23 outubro 2010

Tufão Megi obriga mais de 200 mil chineses a abandonarem as casas

O tufão derrubou casas, arrancou árvores pela raiz e bloqueou estradas.

Jornal Nacional

Um tufão com ventos de até 140 km/h assustou hoje os chineses. Mais de 200 mil pessoas tiveram que sair de casa às pressas. O tufão de nome Megi derrubou casas, arrancou árvores pela raiz e bloqueou estradas.

Na província de Fujian, o principal aeroporto cancelou 80 voos.

Seca deixa mais da metade do Amazonas em estado de emergência

Faltam apenas cinco centímetros para a estiagem deste ano alcançar a marca história de 1963, o que deve ocorrer neste domingo.

Jornal Nacional

A estiagem atinge a Região Norte do país: 38 municípios do estado do Amazonas já decretaram situação de emergência.

As casas flutuantes agora estão sobre o leito seco de um dos afluentes do Rio Negro. 

Canoeiros ficaram sem trabalho. “São dois meses e meio totalmente parado, sem nenhum tipo de atividade”, reclama Adonis Custódio, da Cooperativa dos Canoeiros

Ao todo, 38 municípios já decretaram situação de emergência. É mais da metade do estado do Amazonas. Vinte e duas mil famílias enfrentam dificuldades por causa da seca. Faltam apenas cinco centímetros para a estiagem deste ano alcançar a marca história de 1963, o que deve ocorrer neste domingo.

Na região do encontro das águas, onde o Rio Negro se junta ao Solimões, um cenário nunca antes visto: há praias por todo lado, ilhas feitas de argila e pedra que surgiram pela primeira vez. É um perigo para a navegação.

A seca extrema também intensificou o fenômeno de desbarrancamento das margens, conhecido como “terras caídas”.

“A água do rio desce muito rápido. No entanto, o barranco continua com água e acumula um peso muito grande, que leva ao seu desabamento”, explica Marco Oliveira, do Serviço Geológico do Brasil.

Os barrancos só voltam a estar seguros quando os rios começarem a encher, no fim de novembro.

22 outubro 2010

Anvisa: superbactéria matou 24 no Estado de São Paulo

O Vale

No Estado de São Paulo, chegou a 70 o número de casos notificados de infecção pela superbactéria KPC, informou hoje a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Ao todo, 24 pessoas morreram no Estado após a infecção, entre julho de 2009 e outubro deste ano. 

A Anvisa vai publicar na próxima semana uma norma técnica enfatizando recomendações para os profissionais da área de saúde, como a higienização das mãos, e reforçando a necessidade de que as notificações dos casos sejam feitas por Estados e municípios. Mesmo assim, para a agência não há excepcionalidade em torno da KPC.

"Não há nada de muito novo em relação à preocupação agora, em relação àquela que sempre devemos ter em relação a organismos multirresistentes", disse o diretor da agência, Dirceu Barbano. A diretoria da Anvisa também decidiu hoje que as salas de atendimento médico, de hospitais públicos e privados, terão obrigatoriamente de ter frasco com álcool-gel, em um prazo a partir de 60 dias após a publicação da norma. O texto deve sair no Diário Oficial da União na próxima semana.

Apesar do número de notificações, Dirceu minimizou os efeitos da superbactéria. "Os casos de infecções hospitalares com KPC não representam episódio excepcional em relação ao histórico", comentou. O diretor disse que as medidas adotadas nos casos de KPC são aquelas típicas de prevenção e controle, consideradas padrões. "Existem outros micro-organismos que são tão ou até mais prevalentes."

Os casos da KPC, observou, ocorrem em ambiente hospitalar, com pacientes de quadro de saúde debilitado. "As infecções são resultado de uma série de fatores, como as condições do paciente e o ambiente no qual ele se encontra. Quanto mais precárias as estruturas, as condições em que as equipes de saúde trabalham, mais precárias serão as condições em que os pacientes serão atendidos."

Segundo a Anvisa, foram notificados casos de KPC em Minas Gerais (12), Goiás (4) e Espírito Santo (3), entre agosto de 2009 a julho de 2010. No Distrito Federal, a Secretaria de Saúde identificou 183 casos da KPC, dos quais 46 tiveram quadro de infecção e 18 foram a óbito. Para abastecer a rede pública até o fim desta semana, foram comprados R$ 10 milhões em itens hospitalares, em caráter emergencial.

Barbano ressaltou a importância dos casos serem notificados, para que se tenha uma dimensão mais exata da questão. "É um dever notificar, qual é a consequência para quem não notifica? É fazer parte de um sistema com base de dados frágil", comentou. "Há o dever estabelecido, mas ao longo do tempo não fomos capazes de estabelecer uma dinâmica de obrigatoriedade." A utilização inadequada de antibióticos contribui para o quadro de bactérias multirresistentes, observou o diretor.

Rios Solimões e Amazonas têm maior seca da história

Guilherme Balza
Do UOL Notícias

Em São Paulo 

Em razão da estiagem na solregião Amazônica, os rios Solimões e Amazonas registraram, nos últimos dias, os menores níveis desde que as medições começaram a ser feitas, segundo o boletim semanal do Serviço Geológico do Brasil em Manaus (CPRM), divulgado nesta sexta-feira (22). O rio Negro deve bater o recorde de vazante nesse domingo. A seca no Amazonas atinge pelo menos 62 mil famílias e obrigou 38 municípios a decretar situação de emergência.

