07 agosto 2009

Brasil com quase 2 mil casos no total

Rodrigo Couto – Correio Braziliense

As gestantes, cardiopatas e hipertensos - considerados grupos de risco para a gripe A (H1N1), popularmente conhecida como gripe suína - que contraírem a forma grave da doença têm 3,46 mais chances de morrer do que uma pessoa que não se enquadre nesse perfil. Já a taxa de letalidade dos brasileiros que perderam a vida em decorrência de complicações da nova gripe caiu de 12,8% para 10,3%. As informações foram divulgadas ontem à tarde pelo Ministério da Saúde, que confirmou 1.958 casos e 56 óbitos, sendo 36 mulheres (52,2%). Desse total, nove estavam grávidas. Secretarias estaduais, no entanto, informam mais 20 casos, o que pode levar o número total a 76.

A taxa de mortalidade dos pacientes infectados pela doença e que evoluíram para casos graves e apresentaram um dos fatores de risco - gravidez, cardiopatia e hipertensão - foi mais que o triplo (15,09%) das pessoas que não se enquadram em nenhum desses perfis (4,36%). De 25 de abril a 25 de julho, as secretarias estaduais de Saúde informaram ao ministério 10.623 casos suspeitos de algum tipo de gripe. Desse total, 1.958 (18,4%) foram confirmados como gripe A e 669 (6,3%) como influenza sazonal.

"A taxa de mortalidade dos casos confirmados de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) pelo novo vírus é de 0,029 óbitos por 100 mil habitantes. Cabe destacar que, de acordo com o protocolo brasileiro, o cálculo da taxa de letalidade em relação ao total de casos de influenza não é mais utilizado como parâmetro para monitorar o comportamento da doença, uma vez que os casos leves não são mais notificados, exceto em surtos", diz o boletim do ministério.

Ranking

Entre todos os países monitorados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil figura na oitava posição do ranking de letalidade da gripe suína (leia quadro), com taxa de 0,02%, enquanto a Argentina, que lidera a lista, apresenta percentual de 0,41%. Em seguida, aparece a Austrália (0,25%), Canadá (0,17%), México (0,13%), Chile (0,11%), Estados Unidos (0,09%) e Reino Unido (0,04%).

No Brasil, de acordo com o boletim do Ministério da Saúde, o estado de São Paulo (27) é a unidade que apresenta o maior número de óbitos, seguido do Rio Grande do Sul (19), Rio de Janeiro (5), Paraná (4) e Paraíba (1). "Além da taxa de letalidade, devemos nos esforçar para informar e combater esse vírus. Mais para frente, o número de casos pode aumentar e é importante estarmos preparados", pontuou o infectologista José David Urbáez.

Levantamento realizado com 378 pacientes infectados pela gripe A revelou que a maioria (99,5%) apresentou febre, 99,7% tiveram tosse, enquanto 97,9% afirmaram ter desenvolvido dispneia - dificuldade de respirar caracterizada por respiração rápida e curta. Outros 64,3% desenvolveram mialgia (dor muscular). Os doentes também informaram outros sintomas: 58,2% (coriza), 48,9% (dor de garganta), 14,6% (diarreia), 33,1% (dor articular), e 46,8% (calafrio).

Ganhos secundários

O índice de circulação da nova gripe no país manteve-se na proporção de 60% dos vírus de influenza, mesmo índice do boletim anterior, divulgado na semana passada. Entre os que foram contaminados com a doença, pelo menos 19% tiveram algum sinal de agravamento da doença. Já entre as pessoas infectadas pela influenza sazonal, essa proporção foi de 18,5%.

Na avaliação de José David Urbáez, as autoridades têm adotado uma postura técnica. "Acho que a estratégia está correta." Urbáez disse ainda que a propagação pode ter aspectos positivos. "Também devemos pensar que essa nova doença pode gerar ganhos secundários, como a ampla divulgação dos sintomas e formas de prevenção dos vírus influenza. O importante é colocar o tema em debate", afirmou.

Insetos brasileiros estão à venda em sites na internet

Animais são coletados e exportados ilegalmente e vendidos às vezes por R$ 5; ministro afirma que "é difícil fiscalizar"

Um dos sites, de onde saiu besouro verde que pode levar à criação de novos chips, tem 70 espécies do Brasil e está "em liquidação"

RICARDO MIOTO

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Insetos brasileiros saídos ilegalmente do país estão à venda por poucos dólares na internet.

Qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo, pode adquiri-los. Basta digitar no "Google" as palavras "dried insects" ("insetos secos") e preparar o cartão de crédito.

Na última semana, a reportagem da Folha encontrou pelo menos três sites que vendem insetos mortos brasileiros e os entregam em qualquer lugar. Um deles está fazendo até um "saldão" e dando 25% de desconto em todas as peças.

Trata-se do belga Bug Maniac, onde recentemente um grupo de cientistas da Universidade de Utah (EUA) encomendou por 4 o besouro brasileiro Lamprocyphus augustus, o "besouro fotônico". As propriedades de sua carapaça verde, descritas em um artigo no periódico "Physical Review E", podem ajudar a desenvolver novos chips de computador.

O site diz ter "mais de mil clientes", recebendo algo entre "100 e 200 e-mails por dia". São mais de 70 espécies de insetos brasileiros à venda. Capturar esses animais e enviar para o exterior sem autorização é crime. A multa para pessoas físicas chega a R$ 50 mil. Mas a diversidade na oferta mostra que os fornecedores no Brasil não estão tendo dificuldades.

