19 novembro 2010

Gálago anão de rondo e golfinho do Ganges estão ameaçados

DA FRANCE PRESSE 

O golfinho do Ganges e o gálago anão de rondo, um minúsculo primata de orelhas grandes, foram incluídos na lista Edge (Evolutionnary Distinct and Globally Endangered) pela Sociedade Zoológica de Londres. A lista reúne espécies com características únicas em risco de extinção. 

O gálago anão de rondo, um pequeno primata de 60 gramas com orelhas de morcego, vive em dois pequenos bolsões florestais na Tanzânia. Ele está na relação de 25 espécies de primatas mais ameaçadas do mundo.

O golfinho do Ganges, o sagrado rio indiano, é um dos últimos descendentes do grupo mais antigo de golfinhos do planeta, que viveu há milhões de anos.

A lista recebeu ainda o tapir da Malásia (Tapirus indicus), uma espécie de anta negra com faixas brancas nas costas e nas laterais, e a ponta das orelhas também brancas. 

"Os mamíferos da lista Edge representam a verdadeira diversidade da vida na Terra. Se deixarmos que desapareçam, suas extraordinárias características e seus comportamentos únicos vão se perder para sempre", explicou Carly Waterman, encarregado do programa. 

A lista inclui ainda a equidna de bico longo (Zaglossus bruijni), um dos mamíferos mais primitivos do planeta que é encontrado apenas nas florestas de Papua-Nova Guiné. 

O primeiro animal na lista Edge é o golfinho do Yangtze (Lipotes Vexillifer), que provavelmente já desapareceu das águas do rio chinês, segundo a Sociedade Zoológica de Londres.

18 novembro 2010

Tráfico de animais reduz expectativa de vida de papagaios em até dez vezes

Estudo mostra que nove em cada dez aves resgatadas sobrevivem por apenas cinco anos

Marco Túlio Pires - Veja

O tráfico de animais é o responsável pela redução drástica na expectativa de vida dos papagaios trazidos a um zoológico no interior de São Paulo. De cada dez animais, nove morrem até cinco anos depois de terem chegado ao local. A conclusão é do veterinário brasileiro Ralph Vanstreels, que publicou um artigo no periódico britânico Zoo Biology. De acordo com o pesquisador, os animais trazidos pela polícia ambiental ao Zoológico Municipal Quinzinho de Barros, em Sorocaba, interior de São Paulo, morrem por doenças e maus tratos do tráfico. A mesma queda na expectativa de vida deve se repetir em outros zoológicos e com outros animais vítimas do tráfico. "Isto provavelmente se estende para outras espécies de aves e mesmo para outros animais que são resgatados, como os mico-leões dourados", diz.

Vanstreels analisou os dados do zoológico de Sorocaba entre 1986 e 2007. No total, 374 papagaios foram recebidos nesse período, a maioria da espécie conhecida como papagaio-verdadeiro, proveniente das regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste do Brasil. É preciso permissão do Ibama para cuidar do animal. De acordo com a pesquisa, 91,7% dessas aves vieram do comércio ilegal. Infratores capturam os bichos ainda no ninho para depois vendê-los em feiras ilegais. Resgatados pela polícia, esses animais chegam em condições graves ao zoológico e a expectativa de vida, que no habitat natural é de 20 a 25 anos, cai para não mais que cinco anos. Em ambiente doméstico e com bons tratos, os animais poderiam viver até 50 anos.


Morte prematura
- O veterinário explica que a expectativa de vida dos papagaios é menor por causa das doenças e deficiências que as aves trazem do período em que estiveram nas mãos do tráfico. Além disso, os cuidados inadequados que recebem de proprietários irregulares — por descaso ou por desconhecimento — também diminuem o tempo de vida dos bichos.

