22 abril 2010

Chuva amplia atrasos em voos no 1º trimestre

O Estado de SP
 
O número de voos com atrasos de mais de 30 minutos aumentou no 1.º trimestre do ano, com relação ao mesmo período do ano passado. Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), em março os atrasos atingiram 13,1% dos voos, enquanto no ano passado 7,1% dos voos partiram atrasados neste mês. A agência diz que os problemas foram ampliados pelas condições meteorológicas adversas, como chuvas, que provocaram o fechamento de aeroportos. Mesmo nessas situações, porém, as empresas devem oferecer assistência material e orientar o passageiro.

20 abril 2010

Vulcão deve reduzir crescimento europeu em 2010

Prejuízos maiores que os do 11 de Setembro podem causar impacto significativo na economia da região, duramente afetada pela crise financeira global

Jamil Chade, CORRESPONDENTE / GENEBRA - O Estado de S.Paulo

Demissões no Quênia, falta de aspargos na Suíça, interrupção da entrega de uísque escocês no Japão e restaurantes japoneses sem sushi na Europa. O vulcão na Islândia vem causando problemas para a economia bem além dos aeroportos. Institutos de pesquisas já indicam que, se a situação não melhorar, as perdas na Europa podem ficar entre 1% e 2% do PIB.

Ontem, empresas e governos passaram o dia fazendo cálculos sobre os impactos do caos causado pelo vulcão em suas atividades e a União Europeia (UE) anunciou que um grupo avaliará o prejuízo. Só o setor aéreo deve ter perdas de US$ 1 bilhão, maior que as causadas pelos ataques de 11 de setembro de 2001.

Mas o cotidiano de muitos que não viajaram também está sendo afetado. Um supermercado da Suíça - Migros - anunciou que terá aspargos só até quarta-feira, já que 95% do produto vem de fora da Europa. Em Genebra, pelo menos dois restaurantes japoneses anunciaram que podem fechar suas portas por alguns dias por causa da falta de sushi.

Na Europa, cientistas não acreditam que haja um impacto grande na produção agrícola, ainda que a Universidade de Bristol lembre que a erupção de um vulcão na Islândia em 1783 destruiu plantações e causou uma grande fome na França. Alguns anos depois, ocorreu a Revolução Francesa, liderada pelos segmentos mais miseráveis do campo.

Produtos como o peixe da Islândia, o atum do Vietnã, alface e legumes também correm o risco de faltar - já que são transportados por avião para chegar aos consumidores ainda frescos. Milhares de garrafas de uísque escocês se acumulam nos aeroportos da Grã-Bretanha, esperando a reabertura dos aeroportos.

Crise mais longa.

Economistas alertam que a retomada da economia europeia pode ser comprometida nesse pós-crise financeira global. Segundo o centro de pesquisas Chatham House, os prejuízos podem variar de 1% a 2% do PIB da Europa. Na Grã-Bretanha, as perdas devem ser de US$ 150 milhões por dia, de acordo com o Centro para a Pesquisa Econômica (CEBR).

Segundo a entidade, se a paralisação continuar por uma semana, a economia britânica pode perder US$ 1,5 bilhão. E mesmo que todos os espaços aéreos sejam reabertos, estima-se que a normalização dos serviços leve seis dias.

O caos também afetou as bolsas pela Europa. As ações da Iberia caíram 2,6%, as da Air France, 2,9%, as da British Airways, 1,4% e as da Lufthansa, 2,6%. A maior preocupação é ainda com as pequenas empresas do setor. "Algumas companhias aéreas europeias podem não voar mais em duas semanas se essa situação continuar", afirmou a Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês), ontem, em Genebra.

Mas há quem esteja ganhando. Balsas operam com capacidade máxima. O Eurostar colocou novos trens para cruzar o Canal da Mancha, com 50 mil passageiros a mais por dia. As ações do grupo subiram em 2,5%. No aeroporto de Genebra, estudantes ofereciam levar passageiros em seus carros para destinos como Paris, Barcelona e Berlim. Nada por menos de 2 mil, sem contar o custo de pedágio.

Custo do inesperado

Miriam Leitão - O Globo

Nas cinzas do vulcão islandês é preciso ler as lições. O tráfego aéreo começava a voltar ao normal, depois de US$ 2 bilhões de prejuízos, e a erupção piorou novamente. Vulcões e terremotos são parte da atividade sísmica que sempre existiu na Terra. Os prejuízos de eventos sísmicos e climáticos entre 2004 e 2009 foram de US$ 753 bilhões, segundo a resseguradora Munich Re.

Num mundo mais complexo e interligado, as repercussões econômicas de qualquer evento são grandes e ocorrem em cadeia. Na crise financeira recente, a quebra de bancos islandeses provocou uma crise em vários órgãos ou empresas de outros países. Agora, o vulcão islandês paralisa o tráfego aéreo por cinco dias.