Segundo o CRPM, o rio Solimões alcançou o menor nível da história nos três principais pontos de medição: Tabatinga, na divisa com a Colômbia; Itapeua, ponto situado no centro do Estado, no curso médio do rio; e Careiro, a 24 km a leste de Manaus.

Em Itapeua e Careiro, os recordes foram alcançados na terça (19) e na quarta-feira (20), respectivamente, quando os níveis chegaram a 1,32 m e 1,68 m. O recorde anterior em Itapeua --onde as medições são feitas desde 1970-- foi de 2,30, em 1998, e, em Careiro --com medições desde 1970-- de 2,14 m, em 1997. Já em Tabatinga o menor nível foi observado no dia 11 de outubro, quando o nível chegou a -86 cm. O local mede o nível desde 1982.

No rio Amazonas --formado a partir do encontro dos rios Negro e Solimões--, o recorde foi quebrado também na quarta-feira (20) no principal ponto de medição, que fica em Parintins (a 315 km a leste de Manaus). O nível do rio chegou a -162 cm, superando em 10 cm a marca anterior, registrada em 1997. As medições são feitas em Parintins desde 1970.

Tanto no rio Solimões, quanto no Amazonas, o nível do rio continuará diminuindo nos próximos dias, de acordo com a previsão do CRPM.

O rio Negro também deve alcançar o menor nível até domingo (24). Nesta sexta, o rio mediu 13,80 m em Manaus, apenas 16 cm a mais do que o recorde histórico, registrado em 1963 (13,64 m). As medições são realizadas na capital amazonense desde 1903.

Segundo Daniel de Oliveira, gerente de hidrologia do CRPM, de ontem para hoje, o nível diminuiu 13 cm. Na primeira metade da semana, a redução ficou entre 16 cm e 20 cm entre um dia e outro.

 “O maior impacto da seca é na navegação. Há lugares em que as balsas não chegam, e os moradores ficam sem combustível para gerar luz. O preço dos alimentos sobe porque, com a seca, as embarcações precisam fazer mais curvas, o que eleva o tempo de viagem”, afirma Oliveira.

62 mil famílias atingidas

Dos 62 municípios do Amazonas, 38 (mais de 60% do total) decretaram situação de emergência em razão da estiagem que atinge o Estado. Cerca de 62 mil famílias estão isoladas ou tiveram suas atividades de subsistência prejudicadas por conta da seca, segundo dados da Defesa Civil Estadual.

Hoje, o Ministério da Integração Nacional autorizou o repasse de R$ 23 milhões para a adoção de medidas de socorro no Amazonas. Os recursos serão empregados na aquisição de cestas básicas, filtros purificadores, motobomba, equipamentos para fornecimento de água potável e barracas, além da locação de carros-pipa e caminhões.

A Força Aérea Brasileira e a Defesa Civil já distribuíram 600 toneladas de kits com cestas básicas, produtos de higiene e medicamentos para 38 mil famílias. A distribuição foi feita a partir de três pólos, localizados em Tabatinga, que fica no Alto Solimões, na divisa com a Colômbia; Tefé, no Médio Solimões, região central do Estado; e Cruzeiro do Sul, localizado no Acre, na divisa com o Amazonas.

Foram atendidas 10 mil famílias nos municípios de Tabatinga, Atalaia do Norte, Benjamim Constant, São Paulo de Olivença, Santo Antônio do Iça e  Tonantins. Outras 12 mil famílias receberam ajuda em Tefé, Alvarães, Coari, Fonte Boa, Jutaí, Uarini e Juruá. Na região de Cruzeiro do Sul, foram atendidas 5.200 famílias nos municípios de Boca do Acre, Envira, Guajará, Ipixuna e Itamarati, todas na calha do rio Juruá.

A Defesa Civil e a Força Aérea já deram início à segunda fase de distribuição de ajuda humanitária. O foco agora serão 22 mil famílias que residem em 17 municípios às margens do curso Médio e Baixo Solimões, rio Madeira e no Baixo Amazonas, incluindo a região de Manaus.

Previsão climática

Segundo o meteorologista Gustavo Ribeiro, do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), a elevação do nível dos rios depende da quantidade de chuva nos próximos meses e não sofre influência das condições do tempo nos próximos dias. “A previsão do tempo nos próximos dias não interfere nos rios, por mais que chova muito. Para que modifique a situação, é preciso que chova nos próximos meses.”

O prognóstico do Sipam para os próximos meses indica que o volume de chuvas tende a aumentar do final de outubro até dezembro, sobretudo na faixa que vai do Noroeste da Amazônia, no Alto Rio Negro, até o Mato Grosso, passando pelas regiões mais afetadas pela seca atualmente.

“Terras caídas”

A estiagem favorece ainda o fenômeno das “terras caídas”, que provocam deslizamentos de terra nas margens dos rios. Foram registrados, nas últimas duas semanas, ao menos quatro deslizes em São Paulo de Olivença, Manaus Iranduba e Manacapuru.

Em Manacapuru, os bombeiros localizaram, na manhã de ontem, o corpo Beatriz da Silva Leite, 10, vítima do deslizamento, que ocorreu na madrugada da última terça. O corpo do bebê Anderson da Silva Leite, 1, irmão de Beatriz, já havia sido encontrado um dia antes. As equipes procuram ainda Silvana Leite, 5, irmã das outras crianças já localizadas. Cerca de 70 casas foram atingidas na comunidade de Terra Preta.