Muitos dos papagaios trazidos ao zoológico apresentam deformidades, lesões traumáticas, deficiências nutricionais graves e distúrbios comportamentais. “Alguns deles arrancam as próprias penas por causa do stress causado pelos maus tratos”, disse Vanstreels. É por isso que mesmo recebendo cuidados adequados por parte dos biólogos e veterinários, os animais morrem em um "período relativamente curto".


Conscientização
- O papagaio-verdadeiro não é considerada uma espécie em extinção. Mas ela não é a única a ser trazida ao zoológico. Dentre outras, aparecem o papagaio-chuá, o papagaio-da-cara-roxa e o papagaio-charão. Segundo Vanstreels, a falta de conhecimento dos compradores é um dos principais motores do tráfico de animais. “O tráfico de animais só terminará quando as pessoas pararem de comprar a ave ilegalmente”, diz .

17 novembro 2010

Alta cozinha salva lobo-marinho da extinção

Rita Loiola - Veja

Sem nome, em extinção e esfomeado, o lobo-marinho peruano tinha tudo para desaparecer. Mas, com a improvável ajuda de uma bióloga brasileira e de um famoso chef de cozinha peruano, ele está dando a volta por cima. A espécie foi descoberta há dois anos pela bióloga Larissa Rosa de Oliveira, e sua precária situação mostrou que algo estava errado na costa do Peru.

Morrendo de inanição porque seu prato favorito, um peixe chamado anchoveta, escasseava, o animal acabou guiando uma campanha nacional a favor de sua comida. "A anchoveta é uma das bases do ecossistema local e, para preservá-la, decidimos transformá-la em alimento interessante também para os homens", diz Larissa, professora da universidade Unisinos, no Rio Grande do Sul, e uma das pesquisadoras envolvidas com a nova espécie. A ideia era fazer a população gostar do peixe, antes desprezado e usado apenas como ração. 

Um dos entusiastas do pescado foi Gastón Acurio, o mais importante chef peruano (e proprietário da franquia de restaurantes La Mar, em São Paulo), que abraçou o projeto e criou receitas de alta gastronomia com ele. A inusitada iniciativa transformou a anchoveta em iguaria, ganhou apoio do governo peruano e fez com que o peixinho pudesse se reproduzir em paz. “O peixe caiu nas graças do povo, que agora fará de tudo para que ele não acabe”, afirma a bióloga. Como resultado, o lobo-marinho passou a se alimentar melhor. E os peruanos também. Larissa contou essa história no TEDx Amazônia e, em entrevista ao site de VEJA, explicou como homens que gostam de matar peixe para fazer uma fritura podem salvar o meio ambiente. 

Você descobriu o lobo-marinho peruano. Como é encontrar uma espécie nova? 

 
A primeira vez que vi que podia estar diante de um bicho desconhecido foi em 1997, em um estágio. Fui estudar os efeitos do El Niño (aquecimento das águas do oceano Pacífico) na reprodução dos lobos-marinhos e decidi recolher os crânios de alguns que haviam morrido na costa do Peru. Desconfiei que eles poderiam ser diferentes dos da costa Atlântica e decidi analisar o tamanho dos ossos. Mas só cheguei à conclusão de que era uma nova espécie em 2008, depois de fazer uma análise genética mais profunda. 

Ele já estava em extinção? 

 
O lobo-marinho peruano ainda nem foi batizado cientificamente e já está ameaçado. Percebemos que um dos maiores problemas é que o alimento dele, uma espécie de sardinha chamada anchoveta, estava desaparecendo pelos efeitos do El Niño e da pesca comercial predatória. Muito usado em rações para piscicultura, esse peixe estava no fim e ia levando junto todo o ecossistema que depende dele. Foi aí que a bióloga Patrícia Majluf teve a sacada de fazer a anchoveta se transformar em comida para os peruanos. Achávamos que esse era um bom jeito de fazer as pessoas conhecerem o peixe, gostar dele e preservá-lo. 

