos raios solares. Se desaparecerem, a luz do sol passará a ser absorvida pelo solo ou pela água do mar (mais escuros), o que ajuda a esquentar a Terra. E é exatamente isso que está acontecendo. Na medida que o aquecimento global reduz a superfície refletiva de gelo e neve, mais radiação solar é absorvida e mais rápido segue o aquecimento, que por sua vez derrete mais gelo e neve. É um dos processos de aceleração descontrolada mais temidos das mudanças climáticas.

Agora, um estudo recente publicado na revista científica Nature Geoscience, conseguiu medir o quanto o derretimento do gelo no hemisfério norte (que tem mais terra firme) influi no aquecimento geral do planeta. Graças ao degelo dos últimos anos, a região passou a despejar mais 100 PetaWatts de energia na Terra. São 100 quatrilhões de watts. É como se o derretimento do gelo tivesse acendido 1.000.000.000.000.000 lâmpadas incandescentes de 100 watts para nos esquentar. Isso equivale a sete vezes toda a energia que a humanidade consome e um ano.

No estudo, a equipe liderada por Mark Flanner, da Universidade de Michigan usaram dados de satélite para medir o quanta superfície reflexiva de gelo foi perdida nos últimos 30 anos. E quanto isso significou em absorção de calor.
A imagem da direita mostra quanta energia o gelo do hemisfério norte refletiu em média entre 1979 e 2008. Quanto mais azul escuro, mais energia foi mandada de volta para o espaço. A Groenlândia reflete mais luz do que qualquer outra área do hemisfério. O segundo grande rebatedor de luz do sol é a camada de gelo sobre o Oceano Ártico. A faixa no meio da Ásia são as geleiras do Himalaia.

A imagem da direita mostra como a capacidade de reflexão mudou entre 1979 e 2008. A parte de azul mais forte passou a refletir mais 8 watts por metro quadrado. A parte com vermelho mais forte passou a absorver mais 8 watts. Como se cada pedaço de terra (antes coberta por gelo) do tamanho de um quarto pequeno ganhasse uma lâmpada de 80 acesa dia e noite, esquentando o planeta. No mapa, dá para ver que o aquecimento é mais intenso no litoral do Ártico, da Groenlândia e no Himalaia, regiões que perderam geleiras rapidamente nos últimos anos.

Multiner inaugura parque eólico Alegria I, no Rio Grande do Norte

Usina foi viabilizada por meio do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa)

Jornal da Energia
Da redação

A Multiner marcou para esta quinta-feira (24/2) a inauguração do parque eólico Alegria I, no município de Guamaré, Rio Grande do Norte. Com capacidade instalada de 51,15MW, a usina recebeu investimentos de R$330 milhões, sendo R$250 milhões financiados pelo Banco do Nordeste Brasileiro (BNB).

A usina já estava em operação comercial desde dezembro de 2010. O projeto contempla ainda um parque anexo, o de Alegria II. Quando as duas usinas estiverem em funcionamento, o complexo será o maior parque eólico da América Latina, com potência de 151,8MW - ultrapassando a usina de Osório, no Rio Grande do Sul, que possui 150MW.

Ambos os parques possuem aerogeradores da dinamarquesa Vestas - sendo 31 máquinas em Alegria I e 61 em Alegria II. Todos os equipamentos já estão no Brasil, sendo que as obras da segunda usina tiveram início no final do ano passado. As plantas foram viabilizadas por meio do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa).

23 fevereiro 2011

Rizicultura drena lagos no Araguaia

Leilane Marinho - O Eco

Parque Nacional do Araguaia (TO) - Atravessar o rio Javaé para a Ilha do Bananal é um alívio. De Lagoa da Confusão, município tocantinense a 203 quilômetros de Palmas, até a travessia são cerca de 50 quilômetros de uma monótona paisagem de arrozais, que se estendem outros tantos quilômetros adentro.

Por sua grande extensão de várzeas proporcionada pela Bacia do Rio Araguaia, a região atrai investidores na produção agrícola e bovicultura. Numa vista aérea da divisa do Parque Nacional do Araguaia (PNA), percebe-se o limite entre exploração e conservação.

