23 novembro 2010

China admite ser o maior emissor de CO2 do mundo

Agostinho Vieira - O Globo

A China admitiu hoje que é o maior emissor global de gases do efeito estufa, confirmando o que cientistas já diziam há anos, mas defendeu o seu direito de continuar aumentando suas emissões. Xie Zhenhua, principal negociador climático chinês, fez esse comentário ao explicar qual será a posição do seu país na próxima conferência da ONU sobre o tema, que começa na próxima segunda-feira em Cancún, no México.

Cientistas e entidades internacionais dizem desde 2006 que a China superou os EUA como maior emissor mundial de dióxido de carbono e outros gases do efeito estufa. Até agora a China se esquivava, dizendo que era preciso mais avaliações, e que seria mais justo levar em conta as emissões per capita. Mas, na entrevista coletiva em Pequim, Xie admitiu: "Agora estamos como número 1 do mundo em termos de volumes de emissões."

Ele argumentou, no entanto, que ao longo do tempo os países ricos emitiram mais gases de efeito estufa, e que por isso deveriam fazer cortes mais profundos, permitindo aos países pobres que continuassem tendo margem para novas emissões, e para mais crescimento econômico.

- A China está dando passos na esperança de que possamos chegar ao auge (das emissões) assim que possível -  afirmou.

Os comentários de Xie não apareceram na transcrição da entrevista coletiva no site do governo (www.gov.cn) nem nos relatos da agência oficial de notícias Xinhua. A China, que não tem divulgado estatísticas recentes sobre suas emissões, se comprometeu a reduzir não o volume total de emissões, e sim a "intensidade de carbono" - ou seja, as emissões de gases por cada dólar gerado na economia.

Segundo a empresa BP, as emissões chinesas de dióxido de carbono atingiram 7,5 bilhões de toneladas em 2009, um aumento de 9 por cento em relação ao ano anterior. O volume representa 24 por cento das emissões mundiais no ano passado. Divergências entre países ricos e pobres são o principal entrave à adoção de um novo tratado climático global.

 A China e outros grandes países emergentes rejeitam limites obrigatórios às suas emissões. No mês passado, o negociador climático dos EUA, Todd Stern, defendeu um "novo paradigma" nas discussões, argumentando que os países desenvolvidos atualmente respondem por apenas 45 por cento do total global de emissões. (Fonte: Reuters)

Amazonas recebe R$ 54 milhões para combate ao desmatamento

Portal Amazônia 
com informações da assessoria.

MANAUS - O governador Omar Aziz assinou na manhã desta terça-feira, 23, na sede do Governo dois convênios que somam cerca de R$ 54 milhões para investimentos em gestão ambiental e combate ao desmatamento no Estado. Os recursos serão aplicados em dois projetos que vão abranger 12 municípios, um deles desenvolvido em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no valor de R$ 20 milhões, com recursos do Fundo da Amazônia.

O outro é o Contrato de Contribuição Financeira firmado com o Banco Alemão KFW, no valor de R$ 24,2 milhões para o Projeto de Conservação das Florestas Tropicais do Amazonas (Profloram), com contrapartida de R$ 9,7 milhões do Governo Estadual.

Os convênios terão abrangência sobre os municípios que recebem a maior pressão de desmatamento por fazerem fronteira com Pará e Rondônia e que juntos representam 50% do desflorestamento no Estado.

O contrato com o BNDES tem por objetivo fortalecer a gestão ambiental priorizando políticas de reflorestamento em áreas sob intensa pressão de desmatamento nos municípios de Boca do Acre, Lábrea, Apuí e Novo Aripuanã.

Já o contrato com a KFW visa aumentar a efetividade de gestão ambiental e territorial no Sul e Sudeste do Estado e na região do Baixo Amazonas, beneficiando, além dos quatro municípios já citados, Manicoré,  Canutama, Maués, Humaitá, Boa Vista do Ramos, Parintins, Nhamunda e Barreirinha.

Segundo Omar, o grande desafio na Amazônia é garantir recursos e tecnologia que facilitem a vida do homem que depende da floresta para que possa ter lucro sem prejudicá-la. “Criando condições para o homem e a mulher que vivem no interior é possível fazer a prevenção do desmatamento. Tivemos redução de desmatamento nessas áreas, mas não podemos nunca deixar de ficarmos atentos”.