Ou seja, vocês queriam fisgar os peruanos pelo estômago e chamar a atenção para o problema?  


Exatamente. Fazendo da anchoveta um prato nacional, queríamos construir um movimento político e social para conservar a espécie, que é essencial para salvar não só o lobo-marinho, mas todo o complexo natural ao seu redor. Em 2007, o chef mais importante do país, Gastón Acurio, entrou nessa história criando receitas com o peixe e divulgando o seu valor gastronômico e nutricional. Elas foram publicadas mensalmente nos maiores jornais e revistas do país e, no fim do ano, vários restaurantes criaram pratos com o ingrediente na Semana Nacional da Anchoveta. De repente, aquele peixe que só servia para ração ficou gostoso. O consumo aumentou quase 50%. 

Isso significou também diminuição da pesca predatória? 

 
Finalmente as cotas de pesca da anchoveta estão sendo discutidas pelos órgãos competentes. A proposta é regular essas quantidades para que a pesca seja sustentável. Mas agora a população já sabe que o peixe existe e não deixará que ele acabe. 

E o lobo-marinho sobreviveu? 

 
Por enquanto sim. E em pouco tempo deve receber o nome científico. Todos saíram ganhando nessa história: nós, que descobrimos um peixe barato e saboroso, o lobo-marinho, que voltou a ter seu alimento, e o meio ambiente, que pôde se reestabelecer. 
 

Arquipélago de SC preserva únicos 40 preás de espécie rara no mundo

Adulto, o preá de Moleques do Sul chega a 30 centímetros e pesa pouco mais de 0,5 kg. A espécie só foi reconhecida recentemente pela ciência.

Bom Dia Brasil

Já ouviu falar no Arquipélago de Moleques (SC)? Nessas pequenas ilhas do litoral catarinense, vive um pequeno roedor, um dos animais mais raros do mundo. Quem explica que bicho é este e como ele está conseguindo sobreviver é o repórter Ricardo Von Dorff.

O Arquipélago de Moleques do Sul fica a 14 quilômetros de Florianópolis. As três pequenas ilhas castigadas pelo vento são um santuário para fragatas, atobás e gaivotas. A ilha maior é também o pequeno reino de um dos mais raros mamíferos do mundo: uma espécie de preá que não é encontrada em nenhuma outra parte do planeta.

“O preá de Moleques do Sul está distribuído em uma área muito restrita em termos planetários. São apenas dez hectares. Então, em termos de distribuição geográfica é muito restrita. Então, é muito rara”, declara o biólogo Carlos Salvador, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

O biólogo fez a contagem. São cerca de 40 preás. O espaço apertado e o pouco alimento impedem o aumento da população. Adulto, o preá chega a 30 centímetros e pesa pouco mais de 0,5 kg. A espécie, parente do porquinho da índia, só foi reconhecida recentemente pela ciência.

Mas, afinal, como foi parar no arquipélago? A hipótese mais provável é de que, oito mil anos atrás, com o fim da era do gelo, o nível do oceano subiu muito e o arquipélago, que era o topo de uma montanha ligada ao continente, acabou cercado por água e virou uma ilha. Alguns preás que estavam no local ficaram isolados.

A ausência de predadores naturais na ilha permitiu a sobrevivência dos raríssimos preás de Moleque do Sul. A área é protegida pela polícia ambiental e só pesquisadores são autorizados a desembarcar. “Uma fagulha, uma guimba de cigarro deixada, um animal doméstico como cachorro ou gato solto, podem dizimar com a espécie que levou oito mil anos para ser criada. Por isso, todo o controle”, afirma o chefe do parque estadual da Serra do Tabuleiro, Alair de Souza.

Carro elétrico percorre 26.000 km entre o Alasca e a Argentina

SRZero é equipado com dois motores elétricos de 400 cavalos de potência.
Objetivo da expedição é mudar a imagem sobre os veículos elétricos.

