03 dezembro 2010

Cidades são as maiores causadoras do efeito estufa, diz Banco Mundial

Lilian Ferreira
Do UOL Ciência e Saúde
Em Cancún (México)
 
Cidades são responsáveis por 80% da emissão global dos gases do efeito estufa e também sofrem grande impacto das mudanças climáticas, segundo estudo do Banco Mundial, divulgado nesta sexta-feira (3), na COP-16, Conferência do Clima, em Cancun, no México.

Mais de 50% da população do mundo vive em áreas urbanas. Juntas, as 50 maiores cidades emitem 2,6 bilhões de gases do efeito estufa (o terceiro maior, após EUA e China).

De acordo com o relatório, até 80% dos U$ 100 bilhões (destinados para a adaptação às mudanças) serão aplicados em áreas urbanas. E a aplicação deste dinheiro deve ser agora para construir infraestruturas e prédios que lancem menos gases e que estejam menos vulneráveis a fortes chuvas, enchentes, ondas de calor e aumento do nível do mar.

“Muitas cidades como Nova York, Cidade do México ou São Paulo não estão esperando um acordo global, elas já estão agindo”, disse Andrew Steer, enviado especial do Banco Mundial para Mudanças Climáticas. São Paulo e Rio, por exemplo, têm uma emissão de CO2 per capita menor do que 2,1 toneladas.

Para ele, estas cidades já estão mostrando como lidar com a redução das emissões e como se adaptar às mudanças com o fornecimento de serviços urbanos básicos que ajudam a combater a pobreza com boas ideias e iniciativas locais.

Entretanto, o órgão destaca que as cidades precisam de apoio nacional e internacional para desenvolver comunidades mais sustentáveis e que as cidades devem se juntar em organizações para obter ajuda. O Banco Mundial afirma que, em parceria com a ONU, desenvolveu um plano para dar melhor assistência às cidades e mais rapidamente.

Alternativa

Uma alternativa para diminuir os efeitos do aquecimento global nas cidades, proposto pelo ambientalista dinamarquês Bjorn Lomborg, é pintar prédios e estradas de branco. A cor clara reflete mais os raios solares e com isso ajudaria a diminuir o efeito das ilhas de calor geradas pelas cidades.

02 dezembro 2010

Mortes por causas climáticas dobram em 2010

Livia Aguiar - SuperInteressante

No ano passado, 10 mil vidas foram perdidas em desastres climáticos. Nos primeiros nove meses de 2010, este número mais que dobrou: 21 mil mortes, segundo relatório da Oxfam, organização humanitária internacional.

O documento, intitulado “Agora, mais que nunca: negociações sobre o clima que funcionem para quem mais precisa delas”, foi lançado ontem, 29, primeiro dia da COP16 – Conferência da Convenção da ONU sobre Mudanças Climáticas, da qual participam representantes de 194 partes (193 países + União Europeia).

“Cancún (onde ocorre a COP16) não vai ver os governos cruzarem a linha de chegada (que é desaceleração das mudanças climáticas), mas eles podem dar passos vitais para trazer essa linha de volta à vista”, diz o relatório, com esperança.

Infelizmente, o resto do documento é bastante desalentador:

- 2010 já viu o menor nível de água do Rio Negro, na bacia do Amazonas;
- as temperaturas mais altas já alcançadas na Ásia (53,7ºC), na Rússia;
- inundações que mataram mais de 2 mil pessoas no Paquistão;
- o terceiro nível de gelo mais baixo do oceano Ártico
- inundações na China que afetaram 140 milhões de pessoas (com secas igualmente severas, que atingiram 51 milhões de chineses).

Se barrar o aquecimento global por completo é impossível, subir apenas dois graus na temperatura (que é a meta firmada na COP15, no ano passado em Copenhague) parece igualmente utópico. Mas o relatório da Oxfam acredita que há como reverter essas mudanças climáticas e apresenta três frentes de atuação que considera mais importantes: 

1. Estabelecimento de um fundo global para o clima, destinado às pessoas pobres, especialmente mulheres, como carro-chefe do progresso sobre o financiamento do clima; 

2. O fim de compromissos de mitigação dos países desenvolvidos e aceitação de que eles não serão suficientes para mandar o aquecimento global abaixo de 1,5ºC – e fazer algo a respeito; 

3. Chegar a um consenso para um acordo abrangente que seja compreensivo, justo, ambicioso e que comprometa a todos, tanto para o Protocolo de Kyoto e Ação de Cooperação de Longo Prazo (AWG-LCA).