A produção é grande. Nesta época de cheia, os lagos transbordam e o rio Javaé, braço menor do Araguaia, avança com fartura inundando as terras e impulsionando a produção dos extensos campos de arrozais, cultivados com implementos agrícolas pulverizados acima do limite proposto por lei. Também é grande o impacto ambiental negativo, contabilizado principalmente pela contaminação dos rios que abastecem as aldeias.

A rizicultura, praticada pelos grandes fazendeiros, bebe das águas dos rios e dos lagos, sugada na maioria dos casos irregularmente. Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), virtualmente todos os empreendimentos operam sem autorização do PNA, pois o Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins), que concede as licenças e outorgas, não tem encaminhado com freqüência os processos de licenciamentos para a anuência da Unidade, conforme estabelecido pela legislação.

Denúncia

No início deste ano, o Ministério Público Federal (MPF) no Tocantins ajuizou denúncia e ação civil pública contra o empresário Natalício Slongo Júnior e a empresa rural Agropecuária Indústria e Comércio Barreira da Cruz Ltda, por causar danos ao meio ambiente na região da Ilha do Bananal e por agir em desacordo com a legislação ambiental.

A Justiça Federal determinou que a empresa interrompa o funcionamento do projeto de agricultura irrigada, até a expedição de licença ambiental. Junto da determinação, o proprietário também deverá demolir toda a área construída em APPs, e apresentar, no prazo de 90 dias, projeto de recuperação do dano causado às áreas atingidas.

O laudo da Polícia Federal aponta que a área está bastante alterada pelas atividades desenvolvidas, principalmente a cultura de arroz irrigado, que motivou a remoção quase completa da vegetação nativa e a drenagem das várzeas. O solo e parte das lagoas foram drenados, e as ipucas, fragmentos florestais importantíssimos para a biodiversidade do local, desmatadas e picotadas por estradas. As pequenas porções destes fragmentos que ainda restam, só não foram destruídas por estarem protegidas pela sua característica natural alagadiça, que impede a entrada dos tratores.

Irregulares

Segundo o MPF, muitas outras fazendas estão sendo investigadas. No início deste mês, 7, foi aberto inquérito civil para investigar a fazenda Dois Rios. Outra denúncia foi contra a fazenda Cacique, situada ao leste da Ilha, no interior da Zona de Amortecimento do PNA.

Esta última, por conta da agricultura de arroz, está sendo acusada de impedir a regeneração da vegetação nativa, fazendo estradas e acampamentos usados por veranistas, dentro da APP, sem a devida licença do órgão ambiental, além de haver indícios de armazenamento irregular de embalagens de agrotóxicos na área.

Com mais de 200 páginas, o procedimento administrativo do MPF que reúne todas as irregularidades no uso de agrotóxico na região, relata uma grande quantidade de fazendas que utilizam o produto indiscriminadamente. Mal armazenado e pulverizado nas margens dos rios, o defensivo agrícola está poluindo as águas e alterando a paisagem local. Mais adiante, estas mesmas águas abastecem as várias aldeias indígenas, como a Boto Velho.

Seca em época de cheia

Assustado com a grande seca que houve no final do ano passado, Passarinho Javaé, 87 anos, da aldeia Boto Velho, aponta no rio Javaé o local onde antigamente subiam metros de água - hoje é uma lama com água rasa. “Aqui era só água. Isto aqui não tinha nessa época não”, conta o ancião, que também reclama da diminuição dos peixes.

Algumas lavouras chegam até o limite do PNA, não respeitam a área circundante de 10 quilômetros do parque. “Há produtor que está fazendo quase que uma transposição do rio. Quantos milhões de metros cúbicos de água eles puxam por dia?”, altera-se Paulo César Huruká Javaé, 37 anos, liderança na aldeia Boto Velho, que diz não “engolir” a prática dos fazendeiros, atribuindo a eles a baixa dos rios. “É claro que isso contribui também. Nós só não tivemos como comprovar ainda o impacto desses canais de irrigação, o que fizeram até agora é superficial”, completa.

Chefe do PNA, Fernando Tizianel, conta que em 2007 foi realizada uma operação nas fazendas e algumas foram embargadas pelos projetos de irrigação irregulares. Por conta das queimadas que consumiram quase metade do Parque no último ano, os agentes da Unidade tiveram que deixar a fiscalização nas fazendas só para 2011.