Do G1, com informações da AP

Um carro esportivo elétrico encerrou na terça-feira (16) uma viagem de 26 mil quilômetros entre o Círculo Polar Ártico, no Alasca, e Ushuaia, na Argentina, sem emitir uma única particula de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera.

Desenvolvido por engenheiros do Imperial College de Londres, nos Estados Unidos, o veículo chamado é equipado com dois motores elétricos de 400 cavalos de potência que são alimentados por baterias de lítio de fosfato.

A expedição começou no dia 3 de julho e passou por 14 países durante os 70 dias de estrada. "O SRZero foi carregado com energia e com absolutamente zero de emissões de CO2", disse Alex Schey, um engenheiro mecânico que organizou a viagem. “Encontrar lugares para recarregar o carro ao longo do caminho foi grande desafio da equipe", conta.

Para aumentar a autonomia, o veículo converte a energia das frenagens em energia cinética, o que permitiu que o SRZero rodasse até seis horas ou 400 quilômetros a cada carga.

De acordo com Andy Hadland, porta-voz da equipe, a esperança é que a viagem mude a imagem dos carros elétricos e inspire jovens a se tornarem engenheiros e desenvolver seus próprios projetos.

Apesar de econômico, o carro vai de 0 a 100 km/h em apenas sete segundos e alcança até 200 km/h, de acordo com a equipe.

Emirados Árabes, Austrália e EUA lideram lista de emissões de CO2

Reuters

OSLO - Emirados Árabes Unidos, Austrália e Estados Unidos têm os piores registros totais de emissão de gases de efeito estufa, de acordo com um índice divulgado nesta quarta-feira que combina medições atuais e históricas.

Os primeiros lugares na lista de 183 nações, organizada pela consultora britânica Maplecroft, foram dominados pelos países ricos e por membros da Opep. 

Segundo seus criadores, o índice busca alertar aos investidores sobre que países são vulneráveis se as negociações sobre a mudança climática das Nações Unidas concordarem em fixar multas às emissões de dióxido de carbono. 

O ranking de emissões de dióxido de carbono produzidas pelo uso de energia coloca em primeiro lugar os Emirados Árabes Unidos, principalmente por um alto incremento de suas emissões ligadas às unidas de dessalinização, em uma economia que depende quase completamente dos combustíveis fósseis.

A Austrália, dependente do carvão, ficou em segundo lugar seguido pelos Estados Unidos. Tanto os australianos como os americanos têm altas emissões per capita. 

Nos dez primeiros lugares do ranking estão Canadá, Holanda, Arábia Saudita, Cingapura, Rússia, Bélgica e Cazaquistão. 

O índice deu uma ponderação de 50% para as atuais emissões per capita de gases de efeito estufa, 25% para as emissões totais nacionais e os 25% restantes para as emissões históricas cumulativas. 

A China ficou em 26º lugar do ranking. Suas emissões per capita, com uma população de 1,3 bilhões de habitantes, são uma fração das de países industrializados como Estados Unidos ou Austrália.

Governo antecipa licença ambiental do TAV

O Vale
SÃO JOSÉ DOS CAMPOS

A menos de duas semanas do prazo para a entrega das propostas dos potenciais investidores do TAV (Trem de Alta Velocidade), o governo articula para apressar o processo de licenciamento ambiental prévio do megaempreendimento.


A ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) tem feitos contatos com o Ministério do Meio Ambiente para que a licença prévia ambiental seja concedida o mais breve possível para o vencedor do leilão de concessão do pro jeto.


As articulações são com o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e com o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Biodiversidade para a elaboração de um bom Estudo de Impacto Ambiental pelo vencedor.


A expectativa do diretor-geral da ANTT, Bernardo Figueiredo, é que essa etapa seja cumprida até o final do próximo ano, para que o vencedor possa dar início às obras do TAV, que rligará Rio, São Paulo e Campinas.