Um único dólar investido em adaptação economiza 60 dólares em contenção de danos, informa o documento. “Os países devem identificar novas formas de arrecadar bilhões de dólares necessários, como impondo tarifas sobre as emissões não-reguladas da aviação e da navegação internacionais, e aceitando uma Taxa de Transações Financeiras sobre os bancos”, sugere Tim Gore, autor do relatório, em nota no site da Oxfam.

Reduzir a temperatura da Terra é praticamente impossível (e muito, muito caro). Por isso, é preciso deixar os egos de lado e atuar em conjunto para que isso não aconteça. Parece fácil?

Relatório afirma que obras de hidrelétricas violam direitos humanos

Governo rebate críticas do documento e afirma que não há dados técnicos para comprovar acusações

Jornal da Energia
Da redação, com informações da Agência Brasil

O Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH), ligado à Secretaria de Direitos Humanos (SDH) da Presidência da República, considera que 16 direitos humanos das populações atingidas por barragens foram “sistematicamente” violados na construção de hidrelétricas. Entre eles estão os direitos à informação e à participação, à plena reparação de perda, de ir e vir, de grupos vulneráveis à proteção especial, além dos direitos à educação, saúde, ao ambiente saudável e à moradia adequada.

A violação de direitos foi descrita em relatório feito por comissão especial do CDDPH, aprovado na última reunião do conselho, realizada em Campo Grande (MS) na semana passada. De acordo com o documento, “o padrão vigente de implantação de barragens tem propiciado de maneira recorrente graves violações de direitos humanos, cujas consequências acabam por acentuar as graves desigualdades sociais, traduzindo-se em situações de miséria e desestruturação social, familiar e individual”.

O documento faz mais de 100 recomendações aos governos federal e estaduais (responsáveis pelos licenciamentos ambientais) e aos construtores de hidrelétricas e considera que “a estrutura legal e normativa brasileira contém vários dispositivos de proteção aos direitos humanos das populações e dos indivíduos atingidos pela implantação de barragens" e aponta diversas "limitações, omissões ou insuficiências no sistema normativo existente”.

A CDDPH criou a comissão especial após ser provocado pelo Movimento de Atingidos por Barragens (MAB) em março de 2006, quando foram apresentadas 74 denúncias de supostas violações de direitos humanos. A comissão selecionou sete barragens para fazer o trabalho de campo e entrevistas com atingidos e empreendedores: Tucuruí (PA), Fumaça (MG), Foz do Chapecó (SC/RS), Emboque (MG), Cana Brava (GO), Aimorés (MG/ES) e o Açude Acauã (PB).

A aprovação do relatório foi recebida com restrições pelos ministérios de Minas e Energia (MME) e do Meio Ambiente (MMA). O documento traz anexadas as ressalvas do MME, que reclama da generalização do texto e afirma que não houve nenhuma apuração antes de as denúncias virem a público. “Considera-se que nenhuma das denúncias recebidas foi tecnicamente apurada”, aponta o ministério, que também assinala que “não houve qualquer verificação sobre desdobramentos judiciais das denúncias, muitas delas consideradas improcedentes”. Segundo o MME, “as denúncias apresentadas correspondem, em grande parte, a descontentamentos e frustrações diante dos processos de negociação. Poucas denúncias se atêm a fatos de violação de direitos”.

Conforme o anexo do relatório, a construção de barragem segue as condicionantes do licenciamento ambiental feito pelo Ibama ou por órgãos estaduais do setor. De acordo com o MME, pelo menos 33 condições costumam ser impostas aos licenciamentos, como a prestação de serviço médico e assistência agrônoma, a ampliação de escolas e a criação de programas de geração de renda.

O ministério lembra que as populações atingidas pela construção de barragens são beneficiadas por programas sociais, como a educação de jovens e adultos para 3,5 mil agricultores, o crédito de mais de R$ 323 milhões para a agricultura familiar, além da distribuição de cestas básicas, entre outros projetos.

O MME participou da comissão especial designada pelo CDDPH para apurar as denúncias do MAB, mas reclama que prevaleceu na comissão responsável pela apuração das denúncias “invariavelmente a posição de integrantes externos ao governo”.