Lagoas drenadas

Segundo o Plano de Manejo do PNA, moradores do município de Lagoa da Confusão constataram que algumas lagoas próximas de Barreira da Cruz, fazenda denunciada pelo MPF, estão secando. Especula-se que os canais que desviam água do rio Javaé para abastecer as lavouras de arroz irrigado estejam causando esse problema.

Embora não existam dados atuais sobre a estrutura fundiária, a maior parte das terras pertence a médios e grandes proprietários, com propriedades acima de 5 mil ha. A monocultura de arroz ou soja é praticada por grandes proprietários, cuja maior parte da produção é enviada para Goiás e estados do Nordeste.

De acordo com o mesmo Plano, as barragens do rio Formoso para irrigação das lavouras de arroz e a drenagem do rio Javaé para o estabelecimento desta monocultura trarão, em um futuro próximo, fortíssimos impactos negativos para os ecossistemas do Parque e da região, descaracterizando os atributos naturais e ameaçando a manutenção e produção dos recursos hídricos e bióticos.
    

CNA manipula dados de matas e florestas para pressionar por mudanças do Código Florestal

Léa Vaz Cardoso - Eco Debate

A senadora Kátia Abreu (DEM-TO), presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), está em franca campanha pela aprovação do relatório do deputado Aldo Rebelo que cria o Novo Código Florestal brasileiro. Usando dados do IBGE faz parecer que a área de matas e florestas nas propriedades particulares cresceu significativamente, o que não ocorreu.

Nessa batalha, a senadora já conversou com o ministro da agricultura, Wagner Rossi, e com secretários estaduais de agricultura. Os próximos na lista são os secretários estaduais de meio ambiente. Tudo para que convençam suas bancadas no Congresso a votar a favor da proposta de Rebelo. Mas a senadora adota argumentos baseados em um estudo que, supostamente, mostra um crescimento significativo das áreas florestais em terras particulares.

De acordo com a CNA, enquanto as áreas dos estabelecimentos agropecuários aumentaram 32,1% entre 1960 e 2006, as áreas de mata e floresta dentro de propriedades privadas cresceram 72,5%. “Em 46 anos, o crescimento das matas e florestas localizadas dentro de áreas privadas foi mais do que o dobro [em termos proporcionais] do crescimento geral registrado das áreas privadas. Estamos totalmente inseridos no processo de melhoria das condições das matas ciliares, protegendo a água e todas as encostas que estiverem ferindo os aquíferos e rios subterrâneos, porque estas são nossas fontes de vida”, afirma Kátia Abreu.

Após anos consecutivos de desmatamento recorde, como pode a realidade se apresentar tão diferente do senso comum? Olhando de perto os dados usados pela CNA, percebe-se que eles foram manipulados de maneira a induzir a um grave erro de interpretação. Revisando os dados do Censo Agropecuário do IBGE, fonte utilizada pela CNA, percebe-se que o aumento proporcional das áreas de florestas nativas nos imóveis rurais é bem menor do que o que vem sendo alardeado. A proporção de matas e florestas em relação a áreas de estabelecimentos agropecuários (privadas) saiu de 23,19% em 1960 para 29,85% em 2006. Houve, portanto, um crescimento de 6,66% ao invés dos 72,5% alardeados pela CNA.

Muitos poderão alegar que, ainda assim, é um crescimento significativo. Mas é preciso ir além da superfície dos números e qualificar melhor o que estes representam. Cabe lembrar que a expansão da fronteira agrícola a partir dos anos 70 se deu basicamente em regiões florestadas do Cerrado e da Amazônia, locais onde as áreas passíveis de derrubada são menores (na Amazônia desde 1965 deve-se manter 50% da cobertura florestal nativa, percentual que aumentou para 80% em 1998). Nesse sentido, o aumento relativo de matas e florestas em áreas privadas se deu principalmente pela incorporação ao patrimônio privado de áreas públicas florestadas, e não por uma recuperação florestal nos imóveis já existentes. Outro ponto que o estudo da CNA não discute é a redução da proporção de matas e florestas nos imóveis particulares entre 1975 e 2006.

