09 setembro 2009

Modernidade atrai e ameaça indígenas peruanos na Amazônia

Javier Otazu - EFE

Panán (Peru), 9 set (EFE).- Cerca de 400 mil peruanos de 42 etnias diferentes vivem nas margens dos rios que cortam a Amazônia e subsistem de recursos naturais, ao mesmo tempo em que o mundo moderno os atrai e assusta.

Os nativos amazônicos peruanos ganharam notoriedade mundial em junho passado, quando protagonizaram violentos distúrbios que deixaram pelo menos 34 mortos. Os protestos eram contra uma série de leis de alto impacto ambiental.

A floresta e o rio dão aos indígenas tudo o que têm: madeira e folhas de palmeira para construir suas casas, os frutos que os alimentam ou os embriagam, e a água com se banham.

A região de El Alto Paranapura é o lar do povo shawi - chayahuita para os missionários espanhóis. É ali que tem sua origem Alberto Pizango, líder amazônico hoje asilado na Nicarágua por ter estimulado seu povo a se rebelar.

O povo shawi, da mesma forma que quase todas as etnias amazônicas, forma povoados mais ou menos dispersos onde chama a atenção a quantidade de crianças que transitam entre galinhas e cachorros.

"Aqui o normal é ter seis filhos", diz o apu (chefe índio) de Panán, Robinson Pinedo, que reconhece que as políticas de planejamento familiar não tem muito sucesso ente o povo da região.

Algo compreensível já que a maioria das mães traz seu primeiro filho ao mundo ainda com 13 ou 14 anos, como conta Henry Fuentes, diretor, no povoado vizinho de Varadero, de um internato onde diz recuperar as poucas adolescentes que conseguiram escapar do destino de ter várias crianças.

A razão para tantos filhos não está, no entanto, em uma fartura imensa de comida, já que a dieta das crianças consiste basicamente de banana e mandioca, sendo carne ou peixes algo raro em uma das duas refeições que costumam fazer ao dia.

"As crianças enganam a fome com o 'masatito'", diz Rafael Pua, diretor da escola de Frei Martín. O masato é o licor obtido após mastigar e depois cuspir a mandioca, sendo a saliva o elemento que fermenta.

É habitual ver as crianças com grandes tigelas de masato a qualquer hora do dia, enquanto os mais velhos não começam nenhuma reunião se não tiverem ingerido essa bebida. É até maleducado da parte de um visitante rejeitar uma boa tigela.

Se não fosse pela escola, a vida desses povoados seria pré-moderna, mas o Estado peruano, ainda que ausente, introduziu o ensino e conseguiu pelo menos enquadrar as crianças.

São, certamente, escolas superpovoadas, com poucos professores, instalações precárias e pouco material, mas locais onde as crianças aprendem o básico da leitura e da matemática e podem se sentir parte de um país.

A escola serve também como reforço alimentício, pois o Programa Nacional de Alimentos entrega a cada colégio sacas de arroz, azeite e leite que são cozinhados em uma panela comum e servem para dar às crianças, na hora do recreio, uma comida quente, para muitos a primeira do dia.

Os chayahuitas conservam um alto sentido comunitário. Possuem vacas, mas quase nunca as comem, porque as criam para vendê-las nas cidades em caso de necessidade, como quando alguém fica doente e é preciso custear as despesas do hospital.

A saúde é outra das questões pendentes do Estado: os povoados da região contam com um posto médico com enfermeiros, quase nunca médicos, para tratar doenças clássicas da floresta: diarréias e vômitos na estação seca, catarros e tosse na estação de chuvas.

Porém, as crianças frequentam o posto médico, como reconhece a enfermeira Mary Sevillano, de Panán. Os mais velhos preferem o chamán (bruxo), que fornece ervas e raízes, e segundo dizem é capaz de curar uma mordida de cobra apenas um canto.

O povo shawi quer mais escolas, quer bibliotecas e pede "uma sala de computação" quando não têm nem eletricidade. Talvez façam isso sem perceber que o dia em que tudo isso chegar, estará finda toda uma forma de vida.