Os bombeiros também procuram Silvio Barbosa, 31, e Pedro Paulo da Silva, 63, que trabalhavam no Porto Chibatão, onde uma porção de terra deslizou na noite do último domingo e afundou 60 contêineres e 40 baús de carga. Ainda não há uma estimativa do prejuízo. No local, estava sendo feita uma obra de terraplanagem.

O geólogo Antonio Gilmar Honorato, do Serviço Geológico Nacional em Manaus, afirmou que há uma espécie de “caminho d’água” que passa embaixo da porção de terra que deslizou. “É possível que esse caminho d’água tenha causado uma ruptura, e o muro de contenção não tenha resistido à carga”, diz. De acordo com ele, não é possível dizer se havia alguma irregularidade na obra de terraplanagem.

Até o momento, a Defesa Civil não divulgou as causas do deslizamento e os impactos ambientais causados na região. A Polícia Civil iniciará uma perícia nos próximos dias. Também não há uma estimativa do prejuízo causado.

O porto Chibatão é o maior complexo portuário privado do Amazonas e está localizado à margem esquerda do rio Negro, com uma área de 217 mil metros quadrados. Os equipamentos que afundaram carregavam insumos para o comércio e polo industrial de Manaus. De acordo com os bombeiros, não houve derramamento de produtos químicos no rio.

Na terça-feira, um outro deslizamento atingiu o município de Iranduba (a 22 km de Manaus), que fica na margem direita do rio Negro. Segundo o Corpo de Bombeiros, não houve vítimas e danos materiais. Há duas semanas, em São Paulo de Olivença, 25 casas foram totalmente destruídas e 39 ficaram danificadas por deslizamentos de terra provocados pelo baixo nível do rio Solimões.

Groenlândia este ano continua derretendo em ritmo sem precendentes

Alexandre Mansur - Época

A região do Ártico continua esquentando em um ritmo sem precedentes. É a conclusão principal de um estudo de 69 cientistas de várias partes do mundo, que participaram de o Arctic Report Card, um levantamento extenso coordenado pela NOAA, agência de atmosfera e oceanos dos Estados Unidos.

Faz sentido diante da escalada recente de calor. Os primeiros 9 meses do ano são os mais quentes já registrados.
Segundo os pesquisadores, a Groenlândia está registrando temperaturas que batem os recordes dos registros históricos. As taxas de derretimento e perda de área de geleiras também são as mais altas já registradas.

O gelo no período do verão também continua cada vez menor. A área gelada na virada de 2009 para 2010 foi o terceiro mais baixo já registrado desde 1979. A espessura do gelo continua diminuindo. A menor espessura de 2010 é a terceira mais baixa desde 1979, acima apenas do que foi marcado em 2008 e 2007.

A quantidade de neve sobre a superfície da região é a menor desde que as medições começaram, em 1966.

O que acontece nessa região remota tem grande importância para nós, segundo os cientistas. As geleiras da Groenlândia podem elevar o nível do mar em alguns metros caso derretam. Mas antes disso, as mudanças no clima do Pólo Norte têm grande impacto no clima do resto do planeta. A superfície branca do Ártico funciona como um espelho, que reflete a luz solar. Na medida que derrete e fica escura, passa a reter mais calor. Isso acelera o aquecimento de todo o planeta. Além disso, as mudanças no ártico desequilibram a circulação de massas de ar e as correntes marinhas que mantém os padrões de clima que conhecemos em outras regiões da Terra. O Ártico também é área de alimentação e reprodução de várias espécies que circulam no resto do Hemisfério Norte.

“Além de afetar os humanos e a vida selvagem local, as temperaturas mais quentes no Ártico tem conseqüências mais amplas para os sistemas físicos e biológicos de outras partes do mundo”, diz Jane Lubchenco, diretora da NOAA.

Empresa quer instalar no País usina termosolar com energia a preço de PCH

Braxenergy pretende iniciar obras em 2011 e vender a produção da planta no mercado livre

Por Luciano Costa - Jornal da Energia

Erguer no município de Coremas, na Paraíba, uma usina termosolar com 50MW de potência para produzir energia a preços que possam competir com outras fontes renováveis, como as pequenas centrais hidrelétricas (PCHs). Esse é o objetivo do CEO da Braxenergy, Helcio Camarinha. O empresário acaba de chegar dos Estados Unidos, onde participou de evento para apresentar as perspectivas de negócios no setor solar brasileiro. Segundo ele, há um imenso apetite dos investidores em projetos nessa área, o que vai facilitar a implantação daquela que será a primeira planta termosolar em território nacional. 

O executivo afirma que o projeto já possui licença prévia, emitida pelo órgão ambiental estadual, e uma primeira autorização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), faltando apenas a outorga para o uso de água para conseguir o aval pleno do órgão regulador. A expectativa da Braxenergy é de obter a licença de instalação para o empreendimento até o final do ano e iniciar as obras no começo de 2011. 

Para erguer a usina, Camarinha acredita que sejam necessários 18 meses e investimentos na casa dos R$275 milhões - o equivalente a R$5,5 milhões por MW instalado. O valor é próximo do aporte necessário para a viabilização de parques eólicos e pequenas centrais hidrelétricas (PCHs). Segundo o executivo, o custo da geração termosolar está caindo vertiginosamente. "Partimos de um orçamento, feito por investidores americanos, de US$220 milhões. Hoje, também com a nacionalização de algumas fases, chegamos a esse valor menor", explica o executivo. 