De acordo com a secretária estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Nádia Ferreira, no convênio com o BNDES o Estado dará uma contrapartida financeira de R$ 9.783 milhões, parcelados nos próximos quatro anos, para serem aplicados em adequação de infraestrutura, introdução de ferramentas de planejamento, gestão e monitoramento, implantação de planos integrados, aprimoramento de políticas públicas e regularização fundiária.

Desmatamento reduziu
Durante o evento foram ressaltados os avanços alcançados pela política estadual de meio ambiente, que entre 2003 e 2009 conseguiu reduzir em 73,9% o desmatamento no Amazonas. Segundo a secretária Nádia Ferreira, 2010 foi o ano em que se registraram os menores índices dos focos de calor no Estado. 

22 novembro 2010

Água do rio São Francisco será a mais cara do país

SOFIA FERNANDES
DE BRASÍLIA - Folha de SP

Da torneira do nordestino atendido pela transposição do rio São Francisco vai pingar a água mais cara do país. 

O Conselho Gestor do Projeto de Integração do São Francisco avalia cobrar dos Estados atendidos pela obra R$ 0,13 por mil litros de água.

O dinheiro será recolhido pela Agnes, estatal em gestação na Casa Civil. A empresa vai gerenciar as operações da transposição do rio e a distribuição da água para as previstas 12 milhões de pessoas beneficiadas. 

O preço médio cobrado em outras bacias hidrográficas pelo uso da água é de R$ 0,01 a R$ 0,02 por mil litros. A Sabesp, por exemplo, paga R$ 0,015 ao comitê gestor da bacia do rio Piracicaba, fonte de metade da água consumida na cidade de São Paulo.
 
COMPLEXIDADE
 
O valor mais elevado, afirma o governo, se deve à complexidade do projeto de transposição e ainda porque a Agnes será a responsável pela captação e pelo bombeamento da água. 

No entanto, os quatro Estados envolvidos (Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará) terão de investir em obras internas para dar capilaridade à rede de água e ainda precisarão pagar uma taxa fixa à Agnes, provavelmente mensal. 

Em construção, os canais para a transposição do rio São Francisco têm 25 metros de largura, 5 metros de profundidade e 622 quilômetros de extensão, somando os dois eixos. 

O porte das obras e os obstáculos naturais, como a Serra da Borborema, que vai de Alagoas ao Rio Grande do Norte, explicaria o alto custo de transportar a água no semiárido nordestino. Para isso, serão necessários potentes mecanismos de bombeamento. 

O governo não diz se haverá mecanismo para amortizar o custo do consumidor final nos quatros Estados. 

Em teoria, as obras do São Francisco têm um foco prioritário, que são os pequenos agricultores das terras secas do sertão e do agreste nordestinos. 

O Ministério da Integração, responsável pelo empreendimento, afirma que o assunto está em fase de análise e de debates com os Estados receptores. 

Para que o projeto seja viável, é possível que os Estados promovam subsídios cruzados, aumentando as tarifas de grandes centros urbanos que não receberão as águas da transposição do Velho Chico, como Recife. 

A Agnes terá de apresentar um relatório de custos, explicando os motivos para o elevado preço da água. 

Essa tarifa deverá cobrir os gastos do sistema de transposição em funcionamento, nem mais nem menos. 

"Temos de avaliar a planilha de custos da agência para saber se o preço está certo. A tarifa deve cobrir os custos de manutenção e operação do sistema", diz Patrick Thomás, gerente de cobrança pelo uso da água da Ana (Agência Nacional de Águas). 

Um dos maiores críticos do projeto, o pesquisador João Suassuna, da Fundação Joaquim Nabuco, acha difícil que o agricultor das áreas atendidas pela transposição consiga pagar essa conta. 

"Os colonos do Vale do São Francisco hoje já estão com dificuldades para pagar por uma água a R$ 0,02. Imagine com esse preço", afirma o Suassuna. 

Mas o pesquisador vê outro problema. O porte das obras e o volume de água deixam patente que o propósito da transposição não é matar a sede e a fome de quem vive na seca. 

A mira, afirma, está no agronegócio para exportação, a criação de camarão e o abastecimento de indústrias.