De onde esses animais, muitos exóticos e raros, vêm? Segundo a loja virtual Butterflies and Things, sediada no Estado americano de Ohio, entre os fornecedores estão "pessoas no Terceiro Mundo que ganham a vida coletando borboletas e insetos". Além do Brasil, há dúzias de espécimes da Argentina, do Peru, da Bolívia, do Paraguai e do Chile, para ficar só na América do Sul.

O Ibama só autoriza a coleta de exemplares da fauna silvestre -assim como da flora- a cientistas e profissionais de instituições credenciadas, como universidades ou institutos de pesquisa. Não é o caso.

Quem compra são desde colecionadores apaixonados, museus, escolas e artistas até revendedores pelo mundo. É animado o mercado internacional de borboletas mortas.

Acusações de biopirataria

Enquanto a porteira parece continuar aberta de um lado, cientistas brasileiros sofrem com a burocracia e reclamam, dizendo que são tratados como criminosos e que se leva muito tempo para conseguir autorizações para coleta de espécimes.

O biólogo Carlos Jared, por exemplo, do Instituto Butantan, foi multado em R$ 21 mil pelo Ibama, em 2007. Tentava enviar onicóforos, animais de aspecto vermiforme, para um colega na Alemanha.

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, diz que "é difícil fiscalizar" os criminosos, mas que o tratamento aos pesquisadores vai melhorar.

Minc diz que o país está sendo "fraudado, depenado" pela biopirataria. "Estamos aumentando a fiscalização nas unidades de conservação. É muito pouca gente, uma pessoa pra tomar conta de uma unidade enorme, é uma covardia", diz.

A ideia do ministério é barrar a biopirataria tanto na hora da coleta quanto nos aeroportos. "Estamos montando um sistema com a Infraero", afirma.

Sobre as reclamações dos pesquisadores, Minc diz que uma nova lei de acesso irá para o Congresso até o final de agosto e que, em breve, os pesquisadores levarão poucos dias para conseguir licenças de coleta e envio. "Se forem de uma instituição de peso como a Fiocruz ou a USP e elas assumirem a responsabilidade por eles, a licença será automática."

05 agosto 2009

País tem 129 mortes por gripe suína

PR confirmou ontem 21 óbitos; na Argentina, um dos países com mais registros, confirmações chegam a 275

Evandro Fadel, Emilio Santanna e Jamil Chade

O total de mortes no Brasil provocadas pela gripe suína e confirmadas pelos Estados chegou ontem a 129. Apenas no Paraná, 21 óbitos foram confirmados ontem e o Estado passou a ser o terceiro com o maior número. São Paulo e Rio Grande do Sul continuam sendo os Estados com mais registros - 50 e 29, respectivamente.

Na Argentina, um dos países com maior número de óbitos, as mortes confirmadas estavam em 275 até a semana passada. No Paraná, o aumento do número de casos foi o mais expressivo ontem. Até então, tinham sido confirmadas apenas quatro mortes no Estado. De acordo com o secretário da Saúde, Gilberto Martin, o aumento se deve à demora dos exames que eram feitos na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Desde o dia 27 de julho, o Laboratório Central do Paraná (Lacen) foi autorizado a também fazêlos.

"A partir do momento em que começamos a fazer exames pelo Lacen, começamos a ter resultados em maior volume e velocidade", salientou Martin. Em razão disso, a secretaria passa a divulgar três boletins semanais.

Pelos dados divulgados ontem, o Estado realizou 3.829 exames em suspeitos, dos quais 601 deram positivo. Mais dados sobre as mortes serão divulgados no boletim de hoje. Martin adiantou que o predomínio é de adultos jovens. "É uma das características do vírus", disse.

Entre as 25 mortes registradas desde o início da epidemia de gripe suína, 19 aconteceram na região de Curitiba, 2 na região de Ponta Grossa, 2 na região de Jacarezinho, 1 na região de Foz do Iguaçu e mais 1 na região de Londrina.

Os óbitos ocorreram entre o dia 14 de julho e ontem, quando morreu uma pessoa. "Em relação aos números, principalmente os de óbito, nós estamos trabalhando com transparência total", ressaltou o secretário.

Para o infectologista Caio Rosenthal, o número de mortes chama a atenção, mas não surpreende. Segundo o especialista, em relação a outros anos, os dados de 2009 não seriam maiores.

"Não estou menosprezando as mortes, mas infelizmente não me surpreende", diz. "No ano passado, 70 mil pessoas morreram de gripe e de complicações ligadas a ela no Brasil."

Antônio Pignatari, infectologista do Hospital Nove de Julho, concorda. À medida que a epidemia avança, afirma, o número de mortes também tende a ser maior. "Como não temos o denominador – o número de casos -, os óbitos podem preocupar, mas são compatíveis com a epidemia, que, se não está em seu auge, está próximo dele", afirma o médico.

EVOLUÇÃO

Também ontem, a Organização Mundial da Saúde (OMS) voltou a informar que a previsão é de que cerca de 2 bilhões de pessoas sejam afetadas pela nova doença até o final da pandemia.

Essa previsão da OMS corresponde a cerca de um terço da população do planeta. A entidade, no entanto, reconheceu que simplesmente não sabe qual o número de pessoas afetadas hoje. Dados publicados ontem pela entidade apontam 162,3 mil casos em 168 países e territórios até o dia 31 de julho. Ocorreram pelo menos 1.154 mortes.

As Américas continuam tendo a grande maioria dos casos. Seriam 98,2 mil apenas nessa região, com 1.008 mortes - ou seja, 87,3% de todas as mortes já registradas por causa da gripe suína. Só no México, foram quase mil casos em apenas cinco dias. A segunda região com maior número de mortes é a Ásia, com 65. Mas a OMS admite que não sabe se esses são os números corretos nem qual a real situação, já que os governos não são obrigados a registrar cada um dos casos e centenas passaram desapercebidos.