Agropecuários, assim como os demais censos, são autodeclaratórios, e que mudanças nos contextos políticos podem levar a algum tipo de viés nas respostas. Em 1960, por exemplo, havia uma forte pressão pela reforma agrária, o que pode ter contribuído para uma subestimativa das áreas de florestas em favor das lavouras com o objetivo de garantir a posse da terra. Em 2006, a situação já é bem diferente e poucos produtores se arriscariam a declarar que tinham áreas de matas e florestas menores que as estabelecidas pelo Código Florestal.
 
Para além da discussão falaciosa de números, o caminho para resolver o impasse do Código Florestal passa por soluções que reflitam a diversidade socioambiental do país e que busquem inovar tanto nas velhas políticas agrícolas de crédito, seguro e comercialização, tanto como novos mecanismos de valorização dos ativos florestais em propriedade privadas. Dos números, cabe buscar a equação de equilíbrio, do ganha-ganha, onde todos os lados podem se beneficiar e, em especial, os nossos filhos e netos.

Técnica brasileira de fazer chover pode ajudar a combater desertificação

Empresa brasileira apresenta sua técnica para fazer chover em reunião da Convenção de Combate à Desertificação das Nações Unidas. Objetivo é levar o método para outros países.

Revista Ecológica
 
Entre as delegações dos 193 países que participam do encontro da Convenção de Combate à Desertificação das Nações Unidas (UNCCD, na sigla em inglês) em Bonn, na Alemanha, estavam dois brasileiros que querem divulgar sua receita para evitar o aumento das áreas secas.

A reunião em Bonn vai até a próxima sexta-feira (25/02) e é um momento de prestação de contas. "Os governos mostram como estão combatendo a desertificação, quais políticas estão aplicando e os casos bem-sucedidos", disse Heitor Matallo, coordenador da UNCCD na América Latina.

Takeshi e Ricardo Imai, da empresa brasileira ModClima, viajaram a convite do secretário-geral da Convenção, Luc Gnacadja. Eles levaram consigo a experiência de provocar chuvas em áreas pré-determinadas e os sucessos registrados nas regiões de represa em São Paulo e no semiárido nordestino.
 
Nos corredores da sede da reunião, a dupla – pai e filho – ficou conhecida como "aqueles que fazem chover". Nesta terça-feira (22/02), os fundadores da empresa explicaram como descobriram o método de semear nuvens e estimular a precipitação em áreas carentes de chuva. A ModClima tenta agora meios de levar essa expertise para fora do Brasil.

Borrifar gotículas de águas nas nuvens

"Eu era uma pessoa que poluía o planeta e cortava árvores. Mas depois passei a me preocupar de verdade com o planeta e comecei a pesquisar um método totalmente limpo de fazer água cair do céu", diz o inventor Takashi.

O engenheiro mecânico fabricava motosserras e chegou a produzir 73 mil unidades anualmente, mas teve uma crise de consciência ao cortar um jacarandá de 250 anos. Interrompeu a produção do equipamento subitamente, o que o levou à falência.

Takashi foi então procurar a solução nos céus, nas nuvens. E a inspiração para estimular a chuva artificialmente veio de um pesquisador alemão especialista no assunto, Hans Pruppacher. O brasileiro descobriu que borrifar gotículas de água, com um tamanho exato, em nuvens com potencial para chuva estimula a precipitação.

A técnica é aplicada com ajuda de radares adaptados. O pequeno avião da empresa, um bimotor Asteca, leva um tanque de 300 litros de água. Segundo a ModClima, um litro de água semeado nas alturas provoca até 500 mil litros de chuva, o equivalente a 50 caminhões-pipa.

Com o processo, as nuvens aumentam visivelmente de tamanho e a chuva cai sobre a área determinada. Na região do semiárido brasileiro, o índice de eficácia da técnica é de 68%. Ricardo explica que o método criado por seu pai ganhou credibilidade depois da parceria com a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo, a Sabesp.

O resultado da cooperação encheu as represas do sistema Cantareira e Alto Tietê, depois de três contratos com a companhia. Com o risco de extrapolar a capacidade das barragens por causa do volume de água, a parceria foi temporariamente suspensa.

Fora da agenda

Evitar a desertificação, no entanto, é um tópico pouco presente na agenda dos governos. "A Década das Nações Unidas para os Desertos e Luta Contra a Desertificação 2010/2020 tem justamente essa função. Queremos sensibilizar os países, chamar a atenção da comunidade internacional para o problema", pontua Heitor Matallo.

