17 fevereiro 2010

França testou radiação nuclear em soldados

Segundo o jornal "Le Parisien", com base em relatório secreto, experimentos ocorreram no Saara argelino nos anos 60

LUCIANA COELHO

DE GENEBRA - Folha de SP

Um relatório secreto e anônimo escrito por militares franceses e obtido pelo jornal "Le Parisien" indica que a França usou seus soldados como cobaias em testes nucleares na primeira metade dos anos 60.

Segundo o relatório "A gênese da organização e experimentação no Saara", pelo menos um dos testes conduzidos no deserto, em 1961, visava "estudar os efeitos fisiológicos e psicológicos das armas nucleares sobre o homem", afirma o "Parisien" na edição de ontem.

"Nosso pelotão foi incumbido de simular a guerra atômica. Achávamos até que tínhamos sorte, comparando com quem estava na guerra de verdade", diz um dos soldados citados.

Em outro trecho, é descrito um experimento no qual um grupo de soldados foi colocado a 700 metros do local de uma explosão para verificar os efeitos da radioatividade. Após assistir à detonação, de dentro de tanques em uma distância de 1,5 km, o grupo caminhou a pé, sem máscaras, em direção ao local. Recolocado em blindados, eles chegaram a até 275 metros do ponto zero, apenas uma hora após o teste.

Segundo o "Parisien", o relatório foi escrito em 1998 -ano em que o então presidente Jacques Chirac pôs fim aos testes nucleares (foram 210 de 1960 a 1996; o Saara foi trocado pela Polinésia francesa em 1966).

No passado, soldados franceses reclamaram de terem sido tratados como cobaias, sem a proteção adequada, em testes de radiação. Em dezembro, o Parlamento aprovou a compensação de alguns veteranos.

Mas o documento que veio à tona ontem, se autêntico, seria o único conhecido sobre tais experiências, afirmou ao jornal Patrice Bouveret, presidente do Observatório das Armas, um centro de estudos sobre conflitos e paz. Além disso, disse ele à BBC, mostra que as autoridades francesas estavam cientes dos riscos para seus soldados.

O atual ministro francês da Defesa, Hervé Morin, afirmou que nunca soube do relatório. E disseque o nível de radiação a que os soldados foram expostos era "muito baixo", citando teores constatados em argelinos que viviam nas cercanias.

British Airways transforma lixo em combustível de aviação

Fábrica do grupo britânico deve ficar pronta dentro de quatro anos
 
O Estado de SP

A companhia aérea British Airways vai construir a primeira fábrica europeia destinada a transformar lixo em combustível para aviação. Cerca de meio milhão de toneladas de resíduos serão utilizados anualmente para gerar 72,8 mil metros cúbicos de combustível.

Segundo a rede britânica BBC, a nova planta vai produzir aproximadamente o dobro do combustível necessário para todos os voos que saem do City Airport, o menor dos aeroportos londrinos.

Graças a esse programa de reciclagem, será possível reduzir o volume produzido de metano - gás de efeito estufa que chega a ser mais potente que o dióxido de carbono.

A planta será construída pela companhia americana Solena Group, e a British se comprometeu a comprar todo o combustível que for produzido. Segundo o anúncio, a fábrica deve começar a funcionar em aproximadamente quatro anos.

As fontes ideais de matéria orgânica para esse programa são resíduos com alto teor de carbono.

Eles serão introduzidos em um gaseificador de alta temperatura. O resultado desse processo será posteriormente submetido a um procedimento químico para gerar biocombustível.

O combustível produzido na nova fábrica já pode ser utilizado em outros países, mas seu uso ainda não está autorizado no próprio Reino Unido. No entanto, a British Airways acredita que vai conseguir as permissões necessárias até que comece a produção.

TESTES BRASILEIROS

No Brasil, o estudo de combustíveis alternativos para a aviação também já começou. Em 2012, a companhia aérea Azul e a Embraer devem realizar o primeiro voo experimental - sem passageiros - com o uso de um querosene obtido da cana-de-açúcar. A Azul aceitou testar, em um dos seus jatos Embraer, o bioquerosene, que está sendo desenvolvido pela multinacional de biotecnologia Amyris.

Embora o processo de certificação do novo combustível seja longo, o querosene de origem renovável poderá começar a ser produzido em escala industrial em 2013 como uma alternativa ao de origem fóssil, responsável pela alta carga de emissões de CO d2 na aviação. As emissões do tráfego aéreo são responsáveis por 2% de todos os gases de efeito estufa liberados na atmosfera. Em 2050, esse porcentual deve chegar a 3%.

Em novembro, a Gol também anunciou sua entrada em um projeto de pesquisa de biocombustível para aviões - o Sustainable Aviation Fuel Users Group - em português, grupo de usuários de combustível de aviação sustentável. O programa reúne empresas aéreas e provedores de tecnologia, com o objetivo de acelerar o desenvolvimento de novas fontes sustentáveis de combustível para aviação, alcançando uso comercial.

O grupo trabalha em dois projetos preliminares de pesquisa. O primeiro estuda a sustentabilidade do cultivo do pinhão manso como alternativa para geração de combustível sustentável. E outra frente de estudos é relacionada ao uso de algas, com o objetivo de certificar que sua utilização atende aos critérios de sustentabilidade. Um tipo de biocombustível feito com babaçu também já foi testado.