Por isso, a grande lição que as cinzas estão deixando é que é preciso ter planos de contingência.

As atividades sísmicas são até certo ponto imprevisíveis e parte da natureza do planeta. Já os eventos climáticos extremos são em parte agravados ou provocados pelo aquecimento global. O que o mundo claramente precisa é se preparar, ter planos alternativos, para eventualidade de eventos que provoquem fatos em cadeia, como agora.

Ontem, a empresa de tráfego aéreo da Inglaterra, a Nats, divulgou às 15h30m uma nota dizendo que tudo estava caminhando para a normalidade, apesar de afirmar que a situação era "dinâmica e mutável." Mais à noite, divulgou outro boletim, avisando que infelizmente a erupção do vulcão tinha piorado.

O pano de fundo em que esse inesperado ocorre é o de uma economia europeia começando a se recuperar da crise financeira e bancária de 2008 e 2009, no início de uma crise fiscal que atingiu a Grécia, mas com risco de se espalhar. Está também neste pano de fundo o fato de que há muito tempo as empresas aéreas do mundo estão em dificuldades financeiras, mas não podemos viver sem elas.

A economista Monica de Bolle, da Galanto Consultoria, diz que a Alemanha é altamente dependente do fluxo de comércio, e ainda que uma pequena parte se faça por avião, ela é afetada.

A Grécia é a maior prejudicada porque precisa do turismo como uma esperança de se reerguer.

O mesmo acontece com a Espanha.

O professor Istvan Kasznar, da FGV, calcula que numa média de 65% de ocupação, a rede hoteleira europeia está perdendo US$ 380 milhões por dia. Mas há quem ganhe, como o transporte marítimo e as telecomunicações. Já que não se pode viajar, haverá mais reuniões telefônicas.

O professor Respício do Espírito Santo, da UFRJ, lembra que 40% do tráfego aéreo mundial ocorre na Europa, o que torna o setor altamente vulnerável. A Emirates diz que está perdendo US$ 10 milhões por dia.

No Brasil, só 5% das nossas exportações acontecem por aviões, segundo a AEB.

Pode afetar apenas importações de alto valor como chips e software. A Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica) informou que ainda não há relatos de perdas porque, em sua maioria, as importações são feitas de países asiáticos, que não foram afetados.

Mas o professor Paulo Fleury, do Instituto Ilos, explica que não se pode pensar de forma estática quando o assunto é logística. A Europa é o centro de escala do tráfego aéreo internacional, isso significa que os voos que vem da Ásia podem não conseguir chegar ao Brasil.

— O impacto não é restrito à Europa porque temos um efeito cascata já que o sistema é interligado. Um voo que sai do Brasil e vai para Nova York pode não acontecer porque a aeronave viria da Europa — explicou.

O problema é mais grave mundialmente porque os modais alternativos de transporte estão todos lotados, segundo Fleury. Ou seja, não é possível desviar o fluxo de cargas e de pessoas para navios, trens e caminhões. Além disso, haveria perda de produtividade porque os prazos de entrega seriam maiores.

Segundo relatório do Royal Bank of Scotland (RBS), na Europa, só 1% das mercadorias é transportada por aviões. Apesar da pequena participação, Fleury lembra que os aviões são usados para o transporte de itens essenciais, como remédios e frutas, bens de alto valor e de tamanho menor.

O diretor-executivo da Fieam (Federação das Indústrias do Amazonas), Flávio Dutra, diz que os problemas na Zona Franca podem começar a aparecer se o caos aéreo durar mais uma semana.

O reflexo aconteceria daqui a 60 a 90 dias, que é o período entre o pedido e a entrega da encomenda.

— As fábricas de televisores estão operando em três turnos para atender à forte demanda deste ano de Copa do Mundo. O volume de importações aéreas é muito grande de componentes eletrônicos de pequeno porte e de alto valor agregado — disse Dutra.

A empresa de seguros Munich Re levantou dados mostrando que os eventos climáticos extremos e os eventos geofísicos produziram de 2004 a 2009 um total de 543 mil mortes, US$ 753 bilhões de perdas financeiras e US$ 256 bilhões de perdas seguradas.

Num mundo em que eventos climáticos extremos serão mais frequentes, em que os vulcões e terremotos continuam tão imprevisíveis como sempre foram, e em que a interdependência é cada vez maior, fatos espantosos como os dessas cinzas podem acontecer mais vezes. Inesperados farão mais surpresas.

Com Alvaro Gribel e Valéria Maniero

19 abril 2010

Repórter do Fantástico sobrevoa vulcão que entrou em erupção na Islândia

Fantástico

O repórter Fábio Fachel passou de helicóptero pela boca do vulcão Eyjafjallajokull. Segundo os geólogos, a fumaça lançada pela montanha pode ser um sinal de algo maior que está por vir.