Segundo dados da ONU, mais de 2 bilhões de pessoas vivem em áreas vulneráveis de solo seco. O avanço desse cenário é preocupante em mais de cem países do globo: a desertificação é um risco presente em 33% da superfície da Terra, em zonas áridas e semiáridas.

"Nós temos muita água no céu. O nosso desafio é fazer essa água cair no solo", comenta Takashi, que já fez mais de cem voos em dez anos de aperfeiçoamento da técnica de fazer chover.

Segundo os Imai, o processo pode ser aplicado com sucesso em outras regiões do mundo, em épocas propícias. Questionado sobre a possibilidade de trabalhar em parceria com países africanos pelo representante de uma ONG de Moçambique, Ricardo respondeu: "O nosso objetivo agora é aplicar a técnica em outros lugares do mundo, com base no nosso sucesso no Brasil."

Fonte: Deutsche Welle - Autora: Nádia Pontes

Suzlon anuncia intenção de instalar fábrica no Ceará

Fabricante de turbinas eólicas começa negociações para ter unidade em Fortaleza

Jornal da Energia - Da redação

A indiana Suzlon, que atua na produção de aerogeradores, anunciou nesta quarta-feira (23/2) que pretende instalar uma fábrica no Ceará. O presidente da companhia no Brasil, Arthur Laviere, esteve reunido com o governador do Estado, Cid Gomes, para tratar do negócio, que visa uma unidade na região metropolitana de Fortaleza. Após falar com o governador, Laviere teve audiência com o presidente do Conselho de Desenvolvimento Econômico (Cede) local, Ivan Bezerra.

"A ideia é expandir nossos negócios em território cearense; afinal de contas, 170 dos nossos 200 funcionários estão aqui", revelou o presidente da Suzlon. Lavieri também lembrou que, das 183 turbinas eólicas fabricadas pela empresa para o Brasil, mais de 170 estão no Ceará.

"A empresa deverá decidir em qual município deseja se instalar para que o governo do Estado dê andamento aos trâmites necessários e viabilize o início de suas operações o mais rápido possível", explicou Bezerra, do Cede.

A previsão é de que a unidade entre em operação em fevereiro de 2012, com cerca de 100 profissionais contratados. O compromisso é para que a mão-de-obra seja da própria cidade em que a planta será instalada. Com essa ideia, o governo do Estado afirma que já tem planos para capacitar pessoal na região.

Imazon aponta aumento no desmatamento da Amazônia

Do UOL Notícias
Em São Paulo 

A organização não-governamental Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia) divulgou nesta quarta-feira (23) relatório anual que aponta um aumento de 22% no desmatamento da chamada Amazônia Legal. O percentual é relativo a janeiro de 2011, quando foram registrados 83 quilômetros quadrados de desmatamento, em relação a janeiro de 2010, quando o desmatamento atingiu 68 quilômetros quadrados.

Segundo o Imazon --que faz um monitoramento paralelo ao do governo federal--, em dezembro de 2010, o Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) detectou 175 quilômetros quadrados de desmatamento na Amazônia Legal. Isso representou um aumento de 994% em relação a dezembro de 2009, quando o desmatamento somava 16 quilômetros quadrados.

Tanto em dezembro de 2010 quanto em janeiro de 2011 o Imazon monitorou com o SAD somente 30% da área florestal na Amazônia. Os outros 70% estavam cobertos por nuvem, o que dificultou o monitoramento na região principalmente no Amapá, Pará e Acre, os quais tiveram mais de 80% da área florestal coberto por nuvens. Em virtude disso, diz a ONG, os dados de desmatamento e degradação em novembro podem estar subestimados.

De agosto de 2010 a janeiro de 2011, o desmatamento totalizou 858 quilômetros quadrados. Houve um ligeiro aumento de 3% em relação ao mesmo período anterior (agosto de 2009 a janeiro de 2010) quando o desmatamento somou 836 quilômetros quadrados.

As florestas degradadas na Amazônia Legal somaram 541 quilômetros quadrados em dezembro de 2010. Em comparação a dezembro de 2009, quando a degradação somou somente 11 quilômetros quadrados, houve um aumento extremamente expressivo de 4.818%.
 