SC tem 138 feridos após chuvas; 60 casas são destruídas e aulas são suspensas em Guaraciaba

Do UOL Notícias*
Em São Paulo
 
A Defesa Civil de Santa Catarina divulgou nesta quarta-feira (9) balanço que revela que aumentou o número de feridos por conta dos vendavais que atingiram o Estado na madrugada de ontem. Foram registrados 138 feridos, com a morte de quatro pessoas, em 46 municípios catarinenses atingidos pelas fortes chuvas e ventos.

Do total de feridos, mais de 40 estão hospitalizados e 70% das residências foram danificadas pelo provável tornado que se abateu sobre a região. Seis municípios já decretaram situação de emergência: Santa Terezinha do Progresso, São Domingos, Vargeão, Vargem Bonita, Dionísio Cerqueira e Ipuaçu. No oeste do Estado, o município de Caçador comunicou o destelhamento de 230 residências, enquanto Abelardo Luz sofreu com a forte chuva de granizo que provocou prejuízos em pelo menos 2.012 edificações.

O município de São Domingos estava sem comunicação, enquanto a localidade de Campina da Alegria, no município de Vargem Bonita, sofre com a falta de água e energia elétrica, verificando o destelhamento de 206 edificações. O município de Ipuaçu estava sem energia e com registros de destelhamento de casas e queda de árvores.

O município de Coronel Martins estava sem comunicação e energia elétrica, com destelhamento e queda de árvores. Monte Castelo informou aos técnicos da Defesa Civil Estadual a existência de cerca de 106 edificações atingidas, com pelos menos dois feridos, sendo uma vítima de enfarte e 40 desalojados.

Penha, na foz do rio Itajaí-Açu estava sem água e sem eletricidade, além de contar com 411 edificações atingidas pelo vendaval. Em Blumenau, no Vale do Itajaí, foram verificados destelhamentos, quedas de árvores e o desabamento de um galpão da empresa Auto Viação Catarinense.

Guaraciaba

O município de Guaraciaba (SC), um dos atingidos pelo temporal na última segunda-feira (7) registra até o momento 60 casas completamente destruídas pela chuvas e pelo vento, que chegaram a 100 quilômetros por hora na região. A prefeitura informou hoje (9) que as aulas na cidade estão suspensas por tempo indeterminado.

A decisão se deve aos estragos nas próprias escolas e também ao difícil acesso de veículos, inclusive os que fazem o transporte escolar. A direção dos colégios pediu aos professores que, durante o período fora da sala de aula, se disponibilizem a ajudar as famílias atingidas pelo temporal.

Os professores e as demais pessoas que quiserem atuar como voluntários devem procurar os centros de informações e apoio na prefeitura, no Corpo de Bombeiros, no Centro de Convivência dos Idosos ou no Ginásio de Linha Caravaggio, onde estão os desabrigados.

Levantamento preliminar indica que a chuva prejudicou 170 famílias em Guaraciaba. Além das 70 casas completamente destruídas, 110 tiveram o telhado danificado. Além dos fortes ventos, o município registrou queda de granizo na última segunda-feira.

Ontem (8), o prefeito da cidade, Ademir Zimmermann, decretou situação de calamidade pública. Ainda há pontos da cidade sem energia. A prefeitura informou que o governo de Santa Catarina já autorizou o município a adquirir medicamentos, colchões, lonas e produtos de primeira necessidade às famílias atingidas.

O governador do estado, Luiz Henrique da Silveira, e representantes da Defesa Civil de Santa Catarina devem visitar Guaraciaba hoje.

Doações de roupas, calçados, cobertores, colchões e alimentos podem ser deixadas no Centro de Convivência dos Idosos, onde uma equipe realiza a triagem dos materiais. Quem não puder levar até o local pode ligar para os telefones (49) 3645-0785 ou (49) 3645-0122.

A previsão para hoje na Região Sul, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), é de tempo nublado, com pancadas de chuvas, trovoadas e possibilidade de chuvas fortes em áreas isoladas. A Defesa Civil informou que deve continuar chovendo na região durante toda a semana.

*Com informações das agências Brasil e Estado