Parte dos estudos ambientais resulta de uma parceria firmada pela ANTT com o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) para observar os impactos ambientais do TAV.


Desapropriação
 
Outra frente de trabalho da ANTT é com relação às desapropriações necessárias para a construção do traçado.

O governo prepara para o próximo o ano o decreto de utilidade pública das áreas que serão afetadas. As medidas serão tomadas após o leilão de 16 de dezembro.

Flutuador volta às águas da Represa Billings depois de temporal

Bom Dia São Paulo

Na terça-feira (16), a chuva atrapalhou, mas a expedição conseguiu seguir o planejamento. Foram mais 12 quilômetros percorridos e uma agradável surpresa: a qualidade da água.

Flutuador dá início a segundo dia de expedição

No lançamento do equipamento nesta manhã, qualidade da água era boa.
Flutuador deve percorrer mais de 10 km nesta quarta.

Do G1 SP

No início do segundo dia de expedição, a quantidade de oxigênio na água da Represa Billings, em São Paulo, medida pelo flutuador foi de 6,8 mg/l por volta das 7h desta quarta-feira (17), índice considerado bom. O equipamento foi desenvolvido pela TV Globo e pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e irá percorrer os quatro principais reservatórios da Grande São Paulo - Billings, Paiva Castro (Cantareira), Taiaçubepa (Alto Tietê) e Guarapiranga.

Nesta quarta, a previsão é que o flutuador percorra aproximadamente 10,6 km. Ele foi lançado às margens da Rodovia Índio Tibiriçá, no limite entre São Bernardo do Campo e Santo André, no ABC, e deverá ser recolhido na Marina Thaiti.

O primeiro dia da expedição do equipamento trouxe números animadores. Na primeira medição, na prainha da Billings, o nível de oxigênio era de 5,3 mg/l. Depois de passar pela barragem, às 10h, chegou a 7,5 mg/l. À tarde, chegou ao nível mais alto: 8,1 mg/l.

Toda a expedição do flutuador deve durar dois meses e meio. Serão mais de 400 km percorridos.
 

14 novembro 2010

Filhote de peixe-boi é resgatado da seca

Diário do Pará

Um filhote de peixe-boi foi resgatado em Beruri, a 173 km de distância de Manaus, pelo Grupamento de Rádio e Patrulhamento Aéreo da Polícia Militar do Amazonas (Graer). O filhote, vítima da seca, foi levado de helicóptero para o Aeroclube de Manaus, na capital do Amazonas, onde uma estrutura foi montada para recebê-lo.

O animal, que pesa cerca de 30 quilos, estava amarrado a um flutuante em um rio. Ele chegou com vida, mas bastante ferido, e foi entregue aos cuidados do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA).

O município de Beruri, onde on animal foi encontrado, é uma das cidades que está em situação de emergência por causa da estiagem que atinge a região.

Propriedades rurais do PR são alimentadas por biogás

Aécio Amado - Agência Brasil

A Itaipu começou hoje (11) a implantar um sistema de geração de energia a partir de biogás no município de Marechal Cândido Rondon, no oeste do Paraná. O biogás é produzido com os dejetos da produção de suínos e bovinos de propriedades rurais da região.

De acordo com a Itaipu, o projeto, desenvolvido em conjunto com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a prefeitura da cidade, vai englobar 41 propriedades rurais e cada uma terá um biodigestor, que vai transformar os dejetos em biogás. Depois, o biogás será transportado por gasodutos para a usina termoelétrica, que vai transformar o biogás em energia elétrica.

A energia será usada nas próprias propriedades rurais e o excedente vai ser vendido para a Companhia Paranaense de Energia (Copel). “Esse tipo de energia proveniente do biogás tem um grande potencial, mas tem sido esquecida no país”, disse o superintendente de Energias Renováveis da Itaipu, Cícero Bley.