Além do MME, estavam representadas na comissão o Ministério do Meio Ambiente, o Ministério Público Federal, o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro e o MAB.

Para o MMA, que também faz ressalvas ao relatório, “algumas afirmações peremptórias requereriam um cuidado maior em sua enunciação. Em particular, as afirmações referentes à coação e ao constrangimento de pessoas, bem como à sonegação, omissão e ao falseamento de informações, que não podem ser feitas sem o devido processo legal”.

O Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB) divulgou carta elogiando o relatório do CDDPH e a publicação do Decreto 7.342, da Presidência da República, que determina a criação do cadastro socioeconômico para identificação da população afetada pelas hidrelétricas.

BNDES libera R$ 33 mi para transformar lixo urbano em energia em SP

Mônica Bergamo - Folha de SP

O BNDES aprovou financiamento inédito de R$ 33 milhões para transformar lixo urbano em energia. A empresa beneficiada coletará até mil toneladas de resíduos por dia, nas regiões metropolitanas de São Paulo e Campinas. Reciclado, o combustível será usado em fornos de usinas de cimento e álcool.

01 dezembro 2010

Brasil economizaria até R$ 1 trilhão se adotasse fontes renováveis de energia, diz Greenpeace

Lilian Ferreira
Do UOL Ciência e Saúde

Em Cancun, no México

“O Brasil pode crescer e gerar mais empregos se apostar em energia renovável no futuro”, diz Ricardo Baitelo, coordenador da campanha de energia do Greenpeace. A ONG ambientalista lançou durante a COP-16, Conferência do Clima, que ocorre até 10 de dezembro, em Cancún, no México, a 2ª edição do relatório “Revolução Energética”.

Segundo a ONG, até 2050, mesmo com a economia crescente, 93% da eletricidade do país pode vir de fontes renováveis de energia, como a solar, eólica e biomassa. Assim, seria possível economizar de R$ 100 bilhões a R$ 1 trilhão neste período.

Em emissões de gases o negócio seria ainda melhor: de 147 milhões de toneladas de CO2 (se os planos de investir em combustíveis fósseis continuarem) para 23 milhões, em 2050 --menos do que é hoje.

Baitelo explica que mesmo com a descoberta de reservas de petróleo no país, esta não seria uma fonte rentável para produção de energia interna, já que custaria mais caro do que a eólica, por exemplo. “A energia nuclear também não é uma saída porque seu impacto ambiental final não compensa e, como as hidrelétricas vão atingir seu teto de fornecimento de energia, precisamos investir para baratear fontes renováveis para não ficarmos dependentes de algo que pode acabar”.

Hoje, o MW por hora da energia eólica é competitivo e chega a R$ 130 ou R$ 140, bem próximo do valor das hidrelétricas que fica de R$ 100 a R$ 120. O grande susto é a energia solar que custa de R$ 500 a R$ 1.000 o MW/h. Por isso, investir em tecnologias nacionais é importante para diminuir este custo e permitir sua disseminação.

Para o ambientalista, a diversificação da matriz energética é um ponto chave: “Se faltar chuva para as hidrelétricas, o governo vai apelar para combustíveis fósseis se não tivermos alternativas”, destaca.

Além disso, 3 milhões de empregos seriam criados para o desenvolvimento e produção de materiais e tecnologia para estas novas matrizes.

“O desenvolvimento de tecnologia eólica no Brasil, por exemplo, é essencial para termos uma maior eficiência neste tipo de gerador. Assim, conseguiria-se mais energia com a mesma quantidade de vento, adaptando o gerador para nossos padrões. E ainda poderíamos exportar esse conhecimento para países que possuem características semelhantes, como a África”, explica Baitelo.

Na projeção do Greenpeace, o Brasil chegaria em 2050 com 45,6% da energia sendo fornecida por hidrelétricas, principalmente pequenas centrais, para reduzir o impacto ambiental. A energia eólica pode atingir 20,38%, a biomassa, 16,6%, a energia solar, 9,26%, e o gás natural (necessário por um período de transição), 7,3%.

Este cenário considera apenas 10% do potencial eólico do país e 1% do solar, mas está distante do modelo atual do governo. Seguindo o ritmo de hoje, em 2050, teríamos 56,31% da energia gerada pela água, 22% de combustíveis fósseis (gás, óleo combustível e carvão), 6,32% de eólica e irrisórios 0,8% de energia solar, de acordo com o relatório.