Ainda segundo o Imazon, em relação a janeiro de 2011, a degradação florestal atingiu 376 quilômetros quadrados. Isso representou um aumento de 637% em relação a janeiro de 2010 quando a degradação florestal foi de 51 quilômetros quadrados.

A degradação florestal acumulada no período de agosto de 2010 a janeiro de 2011 totalizou 3.722 quilômetros quadrados. Isso representou um aumento expressivo (338%) em relação ao período anterior (agosto de 2009 a janeiro de 2010) quando a degradação florestal somou 850 quilômetros quadrados.

O carbono florestal comprometido pelo desmatamento no período de agosto de 2010 a janeiro de 2011 (seis primeiros meses do atual calendário de desmatamento) foi de 13,9 milhões de toneladas, ou seja, cerca de 51 milhões de toneladas de C02 equivalente. Isso representa uma redução de 5,2% em relação ao período anterior (agosto de 2009 a janeiro de 2010) quando o carbono florestal afetado pelo desmatamento foi cerca de 47 milhões de toneladas de C02 equivalente.

22 fevereiro 2011

Número de mortos por terremoto na Nova Zelândia chega a 75; há 300 desaparecidos

Do UOL Notícias*
Em São Paulo 

Um novo balanço divulgado na noite desta terça-feira (22) mostra que o número de mortos após um terremoto de 6,3 pontos na Nova Zelândia deixou 75 mortos e 300 desaparecidos. O tremor atingiu Christchurch, a segunda maior cidade do país. O novo balanço foi divulgado pelo prefeito da cidade, Bob Parker.
O terremoto de magnitude 6,3 ocorreu às 12h51 de terça-feira (20h51 de Brasília de segunda-feira) a 5 km da cidade e a apenas 4 km de profundidade, segundo o Instituto de Geofísica dos Estados Unidos (USGS). Vários tremores se seguiram, alguns com 5,6 graus de intensidade.

Em 4 de setembro de 2010, Christchurch havia sido atingida por um terremoto de magnitude 7 que não deixou mortos, mas causou destruições consideráveis, a cerca de 50 km da cidade.

Mas o terremoto desta terça-feira provocou muito mais destruição. Testemunhas relatam que o tremor derrubou vários prédios e abriu crateras nas estradas. Há também registro de incêndios e pessoas presas em imóveis.

A maior parte da cidade está sem energia elétrica e com problemas nos sistemas de telefonia fixa e móvel. Segundo testemunhas, entre os edifícios mais danificados estão o das câmaras provinciais e o que alojava o jornal local "The Press".

O aeroporto da cidade foi fechado e a polícia está evacuando o centro da cidade, onde dois ônibus foram soterrados e vários prédios, que já estavam fragilizados pelo abalo de setembro passado, podem desabar.
 
As autoridades montaram centros de ajuda em pelo menos seis colégios públicos e mobilizaram cerca de mil membros da polícia e do Exército para evitar saques.

*Com informações das agências de notícias

21 fevereiro 2011

Açailândia, MA: Mais de 300 famílias estavam vivendo em meio à poluição causada pelas indústrias siderúrgicas

MP garante a aquisição de terreno para o reassentamento dos moradores de Pequiá de Baixo

Michèle Cerveira, MP/MA - Ecodebate
 
Devido aos problemas de poluição ambiental causados pelas empresas siderúrgicas em Açailândia, o Ministério Público do Maranhão provocou mais uma reunião, quinta-feira, 16, com representantes do Sindicato das Indústrias de Ferro Gusa (SIFEMA), e de moradores do povoado de Pequiá de baixo para a aceleração das discussões no processo de aquisição de um novo terreno para o reassentamento de mais de 300 famílias.

Durante a reunião registrada em ata, o SIFEMA se comprometeu em adquirir o terreno correspondente à área do “Sítio São João”, com 38.4410 hectares, localizado na BR 222, Km 08, no sentido Açailândia/Pequiá. A área já foi avaliada pelo CREA e atende às necessidades da comunidade.

De acordo com o promotor de Justiça Gleudson Malheiros Guimarães, que atualmente responde pela 2ª Promotoria de Justiça de Açailândia, a realização da compra e venda do terreno destinado para a transposição da referida comunidade está agendada para o dia 22 de março, às 10h, na sede da promotoria do município.