Segundo o diretor de Meio Ambiente da Itaipu, Nelton Friedrsch, o sistema dá ainda uma destinação adequada aos dejetos dos animais, evitando a poluição dos rios da região. “Ele gera energia elétrica resolvendo um problema ambiental”, afirmou.

O sistema de geração de energia foi acionado hoje em duas propriedades rurais. De acordo com Cícero Bley, nenhum problema foi detectado nos testes. “Tudo está 100% funcionando e as duas propriedades já estão gerando energia”. A previsão é que o sistema esteja implantado em todas as propriedades em março do ano que vem.

Conhecida como "Suíça brasileira", Campos do Jordão vai, enfim, tratar esgoto

JOSÉ BENEDITO DA SILVA
ENVIADO ESPECIAL A CAMPOS DO JORDÃO - Folha de SP

Cidade turística associada à sofisticação, Campos do Jordão joga seu esgoto sem tratar nos córregos da cidade 

Governo dá início a nova tentativa de construir estação de tratamento 15 anos depois de ver um projeto ser barrado

Cidade turística que associou seu nome à sofisticação - visitantes de alta renda, marcas de luxo que lá se instalam durante a temporada e hotéis com diárias acima de R$ 1.300 -, Campos do Jordão, a "Suíça brasileira", vai, enfim, deixar de jogar esgoto sem tratamento no rio.
 
No dia 23, o governo de SP leva a audiência pública um projeto de R$ 90,2 milhões para construir um sistema de tratamento de esgoto que poupe os rios da área urbana, cuja qualidade das águas varia hoje de regular a péssima.

 
Em Campos, 44% do esgoto é coletado e nada é tratado. Tudo que é coletado é jogado em rios como Sapucaí-Guaçu, Perdizes e Capivari - os dois últimos abraçam o Capivari, bairro que reúne a alta badalação de inverno.

 
Os índices nem de longe lembram os da Suíça original, segunda colocada mundial no Índice de Desempenho Ambiental, criado pelas universidades norte-americanas de Columbia e Yale.

 
Há um agravante: em Campos, muito além das luxuosas casas de temporada, dos hotéis cinco estrelas e da residência de inverno do governador, há dez áreas protegidas, entre elas o Parque Estadual de Campos do Jordão.

TURISMO

 
Sua riqueza ambiental em contraste com a falta de saneamento não chega a ser exceção: é o mesmo quadro de cidades como Florianópolis (no Sul), Natal (no Nordeste) e Ubatuba (litoral paulista).

 
"Essa obra já demorou muito. Quando o sol está quente e é temporada, o mau cheiro fica muito pior", reclama Jair Pereira de Macedo, 54, dono de uma padaria na região do Capivari. Na temporada, a cidade, de 46 mil habitantes, recebe 500 mil visitantes em um mês. "Turista não gosta disso", sentencia.

 
"Os rios estão sujos. Saí do restaurante e senti o mau cheiro", concorda a aposentada Adelaide Maria Nitrini Martins, 60, que visitava a cidade na última quarta-feira.

HISTÓRICO

 
Desde que a Sabesp assumiu o serviço local, em 1976, o projeto era tido como prioritário, principalmente pela importância estratégica de Campos em relação ao patrimônio ecológico do entorno.

 
Avançou devagar e sofreu um duro golpe em 1995, quando um projeto já licenciado, com terreno comprado pela Sabesp, foi cancelado sob protestos dos moradores contrários à construção da estação na Lagoinha.

 
Pode haver resistência de novo. A cinco quilômetros da área urbana, o local da nova estação fica em região de condomínios de casas de alto padrão, majoritariamente para uso na temporada.

 
A primeira etapa do sistema - cujas obras vão durar de 2011 a 2013 - devem elevar o índice de tratamento a 70% do esgoto coletado. O projeto em discussão não prevê a expansão do sistema de coleta.

 
Parte dos imóveis do município dispõe o esgoto em fossas (cavidades no solo).