O executivo também destaca o baixo preço alcançado pela energia termosolar. "A tarifa vai ser competitiva, próxima da de uma PCH", revela. Segundo Camarinha, o aproveitamento se deve ao forte sol na região, que tem sido alvo de medições da Braxenergy "há quase três anos" e à eficiência da fonte. "O sol no semi-árido dura de 10 a 12 horas. Gerando 50MW nesse tempo, você já tem um fator de carga próximo de 50%". 

Um dos trunfos para a energia barata é justamente essa nacionalização. De acordo com o CEO da Braxenergy, estão sendo feitas negociações com empresas interessadas em instalar fábricas para fornecer equipamentos para a usina de Coremas. Já há até um acordo para a localização da futura planta, que ficaria no porto de Cabedelo, na Paraíba. O local é apontado pelo empresário como estratégico, devido à facilidade para escoar a produção para outros Estados e até mesmo para América Latina e África. 

O que teria de ser importado no projeto seriam apenas os filmes refletores para os painéis e o óleo térmico. Os coletores, fabricados no País, serão espalhados por uma área de 50 hectares. Camarinha, no entanto, lembra que o terreno separado para a usina tem 400 hectares, o que permitirá futuras expansões. "A ampliação dessas usinas é mais fácil. É só aumentar o número de coletores e a ilha de potência", esclarece. 

Entre as negociações que estão em andamento para concretizar a planta, o executivo destaca as que vão realmente viabilizar o empreendimento. A parceria com uma comercializadora, para vender a energia produzida pelo parque termosolar no mercado, e os financiamentos. 

Camarinha afirma que o acordo para a venda da energia está próximo e deve ser assinado "na semana que vem". Outra das pendências é em relação ao financiamento para o projeto milionário. A questão não assusta o CEO. Segundo ele, já se iniciaram tratativas com o Banco do Nordeste (BNB) e com fundos internacionais. "Temos quatro fundos interessados. Mesmo que não fechemos com o BNB, podemos conseguir todo o crédito lá fora", garante.

Para aumentar a lucratividade, a companhia vai atuar ainda outras duas frentes. A troca de calor nos coletores termosolares será utilizada para alimentar uma usina a biomassa movida a resíduos industriais, que será utilizada para dar mais eficiência e elevar o fator de capacidade da planta. O terreno em que será instalado o empreendimento também receberá, debaixo dos coletores solares, estufas para produção de leguminosas herbáceas, que servirão para aplicações fitoterápicas e fabricação de cosméticos. "A termosolar permite que você faça isso, e é um negócio interessante, porque fecha o conceito de sustentabilidade do projeto", conclui Camarinha.

MPF volta a pedir que o Ibama não libere licença para Belo Monte

Órgão quer que Norte Energia cumpra exigências da licença prévia, ligadas a medidas sociais

Da redação - Jornal da Energia

O MInistério Público Federal voltou a emitir recomendação para que o Ibama não libere a licença de instalação para a hidrelétrica de Belo Monte, que será construída no rio Xingu, no Pará. O documento é necessário para o início da obra e era esperado pela Norte Energia, responsável pela usina, para o final de setembro. Os procuradores afirmam que receberam informações dos municípios de Altamira e Vitória do Xingu de que ainda não foram tomadas medidas em relação à melhoria do saneamento e da saúde das populações locais. Segundo o órgão, essas medidas deveriam ser adotadas pelos empreendedores para obter a autorização do órgão ambiental.

O MPF afirma que, de acordo com os termos da licença prévia, seria necessário ao menos dar início à construção de escolas, postos de saúde, hospitais e obras de saneamento nos municípios e localidades diretamente afetados. Para os procuradores, essas questões continuam no "marco zero", ao mesmo tempo em que o anúncio da hidrelétrica já tem causado impactos na região, como migração de trabalhadores.

“Sequer foi assinado convênio entre o empreendedor e o município de Altamira tratando da questão da saúde no município”, lembram os procuradores no documento enviado ao Ibama, para depois acrescentar que não poderá ser emitida nenhuma licença de instalação, total ou parcial, “enquanto as questões relativas à saúde não forem definitivamente resolvidas”.

De acordo com informações da imprensa, os empreendedores solicitaram ao Ibama uma licença parcial de instalação, documento que não existe na legislação ambiental brasileira, mas que já foi adotado em outros casos, como na usina de Jirau. “Se uma nova licença for concedida sem o cumprimento das condicionantes, todas as garantias que o Ibama deu na licença prévia viram letra morta e se repete um roteiro conhecido em grandes empreendimentos na Amazônia. Para o governo, as facilidades para o empreendedor são mais importantes que os benefícios para a população”, resume o procurador Felício Pontes Jr, que também acompanha o caso.

Em entrevista ao Jornal da Energia no início de outubro, José Aílton de Lima, membro do Conselho de Administração da Norte Energia, afirmou que o MPF está cobrando medidas que não podem ser tomadas agora, mas somente durante a obra. O executivo afirmou, na ocasião, que a companhia já havia entregue todos os documentos solicitados pelo Ibama e aguardava a emissão da licença de instalação o mais breve possível.