“O Ministério Público vai entrar em contato com o proprietário do terreno mediante notificação a fim de investigar seu interesse pela venda no valor estipulado, bem como providenciar a documentação necessária para a venda do terreno e, consequentemente, para a compra do mesmo pelo SIFEMA”, afirmou o promotor.

Participaram da reunião o presidente e o assessor do SIFEMA, respectivamente, Cláudio Azevedo e Marcos Souza, o advogado Danilo Chammas, o presidente da Associação de Moradores, Edvard Dantas Cardeal e outros representantes da comunidade.

Audiência Pública do MPMA

No dia 14 de setembro de 2010, a procuradora-geral de Justiça, Maria de Fátima Rodrigues Travassos Cordeiro, presidiu uma audiência pública na Câmara dos Vereadores de Açailândia, com o objetivo de buscar soluções imediatas às famílias de Pequiá de Baixo em detrimento das condições inadequadas de moradia devido à poluição das indústrias de ferro-gusa fixadas no local.

Na oportunidade, o Ministério Público assumiu o compromisso com a população de Pequiá de Baixo em encontrar solução emergencial para esse problema e concretizar o reassetamento dos moradores em outra área.

Depois da definição da aquisição do terreno “Sítio São João”, a Procuradora-geral Fátima Travassos enfatizou que “a dignidade dos moradores de Pequiá de Baixo está sendo devolvida a eles depois de tanto tempo sendo negligenciados pelo poder público. No entanto, foi fundamental a união de esforços para reverter o cenário de sofrimento, já que o local da moradia dessas famílias tornou-se impóprio devido à poluição. A aquisição de uma nova área para a transposição da comunidade reforça ainda mais o dever da instituição de proteger a sociedade”. Os trabalhos do Ministério Público no sentido de encontrar uma solução para os problemas ambientais enfrentados pela população do Pequiá de Baixo foram iniciados em 2008 pelo promotor titular da comarca de Açailândia Leonardo Tupinambá.

O governo brasileiro está preocupado com a repercussão internacional de Belo Monte

Nádia Pontes - Agência Deutsche Welle

Ministério Público aponta irregularidades e questiona viabilidade da hidrelétrica, que é vista com desconfiança no exterior. Já governo brasileiro defende que a obra tem que sair e diz que sociedade local apoia projeto.

O governo brasileiro está preocupado com a repercussão internacional de Belo Monte. Diante de todas as críticas que acompanham a construção da usina hidrelétrica no rio Xingu, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), ligada ao Ministério de Minas e Energia, convocou a imprensa estrangeira para dar esclarecimentos sobre o empreendimento.

Atualmente, há dez processos na Justiça brasileira que questionam a maneira como o projeto está sendo conduzido pelo governo. Entre as queixas estão denúncias de irregularidades no licenciamento ambiental e desrespeito aos direitos das comunidades tradicionais e indígenas, além da viabilidade da usina.

Questionado pela Deutsche Welle sobre essas contestações judiciárias, Maurício Tolmasquim, presidente da EPE, rebateu: “Belo Monte é o resultado da participação social local”. E recorreu aos números: foram realizadas diversas reuniões, oficinas, fóruns técnicos, encontros com indígenas, famílias locais e audiências públicas.

A conclusão: “O Brasil é um país democrático, onde é importante haver essa discussão. Mas, alguma hora, a decisão tem que ser tomada. Depois de ouvidas todas as partes, o projeto foi bastante alterado por causa da opinião da população local”, adicionou Tolmasquim.

Há controvérsias

O movimento Xingu Vivo Para Sempre não se sente incluído dessa forma. “Essa afirmação é mais uma tentativa do governo de tentar fazer com que as pessoas acreditem que esse é um processo participativo, democrático, transparente. É quase uma tentativa de fazer uma lavagem cerebral nas pessoas que estão de fora, que não acompanham o debate”, contra-argumenta Renata Soares Pinheiro, uma das coordenadoras do movimento.

O grupo reúne mais de 250 organizações e movimentos sociais e ambientalistas da região de influência do projeto da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, que historicamente se opuseram à sua instalação no rio Xingu.

