01 outubro 2009

Já são 149 os mortos pelo tsunami em Samoa

da Folha Online

As equipes de resgate buscam nas ilhas Samoa nesta quinta-feira centenas de pessoas desaparecidas pelo tsunami que há 24 horas arrasou populações litorâneas e deixou, pelo menos, 149 mortos.

Às tarefas de busca de desaparecidos e de assistência aos desabrigados em Samoa Ocidental, se uniram especialistas e agentes sanitários, que chegaram hoje a Ápia, a capital, a bordo dos dois aviões enviados pelo governo da Austrália.

Em Upolo, a segunda maior ilha de Samoa independente, pelo menos 20 aldeias ficaram completamente destruídas e cerca de 50 ficaram muito danificadas.

O primeiro-ministro samoano, Tuilaepa Lupesolai Sailele, percorreu acompanhado de funcionários as áreas afetadas de Upolo e se defendeu das críticas que seu governo não alertou com tempo suficiente que se aproximava um tsunami.

"Estivemos informando durante muito tempo à população sobre o que devia fazer em caso de alerta de tsunami", disse a Rádio Nureva Zelândia.

Segundo estimativas do governo de Samoa, Estado com cerca de 200 mil habitantes, o número de desabrigados é de 32 mil.

O país do Pacífico mais afetado foi Samoa Ocidental --independente-- com 110 mortos, enquanto a Samoa americana, declarada zona catastrófica, confirmou 30 vítimas mortais e Tonga outras nove, informaram hoje fontes oficiais citadas pela imprensa local.

Depois do primeiro terremoto de 7,9 graus, segundo a medição do Serviço Geológico dos EUA, a região sofreu dezenas de réplicas superiores aos cinco graus que atemorizaram os residentes e complicaram ainda mais os trabalhos de resgate e envio de ajuda.

O primeiro terremoto derrubou vários edifícios, mas muito pior foi o posterior impacto de ondas gigantes de até seis metros de altura, que se levaram pela frente casas e carros, segundo relatos de testemunhas.

As imagens de televisão mostraram povoados inteiros reduzidos a escombros, casas em pedaços de madeira e metal e veículos pendurados em árvores.

O sul da ilha de Upolo (Samoa independente) foi a zona mais afetada, já que ficaram destruídas tanto humildes aldeias do litoral quanto hotéis de luxo na praia.

Uma grave avaria nas telecomunicações segue impedindo conhecer o alcance exato do desastre.

Na Samoa administrada pelos Estados Unidos, o presidente Barack Obama declarou desde Washington a todo o território como zona catastrófica e acelerou o envio de vários aviões e navios militares para despachar ajuda a mais de 240 mil desabrigados.

Austrália, Nova Zelândia e União Europeia, entre outros, já anunciaram que também despacharão material de emergência ao Pacífico Sul.

A potência do maremoto foi tal que fez desaparecer várias ilhas do arquipélago de Niue, outra nação insular de baixa latitude e muito ameaçada por estes fenômenos.

Com AP e Efe

Terremoto destrói mais de 500 prédios na cidade indonésia de Padang

da Folha Online

Mais de 500 prédios da cidade indonésia de Padang, que tem cerca de 900 mil habitantes, foram destruídos pelos forte terremoto que atingiu a ilha indonésia de Sumatra ontem (30). Hospitais, hotéis, escolas e um shopping center desabaram. O governo registra 529 mortes --das quais 376 ocorreram em Padang-- e admite que o número pode chegar a "milhares".

"Não iremos subestimá-lo [o desastre]. Estaremos preparados para o pior. Faremos tudo o que for possível para ajudar as vítimas",afirmou o presidente da Indonésia, Susilo Bambang Yudhoyono, na capital, Jacarta, pouco antes de embarcar em um voo com destino a Padang.

"Estamos sobrecarregados com as vítimas e... a falta de água limpa, de energia elétrica e de telecomunicações. Nós realmente precisamos de ajuda. Pedimos que as pessoas venham a Padang para retirar corpos e ajudar os feridos", disse o prefeito de Padang, Fauzi Bahar, em entrevista à rádio El Shinta.

Os trabalhos de buscas por sobreviventes e corpos entre os escombros são dificultados pela chuva, que continua forte, e pela falta de maquinário pesado para retirada desses destroços, informa a agência de notícias France Presse. Um dos focos de trabalho são os destroços de uma escola dos quais seis crianças foram resgatadas com vida e quatro, mortas. Outras 20 crianças permanecem desaparecidas.

Um repórter da agência Reuters registrou a falta de combustível e de alimentos, em algumas lojas.

O principal hospital de Padang, o estatal Djamil Hospital, que foi danificado, mas continua de pé, está lotado de vítimas e familiares. Dezenas de feridos recebem tratamentos em tendas instaladas do lado de fora do hospital. O governo federal abriu todos os centros de crise do Exército em Jacarta, Sumatra Ocidental e Sumatra do Norte e destacou veículos militares para irem remover os destroços.

Dois aviões Hércules, das Forças Armadas indonésias, decolaram rumo a Padang com 20 mil tendas para desabrigados e 10 mil cobertores, também nesta quinta-feira.

"Pessoas estão presas, gritando por ajuda, mas debaixo de imensos blocos que só poderão ser retirados por máquinas", disse David Lange, o diretor do grupo médico SurfAid, da Nova Zelândia, que está em Padang e diz ter escapado do desmoronamento do Hotel Ambacang. "Eu vi dezenas dos maiores edifícios caírem. A maior parte dos danos está concentrada no centro comercial, que estava lotado."