Condicionantes
 
O Ministério Público Federal abriu uma investigação para cada uma das obrigações impostas pelo Ibama à Norte Energia como condições para o licenciamento da hidrelétrica de Belo Monte. No total, são 40 procedimentos de investigação para cada uma das condicionantes. Em sua análise, o MPF afirma que, na extensa lista de pré-requisitos que deveriam ser atendidos pelos empreendedores ou pelo poder público, "pouca coisa foi feita". De acordo com informações coletadas pelo Movimento Xingu Vivo para Sempre e levadas até os procuradores, até outubro de 2010, nove condicionantes do Ibama não foram realizadas, duas foram realizadas parcialmente e sobre as demais não há informações.

Sobre as condicionantes da Funai, que prevêem ações como demarcação de Terras Indígenas e retirada de não-índios das áreas demarcadas, entre outros, 14 não foram realizadas, duas foram realizadas parcialmente e uma foi publicada. Sobre as demais não há informações.

Presidente do Haiti confirma surto de cólera que já deixou quase 140 mortos no país

O Globo 
Agências internacionais

PORTO PRÍNCIPE - PORTO PRÍNCIPE - O presidente do Haiti, René Préval, confirmou nesta sexta-feira que o país está sob uma de cólera que já matou ao menos 138 pessoas e contaminou mais de 1.500 em 48 horas. Préval anunciou que o governo está tomando medidas para tentar conter a epidemia da doença, que, segundo a Organização Mundial de Saúde, é a primeira no país em um século. Hospitais estão lotados em regiões no centro e no norte do Haiti, que ainda luta para se recuperar da devastação provocada pelo terremoto de 12 de janeiro . Esta é a primeira grave crise sanitária desde a tragédia. 

- Posso confirmar que é cólera - disse o presidente após esperar por resultados de testes laboratoriais que identificaram a causa de um surto de diarréia no país. - Agora, estamos assegurando que a população está informada sobre as medidas de precaução que devem tomar para prevenir contra a contaminação. 

Os doentes sofrem de diarreia intensa. As vítimas morrem por uma rápida desidratação, em alguns casos em horas, segundo funcionários haitianos. 

Equipes médicas que integram as forças internacionais que têm ajudado o Haiti desde o desastre de 12 de janeiro se mobilizaram na área mais afetada pelo surto, ao redor da cidade de Saint-Marc, na região agrícola central haitiana, que recebeu muitos dos sobreviventes do terremoto. 

Antes da confirmação, o diretor geral do Departamento de Saúde haitiano, Gabriel Thimote, e o ministro da Saúde, Alex Larsen, já haviam declarado que análises iniciais indicaram cólera, apesar do Haiti não ter antecedentes de surtos recentes da doença. 

- Das 15 amostras analisadas, 13 nos levam a crer que é cólera - declarou Thimote.
A cólera é uma doença grave transmitida pela água e alimentos contaminados que causa diarreia e desidratação severa, e pode matar em questão de horas se não for tratada.

Depois do boom eólico, consultoria aguarda explosão da energia solar no Brasil

Braselco também acredita que energia eólica dificilmente terá novas quedas de preço no País

Por Milton Leal - Jornal da Energia

Nada de sombra e calmaria. O português Armando Abreu quer muito sol e vendaval. À frente da Braselco, consultoria especializada no desenvolvimento de projetos de geração de energias renováveis, o executivo que se considera um dos pioneiros da energia eólica em Portugal, onde implantou em 1992 a primeira usina desse tipo no país europeu, veio para o Ceará na metade da década de 90. Por aqui, ele pôde participar de momentos-chave da evolução da fonte, passando pela instalação das primeiras torres de medição de vento no Nordeste, a criação do Proinfa e chegando aos leilões específicos, que contrataram 3.852MW de novos projetos eólicos nos últimos 11 meses.

Agora que o setor eólico caminha a passos largos e vivencia expressivo crescimento, ele afirma que é hora de esperar a explosão do segmento de energia solar. Abreu estima que já em 2011 algumas novidades podem surgir no setor solar. "Estamos assessorando cinco ou seis players nessa área. Estamos fazendo muita consultoria para empresas que querem abrir fábricas de painéis solares e investidores interessados em produzir células de silício", disse o CEO, por telefone, de seu escritório em Fortaleza, onde funciona a Braselco Serviços, que foi a primeira empresa da holding Grupo Braselco.

Além de Abreu, o grupo, que tem ainda como sócio o diretor e engenheiro mecânico Gustavo Silva, detém também a Braselco Sul, consultoria focada no mercado de energias renováveis do Rio Grande do Sul e a Braselco Equipamentos, que produz torres de medição de vento e importa sensores de alta tecnologia para a realização desse tipo de serviço aos clientes. O executivo garante que investir em usinas não faz parte do escopo das empresas. "Somos claramente uma empresa de serviços. Não queremos investir", afirma.

Em 2010, o grupo espera atingir R$16 milhões em faturamento, número 33% maior que aquele verificado no ano anterior. Os projetos eólicos são o carro-chefe da empresa, que possui atualmente 360,2MW de projetos que foram assessorados em operação e mais420,3MW que devem entrar em operação nos próximos três anos, sem contar um portfólio em desenvolvimento da ordem de 1.830MW.

No último primeiro certame exclusivo para energia eólica, promovido em dezembro passado, a Braselco viabilizou 285,3MW de onze parques a um preço médio de R$131 por MWh. No último leilão de reserva e de fontes alternativas, realizado em agosto deste ano, a companhia acabou não negociando energia de nenhuma usina. Abreu explica que o valor médio da energia negociada no último certame, que foi 7% menor quando comparado ao da primeira licitação da fonte, só foi possível porque os fornecedores de turbinas e aerogeradores baixaram os preços em até 15%, pois possuíam muitos equipamentos em estoque devido à retração do mercado ocasionada pela crise econômica internacional de 2008/2009. "Cerca de 70% a 80% do capex de um parque eólico corresponde ao custo das máquinas. A redução do preço por parte dos fabricantes foi um dos motivos para atingirmos patamares de tarifa nunca antes pensados", opina.