30 novembro 2010

Brasil pode ter 93% de energia renovável até 2050, calcula ONG

Portal ORM

A organização não governamental Greenpeace lançou nesta terça-feira (30) na Conferência do Clima da ONU (COP 16), em Cancún, um estudo em que aponta ser economicamente viável que o Brasil tenha 93% da sua matriz energética baseada em fontes renováveis até 2050. Os 7% restantes seriam de gás natural, uma fonte de transição até que a matriz brasileira seja convertida em 100% renovável, ainda no século 21. O estudo foi feito em parceria com o Conselho Europeu de Energia Renovável (Erec).

As modalidades incluídas pelo Greenpeace nessa projeção são a hidrelétrica, eólica, de biomassa, solar e oceânica (geração a partir da força das marés). Segundo o coordenador da campanha de energias renováveis do Greenpeace no Brasil, Ricardo Baitelo, a decisão por aderir ou não a essa 'revolução energética' é política.

O relatório da organização projeta que, principalmente a partir da década de 2040, os custos das energias não renováveis e renováveis vão se descolar, sendo que o segundo tipo vai cair por causa do barateamento das tecnologias, enquanto que os combustíveis fósseis terão preço progressivamente maior na medida em que as fontes planetárias se esgotam.

A projeção do Greenpeace conclui que o custo do Megawatt-hora num cenário de 'revolução energética' no Brasil deve se estabilizar em R$ 120 até 2050, enquanto que, se mantido o cenário de referência atualmente usado pelo governo, que inclui mais de 20% de termelétricas a gás e óleo, o preço deve estar em R$ 176. Para fazer o cálculo, partiu-se da premissa de que, com a adoção de valores para as emissões de carbono, o custo do uso de combustíveis fósseis deve aumentar.

Fonte: G1

Temperaturas fogem do controle

Já é impossível aquecimento de 2ºC

Planeta Sustentável

Uma equipe de cientistas acaba de pintar um retrato infernal de um aquecimento global de 4C na próxima geração. Eles dizem que o progresso agonizantemente lento das conversas sobre a mudança do clima, que recomeçaram ontem em Cancún, tornam impossível manter o limite seguro de aquecimento na taxa dos 2C. Um aquecimento de 4C causaria, entre outras coisas, secas severas pelo mundo e a migração de milhões de pessoas que teriam seus suprimentos de alimentos ameaçados.

"Há pouca ou nenhuma chance de manter o aumento as temperaturas globais de superfície abaixo dos dois graus, apesar de repetidas declarações de alto nível dizendo o contrário", afirmou Kevin Anderson, da Universidade de Manchester, Inglaterra, que junto com sua colega Alice Bows colaborou com pesquisas, para uma coleção especial de relatórios da Royal Society que serão divulgados hoje, informa o Guardian.

A modelagem dos cientistas leva em consideração a tonelagem das emissões, e não reduções percentuais, e separa as emissões previstas de países ricos e de economias em desenvolvimento de crescimento acelerado, como a China.

"2010 significa um ponto de virada político", diz Anderson, que acrescenta no documento: "Este estudo não pretende ser uma mensagem fútil, e sim uma avaliação crua e brutal de para onde nossas idéias róseas e nossa abordagem bem intencionada nos levaram. Esperança e oportunidade, se forem surgir, virão de uma avaliação nua e desapaixonada da escala do desafio para a comunidade global".

Rachel Warren, da University de East Anglia, Inglaterra, descreveu o mundo de mais 4C em seu relatório de pesquisa: "Seca e desertificação serão disseminadas. Haverá necessidade de deslocamento da agricultura para outras áreas, prejudicando ecossistemas selvagens. Sistemas humanos e naturais estarão expostos a um nível crescente de pestes agrícolas e doenças, e a um aumento da ocorrência de eventos extremos do clima. Os limites para a adaptação humana serão superados em muitas partes do mundo".

A velocidade, assim como o tamanho do aquecimento global, será também crucial, advertiram cientistas da Universidade de Oxford. "Mudanças de clima perigosas dependem de quão rápido o planeta se aquece, e não apenas de o quanto se aquece", afirma Myles Allen, do departamento de física da Universidade.