"Eu já passei por terremotos antes, mas esse foi o pior. Há sangue por toda a parte, pessoas com os corpos feridos. Nós vimos prédios caindo, gente morrendo", disse o americano Greg Hunt, 38, no aeroporto de Padang.

Moradores que passaram a noite ao relento sofreram nova onda de pânico com o terremoto ocorrido já na manhã desta quinta-feira.

Na cidade de Jambi, cerca de 1.100 prédios, incluindo mesquitas e casas, foram danificados, mas não há registro de vítimas.

Com Reuters e Associated Press

30 setembro 2009

Espécies invasoras

Sem inimigos naturais no Brasil, mexilhões-dourados se disseminam de forma rápida, comprometendo o equilíbrio ecológico e causando enorme prejuízo financeiro
 
Estado de Minas

Biólogos travam uma verdadeira batalha contra o desequilíbrio ecológico causado pela proliferação de espécies exóticas invasoras em águas brasileiras. Entre elas, estão certos tipos de peixes, plantas aquáticas, como algumas braquiárias e aguapés, cianobactérias e mexilhões dourados, responsáveis por danos ambientais de regiões inteiras e por grandes prejuízos econômicos. Para conter o avanço dessas pragas, que preferem ambientes com água aquecida e se reproduzem ainda mais com o aumento das temperaturas, os pesquisadores contam com trabalhos de prevenção e investem em estudos sobre a ocorrência desses seres na natureza. Espécie invasora ou exótica é aquela que não é natural do ambiente e pode ser prejudicial a ele, alterando as características e o equilíbrio natural de outras comunidades. Como não têm inimigos naturais, como predadores, competidores e parasitas, se reproduzem rapidamente em grandes quantidades.

Em Minas Gerais, uma das principais espécies exóticas é o mexilhão-dourado (Limnoperna fortunei). É um tipo de molusco originário da Ásia, que chegou às águas brasileiras pela Região Sul.
 
Esse é um exemplar de água doce, natural do Sudeste asiático (Vietnã, Laos, Camboja, parte da China e da Tailândia), e acredita-se que chegou ao Brasil transportado em navios, no início da década de 1990.
 
Atualmente, é considerada uma praga em países como China, Coreia, Japão e Taiwan, causando alterações ambientais e prejuízos econômicos nos locais onde se instalou. No país, em apenas 10 anos, conseguiu se espalhar por quase toda a Bacia do Prata, chegando ao Rio Paraná com densidades que podem superar 120 mil indivíduos por metro cúbico.

Barcos pequenos que circulam nos rios no transporte de passageiros ou são usados para pesca esportiva e profissional disseminam a espécie pelos portos menores. O mexilhão pode chegar em forma de larva ou adulto, nos cascos das embarcações, motores e equipamentos de pesca. As aves aquáticas migratórias também podem carregar larvas ou mexilhões jovens nas penas e nos pés. Peixes e alguns crustáceos também colaboram para a dispersão da praga.

Desde 2000, está em curso o estudo Desenvolvimento de metodologias e pesquisas no ecossistema e em plantas de usinas de hidrelétricas para controle de mexilhão-dourado, da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), com a Fundação Centro Tecnológico de Minas Gerais (Cetec). Os pesquisadores descobriram, ao longo desses nove anos, alguns produtos que matam o mexilhão, como cloro, hidróxido de sódio e ozônio. Para prevenir e controlar a praga, está em teste ainda o uso de cobre em algumas tintas e superfícies de embarcações, a limpeza delas, substituição de filtros nas usinas, o aumento da temperatura da água próximo às turbinas (o mexilhão não resiste a mais de 40 graus), o controle da água de lastros e de eclusas (espécie de elevadores para os barcos transporem as barragens).

Em Minas, o principal desafio é impedir que os moluscos ultrapassem a barreira da Usina de São Simão (a maior geradora da Cemig), no Alto Paranaíba, na divisa com o estado de Goiás. No Rio Paraná, a Companhia Energética de São Paulo (Cesp) também sente os efeitos da incrustação do mexilhão. Num trabalho de desinfecção de barcos, a Marinha recomendou que o lastro seja feito em altomar, onde a salinidade é maior e os mexilhões não resistem.

ITAIPU

Na Hidrelétrica de Itaipu, no Paraná, o Limnoperna fortunei não chegou a atingir as máquinas e o trabalho está concentrado no controle e limpeza das tomadas de água por onde o molusco entra. De acordo com o veterinário da usina, Domingo Rodriguez Fernandez, a empresa tem três sistemas e trabalha com apenas dois, o que possibilita fazer a limpeza de um, sem interromper o processo. Itaipu gasta, por ano, cerca de US$ 20 mil e horas extras com a limpeza em toda a usina. "É um problema crônico porque não é possível resolvê-lo, mas que não inviabiliza as atividades desde que haja aumento no controle e no trabalho de manutenção. Depois que chega a uma área, só resta conviver com ele", afirma Domingo.

"Hoje, o maior problema não é com as usinas, mas principalmente ambiental. Descobriu-se que o cloro mata, mas, até chegar à estação de tratamento, a população de mexilhões já entupiu os canos e, para alterar o quadro, gasta-se muito dinheiro. Itaipu e Pantanal são exemplos de reservatórios já infestados", afirma a bióloga da Superintendência de Gestão Ambiental da Cemig Hélen Mota. Segundo ela, a Cemig faz testes com produtos que podem matar o mexilhão e ao mesmo tempo não agredir o meio ambiente. Outro desafio é estudar as formas de controle e a ecologia do molusco, que ainda não são muito conhecidas.