Além desse fator, ele afirma que os investidores que optaram por grandes complexos eólicos tiveram vantagem na hora de negociar os equipamentos com os fornecedores devido ao ganho de escala. "Se analisarmos o resultado dos leilões, perceberemos que um pequeno projeto de 30MW não é mais competitivo. Aqueles que apostaram em vários parques que formavam um complexo de 100MW ou 150MW conseguiram negociar melhor os contratos de equipamento, obras civis e elétricas", resume o especialista, que acredita que essa tendência continuará em voga no mercado.

Os investidores dos projetos eólicos também precisaram reduzir suas expectativas de retorno sobre o capital próprio investido para reduzir as tarifas ofertadas nos certames . Segundo Abreu, as margens de 20% que eram usuais caíram para no máximo 13%. Contudo, o executivo é cético com relação à curva de descenso do preço da energia eólica. Ele acredita que os fornecedores a margem dos fabricantes de aerogeradores já chegou ao fundo do poço e que somente algumas otimizações na parte civil, elétrica e logística dos parques é que podem ser feitas.

O que pode contribuir significativamente para o setor eólico, na opinião de Abreu, seria uma reforma tributária que desonerasse a cadeia produtiva nacional. Este pleito já foi apresentando ao governo pela Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica). Na parte regulatória, ele acredita que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) deve dar mais atenção para a questão que envolve o sombreamento de parques, ou seja, a interferência de parques sobre outras usinas próximas. "Tivemos a Resolução 391 sobre o assunto, mas ainda há muito trabalho a ser feito", conclui.

Expansão das fontes renováveis diminuirá uso de térmicas em mais de 9%, diz estudo

Análise da Excelência Energética mostra resultado para o sistema do leilão de renováveis promovido em agosto

Por Luciano Costa - Jornal da Energia

O resultado dos leilões de reserva e de fontes alternativas, que foram promovidos em agosto e contrataram energia de parques eólicos, usinas a biomassa e pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) será positivo para a operação do sistema elétrico brasileiro. A antecipação da geração de energia pela hidrelétrica de Santo Antônio, que está sendo construída no rio Madeira, em Rondônia, também terá impacto no cenário energético. A consultoria Excelência Energética aponta, em um estudo que o Jornal da Energia publicou em primeira mão, que a entrada da energia desses empreendimetos na matriz vai reduzir em mais de 9% ao ano o uso das usinas termelétricas mais poluentes - movidas a gás, carvão e óleo combustível.

De acordo com os dados da Excelência Energética, que adicionou às previsões do Plano Decenal de Energia (PDE) os empreendimentos contratados no certame de renováveis e da antecipação de Santo Antônio, a geração termica até 2019 será 9,31% menor do que a originalmente prevista pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), órgão de planejamento do Ministério de Minas e Energia.

Como o grosso dos empreendimentos renováveis vai entrar em operação a partir de 2012, é neste ano que começa a ser identificada a maior diferença em relação às expectativas da EPE. A mudança de panorama é maior nas regiões Norte e Nordete. Em 2012, por exemplo, a análise da consultoria aponta um despacho térmico 18,8% menor no Nordeste e 6,5% no Norte. Em 2016, essa redução no acionamento das termelétricas chega a 27,3% no Norte e 20,3% no Nordeste. No Sudeste/Centro-Oeste, nesse ano, a previsão é de queda de 5,9% no uso das térmicas e, no Sul, de 3,6%.

As eólicas, usinas a biomassa e PCHs que passarão a gerar energia para o Sistema Interligado Nacional (SIN) também vão, nas contas da Excelência Energética, reduzir em 4,99% a violação das curvas de aversão ao risco - quando a água nos reservatórios das hidrelétricas chega a um ponto considerado perigoso para o sistema. Outras consequências do aumento da participação das renováveis na matriz será o aumento nos vertimentos das hidrelétricas, de 1,28%, e da energia armazenada nos subsistemas.

Moradores que vivem em área de preservação ambiental da Colônia Agrícola Samambaia/DF terão que deixar o local

Uyara Kamayurá - AGU

 Os ocupantes que mantém construções irregulares na Colônia Agrícola Samambaia, no Distrito Federal, terão que deixar o local. A Advocacia-Geral da União (AGU), representando o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), conseguiu a reintegração de posse da área. Os moradores, além de estarem residindo de forma ilegal em terreno público, estão degradando uma área de preservação ambiental, de acordo com o processo.

Vários deles entraram com ação na Justiça para permaneceram permanecerem na área. Sustentaram que, desde 2005, adquiriram de forma regular o espaço através de cessão de direito possessório de particular. Alegaram ainda, que o local não tem caráter de área de preservação ambiental.

A Procuradoria Regional Federal da 1ª Região (PRF1) e a Procuradoria Federal Especializada (PFE) junto ao Ibama comprovaram, entretanto, que área é sim de preservação permanente. Desta forma, a alteração da vegetação nativa só pode acontecer quando imprescindível e com autorização prévia do órgão competente. Os procuradores também lembraram que Lei nº 6.766/79 proíbe o parcelamento de solos em áreas de proteção ao meio ambiente para fins urbanos, o que impede o reconhecimento de direito de posse do local. Inclusive, por causa da norma ambiental, os ocupantes não têm direito a adquirir usucapião, nem de receberem indenização pela retomada de posse pela União.