21 novembro 2010

Lixo plástico vira mobília urbana em São Paulo

Marina Franco – Edição: Mônica Nunes - Planeta Sustentável

O GP do Brasil de Fórmula 1 foi realizado no dia 7 de novembro, mas as movimentações no Autódromo de Interlagos começaram dois dias antes, com os treinos livres das equipes. E, como em todo evento de grande porte, a quantidade de lixo descartado durante esses três dias bateu recordes, devendo passar das cerca de 33 toneladas de recicláveis da temporada anterior. Para garantir que isso não seja mais um problema para a cidade e, principalmente, para o meio ambiente, a empresa de plásticos Braskem encontrou uma solução interessante: montou uma pequena usina de reciclagem de plástico no próprio Autódromo, para transformar os resíduos no chamado “plástico madeira”. O resultado será matéria-prima para a fabricação de móveis urbanos como bancos, mesas, vasos, floreiras e deques.

Na mini-usina da Braskem, montada no Autódromo de Interlagos e que reproduz a usina que a Braskem mantém no sul do país, chegou todo tipo de plástico: garrafinhas, sacolas, embalagens, credenciais etc. Os resíduos sólidos passam por uma máquina de moagem, enquanto os flexíveis pela de aglomeração. Dos dois processos saem pequenos grãos que, em seguida, entram no aparelho de intrusão. Com alguns aditivos, como o pigmento que dá o tom característico da madeira, os plásticos granulados são transformados em ripas do plástico madeira.

Além de aproveitar resíduos, o produto tem a vantagem de durar mais do que a própria madeira e ser capaz de absorver resíduos industriais e impurezas que acabariam indo para o lixo. A tecnologia usada é da empresa Plásticos Suzuki, parceira da Braskem nesta campanha, intitulada GP de Reciclagem.

E a iniciativa não é restrita ao evento da Fórmula 1. A Braskem fechou acordo com cinco cooperativas de reciclagem de São Paulo, que vão recolher, até o dia 28 de novembro, o lixo plástico de 12 pontos de coleta, instalados nos seguintes parques da cidade: Ibirapuera, Luz, Carmo, Trote e Alfredo Volpi.

No aniversário de São Paulo, dia 25 de janeiro, esses parques receberão 500 móveis feitos com o plástico de madeira. A iniciativa mostra que, se jogado de forma correta, o lixo pode retribuir benefícios para a própria cidade. “Com esta campanha, a Braskem quer envolver o cidadão para participar do descarte seletivo e mostrar que o problema não é o plástico em si, mas o uso que se faz dele. Como uma empresa de plásticos, nos importamos com todo o ciclo de vida do produto. Estamos lidando com o pós-consumo”, explica o coordenador de Desenvolvimento Sustentável da empresa, André Leal.

A campanha GP da Reciclagem Braskem tem como embaixador o ex-piloto Emerson Fittipaldi, que será homenageado pelo GP Brasil 2010 pelos 40 anos da primeira vitória do Brasil na Fórmula 1.

'RecycleBank' paga a consumidores que reciclam seu lixo

Vanessa Barbosa - EXAME.com

Uma "cutucada extra de incentivo verde". É assim que a executiva Melody Serafino define o RecycleBank, programa que recompensa consumidores que descartam corretamente seu lixo. O apelo econômico gera resultados surpreendentes. Segundo a porta-voz da empresa, em poucos meses, é possível triplicar as taxas de reciclagem nas regiões que aderem ao sistema. 

Em frente às residências dos moradores inscritos no programa, é colocada uma caçamba de lixo high-tech que possui uma câmera para gravar cada descarte realizado. No dia determinado da coleta, caminhões adaptados com uma tecnologia de medição especial pesam as caçambas de lixo, e o volume de material reciclado é convertido em pontos que são automaticamente registrados na conta do morador. 

Esses pontos são resgatados na forma de cupons vale-compra, que podem ser trocados em estabelecimentos conveniados. São mais de 20 categorias, de comércio à serviço, como lojas de roupas, produtos esportivos e eletrônicos, restaurantes, concessionárias de carro, centros de estética e saúde. 

Criado há seis anos, o RecycleBank está presente em mais de 500 comunidades, em 26 estados nos Estados Unidos e no Reino Unido. "Já conseguimos recolher mais de 284 mil toneladas de material reciclável, evitando a emissão de 870 mil toneladas de CO2, o equivalente a 10 milhões de árvores", diz Melody. 

As famílias participantes do programa conseguem receber até 200 dólares por ano. Se preferirem, podem doar seus pontos acumulados para o programa "Escolas Verde do RecycleBank". Eles são convertidos em dinheiro para projetos ambientais em unidades de ensino.