“E isso tudo é usado contra nós, como se estivéssemos validando esse processo pelo fato de estamos indo a esses eventos organizados pelo governo. Vamos para mostrar o nosso descontentamento. E o governo faz publicidade como se fosse uma forma de participação. Mas não é. Porque nossas demandas, os direitos das pessoas que serão atingidas não estão sendo levados em consideração”, acusa Pinheiro.

Representantes da entidade chegaram a encaminhar uma petição à Corte Interamericana dos Direitos Humanos, apontando o descumprimento da legislação brasileira quanto à consulta dos povos indígenas sobre a construção da usina.

A polêmica é minimizada pelo presidente do órgão ligado ao Ministério de Minas e Energia: “Como em qualquer processo, ao final ainda existe uma pequena minoria que não quer usina nenhuma, e que esteja disposta a odiá-la. Mas, como em qualquer sociedade democrática, isso não pode impedir o governo de dar uma solução final que seja importante para o país e para a própria região”, pontua Maurício Tolmasquim.

Riscos de a usina não sair

O empreendimento obteve em janeiro a licença de instalação parcial, concedida pelo Ibama, que autoriza a instalação do canteiro e outras obras preparatórias. Por considerar tal licença ilegal, o Ministério Público Federal do Pará entrou com uma nova ação contra Belo Monte, alegando que as condicionantes previstas na licença prévia não estão sendo cumpridas.

Para Maurício Tolmasquim , no entanto, o projeto tem fundamentação suficiente para não ser barrado pela Justiça. “Mas, como em qualquer processo jurídico, a palavra final é do Judiciário. No entanto consideramos que o dossiê Belo Monte seja favorável o suficiente para que haja uma decisão favorável. E estamos confiantes.”

Belo Monte é uma das principais obras do Programa de Aceleração do Crescimento e deve ser concluída até o começo de 2015, com potência instalada prevista de 11,2 mil megawatts. Questionado sobre o possível atraso das obras devido aos processos que tramitam na Justiça, o presidente da EPE diz que o abastecimento nacional de energia está seguro.

“O país tem um excedente médio até 2014 de 5 mil megawatts, considerando uma taxa de crescimento do Produto Interno Bruto de 5% ao ano”, exemplifica Tolmasquim.

Estratégia brasileira

A construção da usina é a única saída para o futuro do abastecimento brasileiro? “O Brasil considera que é necessário usar várias alternativas para a geração de energia elétrica, e Belo Monte é apenas uma delas”, respondeu à Deutsche Welle o presidente da EPE.

Tolmasquim destaca a importância do projeto no Xingu, mas diz que há outras fontes que também fazem parte da oferta de energia no país. “O Brasil é afortunado porque pode usar a energia hídrica, a dos ventos e a da biomassa de forma complementar. Na Europa, quando os ventos não sopram, a energia é complementada com termelétricas”, adicionou.

Nivalde de Castro, coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico da Universidade Federal do Rio de Janeiro, ressalta que o Brasil prioriza a exploração do seu potencial hidroelétrico, estimado em cerca de 150 mil megawatts.

“Por ser totalmente nacional, o único risco é o hidrológico (chover ou não), seu impacto ambiental é localizado e o Brasil desenvolve , em velocidade surpreendente, novas tecnologias para mitigar os impactos ambientais, sociais e econômicos. E essa é hoje a energia elétrica mais barata obtida no mundo, situando-se em torno de U$ 45 o MW/h”, analisa o especialista.

Sobre Belo Monte, Castro dá destaque à construção do reservatório com a construção de uma central do tipo fio d’água, com redução do espaço alagado e as turbinas do tipo bulbo – que ficam deitadas e são acionadas pelo movimento-fluxo das águas do rio.

“Esta central hidrelétrica irá beneficiar mais de 10 milhões de famílias pelos próximos 50 anos ao menor custo do MW/h em construção no mundo atual. Qualquer país do mundo que tivesse este potencial ao seu dispor a este custo – que iria beneficiar uma quantidade tão grande de famílias, por um prazo tão longo, adotando práticas ambientais rigorosas – teria tomado a decisão de política energética que o Brasil tomou: construir Belo Monte”, conclui Nivalde de Castro.

Autora: Nádia Pontes
Revisão: Roselaine Wandscheer
Reportagem da Agência Deutsche Welle, publicada pelo EcoDebate