A PRF1 e a PFE/Ibama pediram a Justiça que autorizasse a desocupação da área em atendimento a missão instituição do órgão ambiental. A autarquia vai cumprir o acordado no Termo de Compromisso e Ajustamento de Conduta celebrado com o Ministério Público e com o Governo do Distrito Federal, que determina a demolição das construções que se encontrarem em situação irregular nas Colônias Agrícolas Samambaia, Vicente Pires e Villa São José.

A 4ª Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal acolheu os argumentos da AGU. De acordo com a decisão, " a atuação da Administração Pública no sentido de proteger a área indevidamente ocupada se encontra embasada nas diretrizes traçadas na Constituição da República de 1988, assim como na legislação infraconstitucional de regência".

A PRF1 e a PFE/Ibama são unidades da Procuradoria-Geral Federal, órgão da AGU.

Ref.: Ação Ordinária nº 2006.34.00.029472-0 -Seção Judiciária do Distrito Federal

Cães farejadores ajudam a preservar baleias no Pacífico

BBC Brasil

Cientistas americanos estão usando cães farejadores para ajudar na preservação de populações de baleias no Oceano Pacífico. 

A ideia de treinar cachorros para detectar fezes de baleia boiando na água surgiu da necessidade de estudar esses animais enormes que passam quase toda a sua vida embaixo da água. 

"Como você estuda uma baleia de 50 toneladas? Você não pode pegar o animal, nós não podemos fazer um exame físico. Então, a única coisa que sabíamos que podíamos conseguir eram amostras de fezes, porque isso já havia sido feito nos anos 80 para estudar a dieta das baleias", explicou Roz Rolland, do New England Aquarium, em Boston, uma pioneira no uso da técnica. 

As fezes contém informações sobre os níveis de estresse e fertilidade da baleia, sua nutrição e a exposição do animal à poluição. Esses dados permitem que os cientistas descubram o que está por trás do declínio da população de baleias na região. 

"Há algo muito importante no uso de habilidades - que não envolvem alta tecnologia, mas que são altamente eficientes - de um animal para ajudar a preservar outro. E para os cachorros, isso é um jogo de esconde-esconde. Eles adoram", diz Rolland. 

O repórter da BBC Andrew Luck-Baker passou um dia inteiro em um barco com o labrador Tucker, procurando fezes de baleia. 

Segundo ele, o trabalho do cachorro é fundamental, já que as fezes boiam por, no máximo, 45 minutos antes de afundar entre as ondas. Se as condições de vento foram ideais, um cão como Tucker pode farejá-las a mais de 1,6 mil metros de distância e guiar o barco até elas.
Quanto mais amostras forem coletadas, mais robustas são as conclusões sobre o que está afetando as baleias. 

As análises de laboratório já confirmaram as suspeitas de que o número de turistas aumenta o nível de estresse das baleias, através do cruzamento de informações sobre os números de barcos no mar e a quantidade de cortisol, o hormônio do estresse, presente nas amostras de fezes em um determinado dia. 

Os dados revelaram que os barcos particulares geram mais estresse para os animais que as operadoras comerciais, porque tendem a chegar mais perto das baleias e agir de forma irresponsável. 

Mas o grande problema para as baleias parece ser que há menos peixes, e eles são menores do que costumavam ser, disponíveis para sua alimentação hoje em dia. 

Segundo os especialistas, as baleias tem que trabalhar muito mais para conseguir a mesma quantidade de comida, porque peixes como o salmão estão se tornando mais raros devido à pesca comercial e à construção de represas. 

Por ajudar a descobrir informações tão importantes para a preservação das baleias, cachorros como Tucker ganham uma recompensa: uma brincadeira animada com uma bola por cada amostra de fezes descoberta no oceano.

21 outubro 2010

Vírus H1N1, da gripe suína, começa a sofrer mutação, aponta estudo

Linhagem ligeiramente nova já predomina na Austrália, na Nova Zelândia e em Cingapura

Reuters
 
WASHINGTON - O vírus H1N1, causador da gripe suína, pode estar começando a sofrer mutação, e uma linhagem ligeiramente nova já predomina na Austrália, na Nova Zelândia e em Cingapura, disseram pesquisadores nesta quinta-feira, 21. 

Mais estudos são necessários para dizer se a nova cepa é mais mortal que a primeira e se a atual vacina continua garantindo total proteção, afirmaram Ian Barr e colegas do Centro de Colaboração de Pesquisa e Referência sobre Influenza (ligado à Organização Mundial da Saúde) em Melbourne, na Austrália. 

"No entanto, isso pode representar o início da mais dramática deriva antigênica da pandemia de gripe A, o que pode exigir uma atualização da vacina antes do esperado", escreveram os autores na publicação online Eurosurveillance. A deriva antigênica é um processo responsável pela incapacidade de o organismo humano hospedeiro criar resistência permanente contra a gripe. 

É possível que essa linhagem seja mais mortal e também capaz de infectar as pessoas que já foram vacinadas, destacaram os pesquisadores. Os vírus da gripe sofrem mutação constantemente - é por isso que as pessoas precisam de uma vacina nova a cada ano. Desde que eclodiu, em março de 2009, e foi difundido globalmente, o H1N1 tem se mantido estável, com quase nenhuma alteração significativa. 

Cientistas do mundo inteiro estão de olho em todas as cepas da gripe, para o caso de uma mutação perigosa emergir. Apesar de o H1N1 não ter sido muito letal, espalhou-se globalmente em algumas semanas e matou mais crianças e jovens do que uma cepa média costuma fazer. 

A OMS declarou o fim da pandemia em agosto, e o H1N1 se tornou o principal vírus de gripe sazonal em circulação em quase todas as regiões do planeta, exceto na África do Sul, onde o H3N2 e a Influenza B são mais comuns. A atual vacina sazonal protege contra H3N2, H1N1 e a cepa B. 

"O vírus tem mudado pouco desde que surgiu, no entanto, nesse relatório nós descrevemos várias mudanças genéticas distintas no H1N1 da pandemia", informou a equipe de Barr. 

"Essas variações foram inicialmente detectadas em Singapura, no início de 2010, e posteriormente se espalharam pela Austrália e pela Nova Zelândia", explicam os autores. 

As alterações ainda não são significativas, segundo eles. Mas há casos de pessoas que foram vacinadas e depois infectadas, além de algumas mortes. "Essa variante do vírus tem sido associada à dose monovalente aplicada em adolescentes e adultos em 2010, assim como a um número de casos fatais de quem a variante foi isolada", escreveram. 

Apesar disso, não há informações suficientes para dizer se pode haver outros fatores que tornem os pacientes mais vulneráveis, salientaram. "Resta saber se essa linhagem vai continuar a predominar no resto da temporada de gripe na Oceania e em outras partes do Hemisfério Sul e se espalhar para o Hemisfério Norte ou simplesmente desaparecer", acrescentaram. 

Segundo a OMS, 18.450 pessoas em todo o mundo morreram em decorrência do vírus H1N1, incluindo muitas mulheres grávidas e jovens. Mas, segundo a organização, levará pelo menos um ano após a pandemia terminar para que seja determinado o número real de mortos, provavelmente bem maior. 

A gripe sazonal mata cerca de 500 mil pessoas por ano, 90% delas idosos em situação vulnerável, de acordo com a OMS. A pandemia de 1957 matou cerca de 2 milhões e a de 1968, 1 milhão.

18 outubro 2010

Nova unidade da Petrobras reduz importação e produz diesel menos poluente

Blog do Planalto

Reduzir as importações de diesel e produzir um combustível menos poluente, com baixo teor de enxofre. Com a inauguração nesta segunda-feira (18/10) da unidade de hidrotratamento de diesel na Refinaria Henrique Lage, em São José dos Campos (SP), a Petrobras vai atacar essas duas questões com um investimento só. A nova planta recebeu investimentos de cerca de US$ 3,5 bilhões.

O presidente Lula estará presente hoje à inauguração da nova planta da refinaria, que entrou em operação nos anos 80 -- é caçula da Petrobras. Atualmente, ocupa uma área de 10,3 quilômetros quadrados. Apenas de recolhimento de ICMS, no ano passado, os cofres do governo de São Paulo receberam R$ 684 milhões. Já o IPTU rendeu R$ 3,7 milhões no ano de 2008. A refinaria representa 14% do processamento de derivados de petróleo, com destaque para nafta petroquímica, óleo diesel, gasolina, gás de cozinha, óleo combustível, asfalto e querosene de aviação. A cada dia são refinados 252 mil barris de petróleo.

Espécie de atum sofre por desastre no Golfo do México, diz ESA

Agência espacial europeia revela impacto do derramamento de óleo. 
Mais de 20% das crias morreram por contaminação na supérficie da água.

Do G1, em São Paulo

O desastre ambiental na plataforma Deepwater Horizon, no Golfo do México, atrapalha a reprodução da espécie Thunnus thynnus, um atum típico da região atlântica. A informação foi divulgada pela agência espacial europeia (ESA, na sigla em inglês) nesta segunda-feira (18).

O satélite Envisat, da ESA, e outros aparelhos europeus geraram dados para a formação de mapas mostrando a forma, extensão e localização da mancha de óleo.

Considerando os habitats de criação de ovos de atum, cientistas do Ocean Foundation - uma organização não governamental para proteção de espécies e do meio ambiente marinho - descobriram que mais de 20% das crias, ao buscar alimentos como plânctons na superfície, acabaram morrendo por contaminação.

A espécie tem valor comercial alto e os exemplares podem chegar a ter o tamanho de um automóvel pequeno. Durante os últimos trinta anos, o estoque da população de atum no Atlântico baixou 82% devido à caça intensa. A redução no número de peixes faz com que a reprodução precise ocorrer com poucos distúrbios.

Os peixes chegaram no local entre janeiro e julho para se reproduzir. O auge na produção de crias ocorreu entre abril e maio, mesma época na qual 5 milhões de litros de petróleo começaram a ser derramados em águas mexicanas e norte-americanas em 2010. O poço da British Petroleum explodiu em 20 de abril.

A reprodução do Thunnus thynnus acontece em águas superficiais, com a fêmea largando ovos para serem ferlilizados pelos machos em seguida. A presença do óleo na água prejudica o ciclo, podendo ser nociva até mesmo para os adultos da espécie.

A ESA deve apresentar mais informações sobre o trabalho dos satélites na análise do desastre do Golfo durante a COP-10, realizada em Nagoya, no Japão, para debates sobre biodiversidade.